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Wednesday, August 02, 2006

A leste, nada de novo II

[Seja bem-vindo, caro leitor do Spectrum. O artigo em discussão encontra-se aqui. Sinta-se à vontade para ler. No melhor dos princípios capitalistas, está disponível de forma totalmente gratuita]

O Joystick, um colega do Sr. Saboteur, respondeu-me (talvez seja apenas um alter ego, em regimes colectivistas não há diferenciação pessoal, é tudo uma só entidade colectiva e unida) para se entreter a fazer uma pequena estalinização colectiva pessoal do que eu escrevi previamente.

Não compreendo por que razão se preocupa subitamente com as técnicas de argumentação e com a minha (semi-)ironia sobre a Coreia do Norte; é que não mostrou nenhuma indignação perante o que o seu colega de blogue fez inicialmente e que, ao contrário do que foi por aqui dito como reacção, não teve a delicadeza de evitar o ataque pessoal. Talvez assumam que os visados não lêem e, por isso, dizem as coisas que vos apetece sem que haja direito ou intenção de resposta? Na verdade, não só duvidosamente me tentou ligar aos EUA - mas, claro, eu é que desvio o assunto ao falar da Coreia do Norte - e ao neo-conservadorismo (o que seria incrivelmente irrelevante, mesmo a ser verdade), como criticou e apontou características tão importantes para a questão como a minha idade, a forma do meu artigo (conteúdo, nem pensar, isso, para além de dar trabalho, é difícil), o meu presumível pedantismo e se pôs a inventar mentiras sobre o que se dizia por aqui acerca da guerra no Líbano, etc. Quer mesmo que eu faça uma lista extensiva das falácias que ele cometeu ou já percebeu que as suas observações e tentativas de ridicularização são próprias de quem vive num clip do Gato Fedorento?


Porque não estou com muita vontade de discutir solipsismos, aqui ficam quatro breves esclarecimentos:

1. Em todas as transacções livres, conscientes e voluntárias, não há, por definição, coacção. A coacção a que me refiro é a existência de intimidação ou ameaça por parte de um dos envolvidos. Como estamos a falar de capitalismo, ou seja, de homens livres e transacções livres, não existe coação entre as partes. Quando muito, a única entidade que age por meio de coação (e desincentivo) é o Estado, encarregando-se de regular tanto a transacção como os valores envolvidos. Mas mesmo no caso do capitalismo, essa coação - ainda que externa à transacção - ou não existe ou é mínima.

2. Não sei que mais precisa de ser demonstrado. Talvez o Joystick (nome familiar) seja rico e não sinta tanto esses problemas na pele como os mais pobres. Se for esse o caso, também compreendo que não conheça nenhum pobre (a esquerda leva isso da divisão de classes muito a sério) que alguma vez se tenha queixado de falta de dinheiro ou de falta de produtos mais baratos. Tente lá relacionar isso com o que disse no artigo sobre impostos, regulações e investimento. Quanto aos impostos, acha mesmo que os eleitores sabem que o socialismo defende a existência de impostos (elevados)? É que a maioria julga que a questão dos impostos é independente de ideologias políticas, pertencendo apenas à opção casual de um partido ou ligada a conjunturas económicas particulares. Será que esta informação é do interesse dos eleitores ou não a devemos divulgar?

3. Se permite concluir algo é que a existência de regulação social danifica os mecanismos normais de transferência de informação e riqueza numa sociedade livre, que é exactamente o oposto da conclusão que o Joystick sugere. Já agora, mercado não significa empresários ricos, nem empresários pobres. É apenas outro nome para o conjunto todos as pessoas envolvidas em actividades económicas. Mercado significa nada mais, nada menos, do que a faceta económica das pessoas, da sociedade.

