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Wednesday, December 13, 2006

Há estudos que são tiros no pé

OCDE recomenda que universidades e politécnicos passem a ser fundações

«O estudo encomendado pelo Governo aconselha também que professores e trabalhadores não-docentes das escolas percam o vínculo ao Estado e deixem de ser funcionários públicos.

Fundações – a proposta da OCDE para o ensino superior português é que universidades e politécnicos públicos passem, gradualmente, a ser fundações financiadas pelo Estado, mas geridas como se fossem do sector privado.

O organismo aconselha também que professores e trabalhadores não-docentes das escolas percam o vínculo ao Estado e deixem de ser funcionários públicos.

As instituições de ensino superior poderão, "por exemplo, continuar a ser financiadas pelo Governo, mas serão vistas como pertencendo ao sector privado", diz o relatório da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE) encomendado pelo Governo, no início deste ano, no âmbito da avaliação internacional do sistema de ensino superior português. (...)

O objectivo é que as instituições tenham lideranças mais fortes, mais iniciativa e inovem. "Inércia" e "inflexibilidade" são duas das palavras que caracterizam a acção dos actuais reitores, critica a OCDE. Outras são falta de liderança e falta de vontade para tomar uma decisão. "Há uma clara necessidade de mudar."

A OCDE sabe que esta recomendação é "radical" e questiona: "Será que o Governo está disposto a ceder o controlo das instituições e a passá-lo para fora do sistema do Estado? Será politicamente viável? Como é que vão reagir as instituições a estas propostas?" (...)»

Friday, December 08, 2006

It's all about the oil II

Oil field delays mean higher 2010 crude price: EIA

«The U.S. government's top energy forecaster on Tuesday said it raised its estimate for world crude prices in 2010 by about 20 percent to near $60 a barrel due to delays bringing new oil fields on line. (...)

World crude oil prices are projected to average $57.47 a barrel in 2010 based on 2005 dollars, versus a year-ago estimate of $47.29 a barrel in 2004 dollars, the EIA said. (...) U.S. crude oil futures have hovered around $60 a barrel in recent weeks, down from the record $78.40 hit in July.

World crude prices will dip to $49.87 a barrel in 2015 and then rise steadily to average $59.12 in 2030, the EIA said. That's versus the $56.97 a barrel average for 2030 that the EIA predicted last year.»

Oil's Well

«Once again, doomsayers claiming the world's oil will soon run out have been proved wrong. There is, however, a huge threat to global fossil fuel supply: proposed taxes that would kill investment and exploration. Some environmentalists contend that the world has reached peak oil production and that we've entered a period of decline that demands we abruptly shift to more politically correct forms of power.

But before we start having the government mandate windmills on every street corner, it would be wise to listen to oil industry historian Daniel Yergin, the chairman of Cambridge Energy Research Associates. Yergin, whose 800-page best-seller, "The Prize: The Epic Quest for Oil, Money and Power," won a Pulitzer, this week published an analysis that found a remaining 3.74 trillion barrels of total global oil reserves — more than three times as much as "peak oil" theory contends. (...)

CERA's study reveals that Hubbert's approach was riddled with flaws:
• He underestimated the effectiveness of new technologies in discovering, retrieving and refining oil resources.

• His forecasts of oil production over the following decades in the lower 48 states were hugely understated — by 66% in the case of 2005.

• He failed to anticipate the huge finds in Alaska and the Gulf of Mexico.

• Even leaving new technology aside, Hubbert's prediction of a steep downward curve after a production peak is based on false assumptions regarding typical oil fields.

• He ignored the impact of price and demand in driving production.

"This is the fifth time that the world is said to be running out of oil," noted Yergin in releasing the report, titled "Why the Peak Oil Theory Falls Down: Myths, Legends and the Future of Oil Resources." (...)

CERA's Yergin points out that each time there have been fears of oil running out, "technology and the opening of new frontier areas have banished the specter of decline." He concludes that "there's no reason to think that technology is finished this time." That is unless tax-crazed politicians step in to finish it.»

