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Monday, October 02, 2006

O exemplo de Antuérpia

: Artigo de opinião publicado na Dia D, magazine do jornal Público no dia 29 de Setembro :

No ano de 1584, enquanto as forças do duque de Parma cercavam gradualmente a cidade de Antuérpia, os mercadores começaram a criar reservas de alimentos, antecipando a subida dos preços que se avizinhava. De imediato os líderes da cidade os acusaram de especulação e ordenaram que fossem estabelecidas pesadas penalizações para quem desrespeitasse o preço máximo por si fixado, defendendo que o seu aumento era imoral e injusto. Uma vez que este era artificialmente baixo, não houve qualquer mecanismo retroactivo que funcionasse como travão ao consumo e que respondesse à redução da quantidade de alimentos disponível, de tal forma que os habitantes continuaram a consumir rapidamente os poucos a que tinham acesso. Igualmente, durante o período de tempo em que o bloqueio se ia estabelecendo, era possível a comerciantes externos vender em Antuérpia, mas o preço a que vendiam teria certamente de compensar o risco que representava cruzarem-se com as milícias. Devido à existência de um preço que não representava os verdadeiros custos e acima do qual a venda era ilegal, os mercadores não vislumbravam um benefício quando podiam seguramente lucrar noutras localidades. A cidade foi ficando paulatinamente isolada e acabaria por capitular, rendida à fome.

Este exemplo clássico repete-se diariamente de uma forma mitigada, e por vezes imperceptível, em diversas áreas nas quais são mantidos controlos de preços, muitas vezes em forma de subsídio. A escassez de água, por exemplo, que geralmente se atribui à seca em diversas regiões, deve-se essencialmente às redes de distribuição pública de água que geram um desperdício generalizado. Na ausência de um sistema de preços geral e livre que refreie o consumo em época de míngua, financiam-se projectos de milhões de euros para a sensibilização e formação dos consumidores – com o objectivo de travar o outro desperdício artificial de outros milhões de euros que se criou – e que cujos resultados são diminutos: o apelo ao civismo é um incentivo muito ineficaz à poupança quando comparado com o pagamento de todos os custos envolvidos.

O panorama fundamental do mercado energético, onde o consumo continua a ser subsidiado através da existência de tarifas reguladas, não é muito distinto. Para além do gasto exacerbado, não havendo sinais da flutuação dos preços devido à distorção imposta, não se verificam adaptações de produção e consumo dos clientes, retardando-se assim qualquer pressão para o aumento da eficiência tecnológica ou utilização de recursos mais rentáveis. Mas ao contrário do congelamento dos preços que destruiu o incentivo ao comércio externo em Antuérpia, o subsídio a uma actividade tem um efeito ainda mais perverso – direcciona as atenções dos investidores privados dos negócios que seriam mais lucrativos e, logo, mais essenciais à sociedade, para os que são subsidiados, ampliando o efeito do parágrafo anterior.

Por que razão frisar exemplos tão simples mas constantemente esquecidos? Enquanto se continuar a ignorar que à obtenção de um bem limitado está necessariamente associado um custo e se mantiver a ilusão de que há recursos que devem ser universais e gratuitos, continuar-se-á a negar que precisamente devido a essa escassez relativa é necessário um sistema que responda às necessidades reais das pessoas e funcione como mecanismo de feedback, no qual participam dinamicamente todos os agentes económicos e se partilha informação de uma forma extremamente eficaz e quase imediata.

As políticas de intervenção estatal desta ordem conseguem ser mais nocivas do que o próprio problema original, como demonstrou o caso irónico de Antuérpia, acabando as suas tentativas de correcção, através de mais intervenção, por gerar um custo ainda superior. Se é certo que não ficaremos esfomeados, isso não significa que em contrapartida, pelo adiamento da reflexão dos verdadeiros custos, não estejamos constantemente a travar o nosso próprio desenvolvimento, a dificultar a busca de soluções eficientes para os intuitos da sociedade e a prolongar um debate essencialmente irracional acerca de como estes devem ser financiados.

Friday, September 29, 2006

Engana-me que eu gosto

La Agencia Tributaria se lanza al control del textil y el calzado chinos

La decisión, que ha sido ya supervisada por la Vicepresidencia económica del Gobierno que encabeza Pedro Solbes, se incluirá en el texto de los Presupuestos del Estado para 2007, como uno de los puntos que deberá afrontar el próximo año la Administración Tributaria.

De este modo, se considerarán “como objetivo principal de control” y como “área de riesgo” las “importaciones de mercancías originarias de China, en especial de textiles y calzado”. Y los comportamientos que se vigilarán se centrarán en la “subvaloración [de los productos], regímenes preferenciales [que se puedan haber aplicado injustificadamente], incumplimiento de política comercial y derechos antidumping”, generados, en este último caso, precisamente, por la fijación de un precio para los productos inferior a su coste real.

