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Wednesday, November 15, 2006

QED

Salário de Moutinho será "inflacionado"
Actualmente com um vencimento anual na ordem dos 360 mil euros, o jogador deverá ver a sua situação revista em alta, o que o colocará no topo da folha de ordenados do clube, ao nível de Liedson, que ganha cerca de 1,2 milhões de euros.

Os bons desempenhos de Moutinho – um jogador talentoso e de extrema regularidade (soma 76 jogos consecutivos a titular) que, por força da sua personalidade, é já um dos subcapitães – e a cobiça que o mesmo tem despertado nalguns dos colossos do futebol europeu (Barcelona, Chelsea e Manchester United seguem-no com atenção) justificam a atenção dos gestores da SAD sportinguista.

(...) a administração leonina reconhece, porém, que o jogador merece ser recompensado pelo trabalho que vem desenvolvendo. Além disso, os leões também quererão aumentar a cláusula de rescisão – cifrada em 20 milhões de euros –, de maneira a acautelarem os seus interesses face às possíveis investidas dos "milionários" do futebol europeu, cujo desafogo financeiro lhes permite outro tipo de manobras.

Como se pode constatar, mais uma vez fica demonstrado que se não fosse o papel agressivo dos sindicatos e a existência de um salário mínimo previsto por lei, ninguém comia coisa que fosse neste país. Se não houver legislação para proteger o trabalhador e garantir as suas condições de trabalho, nenhum empresário possui qualquer razão para não pagar mais do que um grão de arroz como remuneração e ficamos todos na miséria.

V



«On Monday, November 6, 2006, "V" visited security check points at the White House, the main Treasury, IRS and Justice Department Buildings and the Capitol. "V’s" purpose was to deliver the People’s Petitions for Redress of Grievances relating to the Government’s violations of the war powers, tax, privacy and money clauses of the Constitution, and to inform key Government officials that at least 100 more "Vs" would be at their doorstep on November 14th expecting a response to the Petitions.

At the White House about a dozen Secret Service agents appeared on foot, bicycles and car to meet "V." While virtuously assuring the security of the state, they were curious about the image of "V" and asked many questions. Most, when asked if they had seen the movie "V for Vendetta", smiled their approval.

When an agent asked if "V" would remove his mask for identification purposes, “V” explained that would defeat the very purpose of the mask, which was to give expression to the fact that the nation was becoming a police state, that too many people were becoming afraid to be identified as dissenters or protestors, and that this was not in the long term interest of a free people. The agents accepted the veracity of "V’s" message and refrained from veering "V" from his vanguard visit as the vox populi.»

Monday, November 13, 2006

Obscenidades

[Previamente publicado n'O Insurgente]

A maioria das pessoas está disposta a denunciar de imediato o seu vizinho porque este paga menos impostos em relação a si. Diz-nos a justificação para este comportamento que se tratam de razões de igualdade fiscal. Contudo, se a questão é efectivamente de igualdade fiscal, seria mais ou menos expectável que a pessoa tanto estivesse inclinada a queixar-se de que paga demasiados impostos relativamente a outros como a apontar que os outros que conhece pagam uma parcela inferior. Estará provavelmente mais que do visto que é extremamente raro que ocorra o primeiro e que o segundo preenche praticamente a totalidade das críticas que frequentemente se ouvem, o que indica que não é esta a razão verídica que motiva o protesto. Este género de crítica é recorrente quando se fala, por exemplo, da actividade do sector bancário e mais uma vez, a última semana foi bastante prolífica em exemplos. A questão económica nem é muito relevante pelas suas consequências; o problema está, como na maior parte das vezes, nos pressupostos distorcidos presentes nestas mesmas críticas e nos quais elas se baseiam.