Thursday, December 07, 2006

The State's my Personal Jesus


«Apesar das vantagens, o VoIP ainda não pode ser visto como um substituto da rede fixa tradicional, devido à inexistência de um plano nacional de numeração para a recepção de chamadas através desta tecnologia, diz Miguel Lage, da Deco

Tuesday, December 05, 2006

Alguém falou em racionalização?

Mariano Gago admite fechar universidade em Lisboa

«O ministro do Ensino Superior lançou a ideia numa reunião com os reitores. Nova, Clássica, ISCTE e Técnico, uma delas pode fechar. (...)

Uma das quatro universidades públicas em Lisboa poderá encerrar. Esta é uma das hipóteses que está a ser ponderada pelo ministro da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior, Mariano Gago, no âmbito da reorganização da rede de estabelecimentos de ensino superior que deverá avançar no próximo ano, seguindo as recomendações do relatório da OCDE que será divulgado na próxima semana.»

Cavar a própria cova

[Previamente publicado n'O Insurgente]

Todas as discussões sobre o estado do ensino superior em Portugal acabam mais ou menos da mesma forma - com um consenso geral sobre as qualidades visíveis que este deveria apresentar e não apresenta. Formação com um elevado padrão de qualidade a nível internacional, preparação para uma flexibilidade laboral, eficiência optimizada no aproveitamento de recursos financeiros e didácticos disponíveis, professores de simultâneo talento pedagógico e científico e um clima que propicie a investigação e respectiva troca com a sociedade de cariz não-académico.

Não há nenhum problema endógeno em todos estes desejos. A incompatibilidade surge apenas quando aqueles que concordam entre si sobre a discordância relativa ao actual panorama do ensino superior se revelam como sendo socialistas da velha escola, um problema que afecta particular e gravemente a elite académica (este sim, um problema de endogenia e endogamia). Acontece que adicionalmente a todas estas ânsias por resultados palpáveis, ambicionam também - o que talvez seja a cereja no topo do bolo - um ensino superior tendencialmente gratuito e cumpridor de determinados padrões de uniformização para efeito de igualdade de condições e oportunidades, de tal forma que não se verifiquem grandes disparidades entre cursos de universidades diferentes, métodos de avaliação, critérios de financiamento de projectos, etc. Isto é tão exequível como querer fundir o modelo de qualidade do emblema Ivy League/Russell Group com o paraíso tecnológico japonês e o "preço" e a "igualdade" da educação em Cuba.

Uma vez que é impossível combinar a oferta de todas estas características de uma forma espontânea - o que qualquer crítico social omnisciente e eticamente intocável reconhecerá como uma falha significativa - é aqui que o apelo à participação das instâncias estatais entra em cena; o planeamento central é sempre o agente de recurso quando o objecto contestado é parte das consequências de viver num mundo onde a criação natural de serviços serve o actual estado de evolução de uma dada sociedade. Este apelo não se limita obviamente a um pedido à interferência no sector - até porque no caso português o ensino estatal já constitui uma grande fatia do paradigma actual - mas sim a modificações na fórmula de engenharia vigente. O Estado acaba assim por assumir o papel de derradeiro responsável pela tarefa do ensino universitário e daí resulta que passam a ser geridos os recursos académicos de acordo com o que os dirigentes nomeados pensam ser correcto e não consoante o processo típico de uma economia de mercado, que é como quem diz, com as escolhas a serem feitas por parte de quem paga o serviço.
Há várias consequências resultantes deste tipo de política. A primeiro é a de que todos estes recursos, mesmo tendo em conta o factor das variantes regionais, passam a ser alvo de uma racionalização programada pois é impossível cobrir tudo com semelhante ênfase. O ensino superior - métodos de ensino, cursos, disciplinas, horários - tem, portanto, de ser elaborado para o aluno médio e para as saídas profissionais médias. Como não existe tal coisa como o aluno médio nem a profissão média, este acaba por não estar adaptado para servir ninguém de forma integral, sendo que esta racionalização massiva acaba por danificar a liberdade de escolha e consequentes nichos de mercado que poderiam surgir, os quais são substituídos por cursos de carácter mais generalista. Como os critérios de selecção do que deve ser ensinado estão a cargo dos comités organizados pelas próprias universidades em questão (em algum ponto da linha, encontra-se também a barreira do Portugal das ordens profissionais, mas esse é outro problema), gera-se desperdício generalizado por duas vias: se por um lado, visto que há dinheiro para torrar à vontade sem grande discernimento, existem cursos e opções de utilidade duvidosa que ninguém frequenta e continuam a ser mantidos, por outro é extremamente frequente observar, dentro do carácter generalista, uma incidência concreta sobre matérias que os alunos nunca poderão colocar em prática a menos que estejam a pensar em ser eles próprios sustentados pela estrutura académica estatal (nesse caso, ainda terão provavelmente vários anos de luta na selva de "amiguismos" pela frente) ou considerem a hipótese de emigração. Dados estes factos, o desemprego crescente que se verifica entre licenciados não é muito surpreendente. E muito menos surpreendente é ler os dados que apontam as percentagens de licenciados a trabalhar, também sem grande surpresa, em áreas que requerem qualificações inferiores às que adquiriram. A insistência tenaz apenas acaba por ironicamente reflectir a lógica do ciclo vicioso. Quanto mais a sociedade é forçada a investir em ramos demasiado específicos dos quais faz pouco uso, mais tempo lhe levará a acumular necessidade suficiente para os tornar relevantes e desejados.