(...)

El Ejecutivo español, por su parte, se encuentra en el grupo de países europeos que ha defendido ante la Comisión Europea la necesidad de endurecer los aranceles de entrada a estos productos –mucho más baratos que los elaborados en los países de la UE– ante la fuerte destrucción de puestos de trabajo y de empresas que está originando en el sector textil español.

(...)

Las alarmas han saltado en la Agencia Tributaria por las posibles infracciones tributarias que pueden esconder unos precios demasiado bajos. Cuanto menores sean los valores de los productos declarados, menor es el impuesto a pagar, algo que, por lógica, tiene un impacto recaudatorio.
(via Jorge Valín)

Os governos europeus justificam o bloqueio de produtos chineses, ou desincentivo por meio de tarifas alfandegárias, devido ao impacto nas empresas nacionais e no desemprego que será criado nesses sectores, mas o que os faz realmente mover é (surpresa...) a possibilidade de poderem ter menores receitas fiscais. Há que admitir que mesmo não analisando factores importantes como a quantidade de recursos que são libertados pela importação de produtos mais baratos e a transferência natural de postos de trabalho para outros sectores da economia (falar só em "postos de trabalho perdidos" é demagogia), os governos falham completamente em apontar de forma correcta o que estão a fazer, muito provavelmente para não criar oposição popular às suas políticas.

Com isto refiro-me essencialmente ao problema que aqui se esquece: a função de uma empresa é servir os seus clientes. Procurando aumentar ou manter o seu lucro, buscará constantemente encontrar qual a melhor forma de garantir que os seus clientes estão satisfeitos, relativamente à concorrência no mercado respectivo, e procurando ganhar vantagem sobre os seus adversários. O emprego é uma consequência deste mecanismo. Não existe na natureza por si mesmo, só é criado quando alguém paga para obter um determinado serviço que busca e esse mesmo prestador necessita de recorrer à ajuda de outras pessoas para conseguir produzir e corresponder às expectativas da procura. O emprego é assim um meio através do qual a empresa se sustem, e não um fim ao qual aspira, que é um dos maiores erros de análise por parte de quem defende a maximização das taxas de emprego. Focar a análise no emprego em si ou na manutenção e estabilidade das empresas é negar aos compradores que estes possam ter o direito de escolher através do que consumem quais as empresas que vão sobreviver e aquelas que não vão resistir, por obsolescência ou incapacidade de distribuir serviços desejados, sejam elas portuguesas ou estrangeiras.

Much ado about nothing

WEF - Global Competitiveness Report
«The top rankings of Switzerland and the Nordic countries show that good institutions and competent macroeconomic management, coupled with world-class educational attainment and a focus on technology and innovation, are a successful strategy for boosting competitiveness in an increasingly complex global economy.»

Augusto Lopez-Claros, Chief Economist; Director, Global Competitiveness Network

***
Petitio principii
«In logic, begging the question is the term for a type of fallacy occurring in deductive reasoning in which the proposition to be proved is assumed implicitly or explicitly in one of the premises. For an example of this, consider the following argument: "Only an untrustworthy person would run for office. The fact that politicians are untrustworthy is proof of this." Such an argument is fallacious, because it relies upon its own proposition—in this case, "politicians are untrustworthy"—in order to support its central premise. Essentially, the argument assumes that its central point is already proven, and uses this in support of itself.»
***

Mais lentamente:

- Vamos assumir que a competitividade (p) é maior com uma gestão macroeconómica competente, em conjunto com uma aposta elevada numa educação de nível internacional superior (a), tecnologias (b) e inovação (c) (ou seja, suponhamos que a, b e c implicam p)

- Elabora-se um sistema de ranking em que a competitividade é medida de acordo com os parâmetros pressupostos. Uma boa classificação (q) implica verificar ao máximo estes factores (a, b ,c) e vice-versa (q é equivalente a, b, c)

- Os países nórdicos e a Suiça são os primeiros classificados no ranking (q)

- Como a Suíça e os países nórdicos estão no topo do ranking, isso prova que a competitividade é mais bem sucedida com os parâmetros medidos no ranking (como q implica necessariamente a, b e c, e se supõe que a, b e c implicam p, logo p verifica-se).

De notar que este tipo de argumento serve para justificar qualquer ideia pré-definida porque se assume à partida que a conclusão permite confirmar a premissa que se usa para chegar à própria conclusão. A premissa inicial - do que depende a competitividade - nunca é provada. Se os elementos fossem alterados para número de garfos per capita, número de panelas de esmalte por metro quadrado e percentagem de pessoas com olhos azuis, a conclusão seria exactamente a mesma porque se usa o resultado como se fosse auto-evidente e confirmasse a suposição inicial.

