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Thursday, October 06, 2005

Ónus? Aos políticos, talvez?

Já que Jorge Sampaio está tão decidido em levantar a questão do ónus da prova para os que, de eventual forma ilícita, possam ser corruptos e fugir ao fisco, que tal começar pelos políticos, administradores de cargos públicos, directores de "empresas públicas" e afins?

É que se há alguém que rouba dinheiro aos portugueses não são os próprios portugueses, mas sim aqueles que vivem à conta deles como sanguessugas. E todas as medidas destas sanguessugas servem para ir mantendo bem abarrotados os depósitos de sangue vivo que lhes vão servindo de alimentação.

A estupidez desta ideia só faz sentido se aplicada à função pública. Em qualquer outro caso é uma intromissão no direito de propriedade de qualquer pessoa. Repare-se que agora qualquer um passaria a ser um potencial criminoso, i.e., enriquecer é um pecado capital, deve ser desincentivado. E se formos ricos, somos logo suspeitos de cometer um crime imperdoável para com a comunidade. Tudo isto porque, obviamente, não o fazemos ao abrigo da lei, como o faz o Estado.

Adenda: E isto surge numa altura em que o ministro das finanças diz que o futuro está no investimento e iniciativa privados. Quem quer investir (com riscos de lucro) se passa a ser suspeito de um crime?
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