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Friday, August 04, 2006

The truth is out there (reposição)

Uma refutação do socialismo através dos factos. Aqueles mesmos factos que o mundo já aceitou na prática (incluindo a China e a Rússia) mas continua a combater ideologicamente. Um artigo excelente para guardar e mostrar aos amiguinhos marxistas, especialmente aos que procuram erradicar a pobreza.

The Wealth of Generations: Capitalism and the Belief in the Future de Johan Norberg:
What happened was that the proletarians became middle class, and the middle class began to live like the upper class. And the most liberal country, England, led the way. According to the trends of mankind until then, it would take 2 000 years to double the average income. In the mid-19th century, the British did it in 30 years. When Marx died in 1883, the average Englishman was three times richer than he was when Marx was born in 1818.

(...)

Another reason for this happiness is that a liberal and market-oriented society allows people freedom to choose. If we get used to it we will get increasingly better at choosing to live and work in ways we like. And if you don’t think you get happier by hard work and mobility, just skip it. A survey showed that 48 percent of Americans had, in the last five years, reduced their working hours, declined promotion, lowered their material expectations or moved to a quieter place. Fast-food or slow-food, no logo or pro logo? In a liberal society, you decide. That is, as long as we are free to make the decisions ourselves. Those who use happiness studies to put forth an anti-market agenda would deny us that freedom. They would tell us how to live our lives, and therefore they would reduce our ability to make such decisions in the future.

[Outubro de 2005]

Tigre celta


The luck of the Irish, The Economist, Oct 14th 2004

The Celtic Tiger, Benjamin Powell (Tech Central Station), 10 Sep 2002

Markets Created a Pot of Gold in Ireland, Benjamin Powell (Cato Institute), April 21, 2003

How Ireland Became the Celtic Tiger, Sean Dorgan (Heritage Foundation), June 23, 2006

A leste, nada de novo III

A resposta às últimas afirmações (relevantes) feitas pelo Saboteur antes das suas férias. Por uma questão de clareza, esclarecimentos meus sobre insinuações ou outras provocações não serão encontrados aqui. Quem entendeu o que disse na segunda parte não precisará de muito mais.

A única coisa que me deixa curioso é o facto de ainda nenhum de vocês ter tomado a iniciativa de rejeitar claramente o regime norte-coreano, apesar de a Joystick se ter picado com a ironia e o Saboteur dizer que eu sou um cretino no que toca ao conhecimento sobre socialismo e comunismo. Não sei se desejam iluminar-nos, a mim e aos restantes leitores. Também não sei se devo presumir que estou a tocar num assunto delicado e que aceitam o modelo de Pyongyang. Caso contrário, que aplicação da luta de classes têm exactamente em mente? URSS, China, Camboja, Albânia, Bielorrússia, Vietname, Cuba, Roménia, Angola, facções da guerra civil espanhola ou algo assim? Faço votos para que não seja uma coisa nova e refrescante do género "nenhum deles, porque não foi bem aplicado", "a revolução desvirtuou-se" ou "é preciso mudar as mentalidades primeiro".

Os comentários às opiniões lançadas sobre o artigo, a quem possa interessar:

1. A sua crítica baseia-se na típica confrontação da teoria com a realidade experimental. Nem eu disse que a concorrência era perfeita, nem que os mercados se equilibravam automaticamente, nem que os agentes faziam escolhas racionais, no sentido de percepção objectiva por um agente externo. Nenhuma destas coisas está implícita no artigo. Portanto, não faz sentido dizer que não sou heterodoxo, quando não penso nem ando com modelos marxistas, keynesianos ou sequer neo-clássicos no bolso à espera de ser sacados na devida altura. Assim, talvez seja boa ideia criticar o que está escrito em vez de se recorrer ao manual de instruções sobre o que criticar, para dar a ideia de uma qualquer falha epistemológica e ganhar mais uns adeptos.

