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Monday, January 09, 2006

Monopólio (pouco livre) da liberdade

A esquerda diz defender a liberdade. É ponto assente. Não há ninguém melhor do que a esquerda para reclamar um ataque às liberdades civis como a liberdade de expressão ou a igualdade social. Por essa mesma razão, utiliza constantemente como arma de arremesso político o 25 de Abril, que se diz ter sido um evento de libertação da ditadura fascista de Salazar, regime que oprimia o povo.

Quando outro alguém que os líderes de esquerda não vêem como sendo de esquerda surge numa espécie de apoio implícito ao 25 de Abril, cantando, por exemplo, Grândola Vila Morena, essa mesma esquerda insurge-se contra uma aparente expropriação de algo que era exclusivamente seu, o que até deixa algumas dúvidas quanto ao seu cepticismo acerca do direito de propriedade.

A esquerda julga-se detentora única da defesa da liberdade e não quer permitir que os outros também a possam defender, ainda que através dos acontecimentos que a própria esquerda julga serem símbolo sublime da dita liberdade. A esquerda não quer que a "direita" defenda a liberdade para a poder acusar de não o fazer, extrapolando daí todo o seu apoio (in)directo perante o Estado Novo. Não lhes convém, portanto, dar espaço no campo das ideias e causas. É tudo uma questão de marketing político.
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