Existem muitas outras fontes que permitem entender onde está o desperdício, seja porque o dinheiro acaba por ir parar a actividades que produzem algo de valor muito inferior ao que com elas é despendido, devido às próprias consequências do modelo seguido, ou porque simplesmente a estrutura de remunerações e outros gastos é definida por decreto; mas a juntar a isto há sempre o problema de que qualquer instituição cuja sujeição às forças de mercado esteja demasiado mitigada dificilmente criará resultados que se distingam pelo mérito do seu trabalho. Como não está submetida à necessidade directa de garantir uma auto-subsistência, não há nem incentivo à organização interna que promova e premeie a qualidade - para além do facto de que, sendo estatal, está sujeita à necessidade de se apresentar como um símbolo de "igualdade" em alguma medida - nem há razão para estabelecer um feedback real e dinâmico com aqueles que deveria servir. A sua existência e manutenção, uma vez que maior independência nunca a tem nem provavelmente a deseja por representar uma cessão da obediência a estes princípios, diz apenas respeito a motivos políticos e não económicos. É aqui que o sonho socialista se começa a desfazer. Qualidade vislumbra-se muito pouca, desperdício sobra em demasiada e os fundos investidos na educação através dos impostos, se fossem colocados a circular livremente, provavelmente dariam para ensinar várias gerações em universidades privadas, também elas criadas com parte desse dinheiro. De notar que, no entanto, qualquer defensor do ensino estatal é também quase sempre um fervoroso defensor do combate ao esbanjamento e da promoção de valores como a qualidade, a criatividade e a inovação, o que é quase tão gracioso como os políticos que se manifestam fortemente contra a corrupção.

No fim de tudo, apenas se pode concluir que o desígnio utópico da resolução dos problemas de mercado através de uma solução que se supõe superior a este - por não responder aos seus mecanismos próprios - e os corrige, acaba também por falhar redondamente e ter resultados muito distintos dos objectivos delineados à partida quando necessita de encarar o mundo real. Como tenta responder a quase tudo e acaba por responder a quase nada, muitas vezes, os efeitos são ainda mais negativos do que o problema que se apresentava inicialmente, não só porque se estabelecem novas relações entre o poder político e a forma como este se relaciona com as pessoas, mas porque o poder político passa a poder controlar a própria forma como estas se relacionam entre si, e consigo mesmo, por meio das regras que ele próprio estipula. É por isso que em Portugal se discute como deve ser financiado e gerido o ensino superior (e o ensino em geral) há décadas e toda a gente concorda exactamente em quais são os resultados desejados mas praticamente toda a gente prescreve a forma errada de os alcançar. A maior prova disto é que o ensino português não tem particular fama de ser de grande qualidade, não gera uma sociedade com o conhecimento proporcional que devia fornecer quando comparado com o que com ele se gasta, oferece poucas opções relevantes ao mesmo tempo que tem opções irrelevantes em demasia, é tudo menos barato e, acima de tudo, não é livre. Porque nem incute a responsabilização individual dos alunos, nem promove a autonomia das universidades (sejam elas estatais ou privadas), nem responde às escolhas dos pais, nem cria oportunidades para as empresas ou para as eventuais ofertas de ensino providenciadas a menor escala por outros meios que não os regulares (ensino especializado, ensino à distância, etc.).

