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Tuesday, October 31, 2006

Galinha dos ovos de ouro



Knights of Ni: Ni! Ni! Ni! Ni! Ni! Ni! Ni! Ni! Ni!
Bedevere: No! Noooo! Aaaugh! No!
Knight of Ni: We shall say "Ni" again to you... if you do not appease us.
Arthur: Well, what is it you want?
Knight of Ni: We want.....a shrubbery!!!!
Arthur: A what?
Knights of Ni: Ni! Ni!! Ni! Ni!
Arthur; No! No! Please, please, no more! We will find you a shrubbery.
Knight of Ni: You must return here with a shrubbery... or else you will never pass through this wood... alive.
Arthur: O Knights of Ni, you are just and fair, and we will return with a shrubbery.

(...)

Arthur: O Knights of Ni. We have brought you your shrubbery. May we go now?
Knight of Ni: Yes, it is a good shrubbery. I like the laurels particularly. But there is one small problem....
Arthur: What is that?
Knight of Ni: We are now no longer the Knights Who Say "Ni"!
Knight of Ni: We are now the Knights who say "Ekky-ekky-ekky-ekky-z'Bang, zoom-Boing, z'nourrrwringmm".
Knight of Ni: Therefore, we must give you a test.
Arthur: What is this test, O Knights of..... Knights who 'til recently said "Ni"?
Knight of Ni: Firstly, you must find....another shrubbery!!!
Arthur: Oh not another shrubbery!!


E os $150 por barril até ao final do ano?



Com o alto patrocínio do dinheiro dos contribuintes:

Petróleo: debate no Instituto Superior Técnico
«O MISTA - Movimento IST Alternativo vai realizar no IST uma mostra de documentário, seguido de debate. Desta vez o tema é "O Pico do Petróleo: energia, planeamento urbano e transportes" e contaremos com a presença de Luís de Sousa do DECivil e de Diogo Rosa da FCUL (ambos membros da secção portuguesa da Associação para o Estudo do Pico do Petróleo e do Gás).»

Seria relevante que alguém lhes dissesse que a OPEP anunciou há poucos dias que iria baixar a produção petrolífera, o que pode ser interpretado como uma tentativa de evitar que o preço caia demasiado a pique e os seus lucros fiquem severamente afectados por via da redução do custo do barril de petróleo no mercado internacional, embora sejam também afectados pela menor quantidade produzida. Para além de ir mostrando como funcionam estas coisas da oferta e da procura mesmo quando existem cartéis estabelecidos, provavelmente não convém mencionar este facto porque faz com que o peak oil tenha ocorrido este ano e, como tal, já não serve para fabricar capas de jornais apocalípticas sobre como a humanidade enfrenta uma crise energética iminente e a hecatombe humanitária ocorrerá em breve caso não mudemos rapidamente para o uso de energias alternativas.

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Actualização 06/11: Presidente da OPEP admite novos cortes de produção para suster preços

Monday, October 30, 2006

Perigos do capitalismo global

A Pan-African Trading Area de Andrew Mitchell MP

(...) The World Bank has estimated that African countries would gain as much from liberalising their own agriculture as from European liberalisation.

African tariffs are some of the highest in the world. While OECD countries cut tariffs from an average of 23.7 percent to just 3.9% in the 20 years from 1983, Sub-Saharan Africa only cut its tariffs from 22.1% to 17.7%. And astonishingly, many African countries impose tariffs on the import of medicines, and even Tanzanian-made anti-malaria bednets. These are, effectively, killer tariffs.

While the world as a whole cut tariffs by 84 percent between 1983 and 2003, Africa only reduced theirs by 20%. For most Africans, it is harder to trade with those across African borders than with distant Europeans and Americans. In 1997, the World Bank found that countries in Sub-Saharan Africa imposed an average tariff of 34% on agricultural products from other African nations, and 21% on other products.

The results are clear. Only 10% of African trade is with other African nations. Meanwhile, 40% of North American trade is with other North American countries. and 68% of trade by countries in Western Europe is with other Western European nations. While North America and Europe have been getting richer through trade, Africa has been left standing at the touchline.