4. Muita, muita confusão. A economia não pode ser uma entidade divina quando é uma consequência natural da actividade humana. E está tão próxima do Homem (há uma diferença entre o que se gostaria que fosse a realidade e o que é efectivamente a realidade) que a mais pequena oscilação influencia toda a gente. Compreendeu a parte sobre a noção de corpo dinâmico ou o alegado barroquismo do texto também o deixou confuso? Quanto à responsabilidade humana, é muito curioso o que diz. É que não consigo imaginar outro regime económico que mais assente sobre a "responsabilidade humana sobre os seus próprios sobre actos e escolhas" do que o capitalismo, que se baseia precisamente na responsabilização individual dos seres humanos pelas seus acções. Liberdade e responsabilidade andam constantemente de mãos dadas. Julgar que o capitalismo menospreza o Homem é muito bonito em termos poéticos. Mas como vivemos mundo real e não no do existencialismo, quais são exactamente as outras opções existentes que não menosprezem o Homem e permitam que este seja livre para dar cor às suas capacidades e potencialidades?

Para finalizar, não compreendo exactamente qual é a vossa oposição ideológica ao meu artigo. Pensei que o comunismo era a favor da heresia e do pensamento revolucionário, contra-corrente.

Tuesday, August 01, 2006

A leste, nada de novo

Dia D: Comunismo, disfarçado de falácia ad hominem, a favor claro da discriminação etária e política. Para quando a tão desejada mudança para o paraíso democrático da Coreia do Norte?

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Nota: Não foi explicado nada sobre o que era o artigo e em que consistia. Repulsa ideológica ou medo de que algum dos leitores pudesse ficar com vontade de o ler?

Mitologia do pauperismo

Texto publicado ontem, 31 de Julho, na Dia D:

Um dos argumentos tipicamente dissuasores do capitalismo baseia-se na sua suposta aplicação exclusiva a sociedades abastadas. Outras versões mais comuns da mesma tentativa infrutífera de refutação passam por afirmar que esta forma de organização económica apenas beneficia os ricos, pois aumenta a sua riqueza através da "exploração" dos mais pobres. Tal mundividência deturpada revela, de uma forma bastante ilustrativa, como a análise factual dos que reclamam defender a aplicação de políticas de protecção social é, na verdade, demasiado simplista e pueril quando comparada com as intenções alegadas no seu discurso sobrecarregado de influência marxista.

Deliberadamente viciados a interpretar a economia como um acto bélico, os detractores da liberdade constantemente esquecem que cada transacção económica consciente e voluntária apenas se verifica quando ambas as partes crêem obter de si um benefício, uma vez que seria necessária a recorrência à coacção para que o contrário fosse expectável. O indivíduo x não pode “explorar” o indivíduo y quando ambos concordam e aceitam as condições previstas no contrato estabelecido, seja ele de natureza comercial ou laboral e sejam os indivíduos x e y, alternadamente, ricos ou pobres.

Em paralelo, a economia ressente-se de forma dinâmica quando um dos parâmetros que mais a influencia é significativamente modificado, sendo irrealista presumir que a abusiva acção fiscal e reguladora dos governos não representa um fardo para a sociedade da qual todos – pobres e ricos – são parte integrante. Quem ignora os efeitos de tais escolhas tende a avaliar erradamente os mais desfavorecidos como se estes estivessem isolados do sistema económico sobre o qual são pensadas as propostas a aplicar. Não só esta concepção é uma antítese da realidade como também se omite regularmente que na opção anti-capitalista os pobres não estão isentos de pagar impostos, reduzindo directamente o seu poder de compra, e são constantemente sujeitos a prejudiciais restrições de mercado que os impedem de consumir produtos adaptados à sua realidade financeira – e ao valor que lhes é subjectivamente atribuído – por meros caprichos definidos através de uma decisão fundamentada em critérios políticos.

Outro aspecto convenientemente olvidado é o resultado repelente que os impostos e outras imposições têm sobre o investimento feito num determinado país. A menos que se pretenda negar os benefícios evidentes da entrada (ou permanência) e aplicação de capitais quanto ao preço e à qualidade de produtos e serviços, as oportunidades de emprego existentes e respectivas melhorias a nível da competitividade da sua própria oferta, é bastante evidente que os mais pobres saem claramente lesados numa sociedade em que também os empresários mais ricos vêm a sua liberdade económica reduzida e, como tal, desincentivados da busca permanente pela eficiência na qualidade e distribuição dos recursos – critérios naturais inerentes ao crescimento económico – e obrigados a adaptar a oferta final ao consumidor de forma a cobrir os aumentos artificiais dos respectivos custos.

