Aos jornalistas, para que não escrevam partido socialista quando se referem ao Partido Socialista. Uma pessoa fica sempre sem saber sobre qual deles estão a falar. Obrigado.
Wednesday, October 18, 2006
Inevitável e previsível?
Preços da água vão aumentar em todo o país (6-10-2006)
Electricidade: Tarifas domésticas aumentam 15,7% em 2007 (16-10-2006)
Factura média da luz sobe 66 euros por ano (18-10-2006)
Máxima do dia: quando o preço não é livre, os reajustamentos futuros dos custos são sempre mais dolorosos, tanto pelo prévio volume do consumo energético abaixo do preço real, como pelo próprio efeito do estímulo adicional ao consumo que é dado por esta distorção.
[Leitura complementar: O exemplo de Antuérpia]
Electricidade: Tarifas domésticas aumentam 15,7% em 2007 (16-10-2006)
Factura média da luz sobe 66 euros por ano (18-10-2006)
Máxima do dia: quando o preço não é livre, os reajustamentos futuros dos custos são sempre mais dolorosos, tanto pelo prévio volume do consumo energético abaixo do preço real, como pelo próprio efeito do estímulo adicional ao consumo que é dado por esta distorção.
[Leitura complementar: O exemplo de Antuérpia]
Monday, October 16, 2006
Blogar é uma arte
E que tal se as autarquias começassem a distribuir subsídios entre os autores de blogues? Não sei se sabem mas isto é uma injustiça: estamos todos condenados a uma gestão privada, não podemos exercer uma actividade que não se consegue sustentar por si mesma e precisa de ajuda porque não dá lucro directo. Infelizmente não há por aqui câmaras de televisão e barricar-me dentro de minha própria casa não parece que possa surtir grande efeito.
O mundo não pode ser só feito de tendências economicistas! (tradução para português = Queremos ganhar dinheiro a fazer uma coisa de que as pessoas não gostam o suficiente para pagar tanto como nós desejaríamos, por isso queremos que sejam os contribuintes a financiá-la)
O mundo não pode ser só feito de tendências economicistas! (tradução para português = Queremos ganhar dinheiro a fazer uma coisa de que as pessoas não gostam o suficiente para pagar tanto como nós desejaríamos, por isso queremos que sejam os contribuintes a financiá-la)
Sunday, October 15, 2006
Interferências
O vencedor do prémio Nobel da Medicina deste ano foi Craig C. Mello. O apelido Mello parece levemente suspeito de apresentar alguma familiaridade? A genealogia portuguesa diz que sim. Aliás, não foi nenhuma investigação particular que chegou a essa conclusão, mas sim os meios de imprensa portugueses. No dia seguinte (ou mesmo no próprio dia) ao anúncio da atribuição do ga
lardão, os jornais portugueses noticiavam que este investigador era quase português, ou melhor, de ascendência portuguesa. Esta referência é importante porque não se trata de um caso isolado - semana a semana, quem ligar o televisor ou folhear diversos jornais, acabará por se deparar repetidamente com relatos da vida de vários e humildes portugueses que fugiram da sua terra natal há décadas atrás, para o outro continente, em busca de uma vida melhor, criando riqueza, trazendo prosperidade ao local onde se estabeleceram e, acima de tudo, poupando os seus filhos do esforço por que passaram. Mas mais interessante ainda do que analisar o historial de Portugal em termos de fluxos migratórios, a sua inversão recente e as razões pelas quais se deu, é observar toda a repercussão sociológica que envolve a emigração de portugueses.Muitos portugueses, talvez por pertencerem ao país dos ei-los que partem, desenvolveram uma espécie de inconsciente colectivo e nostálgico que os faz sentir conectados a tudo o que diga respeito a (descendentes de) conterrâneos (de outrora), chegando a idolatrá-los, vendo-os como heróis, representantes da pátria lusitana pelo mundo, que simbolizam directamente a capacidade de trabalho do português médio que abandona o seu país em busca de condições mais favoráveis. Começar do zero não era assim tão incomum, especialmente quando se tratavam de pessoas de baixos rendimentos que, assoladas pela miséria, fugiam na esperança de recomeçar do outro lado do Atlântico e viver o sonho americano.
