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Wednesday, October 11, 2006

Show me the money

Parece que Teixeira dos Santos, o ministro das Finanças português, anunciou anteontem que os impostos não iriam aumentar no próximo ano. Ou melhor, em linguagem mais apropriada, prometeu que. O grande dilema que Teixeira dos Santos enfrentaria se estivesse a lidar com uma sala de gente repleta de populares, em vez de jornalistas, seria convencê-la da veracidade das suas declarações. A palavra de um político, especialmente um pertencente a um executivo que já mentiu diversas vezes quanto a assuntos de matéria fiscal, vale o que vale: zero.

O problema está em que não é exigida nenhuma garantia palpável sobre o que é afirmado. Obviamente que o governo poderá perder as próximas eleições, mas isso demorará 4 anos desde o início da sua chefia e, entretanto, as suas manigâncias verbais poderão ser atenuadas por outras medidas que sejam percepcionadas como boas ou menosprezadas devido à situação conjuntural. A verdade é que quando se é confrontado com um mentiroso, costuma-se exigir uma prova de boa vontade ou uma garantia de que se a pessoa estiver a mentir, pagará pelo seu erro de alguma forma. O mesmo se passa com pessoas que estão numa posição muito apetecível para mentir (ou podem, com grande probabilidade, fazê-lo); como uma testemunha em tribunal, que precisamente por essa razão é obrigada a jurar que as suas declarações são, no máximo dos seus conhecimentos e consciência, a verdade. A questão não é assumir à partida que a pessoa é culpada (até porque não está a ser julgada) mas sim que apenas dar a sua palavra tem, efectivamente, um valor muito reduzido e é necessário colocá-la numa situação em que as suas afirmações possuam um crédito maior, por exemplo, acusando-a de perjúrio se for provado que esta deliberadamente quebrou o seu juramento.

O grande problema com os políticos, especialmente políticos socialistas - já que são os que querem regular tudo o que não está em repouso - é não serem confrontados pelos jornalistas como se fosse testemunhas de um processo importante. Daí decorre que é sempre atribuído um valor muito superior à sua palavra do que aquele que esta realmente possui - aliás, se assim não fosse, ninguém os confrontaria a posteriori acerca das suas declarações.

Há apenas duas soluções para este problema, se supusermos à partida que uma delas não é acabar com os políticos, o que em abstracto seria quase consensual mas em concreto encontraria muita oposição. A primeira é parar de lhes pedir justificações pelas suas mentiras, que é já o que faz grande parte da população, assumindo que a palavra de um político tem valor praticamente nulo. Contudo, porque a anterior nunca é generalizada, a forma mais eficaz de solucionar a questão seria a existência de uma lei que os penalizasse pelas suas conscientes falsas declarações, devolvendo assim aquilo que coercivamente retiraram à sociedade. [A menos, claro, que algo de verdadeiramente extraordinário (no sentido mesmo de extraordinário, como uma calamidade) ocorresse e os obrigasse a mudar o rumo das suas políticas por razões evidentes.]

Por um lado, teriam muito mais cuidado com as promessas que fazem, tanto ao longo das eleições como durante o mandato, e, por outro, deixavam de poder falar de utopias em que o dinheiro nasce das árvores (a versão soft de "os bancos centrais sempre podem imprimir mais notas para cobrir o nosso défice"), poupando assim a paciência daqueles que são minimamente versados em aritmética. Claro que uma lei assim é, também ela, uma verdadeira utopia. Os legisladores não estão isentos de interesse próprio e nunca aprovariam tal coisa, assim como o próprio poder executivo está protegido pela imunidade diplomática.

Friday, October 06, 2006

Ah, 1,5% é abaixo da inflação e tal



Qualquer socialista que se preze deveria estar a defender a transferência de capital dos funcionários públicos para os assalariados do sector privado. Desde quando é que o socialismo passou a defender os ricos (vejam só - até se queixam de que os aumentos dos mais ricos são abaixo da inflação...), a funcionar como lóbi para o aumento do poder económico da classe alta e a desprezar as profundas desigualdades™ que criam um fosso cada vez maior entre ricos e pobres™, minando assim a coesão social? Cada vez mais se torna literalmente evidente que a crise é só para alguns™ e quem paga são sempre os mais pobres™ porque os funcionários públicos continuam a ser aumentados independentemente na conjuntura económica e os seus salários provêem directamente do que é roubado aos trabalhadores das empresas, que não têm outra escolha senão contribuir para o bem comum™ ou ser considerados fugitivos ao fisco (também conhecidos por traidores à pátria).