Um dos mais comuns destes erros é assumir que como o indivíduo X se encontra na situação relativamente boa quando comparado com o indivíduo Y, então X possui uma responsabilidade implícita neste facto por não se encontrar na mesma situação de Y, por outras palavras, X não pode estar bem quando a maioria dos restantes está mal e se está, então deve ser o culpado da má situação alheia e penalizado por isso. Este tipo de argumentação surge sobre imensas formas e nas mais diversas variantes. Neste caso, manifesta-se como a ideia de que os bancos não pagam tantos impostos como deviam e, portanto, a culpa do baixo poder de compra da população portuguesa é sua. Uma vez que se assume que há um conjunto de receita fiscal fixo a financiar e a contribuição dos bancos é entendida como menor do que deveria ser, a responsabilidade pela sua (dos cidadãos) sobrecarga fiscal passa a ser deles (dos bancos). Isto é uma vitória da ideia perigosamente intuitiva de que se todos pagarem de forma igual, todos pagaremos menos, o que é falso. Por um lado, para chegar a esta conclusão, considera-se que o montante a cobrar é estático e por outro, que o efeito de uma cobrança mais elevada num determinado sector, neste caso o bancário, tem efeitos nulos ou negligenciáveis. A primeira é uma conjectura errada porque o montante a cobrar não é estático, mas uma variável dependente da vontade política dos governantes e uma consequência da despesa orçamental que é necessário financiar. Se este pressuposto fosse verdadeiro, existiriam sempre superávits em vez de défices uma vez que os governos só gastariam depois de terem as contribuições disponíveis, o que se sabe não corresponder de todo à realidade - a única restrição que os governos colocam à despesa é a dificuldade que terão em posteriormente pagá-la, sendo que para muitos nem sequer isso funciona como freio, e o limite da submissão económica que a sociedade se encontra disposta a tolerar. A segunda é igualmente uma conjectura errada porque ao colocar-se um peso superior sobre os bancos estes irão inevitavelmente reflectir o aumento dos seus gastos, seja no preço e na qualidade dos serviços prestados, nos novos investimentos em que participam ou na própria estrutura da sua organização interna.
Geralmente ignoram-se estas consequências porque se assume que o lucro dos bancos é um resultado directo dos seus preços alegadamente abusivos, o que nos traz ao outro erro significativo para este problema - o de que os bancos têm "lucros obscenos" porque cobram um valor demasiado elevado pelos seus serviços, constituindo isso um roubo que deve ser travado. Para além do combate ao lucro ter o mesmo género de efeitos referidos no parágrafo anterior e, em último caso, afastar os interessados do sector, esta perspectiva comete a imprudência de ser totalmente contraditória, ainda que o preço possa ser afectado por outros factores como as barreiras de entrada no sector. Se o preço dos serviços contratados pelos clientes dos bancos fosse efectivamente muito superior ao que valem subjectivamente para cada uma das pessoas que os contratam, estes não teriam qualquer razão para manter os seus contratos. E este facto constata-se através da compreensível baixa predisposição que se verifica nestas pessoas em abandonar os serviços bancários. A melhor forma de reduzir o lucro dos bancos seria precisamente começar por rescindir todos os acordos que se têm com estes, desde o uso de simples transferências e pagamentos electrónicos aos pedidos de crédito mais dispendiosos, minando assim a base de clientes que possuem. Como é bastante evidente, praticamente nenhum dos actuais clientes está disposto a viver sem estas possibilidades que actualmente um banco facilita, o que demonstra que afinal o preço a pagar não é assim tão absurdo.

Todo este agregado de reacções muito populares é incompatível consigo próprio porque o lucro obtido é visto como indesejável, os custos inerentes às operações com estes sector são sentidos como demasiado elevados (basta ver as oposições ideológicas ao aumento de comissões ou juros cobrados) e se tenta precisamente conjugar uma descida e limitação em ambos os campos porque intuitivamente, mas de forma obviamente errada, se associa a ideia de que um preço elevado é um preço elevado em absoluto - a questão do preço de mercado é tida como relativamente irrelevante - e de que estes mesmos preços elevados são a causa do lucro “astronómico”, o que desafia todas as regras da lógica numa economia onde existe concorrência entre vários prestadores.

Para além de muito populismo e da usual falta de ponderação, o socialismo alimenta-se constantemente deste ódio genético e cultural ao sucesso alheio e recusa que o sucesso pessoal alcançado pelo serviço em proveito dos outros seja reconhecido como válido, penalizando-o e tornando a bandeira da igualdade fiscal num método para fazer uma corrida para o topo, tendo em vista uma harmonização de todos os impostos ao nível máximo possível. Talvez o feito mais importante seria que os proponentes típicos dos aumentos de impostos à banca ou reformulações no cálculo da respectiva cobrança começassem por compreender que taxar exclusivamente determinados grupos sociais ou económicos constitui uma ilusão e é, na prática, impossível. Sendo que a economia é necessariamente um sistema composto por complexas redes de cooperação em que todos os recursos e respectiva gestão estão interligados e se afectam mutuamente, o feitiço acaba por invariavelmente virar-se contra o feiticeiro.

Friday, November 10, 2006

Hocus pocus



Desta vez parece que ninguém quer referir os interesses das corporações que fazem as contagens dos votos ou falar dos pedidos de recontagem. Há passes de magia que pacificam muita gente.

Wednesday, November 08, 2006

Land of contradiction III

Só a afirmação de que o partido democrata "tomou controlo" da câmara dos representantes (e talvez do senado) denota uma predisposição para imaginar aprovações legislativas nos EUA por meio de voto em bloco, em contraste com um voto por cabeça. Este pressuposto não faz muito sentido onde não há um rei a reunir as cortes como nos antigos regimes feudais, nem uma assembleia da república à portuguesa, na qual uma maioria absoluta garante praticamente tudo e o acto de um deputado votar de forma diferente à do seu partido é quase percepcionado como uma rebelião, tornando-se rapidamente motivo de notícia de capa de jornal. Ocasionalmente, quando a questão a deliberar é considerada sensível a motivações pessoais, os partidos dão "liberdade de voto" aos seus deputados porque estes, na maior parte das vezes, se limitam a bater palminhas ao governo ou, se estiverem na oposição, a contestá-lo de forma colectiva. Quando estão presentes, obviamente.

