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Thursday, September 22, 2005

Utopia do transporte grátis

Dia sem carros: transportes gratuitos em Lisboa e Porto

Grátis todas as viagens de metropolitano, de autocarro, de barco ou de comboio


Há uns anos atrás teria, provavelmente, concordado com isto. A ideia é bonita. Não há tantos carros, logo não é tanto fumo, o que é melhor para todos. Um objectivo simples e também simplista.

Por trás deste inocente título, esconde-se a realidade. Uma realidade que não é ambientalista (defender a imutabilidade do ambiente que, por si próprio, é mutável, pouco sentido faz) nem utópica. Como eu disse, a ideia é bonita. Transporte grátis para todos. A verdade está no corpo da notícia.

Os utentes dos transportes públicos de Lisboa e Porto vão poder viajar quinta-feira gratuitamente, uma iniciativa conjunta das várias empresas públicas no âmbito do Dia Europeu Sem Carros.

De acordo com uma nota do Ministério das Obras Públicas, Transportes e Comunicações, são grátis todas as viagens de metropolitano, de autocarro, de barco ou de comboio.

Esta acção abrange a CP, Carris, Metropolitano de Lisboa, Transtejo/Soflusa, STCP e Metro do Porto.

O Dia Europeu sem Carros, que se celebra quinta-feira em vários países e que tem em Portugal a adesão de 46 municípios, procura sensibilizar a população para a necessidade de um ambiente mais saudável.

Como se deve imaginar, os recursos não são infinitos nem indefinidamente disponíveis. Nem os serviços se materializam à nossa frente. A realidade é que todo este transporte grátis será pago. O petróleo custa dinheiro. E também dinheiro custa a electricidade nos outros transportes. Como (infelizmente?) vivemos num Universo que respeita as equações de Einstein, os trabalhos de Joule e as descobertas de Lavoisier, a matéria transforma-se em energia (e vice-versa), ou seja, a forma mais eficiente de gerar energia é fazê-la através da matéria. Daí que se usem barragens hidroeléctricas para produzir electricidade. Para o fazer é preciso gastar dinheiro em turbinas que aproveitem a energia cinética da água. Para construir estas turbinas é necessário ter acesso a desenhos industriais exactos, desenhos esses que são estudados por especialistas de engenharia e baseados em matérias-primas que também possuem o seu custo, etc. Tudo isto custa dinheiro, como é óbvio. Quem paga? O pobre diabo de sempre, o contribuinte.

Tudo isto porque há um dia sem carros, em que as pessoas são proibidas de se deslocar normalmente já que as vias estarão cortadas aos acessos normais. Um dia em que os transportes são grátis mas a conta final sai dos impostos de todos, até dos que não saem de casa nesse dia. Afinal de contas, o governo e Vítor Constâncio dizem que não sabem qual o impacto que a subida do preço do petróleo terá na economia portuguesa. E porque se deveriam preocupar? As empresas de transportes públicas são públicas o que significa que quem paga os combustíveis são os cidadãos. Obviamente eles não sabem o impacto que terá na economia mas, entretanto, vão gastando o dinheiro que lhes foi confiado em mais petróleo, quando devia ser aproveitado para investimentos privados em novas formas de energia já que o mercado tenderia a buscar novas soluções. Pelo contrário, para além destas iniciativas “amigas do ambiente” (como se o ser humano fosse um produto artificial proveniente de outro Universo), apressam-se a proibir a energia nuclear porque “não respeita o ambiente” e não é segura.

Com este tipo de afirmações, proponho que os manuais de física mudem os termos relativamente aos fenómenos radioactivos. Becquerel e Curie não descobriram a radiação, inventaram-na.

Triste e revelador da hipocrisia do governo.

P.S. - Segundo O Insurgente, o Estado irá pagar também 9 milhões de euros às empresas privadas da Área Metropolitana de Lisboa.
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