O Correio da Manhã noticiava há dias:
«Antes desta ronda de negociações com o Governo, os sindicatos da Função Pública reivindicaram aumentos salariais entre os 3,5 e os 5,0% em 2007.»
Como se pode observar sem sombra de dúvida, os ricos querem evidentemente explorar os pobres. Enquanto os privados estão sujeitos às condições de mercado e às leis que muitas vezes não se aplicam, predispostos a não ter aumentos significativos (quando existem) devido ao mau desempenho macroeconómico ou vulneráveis ao temível desemprego; a classe média-alta (também designada vulgarmente de função pública) tem precariedade laboral praticamente nula e, apesar de ter um nível de riqueza superior como se pode constatar no gráfico, ainda reclama ter direito a aumentos entre 3,5 a 5 por cento, mostrando uma total falta de solidariedade™ para com os seus camaradas proletários™ do sector privado, o que em termos práticos (e de marcas não registadas) significa que querem ganhar mais à custa do trabalho dos outros, que passam a ficar com menos.

Ora, qualquer Robin Hood dos tempos modernos não terá certamente muitas dificuldades em admitir que é necessário reduzir significativamente os impostos para redistribuir devidamente esta riqueza como forma de manter a igualdade social™ e corrigir os erros de mercado™ que a o estatismo capitalismo selvagem™ cria.

É que eles só querem subir pelo pre$tígio

Greve anunciada
«Apesar das alterações, os sindicatos do sector contestam ainda a introdução de quotas para subir na carreira, o que consideram uma barreira à progressão profissional "por razões economicistas"

Tuesday, October 03, 2006

De regresso ao Paleolítico

Portugal excedeu a quota leiteira atribuída

«A infracção cometida por Portugal é apenas uma ínfima parte da produção em excesso dos Estados membros, que somou 1.217.000 toneladas. Este nível de produção excedentária irá corresponder a uma multa de 377 milhões de euros, concentrada em 90 por cento em Itália (610.916 toneladas), na Polónia (295.924 toneladas) e na Alemanha (200.272 toneladas).

República Checa, Espanha, Chipre, Luxemburgo e Áustria completam a lista dos nove Estados membros que superaram as quotas leiteiras que lhes estavam destinadas.

(...)

O leite excedente está no mercado, cabendo agora a cada um dos nove Estados membros que não cumpriram a quota identificar que produtores excederam a quantidade individual de leite.»

Uma alma caridosa que nos explique o que significa uma produção excedentária de leite numa economia que não é de subsistência, em que a intenção dos produtores de leite é produzir para vender e o leite não é um recurso tão abundante que não necessite de ser vendido. Quem desejar implicar que há um excedente de leite terá necessariamente de fornecer uma explicação para o facto de, apesar de ultrapassadas as quotas estabelecidas pela UE, o leite ter sido facilmente vendido sem que os produtores aparentem ter qualquer justificação para, por iniciativa própria, reduzirem os níveis de produção.

Submit or die

Robert Spencer tem estado a receber ameaças de morte devido ao seu novo livro The Truth about Muhammad:

«YOu are the most f**king person I have ever seen. Enrooted in islamic hatred, you think your personal statements on Prophet Muhammed will be deemed appropriate. Motherf**ker, I am coming to kill you. I will hack the head off your face and i will kill your family.


Wait for your doom.»


Do mesmo IP, dias mais tarde:
«Anyone who insults any religion in the world is an agent of satan.

Behold, Robert Damn Spencer hell dweller is a hate preacher. He loves to hate Islam and I love to slit his throat. This will be soon. He will pay for what he wrote or said.

Wait Spencer, wait you have time, enjoy it as much as you can because you will taste hell like never before. your own personal hell..»


Quando é que associações como o Council on American-Islamic Relations, sempre prontas a protestar contra qualquer coisa que seja minimamente insultuosa para a cultura islâmica ou manche o nome do Islão, começam a denunciar seriamente este tipo de intimidações e a mostrar o seu desprezo por elas? Qualquer muçulmano que não se reveja nestas afirmações deveria ficar seriamente preocupado pela associação da sua intocável religião com fanáticos deste tipo.