O problema deste índice de competitividade é valorizar demasiado parâmetros deste género, acabando por equiparar nações que criaram as suas infra-estruturas, investimento em tecnologia, inovação, ensino superior, redes de transportes e telecomunicações por meio de uma evolução natural e aquelas que decidiram canalizar fundos públicos para o obter, retirando daí todas as suas outras consequências negativas. Definir competitividade desta forma ignora que existem muito boas formas de tornar uma economia competitiva sem a exigência de desperdiçar fundos de uma forma desnecessária, transferindo dinheiro do bolso das pessoas e da sua gestão individual para as actividades que o Estado deseja promover. Não estou a dizer que seja necessariamente o caso de todos os sectores económicos dos países nórdicos, que em muitos aspectos dão uma liberdade económica muito superior à que se verifica nos restantes Estados europeus (por exemplo, as leis laborais dinamarquesas ou a abertura ao investimento estrangeiro da Suécia).

No entanto, muitas das indústrias que se estão a despedir de Portugal fazem-no porque há uma vantagem para si em mudar para outro local. Portugal é um país pouco "competitivo" quando comparado com muitas ex-repúblicas soviéticas ou países asiáticos, para onde se costumam deslocar constantemente a partir dos países desenvolvidos, e que se encontram muitos lugares abaixo na classificação. O índice avalia apenas a competitividade dentro de uma série de parâmetros que um governo não pode definir e que quando o tenta fazer, representa um peso fiscal e intervencionista sobre as possibilidades económicas da sociedade. Caso contrário, a forma mais fácil de fazer subir Portugal no índice é deixar que o governo fique com uma fatia mais larga do PIB e comece a redireccionar todas as despesas para dar estudos superiores à população, colocar um computador em cada casa e financiar a inovação tecnológica em todas as empresas. É um pouco como a ideia de que construir um TGV e um novo aeroporto nos vão deixar necessariamente mais ricos, sem sequer avaliar os custos totais que representam.

Wednesday, September 27, 2006

Apostates speak out

Para finalizar a escrita sobre este tema (que tem o dom particular de me deixar doente) por uns dias, coloco aqui umas ligações para páginas de ex-muçulmanos que se tornaram nos mais ferozes críticos da sua antiga religião. É de frisar que as leituras de Robert Spencer e Daniel Pipes, por exemplo, costumam ser muito elucidativas mas nenhum deles foi muçulmano, o que não faz deles mensageiros ideiais para quem julga a prori que qualquer crítica à exegese islâmica (ou falta dela) não tem fundamento.
O título desta entrada é uma referência ao título do livro de Ibq Warraq intitulado Leaving Islam - Apostates speak out.

A bem da racionalidade

Jihadists don't care about logic de George Jonas
«To counter any suggestion that Islam is a violent religion, Muslims attacked churches in the West Bank, Gaza and Basra this week. In Somalia a religious leader named Abubukar Hassan Malin echoed a British religious leader named Anjem Choudary who seemed to be in agreement with a religious leader from India called Syed Ahmed Bukhari that Pope Benedict XVI had to be forced to apologize.

Forced? Bukhari left it open how, but Choudary felt that subjecting the Pontiff to "capital punishment" may be persuasive, while Malin was inclined to think that the situation called for hunting down the Holy Father and killing him "on the spot." And, perhaps to indicate that these were no idle threats, as the week wore on, an Italian nun was murdered in Somalia, along with two Assyrian Christians in Iraq. (...)

"The infidelity and tyranny of the Pope will only be stopped by a major attack," announced al-Qaeda from its cave on the Afghan-Pakistani border. Al-Qaeda's political arm in New York, a.k.a. the United Nations, took no position, only using the opportunity to condemn Israel for one thing or another.

Why do some Muslims have such an uncanny talent for proving the case of their critics? When accused of violence, they threaten violence. Better still, they engage in it. "Call us unruly and we riot," they say, in essence. "Call us murderers, and we kill you." Don't they see that this makes them a joke?

Well, no, they don't -- and they're right. Saying such things may make someone a joke in a debating society, but Islamofascists fight in a different arena. They don't care about winning the debate; what they want to win is their Kampf, better known these days as Jihad.

Lo and behold, they're winning it. By now the whole world tiptoes around the sensibilities of medieval fanatics. We take pains not to offend ululating fossils who cheer suicide bombers. Or raise them. We prop up rickety regimes whose sole contribution to modern times is to nurture ancient grievances and revive barbaric customs. We worry about the feelings -- feelings! -- of people who stone their loved ones for sexual missteps. We pussyfoot to protect the delicate psyche of oily ogres who amputate the hands of petty thieves, issue fatwas on novelists and cover up their hapless wives and sisters to the eyeballs.