The world has lifted more people out of poverty in the past fifty years that at any point in human history – but Africa is the continent that is being left behind. The lack of intra-African trade is missed opportunity. Africa’s barriers are seriously undermining the continent’s prospects for development. They are preventing specialisation between African nations, hindering productivity growth, and clogging up Africa’s wealth creation engine.

(...)

Unless these informal trade barriers are tackled, millions of poor Africans will to have no option but to continue pay over the odds for essentials and to remain shackled in poverty. And Africa continues to suffer from chronically weak infrastructure. Increased trade between countries creates a demand for better roads, something Africa desperately needs, and provides the wealth to build and maintain them. (...)

Hasta la Vista, Redmond?

[Previamente publicado n'O Insurgente]

À medida que se aproxima Novembro, o mundo do software aguarda com alguma expectativa a chegada do Windows Vista, o novo sistema operativo que virá substituir o anterior Windows XP, cuja edição Business começará a ser distribuída durante este mês. As suas novas possibilidades não são propriamente uma novidade uma vez que, neste processo de desenvolvimento, a Microsoft tem colocado à disposição de testers e developers os release candidates do Vista e estes têm sido revistos e avaliados com grande frequência pelos editores de magazines de informática à medida que vão sendo actualizados. Em geral, a opinião relativamente consensual é de que se trata de um avanço significativo quando comparado com o seu antecessor, tanto a nível do desenho interno do sistema como do interface gráfico (Aero) e da interacção possibilitada com o utilizador, mas que deixa um pouco a desejar quando comparado com os seus rivais mais directos. A situação prende-se com o facto de a Microsoft se ter deixado relativamente para trás durante o período que sucedeu à publicação do XP (2001) até ao presente, enquanto os diversos sistemas baseados em kernel linux continuaram progressivamente a reformular-se, dado a sua própria natureza de constante inovação, e a Apple foi publicando anualmente versões actualizadas do seu Mac OS X, um sistema operativo baseado em Unix, cuja versão 10.5, de nome de código Leopard, será disponibilizada em 2007, assim como a maior parte das versões do Windows Vista.

A situação é bastante análoga ao que sucedeu (e ainda se desenrola) com as browser wars disputadas maioritariamente entre o Mozilla/Firefox e o Internet Explorer ao longo dos últimos anos. O Internet Explorer 6 ficou parado no tempo e as únicas actualizações que eram anunciadas pela Microsoft diziam respeito a elementos de segurança que, ainda assim, nunca impediram o IE de provavelmente ser, em conjunto com um sistema operativo também ele repleto de falhas por todos os lados, o mais inseguro e vulnerável de todos os browsers - uma imensidão de pequenos remendos numa manta já imensamente retalhada. A MS anunciou há poucos dias que a versão 7 do IE está disponível mas a situação não parece muito risonha já que, nos últimos 5 anos, o Internet Explorer tem sucessivamente perdido quota de mercado em termos gerais, e ainda mais em termos de utilizadores frequentes da Internet. Das estatísticas do Insurgente, à hora que escrevo, consta que apenas 58% dos nossos leitores estão a usar IE.

O IE7 incorpora várias características como segurança melhorada e outras novas surpresas como a leitura de feeds de RSS e tabbed browsing. Realmente novas? Bem, não exactamente. Quem utilizar navegadores como o Firefox ou o Opera já terá descoberto há muito tempo todas estas possibilidades e, no caso do Firefox, inúmeras extensões que as permitem até ampliar ou simular a navegação numa janela em IE. À semelhança da comparação entre o IE7 e o seu maior competidor, o Windows Vista surge com melhorias que em grande parte igualam as inovações implementadas e desenvolvidas por outros sistemas operativos, não necessariamente open source. O extremo caso da falta de originalidade do GUI levou alguns comentadores a ponderar se o Windows Aero não seria uma imitação do Aqua do Mac OS X. O mesmo poderia ser dito relativamente aos gestores de desktop como o Gnome e o KDE que em GNU/Linux, fazendo uso do X11, produzem efeitos muito semelhantes, algo que até agora em ambiente Windows apenas podia ser recriado pelo uso de aplicações como o famoso WindowsBlinds.

