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Friday, February 08, 2008

Campo Pequeno com esses gajos

“The problem is not that economists are unreasonable people, it’s that they’re evil people. They work in a different moral universe"


-- Paul Bloom, professor de psicologia em Yale, no NYT

Thursday, January 31, 2008

Frase ininteligível da semana

"O sistema neoliberal está podre. A economia de casino dos off-shores e das roubalheiras só trouxe desastres e escândalos. É preciso mudá-la."

- Mário Soares, "Visão", 31 de Janeiro de 2008

Tuesday, January 22, 2008

pequena nota



Somente para informar que, desde 18 de Dezembro, graças à acção da Tele2 e da PT Comunicações, não tenho serviço fixo de telefone disponível - e, consequentemente, acesso regular à Internet -, razão pela qual este espaço (e tantas outras coisas) ficaram num estado de hibernação prematuro. A situação ainda não foi regularizada e é difícil prever quando estará. Entretanto, na zona onde vivo, houve uma falha de electricidade que durou algumas horas e a fonte de alimentação do computador, assim como - presumo - a placa gráfica, foram desta para melhor. Escrevo isto usando um computador com 128MB de RAM (PC100?) que quase ameaça bloquear de cada vez que se muda de janela.

Sinceros agradecimentos à Vodafone, sem cuja prestabilidade, até agora inigualável e sem precedente na minha experiência pessoal com outros serviços de telecomunicações, esta entrada não poderia sequer ter sido escrita. Mais pormenores a seu tempo.

Friday, December 07, 2007

note to self: president for life (há boas e más ditaduras)

Dado que agora só ouço por aí "presidente Mugabe" (governa o Zimbabwe desde 1980, 27 anos) para aqui e "presidente Khadafi" (governa a Líbia desde 1969, 38 anos) para acolá, vou ver se me lembro de, de futuro, dizer sempre "presidente Salazar" (35 anos no poder), "presidente Franco" (34 anos), "presidente Pinochet" (16 anos), "presidente Hitler" (12 anos, não foram mais porque não calhou), "presidente Mussolini" (23 anos, não foram mais porque não calhou), "presidente Musharraf" (8 anos e a contar), etc. Não sei porquê, mas acho que vou ser acusado de estar a branquear a história. Isto vai ser giro.

Sunday, November 18, 2007

Lies, damned lies and statistics


Desde 2003 que as estatísticas oficiais sobre a guerra do Iraque têm sido publicadas em catadupa quase ao segundo na imprensa, mostrando que centenas de militares americanos e civis iraquianos morrem a um ritmo elevadíssimo e que se dão ataques por todo o território constantemente, sendo de imediato usadas pelos mais críticos da guerra para demonstrar as desastrosas consequências da ocupação americana. Agora que, depois do recente reforço das tropas lá estacionadas, os iraquianos parecem começar a voltar a suas casas em várias localidades e o número de atentados parece estar a diminuir drasticamente, a reacção mais comum aparenta ser aconselhar algum cepticismo perante tais números e escrever análises sobre a fiabilidade das estatísticas. Se isto não é um exemplo clássico de confirmation bias, não sei o que será.

Adenda: Baghdad’s Weary Start to Exhale as Security Improves (via O Insurgente)

Sou um fugitivo agora

Abro o frigorífico e descubro que tenho um resto de parmesão ralado que passou já um dia do seu prazo de validade. Sinto a pulsação a subir de imediato e as extremidades do corpo a tremer descontroladamente. Corro para o lava-louça, desorientado, deitando o pouco que restava do nobre queijo pelo cano abaixo o mais rapidamente possível. Corto a zona onde podia ser vista a data e engulo-a sem hesitação. Visto um casaco à pressa, calço-me e vou rapidamente deitar o que resta do pequeno plástico no ecoponto, para não levantar suspeitas caso alguém dê por falta de uma embalagem de plástico que desapareceu de minha casa sem explicação. Só espero que a ASAE não tenha reparado em nada disto. Se eu desaparecer de súbito, já sabem o que me aconteceu.