Há duas hipóteses: ou afinal não há só um grupo de fanáticos - há fanáticos que se exprimem abertamente e outros que tacitamente consentem - ou então há muçulmanos que só vêem como insulto ao islamismo a crítica, e não o uso do seu nome de forma indevida. O que nos leva a ponderar se na sua forma de pensar o uso do seu nome desta forma é realmente indevido.

Monday, October 02, 2006

O exemplo de Antuérpia

: Artigo de opinião publicado na Dia D, magazine do jornal Público no dia 29 de Setembro :

No ano de 1584, enquanto as forças do duque de Parma cercavam gradualmente a cidade de Antuérpia, os mercadores começaram a criar reservas de alimentos, antecipando a subida dos preços que se avizinhava. De imediato os líderes da cidade os acusaram de especulação e ordenaram que fossem estabelecidas pesadas penalizações para quem desrespeitasse o preço máximo por si fixado, defendendo que o seu aumento era imoral e injusto. Uma vez que este era artificialmente baixo, não houve qualquer mecanismo retroactivo que funcionasse como travão ao consumo e que respondesse à redução da quantidade de alimentos disponível, de tal forma que os habitantes continuaram a consumir rapidamente os poucos a que tinham acesso. Igualmente, durante o período de tempo em que o bloqueio se ia estabelecendo, era possível a comerciantes externos vender em Antuérpia, mas o preço a que vendiam teria certamente de compensar o risco que representava cruzarem-se com as milícias. Devido à existência de um preço que não representava os verdadeiros custos e acima do qual a venda era ilegal, os mercadores não vislumbravam um benefício quando podiam seguramente lucrar noutras localidades. A cidade foi ficando paulatinamente isolada e acabaria por capitular, rendida à fome.

Este exemplo clássico repete-se diariamente de uma forma mitigada, e por vezes imperceptível, em diversas áreas nas quais são mantidos controlos de preços, muitas vezes em forma de subsídio. A escassez de água, por exemplo, que geralmente se atribui à seca em diversas regiões, deve-se essencialmente às redes de distribuição pública de água que geram um desperdício generalizado. Na ausência de um sistema de preços geral e livre que refreie o consumo em época de míngua, financiam-se projectos de milhões de euros para a sensibilização e formação dos consumidores – com o objectivo de travar o outro desperdício artificial de outros milhões de euros que se criou – e que cujos resultados são diminutos: o apelo ao civismo é um incentivo muito ineficaz à poupança quando comparado com o pagamento de todos os custos envolvidos.

O panorama fundamental do mercado energético, onde o consumo continua a ser subsidiado através da existência de tarifas reguladas, não é muito distinto. Para além do gasto exacerbado, não havendo sinais da flutuação dos preços devido à distorção imposta, não se verificam adaptações de produção e consumo dos clientes, retardando-se assim qualquer pressão para o aumento da eficiência tecnológica ou utilização de recursos mais rentáveis. Mas ao contrário do congelamento dos preços que destruiu o incentivo ao comércio externo em Antuérpia, o subsídio a uma actividade tem um efeito ainda mais perverso – direcciona as atenções dos investidores privados dos negócios que seriam mais lucrativos e, logo, mais essenciais à sociedade, para os que são subsidiados, ampliando o efeito do parágrafo anterior.

Por que razão frisar exemplos tão simples mas constantemente esquecidos? Enquanto se continuar a ignorar que à obtenção de um bem limitado está necessariamente associado um custo e se mantiver a ilusão de que há recursos que devem ser universais e gratuitos, continuar-se-á a negar que precisamente devido a essa escassez relativa é necessário um sistema que responda às necessidades reais das pessoas e funcione como mecanismo de feedback, no qual participam dinamicamente todos os agentes económicos e se partilha informação de uma forma extremamente eficaz e quase imediata.

As políticas de intervenção estatal desta ordem conseguem ser mais nocivas do que o próprio problema original, como demonstrou o caso irónico de Antuérpia, acabando as suas tentativas de correcção, através de mais intervenção, por gerar um custo ainda superior. Se é certo que não ficaremos esfomeados, isso não significa que em contrapartida, pelo adiamento da reflexão dos verdadeiros custos, não estejamos constantemente a travar o nosso próprio desenvolvimento, a dificultar a busca de soluções eficientes para os intuitos da sociedade e a prolongar um debate essencialmente irracional acerca de como estes devem ser financiados.