We do this, obviously, not because we're impressed by the logic of the Islamofascist line -- "call us murderers and we'll kill you" -- but because we're intimidated by it. The Jihadists don't care about the quality of their argument. One doesn't have to, if one's aim isn't to persuade, but to coerce. The mullahs of militant Islam aren't worried about proving their critics' case. So some pundits think we're proving Benedict XVI or Manuel II right, imams Choudary and Malin might say. Big deal. Logic may be essential for pundits. It isn't essential for our followers who are willing to blow themselves up to get their way.»
(via LGF)

Ferir susceptibilidades III

Há muita gente que tem uma dificuldade enorme em admitir que a religião islâmica possa ser violenta e intolerante por natureza (já para não dizer misógina e totalmente iliberal). Não que neguem que seja, e apresentem argumentos em sua defesa; simplesmente admitem à partida que não pode ser e mantêm uma postura dogmática durante a partilha de ideias. Ora, isto é absolutamente contrário à posição que deve ser essencial para qualquer pessoa que deseje fazer uma análise isenta, neutra e racional. Não é esse o caso do Rui Fernandes, que tem estado a fazer um pingue-pongue de não-respostas ao que tenho publicado por aqui. Claro que quando os factos escasseiam recorrem-se às falácias do costume, aos deus ex machina, para evitar discutir o assunto central e dispersar para outras bandas. Desta forma, os grandes argumentos têm sido "a direita, católica ou simplesmente pró-cristã", a direita ocidental islamófoba" e o que não podia faltar, as pérolas inevitáveis sobre o Grande Satã (que a paz esteja com Ele) que acaba por servir sempre de argumento para relativizar o terrorismo islâmico. Por exemplo, neste post é descrito o meu Ferir Susceptibilidades II numa perspectiva narrativa, para depois se acabar exactamente com os mesmos erros que nesse foram apontados:

«Só o cristianismo na verdade tem uma história, com ondas de distintos tipos, e uma evolução. O islamismo, ao contrário, é situado sempre fora do tempo, com a sua história no máximo adjectivada em bloco, sem direito a fases ou momentos como no caso do cristianismo, e sempre como não havendo sido nunca outra coisa que não fosse violência e maldade...»

Como se pode ver, não há qualquer intenção de discutir a religião em si nem a sua ligação com os sistemas legais e políticos vigentes em países islâmicos, apenas a de desculpar toda e qualquer atitude negativa pelo mecanismo "nós também fizemos isso" e "nem todos são assim". Duas falácias recorrentes porque apesar de "nós" não termos feito "isso", seria irrelevante para a discussão sobre o Islão se o tivéssemos feito. Esta perspectiva constante de relativismo cultural não apaga o facto de "outros" que não "nós" o tenham feito. As alegações sobre o verdadeiro islão nem têm que ver com actos em si, mas sim com a ligação entre esses actos e a proveniência da sua inspiração religiosa (satânica?). Para além disso, ninguém diz que todos são iguais, irracionais e violentos. Discute-se a religião, não os seus praticantes. Segundo esta contradição, um islâmico não pode criticar um cristão e o islamismo não se consegue definir por si mesmo em termos absolutos porque necessita constantemente de elementos comparativos para ser avaliado e não pode exercer auto-crítica.
Com este sistema ilógico, consegue manobrar-se um diálogo (que mais se assemelha a uma espécie de monólogo) em que uma tese passa directamente a ser racista, xenófoba e irracional e nunca chega a ser analisada convenientemente por uma questão de manutenção de opiniões politicamente correctas. A verdade é que não se tratam de discriminações ou ideologias políticas, mas sim de questões de facto, que só podem ser ou verdadeiras ou falsas.

Por outras alturas, por exemplo, recorrem-se a estas outras passagens para desviar o assunto:

«O papa chama de imoral, irracional e malévolo todo o islão, opondo ocidente bom com oriente mau, mas perguntam: é isso comparável ao terrorismo islâmico? Uma invasão militar à margem da ONU e baseada em falsos pretextos. E então? É isso comparável ao terrorismo islâmico? Detenções ilegais e eventual utilização de métodos de tortura nos interrogatórios. Que é que queres dizer? É isso por ventura comparável ao terrorismo islâmico? Quanta irracionalidade, imoralidade e perigosidade cabem fora do terrorismo islâmico? Para alguns nenhuma.»

Qualquer pessoa que julgue que invasões à margem da ONU são más, a tortura é má e o terrorismo islâmico é mau, não pode usar um para atenuar qualitativamente o outro, isto é relativismo moral e cultural em todo o seu esplendor, a cada vez mais comum condenação do terrorismo seguida de um mas. Gostaria particularmente de ver o que aconteceria se eu criticasse a ocupação de um país por uma invasão à margem da ONU ou a utilização de tortura em interrogatórios. Será que o Rui Fernandes me diria "é isso comparável ao terrorismo islâmico?" para se opor? É que só há duas hipóteses - ou se usa este argumento para dizer que o terrorismo islâmico é irrelevante (o que é muito grave) ou se usa para o legitimar quando comparado com o resto (o que provavelmente é mais grave ainda). É preciso talvez informar que o terrorismo islâmico não acontece somente em países ocidentais: começa por dentro. É um sistema de terror, adoração da morte e carnificina que continua hoje bem presente nas centenas de milhares de mortos que tanta gente pretende ignorar (como no Sudão por exemplo).

