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Saturday, October 01, 2005

O amigo social(ista)

Parece que Carmona Rodrigues continua em grande nas suas pequenas grandes demonstrações de "caridadezinha social" e populismo barato. "O líder do povo". Aquelas coisas que nem vale a pena apontar no PS porque já se sabe que é assim, mas que se sabe também que no PSD é igual. Segundo o acidental DBH, a página de CR afirma:
"Neste local, e numa acção que se pode caracterizar como elucidativa da sua personalidade, Carmona Rodrigues acabaria ainda por ajudar uma munícipe idosa a carregar alguns sacos de compras para a sua residência."
Mas há algo omitido (há sempre um mas...);

"À entrada cruza-se com uma moradora carregada de compras. Solícito, oferece préstimos para ajudar a levar os sacos. "Para que andar é?, pergunta. "Para o último". De imediato, percebendo que os fotógrafos já desmobilizaram, o candidato pousa os sacos e dá instruções a um dos seus colaboradores para que faça o serviço".
Vida de político é uma coisa cansativa!

Pela segunda vez tive a oportunidade de visitar a página de candidatura de CR (a primeira foi para arranjar aquela bonita imagem parecida à de um ordenhador de vacas). Bonito. Especialmente a parte do fundo onde estão os lemas da campanha.

Lisboa avança

Lisboa mexe

Lisboa cuida

Lisboa protege

Lisboa sénior

Lisboa apoia

Lisboa celebra

Há alguma coisa que este grande Estado (que é Lisboa) de bem-estar não faça ou não possa fazer? Como é possível que tanta gente ainda caia na mesma esparrela? Ao ver as fotos de CR nas páginas de campanha fico com a sensação (porque será?) que toda aquela gente que o cumprimenta está à espera do subsidiozinho autárquico. "Ninguém quer saber de nós", aquela frase-maravilha do estatismo português.

Tudo isto faz-me lembrar aquele grande (ou não) livro de Rifkin chamado European Dream em que ele compara os americanos que, segundo ele, vivem para trabalhar e os europeus que trabalham para viver.

Adoro a simplicidade e a ingenuidade com que ele põe as coisas. Deve ser por esta mesma razão que Portugal tem tantos profissionais frustrados (por exemplo, centenas de professores e engenheiros). Se estas pessoas realmente apenas trabalhassem para viver, qualquer emprego lhes serviria. É verdade que estas pessoas ficam encostadas com um curso qualquer (qualquer coisa serve desde que tenha saída profissional, diz-se) e trabalham para ir comendo. O problema é que muitas delas não fazem aquilo que gostariam de fazer verdadeiramente.

Isto parece escapar à percepção de Rifkin, já que esquece a razão pela qual os EUA ficaram conhecido como a terra das oportunidades. Há mais escolha, há mais possibilidades de emprego. Aliás, o desemprego é mais baixo em países capitalistas, coisa a que os marxistas costumam responder -- "é mentira, são estatísticas alteradas!". O envenenamento político é tão grande que já ouvi comunistas a dizer que o desemprego é mais baixo nestes países porque o Estado capitalista dá emprego (!). Tudo é válido para criticar o liberalismo. Até contrariar-se a si próprio e inverter a lógica das críticas.

Também eu, nesse caso, posso dizer que as estatísticas portuguesas estão falseadas e que, afinal, o socialismo até tem sido benéfico para Portugal. Claramente, a estagnação/recessão da economia é, obviamente, culpa do neo-liberalismo selvagem que tem sido praticado na última década. Tudo culpa das políticas de direita do PS e do PSD, que contribuíram para o estado da Nação com as suas políticas capitalistas! A aberração é tão grande que agora até o Estado de bem-estar já é uma política liberal. Em que Universo vive esta gente?

O Estado social é prejudicial para todos. Inevitavelmente, acaba por cair, porque embora tenha como objectivo sustentar os outros, não se consegue sustentar a si próprio. Suga cada vez mais fundos que iriam contribuir para o avanço do bem-estar, sem necessidade desde mesmo Estado para intervir nesse progresso. O que acontece depois? Veja-se o caso alemão. Começa a rebentar pelas costuras. E as pessoas, contaminadas pela propaganda, têm "medo da mudança", embora estejam com a corda ao pescoço.

O socialismo é uma doença.
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