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Monday, January 30, 2006

Não é uma questão de escala

Os filhos desejam tornar-se financeiramente independentes dos pais para que estes não possuam autoridade moral sobre os seus gastos. Procuram tornar-se autónomos para poderem fazer as suas próprias escolhas e seguir os caminhos que eles próprios determinam, soltando-se da mão por vezes autoritária que os pais exercem sobre si.

O único caso em que isto não é completamente evidente é o da família sobejamente rica em que os orçamentos dos filhos são sempre irrelevantes e estes podem gastar dinheiro e usufruir de serviços sem qualquer género de reprimenda. Podem comprar uma casa para si mesmos, usar um carro de luxo e fazer umas quantas viagens à volta do mundo sem sequer se preocupar. Em geral, nestes casos, o filho herda o património dos pais já que não se preocupou muito em construir a sua própria vida de subsistência à custa do seu esforço pessoal.

A diferença é que os pais produzem riqueza mas o Estado não. O dinheiro obtido pelo Estado é angariado através da coerção judicial. Este dinheiro é posteriormente distribuído de forma desigual entre os «filhos» que vivem à custa do pai-Estado. Uns ficam com muito e outros ficam com muito pouco. Os que ficam com muito estão dispensados de trabalhar para o resto da vida. Os que ficam com muito pouco devem continuar a trabalhar, não para se sustentar a si próprios mas, para sustentar os que ficam com muito e não o desejam fazer. Enquanto na família rica, o filho herda dos pais o património de capital e propriedade acumulados, os contribuintes herdam dívida pública.

Na família estupendamente rica, onde os filhos - raros privilegiados -nem precisam de trabalhar, o dinheiro é secundário e quase nasce do solo. O do Estado, não. Precisa de uma máquina de obtenção constante de fundos para se suster, utilizando os contribuintes como peões estratégicos. O dinheiro é crucial porque todas as pequenas quantias são importantes.

Mas esta analogia nem sequer faz sentido porque o Estado não é uma família rica. Nem sequer remediada. É uma família completamente endividada. Na família endividada, todos trabalham para tentar por cobro às contas que crescem sem parar. Os filhos tentam a toda a força conseguir cobrar as dívidas para se poderem soltar das amarras financeiras e viver, finalmente, a sua própria vida. Em famílias endividadas (e não só nessas), o dinheiro é uma matéria de discussão constante porque há muito pouco e este tem de ser repartido com toda a meticulosidade de forma a servir os "interesses da família". O interesse da família é por vezes algo bastante abstracto e difícil de definir porque cada indivíduo tem as suas próprias necessidades e muitas das vezes estas não são partilhadas entre os diversos membros. Como a situação não é de acordo mútuo, a partir daqui se geram frequentemente conflitos, separações e contendas.

O socialismo não funciona sequer em a nível familiar. Como haveria de funcionar com milhões de pessoas?
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