As alterações mais marcantes nem serão provavelmente o Aero, o DirectX 10 ou a melhoria na gestão de memória e velocidade de acesso à informação contida nos discos rígidos, mas sim a forma como a MS encara progressivamente a sua própria segurança. A maior polémica que actualmente envolve o WV refere-se às restrições que serão colocadas ao utilizador, tanto pelo próprio licenciamento do sistema em si como por aquilo que não permitirá. A estratégia adoptada pela MS com o XP resumia-se a impedir o acesso ao computador, forçar a reinstalação ou constantemente pedir ao utilizador que requisitasse por telefone uma nova activação de cada vez que fossem substituídas peças de hardware não-periféricas, o que levou muitos detentores de cópias originais a adquirir outra ilegal para evitar todo este processo burocrático de cada vez que actualizassem o seu hardware ou transferissem o seu disco rígido para outro computador. Com o Vista, que continua a bloquear-se a si mesmo com novas peças de hardware, a reinstalação do sistema será permitida uma única vez. Se por alguma razão for necessário repetir a operação, o utilizador terá de adquirir uma nova licença do Windows. Em preços da Amazon, para a versão mais básica do Vista (Home Basic) isto corresponderá a $200 para a licença original e $180 para cada “renovação” seguinte. A este problema acrescem os (já registados) falsos positivos que poderão levar o sistema a desactivar-se automaticamente por determinar, de forma errada, que a cópia em uso é ilegal - como é evidente, aqueles que têm de obrigatoriamente utilizar um sistema da MS terão todas as razões para tentar circundar a activação, que se estende já a praticamente todos os novos produtos da MS - e a nova política de DRM, que ameaça impedir a correcta utilização de muitos monitores, placas gráficas e leitores de conteúdos multimédia, compelindo os utilizadores a adquirir componentes validados pelo Vista.

Ao contrário do que se poderia imaginar, a maioria destas implementações tem, segundo as palavras da Microsoft, o objectivo de combate à pirataria. Embora a MS aparente uma boa saúde, este género de estratégia pode revelar-se um verdadeiro tiro no pé, pois o combate está a ser feito com base no pressuposto errado de que as pessoas que utilizam cópias ilegítimas comprariam uma original caso não pudessem ter acesso a uma pirateada, enquanto aqueles que não têm hipótese de obter uma destas cópias ilegais se tornam sucessivamente clientes mais alienados por serem constantemente tratados como potenciais criminosos que não só são injustamente sacrificados em nome do combate à pirataria informática, como também estão sujeitos a todos os problemas decorrentes destas activações e do seu inevitável mau funcionamento. Conjuntamente com os preços considerados por muitos como exorbitantes (o correspondente à versão XP Professional custará $240) que a MS pretende praticar para o WV, tudo isto servirá de estímulo à propagação da pirataria entre os seus fiéis consumidores - porque há sempre formas de evitar as restrições de segurança - que desejam um sistema verdadeiramente operativo e não um que os obriga regularmente a ser inspeccionados para garantir a sua autenticidade e a produzir outras despesas extraordinárias. [Adenda: A ferramenta de verificação da autenticidade do Windows e outros programas, WGA, liga todos os dias à Microsoft, enviando dados do computador onde está instalada, como o IP, informações da BIOS e números de série dos discos rígidos. Algumas empresas americanas já processaram a MS por considerarem que o uso desta aplicação é uma violação dos seus direitos por funcionar como qualquer vulgar spyware. Muitos outros utilizadores estão também compreensivelmente irados.]

