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Wednesday, December 30, 2009

Memory hole

A verdade é que sempre estivemos em guerra com a Lestásia:
DN revela em primeira mão despachos do presidente do Supremo Tribunal. Noronha do Nascimento diz que houve "desconsideração" pela regras e por isso as escutas entre Vara e o primeiro-ministro têm de ser destruídas.

A posição de Noronha do Nascimento quanto ao teor das escutas foi esta: “O conteúdo dos 'produtos' em que interveio o PM, se pudesse ser considerado, não revela qual facto, circunstância ou referencia de ser entendido ou interpretado como indício ou sequer como uma sugestão de algum comportamento com valor para ser ponderado em dimensão de ilícito criminal”, lê-se no despacho.

Friday, December 25, 2009

Santa's on his way

For more than 50 years, NORAD and its predecessor, the Continental Air Defense Command (CONAD) have tracked Santa’s Christmas Eve flight.

The tradition began in 1955 after a Colorado Springs-based Sears Roebuck & Co. advertisement for children to call Santa misprinted the telephone number. Instead of reaching Santa, the phone number put kids through to the CONAD Commander-in-Chief's operations "hotline." The Director of Operations at the time, Colonel Harry Shoup, had his staff check the radar for indications of Santa making his way south from the North Pole. Children who called were given updates on his location, and a tradition was born. (...)

Since that time, NORAD men, women, family and friends have selflessly volunteered their time to personally respond to Christmas Eve phone calls and emails from children. In addition, we now track Santa using the internet. Last year, millions of people who wanted to know Santa's whereabouts visited the NORAD Tracks Santa website.

Finally, media from all over the world rely on NORAD as a trusted source to provide Christmas Eve updates on Santa's journey.
Todos os anos, caças americanos e canadianos interceptam o trenó do Pai Natal e escoltam-no durante a sua entrada na América do Norte.

Thursday, December 24, 2009

Uma lição de simbologia natalícia

O bacalhau não tem qualquer paladar especialmente agradável. Apesar de os portugueses tipicamente reclamarem que existem mais de mil maneiras de cozinhar bacalhau, a fracção de pessoas que consome bacalhau durante o ano, nas suas variadas formas, é extremamente reduzida. Se o bacalhau é assim tão extraordinário, como geralmente os defensores da tradição sugerem que é, por forma a racionalizar a prática do seu consumo na consoada, por que razão não se come mais vezes durante o ano? Claro que se fosse este o caso, o bacalhau faria efectivamente parte do leque de pratos que constituem a dieta alimentar de muitos portugueses ao longo do ano, como, por exemplo, o famoso bitoque ou o frango assado. Isto levantaria um problema grave. Se a refeição da consoada é tão banal que é consumida com uma elevada frequência durante o resto do ano, o seu significado reduz-se significativamente. Como a maior parte das festividades humanas está geralmente ligada ao convívio social das refeições, não haveria uma sensação de Natal porque se não estaria a comer algo fora do comum. Seria apenas mais uma reunião de família, mas com decorações diferentes.

O que este raciocínio implica é que a manutenção de tradições como a consoada em países onde os agregados populacionais sejam particularmente vulneráveis aos efeitos da simbologia e a escassez alimentar não seja um problema (em cujos casos, as festividades, pelo contrário, envolvem refeições mais apetecíveis, mas também mais caras, e, portanto, impossíveis de sustentar com muita frequência ao longo do ano), qualquer comemoração muito relevante envolverá o consumo de um alimento não particularmente desejável do ponto de vista gastronómico, algo relativamente neutro que deixe a maior parte destas pessoas indiferentes. Um outro vector em que esta diferenciação ocorre é o sacrifício envolvido na preparação da refeição, o qual sinaliza, por via do esforço individual ou colectivo, a importância que se atribui ao festejo em causa. À luz desta proposição, mesmo que esse esforço não se traduza necessariamente numa melhoria significativa na qualidade da refeição (que provavelmente se encontra já comprometida à partida pela escolha do alimento a usar), não é particularmente estranho observar que preparação do bacalhau, no caso português, implica um esforço que se estende ao longo de várias horas, ou dias, devido ao processo de demolha. A aquisição de bacalhau ultracongelado, previamente demolhado e cortado é culturalmente punida. É possível observar um processo semelhante no caso da utilização de peru recheado para o dia de Acção de Graças no Estados Unidos, que, ironicamente, começou por ser um "festival da colheita", um aspecto que está relacionado com os antecedentes pagãos da actual comemoração do Natal nos países de maioria cristã.

