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Friday, March 23, 2007

Métodos de ensino para as ciências

Physics By Induction: The Genius of Learning Science The Proper Way de Lisa VanDamme

«It seems that science is not taught in the public middle schools today--it has been replaced by... hands on "experiments" which are really pointless diversions. At the high school level, most students are exposed to some science, and most are required to take a physics class. But these physics classes generally suffer from a serious [methodological] problem.

Let me give you an example of this problem, and then I will explain it. The following scenario will probably be familiar to many of you. It is half-way through the semester, and your physics teacher is going to discuss Newton’s Laws. You come into class, sit down, and the teacher begins to write on the board: “These are Newton’s three laws of motion. #1: Every body continues in its state of rest or of uniform motion in a straight line unless it is compelled to change that state by forces impressed on it. #2:...,” and so on. No explanation is given as to what observations, integrations, or discoveries Newton made in order to arrive at these laws of motion. No account is given of the long history behind Newton’s laws of motion--of the earlier theories that were refuted or were accepted and refined.

This method of teaching is extremely rationalistic. Scientific knowledge is presented as a series of commandments rather than as conclusions that have been reached by a laborious process of observation, experiment, and induction. If taught physics this way, a student’s grasp of the principles is necessarily detached from reality.

This approach to teaching physics also fails to provide students with a real understanding of the scientific method. If they are not exposed to the way in which a great scientist makes observations and then integrates them to arrive at an innovative conclusion, then they will not understand how science is done. Like the writing process, it will seem like an innate gift of born scientists, and they will never understand that they too can learn the process by which new discoveries are made. Because students are not learning the scientific method through real, historical examples of scientific discoveries, they usually have a few classes within the physics course devoted just to the scientific method. But the way this method is taught reflects the same rationalism. Students are told that the first step in the scientific process is to, “Choose a hypothesis.” Not a word is said about the process of observation that should lead you to a hypothesis, so the implication is that the hypothesis must be chosen on a whim or divinely inspired. Again, what they leave out is observation, integration, induction.»
O restante artigo comenta o sucesso da VanDamme Academy.

Saturday, March 17, 2007

Relação entre paradigmas científicos

This map was constructed by sorting roughly 800,000 published papers into 776 different scientific paradigms (shown as pale circular nodes) based on how often the papers were cited together by authors of other papers. Links (curved black lines) were made between the paradigms that shared papers, then treated as rubber bands, holding similar paradigms nearer one another when a physical simulation forced every paradigm to repel every other; thus the layout derives directly from the data. Larger paradigms have more papers; node proximity and darker links indicate how many papers are shared between two paradigms. Flowing labels list common words unique to each paradigm, large labels general areas of scientific inquiry.




Research & Node Layout: Kevin Boyack and Dick Klavans (mapofscience.com); Data: Thompson ISI; Graphics & Typography: W. Bradford Paley (didi.com/brad); Commissioned Katy Börner (scimaps.org). Visit the Information Esthetics site to order a free print.

(via SeedMagazine)

Thursday, March 08, 2007

Dois errados fazem um... errado

As reacções de António Costa e do governo português ao relatório norte-americano que apresentava, entre outras coisas, indícios de abusos das forças de segurança e tráfico de seres humanos em Portugal foi muito interessante. Não reconhecem legitimidade ao departamento de estado dos EUA para avaliar o respeito pelos direitos humanos noutros países e António Costa vai ainda mais longe, apontando que os EUA têm muito com que se preocupar internamente em termos de direitos humanos. Este tipo de respostas espontâneas acabam sempre por gerar problemas se forem analisadas mais de perto. É que os responsáveis portugueses podiam simplesmente ter dito que 1) não tinham lido o relatório e, portanto, não se iriam pronunciar antecipada e precipitadamente, 2) tinham lido e não concordavam (apontando evidências que contradissessem os resultados da avaliação) ou 3) tinham dado início a um processo de averiguação para apurar se os factos apontados se confirmavam, garantindo que seriam tomadas medidas adequadas se necessário. Em vez disto, preferiram simplesmente desautorizar qualquer relatório externo que contenha dados verídicos apenas porque é proveniente de outro país.