A suposição recorrente de que o capitalismo menospreza os mais pobres é, portanto, um mito. A sua natureza reside essencialmente na incompreensão sobre a origem da pobreza que, ao contrário do comummente sugerido, não consiste em assimetrias de distribuição mas sim de produção. Os países ricos apenas puderam adquirir tal estatuto através da concessão de maior liberdade aos seus cidadãos para produzir progressivamente bens mais valorizados, permitindo que estes detenham o direito legítimo ao fruto do seu trabalho de forma capitalista, ou seja, com liberdade para o comerciar num mercado também ele livre.

O caminho que Portugal que poderá trilhar, visando o abandono gradual do torpor económico que historicamente tolhe o seu desenvolvimento, é o equivalente aos dos países que, como no caso próximo e recente da Irlanda, transformaram as suas limitações de modo a acolher uma liberalização da economia e, consequentemente, um respectivo aumento da qualidade de vida. Esta via está inteiramente dependente do desejo dos portugueses em serem livres.

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Agradecem-se as simpáticas referências feitas nos blogues Blue Lounge, O Insurgente, A Arte da Fuga e Bodegas.

Monday, July 31, 2006

Divisão de poderes

Uma das acusações mais graves que se têm feito ultimamente a Israel é a sua faceta de Estado terrorista, numa lógica de atribuição das características que se desejam combater ao agente que as combate. Contudo, há poucas horas, aconteceu uma coisa deveras estranha, quase a roçar o bizarro paranormal. Uma situação que, à semelhança de casos como os de Abu Ghraib e quejandos, levou os dirigentes governamentais a estabelecer inquéritos internos para compreender exactamente o que ocorreu. Estou, obviamente, a falar da notícia do dia sobre o "massacre de Qana".

Israel diz ter suspendido os ataques aéreos durante as próximas 48 horas de maneira a investigar o que sucedeu, quais as razões da morte de mais de 50 pessoas, a discrepância de horários apresentada entre o ataque e a destruição do local e a aparente inépcia na evacuação das pessoas, apesar dos avisos emitidos. Contudo, Israel lamentou profunda e abertamente o evento e reconheceu de imediato que bombardeou a área.

Ora, deverá ser do conhecimento da maioria que as organizações terroristas, apesar da sua organização interna muitas vezes altamente delineada e cadeias de comando solidamente estruturadas, se caracterizam por uma total anomia de códigos éticos no que refere aos limites a impor às suas acções. Daí resulta que, de forma maquiavélica, não se olhe geralmente a meios para atingir os fins. Esta situação é a consequência evidente da falta de um sistema independente que permita distinguir entre os membros e a sua estrutura, como entre um Estado e um governo, ou seja, uma entidade abstracta com características definidas e os dirigentes responsáveis pela condução dessa entidade abstracta. Outra entidade externa, um sistema judicial (civil ou marcial), com auxílio de um código elaborado também ele por instituições independentes (a lei) poderá condenar ou responsabilizar o Estado por determinados acontecimentos, embora sejam pessoas concretas, que se encarregam de determinadas funções no seio da estrutura burocrática do Estado, o alvo das medidas determinadas. O cumprimento destas regras legais - independentes do governante - é um elemento-chave de um Estado democrático de direito.

Serve tudo isto para mostrar que Israel é um Estado que tem necessariamente de prestar contas pelas suas acções, assim como responsabilizar-se pelos erros militares que comete, ao contrário de organizações terroristas que obedecem apenas à voz de comando do líder supremo do momento e cuja atitude não pode sentir o freio de nenhuma constituição ou escrito fundamental que proteja os direitos essenciais dos civis em questão, nem estar dotada de nenhuma necessidade de justificar e assumir responsabilidades pelos eventuais crimes cometidos. Se, segundo os parâmetros usados, Israel é um Estado terrorista, então, Portugal também será um Estado terrorista porque se regula pelas mesmas formas de avaliação e balanço político. E este sistema deriva directamente do poder do voto que detêm os eleitores.

