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Friday, September 09, 2005

Mais fãs do Bono

São notícias como esta que me deixam sempre de pé atrás quanto às campanhas para erradicação da pobreza no mundo.

Activistas da campanha «Pobreza Zero» vão pôr a tocar os seus despertadores esta sexta-feira à noite frente ao Palácio de São Bento, em Lisboa, para «despertar» o primeiro-ministro, José Sócrates, para a luta contra a pobreza.

«Queremos que a luta contra a pobreza no mundo passe a ser prioritária na agenda política do primeiro-ministro e na discussão do orçamento de Estado», disse à Agência Lusa Joana Pires, uma das coordenadoras da campanha em Portugal.
Despertadores tocam em São Bento para sensibilizar Sócrates



Se estes activistas se preocupam tanto com a pobreza no mundo porque não fazem as suas críticas aos regimes corruptos que eles sustêm? Outros dos graves problemas reside na falta de liberdade que se verifica em muitos destes países. Porque não lutam eles contra o desrespeito pelos direitos humanos (incluindo o da propriedade que é sempre ignorando) em vez de se resumirem a uma campanha politicamente correcta sobre a ajuda aos “pobres do mundo”?

Não compreendo a intenção de fazer isto em Portugal. Mais valia que o tivessem ido fazer para a Eslovénia. Caso ainda não tenha percebido, Portugal é o país mais pobre da Europa dos 15 (e não só). Em breve, talvez o da Europa dos 25. Os dirigentes da “Campanha Zero” caem na contradição de pedir aos pobres que fiquem mais pobres para eliminar a pobreza porque já se sabe que os fundos estatais são financiados pelos contribuintes, obviamente.

Que melhor demonstração de ingenuidade poderão demonstrar estes senhores ao não pedir que os mercados europeus se abram aos outros países mais pobres, sem tantas restrições? A solução para o crescimento é a do comércio livre, não a da injecção constante de fundos que, muito provavelmente, nem chegam ao destino pretendido.

A campanha “Pobreza Zero” resume-se ao que já estamos habituados a nível deste género de campanhas ao bom estilo Imagine de John Lennon. Uma espécie de socialismo que “facilite” o acesso aos bens por parte da população. Talvez o herói afinal seja Fidel Castro.

P.S.: Que fique registado que li o Manifesto da “Pobreza Zero” mas não dou a ligação para o projecto. Estava a sentir-me mal só de ler a apresentação dos "argumentos" para a campanha.
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