As duas consequências mais evidentes são que, a partir deste momento, ninguém no governo poderá criticar qualquer aparente violação dos direitos humanos noutro país que não Portugal (os EUA, por exemplo), coisa que, aliás, António Costa teve a exímia capacidade intelectual de conseguir fazer exactamente na mesma entrevista em que também afirmava que nenhum país tinha legitimidade para julgar outro. A outra consequência é que se o governo está realmente a falar a sério - se não estiver, a única razão para descredibilizar o dito estudo é ocultar conhecimentos que possua sobre o que realmente se passa com os direitos humanos em Portugal, o que, no mínimo, levanta algumas suspeitas - deixará de poder apresentar-se como defensor internacional dos direitos humanos dado que assim como o Estado português recusa a avaliação externa (afinal de contas, a avaliação da actuação de um governo feita por si próprio é infinitamente mais isenta e fiável...) qualquer outra entidade soberana pode reclamar o mesmo e não reconhecer autoridade a Portugal, ou a outro país, tendo o governo de dizer que está de acordo com essa decisão, o que o obrigaria a ser condescendente com estes crimes mesmo que os seus parceiros em política externa o pressionem - ou seja, que, no fundo, reconhece a si mesmo e aos outros autoridade zero para discutir o que se passa noutros países que não os respectivos. [Não vale a pena ter acessos de ingenuidade, os governos nunca são coerentes com as suas declarações por isso isto não vai acontecer] O panorama dos direitos humanos em Portugal também não sai mais reforçado já que se efectivamente existir algum problema, o governo só iria responder a análises feitas por si próprio (os guardas não precisam de ninguém que os guarde, a lei é para regular a acção do povo) ou de organizações não-governamentais.

Atacar o mensageiro é muito fácil e satisfaz pelo seu conteúdo emocional que, não respondendo à veracidade das premissas envolvidas no assunto, o desvia para outro mais atractivo e simpático mas que é totalmente irrelevante para o facto em causa. Seja qual for a verdadeira razão do governo para rejeitar o relatório de forma tão imediata - populismo nacionalista/antiamericano ou disfarce - tal comportmento não pode implicar nada de bom. Talvez as pessoas que costumam orgulhar-se do papel que Portugal supostamente representa no mundo, em termos da defesa histórica de certos valores civilizacionais (por exemplo, a abolição precoce da pena de morte) encarados como absolutos, devessem considerar seriamente as consequências destas declarações e a aparente inexistência de qualquer reacção visível de contestação.

Monday, February 26, 2007

Momento egocêntrico

Uma pequena nota para dar conta de que foi publicada, há alguns dias atrás, a minha entrevista ao Luís Carmelo no Miniscente.

Thursday, February 08, 2007

Diz que é uma espécie de termodinâmica anarquista

«A algumas fracções de graus abaixo do zero absoluto (-273 graus) entra-se no mundo misterioso dos condensados de Bose-Einstein, um outro estado da matéria com propriedades físicas bastante diferentes dos tradicionais estados gasoso, líquido e sólido.» [Física quântica: cientistas param raio de luz e libertam-no mais tarde]

Correcção: O Público já alterou a notícia para «A algumas fracções de graus acima do zero absoluto (-273 graus) entra-se no mundo misterioso dos condensados de Bose-Einstein».

Thursday, February 01, 2007

O outro nome do individualismo

D. José Policarpo falou anteontem sobre os perigos da liberdade individual sem responsabilidade e do invidualismo, apontando que ambos são evidentes "nos acidentes de viação, nas agressões contra o ambiente, no abandono e abuso de crianças, no aborto". Diz ainda o cardeal patriarca que "o exercício individualista da liberdade origina uma sociedade permissiva".