Uma outra opção provável para estes consumidores é a instalação de um sistema infinitamente mais barato (muitas vezes totalmente gratuito), flexível, seguro, rápido, eficiente e configurável como as centenas de distribuições de GNU/Linux que proliferaram nos últimos anos (em que a Microsoft se manteve demasiado inerte) e tomaram completamente de assalto o mercado de servidores, ameaçando galgar também o dos desktops, no qual provavelmente já ultrapassaram o e continuam a crescer a bom ritmo. A MS continuará certamente a ser um gigante da informática mas, se se confirmarem todas as notícias sobre a sua nova aposta para o futuro próximo, corre o risco de ir perdendo aos poucos o lucro proveniente dos clientes habituais e sua base de apoio que, ironicamente, assenta nas cópias pirateadas do Windows, o que leva os produtores de hardware e software a investir bastante na compatibilidade com os seus sistemas. A tendência aponta para a evolução deste mercado no sentido de uma interesse crescente dos fabricantes em desenvolver drivers específicos para linux, o seu problema crónico até ao momento, e dos criadores de software em produzir aplicações compatíveis com um sistema operativo que se tem vindo a tornar muito mais user friendly que no passado, tanto por uso de ferramentas de detecção automática de hardware como pela possibilidade de ambientes gráficos muito semelhantes ao Windows (logo, familiares a quem apenas tenha usado este último) e de utilização sem necessidade de qualquer instalação no disco rígido.

Wednesday, October 25, 2006

Ironias

Quando o plágio consegue ser mais original do que o original.

Ridin' Dirty da autoria de Chamillionaire, um videoclip rap com temas muito tipicamente americanos: racial profilling, todo o estereótipo afro-americano, os respectivos lugares-comuns, contrabando, relações com as forças policiais, etc.


Esta é a sátira da autoria do humorista "Weird Al" Yankovic, apelidada White & Nerdy:


Segundo a Wikipédia, esta foi a reacção de Chamillionaire ao ver a paródia à sua própria música:

"He's actually rapping pretty good on it, it's crazy [...] I didn't know he could rap like that". He also said "It's really an honor when he does that. [...] Weird Al is not gonna do a parody of your song if you're not doing it big."

Tuesday, October 24, 2006

Salvar o planeta

[Previamente publicado n'O Insurgente]

A semana passada, este texto do André Azevedo Alves sobre o aquecimento global, publicado previamente na Dia D, causou algum alvoroço. Ao contrário do que algumas pessoas poderiam pensar, não era nem uma defesa de que este não existe, nem de que não devem ser tomadas quaisquer medidas. Era sim, um artigo sensato sobre como o aquecimento global, a existir nos termos propostos, deve ser abordado em termos económicos. Algumas das reacções foram bastante semelhantes a outras que se leram acerca deste artigo da Economist, ironicamente, algo favorável às principais ideias subjacentes ao activismo ecologista.

A heresia cometida por ambos os artigos foi, essencialmente, referir a importância de uma avaliação cuidadosa de custos e benefícios envolvidos. Acontece que isto é provavelmente uma das piores coisas que se pode propor a um ambientalista ideológico cujo único objectivo político é a “salvação do planeta”. Claro que salvar o planeta é algo propositadamente abstracto em demasia e, como tal, a passagem de afirmações qualitativas a quantitativas é encarada como uma perspectiva economicista sobre algo que supostamente está acima da própria economia. Partindo desta visão, todo e qualquer gasto é vital e indispensável para atingir a meta proposta - salvar o planeta, custe o que custar.

Ora, esta negação da importância que deve ser atribuída à análise económica das questões ambientais esconde o facto irónico de que estes ambientalistas criticam a própria caricatura distorcida que fazem do que é o sistema económico. Muito contrariamente à imagem que está presente no seu subconsciente, seja do empresário demoníaco que comanda as suas indústrias poluentes, resguardado nas suas torres de marfim, ou de uma utopia distopia socialista em que é possível não existir uma moeda de troca e/ou o comércio livre é abolido, as relações económicas e o dinheiro são infinitamente mais humanos do que se vislumbra à primeira vista. Se estas análises de trade-offs são extremamente relevantes, tal acontece precisamente porque são essenciais à vivência dos cidadãos que se tornam os principais financiadores dos projectos de acção ambiental requisitados e as suas vidas serão significativamente por eles influenciadas, uma vez que o dinheiro utilizado é proveniente do fruto do seu próprio trabalho. Provavelmente, não haverá nada mais humano do que tentar compreender se o esforço de uma pessoa é devidamente recompensado ou totalmente desperdiçado.