Vem isto a propósito não de razões sociológicas ou demográficas mas do facto de tantos portugueses sentirem, mesmo que não o comuniquem conscientemente, uma admiração extrema pelo seu primo na América que se tornou num self-made man - alguém que era muito pobre, não tinha absolutamente nada e que, todavia, se tornou num empresário de grande êxito. O self-made man luso-americano ou luso-canadiano funciona como uma espécie de demonstração psicológica interna de que a quem é dada uma oportunidade de singrar com o seu próprio trabalho árduo, muitas vezes alcança o sucesso.
No entanto, a contradição imediata deste fenómeno reside na introspecção que se segue à primeira adoração que surgiu. Deixando de falar dos EUA ou do Canadá, de repente, a forma de entender Portugal e os portugueses altera-se radicalmente quando o assunto não recai sobre os emigrantes e seus descendentes, mas sobre os habitantes do território original. Ao contrário do que se admira em outras ocasiões, defendem-se de imediato toda a classe de imposições que penalizem a criação de riqueza, o desenvolvimento do potencial empreendedor, que inevitavelmente fica oprimido em si mesmo, e o desejo de assumir riscos de investimento. Com todos estes aspectos, afunda-se em conjunto a mobilidade social que implicitamente é tão venerada na sociedade norte-americana. Não se hesita em apoiar em abstracto a transferência de fundos dos ricos para os pobres, não entendendo que o que acaba por ocorrer é ter uma sociedade que trabalha para danificar as suas próprias possibilidades de progresso, manter uma legião maioritariamente ineficiente e improdutiva de dependentes directos deste dinheiro e financiar os mecanismos tortuosos e burocráticos desta própria transferência. Curiosamente ou não, são precisamente as mesmas pessoas que, sempre que podem, não hesitam em desejar o melhor para os seus filhos, ou seja, que possam vir posteriormente a estudar/trabalhar em países com uma estrutura económica semelhante à dos EUA, onde o seu trabalho seja superiormente recompensado.
A interrogação que infelizmente estes portugueses não parecem impor a si mesmos é a razão pela qual todos estes self-made men não foram, na verdade, produto caseiro. Porque foi necessário que saíssem para atingir tais resultados. E porque continua a corporate america a gerar mais self-made men de grande sucesso com sangue português do que Portugal. Quem colocar a si mesmo estas perguntas, sem conhecer previamente a resposta, acabará por ter de concluir que a única diferença é o facto de que estas pessoas que decidiram abandonar o seu país de origem, algo que no fundo aconteceu por toda a Europa, não foram bem sucedidas na sua terra nativa porque não lhe foi dada essa possibilidade. E decidiram recomeçar na América, ou em outro país maioritariamente livre, porque não é o Estado toda a fonte de oportunidades de empreendedorismo, mas sim a própria natureza da sociedade livre que permite que estas surjam quando alguém tem intenção e vontade de se dedicar à produção de algo que melhore as vidas de cada um dos elementos que a compõe.
Entretanto, e até que isto seja compreendido e assimilado, por consciencialização ou força da necessidade, aqueles que desejem maximizar as suas capacidades nas profissões da actualidade continuarão a emigrar para países que durante décadas sofrerem um desenvolvimento sustentado, o que lhes permite oferecer condições de trabalho muito mais apetecíveis e onde a qualidade é indubitavelmente reconhecida como preciosa. Consequentemente, os portugueses cá de dentro continuarão a ter portugueses e luso-something de quem se orgulhar, uns self-made men, outros já de profissões especializadas. E a grande maioria da Europa continental, de onde todos os mais individualistas vão tentando sair continuamente, deixando para trás os que defendem a manutenção dos sistemas económicos actuais e os malfadados estados de bem-estar (sic), continuará a assemelhar-se cada vez mais com uma estrutura decadente, em vias de colapso, que vive acima das suas possibilidades e acabará por sofrer o amargo sabor dos reajustamentos forçados.