O que têm estas declarações a ver com a liberdade individual ou o individualismo? A verdade é que não têm absolutamente nada. D. José Policarpo comete o erro bastante frequente de utilizar a palavra individualismo ou a expressão liberdade individual para caracterizar toda e qualquer acção levada a cabo pelo o indivíduo ("exercício da liberdade num perspectiva individualista onde cada um pode fazer tudo o que quer e lhe apetece") e que provoque danos em terceiros sem que este seja verdadeiramente responsabilizado pelos seus actos, apelidando, equivocamente, de individualismo à sua negação. O problema está em que isto tem muito pouco a ver com a única definição conceptual aceitável de liberdade individual. Uma liberdade individual a sério reconhece o direito de todo e cada indivíduo não apenas a ser um indivíduo, como a ser um individualista total. Como tal, a única formulação coerente deste princípio resulta numa esfera de direitos individuais que qualquer pessoa, por muito individualista que seja, não pode violar quando lidar com outros, razão pela qual a responsabilização pelos seus actos é intrínseca ao próprio exercício desta liberdade individual. Quando esta esfera não é respeitada, dá-se um crime de agressão a outro indivíduo que pode surgir sob imensas formas. Daqui resulta que falar de uma liberdade individual sem responsabilidade não faz sentido algum - em especial porque estas desresponsabilizações resultam de uma atribuição ingénua de deveres a um conceito abstracto de sociedade e não ao indivíduo ou de uma definição de bens colectivos - e que uma sociedade permissiva, no sentido que o cardeal patriarca lhe atribui, seja, muito pelo contrário ao que afirma, precisamente uma que não respeita os princípios destas liberdades individuais.
Na verdade, se todos estes conceitos não fossem verdadeiros na sua forma geral e aplicáveis, de maneira pragmática, através de uma norma legal, a questão polémica do direito a realizar um aborto nem se levantaria porque não poderia ser colocada a hipótese de o feto/embrião ter direito à sua liberdade individual de viver, ou seja, de não ser eliminado - que é precisamente o que o cardeal patriarca defende embora ataque esse princípio - já que não existiria qualquer barreira à acção da liberdade individual da mulher que deseje abortar.

Apesar da contradição total deve notar-se a utilidade inegável deste argumento. Ao reconhecer implicitamente que os defensores do "sim" vêem na possibilidade de opcionalmente realizar um aborto uma liberdade individual, por não reconhecerem qualquer direito inerente ao feto/embrião, Policarpo retorque na mesma moeda (ainda que, como apontado antes, a consequência lógica do que realmente deseja seja a atribuição de uma protecção legal para que as suas liberdades individuais não sejam violadas através do acto de outrem) porque não só reconhece que o argumento da "liberdade de escolha" da mulher usado pelo "sim" é logicamente válido para si como, para o tentar refutar, adopta uma postura de ataque à liberdade individual que ele próprio deveria estar a defender, apontando de seguida como falso o seu uso no caso dos defensores do "sim" que utilizem esta retórica.

Como eu dizia acima, isto é extremamente útil. E a razão é muito simples. É que ultimamente têm estado a surgir no imenso ruído que são a maioria das discussões alguns pontos que inevitavelmente se começam a assemelhar com fundamentos liberais. E isto é inevitável uma vez que o próprio conflito de interesses que está no origem do problema - qual deve ser a norma jurídica face ao aborto - é de ordem liberal; contrapõe-se o direito de a mulher não ser coagida a efectuar uma escolha que não é a sua, para quem considera que o feto/embrião não deve ter direitos equivalentes ao de qualquer outro ser humano desenvolvido, com o direito deste a não ser literalmente executado, para quem considera o contrário. Como isto é extremamente inconveniente para vários elementos de ambos os lados que não estão dispostos a debater o tema sobre pressupostos sérios que admitam esta tensão, nomeadamente porque introduz as questões do momento em que se pode afirmar que existe uma (potencial) vida humana merecedora de direitos e a aplicabilidade efectiva de uma lei que os resguarde, praticamente todos acabam por utilizar um argumento motivado como resposta a um qualquer problema social, anunciado de forma alarmante, que encontre alguma especial atenção na sociedade, seja este o avanço de um suposto progresso cultural ou a instrumentalização do ser humano para a manutenção da estabilidade das taxas de natalidade do país. Isto é um jackpot dos grandes - num país como Portugal, que podia ser perfeitamente confundido com uma antiga república soviética não fosse o facto de estas terem dado um valente pontapé no comunismo, qualquer apelo a desígnios colectivistas como estes (que aparentam ter uma inspiração algures nos swings legislativos entre Lenine e Estaline) representam votos praticamente garantidos.