Declarações como as de Vera Jardim, em que este dizia que os resultados desta eleição põem fim ao "poder praticamente ilimitado" de Bush são, por isso mesmo, anedóticas. Não só porque ignoram que os republicanos não partilham sempre a mesma opinião entre si como também porque esquece que os democratas muitas vezes votam da mesma forma que os republicanos, o que é perfeitamente natural num órgão legislativo de um país que não usa rebanhos para criar as suas leis [alguns exemplos no Blasfémias e no blogue de Greg Mankiw]. O mais curioso é que, de imediato, em afirmações seguintes, refere que não aguarda nenhuma mudança drástica na política externa norte-americana, colocando em risco a lógica do que dizia uma frases atrás. É que se não houver nenhuma mudança drástica, isso só pode significar que o poder ilimitado de Bush prevalece mesmo quando os democratas são a força maioritária no congresso, o que mostra que este afinal não é assim tão ilimitado, mas o resultado visível de um consenso democrático. Ou então que o poder ilimitado de Bush nunca existiu e é apenas uma bonita expressão que convence muita gente das intenções maléficas do grande Satã e serve de libertação de endorfina aos que não conseguem encontrar coisa melhor.

Land of contradiction II

Se foi a guerra do Iraque que tramou Bush e colegas republicanos, o que geralmente também é apontado como causa da sua baixa popularidade, falta mostrar como é que as previsões para as eleições legislativas nos EUA não eram assim tão conclusivas estado a estado e ainda se aguarda o apuramento dos resultados de Montana e Virginia para conhecer qual o partido vencedor da corrida para o Senado. Se a verdadeira causa dos resultados eleitorais fosse realmente o castigo a Bush e o descontentamento perante o conflito no Iraque, então não se estaria sequer na dúvida sobre qual o resultado final destas eleições para o congresso porque a percentagem de votos no partido republicano estaria circunscrita ao intervalo aproximado de 34-41%, já que teria de ser sensivelmente semelhante à impopularidade do presidente, cuja suposta causa é a mesma atribuída a esta derrota do GOP.

Para além de mostrar que é pouco inteligente retirar conclusões políticas específicas com base em inquéritos de (im)popularidade presidenciais, atribuindo-a inequivocamente àquilo que se deseja que seja a causa dessa falta de popularidade, é possível ver que tais sondagens não servem para definir quais os resultados de qualquer eleição porque pecam sempre por demasiado simplismo. Quem não gosta de Bush não irá necessariamente votar no representante local de outro partido que não o republicano ou poderá ser forçado a votar no candidato republicano por falta de outras opções democráticas do seu agrado.

No seio de toda esta confusão está o facto de que há portugueses tão colectivistas e defensores da concentração de poderes que até em eleições organizadas de forma regional, e realizadas de acordo com propósitos parcialmente regionais (daí o nome house of representatives), projectam na sua análise a organização política interna portuguesa e pensam de forma totalmente centralista, não parecendo sequer ser capazes de compreender a diferença entre a eleição de representantes políticos para um poder legislativo e de outra totalmente distinta para um executivo, relativamente às quais os (diferentes) motivos de voto não necessitam de estar todos interligados. A partir daqui, dizer que "Bush perdeu" é ainda mais melodramático - quando o partido republicano ganhou as eleições intercalares em 1994, Bill Clinton não "perdeu". Assim como não "perdeu" com as vitórias dos republicanos em 1996 e 1998 durante as quais se manteve no poder até à sua saída em 2001.

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Adenda: Sondagem sobre algumas das razões que levaram os eleitores a votar como votaram: Corruption named as key issue by voters in exit polls (via O Insurgente)

Tuesday, November 07, 2006

Land of contradiction

Anda por aí muita gente excessiva e inexplicavelmente agitada com o que parece ser mais uma farsa eleitoral no continente americano. Para uma eleição que está comprometida à partida, não só porque todos os actos eleitorais nos EUA são uma vast right-wing conspiracy planeada, como também pela avassaladora ignorância e inegável falta de inteligência dos cowboys americanos que votam de acordo com motivos religiosos, vê-se demasiada gente com enigmáticas esperanças de que o partido democrata, supostamente composto e apoiado somente por mentes superiores e elementos de currículo ético totalmente imaculado - apesar de serem eles mesmo americanos -, vença a corrida para o Senado e Câmara dos Representantes.