Friday, September 29, 2006

Engana-me que eu gosto

La Agencia Tributaria se lanza al control del textil y el calzado chinos

La decisión, que ha sido ya supervisada por la Vicepresidencia económica del Gobierno que encabeza Pedro Solbes, se incluirá en el texto de los Presupuestos del Estado para 2007, como uno de los puntos que deberá afrontar el próximo año la Administración Tributaria.

De este modo, se considerarán “como objetivo principal de control” y como “área de riesgo” las “importaciones de mercancías originarias de China, en especial de textiles y calzado”. Y los comportamientos que se vigilarán se centrarán en la “subvaloración [de los productos], regímenes preferenciales [que se puedan haber aplicado injustificadamente], incumplimiento de política comercial y derechos antidumping”, generados, en este último caso, precisamente, por la fijación de un precio para los productos inferior a su coste real.

(...)

El Ejecutivo español, por su parte, se encuentra en el grupo de países europeos que ha defendido ante la Comisión Europea la necesidad de endurecer los aranceles de entrada a estos productos –mucho más baratos que los elaborados en los países de la UE– ante la fuerte destrucción de puestos de trabajo y de empresas que está originando en el sector textil español.

(...)

Las alarmas han saltado en la Agencia Tributaria por las posibles infracciones tributarias que pueden esconder unos precios demasiado bajos. Cuanto menores sean los valores de los productos declarados, menor es el impuesto a pagar, algo que, por lógica, tiene un impacto recaudatorio.
(via Jorge Valín)

Os governos europeus justificam o bloqueio de produtos chineses, ou desincentivo por meio de tarifas alfandegárias, devido ao impacto nas empresas nacionais e no desemprego que será criado nesses sectores, mas o que os faz realmente mover é (surpresa...) a possibilidade de poderem ter menores receitas fiscais. Há que admitir que mesmo não analisando factores importantes como a quantidade de recursos que são libertados pela importação de produtos mais baratos e a transferência natural de postos de trabalho para outros sectores da economia (falar só em "postos de trabalho perdidos" é demagogia), os governos falham completamente em apontar de forma correcta o que estão a fazer, muito provavelmente para não criar oposição popular às suas políticas.

Com isto refiro-me essencialmente ao problema que aqui se esquece: a função de uma empresa é servir os seus clientes. Procurando aumentar ou manter o seu lucro, buscará constantemente encontrar qual a melhor forma de garantir que os seus clientes estão satisfeitos, relativamente à concorrência no mercado respectivo, e procurando ganhar vantagem sobre os seus adversários. O emprego é uma consequência deste mecanismo. Não existe na natureza por si mesmo, só é criado quando alguém paga para obter um determinado serviço que busca e esse mesmo prestador necessita de recorrer à ajuda de outras pessoas para conseguir produzir e corresponder às expectativas da procura. O emprego é assim um meio através do qual a empresa se sustem, e não um fim ao qual aspira, que é um dos maiores erros de análise por parte de quem defende a maximização das taxas de emprego. Focar a análise no emprego em si ou na manutenção e estabilidade das empresas é negar aos compradores que estes possam ter o direito de escolher através do que consumem quais as empresas que vão sobreviver e aquelas que não vão resistir, por obsolescência ou incapacidade de distribuir serviços desejados, sejam elas portuguesas ou estrangeiras.

Much ado about nothing

WEF - Global Competitiveness Report
«The top rankings of Switzerland and the Nordic countries show that good institutions and competent macroeconomic management, coupled with world-class educational attainment and a focus on technology and innovation, are a successful strategy for boosting competitiveness in an increasingly complex global economy.»

