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Monday, May 15, 2006

Qual é a diferença?

Nacionalistas contra «invasão»

Concentraram-se em frente à Câmara de Vila de Rei. Partido de extrema-direita rejeita «colonização» com brasileiros. E diz-se contra «a exploração de mão-de-obra escrava»

(...)

Discursando diante da Câmara Municipal, o presidente do PNR, um partido de extrema-direita, José Pinto Coelho, defendeu que a manifestação do partido em Vila de Rei não é contra os imigrantes, mas contra a exploração da mão-de-obra.

«Esta manifestação não é contra os brasileiros que vieram para Vila de Rei, porque imigração existe e sempre existirá, mas sim pela exploração por Portugal de mão-de-obra escrava», disse.

A acção, intitulada «Colonatos estrangeiros não. Alto à invasão» foi anunciada pelo PNR como um protesto «contra a colonização promovida pela autarca Irene Barata, com o dinheiro dos impostos» dos portugueses.


PNR & BE

Vamos lá ver bem. Os cartazes da manifestação indignam-se perante a «invasão» e «colonização» estrangeira. Porém, o douto presidente do PNR esclarece facilmente a questão. Não estamos perante uma manifestação contra os brasileiros e imigração com eles relacionada mas sim contra a exploração destes mesmos brasileiros por parte de portugueses. Ou seja, afinal é uma manifestação... a favor dos brasileiros.

Ou talvez até seja mesmo contra os brasileiros porque eles desejam trabalhar e o PNR não quer que o façam, o que nos traz a um beco sem saída. O PNR - desafortunadamente para a solidez da sua propaganda - lança para o ar a ideia very libertarian de que está a ser usado o dinheiro dos contribuintes para trazer esta gente para Portugal. Então, mas se o PNR acha que eles serão explorados em Portugal e por isso se manifestam contra e esclarecem assumidamente que não estão contra os brasileiros em si e a sua imigração, como esperam que os brasileiros se sustentem? É que se não podem trabalhar para aqueles que teoricamente os vão inadvertidamente explorar, a única forma plausível de continuarem vivos é sobreviver às custas dos subsídios cedidos pelo Estado ou andar por aí a roubar os mesmos contribuintes que o PNR não quer ver financeiramente diminuídos nem efectivamente colonizados. Ideias?

O discurso destes senhores é totalmente desconexo - coisa tão típica das ideologias socialistas da nossa praça - e não consegue ter um conjunto de pilares ideológicos sobre os quais assentar de forma coerente e concisa. O mistério: se são tão nacionalistas como os outros socialistas, que têm alergia ao capital estrangeiro, entram em histerias totais devido à fuga de «sectores estratégicos» ou outsourcing e partilham uma aversão comum à liberdade para estabelecer relações laborais independentemente de gestores centrais a vários quilómetros de distância, o que os faz realmente ser de «direita»? É que conservadores também não são de certeza, eles próprios dizem constantemente que é preciso devolver Portugal aos portugueses (coisa que também é dito noutros partidos). Quanto muito, são é revolucionários e isso também é algo que tradicionalmente está associado à extrema-esquerda.

Quando o PNR conseguir eleger algum deputado (coisa que é cada vez mais provável num país em que o estado social é dado como premissa inquestionável e as fracturas entre os socialistas se baseiam em decidir quais as classes da população que devem ter acesso às benesses sociais provenientes das contribuições dos que trabalham no sector privado) este devia sentar-se ao lado dos do BE. Dizem que se odeiam mutuamente mas no fundo, são exactamente iguais. A única coisa que os separa é egoísmo de não desejarem partilhar o poder uns com os outros.
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