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Tuesday, January 03, 2006

Será do Guaraná?

Manuel Alegre disse em entrevista ao DN que se opunha a um monopólio privado da água em Portugal. Não disse, incrivelmente, nada acerca de um "eventual" monopólio da água por parte do Estado embora tenha feito questão de frisar que era contra a usurpação deste bem, quando feita por uma empresa! Pergunto eu, qual é a diferença que vê Manuel Alegre em tudo isto? Porque é mais temível um privado do que um estatal?

Temo que a resposta seja simples. Se a monopolização deste recurso for privada, o lucky bastard que estiver à frente da dita companhia precisa de pagar uma certa quantia ao Estado para que este garanta a sua subsistência como distribuidor único. Estas negociações estariam sujeitas a flutuações de interesses. Ao Estado interessaria obter uma bela maquia com este contrato e ao empresário seria conveniente que, através do cheque passado ao governo, a restrição do mercado fosse efectiva. No entanto, já que a empresa seria poderosa, a sua posição em futuras negociações seria cada vez mais influente e as quantias dispensadas poderiam vir a diminuir com alguma consideração, não garantindo qualquer fundo constante para os pobres políticos que se cansam demasiado durante o dia, entre papéis e acesas discussões acerca de qual será o imposto a ser introduzido que mais rentabilidade trará aos seus ordenados.

Claramente, uma gestão pública da água é uma autêntica via verde porque o Estado decide quanto cobrar. Que astuta forma de gerar rendimentos. Quero dizer, defender o bem-comum e os bens essenciais à vida.
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