Melhor do que isto só mesmo aquele grupo de pessoas que aparenta julgar que a Administração Bush é a mais incompetente de sempre a exercer o poder executivo na história dos EUA e, ao mesmo tempo, a organizadora do mais meticulosamente engendrado plano alguma vez delineado para atacar o próprio solo americano sem que a opinião pública disso tivesse conhecimento.

Há aqui qualquer coisa que nestes dois problemas não bate certo.

Monday, November 06, 2006

Os desígnios de Deus são insondáveis

Misteriosamente, melhores resultados no Corruption* Perception Index 2006 da Transparency International voltam a apresentar uma correlação positiva com posições elevadas no ranking do Ease of Doing Business 2007 do Banco Mundial.

Vista: «now watch this drive»

News: Revision to Windows Vista retail licensing terms
«(...) the Windows division has revised the retail license terms for Windows Vista in a significant way. Namely, the terms regarding license-to-device assignment of the retail product (including Home Basic, Home Premium, Business and Ultimate) now read as follows:

* You may uninstall the software and install it on another device for your use. You may not do so to share this license between devices. (...)

Our intention behind the original terms was genuinely geared toward combating piracy; however, it’s become clear to us that those original terms were perceived as adversely affecting an important group of customers: PC and hardware enthusiasts. You who comprise the enthusiast market are vital to us for several reasons, not least of all because of the support you’ve provided us throughout the development of Windows Vista. We respect the time and expense you go to in customizing, building and rebuilding your hardware and we heard you that the previous terms were seen as an impediment to that -- it’s for that reason we’ve made this change.»
Microsoft, Novell Reach Accord on Linux [Anúncio Novell/Microsoft] [Análise IDC]
«Microsoft Corp. reached a rapprochement with a major seller of the Linux operating system, a deal that makes a kind of peace between two opposing camps in the software industry.

The deal with Novell Inc. is designed to make it easier for customers to use both Linux and Microsoft's Windows software. It puts new pressure on Red Hat Inc., a Linux seller whose shares were recently roiled when Oracle Corp. announced plans to offer its own technical support for Red Hat's products.

The deal effectively makes Microsoft a reseller of Suse Linux, Novell's version of the operating system, and kicks off a broad technology collaboration between the two companies. (...)

The companies said the set of agreements, expected to be in force until at least 2012, will include a joint research facility at which Microsoft and Novell will design and test software combinations, and work with customers and software developers to build and support those technologies. Microsoft also will recommend Novell's Suse Linux Enterprise for customers that want Windows and Linux. "We definitely want customers who chose to run both Windows and Linux to choose Novell," Mr. Ballmer said.

The pact marks an unusual level of cooperation between two longtime rivals. Microsoft has been battling all versions of Linux but has faced pressure to assure customers can run both Windows and Linux without problems. (...)»
Microsoft invites Firefox development team to Redmond
«Microsoft wants to help aid in the development of Firefox. It sounds pretty scary, doesn't it? If you're still here, let me tell you that it's not as bad as it seems. Sam Ramji, Director of Microsoft's Open Source Software Lab, has extended an invitation to the Firefox and Thunderbird developers asking them if they'd like to visit the company's open source research center. Microsoft's hopes are that, in a four-day span, the company can provide the open source developers with enough information to get the popular web browser running smoothly on Windows Vista.»

Tuesday, October 31, 2006

Galinha dos ovos de ouro



Knights of Ni: Ni! Ni! Ni! Ni! Ni! Ni! Ni! Ni! Ni!
Bedevere: No! Noooo! Aaaugh! No!
Knight of Ni: We shall say "Ni" again to you... if you do not appease us.
Arthur: Well, what is it you want?
Knight of Ni: We want.....a shrubbery!!!!
Arthur: A what?
Knights of Ni: Ni! Ni!! Ni! Ni!
Arthur; No! No! Please, please, no more! We will find you a shrubbery.
Knight of Ni: You must return here with a shrubbery... or else you will never pass through this wood... alive.
Arthur: O Knights of Ni, you are just and fair, and we will return with a shrubbery.

(...)

Arthur: O Knights of Ni. We have brought you your shrubbery. May we go now?
Knight of Ni: Yes, it is a good shrubbery. I like the laurels particularly. But there is one small problem....
Arthur: What is that?
Knight of Ni: We are now no longer the Knights Who Say "Ni"!
Knight of Ni: We are now the Knights who say "Ekky-ekky-ekky-ekky-z'Bang, zoom-Boing, z'nourrrwringmm".
Knight of Ni: Therefore, we must give you a test.
Arthur: What is this test, O Knights of..... Knights who 'til recently said "Ni"?
Knight of Ni: Firstly, you must find....another shrubbery!!!
Arthur: Oh not another shrubbery!!


E os $150 por barril até ao final do ano?