Tuesday, January 30, 2007

Simple random sampling


(via Despertar da Mente)

Desfazer a barreira

O meu último artigo publicado na Dia D, no dia 26 de Janeiro:

A equipa de futebol do Athletic Club possui uma tradição quase centenária que consiste em manter uma equipa inteiramente composta por jogadores bascos. Actualmente a regra é um pouco mais flexível – para fechar contrato é condição suficiente que o jogador tenha ascendência recente no país basco ou lá tenha sido formado.

Este caso idiossincrático torna-se particularmente interessante não somente pela rareza, mas por ser símbolo de uma resistência à evolução, no sentido oposto, do mercado de transferências. Durante muitos anos, o Athletic integrou o restrito grupo de clubes que conseguiram vencer repetidamente várias competições espanholas, tanto por via do acesso a alguns dos melhores jogadores nacionais (dos quais, por coincidência, muitos eram bascos), como devido à impossibilidade de outras equipas se reforçarem com mais e melhores jogadores estrangeiros. A progressiva abertura geral das regras existentes para contratações e o aumento da complexidade e organização social resultaram numa inevitável facilidade de aquisição de internacionais e provenientes de outras regiões de Espanha. Para o Athletic, limitado ao seu pequeno universo de potenciais jogadores regionais, as competições tornaram-se cada vez mais difíceis de vencer e, acima de tudo, mais dispendiosas – a grande vantagem de outros clubes não era apenas a obtenção de jogadores tecnicamente mais aptos, mas o facto de que, ao terem acesso a um mercado muito mais alargado, podiam reduzir os custos das suas aquisições e aumentar significativamente o leque de escolhas disponíveis consoante as necessidades. Sem grande surpresa, o Athletic não ganha títulos importantes há mais de vinte anos, esteve recentemente à beira da despromoção e a sua situação financeira já conheceu melhores dias.

Não existem já muitos clubes voluntariamente organizados desta forma peculiar, dada a prova da ineficácia desta estratégia na busca de resultados desportivos superiores. Na verdade, a grande maioria dos associados compreende-o intuitivamente e revolta-se com frequência contra as poucas regulações europeias ainda em vigor que impõem um número limite de jogadores originários de outros continentes. Uma vez que o interesse primário é unicamente a maximização do sucesso do seu colectivo e, mesmo com toda a liberdade de contratação ao alcance, a criação de uma equipa vencedora está dependente de uma infinidade de outras variáveis como a adaptação de características individuais ao jogo em grupo e a táctica utilizada, seria extremamente penalizador para todos os clubes envolvidos criar demasiadas restrições mútuas, o que resultaria numa competição de péssima qualidade. Pelas mesmas razões, os jogadores apenas são considerados valiosos enquanto se mostrarem produtivos de forma proporcional ao seu salário (é bastante fácil que ganhem o honroso epíteto de “mercenários” se assim não for) e existe muito pouca contra-argumentação emocional que se baseie na precariedade do emprego dos jogadores com menos talento e experiência ou na eventual redução do seu salário decorrente da concorrência com jogadores de outras áreas do globo. Muito pelo contrário, esta dinâmica é encarada de forma extremamente positiva porque recompensa o esforço pela obtenção de um lugar em campo e abre imensas oportunidades de compra e venda.

Este comportamento não é de todo enigmático pois é fácil compreender que os adeptos vejam o seu clube como uma empresa simultaneamente capaz da melhor gestão e dos melhores resultados. Enigmática é a ambivalência existente na aplicação desta intuição à restante sociedade. A troco de uma falsa ilusão de segurança temporária no emprego dos que não desejam estar expostos à concorrência estrangeira e da estabilidade de empresas nacionais que adquirem um estatuto privilegiado relativamente a outras – em ambos os casos, por retirarem frutos de uma produção acima do seu valor real – todos os que não pertençam a nenhuma destas categorias, dentro ou fora do país, estão condenados a ver a liberdade de escolha e a hipótese de acumulação de riqueza severamente diminuídas. Um pouco como o endémico Athletic, sem êxito desportivo nem dinheiro para novos jogadores.

