Pages

Tuesday, November 22, 2005

Desmontagem política II

"Tal como tu achas que o modelo social da Europa irá acabar por descambar, eu acho que o modelo liberal seguirá o mesmo caminho. "


Que modelo liberal? Aquele que não existe (França ultraliberal, Portugal da cartilha neoliberal monetarista)? Ou estaremos a falar de países como os EUA, Irlanda, Reino Unido, Luxemburgo, etc. que têm taxas de desemprego ~ 3-5% e dos PIB’s mais altos do mundo? Se sim, que razões temos para crer que irão descambar, assumindo que não aumentarão as suas políticas de restrição de liberdade económica?

"O modelo liberal aumenta o foço entre ricos e pobres aumentando as diferenças sociais. "


Pura propaganda política. Isso desafia todas as regras de lógica. Não só o modelo liberal gera riqueza como beneficia os mais pobres, que podem também gerar riqueza. Essa igualdade social só foi atingida em países onde todos eram igualmente pobres. Tendo que escolher, preferia sem dúvida, o modelo que permite que se vá saindo da pobreza progressivamente (a China está nesse processo) mesmo que para isso haja desigualdade. A outra opção é deixar tudo como está.

O controlo económico tem o efeito oposto àquele que é apregoado gerando-se ora um fosso maior, devido à elevada fiscalidade e burocracia elevada, ora oprimindo uma percentagem de população tão grande que eles se tornam (ou permanecem), como eu dizia, igualmente pobres. Sobre isso, podes ler aqui ou sobre os "pobres" americanos aqui, por exemplo. Ou um estudo do qual eu já tinha dado conta aqui, que referia que os pobres de países ricos vivem melhor do que os pobres de países pobres.*

"Poverty is a highly relative concept. As we saw in the preceding section, for example, 40 per cent of all Swedish households would rank among low-income households in the USA, and an even greater number in the poorer European countries would be classed as low income earnings by the American definition. In an affluent economy, in other words, it is not unlikely that those perceived as poor in an international perspective are relatively well off."
---

"Lembras-te porque é que nasceu o comunismo? Revolução industrial, classes operárias a serem exploradas. Bomba-relógio a explodir... Mais tarde ou mais cedo irias ter as classes mais baixas a se revoltarem e como travas isto? Pela força? Tal como fazem os EUA com toda a gente que não concorda com eles? "


Queres dizer, classes operárias que estavam a ganhar dinheiro? Como explicas a elevada afluência às cidades durante a revolução industrial? As pessoas saiam do campo para abandonar a pobreza e tentar a sua sorte na indústria, onde ganhavam mais. Mais uma vez, outro artigo que já havia publicado aqui que fala precisamente acerca disso.

Karl Marx explained that capitalism would make the rich richer and the poor poorer. If someone was to gain, someone else had to lose in the free market. The middle class would become proletarians, and the proletarians would starve. What an unlucky time to make such a prediction. The industrial revolution gave freedom to innovate, produce and trade, and created wealth on an enormous scale. It reached the working class, since technology made them more productive, and more valuable to employers. Their incomes shot through the roof.

What happened was that the proletarians became middle class, and the middle class began to live like the upper class. And the most liberal country, England , led the way. According to the trends of mankind until then, it would take 2 000 years to double the average income. In the mid-19th century, the British did it in 30 years. When Marx died in 1883, the average Englishman was three times richer than he was when Marx was born in 1818.


A tua afirmação acerca dos EUA foi muito baixa e demonstra a parcialidade com que estás a analisar as coisas. Podias ter referido um caso especifico mas disseste muito claramente que é como os EUA fazem as coisas, não identificando tempo histórico nem caso particular. Há quem chame a isso anti-americanismo. Quando leio gente a dizer isso assim, de uma forma tão leviana e descomprometida, pergunto-me se o desembarque na Normandia terá valido a pena.


"Cais no regime totalitário que tanto receias. Lê o "Admirável Mundo Novo". O regime totalitário nele retratado assusta-me mais que o do 1984. Sabes porquê? Porque eles não sabem que não têm liberdade..."


Os do 1984 também não. E tu, sabes?


"Não penso que os recentes eventos na França sejam a prova que a nossa sociedade esteja condenada. Não! Eles são o aviso para nós revermos o que temos andado a fazer. Um alerta para reparar que nos nossos países existe gente a viver em condições precárias. Não combates isto com violência, mas sim com uma inserção social decente."


Estamos de acordo. Para isso é necessário que seja permitido a estas pessoas gerar riqueza e deixá-las acumular capital, retirando delas a carga fiscal opressiva que sofrem.


*A tua ideia aproxima-se à da "quantidade fixa de riqueza" ou da "teoria de soma-zero" que não faz sentido nenhum. A riqueza pode ser criada assim como pode ser destruída. O artigo do Johan Norberg menciona isso também.

"The problem with this argument is that all continents became wealthier, albeit at different speeds. Sure, the average Western European or American is 19 times richer than in 1820, but a Latin American is 9 times richer, an Asian 6 times richer, and an African about 3 times richer. So from whom was the wealth stolen? The only way to save this zero-sum theory would be to find the wreckage of some incredibly advanced spacecraft that we emptied 200 years ago. But not even that would save the theory. Because we would still have to explain from whom the aliens had stolen their resources."
Post a Comment