2. O Saboteur diz que a pobreza é um problema de distribuição para depois embarcar no tradicional lugar-comum de que as pessoas estão desesperadas com a fome e, sem alternativas para sobreviver, trabalham para comer, embora não o tenham escolhido livremente. Aqui há o problema típico da abstracção total da realidade. Não existe quem consiga sobreviver sem ter de despender energia (sob forma mecânica ou de calor), ou seja, trabalhar para se alimentar. A comida não surge de forma automática a ser consumida: é produzida, transformada e transportada. Certamente que podemos dizer que o Homem não é livre porque é obrigado a fazer alguma coisa para sobreviver. No entanto, é necessário ter em mente que isso é uma crítica às leis físicas do Universo e à génese da espécie humana, o que torna a discussão em algo absurdo.

Quanto mais a riqueza for distribuída, mais se desincentiva a sua produção porque, ao não poder ser usada para a intenção de quem a gera, deixa de haver razão para produzir tanto, o que inibe o processo de crescimento. A torneira do dinheiro para subsídios, ordenados da função pública, etc. vai fechando aos poucos, até que o Estado abre falência ou aceita a liberalização na esperança de salvar a sua estrutura. Se se decidir que ter de trabalhar significa não ser livre, então o Homem nunca será livre nem alguma vez o foi. E infinitamente menos sob regimes socialistas (de toda a espécie), onde está obrigado a que o seu trabalho seja roubado sem ter direito de escolha sobre o seu destino. É esta uma das razões pelas quais muitos dos países mais pobres a nível mundial continuam a ser os mais pobres [ver ligações do ponto 5].

4. O bem-comum é um conceito propositadamente vago e desprovido de sentido porque não se pode definir algo que é subjectivo de uma forma colectiva. E o planeamento central já deu as provas da sua "ineficácia" (eufemismo) do ponto de vista económico e devastação do ponto de vista humano e social. Vários milhões tiveram de morrer para implementar essa forma de direcção espectacular que foi a autêntica praga do século XX e matou mais gente do que qualquer outra ideologia na história. Uma coisa é certa: é, de facto, a melhor forma de literalmente acabar com a pobreza e com a fome. Não havendo procura, não há necessidade de existência de oferta. Já vimos suficientes vezes esse exemplo aplicado à realidade, que tanto tem sido defendida no Spectrum, comparativamente aos alegados modelos de "sala de aula".

5. O comentário sobre a Irlanda não tinha directamente a ver com o sistema educativo. No entanto, ainda bem que é reconhecido que a Irlanda é um país evoluído e com um bem-estar cada vez maior. Agora, consulte-se aqui o índice de liberdade económica da Heritage Foundation, e onde se situa a Irlanda, ou se preferível, o índice do Fraser Institute [pdf] (outros parâmetros). Agora recorde-se o nível de riqueza média por pessoa da Irlanda (~$41.000), o ritmo a que continua a crescer (~5% ao ano) e a sua taxa de desemprego (~4%). [CIA Factbook] Alguma relação com o que eu afirmei no artigo? A Irlanda sempre foi um país tradicionalmente pobre. Outro bom exemplo é a Estónia, embora tenha referido a Irlanda precisamente pela semelhança que apresenta com Portugal, tendo em conta a condição descrita na frase anterior.

Thursday, August 03, 2006

Brønsted-Lowry

Carbonato sódico de di-hidróxido de alumínio



Posologia:

1 ou 2 comprimidos por cada refeição do dia, nem sabem o bem que fazia.

Disclaimer



O meu artigo tem feito chover bastantes críticas. Por um lado isso é bom, por outro é mau.

Primeiro, é bom, porque significa que as pessoas o leram. O facto de não o criticarem positivamente não significa que não concordem ou que não tenham ficado a pensar no que foi analisado. Muitas vezes é apenas um fenómeno psicológico de reacção que as faz defender aquilo que está mais enraizado nas suas crenças (está-se a lidar com uma religião) ou uma forma de se tentarem convencer a si próprias do que pensam, à medida que contestam o que foi afirmado, esperando ser provocadas novamente para testar as suas próprias convicções.

