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Wednesday, March 08, 2006

Uma sociedade com classes

Jorge Sampaio disse ontem, decerto psicologicamente afectado pela sua entrada nas listas de desemprego, que não gosta do ditado popular português que afirma que "roubar ao Estado não é pecado". Explicava ele a seguir que os ingleses, por exemplo, não dizem isso e que os alemães também não.

Eu admito que fiquei realmente surpreendido, especialmente pela referência a um ditado que eu não conhecia e que até é tão bonito. Eu já sabia que em Inglaterra tradicionalmente se considera (e bem) que os interesses do Estado invariavelmente colidem com os verdadeiros interesses das pessoas mas esta, acerca de Portugal, apanhou-me absolutamente desprevenido.

E eu, que passo a vida a dizer que os portugueses são um povo estatista, perguntei às pessoas à minha volta mas ninguém parecia conhecer o interessante dito. Procurei no google, a maior biblioteca do mundo, e a única referência que me saiu foi precisamente uma outra ocasião em que Sampaio parece ter citado o mesmo ditado em 98.

Então começou a surgir uma dúvida muito pertinente na minha pobre cabeça que anda atafulhada na árdua tentativa de compreender este ícone etnográfico do povo lusitano. Eu, que sou um pobre rapaz do povo e as pessoas que conheço, outros pobres e idóneos elementos do povo, nunca ouvimos falar de tal coisa. Jorge Sampaio é um político e convive diariamente com políticos. Será que existe alguma estranha (e totalmente inesperada) correlação entre estes factos aparentemente independentes?
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