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Friday, May 19, 2006

Salvar o mundo com boa vontade

Parece que a ONU designou há uns dias Jorge Sampaio como enviado especial para combate à tuberculose no mundo. A aparente missão de Sampaio não é nada modesta. Segundo a notícia veiculada pelo Público, o ex-presidente fará parte do plano da ONU para, nada mais nada menos do que, "acabar com a tuberculose".

Esta lógica de exterminar os males do mundo por via de missões humanitárias é muito interessante e não acontece somente com as doenças infecto-contagiosas mas também com as guerras, a fome, a falta de recursos e de infra-estruturas, os acidentes rodoviários, outros cuidados médicos, etc. Regressamos, portanto, à portentosa ideia de que a boa vontade dos políticos dos países (ahem) avançados pode fazer alguma coisa para ajudar os outros povos quando estes nem sequer se podem ajudar a si mesmos uma vez que os seus governantes não querem nem estão propriamente com muita de o deixar. Segundo noticiado, Sampaio vai viajar por estes países para sensibilizar a comunidade internacional acerca do problema da tuberculose.




Nº estimado de casos de tuberculose no mundo em 2001 (WHO, 2003)

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Honestamente, continuo a preferir o método da via legal. Se é para fazer estas tristes figuras, mais vale passar uma lei universal que seja aplicada em termos internacionais de forma a abolir de vez o bacilo da tuberculose. Assim, quando o bacilo pensasse atacar, já saberia que estava prestes a cometer uma ilegalidade e pensaria duas vezes. Nenhum bacilo da tuberculose deseja passar vários anos na solitária onde não pode sequer pensar em contaminar ninguém.

Este método é controverso mas, para além de ser mais económico (não se gasta dinheiro com as linhas aéreas executivas nem com o protector solar para o Sampaio), tem a vantagem de ser igualmente absurdo. O único problema é que provavelmente os ditadores destas áreas por onde Sampaio irá andar não ficariam muito contentes já que não haveria uma promoção tão grandes dos seus países e talvez os governos internacionais não fossem tão pressionados para enviar grandes doações ou perdoar as dívidas externas. É chato e sabemos que é difícil mas estes políticos terão de compreender que nem toda a gente pode ter uma limusine na sua família nem casas de banho banhadas a ouro. C'est la vie...

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Pequeno aparte: Portugal tem as piores estatísticas de incidência de tuberculose na Europa. Será que Mr. Sampaio aparece por cá?
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