Claro que estas minhas tentativas de resposta são totalmente inúteis, simplesmente porque se baseiam no pressuposto de ter um interlocutor disposto a uma discussão honesta e séria. Quando o Rui Fernandes se recusa a admitir que a possibilidade acima exposta existe ou não consegue demonstrar que é falsa por meio de argumentos válidos, ao mesmo tempo que prefere criticar constantemente o ocidente e o cristianismo, apenas deixa transparecer a pouca importância que alguns valores fundamentais representam para si.

O roubo é punido com o corte das mãos. O espancamento de mulheres é prática corrente e incentivada. A mulher é um objecto, nem sequer tem valor jurídico - o ónus da prova recai sempre sobre ela, não sobre quem a acusa. Se não for morta por ordem judicial, é morta pela família por a ter "desonrado". A guerra contra os infiéis é uma ordem de Alá. A apostasia, o adultério, a blasfémia são puníveis com a morte. E não estamos a falar de pena de morte por injecção letal, mas sim apedrejamento ou enforcamento na praça pública. Tudo isto faz parte do maravilhoso sistema legal que é a shari'a, que embora tendo variações consoante os países, derivam directamente do Alcorão, e dos relatos das práticas de Maomé, como descritas na Suna e na Hadith.

Vale a pena lembrar que se os Estados Unidos da América fizessem qualquer uma destas coisas seriam de imediato internacionalmente condenados, como aliás já são, independentemente do que fazem. É este o sistema que está a entrar na Europa e é já uma lei de facto em muitas zonas onde a polícia nem sequer se atreve a entrar. Ainda este mês, o ministro da justiça holandês mostrava a sua passividade perante uma eventual introdução da shari'a na Holanda. Em Abril deste ano, muçulmanos na Suécia exigiam a aplicação da shari'a. O mesmo se passa constantemente no Reino Unido e no Canadá, na Alemanha e em outras localidades como França, Itália, Dinamarca, etc. Basta procurar.

O Rui acha que o Papa é islamófobo por supostamente dizer que o Islão é irracional mas pensa que Ahmadinejad já é um verdadeiro promotor do dialogo inter-religioso e da paz entre religiões. Será que estamos a falar da mesma pessoa que diz que o Holocausto não existiu (algo muito insultuoso para os judeus) e que de vez em quando deixa escapar que deseja que Israel, o único país do mundo onde o judaísmo é maioritário, deixasse de existir?

Parece que ninguém se preocupa com as sensibilidade dos judeus, qualquer pessoa pode dizer mal deles e de Israel porque certamente estes não vão correr a detonar-se em actos terroristas ou fazem ameaças de morte. Quem reage com violência extrema, incutindo o medo a qualquer crítico, é premiado com o discurso da capitulação da liberdade de expressão e do apelo ao bom senso para evitar ofender as sensibilidades. Ainda assim há quem julgue que afinal o islão e a história do islamismo podem ser "interpretados" de muitas formas e dependem do contexto em que são inseridos, mas atenção – o discurso do Papa só tem uma interpretação inequívoca, a do insulto xenófobo directo ao mundo muçulmano.

Para terminar, independentemente de concordar ou não com o Papa, penso que ele tem todo o direito de emitir a sua opinião sobre qualquer que seja o assunto, assim como o fez quando apelou ao cessar-fogo no último conflito entre Israel e o Hezbollah. Azar dos muçulmanos se se sentem ofendidos e insultados, seja por citações da idade média, cartoons com caricaturas do seu profeta ou a homossexualidade no ocidente. Há muito boa gente que se sente insultada e ofendida quando alguém deseja suprimir a liberdade de expressão e, no entanto, não apela a ninguém para que se cortem cabeças, destruam embaixadas ou se invada Meca.

Monday, September 25, 2006

Sonho europeu

European job-killing machine de Richard W. Rahn
The European Court of Justice has just ordered the British to adopt some of the more rigid work rules of Continental Europe. One reason the British have prospered more and have almost half of the unemployment rate of Germany and France is the British have much more flexible work rules. Now the European Union demands the staff in British firms have at least 11 hours off between work days, a minimum of one day off per week, and an extended break at least every six hours.

(...)

A major reason the U.S. has grown more rapidly than most other developed countries is that unions and the government have, for the most part, been sensible enough to recognize both differences in job requirements and in personal preferences to allow employees and employers to voluntarily find ways to accommodate each other's needs to everyone's benefit. France, Germany and some of the other European countries have extremely rigid work rules, such as the French requirement that workers not work more than 35 hours weekly, even if they want to, and the almost impossibility of firing workers, no matter how lazy and incompetent. The predictable result is there has been little growth in private-sector employment in these countries -- the U.S., with a smaller population, has created more private sector jobs in the last four years than Europe has in the last 20.