Saturday, October 14, 2006
Friday, October 13, 2006
Não só os arrotos têm metano

Vacas contribuem para efeito de estufa
«Os efeitos nocivos da poluição na camada do ozono já são conhecidos, mas nunca se pensou que as vacas podiam contribuir para aumentar o efeito de estufa. Quando arrotam, as vacas libertam metano, um gás que é 23 vezes mais nocivo para o ambiente do que o dióxido de carbono, conta a Sky News.Quando é que estas vacas começam a ser seriamente responsabilizadas pelos danos que estão a causar ao planeta? Será que não compreendem que temos de cuidar do nosso ambiente porque todos dependemos dele?
Estes animais produzem três por cento dos gases de efeito de estufa da Inglaterra. Por dia, uma vaca pode arrotar 500 litros de metano por dia. O governo inglês está preocupado com esta situação e já pensou em formas de reduzir os arrotos das vacas.»
Et pour cause
O prémio Nobel da Literatura foi ontem atribuído a Orhan Pamuk. Este ano proporcionou mais um exemplo de uma tendência que já nem os próprios meios de comunicação social tentam dissimular. Ao longo do dia, todas as notícias que chegaram davam conta de que o vencedor deste ano se chamava Orhan Pamuk e era turco. Depois desta breve introdução, passavam de imediato a explicar que Orhan Pamuk era um lutador pelo reconhecimento, por parte da Turquia, do genocídio arménio e curdo ocorrido durante a Primeira Grande Guerra. Diziam que tinha estado envolvido em processos judiciais devido às suas afirmações contra a Turquia, dando-lhe uma imagem de perseguido político que mais o fazia parecer com uma versão masculina de Aung San Suu Kyi. Referiam também que era um escritor que frequentemente discorria sobre o dilema turco da tensão entre o secularismo e a religião e o binómio ocidente/oriente.
Sobre livros do autor, muito pouco. Muito menos sobre os seus títulos ou sobre o seu conteúdo, o estilo narrativo, a densidade psicológica dos personagens ou sequer a dimensão e significado da sua carreira e obra em geral. Na página inicial da Fundação Nobel, ao contrário dos outros prémios em que é listada a razão específica da atribuição (até o da Paz...) diz-se apenas que se trata do primeiro turco a ser galardoado, como se isso por si só fosse a razão do prémio.
É, portanto, muito difícil que as pessoas que constantemente tentam demonstrar o suposto sectarismo dos que afirmam que há uma inclinação política na atribuição do prémio Nobel da literatura neguem que esta existe realmente. Se há realmente um consenso internacional sobre os autores que apenas os críticos não vêem, então não haveria qualquer necessidade de descrever quase sempre os autores premiados como polémicos. Aliás, os próprios autores não disfarçam a importância desta característica. Harold Pinter no ano anterior dizia que era provável que o seu activismo político o teria auxiliado na conquista. Na Turquia, comenta-se que Pamuk terá levantado a questão do genocídio para se tornar um candidato mais apetecível ao prémio Nobel. Quando soube de que o tinha ganho este ano, reagiu dizendo que considerava a escolha do seu nome como uma mensagem para os defensores do "choque de culturas".
Claro que não há razão pela qual um prémio não possa ser atribuído a alguém que seja politicamente activo mas o contraditório é chamar-lhe Nobel da Literatura quando os critérios do comité parecem ser as posições políticas dos autores, a sua origem e as causas pelas quais lutam, ao mesmo tempo que são precisamente estas caractéristicas que os próprios meios de difusão já não sentem pudor em exaltar acerca dos autores, ignorando quase por completo a justificação formal da atribuição da distinção.
---
Nota: No mesmo dia, França ficou menos livre. Agora negar o genocídio arménio dá direito a multa de milhares de euros e prisão.