Por outro lado, é mau, uma vez que a maior parte das pessoas em Portugal julga que as discussões ideológicas ou académicas são uma espécie de toca e foge. A reacção típica é um refúgio sobre um qualquer lugar-comum ou frase feita já inventada há décadas atrás. O problema surge quando se questiona sobre o fundamento dessa ideia. Aí os argumentos, se existirem, começam a escassear. Muitos desistem de imediato da discussão, avançando que não discutem política, como se se tratasse de uma questão de equipas de futebol. Outros, ficam com um ar muito intrigado e não esboçam nenhuma resposta, acabando por se calar ou chegar a um ponto em que insultam o mensageiro. A versão blogosférica deste fenómeno são os apontamentos fugazes feitos nas caixas de comentários e que, depois de questionados sobre a sua base argumentativa, ficam sempre sem resposta. Passam-se semanas e o contador de estatísticas diz que essas pessoas voltaram mas a pergunta ficou para sempre sozinha no meio de tanta asneirada política e/ou económica.

Outros ainda, ficarão perdidos num "talvez tenha razão", sem assumir que a outra parte efectivamente a tem e recusando-se, mesmo perante a sua incapacidade de argumentar, a dar o braço a torcer e aceitar uma realidade que se forma diante dos seus olhos, mas a qual têm uma dificuldade enorme em interiorizar.

Vem isto a propósito da crítica que mais tenho notado; a versão complementar, mas implícita, da mentira que exponho no artigo. Lado a lado com a ideia de que o capitalismo explora os pobres (isto já vem da revolução industrial), caminha a de que apenas os ricos podem defender o capitalismo. Ou seja, consequentemente, eu sou rico e devo estar a nadar em dinheiro.

Vamos lá pensar juntos um bocadinho. Se eu fosse rico, estaria aqui durante as minhas horas livres a escrever (a custo zero) para umas poucas dezenas de gatos-pingados cuja maioria não conheço de lado nenhum, quando a classe média e alta está praticamente toda de férias, em pleno Agosto? Incomodava-me em comentar assuntos que julgo serem relevantes, não só para mim, como também para os outros? Qual seria o estímulo para os poucos - mas perseverantes - liberais da blogosfera portuguesa manterem os seus blogues em actividade durante todo o ano, incluindo o Verão em muitos casos, quando poderiam estar a usar o seu dinheiro numa qualquer estância de luxo?

Ganhem juízo. E em vez de me pedirem para "pensar nos mais pobres" ou qualquer outro chavão zen, pensem vocês na pobreza intelectual que vai dentro dessas cabecinhas e se há alguma forma de alterar isso. Já agora, nada de benefícios burgueses por aqui, como essa coisa a que chamam de férias. Terão de me aturar durante o resto do Verão. Passem por cá se desejarem ou não tiverem nada melhor que fazer. Cá estarei, com qualquer coisa escrita recentemente sobre um tópico que julgue relevante.

Wednesday, August 02, 2006

Pavlov

Capitalismo!

A leste, nada de novo II

[Seja bem-vindo, caro leitor do Spectrum. O artigo em discussão encontra-se aqui. Sinta-se à vontade para ler. No melhor dos princípios capitalistas, está disponível de forma totalmente gratuita]

O Joystick, um colega do Sr. Saboteur, respondeu-me (talvez seja apenas um alter ego, em regimes colectivistas não há diferenciação pessoal, é tudo uma só entidade colectiva e unida) para se entreter a fazer uma pequena estalinização colectiva pessoal do que eu escrevi previamente.