Por tudo isto e algumas outras razões (como o facto de o consumo de bacalhau ter sido subsidiado durante o Estado Novo), hoje à noite, muitos de nós estarão a comer o fiel amigo sem grande entusiasmo. A propósito, os meus desejos de um feliz Natal para todos.

Tuesday, December 22, 2009

venture to the stars



Carl Sagan - 'A Glorious Dawn' ft Stephen Hawking (Cosmos Remixed)

Wednesday, December 16, 2009

Samuelson e o planeamento central

Paul Samuelson, um dos vultos mais destacados da ciência económica do século passado, faleceu há poucos dias. Para além de contribuições nos mais variados campos da economia, uma das suas heranças ao mundo é o famigerado Economics, que, a certa altura da sua existência, de acordo com este artigo de Arnold Beichman, rezava da seguinte forma:
World-class economist Paul Samuelson, a Nobel laureate, wrote in the tenth edition of his textbook Economics: “It is a vulgar mistake to think that most people in Eastern Europe are miserable.” This, mind you, in the aftermath of the 1953 East German uprising, the 1956 Hungarian uprising and the Poznan protests in Poland, the 1968 revolution in Czechoslovakia— all suppressed with bloodshed by Soviet tanks. In the eleventh edition, he took out the word “vulgar.” In the 1985 twelfth edition, that entire passage had disappeared. Instead, he and his coauthor, William Nordhaus, substituted a sentence asking whether Soviet political repression was “worth the economic gains.” This non-question was identified as “one of the most profound dilemmas of human society.” After 70 years of Leninism, Stalinism, and Maoism that took at least 100 million lives, this was still a dilemma? (...)

At a time when the magnitude of the Soviet economic disaster was apparent even to the most willfully blind Marxists in Central Europe and the USSR, the 1985 Samuelson text offered this paragraph about the Soviet economy: "But it would be misleading to dwell on the shortcomings. Every economy has its contradictions and difficulties with incentives—witness the paradoxes raised by the separation of ownership and control in America. . . . What counts is results, and there can be no doubt that the Soviet planning system has been a powerful engine for economic growth".
O artigo merece ser lido porque Samuelson não é o único ilustre mencionado no que diz respeito a estas ilusões com a antiga União Soviética. A edição de 1989 do referido livro, dois anos antes do colapso da URSS, dizia ainda o seguinte:
"The Soviet economy is proof that, contrary to what many skeptics had earlier believed, a socialist command economy can function and even thrive"
Assumindo que Samuelson não agia de má fé (uma grande concessão), este género de casos deve constituir um aviso sobre a facilidade com que, até indivíduos reconhecidos entre os seus pares como líderes, podem retirar conclusões que negam por completo conceitos elementares dos mecanismos de acção económica:
Kennan may have been the first to realize that a society based on Communism would not survive politically, but it was Ludwig von Mises, in his 1922 work Socialism, who demonstrated that any such society could not survive economically.

When a collection of free individuals — the market — is willing to pay a price for a product that creates “excess” profits, it signals producers to provide more of that product. If the market does not support a given price, producers are forced to redeploy their assets for more pressing social needs. Similarly, if a factor of production, such as labor or capital, changes in price, producers instantly react, sending signals — through the prices of intermediate goods — down to the consumer. Prices effortlessly allocate society’s assets to reflect consumer preference and adjust to accommodate the ever-changing availability of scarce resources.

Mises argued that governmental interference in prices, through taxation, subsidies, and regulation, complicates this process — affecting not only the consumption of final goods, but also the economic calculations that are necessary to provide intermediate goods and services. Higher-order division of labor fails. Poverty results. For example, while Chinese and Russian central planners were busy setting quotas for steel mills, there was no method for consumers to signal that they preferred food — and millions starved to death.

Saturday, December 05, 2009