Com o alto patrocínio do dinheiro dos contribuintes:

Petróleo: debate no Instituto Superior Técnico
«O MISTA - Movimento IST Alternativo vai realizar no IST uma mostra de documentário, seguido de debate. Desta vez o tema é "O Pico do Petróleo: energia, planeamento urbano e transportes" e contaremos com a presença de Luís de Sousa do DECivil e de Diogo Rosa da FCUL (ambos membros da secção portuguesa da Associação para o Estudo do Pico do Petróleo e do Gás).»

Seria relevante que alguém lhes dissesse que a OPEP anunciou há poucos dias que iria baixar a produção petrolífera, o que pode ser interpretado como uma tentativa de evitar que o preço caia demasiado a pique e os seus lucros fiquem severamente afectados por via da redução do custo do barril de petróleo no mercado internacional, embora sejam também afectados pela menor quantidade produzida. Para além de ir mostrando como funcionam estas coisas da oferta e da procura mesmo quando existem cartéis estabelecidos, provavelmente não convém mencionar este facto porque faz com que o peak oil tenha ocorrido este ano e, como tal, já não serve para fabricar capas de jornais apocalípticas sobre como a humanidade enfrenta uma crise energética iminente e a hecatombe humanitária ocorrerá em breve caso não mudemos rapidamente para o uso de energias alternativas.

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Actualização 06/11: Presidente da OPEP admite novos cortes de produção para suster preços

Monday, October 30, 2006

Perigos do capitalismo global

A Pan-African Trading Area de Andrew Mitchell MP

(...) The World Bank has estimated that African countries would gain as much from liberalising their own agriculture as from European liberalisation.

African tariffs are some of the highest in the world. While OECD countries cut tariffs from an average of 23.7 percent to just 3.9% in the 20 years from 1983, Sub-Saharan Africa only cut its tariffs from 22.1% to 17.7%. And astonishingly, many African countries impose tariffs on the import of medicines, and even Tanzanian-made anti-malaria bednets. These are, effectively, killer tariffs.

While the world as a whole cut tariffs by 84 percent between 1983 and 2003, Africa only reduced theirs by 20%. For most Africans, it is harder to trade with those across African borders than with distant Europeans and Americans. In 1997, the World Bank found that countries in Sub-Saharan Africa imposed an average tariff of 34% on agricultural products from other African nations, and 21% on other products.

The results are clear. Only 10% of African trade is with other African nations. Meanwhile, 40% of North American trade is with other North American countries. and 68% of trade by countries in Western Europe is with other Western European nations. While North America and Europe have been getting richer through trade, Africa has been left standing at the touchline.

The world has lifted more people out of poverty in the past fifty years that at any point in human history – but Africa is the continent that is being left behind. The lack of intra-African trade is missed opportunity. Africa’s barriers are seriously undermining the continent’s prospects for development. They are preventing specialisation between African nations, hindering productivity growth, and clogging up Africa’s wealth creation engine.

(...)

Unless these informal trade barriers are tackled, millions of poor Africans will to have no option but to continue pay over the odds for essentials and to remain shackled in poverty. And Africa continues to suffer from chronically weak infrastructure. Increased trade between countries creates a demand for better roads, something Africa desperately needs, and provides the wealth to build and maintain them. (...)

Hasta la Vista, Redmond?

[Previamente publicado n'O Insurgente]

À medida que se aproxima Novembro, o mundo do software aguarda com alguma expectativa a chegada do Windows Vista, o novo sistema operativo que virá substituir o anterior Windows XP, cuja edição Business começará a ser distribuída durante este mês. As suas novas possibilidades não são propriamente uma novidade uma vez que, neste processo de desenvolvimento, a Microsoft tem colocado à disposição de testers e developers os release candidates do Vista e estes têm sido revistos e avaliados com grande frequência pelos editores de magazines de informática à medida que vão sendo actualizados. Em geral, a opinião relativamente consensual é de que se trata de um avanço significativo quando comparado com o seu antecessor, tanto a nível do desenho interno do sistema como do interface gráfico (Aero) e da interacção possibilitada com o utilizador, mas que deixa um pouco a desejar quando comparado com os seus rivais mais directos. A situação prende-se com o facto de a Microsoft se ter deixado relativamente para trás durante o período que sucedeu à publicação do XP (2001) até ao presente, enquanto os diversos sistemas baseados em kernel linux continuaram progressivamente a reformular-se, dado a sua própria natureza de constante inovação, e a Apple foi publicando anualmente versões actualizadas do seu Mac OS X, um sistema operativo baseado em Unix, cuja versão 10.5, de nome de código Leopard, será disponibilizada em 2007, assim como a maior parte das versões do Windows Vista.