Não compreendo por que razão se preocupa subitamente com as técnicas de argumentação e com a minha (semi-)ironia sobre a Coreia do Norte; é que não mostrou nenhuma indignação perante o que o seu colega de blogue fez inicialmente e que, ao contrário do que foi por aqui dito como reacção, não teve a delicadeza de evitar o ataque pessoal. Talvez assumam que os visados não lêem e, por isso, dizem as coisas que vos apetece sem que haja direito ou intenção de resposta? Na verdade, não só duvidosamente me tentou ligar aos EUA - mas, claro, eu é que desvio o assunto ao falar da Coreia do Norte - e ao neo-conservadorismo (o que seria incrivelmente irrelevante, mesmo a ser verdade), como criticou e apontou características tão importantes para a questão como a minha idade, a forma do meu artigo (conteúdo, nem pensar, isso, para além de dar trabalho, é difícil), o meu presumível pedantismo e se pôs a inventar mentiras sobre o que se dizia por aqui acerca da guerra no Líbano, etc. Quer mesmo que eu faça uma lista extensiva das falácias que ele cometeu ou já percebeu que as suas observações e tentativas de ridicularização são próprias de quem vive num clip do Gato Fedorento?


Porque não estou com muita vontade de discutir solipsismos, aqui ficam quatro breves esclarecimentos:

1. Em todas as transacções livres, conscientes e voluntárias, não há, por definição, coacção. A coacção a que me refiro é a existência de intimidação ou ameaça por parte de um dos envolvidos. Como estamos a falar de capitalismo, ou seja, de homens livres e transacções livres, não existe coação entre as partes. Quando muito, a única entidade que age por meio de coação (e desincentivo) é o Estado, encarregando-se de regular tanto a transacção como os valores envolvidos. Mas mesmo no caso do capitalismo, essa coação - ainda que externa à transacção - ou não existe ou é mínima.

2. Não sei que mais precisa de ser demonstrado. Talvez o Joystick (nome familiar) seja rico e não sinta tanto esses problemas na pele como os mais pobres. Se for esse o caso, também compreendo que não conheça nenhum pobre (a esquerda leva isso da divisão de classes muito a sério) que alguma vez se tenha queixado de falta de dinheiro ou de falta de produtos mais baratos. Tente lá relacionar isso com o que disse no artigo sobre impostos, regulações e investimento. Quanto aos impostos, acha mesmo que os eleitores sabem que o socialismo defende a existência de impostos (elevados)? É que a maioria julga que a questão dos impostos é independente de ideologias políticas, pertencendo apenas à opção casual de um partido ou ligada a conjunturas económicas particulares. Será que esta informação é do interesse dos eleitores ou não a devemos divulgar?

3. Se permite concluir algo é que a existência de regulação social danifica os mecanismos normais de transferência de informação e riqueza numa sociedade livre, que é exactamente o oposto da conclusão que o Joystick sugere. Já agora, mercado não significa empresários ricos, nem empresários pobres. É apenas outro nome para o conjunto todos as pessoas envolvidas em actividades económicas. Mercado significa nada mais, nada menos, do que a faceta económica das pessoas, da sociedade.

4. Muita, muita confusão. A economia não pode ser uma entidade divina quando é uma consequência natural da actividade humana. E está tão próxima do Homem (há uma diferença entre o que se gostaria que fosse a realidade e o que é efectivamente a realidade) que a mais pequena oscilação influencia toda a gente. Compreendeu a parte sobre a noção de corpo dinâmico ou o alegado barroquismo do texto também o deixou confuso? Quanto à responsabilidade humana, é muito curioso o que diz. É que não consigo imaginar outro regime económico que mais assente sobre a "responsabilidade humana sobre os seus próprios sobre actos e escolhas" do que o capitalismo, que se baseia precisamente na responsabilização individual dos seres humanos pelas seus acções. Liberdade e responsabilidade andam constantemente de mãos dadas. Julgar que o capitalismo menospreza o Homem é muito bonito em termos poéticos. Mas como vivemos mundo real e não no do existencialismo, quais são exactamente as outras opções existentes que não menosprezem o Homem e permitam que este seja livre para dar cor às suas capacidades e potencialidades?