Monday, January 22, 2007

Leituras

1. A série de três artigos de Charles Murray sobre inteligência, QI (não é o mesmo que inteligência) e ensino, um tema que, mais dia menos dia, será aqui discutido - Intelligence in the Classroom, What's Wrong With Vocational School?, Aztecs vs. Greeks. A este respeito vale também a pena ler a crítica aos textos de Murray por Arnold Kling, For Whom the Bell Curves: America's Education Dilemma.

2. Para quem estiver interessado, ainda a propósito disto e disto, anda por aí um documento da autoria do especialista da Universidade de Auckland Peter Gutmann sobre os custos do Windows Vista, A Cost Analysis of Windows Vista Content Protection, a causar algum alvoroço. Ao que parece, a Microsoft já respondeu indirectamente e Gutmann tem uma actualização prometida para breve.

3. Did the Soviets Collude? A Statistical Analysis of Championship Chess 1940-64 de Charles C. Moul e John V. C. Nye [pdf], cujo resumo diz quase tudo: «We examine whether players from the former Soviet Union acted as a cartel in international all-play-all tournaments – intentionally drawing against one another in order to focus effort on non-Soviet opponents – to maximize the chance of some Soviet winning. (...) Simulations of the period’s five premier international competitions (the FIDE Candidates tournaments) suggest that the observed Soviet sweep was a 75%-probability event under collusion but only a 25%-probability event had the Soviet players not colluded.»

4. The many stripes of anti-Americanism de Neil Gross no International Herald Tribune sobre o recente livro Anti-Americanisms in World Politics publicado pela Universidade de Cornell.

Tuesday, January 16, 2007

Eu fui mais colonizado do que tu

Na tentativa de fazer ouvir a sua voz contra o imperialismo, alguns estudantes em Goa, antiga colónia portuguesa na Índia, revoltaram-se e organizaram uma manifestação motivada pela atribuição de um doutoramento honoris causa da Universidade de Goa a Cavaco Silva. Dado que as aspirações políticas de Portugal sobre a actual Índia e a influência directa que a política portuguesa tem sobre a indiana são praticamente nulas, alguns anti-imperialistas portugueses, em vez de mostrarem a sua solidariedade e compreensão para com a causa expressa por estes estudantes e exaltarem o sentimento muito característico de culpa colectiva e nacional em nome dos feitos de gerações passadas, deveriam estar, na realidade, a menosprezar e criticar os acontecimentos ocorridos em Goa. Isto porque qualquer anti-imperialismo que se queira autêntico não deve ser retroactivo e praticado contra quem nunca o exerceu - as gerações portuguesas actuais - ou corre o risco de perder toda a seriedade por andar a combater moinhos de vento, alienar potenciais membros para a causa em questão e danificar importantes relações políticas e comerciais entre países que, em termos de soberania, falam de igual para igual.

Situações como esta são particularmente úteis para diferenciar quem é realmente anti-imperialista de quem, tanto lá como cá, está apenas a usar o rótulo para criar instabilidade, ganhar publicidade internacional e a utilizar eventos menores para redireccionar críticas a outros alvos. Aliás, não existe nenhuma outra grande razão para os estudantes empunharem cartazes em inglês. Se tivessem realmente razão de queixa, não estivessem centralmente preocupados em que o resto do mundo os compreendesse directamente e não tivessem outras coisas em mente, os cartazes dos estudantes daquele que é o estado mais rico da Índia estariam sintomaticamente escritos na língua da potência colonizadora.

O guia que nenhum verdadeiro socialista segue

DN: O que fazer para pagar menos IRS

Qual é exactamente o interesse de publicar um artigo destes num país de socialistas onde ninguém está interessado em pagar menos impostos ou sequer pensaria em fazê-lo (legal ou ilegalmente) por ser considerado totalmente anticívico e contrário à sua filosofia política orientadora? Um dia destes o DN ainda começa a sofrer sérias quedas de vendas por estar a tentar subverter uma sociedade solidária ao neoliberalismo insensível.