Sobre livros do autor, muito pouco. Muito menos sobre os seus títulos ou sobre o seu conteúdo, o estilo narrativo, a densidade psicológica dos personagens ou sequer a dimensão e significado da sua carreira e obra em geral. Na página inicial da Fundação Nobel, ao contrário dos outros prémios em que é listada a razão específica da atribuição (até o da Paz...) diz-se apenas que se trata do primeiro turco a ser galardoado, como se isso por si só fosse a razão do prémio.
É, portanto, muito difícil que as pessoas que constantemente tentam demonstrar o suposto sectarismo dos que afirmam que há uma inclinação política na atribuição do prémio Nobel da literatura neguem que esta existe realmente. Se há realmente um consenso internacional sobre os autores que apenas os críticos não vêem, então não haveria qualquer necessidade de descrever quase sempre os autores premiados como polémicos. Aliás, os próprios autores não disfarçam a importância desta característica. Harold Pinter no ano anterior dizia que era provável que o seu activismo político o teria auxiliado na conquista. Na Turquia, comenta-se que Pamuk terá levantado a questão do genocídio para se tornar um candidato mais apetecível ao prémio Nobel. Quando soube de que o tinha ganho este ano, reagiu dizendo que considerava a escolha do seu nome como uma mensagem para os defensores do "choque de culturas".
Claro que não há razão pela qual um prémio não possa ser atribuído a alguém que seja politicamente activo mas o contraditório é chamar-lhe Nobel da Literatura quando os critérios do comité parecem ser as posições políticas dos autores, a sua origem e as causas pelas quais lutam, ao mesmo tempo que são precisamente estas caractéristicas que os próprios meios de difusão já não sentem pudor em exaltar acerca dos autores, ignorando quase por completo a justificação formal da atribuição da distinção.
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Nota: No mesmo dia, França ficou menos livre. Agora negar o genocídio arménio dá direito a multa de milhares de euros e prisão.
Será o neoliberalismo anti-neoliberal?
"If the facts don't fit the theory, change the facts" - Albert Einstein
***
«Nobel Paz a "banquero de los pobres", señal contra neoliberalismo
Oslo, 13 oct (EFECOM).- El Comité Noruego del Nobel ha lanzado este año un mensaje contra el neoliberalismo y la globalización desenfrenados al premiar con el Nobel de la Paz al llamado "banquero de los pobres", el bangladeshí Muhammad Yunus y su banco de microcréditos Grameen Bank»
(via La Hora de Todos)
Thursday, October 12, 2006
Wednesday, October 11, 2006
Show me the money
Parece que Teixeira dos Santos, o ministro das Finanças português, anunciou anteontem que os impostos não iriam aumentar no próximo ano. Ou melhor, em linguagem mais apropriada, prometeu que. O grande dilema que Teixeira dos Santos enfrentaria se estivesse a lidar com uma sala de gente repleta de populares, em vez de jornalistas, seria convencê-la da veracidade das suas declarações. A palavra de um político, especialmente um pertencente a um executivo que já mentiu diversas vezes quanto a assuntos de matéria fiscal, vale o que vale: zero.
O problema está em que não é exigida nenhuma garantia palpável sobre o que é afirmado. Obviamente que o governo poderá perder as próximas eleições, mas isso demorará 4 anos desde o início da sua chefia e, entretanto, as suas manigâncias verbais poderão ser atenuadas por outras medidas que sejam percepcionadas como boas ou menosprezadas devido à situação conjuntural. A verdade é que quando se é confrontado com um mentiroso, costuma-se exigir uma prova de boa vontade ou uma garantia de que se a pessoa estiver a mentir, pagará pelo seu erro de alguma forma. O mesmo se passa com pessoas que estão numa posição muito apetecível para mentir (ou podem, com grande probabilidade, fazê-lo); como uma testemunha em tribunal, que precisamente por essa razão é obrigada a jurar que as suas declarações são, no máximo dos seus conhecimentos e consciência, a verdade. A questão não é assumir à partida que a pessoa é culpada (até porque não está a ser julgada) mas sim que apenas dar a sua palavra tem, efectivamente, um valor muito reduzido e é necessário colocá-la numa situação em que as suas afirmações possuam um crédito maior, por exemplo, acusando-a de perjúrio se for provado que esta deliberadamente quebrou o seu juramento.