Sweden is often cited as an example of the success of the high-tax high-spend European model. But in fact, Sweden has created virtually no new net private sector jobs since 1950, and has fallen from the fourth-richest, on a per capita basis, member of the Organization for Economic Cooperation and Development (the group of major industrial countries) in 1970 to only 16th now.

Aviso à gravitação



Aos poucos e pobres degraçados que costumam ler o que por aqui se escreve através de um feed reader como o Bloglines ou utilizando qualquer outro método que envolva a subscrição da extensão .xml que o Blogger publicava para o My Guide to your Galaxy, convém anunciar que na versão beta do Blogger em que este blogue se encontra está em fase experimental e a feed antiga em formato Atom deixou de ser válida, como provavelmente já terão reparado.

O novo endereço (também em Atom) que o Blogger publica para este blogue encontra-se nesta ligação. Entretanto, a antiga feed que era utilizada no Bloglines ficou também desactivada e a nova parece estar a ser publicada neste endereço.

As minhas desculpas pela pequena oscilação orbital.

Wafa Sultan, a islamófoba

Wafa Sultan:

O grande e tão popular argumento de Ibrahim Al-Khouli:
"If you are a heretic, there is no point in rebuking you, since you have blasphemed against Islam, the Prophet, and the Koran..."

Outros "islamófobos" famosos com a cabeça a prémio: Ibn Warraq, Hirsi Ali, Walid Shoebat, Ali Sina, Salman Rushdie.

Saturday, September 23, 2006

Ciência vs. (?) religião



A day without yesterday

In January 1933, the Belgian mathematician and Catholic priest Georges Lemaitre traveled with Albert Einstein to California for a series of seminars. After the Belgian detailed his Big Bang theory, Einstein stood up applauded, and said, "This is the most beautiful and satisfactory explanation of creation to which I have ever listened." Lemaitre’s theory, the idea that there was a burst of fireworks which marked the beginning of time and space on "a day without yesterday", was a radical departure from prevailing scientific understandings, though it has since come to be the most probable explanation for the origin of the universe.

Friday, September 22, 2006

War is peace


«The only reward of those who make war upon Allah and His messenger and strive after corruption in the land will be that they will be killed or crucified, or have their hands and feet on alternate sides cut off, or will be expelled out of the land. Such will be their degradation in the world, and in the Hereafter theirs will be an awful doom» Qur'an, 5:33

A parte mais interessante surge quando se tentam conjugar afirmações como esta com os mandamentos que exigem a um muçulmano que participe na jihad (seja em que formato for) e que converta os descrentes. Claro que esta citação só por si não quer dizer nada, a noção linguística de «fazer guerra com Alá» é muito vaga. Mas como evitar a guerra com Alá quando Alá comanda que todos os infiéis sejam convertidos ao Islão ou que sofram as consequências? Como evitar a guerra quando a liberdade de expressão é vista como uma blasfémia, sendo esta punível com a morte?




A ler integralmente, os artigos de Pacheco Pereira (O que no discurso do Papa interpela o Islão?), de Alberto Gonçalves (Citações e obituários, publicado no Observatório da Jihad) e de Carlos Marques de Almeida (O Papa de Roma).

Ferir susceptibilidades II

«They long that ye should disbelieve even as they disbelieve, that ye may be upon a level (with them). So choose not friends from them till they forsake their homes in the way of Allah; if they turn back (to enmity) then take them and kill them wherever ye find them, and choose no friend nor helper from among them.» Qur'an, 4:88

(...)

«Ye will find others who desire that they should have security from you, and security from their own folk. So often as they are returned to hostility they are plunged therein. If they keep not aloof from you nor offer you peace nor hold their hands, then take them and kill them wherever ye find them. Against such We have given you clear warrant.» Qur'an, 4:91