Para finalizar, não compreendo exactamente qual é a vossa oposição ideológica ao meu artigo. Pensei que o comunismo era a favor da heresia e do pensamento revolucionário, contra-corrente.

Tuesday, August 01, 2006

A leste, nada de novo

Dia D: Comunismo, disfarçado de falácia ad hominem, a favor claro da discriminação etária e política. Para quando a tão desejada mudança para o paraíso democrático da Coreia do Norte?

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Nota: Não foi explicado nada sobre o que era o artigo e em que consistia. Repulsa ideológica ou medo de que algum dos leitores pudesse ficar com vontade de o ler?

Mitologia do pauperismo

Texto publicado ontem, 31 de Julho, na Dia D:

Um dos argumentos tipicamente dissuasores do capitalismo baseia-se na sua suposta aplicação exclusiva a sociedades abastadas. Outras versões mais comuns da mesma tentativa infrutífera de refutação passam por afirmar que esta forma de organização económica apenas beneficia os ricos, pois aumenta a sua riqueza através da "exploração" dos mais pobres. Tal mundividência deturpada revela, de uma forma bastante ilustrativa, como a análise factual dos que reclamam defender a aplicação de políticas de protecção social é, na verdade, demasiado simplista e pueril quando comparada com as intenções alegadas no seu discurso sobrecarregado de influência marxista.

Deliberadamente viciados a interpretar a economia como um acto bélico, os detractores da liberdade constantemente esquecem que cada transacção económica consciente e voluntária apenas se verifica quando ambas as partes crêem obter de si um benefício, uma vez que seria necessária a recorrência à coacção para que o contrário fosse expectável. O indivíduo x não pode “explorar” o indivíduo y quando ambos concordam e aceitam as condições previstas no contrato estabelecido, seja ele de natureza comercial ou laboral e sejam os indivíduos x e y, alternadamente, ricos ou pobres.

Em paralelo, a economia ressente-se de forma dinâmica quando um dos parâmetros que mais a influencia é significativamente modificado, sendo irrealista presumir que a abusiva acção fiscal e reguladora dos governos não representa um fardo para a sociedade da qual todos – pobres e ricos – são parte integrante. Quem ignora os efeitos de tais escolhas tende a avaliar erradamente os mais desfavorecidos como se estes estivessem isolados do sistema económico sobre o qual são pensadas as propostas a aplicar. Não só esta concepção é uma antítese da realidade como também se omite regularmente que na opção anti-capitalista os pobres não estão isentos de pagar impostos, reduzindo directamente o seu poder de compra, e são constantemente sujeitos a prejudiciais restrições de mercado que os impedem de consumir produtos adaptados à sua realidade financeira – e ao valor que lhes é subjectivamente atribuído – por meros caprichos definidos através de uma decisão fundamentada em critérios políticos.

Outro aspecto convenientemente olvidado é o resultado repelente que os impostos e outras imposições têm sobre o investimento feito num determinado país. A menos que se pretenda negar os benefícios evidentes da entrada (ou permanência) e aplicação de capitais quanto ao preço e à qualidade de produtos e serviços, as oportunidades de emprego existentes e respectivas melhorias a nível da competitividade da sua própria oferta, é bastante evidente que os mais pobres saem claramente lesados numa sociedade em que também os empresários mais ricos vêm a sua liberdade económica reduzida e, como tal, desincentivados da busca permanente pela eficiência na qualidade e distribuição dos recursos – critérios naturais inerentes ao crescimento económico – e obrigados a adaptar a oferta final ao consumidor de forma a cobrir os aumentos artificiais dos respectivos custos.

A suposição recorrente de que o capitalismo menospreza os mais pobres é, portanto, um mito. A sua natureza reside essencialmente na incompreensão sobre a origem da pobreza que, ao contrário do comummente sugerido, não consiste em assimetrias de distribuição mas sim de produção. Os países ricos apenas puderam adquirir tal estatuto através da concessão de maior liberdade aos seus cidadãos para produzir progressivamente bens mais valorizados, permitindo que estes detenham o direito legítimo ao fruto do seu trabalho de forma capitalista, ou seja, com liberdade para o comerciar num mercado também ele livre.