Wednesday, November 14, 2007

Ainda não foi desta

Relativity passes new test of time

Einstein’s famous tenet of special relativity — that time slows down on a moving clock — has been verified 10 times more precisely than ever before. The result comes from physicists in Germany and Canada, who have timed the “ticking” of lithium ions as they hurtle around a ring at a fraction of the speed of light.

De Abril deste ano: Gravity Probe B backs general relativity

10 mais importantes estudos de psicologia social

Why We do Dumb or Irrational Things: 10 Brilliant Social Psychology Studies

"I have been primarily interested in how and why ordinary people do unusual things, things that seem alien to their natures. Why do good people sometimes act evil? Why do smart people sometimes do dumb or irrational things?" --Philip Zimbardo

Like eminent social psychologist Professor Philip Zimbardo, I'm also obsessed with why we do dumb or irrational things. The answer quite often is because of other people - something social psychologists have comprehensively shown.

Over the past few months I've been describing 10 of the most influential social psychology studies. Each one tells a unique, insightful story relevant to all our lives, every day.

But, the question is which one has the most to teach us about human nature? Which one gives us the most piercing insight into how our thoughts and actions are affected by other people?

Sunday, November 11, 2007

Efeitos nefastos da globalização


U.S. Army Sgt. Tierney Nowland teaches the Macarena to an Iraqi army soldier from 2nd Battalion, 1st Brigade during a break from a cordon and search mission in Ameriyah, Iraq, May 16, 2007. Nowland is a combat cameraman with the 982nd Signal Company out of Wilson, N.C.

Huevos - o la falta de ellos

Juan Carlos manda calar Chávez e gela cimeira

A cerca de uma hora do encerramento dos trabalhos da XVII Cimeira Ibero-Americana, em Santiago do Chile, o ambiente tornou-se muito tenso, com o Rei de Espanha, Juan Carlos de Borbón, a mandar calar o presidente da Venezuela, Hugo Chávez. A cena passou-se depois de mais uma intervenção acesa de Chávez, que já no dia anterior tinha chamado "fascista" a José María Aznar, antigo presidente do governo espanhol. Ontem foi mesmo mais longe ao revelar conversas privadas com Aznar em que este, alegadamente, teria sido menos respeitoso para com os países mais pobres.

O presidente da Nicarágua, Daniel Ortega, estava no uso da palavra com ataques a empresas espanholas (visava em particular a Unión Fenosa), mas Chávez continuava a enviar alfinetadas em voz baixa. José Luís Rodriguez Zapatero decide falar e começar a defender o seu antecessor, coisa que não tinha feito no dia anterior. É então que o rei, sem meias-medidas, se chegou à frente na cadeira para que o vissem bem, olha para Chávez, estende a mão e solta: "Por qué no te callas?" Traduzido à letra, "por que não te calas?"

Cavaco e Sócrates respeitam divergências da Cimeira Ibero-Americana

Na conferência de imprensa conjunta, perto do final da XVII Cimeira Ibero-Americana de chefes de Estado e de Governo, Cavaco Silva e José Sócrates foram questionados sobre as diferenças políticas na América Latina e o discurso polémico do presidente da Venezuela, que criticou os EUA, o presidente brasileiro Lula da Silva e chamou "fascista" a José Maria Aznar.

«Nós não queremos uniformidade política, temos interesses comuns, temos uma história comum, isso não significa que pensemos todos da mesma forma, não pensamos, logicamente», disse o primeiro-ministro. «Mas também não temos a arrogância de achar que nós pensamos melhor que os outros, ouvimos os outros com respeito tal como os outros nos ouvem com respeito», precisou.

Referindo-se concretamente a Hugo Chávez, Sócrates sublinhou que a Venezuela «é um país amigo» e que «Portugal respeita os chefes de Estado dos países amigos, e respeita-os sempre que são eleitos em eleições livres e justas».