A situação é bastante análoga ao que sucedeu (e ainda se desenrola) com as browser wars disputadas maioritariamente entre o Mozilla/Firefox e o Internet Explorer ao longo dos últimos anos. O Internet Explorer 6 ficou parado no tempo e as únicas actualizações que eram anunciadas pela Microsoft diziam respeito a elementos de segurança que, ainda assim, nunca impediram o IE de provavelmente ser, em conjunto com um sistema operativo também ele repleto de falhas por todos os lados, o mais inseguro e vulnerável de todos os browsers - uma imensidão de pequenos remendos numa manta já imensamente retalhada. A MS anunciou há poucos dias que a versão 7 do IE está disponível mas a situação não parece muito risonha já que, nos últimos 5 anos, o Internet Explorer tem sucessivamente perdido quota de mercado em termos gerais, e ainda mais em termos de utilizadores frequentes da Internet. Das estatísticas do Insurgente, à hora que escrevo, consta que apenas 58% dos nossos leitores estão a usar IE.

O IE7 incorpora várias características como segurança melhorada e outras novas surpresas como a leitura de feeds de RSS e tabbed browsing. Realmente novas? Bem, não exactamente. Quem utilizar navegadores como o Firefox ou o Opera já terá descoberto há muito tempo todas estas possibilidades e, no caso do Firefox, inúmeras extensões que as permitem até ampliar ou simular a navegação numa janela em IE. À semelhança da comparação entre o IE7 e o seu maior competidor, o Windows Vista surge com melhorias que em grande parte igualam as inovações implementadas e desenvolvidas por outros sistemas operativos, não necessariamente open source. O extremo caso da falta de originalidade do GUI levou alguns comentadores a ponderar se o Windows Aero não seria uma imitação do Aqua do Mac OS X. O mesmo poderia ser dito relativamente aos gestores de desktop como o Gnome e o KDE que em GNU/Linux, fazendo uso do X11, produzem efeitos muito semelhantes, algo que até agora em ambiente Windows apenas podia ser recriado pelo uso de aplicações como o famoso WindowsBlinds.

As alterações mais marcantes nem serão provavelmente o Aero, o DirectX 10 ou a melhoria na gestão de memória e velocidade de acesso à informação contida nos discos rígidos, mas sim a forma como a MS encara progressivamente a sua própria segurança. A maior polémica que actualmente envolve o WV refere-se às restrições que serão colocadas ao utilizador, tanto pelo próprio licenciamento do sistema em si como por aquilo que não permitirá. A estratégia adoptada pela MS com o XP resumia-se a impedir o acesso ao computador, forçar a reinstalação ou constantemente pedir ao utilizador que requisitasse por telefone uma nova activação de cada vez que fossem substituídas peças de hardware não-periféricas, o que levou muitos detentores de cópias originais a adquirir outra ilegal para evitar todo este processo burocrático de cada vez que actualizassem o seu hardware ou transferissem o seu disco rígido para outro computador. Com o Vista, que continua a bloquear-se a si mesmo com novas peças de hardware, a reinstalação do sistema será permitida uma única vez. Se por alguma razão for necessário repetir a operação, o utilizador terá de adquirir uma nova licença do Windows. Em preços da Amazon, para a versão mais básica do Vista (Home Basic) isto corresponderá a $200 para a licença original e $180 para cada “renovação” seguinte. A este problema acrescem os (já registados) falsos positivos que poderão levar o sistema a desactivar-se automaticamente por determinar, de forma errada, que a cópia em uso é ilegal - como é evidente, aqueles que têm de obrigatoriamente utilizar um sistema da MS terão todas as razões para tentar circundar a activação, que se estende já a praticamente todos os novos produtos da MS - e a nova política de DRM, que ameaça impedir a correcta utilização de muitos monitores, placas gráficas e leitores de conteúdos multimédia, compelindo os utilizadores a adquirir componentes validados pelo Vista.

Ao contrário do que se poderia imaginar, a maioria destas implementações tem, segundo as palavras da Microsoft, o objectivo de combate à pirataria. Embora a MS aparente uma boa saúde, este género de estratégia pode revelar-se um verdadeiro tiro no pé, pois o combate está a ser feito com base no pressuposto errado de que as pessoas que utilizam cópias ilegítimas comprariam uma original caso não pudessem ter acesso a uma pirateada, enquanto aqueles que não têm hipótese de obter uma destas cópias ilegais se tornam sucessivamente clientes mais alienados por serem constantemente tratados como potenciais criminosos que não só são injustamente sacrificados em nome do combate à pirataria informática, como também estão sujeitos a todos os problemas decorrentes destas activações e do seu inevitável mau funcionamento. Conjuntamente com os preços considerados por muitos como exorbitantes (o correspondente à versão XP Professional custará $240) que a MS pretende praticar para o WV, tudo isto servirá de estímulo à propagação da pirataria entre os seus fiéis consumidores - porque há sempre formas de evitar as restrições de segurança - que desejam um sistema verdadeiramente operativo e não um que os obriga regularmente a ser inspeccionados para garantir a sua autenticidade e a produzir outras despesas extraordinárias. [Adenda: A ferramenta de verificação da autenticidade do Windows e outros programas, WGA, liga todos os dias à Microsoft, enviando dados do computador onde está instalada, como o IP, informações da BIOS e números de série dos discos rígidos. Algumas empresas americanas já processaram a MS por considerarem que o uso desta aplicação é uma violação dos seus direitos por funcionar como qualquer vulgar spyware. Muitos outros utilizadores estão também compreensivelmente irados.]