A forma mais intuitiva de compreender a importância deste factor será através da observação das discrepâncias de preocupação e alarmismo que existem entre os países desenvolvidos e aqueles em vias de desenvolvimento. Enquanto nos primeiros se dá um clima político (excessivamente) propício à discussão de causas ambientais, inclusive fora de padrões científicos, nos últimos todos estes temas são muitos secundários. É muito pouco provável que quem tem de garantir, no final do dia, o acesso da sua família a alguns pratos de comida, sinta insónias sobre a eventual subida da temperatura média da Terra, nos próximos 50 anos, em 1 ou 2 graus Celsius. Se os governos destes países decidissem criar planos de investimento astronómicos, utilizando o dinheiro retirado a estas populações, o resultado seria bastante desastroso. Mesmo que o planeta ficasse temporariamente mais asseadinho e menos cálido, milhares de pessoas seriam directamente atiradas para uma condição de indigência extrema pelo impacto que tais medidas teriam sobre toda a frágil estrutura económica dos seus países.

Isto é, certamente, um exemplo hiperbolizado, mas é precisamente o equivalente ao que acontece nos países desenvolvidos - ainda que devido à enorme riqueza acumulada este efeito seja menos perceptível - quando se aplicam medidas para combater, muitas vezes sem avaliar a respectiva eficácia, a subida das temperaturas. A perspectiva económica é tão ou mais importante do que a análise climatológica; se uma nos tenta explicar o que está a ocorrer e quais as causas dos fenómenos que observamos, a outra permite propor as formas mais eficientes e racionais de as sociedades se organizarem com o intuito de mitigar as alterações ou a adaptar-se a elas. Daí deriva que qualquer acção direccionada à “salvação do planeta” que não contemple, por questões de princípio, um estudo pormenorizado do que se ganha, do que se perde e do que se poderia ganhar se não se perdesse, não passa de um forma moderna de autoritarismo, retocada com pinceladas de um colectivismo panteísta, que pretende subverter toda a sociedade a um fim cujas consequências não fazem parte dos desejos dos inevitavelmente visados em todo este processo.

Assim sendo, e em paralelo a esclarecer cientificamente (correlação estatística não vale) se o aumento da temperatura média do planeta corresponde a um aquecimento global que tenha origem antropogénica, eventualmente reversível, e não faz parte de uma variação dentro dos parâmetros expectáveis à escala geológica, importa ter em conta não só os benefícios que podem ser retirados deste suposto aquecimento global como fazer todas as continhas sobre quanto custa a tentativa de mitigar o seu suposto progresso, qual o risco de prejuízos económicos e ambientais com que nos comprometemos se tal não for feito e qual o resultado palpável dessa futura prevenção. Basear qualquer planeamento político em estimativas cuja margens de erro são tão elevadas (por exemplo, a previsão do IPCC para o aumento das temperaturas à superfície no período 1990-2100 encontra-se entre 1,4ºC e 5.8ºC), consoante o modelo utilizado, não deveria ser sequer uma questão de cepticismo económico mas sim de cepticismo científico, cuja defesa deve caber, mais do que ninguém, aos próprios investigadores que participam na elaboração destes estudos e na criação dos modelos associados.

Contudo, talvez o mais importante seja que os defensores da suposta integridade do planeta se vão habituando à ideia de que este sempre teve a sua certidão de óbito assinada e já milhares de espécies que nunca chegámos a conhecer foram desta para melhor, em grande parte, devido a bruscas alterações climáticas completamente alheias ao ser humano e que este poderia ter feito muito pouco para evitar. Aqueles que estiverem efectivamente preocupados com a biodiversidade e a sobrevivência das espécies que conhecemos na Terra, devem começar a perscrutar outros caminhos e, em vez de idolatrar a deusa Gaia, encarar o facto de que análises como a económica são cruciais para discutir o panorama corrente da política ambiental e nos permitem obter uma ideia infinitamente mais concreta e definida de quais as prioridades que as populações definem para si mesmas, incluindo as melhores formas de gerir o ambiente e respectivos recursos naturais que tanto desejam proteger. Quanto a isso, o único método que a humanidade tem de se adaptar naturalmente aos problemas ambientais que forem surgindo, e encontrar novas soluções para os seus efeitos, na Terra ou nos próximos planetas que terá necessariamente de colonizar no futuro, é o uso da sua liberdade - o capitalismo - para progressivamente desenvolver meios adequados que permitam garantir a sua sobrevivência sem a colocar simultaneamente em causa (razão pela qual acordos como o AP6 aparentam ser mais promissores do que o cada vez mais visivelmente inútil protocolo de Quioto). Caso contrário, se cedermos ao intervencionismo caótico propositado por parâmetros de incerteza desconhecidos e riscos potencialmente inexistentes, estaremos, realmente, todos mortos a longo prazo.