Claro que, de acordo com esta classificação, todas as democracias à face da Terra serão Estados terroristas, necessitando apenas o defensor da tese anunciada (paradoxalmente, em geral, um defensor ávido da democracia) que a vontade dos políticos ou militares não seja coincidente com as suas intenções pontuais, como é o caso típico e recorrente das críticas feitas ao Estado americano. Estados não-terroristas serão, certamente, por exemplo, a Venezuela e a Bolívia, onde a vontade colectiva dos eleitores conta cada vez menos para as decisões importantes e os (seus?) representantes se fundem cada vez mais com o próprio Estado e com a lei. Mas há que ter atenção. Nestes casos não se apelidam de terroristas porque, obviamente, os paraísos celestes não podem submeter-se a tal tentativa de nomenclatura terrena e prosaica.

Profetas da prolepse

Há alguns dias atrás, coloquei aqui uma ligação para o cartoon de Yaakov Kirschen, desenhado em 1992 (14 anos):



Kirschen presenteia-nos agora com um outro cartoon da sua autoria, desta vez desenhado no longínquo ano de 1982 (24 anos):



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Outras leitura importante (via O Insurgente):

The Vocabulary of Untruth
Words take on new meanings as Israel struggles to survive

Sunday, July 30, 2006

O cerne da questão é o que mais importa

Às vezes fica a sensação de que as pessoas que se limitam a analisar os acontecimentos, tal como eles ocorrem, e as suas consequências naturais têm uma espécie qualquer de amor pela guerra ou um seguidismo cegamente ideológico da política externa norte-americana.

Como é óbvio, não se trata de nada disso. Trata-se simplesmente de compreender a realidade. Aqueles que gritam constantemente pelo fim da guerra só podem servir a causa da perpetuação da guerra porque não compreendem a sua fonte. A causa de tantos conflitos militares na região não se deve nem ao rapto de soldados israelitas, nem ao lançamento de rockets por parte do Hezbollah (as partes que tendem a ser intuitivamente ignoradas) ou sequer à resposta de Israel. A origem da guerra está na incompatibilidade entre os interesses de israelitas e das sociedades islâmicas que os rodeiam. Os países adjacentes não reconhecem Israel e desejam a sua destruição, acontecendo o mesmo com os grupos terroristas que activamente apoiam para atingir determinado fim sem sujar directamente a mãos.

É por isso que a paz não se atinge com negociações diplomáticas nem com a finalização dos ataques fronteiriços de Israel. Ao contrário dos mais idealistas, que a cada disparo das tropas israelitas erguem uma bandeira do Líbano (ou do Hezbollah), quem defende a posição de Israel ou simplesmente se limita a encarar a realidade, compreende que se está a lidar com um problema que tem por questão central a própria existência da nação israelita.

Por isso é que a opção não é entre a paz imediata e a guerra. É entre a sobrevivência de Israel, tal como o conhecemos hoje, ou do desmantelamento das organizações terroristas que frequentemente atentam contra os seus cidadãos. Ao defender um cessar-fogo imediato ou um fim pronto das hostilidades, os alegados defensores da paz estão, na verdade, a defender a causa dos que estão a ser derrotados - o Hezbollah - e, portanto, a defender que a guerra deve continuar durante vários anos ou décadas a troco de um pequeno intervalo de alguns dias ou semanas, apenas para que regresse posteriormente com maior intensidade, visto que o Hezbollah poderá reconstituir as suas forças, receber maior ajuda externa de regimes como o iraniano ou o sírio e voltar a estabelecer as suas actividades normais na zona. Este é o principal problema com o envio de forças internacionais: ou efectuam um desarmamento eficaz do Hezbollah (continuação inevitável da guerra, mas desta vez degenerada num panorama internacional) ou se coopera passivamente com a presença do Hezbollah para que a situação regresse à actividade intensiva que presenciamos actualmente.

É por tudo isto que não adianta falar das mortes dos civis; em todas as guerras relevantes que a humanidade conheceu, civis foram mortos e isso não irá certamente mudar, em especial nas guerras em que são usados como arma, quer ofensiva, quer defensiva. Não é a questão central e serve apenas como via de fuga ao tema vital que realmente interessa. A única dúvida persistente, e porque a única forma de mostrar uma preocupação realista com o que acontece é analisar a questão acima referida, é entre entender quais os que estão abertamente contra a existência de Israel na região - quais as soluções alternativas que propõem, a sua legitimidade e a coerência com o restante contexto global relativo a outras situações idênticas - e aqueles que, como diz muito bem o João Miranda, são idiotas úteis ao serviço involuntário de um legado a que na verdade se opõem abertamente.

