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Friday, October 19, 2007

Heresia científica

"If you thought that science was certain - well, that is just an error on your part" -- Richard Feynman

James Watson, vencedor do prémio Nobel da fisiologia em 62 pela descoberta da estrutura em dupla hélice do ADN, disse há dias, em entrevista a uma publicação britânica, que as pessoas com maior concentração de melanina na sua pele (ainda se pode dizer pretos?) eram menos inteligentes do que os caucasianos. Na sequência disso, o Science Museum cancelou a sua visita como orador e agora o laboratório onde trabalhava suspendeu-o. Da última vez que verifiquei, a forma como em ciência se descartavam hipóteses, sejam elas originadas com base em evidências ou não, era através da sua refutação com dados empíricos significativamente contraditórios ou da proposição de teses alternativas que, de melhor forma, expliquem a existência destes dados. É, portanto, irónico que instituições que se dizem científicas recusem a presença de um cientista devido ao seu desagrado subjectivo pela natureza das suas teses, dizendo que estas ultrapassaram o limite do "debate aceitável". Este género de eventos deveria chamar à atenção dos que reclamam que a actividade científica não está politizada e é (praticamente) imune à opinião pública. De notar que neste caso não se trata sequer de um investigador vulgar mas de um guru histórico da genética que a prori, devido à sua fama, estaria menos vulnerável a este tipo de situações nas quais há uma espécie de dogma inviolável de cariz político que, por definição, ninguém pode questionar. Menos difícil será imaginar o que acontece ao tipo médio que está à procura de fundos de investigação e que, para além disto, tem de enfrentar a endogamia académica.

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Nota: ler o texto Racismo e o efeito corrosivo da filosofia do Desidério Murcho no De Rerum Natura.
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