Pages

Saturday, September 03, 2005

Katrina e o anti-americanismo I

À semelhança do 11 de Setembro, os inimigos da América procuram com estes casos denegrir aquela que é a mais sólida democracia do mundo. Diz-se que se devia ter feito «x»; ratificado o protocolo «y». Que era «evidente». Gargalhadas histéricas acompanham as patéticas declarações de Hugo Chavez e Fidel Castro. Que Nova Orleães «parece» um país do Terceiro Mundo.

Certamente o é. Neste preciso momento, Nova Orleães, e tudo o que ela representava, desapareceu do mapa. Apenas resta o caos.


RAF, Blasfémias

---

Tal como já esperava (quem foi o tolo que disse que um pessimista se desilude menos vezes?) percebi um tom de alegria mal disfarçada nos comentários dos "especialistas" que tentavam explicar «como é que a nação mais poderosa do mundo se mostrou tão impreparada para esta tragédia». Os remoques de Chavez foram exaltados.


CAA, Blasfémias

---

Se bem percebi, foram os pobres os mais afectados pelo Katrina, o que aliás demonstra as injustiças do sistema americano, mas não os devemos ajudar porque os Estados Unidos são um país rico.

Quando se dá uma tragédia algures no mundo os media optam por divulgar as histórias de coragem e de resistência humana e por apelar à solidariedade em relação às vítimas. Excepto quando a tragédia ocorre nos Estados Unidos. Nesse caso os media optam por falar dos problemas da protecção civil, num alegado terceiro-mundismo, dos saques e nos conflitos internos entre políticos americanos.


João Miranda, Blasfémias

---

O anti-americanismo voltou hoje a sair à rua com as suas melhores roupas. Na Antena 1, a propópsito da devastação causada pelo Katrina em New Orleans citou-se (a despropósito) a guerra no Iraque, o 11 de Setembro e as criticas feitas por Hugo Chavez (esse democrata!) a Bush (esse tirano!).


Miguel, O Insurgente

---

Ainda que os numerosos e rancorosos imbecis que aproveitam a ocasião para dar largas aos seus impulsos anti-americanos não o compreendam, o que este tipo de atitude demonstra é o nosso próprio terceiro-mundismo e sub-desenvolvimento, e não o dos Estados Unidos.

Aquando do tsunami do ano passado na Ásia, centenas de milhares de pessoas foram atingidas sem terem sido alertadas. Agora, pediu-se e fez-se a evacuação possível. No entanto, a ideia que a comunicação social dá é que a América é podre e também ela pobre.


André Azevedo Alves, O Insurgente

---

Conclusão: a América, porque é rica, não merece piedade. A piedade é só para os pobres. Há seres humanos X – os bons - e seres humanos Y – os patifes. É como ver um melodrama mexicano ou novela venezuelana. Uma tragédia num lado qualquer é mesmo uma tragédia. Uma tragédia na América não é bem uma tragédia mas um casualidade natural. Para alguns, não somos todos iguais.


Henrique Raposo, O Acidental

---

É difícíl imaginar noticiário mais sectário do que o que acabou de passar na RTP1 sobre o furacão Katrina. A lista dos adjectivos é um manual do que não se deve fazer em jornalismo e as frases valorativas, sem nada de noticioso, são repetidas ad nauseam. Tudo para transformar o que aconteceu em Nova Orleães num panfleto contra a guerra do Iraque. Não me lembro de um tratamento noticioso de uma catástrofe qualquer, ocorrida fora de Portugal , feito desta maneira puramente acusatória. Só puramente acusatória, para atacar Bush e a guerra.


JPP, Abrupto

Post a Comment