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Tuesday, October 05, 2010

Good news, everyone!

Em Junho comentei aqui uma projecção da Ernst & Young que estimava que o crescimento da economia portuguesa se situaria em -1,5% em 2011 e apenas voltaria a mostrar um valor positivo, 1,1%, em 2012. Uma nova projecção, desta vez da Standard & Poor's, aponta para uma recessão de 1.8% em 2011 e uma estagnação em 2012. Isto significa que, a verificarem-se estas estimativas mais recentes, o português médio vai ter uma qualidade de vida substancialmente pior em 2012 do que as projecções independentes (por razões que deveriam ser evidentes, as previsões do governo não têm credibilidade alguma) anteriores anteviam e, escusado será dizer, muito pior do que em 2008, quando começou a crise financeira. Estes números não são particularmente animadores quando conjugados com as expectativas do Comité das Autoridades Europeias de Supervisão Bancária para o desemprego em caso de recessão em 2011, a qual, neste cenário, poderia elevar a taxa até quase 13% em 2012. Actualmente, a taxa de desemprego em Portugal é a quarta mais elevada da OCDE.

No meio de tudo isto, Portugal, que está essencialmente estagnado há uma década, tem a honra dúbia de ser o nono país mais pobre da União Europeia (ou, provavelmente, já o oitavo) e uma carga fiscal que, tal como o desemprego, atinge máximos históricos [este artigo do i é do mês de Julho, por isso não inclui cálculos relativos o novo máximo histórico trazido pela última vaga de aumentos tributários anunciados em Setembro] e deverá andar, por esta altura, no topo da tabela, a seguir aos países escandinavos, França e Bélgica. Talvez seja um bom momento para recordar que ainda em Julho deste ano, José Sócrates dava demonstrações do universo paralelo em que ele e o seu governo vivem, dizendo que "a economia portuguesa foi a que melhor resistiu à crise. Basta olhar para os números" e que a ideia de que Portugal se encontra em crise profunda era "infantil e politiqueira". Para deitar água na fervura, de acordo com as últimas estatísticas disponíveis, a taxa de homicídio em Portugal é a maior da Europa ocidental.

Em Portugal, as pessoas não gostam de ter de pensar nestas coisas, preferindo imaginar que tudo se irá resolver de alguma forma, e rapidamente confundem uma exposição de meros factos negativos acerca do estado do país com falta de espírito patriota. Contudo, talvez devesse começar a ser óbvio, por esta altura, que manter um regime socialista no poder décadas a fio, enfiar sistematicamente a cabeça na areia e acreditar ingenuamente que bastam optimismo irrealista e confiança para obter bons resultados não será grande estratégia. Um país de dimensões regulares que suporta uma população de milhões, mas que tem um terço dos seus nacionais a residir no estrangeiro e praticamente só consegue atrair emigrantes activos vindos dos PALOPs, Brasil e Europa de Leste não está a fazer qualquer coisa como deve ser.

Adenda: O FMI está agora a projectar uma contracção de 1.4% para 2011.
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