O caminho que Portugal que poderá trilhar, visando o abandono gradual do torpor económico que historicamente tolhe o seu desenvolvimento, é o equivalente aos dos países que, como no caso próximo e recente da Irlanda, transformaram as suas limitações de modo a acolher uma liberalização da economia e, consequentemente, um respectivo aumento da qualidade de vida. Esta via está inteiramente dependente do desejo dos portugueses em serem livres.

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Agradecem-se as simpáticas referências feitas nos blogues Blue Lounge, O Insurgente, A Arte da Fuga e Bodegas.

Monday, July 31, 2006

Divisão de poderes

Uma das acusações mais graves que se têm feito ultimamente a Israel é a sua faceta de Estado terrorista, numa lógica de atribuição das características que se desejam combater ao agente que as combate. Contudo, há poucas horas, aconteceu uma coisa deveras estranha, quase a roçar o bizarro paranormal. Uma situação que, à semelhança de casos como os de Abu Ghraib e quejandos, levou os dirigentes governamentais a estabelecer inquéritos internos para compreender exactamente o que ocorreu. Estou, obviamente, a falar da notícia do dia sobre o "massacre de Qana".

Israel diz ter suspendido os ataques aéreos durante as próximas 48 horas de maneira a investigar o que sucedeu, quais as razões da morte de mais de 50 pessoas, a discrepância de horários apresentada entre o ataque e a destruição do local e a aparente inépcia na evacuação das pessoas, apesar dos avisos emitidos. Contudo, Israel lamentou profunda e abertamente o evento e reconheceu de imediato que bombardeou a área.

Ora, deverá ser do conhecimento da maioria que as organizações terroristas, apesar da sua organização interna muitas vezes altamente delineada e cadeias de comando solidamente estruturadas, se caracterizam por uma total anomia de códigos éticos no que refere aos limites a impor às suas acções. Daí resulta que, de forma maquiavélica, não se olhe geralmente a meios para atingir os fins. Esta situação é a consequência evidente da falta de um sistema independente que permita distinguir entre os membros e a sua estrutura, como entre um Estado e um governo, ou seja, uma entidade abstracta com características definidas e os dirigentes responsáveis pela condução dessa entidade abstracta. Outra entidade externa, um sistema judicial (civil ou marcial), com auxílio de um código elaborado também ele por instituições independentes (a lei) poderá condenar ou responsabilizar o Estado por determinados acontecimentos, embora sejam pessoas concretas, que se encarregam de determinadas funções no seio da estrutura burocrática do Estado, o alvo das medidas determinadas. O cumprimento destas regras legais - independentes do governante - é um elemento-chave de um Estado democrático de direito.

Serve tudo isto para mostrar que Israel é um Estado que tem necessariamente de prestar contas pelas suas acções, assim como responsabilizar-se pelos erros militares que comete, ao contrário de organizações terroristas que obedecem apenas à voz de comando do líder supremo do momento e cuja atitude não pode sentir o freio de nenhuma constituição ou escrito fundamental que proteja os direitos essenciais dos civis em questão, nem estar dotada de nenhuma necessidade de justificar e assumir responsabilidades pelos eventuais crimes cometidos. Se, segundo os parâmetros usados, Israel é um Estado terrorista, então, Portugal também será um Estado terrorista porque se regula pelas mesmas formas de avaliação e balanço político. E este sistema deriva directamente do poder do voto que detêm os eleitores.