Augusto Lopez-Claros, Chief Economist; Director, Global Competitiveness Network

***
Petitio principii
«In logic, begging the question is the term for a type of fallacy occurring in deductive reasoning in which the proposition to be proved is assumed implicitly or explicitly in one of the premises. For an example of this, consider the following argument: "Only an untrustworthy person would run for office. The fact that politicians are untrustworthy is proof of this." Such an argument is fallacious, because it relies upon its own proposition—in this case, "politicians are untrustworthy"—in order to support its central premise. Essentially, the argument assumes that its central point is already proven, and uses this in support of itself.»
***

Mais lentamente:

- Vamos assumir que a competitividade (p) é maior com uma gestão macroeconómica competente, em conjunto com uma aposta elevada numa educação de nível internacional superior (a), tecnologias (b) e inovação (c) (ou seja, suponhamos que a, b e c implicam p)

- Elabora-se um sistema de ranking em que a competitividade é medida de acordo com os parâmetros pressupostos. Uma boa classificação (q) implica verificar ao máximo estes factores (a, b ,c) e vice-versa (q é equivalente a, b, c)

- Os países nórdicos e a Suiça são os primeiros classificados no ranking (q)

- Como a Suíça e os países nórdicos estão no topo do ranking, isso prova que a competitividade é mais bem sucedida com os parâmetros medidos no ranking (como q implica necessariamente a, b e c, e se supõe que a, b e c implicam p, logo p verifica-se).

De notar que este tipo de argumento serve para justificar qualquer ideia pré-definida porque se assume à partida que a conclusão permite confirmar a premissa que se usa para chegar à própria conclusão. A premissa inicial - do que depende a competitividade - nunca é provada. Se os elementos fossem alterados para número de garfos per capita, número de panelas de esmalte por metro quadrado e percentagem de pessoas com olhos azuis, a conclusão seria exactamente a mesma porque se usa o resultado como se fosse auto-evidente e confirmasse a suposição inicial.

O problema deste índice de competitividade é valorizar demasiado parâmetros deste género, acabando por equiparar nações que criaram as suas infra-estruturas, investimento em tecnologia, inovação, ensino superior, redes de transportes e telecomunicações por meio de uma evolução natural e aquelas que decidiram canalizar fundos públicos para o obter, retirando daí todas as suas outras consequências negativas. Definir competitividade desta forma ignora que existem muito boas formas de tornar uma economia competitiva sem a exigência de desperdiçar fundos de uma forma desnecessária, transferindo dinheiro do bolso das pessoas e da sua gestão individual para as actividades que o Estado deseja promover. Não estou a dizer que seja necessariamente o caso de todos os sectores económicos dos países nórdicos, que em muitos aspectos dão uma liberdade económica muito superior à que se verifica nos restantes Estados europeus (por exemplo, as leis laborais dinamarquesas ou a abertura ao investimento estrangeiro da Suécia).

No entanto, muitas das indústrias que se estão a despedir de Portugal fazem-no porque há uma vantagem para si em mudar para outro local. Portugal é um país pouco "competitivo" quando comparado com muitas ex-repúblicas soviéticas ou países asiáticos, para onde se costumam deslocar constantemente a partir dos países desenvolvidos, e que se encontram muitos lugares abaixo na classificação. O índice avalia apenas a competitividade dentro de uma série de parâmetros que um governo não pode definir e que quando o tenta fazer, representa um peso fiscal e intervencionista sobre as possibilidades económicas da sociedade. Caso contrário, a forma mais fácil de fazer subir Portugal no índice é deixar que o governo fique com uma fatia mais larga do PIB e comece a redireccionar todas as despesas para dar estudos superiores à população, colocar um computador em cada casa e financiar a inovação tecnológica em todas as empresas. É um pouco como a ideia de que construir um TGV e um novo aeroporto nos vão deixar necessariamente mais ricos, sem sequer avaliar os custos totais que representam.

Wednesday, September 27, 2006

Apostates speak out

Para finalizar a escrita sobre este tema (que tem o dom particular de me deixar doente) por uns dias, coloco aqui umas ligações para páginas de ex-muçulmanos que se tornaram nos mais ferozes críticos da sua antiga religião. É de frisar que as leituras de Robert Spencer e Daniel Pipes, por exemplo, costumam ser muito elucidativas mas nenhum deles foi muçulmano, o que não faz deles mensageiros ideiais para quem julga a prori que qualquer crítica à exegese islâmica (ou falta dela) não tem fundamento.
O título desta entrada é uma referência ao título do livro de Ibq Warraq intitulado Leaving Islam - Apostates speak out.

A bem da racionalidade

Jihadists don't care about logic de George Jonas
«To counter any suggestion that Islam is a violent religion, Muslims attacked churches in the West Bank, Gaza and Basra this week. In Somalia a religious leader named Abubukar Hassan Malin echoed a British religious leader named Anjem Choudary who seemed to be in agreement with a religious leader from India called Syed Ahmed Bukhari that Pope Benedict XVI had to be forced to apologize.

