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Friday, May 26, 2006

Newspeak anestesiante e ilusivo

A comunicação social tem estado constantemente a referir a "liberalização" do sector farmacêutico. A confusão é tanta ou tão pouca que o governo anuncia a "liberalização" e os jornalistas, sem saber muito bem o que isto significa, dizem que o governo vai liberalizar. Mas verifica-se que não vai haver propriamente liberalização nenhuma porque há concursos públicos e o governo vai "autorizar" a existência destas farmácias (o Estado é uma entidade benevolente, veja-se, até "autoriza" os cidadãos a ter propriedade) e outras regras para evitar a sua concentração, assim como para a distribuição geográfica destes estabelecimentos.

E depois aparecem as outras notícias de quem está contra a "liberalização" como a Ordem dos Farmacêuticos. Eles não estão contra a liberalização das farmácias (embora também estivessem certamente se fosse verdade) mas contra a pseudo-liberalização tal como é anunciada nas notícias prévias, o que torna a discussão ainda mais interessante.

Quem é a favor da liberalização não está muito entusiasmado com a proposta do governo mas também não é contra, especialmente tendo em conta a situação actual. Quem argumenta contra a proposta do governo, não está necessariamente a argumentar contra a liberalização das farmácias porque o programa sugerido não propõe nada disso. Muito pelo contrário. Do ponto de vista liberal, toda a ideia é terrivelmente socialista. O problema é que este debate parte de um ponto de vista praticamente colectivista e absolutamente estatizante fazendo com que ao mínimo grau de liberdade lhe chamem inadequada e erradamente "liberalização".
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