***

1. Em nenhuma parte do discurso se discute a questão ocidente vs. oriente que não é o que é analisado, mas sim a racionalidade [logos] vs. irracionalidade e a sua relação com o uso da violência. Por isso, afirmar que o Papa diz que o Islão é irracional porque é oriental é absurdo. O Papa não diz nada acerca das religiões orientais (no oriente há muita coisa para além do Islão), nem sequer afirma que estas são necessariamente irracionais por não estarem ligadas à tradição filosófica helenística - apenas que o conhecimento sobre Deus, a profissão da fé e o estudo da doutrina religiosa devem ser executados de uma forma racional e que, por essas mesmas razões, se voltarmos atrás no texto, não podem ser guiados pela violência, que é irracional. Não sei se o Rui Fernandes está a perceber onde eu quero chegar - é o equivalente a ler a sua resposta e dizer que como o Rui está a dizer que o Papa esta a insultar o Islão, com isso estará a querer atingir a Igreja Católica e é um anti-clerical, por isso deve ser um nazi jacobino. A lógica por associação pode levar-nos a praticamente qualquer lado. O que me faz confusão em particular é o facto de tantos muçulmanos e não-muçulmanos se incomodarem com a ideia de que Maomé seria violento (e por conseguinte, o Islão), quando o Alcorão está recheado de citações de encorajamento mais que evidente à violência e à irracionalidade como aquelas ali acima que apelam à morte dos infiéis. E, obviamente, não são exemplo único.
2. Não vejo onde é que é possível «interpretar» com tantas certezas que Bento XVI é islamófobo. E se tivesse verdadeiramente aversão ao Islão, certamente teria as suas razões, que, se fossem bem fundamentadas, seriam importantes de analisar. Muitos líderes religiosos islâmicos dizem constantemente coisas muito mais claras e profanas sobre outras religiões que passam completamente despercebidas porque nessas religiões ninguém lhes faz caso (a tal coisa chamada tolerância religiosa que muitos islâmicos não conhecem). Na verdade, o Islão tem um problema muito sério com todas as religiões, monoteístas ou politeístas, racionais ou irracionais, ocidentais ou orientais simplesmente porque são outras religiões que não o Islão. É a única religião maioritária que conheço que comanda os seus fiéis a entrar numa guerra santa (sic) de conversão ou submissão dos descrentes.

3. Não há nenhum erro de análise histórica no que eu disse. Aliás, o erro histórico está nos que pensam que a agressão islâmica em nome de Alá é um fenómeno novo. Esquartejar, subjugar e dominar em nome de Alá foi uma coisa que se iniciou há 14 séculos atrás com Maomé, ou seja, faz parte da história do Islão, e continuou até aos dias de hoje. Maomé foi, entre outras coisas, um líder militar que participou em dezenas de guerras e não propriamente um pacifista.

4. As comparações a judeus e a cristãos que cometeram actos terroristas são uma defesa muito recorrente mas não levam a lado nenhum. Porquê? Porque eu não estou a propor que ninguém se converta ao cristianismo ou ao judaísmo, nem sequer a defender estas religiões. É um erro frequente encarar qualquer crítica a esta atitude islâmica como se o autor fosse sempre uma espécie de missionário ou evangelista, o que só serve para dispersar.

Contudo, há várias coisas a clarificar. Primeiro, se a justificação de qualquer que seja o terrorismo praticado por cristãos ou judeus reside na sua religião e se este é praticado em nome do deus judaico ou cristão. Quantos terroristas cristãos e judeus é que o Rui vê por aí a gritar "Deus é grande" e a matar pessoas normais apenas porque são infiéis e porque a sua religião o comanda?

O segundo ponto, e porque o Rui diz, quanto às minhas afirmações sobre o Islão, que «haveria sido ridículo formular por um cristão a um maometano em outras épocas e situações», em que parte do Novo Testamento, que é a parte mais importante da Bíblia para os cristãos, é que se encontram indicações sobre como os membros de outras religiões devem ser perseguidos, convertidos à força, executados, ter um estatuto legal inferior para garantir a sua sobrevivência ou são dados exemplos (i)morais acerca destas situações? E em quantos países maioritariamente cristãos é que tais ideias são correntes e são praticadas ao abrigo da lei ou como parte desta? Quantos países maioritariamente cristãos são teocratas e aplicam leis contra a blasfémia ou heresia ao cristianismo? E nas situações em que os países cristãos o fizeram no passado, quais eram os ensinamentos de Cristo que os obrigavam a fazer tal coisa?

O mesmo pode ser questionado relativamente ao judaísmo. Claro que no Pentateuco há muita indiciação à violência, como nos livros do Levítico e do Deuteronómio, mas somos forçados a regressar à questão essencial - quem são os judeus (porque o Pentateuco corresponde à Tora) ou os cristãos que seguem estes mandamentos ou os incluem na lei? Quem são, mesmo entre os que reclamam uma exegese literalista, os que desejam aplicá-los e o fazem? Volto a frisar - o que nós vemos é um terrorismo a nível global em nome do Islão, e não um terrorismo em nome dos valores cristãos e/ou judaicos, o que, aliás, seria bastante contraditório.

Nada disto seria relevante se a filosofia de interpretação literalista dos textos islâmicos não fosse tão vulgar e abrangente, sendo esse o terceiro ponto a recordar - qual a quantidade de pessoas cristãs e judaicas que partilha uma defesa do terrorismo em nome da sua religião? Qual é a aceitação que têm estes grupos entre os outros praticantes?