Pedir ao Estado que faça alguma coisa é extremamente fácil. Tão fácil e previsível como aguardar que uma infindável série de governos se sintam seduzidos pela visão de que tal aliciante pedido lhes permita adquirir ainda mais poder, para dominar ou controlar. Difícil é fazer o caminho no sentido inverso - compreender as razões pelas quais a pseudo-solução anterior apenas gera constantemente becos sem saída a cada direcção para a qual se tente virar e reconhecer que muitos dos problemas tipicamente apontados são precisamente a consequência do modelo actual que, em teoria, se oferecia como forma de resolução para outros problemas que permanecem sem ser resolvidos.

Monday, December 04, 2006

Liberdade e igualdade I


"A society that puts equality - in the sense of equality of outcome - ahead of freedom will end up with neither equality or freedom. The use of force to achieve equality will destroy freedom. On the other hand, a society that puts freedom first will, as a happy by-product, end up with both greater freedom and greater equality. Freedom means diversity but also mobility. It preserves the opportunity for today's less well off to become tomorrow's rich, and in the process, enables almost everyone, from top to bottom, to enjoy a richer and fuller life."

Pequenas notas II




1. Boas notícias para os fãs de Ayn Rand. O Atlas já entrou no activo.

2. Fiscal Policy Lessons from Europe de Daniel J. Mitchell na Heritage Foundation, uma comparação entre a situação económica na Europa e nos EUA.

3. O aguardado relatório sobre a Antikythera, o pequeno computador com mais de 2000 anos, saiu finalmente. A notícia pode ser lida no New York Times.

4. A ABC News, citando Arthur Brooks, autor de Who really cares diz que nos EUA a direita, apesar de ironicamente mais pobre, é mais generosa do que a esquerda. Algumas razões lógicas são apontadas na notícia. O AAA refere um artigo de Thomas Sowell em que também são discutidos estes resultados e o livro de Brooks.

5. Free to Choose, agora totalmente disponível de forma gratuita no Idea Channel.

6. O artigo Portuguese research universities: why not the best? [pdf] de Michael Athans que já tinha referido aqui n'O Insurgente.

6. Parece que os suecos confiam mais nas companhias IKEA, Saab, Volvo e Ericsson do que no partido do governo, na igreja, no banco central e na estação pública de televisão.

Tuesday, November 28, 2006

Os inalienáveis e auto-evidentes direitos

:: Texto publicado a 24 de Novembro na revista Dia D ::

A condenação da desigualdade de rendimentos continua a marcar severamente o discurso político da actualidade, surgindo de forma assídua em apelativos artigos de imprensa ou mesmo constituindo, academicamente, uma forma regular de análise através da qual se dá uma maior relevância aos métodos de criar uma distribuição tendencialmente mais uniforme, numa visão normativa e presumivelmente ética da sociedade, do que ao estudo objectivo e estatístico da ordenação da riqueza em si e dos factos com ela relacionados.

Referir que o capitalismo é responsável por tais disparidades é normalmente o lugar comum que serve de explicação a uma realidade que se revela sempre muito mais complexa do que os modelos simplificados que lhe desejam atribuir. Na verdade, os países com maior discrepância de riqueza entre os seus cidadãos são tudo menos capitalistas, e não existe razão alguma para que países mais livres não possam apresentar um nível de igualdade de rendimentos naturalmente superior aos restantes – o que há, no entanto, a frisar é o historial dos que se tornaram, em termos absolutos, mais pobres por insistir nesta redistribuição homogeneizadora através da coerção.