Forced? Bukhari left it open how, but Choudary felt that subjecting the Pontiff to "capital punishment" may be persuasive, while Malin was inclined to think that the situation called for hunting down the Holy Father and killing him "on the spot." And, perhaps to indicate that these were no idle threats, as the week wore on, an Italian nun was murdered in Somalia, along with two Assyrian Christians in Iraq. (...)

"The infidelity and tyranny of the Pope will only be stopped by a major attack," announced al-Qaeda from its cave on the Afghan-Pakistani border. Al-Qaeda's political arm in New York, a.k.a. the United Nations, took no position, only using the opportunity to condemn Israel for one thing or another.

Why do some Muslims have such an uncanny talent for proving the case of their critics? When accused of violence, they threaten violence. Better still, they engage in it. "Call us unruly and we riot," they say, in essence. "Call us murderers, and we kill you." Don't they see that this makes them a joke?

Well, no, they don't -- and they're right. Saying such things may make someone a joke in a debating society, but Islamofascists fight in a different arena. They don't care about winning the debate; what they want to win is their Kampf, better known these days as Jihad.

Lo and behold, they're winning it. By now the whole world tiptoes around the sensibilities of medieval fanatics. We take pains not to offend ululating fossils who cheer suicide bombers. Or raise them. We prop up rickety regimes whose sole contribution to modern times is to nurture ancient grievances and revive barbaric customs. We worry about the feelings -- feelings! -- of people who stone their loved ones for sexual missteps. We pussyfoot to protect the delicate psyche of oily ogres who amputate the hands of petty thieves, issue fatwas on novelists and cover up their hapless wives and sisters to the eyeballs.

We do this, obviously, not because we're impressed by the logic of the Islamofascist line -- "call us murderers and we'll kill you" -- but because we're intimidated by it. The Jihadists don't care about the quality of their argument. One doesn't have to, if one's aim isn't to persuade, but to coerce. The mullahs of militant Islam aren't worried about proving their critics' case. So some pundits think we're proving Benedict XVI or Manuel II right, imams Choudary and Malin might say. Big deal. Logic may be essential for pundits. It isn't essential for our followers who are willing to blow themselves up to get their way.»
(via LGF)

Ferir susceptibilidades III

Há muita gente que tem uma dificuldade enorme em admitir que a religião islâmica possa ser violenta e intolerante por natureza (já para não dizer misógina e totalmente iliberal). Não que neguem que seja, e apresentem argumentos em sua defesa; simplesmente admitem à partida que não pode ser e mantêm uma postura dogmática durante a partilha de ideias. Ora, isto é absolutamente contrário à posição que deve ser essencial para qualquer pessoa que deseje fazer uma análise isenta, neutra e racional. Não é esse o caso do Rui Fernandes, que tem estado a fazer um pingue-pongue de não-respostas ao que tenho publicado por aqui. Claro que quando os factos escasseiam recorrem-se às falácias do costume, aos deus ex machina, para evitar discutir o assunto central e dispersar para outras bandas. Desta forma, os grandes argumentos têm sido "a direita, católica ou simplesmente pró-cristã", a direita ocidental islamófoba" e o que não podia faltar, as pérolas inevitáveis sobre o Grande Satã (que a paz esteja com Ele) que acaba por servir sempre de argumento para relativizar o terrorismo islâmico. Por exemplo, neste post é descrito o meu Ferir Susceptibilidades II numa perspectiva narrativa, para depois se acabar exactamente com os mesmos erros que nesse foram apontados:

«Só o cristianismo na verdade tem uma história, com ondas de distintos tipos, e uma evolução. O islamismo, ao contrário, é situado sempre fora do tempo, com a sua história no máximo adjectivada em bloco, sem direito a fases ou momentos como no caso do cristianismo, e sempre como não havendo sido nunca outra coisa que não fosse violência e maldade...»