Quem analisar todas estas questões de forma racional chegará à conclusão óbvia, por mais difícil que seja de retirar, de que comparar as religiões sobre estes parâmetros faz pouco sentido. E para isso não é necesário sequer ler sobre documentos teológicos, basta ir lendo as notícias internacionais que não só mostram esta violência islâmica nos países de outras religiões, como nos islâmicos entre facções distintas, que se vêem mutuamente como hereges e se tentam extinguir. O que não deixa de ser curioso em tudo isto é que o Islão acaba por ser irracional quase por definição, porque para uma grande parte os ensinamentos presentes nos seus escritos, que são vistos como a palavra sagrada e directa de Alá, devem ser seguidos de forma literal. Para a generalidade não há estudo hermenêutico necessário, há simplesmente submissão (o significado da etimologia de Islão). Por isso, a ideia de defender que a tese do Papa sobre a irracionalidade do Islão - que por si é uma dedução do que é dito - é uma imbecilidade é quase uma espécie de imbecilidade em si própria.

Só uma nota aparte. Eu não faço "acusações" nenhumas contra os "árabes", e respectiva história ou cultura. Sejamos claros. Estamos a falar de muçulmanos - não é preciso ser árabe para ser muçulmano, nem todos os árabes são muçulmanos.

5. Falar de islamofobia quando ela não existe é uma forma de dissuadir as pessoas de discutir os assuntos de forma séria. Quem alguém tem medo de ser acusado de racista não se atreve a dizer o que pensa - é uma forma de tentativa de bloqueio à discussão. Mais uma vez, comparar cristianismo e seus princípios com islamismo é um erro muito grave. Dizer que todas as religiões podem ter as suas coisas más é uma coisa, mas insistir que estão todas numa espécie de nível semelhante porque as civilizações que as adoptaram cometeram, qualitativamente, erros históricos ou fizeram coisas menos boas é uma forma pouco isenta de diminuir os mandamentos que cada religão postula e a quantificação dos erros das civilizações quando correlacionados com os ensinamentos das respectivas religiões. Para além de ser terrivelmente falacioso, porque dois errados não fazem um certo, as civilizações só devem ser analisadas na sua medida religiosa de acordo com aquilo que é expresso nesses mesmos valores religiosos que professam, aqueles que decidem aplicar às suas sociedades e ao seu modo de vida e que tipos de eventos são derivados desses princípios.

6. O discurso de Bento XVI é um discurso tipicamente académico. Ele próprio o declara no início. Aquilo que para mim é mais preocupante é o facto de ao Rui Fernandes parecer mais importante demonstrar que quem concorda com o Papa é irracional, xenófobo, imoral, racista etc. e não que uma religião que não consegue obviamente lidar com criticas externas, um escrutínio público livre e a liberdade religiosa é, efectivamente, muito pouco racional e, como exposto aos olhos de todos, extremamente violenta. Mesmo que o Papa não o tenha dito explicitamente. Veja-se por exemplo, como encaram os cristãos a crítica à sua religião - matam, ameaçam, proíbem e condenam?

Leituras e fotos

1. Licença para pensar, Tiago Mendes [cada vez que defendo qualquer coisa muito parecida com isto há quem me chame traidor à pátria]

2. The new titans, The Economist [as economias emergentes que estão a ser exploradas crescem a um ritmo muito superior ao dos países desenvolvidos. Mistério...]

3. Pulsars prove Einstein right (nearly), Physics World [teoria da relativdade geral testada com um erro (exactidão) de 0.05%]

4. A missão Cassini-Huygens continua a enviar fotos de Saturno e já descobriu um novo anel. Algumas fotos abaixo:



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Thursday, September 21, 2006

Escorregadela crassa

Após 3 dias de intensa contestação na Hungria, por esta altura já Ferenc Gyurcsány se terá arrependido de ter assumido publicamente que a sua profissão era ser político.

Wednesday, September 20, 2006

Tragam cadeiras e sentem-se

Chavez tells UN Bush is 'devil'
"The devil came here yesterday," he said, referring to Mr Bush's speech on Tuesday. "It still smells of sulphur today," he added.
Tendo em conta o impacto progressivo que o catolicismo parece estar a ter nas visões políticas e declarações de Hugo Chávez, aguarda-se a qualquer momento que tanta referência constante ao universo religioso provoque a indignação da esquerda anti-fundamentalismo cristão que tanto tem demonstrado ultimamente o seu incómodo perante Bush, o homem que até diz falar com Deus.

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Outro exemplo recente:

"Do they want war because they have the devil inside them?" demanded Venezuelan President Hugo Chávez, speaking of the Jewish state. (...) But the Venezuelan wasn't finished. Israel's acts, he said, reminded him of a time when Simon Bolivar had invoked the story of Cain and Abel to talk about an enemy. "Bolivar said that day: 'God, if you have justice, throw a lightning bolt at the monsters,' " Chávez pronounced. "I would say today: 'God, throw the lightning bolts at the monsters.', 7 de Agosto, Washington Post