Um dos problemas de origem epistemológica que é particularmente relevante nos países mais economicamente livres, já que, nestes casos, a estatística se torna bastante enganadora por ser impossível mensurar o efeito da característica que mais influencia os resultados – a individualidade – é distinguir o que é resultante do desejo próprio. Parte das desigualdades observáveis são uma medida das diferenças existentes entre as diversas pessoas que compõem a sociedade; não só como o resultado de uma acumulação de singularidades providenciadas por via hereditária e legado patrimonial transmitido entre gerações, mas porque estas efectuam diferentes escolhas consoante as suas próprias intenções, ambições e circunstâncias pessoais, o que afectará directa e voluntariamente a riqueza produzida.

Por regra, os pioneiros da formatação social sentem-se incomodados com este facto porque a sua intenção se revela não ser verdadeiramente a redução da pobreza em termos de absolutos, mas a sua diminuição em termos relativos, i.e., combater a riqueza diferenciadora de forma a eliminar a ostentação de um estatuto social que é necessariamente comparativo, o que explica a sua relutância em admitir o facto, também evidente nas tendências migratórias, de que os mais indigentes de todos vivem melhor em países mais ricos. Muitas destas conclusões derivam de tradicionais variantes da falácia de soma nula, que infere que para alguém ganhe, outro terá de perder, mas o principal problema desta interpretação situa-se no escasso reconhecimento de que a redistribuição forçada de riqueza danifica largamente a sua própria formação, tanto por redução do encorajamento ao negócio por parte do investidor e distorção do incentivo à produção por parte de quem cria, como por desperdício e outras consequências provenientes da sua execução administrativa, o que tem um efeito pernicioso na sociedade, especialmente nos que mais pretende auxiliar.

Porque se algum direito assiste naturalmente a todos – o de possuir a oportunidade de se tornar mais abastado sem, contudo, o retirar aos seus concidadãos – o que se encontra verdadeiramente em causa não é a transição para uma maior igualdade de rendimentos em si, mas uma progressiva desigualdade de liberdades consagradas, uma vez que uma pessoa de reduzida remuneração que defenda a existência de um sistema fiscal cuja razão de ser é a transferência massiva de riqueza dificilmente manterá a coerência de defender a mesma solução se a sua situação financeira se inverter subitamente. A lei deve ser inequivocamente baseada numa condição de igualdade efectiva de todos os cidadãos perante si, independentemente da sua origem e das suas diferenças, e não na promoção de um conceito fabricado que os divida em categorias distintas. A menos, claro, que o egoísmo gerador de direitos relativos, a extorsão, a invídia e o dualismo político possam constituir o corpo de justificações lógicas de um sistema económico.

Friday, November 24, 2006

It's all about the oil

World oil production may have peaked (Thu Oct 26)

«Matthew Simmons, chairman of Simmons & Co. International, a Houston-based investment banking firm specializing in the energy sector, said U.S. government data showed that the world oil supply has declined through the first half of this year.

Energy Information Administration data showed world supply of crude oil has declined to 83.98 million barrels per day in the second quarter after hitting 84.35 million bpd in the fourth quarter of 2005.(...)

Rising demand for oil, stoked by the rapid economic development of China and India, have helped to drive oil prices to record highs. U.S. oil futures peaked above $78 in July, but have since eased to about $61 per barrel. (...)

It's hard to determine just how much oil is left in the world, since companies in different countries use varying standards to calculate their oil reserves, speakers said. Major oil companies haven't raised the specter of peak supply with their shareholders. One speaker said that could suggest their oil reserves are richer than many executives disclose, as a result of strict U.S. regulations on how public companies may estimate their reserves.»

Oil prices fall as crude supplies surge (Wed Nov 22)

Oil prices fell Wednesday after U.S. government data showed rising supplies of crude. (...) The Energy Department's weekly petroleum report said crude-oil inventories swelled by 5.1 million barrels last week to 341.1 million barrels, or 6 percent above year ago levels.