Uma outra opção provável para estes consumidores é a instalação de um sistema infinitamente mais barato (muitas vezes totalmente gratuito), flexível, seguro, rápido, eficiente e configurável como as centenas de distribuições de GNU/Linux que proliferaram nos últimos anos (em que a Microsoft se manteve demasiado inerte) e tomaram completamente de assalto o mercado de servidores, ameaçando galgar também o dos desktops, no qual provavelmente já ultrapassaram o e continuam a crescer a bom ritmo. A MS continuará certamente a ser um gigante da informática mas, se se confirmarem todas as notícias sobre a sua nova aposta para o futuro próximo, corre o risco de ir perdendo aos poucos o lucro proveniente dos clientes habituais e sua base de apoio que, ironicamente, assenta nas cópias pirateadas do Windows, o que leva os produtores de hardware e software a investir bastante na compatibilidade com os seus sistemas. A tendência aponta para a evolução deste mercado no sentido de uma interesse crescente dos fabricantes em desenvolver drivers específicos para linux, o seu problema crónico até ao momento, e dos criadores de software em produzir aplicações compatíveis com um sistema operativo que se tem vindo a tornar muito mais user friendly que no passado, tanto por uso de ferramentas de detecção automática de hardware como pela possibilidade de ambientes gráficos muito semelhantes ao Windows (logo, familiares a quem apenas tenha usado este último) e de utilização sem necessidade de qualquer instalação no disco rígido.

Wednesday, October 25, 2006

Ironias

Quando o plágio consegue ser mais original do que o original.

Ridin' Dirty da autoria de Chamillionaire, um videoclip rap com temas muito tipicamente americanos: racial profilling, todo o estereótipo afro-americano, os respectivos lugares-comuns, contrabando, relações com as forças policiais, etc.


Esta é a sátira da autoria do humorista "Weird Al" Yankovic, apelidada White & Nerdy:


Segundo a Wikipédia, esta foi a reacção de Chamillionaire ao ver a paródia à sua própria música:

"He's actually rapping pretty good on it, it's crazy [...] I didn't know he could rap like that". He also said "It's really an honor when he does that. [...] Weird Al is not gonna do a parody of your song if you're not doing it big."

Tuesday, October 24, 2006

Salvar o planeta

[Previamente publicado n'O Insurgente]

A semana passada, este texto do André Azevedo Alves sobre o aquecimento global, publicado previamente na Dia D, causou algum alvoroço. Ao contrário do que algumas pessoas poderiam pensar, não era nem uma defesa de que este não existe, nem de que não devem ser tomadas quaisquer medidas. Era sim, um artigo sensato sobre como o aquecimento global, a existir nos termos propostos, deve ser abordado em termos económicos. Algumas das reacções foram bastante semelhantes a outras que se leram acerca deste artigo da Economist, ironicamente, algo favorável às principais ideias subjacentes ao activismo ecologista.

A heresia cometida por ambos os artigos foi, essencialmente, referir a importância de uma avaliação cuidadosa de custos e benefícios envolvidos. Acontece que isto é provavelmente uma das piores coisas que se pode propor a um ambientalista ideológico cujo único objectivo político é a “salvação do planeta”. Claro que salvar o planeta é algo propositadamente abstracto em demasia e, como tal, a passagem de afirmações qualitativas a quantitativas é encarada como uma perspectiva economicista sobre algo que supostamente está acima da própria economia. Partindo desta visão, todo e qualquer gasto é vital e indispensável para atingir a meta proposta - salvar o planeta, custe o que custar.

Ora, esta negação da importância que deve ser atribuída à análise económica das questões ambientais esconde o facto irónico de que estes ambientalistas criticam a própria caricatura distorcida que fazem do que é o sistema económico. Muito contrariamente à imagem que está presente no seu subconsciente, seja do empresário demoníaco que comanda as suas indústrias poluentes, resguardado nas suas torres de marfim, ou de uma utopia distopia socialista em que é possível não existir uma moeda de troca e/ou o comércio livre é abolido, as relações económicas e o dinheiro são infinitamente mais humanos do que se vislumbra à primeira vista. Se estas análises de trade-offs são extremamente relevantes, tal acontece precisamente porque são essenciais à vivência dos cidadãos que se tornam os principais financiadores dos projectos de acção ambiental requisitados e as suas vidas serão significativamente por eles influenciadas, uma vez que o dinheiro utilizado é proveniente do fruto do seu próprio trabalho. Provavelmente, não haverá nada mais humano do que tentar compreender se o esforço de uma pessoa é devidamente recompensado ou totalmente desperdiçado.