Thursday, July 27, 2006

A coerência do costume

Há algo solenemente intrigante em todo o contexto de manifestações que se estão a desenvolver um pouco por todo o mundo contra as acções do Estado de Israel. Durante décadas, os ataques terroristas, seja no Médio Oriente ou em qualquer outro local do planeta, nunca conseguiram reunir tanto protesto, com tanta frequência, incidência, diversificação geográfica e indignação. Os apoiantes e simpatizantes destas causas, sempre tão preocupados com os efeitos da islamofobia e a discriminação das minorias étnicas/religiosas oprimidas (o povo hebreu perfaz cerca de 0,2% da população mundial ao contrário do islâmico que anda por volta dos 20%), parecem ignorar propositadamente todas suas defesas tradicionais, em nome de uma aliança com os que desejam a destruição completa dos pilares da democracia liberal sobre os quais assenta a maioria das nações tidas como de tradição ocidental. Talvez daí decorra tanta identificação mútua e a exigência já ensurdecedora do cessar-fogo imediato, uma vez que provavelmente se sentem a perder a guerra que já não se verifica apenas dentro das suas cabeças, mas também na fronteira entre o Líbano e Israel.

Ainda bem que o anti-semitismo é apenas um chavão qualquer inventado pela máquina de propaganda da direita pro-americana. Qualquer dia alguém até poderia sugerir que os nazis ou os restantes socialistas tinham alguma coisa a ver com tudo isto.

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Adenda: O artigo de Pablo Molina na Libertad Digital:

«La manifestación de este pasado jueves, convocada por PSOE, IU, sus sindicatos pantalla y una gavilla de organizaciones subvencionadas, coloca nuevamente a la izquierda ante sus contradicciones más flagrantes. Señores que no soportan a un cura católico, defendiendo al "Partido de Dios" formado por fanáticos islamistas, pacifistas jaleando a grupos terroristas y feministas radicales entusiasmadas con una subcultura que niega a la mujer sus derechos; todo ello aliñado con la foto inolvidable del presidente más insolvente de la Historia de España, luciendo simbología panarabista como un vulgar mozalbete camino del "insti".

La participación de renombrados activistas homosexuales en la algarada, entra ya de lleno en el terreno de la psicopatología. Los referentes morales que les despiertan más simpatía son el castrismo y el integrismo islámico. El primero encarcela a los gays para "reeducarlos", el segundo los ahorca para redimirlos.»

Wednesday, July 26, 2006

Conversão próxima

Isto do pacifismo é uma coisa muito complicada. Depois do assunto de Israel resolvido, qual será mesmo o próximo país democrático para com o qual os pacifistas vão demonstrar hostilidade e as milícias armadas de resistência terrorista pelas quais irão manifestar apoio incontestável e simpatia?

Pacifismo

s.m.,

ideologia política segundo a qual um povo, nação ou estado não tem o direito à reacção militar coordenada quando atacado por forças externas ou internas com o objectivo claro e identificado de colocar em risco a sua existência e a manutenção do estatuto presente no momento ou período do ataque, ainda que tal exigência não se aplique à outra parte do conflito, em especial se esta se tratar de uma força terrorista islâmica com objectivos bélicos disfarçados sob a forma de revelação divina; cagufa de todo o tamanho.

pop. filosofia de vida a defender, excepto quando se pensa em Espanha. Nesse caso, toda e qualquer declaração proferida em castelhano, por mais pacífica e amistosa que seja, é prova incontestável de que todos os portugueses de gema devem recorrer às armas para se defender do invasor inimigo e proteger a sua pátria amada.

Tuesday, July 25, 2006

O que é nosso, é meu

Defensores vitalícios da propriedade estatal pública estatal pública falham em compreender o que é a propriedade pública.

Público e privado

João César das Neves, no Diário de Notícias. Nada de citações, é essencial ler o artigo na sua totalidade.