Claro que, de acordo com esta classificação, todas as democracias à face da Terra serão Estados terroristas, necessitando apenas o defensor da tese anunciada (paradoxalmente, em geral, um defensor ávido da democracia) que a vontade dos políticos ou militares não seja coincidente com as suas intenções pontuais, como é o caso típico e recorrente das críticas feitas ao Estado americano. Estados não-terroristas serão, certamente, por exemplo, a Venezuela e a Bolívia, onde a vontade colectiva dos eleitores conta cada vez menos para as decisões importantes e os (seus?) representantes se fundem cada vez mais com o próprio Estado e com a lei. Mas há que ter atenção. Nestes casos não se apelidam de terroristas porque, obviamente, os paraísos celestes não podem submeter-se a tal tentativa de nomenclatura terrena e prosaica.

Profetas da prolepse

Há alguns dias atrás, coloquei aqui uma ligação para o cartoon de Yaakov Kirschen, desenhado em 1992 (14 anos):



Kirschen presenteia-nos agora com um outro cartoon da sua autoria, desta vez desenhado no longínquo ano de 1982 (24 anos):



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Outras leitura importante (via O Insurgente):

The Vocabulary of Untruth
Words take on new meanings as Israel struggles to survive

Sunday, July 30, 2006

O cerne da questão é o que mais importa

Às vezes fica a sensação de que as pessoas que se limitam a analisar os acontecimentos, tal como eles ocorrem, e as suas consequências naturais têm uma espécie qualquer de amor pela guerra ou um seguidismo cegamente ideológico da política externa norte-americana.

Como é óbvio, não se trata de nada disso. Trata-se simplesmente de compreender a realidade. Aqueles que gritam constantemente pelo fim da guerra só podem servir a causa da perpetuação da guerra porque não compreendem a sua fonte. A causa de tantos conflitos militares na região não se deve nem ao rapto de soldados israelitas, nem ao lançamento de rockets por parte do Hezbollah (as partes que tendem a ser intuitivamente ignoradas) ou sequer à resposta de Israel. A origem da guerra está na incompatibilidade entre os interesses de israelitas e das sociedades islâmicas que os rodeiam. Os países adjacentes não reconhecem Israel e desejam a sua destruição, acontecendo o mesmo com os grupos terroristas que activamente apoiam para atingir determinado fim sem sujar directamente a mãos.

É por isso que a paz não se atinge com negociações diplomáticas nem com a finalização dos ataques fronteiriços de Israel. Ao contrário dos mais idealistas, que a cada disparo das tropas israelitas erguem uma bandeira do Líbano (ou do Hezbollah), quem defende a posição de Israel ou simplesmente se limita a encarar a realidade, compreende que se está a lidar com um problema que tem por questão central a própria existência da nação israelita.

Por isso é que a opção não é entre a paz imediata e a guerra. É entre a sobrevivência de Israel, tal como o conhecemos hoje, ou do desmantelamento das organizações terroristas que frequentemente atentam contra os seus cidadãos. Ao defender um cessar-fogo imediato ou um fim pronto das hostilidades, os alegados defensores da paz estão, na verdade, a defender a causa dos que estão a ser derrotados - o Hezbollah - e, portanto, a defender que a guerra deve continuar durante vários anos ou décadas a troco de um pequeno intervalo de alguns dias ou semanas, apenas para que regresse posteriormente com maior intensidade, visto que o Hezbollah poderá reconstituir as suas forças, receber maior ajuda externa de regimes como o iraniano ou o sírio e voltar a estabelecer as suas actividades normais na zona. Este é o principal problema com o envio de forças internacionais: ou efectuam um desarmamento eficaz do Hezbollah (continuação inevitável da guerra, mas desta vez degenerada num panorama internacional) ou se coopera passivamente com a presença do Hezbollah para que a situação regresse à actividade intensiva que presenciamos actualmente.

É por tudo isto que não adianta falar das mortes dos civis; em todas as guerras relevantes que a humanidade conheceu, civis foram mortos e isso não irá certamente mudar, em especial nas guerras em que são usados como arma, quer ofensiva, quer defensiva. Não é a questão central e serve apenas como via de fuga ao tema vital que realmente interessa. A única dúvida persistente, e porque a única forma de mostrar uma preocupação realista com o que acontece é analisar a questão acima referida, é entre entender quais os que estão abertamente contra a existência de Israel na região - quais as soluções alternativas que propõem, a sua legitimidade e a coerência com o restante contexto global relativo a outras situações idênticas - e aqueles que, como diz muito bem o João Miranda, são idiotas úteis ao serviço involuntário de um legado a que na verdade se opõem abertamente.