Por seu lado, Cavaco Silva lembrou que participou na primeira Cimeira Ibero-Americana, em 1991, e considera que existiu «uma evolução positiva», quer em termos económicos, quer políticos. «A democracia, apesar de tudo, está hoje mais espalhada pela América Latina mas reconheço que existem algumas diferenças na interpretação da liberdade e da democracia», admitiu.

Saturday, November 10, 2007

Concepções interessantes de paraíso

"The Christian... imagines the better future of the human species... in the image of heavenly joy... We, on the other hand, will have this heaven on earth."

-- Moses Hess, A Communist Confession of Faith, 1846

Thursday, October 25, 2007

A ciência terá limites?


Desde os filósofos pré-socráticos até ao presente, a civilização ocidental tem sido virtualmente motivada pela confiança axiomática depositada no progresso científico. Podem ter existido erros (a cosmografia de Ptolomeu), momentos de regressão e de frustração, mas o movimento impulsionador da descoberta e do conhecimento científicos parece ter definido o da própria razão. A relação do pensamento humano com os avanços científicos foi fundamental para a antropologia, para os modelos da história humana implícitos em Galileu e Descartes. Foi fundamental para o estabelecimento da modernidade, do positivismo e do conceito de verdade nos trabalhos de Newton, de Darwin e dos seus sucessores. Por sua vez, as teorias científicas subscreveram a evolução constante da tecnologia na qual as sociedades ocidentais alicerçaram o seu poder. Tal como Bacon e Leibniz pregaram, as portas do progresso científico teórico e aplicado estiveram sempre abertas, definindo o horizonte do amanhã.

Será que continua a ser assim? Estarão agora à vista certos limites, certas barreiras às nossas expectativas? A possibilidade de a Teoria das Cordas não poder ser verificada nem falseada implica uma crise ontológica no seio do próprio conceito de ciência. Há motivos intrínsecos que nos levam a acreditar que a cosmologia e a correspondente exploração do microcosmos são as suas fronteiras. Não há nenhum instrumento de observação por mais sofisticado que seja que nos permita prosseguir para lá das «paredes douradas» externas ou internas do nosso possível universo local. O conhecimento da consciência tem-se mostrado radicalmente evasivo. Pode muito bem acontecer que as analogias computacionais constituam um beco sem saída. A incompletude e a indeterminação, exemplificadas pelas obras de Gödel e de Heisenberg, são «muros» contra as quais a razão embate em vão. A acentuada diminuição do número de estudantes inscritos em cursos de ciências «duras» no Ocidente é sintomática. Tal como o são as novas ondas de racionalismo, irracionalidade, fundamentalismo e superstição que actualmente se abatem sobre nós.

Se interpreto correctamente, a totalidade da conferência será transmitida online neste endereço.

Monday, October 22, 2007

Pequenos comentários delatores

Espólio de Jorge Amado poderá ser doado a universidade nos EUA

Para Ubaldo Ribeiro, a transferência do acervo para as universidades norte-americanas que o queiram receber, como Harvard, "seria uma perda lamentável para a história literária brasileira e um desrespeito para com o maior escritor brasileiro".

Quem realmente crê na importância e relevo de um autor e, portanto, se preocupa com a preservação da sua obra, não pode dar-se ao luxo de estar vulnerável a sentimentos nacionalistas. Todas as possibilidades têm de ser analisadas e aquela que seja a mais satisfatória tendo em vista a eficácia nesta manutenção e divulgação do espólio, é a que será preferível, independentemente da sua localização geográfica (retirando a excepção em que a localização geográfica possa ser uma ameaça a estes objectivos). Às vezes é nestas pequenas coisas que se vê a influência perniciosa que uma ideologia ou o sentimento de pertença a uma comunidade - muitas vezes artificial - pode possuir sobre a racionalidade das pessoas.

Saturday, October 20, 2007