Como se pode ver, não há qualquer intenção de discutir a religião em si nem a sua ligação com os sistemas legais e políticos vigentes em países islâmicos, apenas a de desculpar toda e qualquer atitude negativa pelo mecanismo "nós também fizemos isso" e "nem todos são assim". Duas falácias recorrentes porque apesar de "nós" não termos feito "isso", seria irrelevante para a discussão sobre o Islão se o tivéssemos feito. Esta perspectiva constante de relativismo cultural não apaga o facto de "outros" que não "nós" o tenham feito. As alegações sobre o verdadeiro islão nem têm que ver com actos em si, mas sim com a ligação entre esses actos e a proveniência da sua inspiração religiosa (satânica?). Para além disso, ninguém diz que todos são iguais, irracionais e violentos. Discute-se a religião, não os seus praticantes. Segundo esta contradição, um islâmico não pode criticar um cristão e o islamismo não se consegue definir por si mesmo em termos absolutos porque necessita constantemente de elementos comparativos para ser avaliado e não pode exercer auto-crítica.
Com este sistema ilógico, consegue manobrar-se um diálogo (que mais se assemelha a uma espécie de monólogo) em que uma tese passa directamente a ser racista, xenófoba e irracional e nunca chega a ser analisada convenientemente por uma questão de manutenção de opiniões politicamente correctas. A verdade é que não se tratam de discriminações ou ideologias políticas, mas sim de questões de facto, que só podem ser ou verdadeiras ou falsas.

Por outras alturas, por exemplo, recorrem-se a estas outras passagens para desviar o assunto:

«O papa chama de imoral, irracional e malévolo todo o islão, opondo ocidente bom com oriente mau, mas perguntam: é isso comparável ao terrorismo islâmico? Uma invasão militar à margem da ONU e baseada em falsos pretextos. E então? É isso comparável ao terrorismo islâmico? Detenções ilegais e eventual utilização de métodos de tortura nos interrogatórios. Que é que queres dizer? É isso por ventura comparável ao terrorismo islâmico? Quanta irracionalidade, imoralidade e perigosidade cabem fora do terrorismo islâmico? Para alguns nenhuma.»

Qualquer pessoa que julgue que invasões à margem da ONU são más, a tortura é má e o terrorismo islâmico é mau, não pode usar um para atenuar qualitativamente o outro, isto é relativismo moral e cultural em todo o seu esplendor, a cada vez mais comum condenação do terrorismo seguida de um mas. Gostaria particularmente de ver o que aconteceria se eu criticasse a ocupação de um país por uma invasão à margem da ONU ou a utilização de tortura em interrogatórios. Será que o Rui Fernandes me diria "é isso comparável ao terrorismo islâmico?" para se opor? É que só há duas hipóteses - ou se usa este argumento para dizer que o terrorismo islâmico é irrelevante (o que é muito grave) ou se usa para o legitimar quando comparado com o resto (o que provavelmente é mais grave ainda). É preciso talvez informar que o terrorismo islâmico não acontece somente em países ocidentais: começa por dentro. É um sistema de terror, adoração da morte e carnificina que continua hoje bem presente nas centenas de milhares de mortos que tanta gente pretende ignorar (como no Sudão por exemplo).

Claro que estas minhas tentativas de resposta são totalmente inúteis, simplesmente porque se baseiam no pressuposto de ter um interlocutor disposto a uma discussão honesta e séria. Quando o Rui Fernandes se recusa a admitir que a possibilidade acima exposta existe ou não consegue demonstrar que é falsa por meio de argumentos válidos, ao mesmo tempo que prefere criticar constantemente o ocidente e o cristianismo, apenas deixa transparecer a pouca importância que alguns valores fundamentais representam para si.

O roubo é punido com o corte das mãos. O espancamento de mulheres é prática corrente e incentivada. A mulher é um objecto, nem sequer tem valor jurídico - o ónus da prova recai sempre sobre ela, não sobre quem a acusa. Se não for morta por ordem judicial, é morta pela família por a ter "desonrado". A guerra contra os infiéis é uma ordem de Alá. A apostasia, o adultério, a blasfémia são puníveis com a morte. E não estamos a falar de pena de morte por injecção letal, mas sim apedrejamento ou enforcamento na praça pública. Tudo isto faz parte do maravilhoso sistema legal que é a shari'a, que embora tendo variações consoante os países, derivam directamente do Alcorão, e dos relatos das práticas de Maomé, como descritas na Suna e na Hadith.