The nation's gasoline stocks grew by 1.4 million barrels to 201.7 million barrels after a drop in refinery activity, leaving them less than 1 percent below year ago levels. The supply of distillate fuel, which includes heating oil and diesel, is slightly above year ago levels even after a 1.2 million barrel decline that left inventories at 133.8 million barrels.(...)

Light sweet crude for January delivery fell 93 cents to settle at $59.24 a barrel on the New York Mercantile Exchange, where natural gas futures slid 27 cents to settle at $7.718 per 1,000 cubic feet. On London's ICE Futures exchange, January Brent futures dipped 90 cents to settle at $59.49 a barrel.(...)

"Day-to-day events and commentary will continue to push prices up and down in the short term, but until something new of significant fundamental import surfaces, prices will most likely remain fairly close to the current range," said John Kilduff at Fimat USA.(...)

Oil prices have fallen by about 23 percent since hitting an all-time trading high above $78 a barrel in mid-July. They haven't settled above $62 a barrel since Oct. 1, despite the Organization of Petroleum Exporting Countries' announcement in mid-October that it would reduce output by 1.2 million barrels a day.

Monday, November 20, 2006

Pequenas notas

1. Sobre Milton Friedman, vale a pena ler o que escreveram Samuel Brittan no Financial Times, Walter Block no Mises Institute e Thomas Sowell no Wall Street Journal. A sua entrevista no programa The Open Mind, em 1975, a parábola do lápis retirada da série Free to Choose e uma entrevista de 1999 em que Friedman fala sobre a sua visão do liberalismo.

2. O Indivíduo (9 anos) e o Blue Lounge (1 ano) estão de parabéns.

3. Why Intellectuals Still Support Socialism de Peter Klein. Sobre o mesmo tópico e na mesma linha da análise, ler também Why do Intellectuals Oppose Capitalism? de Robert Nozick, datado de 98.

4. How to Win the War on Poverty: An Analysis of State Poverty Trends [pdf], um estudo do Goldwater Institute. Um resumo das conclusões pode ser lido no National Center for Policy Analysis. Adenda: está também disponível o Poverty in Canada: 2006 Update [pdf] publicado pelo Fraser Institute.

5. O TIOBE Programming Community Index, que tenta listar quais as linguagens de programação mais populares num dado mês do ano e a sua evolução ao longo do tempo. Em Novembro de 2006, o top 4 é ocupado por Java, C, C++ e Visual Basic, todas [obrigado ao JLP pelo reparo] 3 das quais são linguagens de programação orientada por objectos.

6. The pleasure of finding things out, uma entrevista datada de 1981 a Richard Feynman, vencedor do prémio nobel da física em 65 pelo seu trabalho em electrodinâmica quântica. O paralelo com Friedman é muito difícil de evitar - Feynman foi não só um dos melhores físicos da história como um dos mais brilhantes comunicadores (públicos) da ciência em geral.

Wednesday, November 15, 2006

QED

Salário de Moutinho será "inflacionado"
Actualmente com um vencimento anual na ordem dos 360 mil euros, o jogador deverá ver a sua situação revista em alta, o que o colocará no topo da folha de ordenados do clube, ao nível de Liedson, que ganha cerca de 1,2 milhões de euros.

Os bons desempenhos de Moutinho – um jogador talentoso e de extrema regularidade (soma 76 jogos consecutivos a titular) que, por força da sua personalidade, é já um dos subcapitães – e a cobiça que o mesmo tem despertado nalguns dos colossos do futebol europeu (Barcelona, Chelsea e Manchester United seguem-no com atenção) justificam a atenção dos gestores da SAD sportinguista.

(...) a administração leonina reconhece, porém, que o jogador merece ser recompensado pelo trabalho que vem desenvolvendo. Além disso, os leões também quererão aumentar a cláusula de rescisão – cifrada em 20 milhões de euros –, de maneira a acautelarem os seus interesses face às possíveis investidas dos "milionários" do futebol europeu, cujo desafogo financeiro lhes permite outro tipo de manobras.