O grande problema com os políticos, especialmente políticos socialistas - já que são os que querem regular tudo o que não está em repouso - é não serem confrontados pelos jornalistas como se fosse testemunhas de um processo importante. Daí decorre que é sempre atribuído um valor muito superior à sua palavra do que aquele que esta realmente possui - aliás, se assim não fosse, ninguém os confrontaria a posteriori acerca das suas declarações.
Há apenas duas soluções para este problema, se supusermos à partida que uma delas não é acabar com os políticos, o que em abstracto seria quase consensual mas em concreto encontraria muita oposição. A primeira é parar de lhes pedir justificações pelas suas mentiras, que é já o que faz grande parte da população, assumindo que a palavra de um político tem valor praticamente nulo. Contudo, porque a anterior nunca é generalizada, a forma mais eficaz de solucionar a questão seria a existência de uma lei que os penalizasse pelas suas conscientes falsas declarações, devolvendo assim aquilo que coercivamente retiraram à sociedade. [A menos, claro, que algo de verdadeiramente extraordinário (no sentido mesmo de extraordinário, como uma calamidade) ocorresse e os obrigasse a mudar o rumo das suas políticas por razões evidentes.]
Por um lado, teriam muito mais cuidado com as promessas que fazem, tanto ao longo das eleições como durante o mandato, e, por outro, deixavam de poder falar de utopias em que o dinheiro nasce das árvores (a versão soft de "os bancos centrais sempre podem imprimir mais notas para cobrir o nosso défice"), poupando assim a paciência daqueles que são minimamente versados em aritmética. Claro que uma lei assim é, também ela, uma verdadeira utopia. Os legisladores não estão isentos de interesse próprio e nunca aprovariam tal coisa, assim como o próprio poder executivo está protegido pela imunidade diplomática.
O problema está em que não é exigida nenhuma garantia palpável sobre o que é afirmado. Obviamente que o governo poderá perder as próximas eleições, mas isso demorará 4 anos desde o início da sua chefia e, entretanto, as suas manigâncias verbais poderão ser atenuadas por outras medidas que sejam percepcionadas como boas ou menosprezadas devido à situação conjuntural. A verdade é que quando se é confrontado com um mentiroso, costuma-se exigir uma prova de boa vontade ou uma garantia de que se a pessoa estiver a mentir, pagará pelo seu erro de alguma forma. O mesmo se passa com pessoas que estão numa posição muito apetecível para mentir (ou podem, com grande probabilidade, fazê-lo); como uma testemunha em tribunal, que precisamente por essa razão é obrigada a jurar que as suas declarações são, no máximo dos seus conhecimentos e consciência, a verdade. A questão não é assumir à partida que a pessoa é culpada (até porque não está a ser julgada) mas sim que apenas dar a sua palavra tem, efectivamente, um valor muito reduzido e é necessário colocá-la numa situação em que as suas afirmações possuam um crédito maior, por exemplo, acusando-a de perjúrio se for provado que esta deliberadamente quebrou o seu juramento.
O grande problema com os políticos, especialmente políticos socialistas - já que são os que querem regular tudo o que não está em repouso - é não serem confrontados pelos jornalistas como se fosse testemunhas de um processo importante. Daí decorre que é sempre atribuído um valor muito superior à sua palavra do que aquele que esta realmente possui - aliás, se assim não fosse, ninguém os confrontaria a posteriori acerca das suas declarações.