Saturday, October 21, 2006

Wednesday, October 18, 2006

Pedido

Aos jornalistas, para que não escrevam partido socialista quando se referem ao Partido Socialista. Uma pessoa fica sempre sem saber sobre qual deles estão a falar. Obrigado.

Inevitável e previsível?

Preços da água vão aumentar em todo o país (6-10-2006)

Electricidade: Tarifas domésticas aumentam 15,7% em 2007 (16-10-2006)

Factura média da luz sobe 66 euros por ano (18-10-2006)

Máxima do dia: quando o preço não é livre, os reajustamentos futuros dos custos são sempre mais dolorosos, tanto pelo prévio volume do consumo energético abaixo do preço real, como pelo próprio efeito do estímulo adicional ao consumo que é dado por esta distorção.

[Leitura complementar: O exemplo de Antuérpia]

Monday, October 16, 2006

Here's some action!

Consenso científico ad baculum:


Blogar é uma arte

E que tal se as autarquias começassem a distribuir subsídios entre os autores de blogues? Não sei se sabem mas isto é uma injustiça: estamos todos condenados a uma gestão privada, não podemos exercer uma actividade que não se consegue sustentar por si mesma e precisa de ajuda porque não dá lucro directo. Infelizmente não há por aqui câmaras de televisão e barricar-me dentro de minha própria casa não parece que possa surtir grande efeito.

O mundo não pode ser só feito de tendências economicistas! (tradução para português = Queremos ganhar dinheiro a fazer uma coisa de que as pessoas não gostam o suficiente para pagar tanto como nós desejaríamos, por isso queremos que sejam os contribuintes a financiá-la)

Sunday, October 15, 2006

Interferências

[A minha insurgência semanal]

***

O vencedor do prémio Nobel da Medicina deste ano foi Craig C. Mello. O apelido Mello parece levemente suspeito de apresentar alguma familiaridade? A genealogia portuguesa diz que sim. Aliás, não foi nenhuma investigação particular que chegou a essa conclusão, mas sim os meios de imprensa portugueses. No dia seguinte (ou mesmo no próprio dia) ao anúncio da atribuição do galardão, os jornais portugueses noticiavam que este investigador era quase português, ou melhor, de ascendência portuguesa. Esta referência é importante porque não se trata de um caso isolado - semana a semana, quem ligar o televisor ou folhear diversos jornais, acabará por se deparar repetidamente com relatos da vida de vários e humildes portugueses que fugiram da sua terra natal há décadas atrás, para o outro continente, em busca de uma vida melhor, criando riqueza, trazendo prosperidade ao local onde se estabeleceram e, acima de tudo, poupando os seus filhos do esforço por que passaram. Mas mais interessante ainda do que analisar o historial de Portugal em termos de fluxos migratórios, a sua inversão recente e as razões pelas quais se deu, é observar toda a repercussão sociológica que envolve a emigração de portugueses.

Muitos portugueses, talvez por pertencerem ao país dos ei-los que partem, desenvolveram uma espécie de inconsciente colectivo e nostálgico que os faz sentir conectados a tudo o que diga respeito a (descendentes de) conterrâneos (de outrora), chegando a idolatrá-los, vendo-os como heróis, representantes da pátria lusitana pelo mundo, que simbolizam directamente a capacidade de trabalho do português médio que abandona o seu país em busca de condições mais favoráveis. Começar do zero não era assim tão incomum, especialmente quando se tratavam de pessoas de baixos rendimentos que, assoladas pela miséria, fugiam na esperança de recomeçar do outro lado do Atlântico e viver o sonho americano.