Como se pode constatar, mais uma vez fica demonstrado que se não fosse o papel agressivo dos sindicatos e a existência de um salário mínimo previsto por lei, ninguém comia coisa que fosse neste país. Se não houver legislação para proteger o trabalhador e garantir as suas condições de trabalho, nenhum empresário possui qualquer razão para não pagar mais do que um grão de arroz como remuneração e ficamos todos na miséria.

V



«On Monday, November 6, 2006, "V" visited security check points at the White House, the main Treasury, IRS and Justice Department Buildings and the Capitol. "V’s" purpose was to deliver the People’s Petitions for Redress of Grievances relating to the Government’s violations of the war powers, tax, privacy and money clauses of the Constitution, and to inform key Government officials that at least 100 more "Vs" would be at their doorstep on November 14th expecting a response to the Petitions.

At the White House about a dozen Secret Service agents appeared on foot, bicycles and car to meet "V." While virtuously assuring the security of the state, they were curious about the image of "V" and asked many questions. Most, when asked if they had seen the movie "V for Vendetta", smiled their approval.

When an agent asked if "V" would remove his mask for identification purposes, “V” explained that would defeat the very purpose of the mask, which was to give expression to the fact that the nation was becoming a police state, that too many people were becoming afraid to be identified as dissenters or protestors, and that this was not in the long term interest of a free people. The agents accepted the veracity of "V’s" message and refrained from veering "V" from his vanguard visit as the vox populi.»

Monday, November 13, 2006

Obscenidades

[Previamente publicado n'O Insurgente]

A maioria das pessoas está disposta a denunciar de imediato o seu vizinho porque este paga menos impostos em relação a si. Diz-nos a justificação para este comportamento que se tratam de razões de igualdade fiscal. Contudo, se a questão é efectivamente de igualdade fiscal, seria mais ou menos expectável que a pessoa tanto estivesse inclinada a queixar-se de que paga demasiados impostos relativamente a outros como a apontar que os outros que conhece pagam uma parcela inferior. Estará provavelmente mais que do visto que é extremamente raro que ocorra o primeiro e que o segundo preenche praticamente a totalidade das críticas que frequentemente se ouvem, o que indica que não é esta a razão verídica que motiva o protesto. Este género de crítica é recorrente quando se fala, por exemplo, da actividade do sector bancário e mais uma vez, a última semana foi bastante prolífica em exemplos. A questão económica nem é muito relevante pelas suas consequências; o problema está, como na maior parte das vezes, nos pressupostos distorcidos presentes nestas mesmas críticas e nos quais elas se baseiam.