Shahid

Da próxima vez que ouvirem uma abertura de noticiário com a linha "x inocentes/civis mortos no sul do Líbano, x - y eram crianças" ou que o Hezbollah está a lutar pela liberdade ou auto-determinação do seu povo (seja lá o que isso significar, para além da destruição de Israel) lembrem-se destas declarações de Jan Egeland, que agora já está no foco de guerra:

«But a day after criticizing Israel for "disproportionate" strikes against civilians, U.N. humanitarian chief Jan Egeland accused Hezbollah of "cowardly blending" among Lebanese civilians.

"Consistently, from the Hezbollah heartland, my message was that Hezbollah must stop this cowardly blending ... among women and children," Egeland said. "I heard they were proud because they lost very few fighters and that it was the civilians bearing the brunt of this. I don't think anyone should be proud of having many more children and women dead than armed men."»


O melhor comentário político feito à situação actual pertence ao humorista Yaakov Kirschen e data de 1992.

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Adenda: Cobertura e análise mais pormenorizadas e dinâmicas a ler, por estes dias, n'O Insurgente, A Arte da Fuga, Kontratempos e Rua da Judiaria.

Monday, July 24, 2006

Leitura recomendada

Heaven on Earth: The Rise and Fall of Socialism de Joshua Muravchick





«Much of the history of the past 200 years revolved around a single idea. It was the vision that life could be lived in peace and brotherhood if only property were shared by all and distributed equally, eliminating the source of greed, envy, poverty and strife. This idea was called "socialism" and it was man's most ambitious attempt to supplant religion with a doctrine grounded on science rather than revelation.

(...)

Because its goal proved so elusive, the socialist movement split and split again into diverse, sometimes murderously contradictory forms. There was Social Democracy, which insisted that only peaceful and democratic means could produce a harmonious commonwealth. There was Communism, which extolled the resolute use of force and dictatorship to propel mankind to a new way of life. There was Arab Socialism, African Socialism, and other Third World variants that sought to amalgamate western Social Democracy and eastern Communism. There was even fascism, which turned the socialist idea on its head by substituting the brotherhood of nation and race for the brotherhood of class. And there were those - from early American settlers, to the "flower children" of the 1960s, to Israeli Zionist kibbutzniks - who built their own socialist communities, hoping to transform the world by the force of example.

As an idea that changed the way people thought, socialism's success was spectacular. As a critique of capitalism that helped spawn modern social safety nets and welfare states, its success was appreciable. As a model for the development of post-colonial states, the socialist model proved disappointing, fostering economic stagnation among millions of the world's poorest people. And in its most violent forms, socialism was calamitous, claiming scores of millions of lives and helping to make the twentieth century the bloodiest ever.»

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Notas:

- A propósito, ler esta entrada do FCG sobre o nacional-socialismo.

- O texto acima foi retirado da sinopse do documentário que se originou após a publicação do livro. Mais informação sobre esse documentário pode ser visto nesta página da PBS.

Friday, July 21, 2006

Mais uma boa medida

Mas para aumentar o desemprego e reduzir os salários.

Guerras úteis

Há uns dias atrás, Luís Amado fez umas declarações muito vulgares acerca do repúdio total de Portugal quanto ao conflito no Médio Oriente. Na altura, nada disto era muito relevante mas a situação tem vindo a alterar-se de forma gradual.

O que está aqui em questão, e já é uma mania que no mesmo Ministério vem do tempo de Freitas, é falar indiscriminadamente em nome de Portugal. Como pode Luís Amado dizer que em Portugal se condena a escalada de violência no Médio Oriente quando vemos tanta gente beligerantemente excitada e elementos da extrema-esquerda absolutamente extasiados por terem encontrado mais um suposto pretexto para destilar o seu ódio natural contra o povo de Israel? Como pode isto ser verdade quando já se abandonou toda e qualquer vontade de analisar de forma realista e séria a situação peculiar de Israel e se cedeu puramente à discussão de reportagens-panfleto como se fossem factos e não elementos provenientes de uma guerra paralela de informação?

Para tanta gente de bem que regularmente se diz pacifista, há quem esteja seriamente a ser afectado por uma espécie de guerrite crónica. Talvez seja o efeito vasodilatador das temperaturas que se têm sentido.

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Nota: Uma notícia que de certeza não irá ser comentada pelos senhores acima mencionados. Relembrar que surge no decurso de uma guerra. Vamos esperar que o Hezbollah faça o mesmo. Mas esperemos sentados.