Vale a pena lembrar que se os Estados Unidos da América fizessem qualquer uma destas coisas seriam de imediato internacionalmente condenados, como aliás já são, independentemente do que fazem. É este o sistema que está a entrar na Europa e é já uma lei de facto em muitas zonas onde a polícia nem sequer se atreve a entrar. Ainda este mês, o ministro da justiça holandês mostrava a sua passividade perante uma eventual introdução da shari'a na Holanda. Em Abril deste ano, muçulmanos na Suécia exigiam a aplicação da shari'a. O mesmo se passa constantemente no Reino Unido e no Canadá, na Alemanha e em outras localidades como França, Itália, Dinamarca, etc. Basta procurar.

O Rui acha que o Papa é islamófobo por supostamente dizer que o Islão é irracional mas pensa que Ahmadinejad já é um verdadeiro promotor do dialogo inter-religioso e da paz entre religiões. Será que estamos a falar da mesma pessoa que diz que o Holocausto não existiu (algo muito insultuoso para os judeus) e que de vez em quando deixa escapar que deseja que Israel, o único país do mundo onde o judaísmo é maioritário, deixasse de existir?

Parece que ninguém se preocupa com as sensibilidade dos judeus, qualquer pessoa pode dizer mal deles e de Israel porque certamente estes não vão correr a detonar-se em actos terroristas ou fazem ameaças de morte. Quem reage com violência extrema, incutindo o medo a qualquer crítico, é premiado com o discurso da capitulação da liberdade de expressão e do apelo ao bom senso para evitar ofender as sensibilidades. Ainda assim há quem julgue que afinal o islão e a história do islamismo podem ser "interpretados" de muitas formas e dependem do contexto em que são inseridos, mas atenção – o discurso do Papa só tem uma interpretação inequívoca, a do insulto xenófobo directo ao mundo muçulmano.

Para terminar, independentemente de concordar ou não com o Papa, penso que ele tem todo o direito de emitir a sua opinião sobre qualquer que seja o assunto, assim como o fez quando apelou ao cessar-fogo no último conflito entre Israel e o Hezbollah. Azar dos muçulmanos se se sentem ofendidos e insultados, seja por citações da idade média, cartoons com caricaturas do seu profeta ou a homossexualidade no ocidente. Há muito boa gente que se sente insultada e ofendida quando alguém deseja suprimir a liberdade de expressão e, no entanto, não apela a ninguém para que se cortem cabeças, destruam embaixadas ou se invada Meca.

Monday, September 25, 2006

Sonho europeu

European job-killing machine de Richard W. Rahn
The European Court of Justice has just ordered the British to adopt some of the more rigid work rules of Continental Europe. One reason the British have prospered more and have almost half of the unemployment rate of Germany and France is the British have much more flexible work rules. Now the European Union demands the staff in British firms have at least 11 hours off between work days, a minimum of one day off per week, and an extended break at least every six hours.

(...)

A major reason the U.S. has grown more rapidly than most other developed countries is that unions and the government have, for the most part, been sensible enough to recognize both differences in job requirements and in personal preferences to allow employees and employers to voluntarily find ways to accommodate each other's needs to everyone's benefit. France, Germany and some of the other European countries have extremely rigid work rules, such as the French requirement that workers not work more than 35 hours weekly, even if they want to, and the almost impossibility of firing workers, no matter how lazy and incompetent. The predictable result is there has been little growth in private-sector employment in these countries -- the U.S., with a smaller population, has created more private sector jobs in the last four years than Europe has in the last 20.

Sweden is often cited as an example of the success of the high-tax high-spend European model. But in fact, Sweden has created virtually no new net private sector jobs since 1950, and has fallen from the fourth-richest, on a per capita basis, member of the Organization for Economic Cooperation and Development (the group of major industrial countries) in 1970 to only 16th now.

Aviso à gravitação



Aos poucos e pobres degraçados que costumam ler o que por aqui se escreve através de um feed reader como o Bloglines ou utilizando qualquer outro método que envolva a subscrição da extensão .xml que o Blogger publicava para o My Guide to your Galaxy, convém anunciar que na versão beta do Blogger em que este blogue se encontra está em fase experimental e a feed antiga em formato Atom deixou de ser válida, como provavelmente já terão reparado.

O novo endereço (também em Atom) que o Blogger publica para este blogue encontra-se nesta ligação. Entretanto, a antiga feed que era utilizada no Bloglines ficou também desactivada e a nova parece estar a ser publicada neste endereço.

As minhas desculpas pela pequena oscilação orbital.