Um dos mais comuns destes erros é assumir que como o indivíduo X se encontra na situação relativamente boa quando comparado com o indivíduo Y, então X possui uma responsabilidade implícita neste facto por não se encontrar na mesma situação de Y, por outras palavras, X não pode estar bem quando a maioria dos restantes está mal e se está, então deve ser o culpado da má situação alheia e penalizado por isso. Este tipo de argumentação surge sobre imensas formas e nas mais diversas variantes. Neste caso, manifesta-se como a ideia de que os bancos não pagam tantos impostos como deviam e, portanto, a culpa do baixo poder de compra da população portuguesa é sua. Uma vez que se assume que há um conjunto de receita fiscal fixo a financiar e a contribuição dos bancos é entendida como menor do que deveria ser, a responsabilidade pela sua (dos cidadãos) sobrecarga fiscal passa a ser deles (dos bancos). Isto é uma vitória da ideia perigosamente intuitiva de que se todos pagarem de forma igual, todos pagaremos menos, o que é falso. Por um lado, para chegar a esta conclusão, considera-se que o montante a cobrar é estático e por outro, que o efeito de uma cobrança mais elevada num determinado sector, neste caso o bancário, tem efeitos nulos ou negligenciáveis. A primeira é uma conjectura errada porque o montante a cobrar não é estático, mas uma variável dependente da vontade política dos governantes e uma consequência da despesa orçamental que é necessário financiar. Se este pressuposto fosse verdadeiro, existiriam sempre superávits em vez de défices uma vez que os governos só gastariam depois de terem as contribuições disponíveis, o que se sabe não corresponder de todo à realidade - a única restrição que os governos colocam à despesa é a dificuldade que terão em posteriormente pagá-la, sendo que para muitos nem sequer isso funciona como freio, e o limite da submissão económica que a sociedade se encontra disposta a tolerar. A segunda é igualmente uma conjectura errada porque ao colocar-se um peso superior sobre os bancos estes irão inevitavelmente reflectir o aumento dos seus gastos, seja no preço e na qualidade dos serviços prestados, nos novos investimentos em que participam ou na própria estrutura da sua organização interna.
Geralmente ignoram-se estas consequências porque se assume que o lucro dos bancos é um resultado directo dos seus preços alegadamente abusivos, o que nos traz ao outro erro significativo para este problema - o de que os bancos têm "lucros obscenos" porque cobram um valor demasiado elevado pelos seus serviços, constituindo isso um roubo que deve ser travado. Para além do combate ao lucro ter o mesmo género de efeitos referidos no parágrafo anterior e, em último caso, afastar os interessados do sector, esta perspectiva comete a imprudência de ser totalmente contraditória, ainda que o preço possa ser afectado por outros factores como as barreiras de entrada no sector. Se o preço dos serviços contratados pelos clientes dos bancos fosse efectivamente muito superior ao que valem subjectivamente para cada uma das pessoas que os contratam, estes não teriam qualquer razão para manter os seus contratos. E este facto constata-se através da compreensível baixa predisposição que se verifica nestas pessoas em abandonar os serviços bancários. A melhor forma de reduzir o lucro dos bancos seria precisamente começar por rescindir todos os acordos que se têm com estes, desde o uso de simples transferências e pagamentos electrónicos aos pedidos de crédito mais dispendiosos, minando assim a base de clientes que possuem. Como é bastante evidente, praticamente nenhum dos actuais clientes está disposto a viver sem estas possibilidades que actualmente um banco facilita, o que demonstra que afinal o preço a pagar não é assim tão absurdo.

Todo este agregado de reacções muito populares é incompatível consigo próprio porque o lucro obtido é visto como indesejável, os custos inerentes às operações com estes sector são sentidos como demasiado elevados (basta ver as oposições ideológicas ao aumento de comissões ou juros cobrados) e se tenta precisamente conjugar uma descida e limitação em ambos os campos porque intuitivamente, mas de forma obviamente errada, se associa a ideia de que um preço elevado é um preço elevado em absoluto - a questão do preço de mercado é tida como relativamente irrelevante - e de que estes mesmos preços elevados são a causa do lucro “astronómico”, o que desafia todas as regras da lógica numa economia onde existe concorrência entre vários prestadores.

Para além de muito populismo e da usual falta de ponderação, o socialismo alimenta-se constantemente deste ódio genético e cultural ao sucesso alheio e recusa que o sucesso pessoal alcançado pelo serviço em proveito dos outros seja reconhecido como válido, penalizando-o e tornando a bandeira da igualdade fiscal num método para fazer uma corrida para o topo, tendo em vista uma harmonização de todos os impostos ao nível máximo possível. Talvez o feito mais importante seria que os proponentes típicos dos aumentos de impostos à banca ou reformulações no cálculo da respectiva cobrança começassem por compreender que taxar exclusivamente determinados grupos sociais ou económicos constitui uma ilusão e é, na prática, impossível. Sendo que a economia é necessariamente um sistema composto por complexas redes de cooperação em que todos os recursos e respectiva gestão estão interligados e se afectam mutuamente, o feitiço acaba por invariavelmente virar-se contra o feiticeiro.

Friday, November 10, 2006

Hocus pocus



Desta vez parece que ninguém quer referir os interesses das corporações que fazem as contagens dos votos ou falar dos pedidos de recontagem. Há passes de magia que pacificam muita gente.