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Tuesday, September 09, 2008

Nothing to see here, move along

Quando digo a um português (quando este não está de mau humor por ter tido de resolver um qualquer enredo burocrático característico do país) que Portugal é um país incrivelmente burocrático, não é raro receber uma resposta pouco realista e pessimista do género "e nos outros lados não é igual?" Contudo, continuam a ocorrer  com frequência coisas deste género:

Investimento de 125 milhões 'voa' de Évora para França
Afinal Évora já não vai ter a fábrica dos aviões Skylander, do grupo francês GECI, projecto que previa um investimento na ordem dos 125 milhões de euros, criando cerca três mil postos de trabalho (mil directos, os restantes indirectos).

Num volte-face ocorrido nas últimas três semanas, e que incluiu o envolvimento directo do Presidente da França, Nicholas Sarkozy, a GECI decidiu construir a sua nova unidade fabril na região da Lorena, França. Há quatro anos que se preparava a instalação da fábrica em Évora. O projecto já tinha obtido o estatuto de PIN (projecto de interesse nacional). (...)

A EspaciaNews considerou que esta decisão da GECI se deve ao facto de "o desenvolvimento do projecto em Évora, nos prazos definidos, se ter tornado impossível face aos entraves e outras questões absurdas colocadas pela burocracia portuguesa". "O governo francês contactou a GECI no início de Agosto e em três semanas resolveu o assunto que em Portugal as autoridades não conseguiram tratar em mais de quatro anos."
Burocracia travou reabilitação completa da península de Tróia nos prazos previstos
Uma marina, um hotel, um supermercado e 360 apartamentos. Foi este o resultado de três anos de obras lideradas pela Sonae Turismo, na península de Tróia. O Troiaresort, apresentado ontem, já deveria estar concluído, mas apenas a primeira fase, cujo investimento rondou os 230 milhões de euros, abriu as portas. O prazo derrapou para 2011, culpa da demora na obtenção de luz verde para o projecto.

"Foi uma etapa longa e nem sempre fácil", desabafou ao PÚBLICO Carlos Beato, presidente da Câmara Municipal de Grândola. "A autarquia e os investidores envolvidos tinham idealizado inaugurar a totalidade do projecto" ontem, mas "a burocracia e o tempo perdido com a aprovação dos projectos travaram os planos", avançou. (...)

Carlos Beato lamenta que a obtenção de aprovações "tenha demorado tanto tempo", prejudicando "quem espera por uma oportunidade de emprego e quem investe nos negócios". (...) De entre eles, está a criação de "quatro mil postos de trabalho directos e indirectos", bem como "60 milhões de euros como valor acrescentado bruto do investimento directo e induzido", anunciou, ontem, o Troiaresort.
Com tais eventos ilustrativos a sucederem(-se), notícias como esta não são propriamente surpreendentes:

Investimento directo estrangeiro em Portugal e no exterior baixou mais de 50 por cento
O investimento directo estrangeiro (IDE) em Portugal, assim como o investimento das empresas portuguesas no estrangeiro, registou uma diminuição superior a cinquenta por cento em 2007, segundo dados que a União Europeia (UE) hoje divulgou.

Os números do organismo responsável pelas estatísticas europeias, Eurostat, mostram que o IDE originário de outros países da UE recuou de 6,4 mil milhões de euros em 2006 para 2,8 mil milhões de euros no ano passado, enquanto que os investimentos estrangeiros originários fora do espaço 27 caíram de 2,7 mil milhões de euros para 1,3 mil milhões de euros. (...) A tendência de forte baixa em Portugal contrasta com o aumento do IDE na UE como um todo.

Por seu lado, o IDE entre os 27 progrediu de 455,4 mil milhões de euros para 552 mil milhões e para o resto do mundo a subir de de 275,0 para 419,9 mil milhões de euros.
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