Thursday, July 27, 2006

A coerência do costume

Há algo solenemente intrigante em todo o contexto de manifestações que se estão a desenvolver um pouco por todo o mundo contra as acções do Estado de Israel. Durante décadas, os ataques terroristas, seja no Médio Oriente ou em qualquer outro local do planeta, nunca conseguiram reunir tanto protesto, com tanta frequência, incidência, diversificação geográfica e indignação. Os apoiantes e simpatizantes destas causas, sempre tão preocupados com os efeitos da islamofobia e a discriminação das minorias étnicas/religiosas oprimidas (o povo hebreu perfaz cerca de 0,2% da população mundial ao contrário do islâmico que anda por volta dos 20%), parecem ignorar propositadamente todas suas defesas tradicionais, em nome de uma aliança com os que desejam a destruição completa dos pilares da democracia liberal sobre os quais assenta a maioria das nações tidas como de tradição ocidental. Talvez daí decorra tanta identificação mútua e a exigência já ensurdecedora do cessar-fogo imediato, uma vez que provavelmente se sentem a perder a guerra que já não se verifica apenas dentro das suas cabeças, mas também na fronteira entre o Líbano e Israel.

Ainda bem que o anti-semitismo é apenas um chavão qualquer inventado pela máquina de propaganda da direita pro-americana. Qualquer dia alguém até poderia sugerir que os nazis ou os restantes socialistas tinham alguma coisa a ver com tudo isto.

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Adenda: O artigo de Pablo Molina na Libertad Digital:

«La manifestación de este pasado jueves, convocada por PSOE, IU, sus sindicatos pantalla y una gavilla de organizaciones subvencionadas, coloca nuevamente a la izquierda ante sus contradicciones más flagrantes. Señores que no soportan a un cura católico, defendiendo al "Partido de Dios" formado por fanáticos islamistas, pacifistas jaleando a grupos terroristas y feministas radicales entusiasmadas con una subcultura que niega a la mujer sus derechos; todo ello aliñado con la foto inolvidable del presidente más insolvente de la Historia de España, luciendo simbología panarabista como un vulgar mozalbete camino del "insti".

La participación de renombrados activistas homosexuales en la algarada, entra ya de lleno en el terreno de la psicopatología. Los referentes morales que les despiertan más simpatía son el castrismo y el integrismo islámico. El primero encarcela a los gays para "reeducarlos", el segundo los ahorca para redimirlos.»

Wednesday, July 26, 2006

Conversão próxima

Isto do pacifismo é uma coisa muito complicada. Depois do assunto de Israel resolvido, qual será mesmo o próximo país democrático para com o qual os pacifistas vão demonstrar hostilidade e as milícias armadas de resistência terrorista pelas quais irão manifestar apoio incontestável e simpatia?

Pacifismo

s.m.,

ideologia política segundo a qual um povo, nação ou estado não tem o direito à reacção militar coordenada quando atacado por forças externas ou internas com o objectivo claro e identificado de colocar em risco a sua existência e a manutenção do estatuto presente no momento ou período do ataque, ainda que tal exigência não se aplique à outra parte do conflito, em especial se esta se tratar de uma força terrorista islâmica com objectivos bélicos disfarçados sob a forma de revelação divina; cagufa de todo o tamanho.

pop. filosofia de vida a defender, excepto quando se pensa em Espanha. Nesse caso, toda e qualquer declaração proferida em castelhano, por mais pacífica e amistosa que seja, é prova incontestável de que todos os portugueses de gema devem recorrer às armas para se defender do invasor inimigo e proteger a sua pátria amada.