Vem isto a propósito não de razões sociológicas ou demográficas mas do facto de tantos portugueses sentirem, mesmo que não o comuniquem conscientemente, uma admiração extrema pelo seu primo na América que se tornou num self-made man - alguém que era muito pobre, não tinha absolutamente nada e que, todavia, se tornou num empresário de grande êxito. O self-made man luso-americano ou luso-canadiano funciona como uma espécie de demonstração psicológica interna de que a quem é dada uma oportunidade de singrar com o seu próprio trabalho árduo, muitas vezes alcança o sucesso.

No entanto, a contradição imediata deste fenómeno reside na introspecção que se segue à primeira adoração que surgiu. Deixando de falar dos EUA ou do Canadá, de repente, a forma de entender Portugal e os portugueses altera-se radicalmente quando o assunto não recai sobre os emigrantes e seus descendentes, mas sobre os habitantes do território original. Ao contrário do que se admira em outras ocasiões, defendem-se de imediato toda a classe de imposições que penalizem a criação de riqueza, o desenvolvimento do potencial empreendedor, que inevitavelmente fica oprimido em si mesmo, e o desejo de assumir riscos de investimento. Com todos estes aspectos, afunda-se em conjunto a mobilidade social que implicitamente é tão venerada na sociedade norte-americana. Não se hesita em apoiar em abstracto a transferência de fundos dos ricos para os pobres, não entendendo que o que acaba por ocorrer é ter uma sociedade que trabalha para danificar as suas próprias possibilidades de progresso, manter uma legião maioritariamente ineficiente e improdutiva de dependentes directos deste dinheiro e financiar os mecanismos tortuosos e burocráticos desta própria transferência. Curiosamente ou não, são precisamente as mesmas pessoas que, sempre que podem, não hesitam em desejar o melhor para os seus filhos, ou seja, que possam vir posteriormente a estudar/trabalhar em países com uma estrutura económica semelhante à dos EUA, onde o seu trabalho seja superiormente recompensado.

A interrogação que infelizmente estes portugueses não parecem impor a si mesmos é a razão pela qual todos estes self-made men não foram, na verdade, produto caseiro. Porque foi necessário que saíssem para atingir tais resultados. E porque continua a corporate america a gerar mais self-made men de grande sucesso com sangue português do que Portugal. Quem colocar a si mesmo estas perguntas, sem conhecer previamente a resposta, acabará por ter de concluir que a única diferença é o facto de que estas pessoas que decidiram abandonar o seu país de origem, algo que no fundo aconteceu por toda a Europa, não foram bem sucedidas na sua terra nativa porque não lhe foi dada essa possibilidade. E decidiram recomeçar na América, ou em outro país maioritariamente livre, porque não é o Estado toda a fonte de oportunidades de empreendedorismo, mas sim a própria natureza da sociedade livre que permite que estas surjam quando alguém tem intenção e vontade de se dedicar à produção de algo que melhore as vidas de cada um dos elementos que a compõe.

Entretanto, e até que isto seja compreendido e assimilado, por consciencialização ou força da necessidade, aqueles que desejem maximizar as suas capacidades nas profissões da actualidade continuarão a emigrar para países que durante décadas sofrerem um desenvolvimento sustentado, o que lhes permite oferecer condições de trabalho muito mais apetecíveis e onde a qualidade é indubitavelmente reconhecida como preciosa. Consequentemente, os portugueses cá de dentro continuarão a ter portugueses e luso-something de quem se orgulhar, uns self-made men, outros já de profissões especializadas. E a grande maioria da Europa continental, de onde todos os mais individualistas vão tentando sair continuamente, deixando para trás os que defendem a manutenção dos sistemas económicos actuais e os malfadados estados de bem-estar (sic), continuará a assemelhar-se cada vez mais com uma estrutura decadente, em vias de colapso, que vive acima das suas possibilidades e acabará por sofrer o amargo sabor dos reajustamentos forçados.