A forma mais intuitiva de compreender a importância deste factor será através da observação das discrepâncias de preocupação e alarmismo que existem entre os países desenvolvidos e aqueles em vias de desenvolvimento. Enquanto nos primeiros se dá um clima político (excessivamente) propício à discussão de causas ambientais, inclusive fora de padrões científicos, nos últimos todos estes temas são muitos secundários. É muito pouco provável que quem tem de garantir, no final do dia, o acesso da sua família a alguns pratos de comida, sinta insónias sobre a eventual subida da temperatura média da Terra, nos próximos 50 anos, em 1 ou 2 graus Celsius. Se os governos destes países decidissem criar planos de investimento astronómicos, utilizando o dinheiro retirado a estas populações, o resultado seria bastante desastroso. Mesmo que o planeta ficasse temporariamente mais asseadinho e menos cálido, milhares de pessoas seriam directamente atiradas para uma condição de indigência extrema pelo impacto que tais medidas teriam sobre toda a frágil estrutura económica dos seus países.

Isto é, certamente, um exemplo hiperbolizado, mas é precisamente o equivalente ao que acontece nos países desenvolvidos - ainda que devido à enorme riqueza acumulada este efeito seja menos perceptível - quando se aplicam medidas para combater, muitas vezes sem avaliar a respectiva eficácia, a subida das temperaturas. A perspectiva económica é tão ou mais importante do que a análise climatológica; se uma nos tenta explicar o que está a ocorrer e quais as causas dos fenómenos que observamos, a outra permite propor as formas mais eficientes e racionais de as sociedades se organizarem com o intuito de mitigar as alterações ou a adaptar-se a elas. Daí deriva que qualquer acção direccionada à “salvação do planeta” que não contemple, por questões de princípio, um estudo pormenorizado do que se ganha, do que se perde e do que se poderia ganhar se não se perdesse, não passa de um forma moderna de autoritarismo, retocada com pinceladas de um colectivismo panteísta, que pretende subverter toda a sociedade a um fim cujas consequências não fazem parte dos desejos dos inevitavelmente visados em todo este processo.

Assim sendo, e em paralelo a esclarecer cientificamente (correlação estatística não vale) se o aumento da temperatura média do planeta corresponde a um aquecimento global que tenha origem antropogénica, eventualmente reversível, e não faz parte de uma variação dentro dos parâmetros expectáveis à escala geológica, importa ter em conta não só os benefícios que podem ser retirados deste suposto aquecimento global como fazer todas as continhas sobre quanto custa a tentativa de mitigar o seu suposto progresso, qual o risco de prejuízos económicos e ambientais com que nos comprometemos se tal não for feito e qual o resultado palpável dessa futura prevenção. Basear qualquer planeamento político em estimativas cuja margens de erro são tão elevadas (por exemplo, a previsão do IPCC para o aumento das temperaturas à superfície no período 1990-2100 encontra-se entre 1,4ºC e 5.8ºC), consoante o modelo utilizado, não deveria ser sequer uma questão de cepticismo económico mas sim de cepticismo científico, cuja defesa deve caber, mais do que ninguém, aos próprios investigadores que participam na elaboração destes estudos e na criação dos modelos associados.

Contudo, talvez o mais importante seja que os defensores da suposta integridade do planeta se vão habituando à ideia de que este sempre teve a sua certidão de óbito assinada e já milhares de espécies que nunca chegámos a conhecer foram desta para melhor, em grande parte, devido a bruscas alterações climáticas completamente alheias ao ser humano e que este poderia ter feito muito pouco para evitar. Aqueles que estiverem efectivamente preocupados com a biodiversidade e a sobrevivência das espécies que conhecemos na Terra, devem começar a perscrutar outros caminhos e, em vez de idolatrar a deusa Gaia, encarar o facto de que análises como a económica são cruciais para discutir o panorama corrente da política ambiental e nos permitem obter uma ideia infinitamente mais concreta e definida de quais as prioridades que as populações definem para si mesmas, incluindo as melhores formas de gerir o ambiente e respectivos recursos naturais que tanto desejam proteger. Quanto a isso, o único método que a humanidade tem de se adaptar naturalmente aos problemas ambientais que forem surgindo, e encontrar novas soluções para os seus efeitos, na Terra ou nos próximos planetas que terá necessariamente de colonizar no futuro, é o uso da sua liberdade - o capitalismo - para progressivamente desenvolver meios adequados que permitam garantir a sua sobrevivência sem a colocar simultaneamente em causa (razão pela qual acordos como o AP6 aparentam ser mais promissores do que o cada vez mais visivelmente inútil protocolo de Quioto). Caso contrário, se cedermos ao intervencionismo caótico propositado por parâmetros de incerteza desconhecidos e riscos potencialmente inexistentes, estaremos, realmente, todos mortos a longo prazo.