Há apenas duas soluções para este problema, se supusermos à partida que uma delas não é acabar com os políticos, o que em abstracto seria quase consensual mas em concreto encontraria muita oposição. A primeira é parar de lhes pedir justificações pelas suas mentiras, que é já o que faz grande parte da população, assumindo que a palavra de um político tem valor praticamente nulo. Contudo, porque a anterior nunca é generalizada, a forma mais eficaz de solucionar a questão seria a existência de uma lei que os penalizasse pelas suas conscientes falsas declarações, devolvendo assim aquilo que coercivamente retiraram à sociedade. [A menos, claro, que algo de verdadeiramente extraordinário (no sentido mesmo de extraordinário, como uma calamidade) ocorresse e os obrigasse a mudar o rumo das suas políticas por razões evidentes.]
Por um lado, teriam muito mais cuidado com as promessas que fazem, tanto ao longo das eleições como durante o mandato, e, por outro, deixavam de poder falar de utopias em que o dinheiro nasce das árvores (a versão soft de "os bancos centrais sempre podem imprimir mais notas para cobrir o nosso défice"), poupando assim a paciência daqueles que são minimamente versados em aritmética. Claro que uma lei assim é, também ela, uma verdadeira utopia. Os legisladores não estão isentos de interesse próprio e nunca aprovariam tal coisa, assim como o próprio poder executivo está protegido pela imunidade diplomática.
Monday, October 09, 2006
Friday, October 06, 2006
Ah, 1,5% é abaixo da inflação e tal

Qualquer socialista que se preze deveria estar a defender a transferência de capital dos funcionários públicos para os assalariados do sector privado. Desde quando é que o socialismo passou a defender os ricos (vejam só - até se queixam de que os aumentos dos mais ricos são abaixo da inflação...), a funcionar como lóbi para o aumento do poder económico da classe alta e a desprezar as profundas desigualdades™ que criam um fosso cada vez maior entre ricos e pobres™, minando assim a coesão social? Cada vez mais se torna literalmente evidente que a crise é só para alguns™ e quem paga são sempre os mais pobres™ porque os funcionários públicos continuam a ser aumentados independentemente na conjuntura económica e os seus salários provêem directamente do que é roubado aos trabalhadores das empresas, que não têm outra escolha senão contribuir para o bem comum™ ou ser considerados fugitivos ao fisco (também conhecidos por traidores à pátria).
O Correio da Manhã noticiava há dias:
Ora, qualquer Robin Hood dos tempos modernos não terá certamente muitas dificuldades em admitir que é necessário reduzir significativamente os impostos para redistribuir devidamente esta riqueza como forma de manter a igualdade social™ e corrigir os erros de mercado™ que a oestatismo capitalismo selvagem™ cria.
O Correio da Manhã noticiava há dias:
«Antes desta ronda de negociações com o Governo, os sindicatos da Função Pública reivindicaram aumentos salariais entre os 3,5 e os 5,0% em 2007.»Como se pode observar sem sombra de dúvida, os ricos querem evidentemente explorar os pobres. Enquanto os privados estão sujeitos às condições de mercado e às leis que muitas vezes não se aplicam, predispostos a não ter aumentos significativos (quando existem) devido ao mau desempenho macroeconómico ou vulneráveis ao temível desemprego; a classe média-alta (também designada vulgarmente de função pública) tem precariedade laboral praticamente nula e, apesar de ter um nível de riqueza superior como se pode constatar no gráfico, ainda reclama ter direito a aumentos entre 3,5 a 5 por cento, mostrando uma total falta de solidariedade™ para com os seus camaradas proletários™ do sector privado, o que em termos práticos (e de marcas não registadas) significa que querem ganhar mais à custa do trabalho dos outros, que passam a ficar com menos.
Ora, qualquer Robin Hood dos tempos modernos não terá certamente muitas dificuldades em admitir que é necessário reduzir significativamente os impostos para redistribuir devidamente esta riqueza como forma de manter a igualdade social™ e corrigir os erros de mercado™ que a o
É que eles só querem subir pelo pre$tígio
Greve anunciada
«Apesar das alterações, os sindicatos do sector contestam ainda a introdução de quotas para subir na carreira, o que consideram uma barreira à progressão profissional "por razões economicistas".»
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