Wednesday, July 26, 2006
Conversão próxima
Isto do pacifismo é uma coisa muito complicada. Depois do assunto de Israel resolvido, qual será mesmo o próximo país democrático para com o qual os pacifistas vão demonstrar hostilidade e as milícias armadas de resistência terrorista pelas quais irão manifestar apoio incontestável e simpatia?
Pacifismo
s.m.,
ideologia política segundo a qual um povo, nação ou estado não tem o direito à reacção militar coordenada quando atacado por forças externas ou internas com o objectivo claro e identificado de colocar em risco a sua existência e a manutenção do estatuto presente no momento ou período do ataque, ainda que tal exigência não se aplique à outra parte do conflito, em especial se esta se tratar de uma força terrorista islâmica com objectivos bélicos disfarçados sob a forma de revelação divina; cagufa de todo o tamanho.
pop. filosofia de vida a defender, excepto quando se pensa em Espanha. Nesse caso, toda e qualquer declaração proferida em castelhano, por mais pacífica e amistosa que seja, é prova incontestável de que todos os portugueses de gema devem recorrer às armas para se defender do invasor inimigo e proteger a sua pátria amada.
ideologia política segundo a qual um povo, nação ou estado não tem o direito à reacção militar coordenada quando atacado por forças externas ou internas com o objectivo claro e identificado de colocar em risco a sua existência e a manutenção do estatuto presente no momento ou período do ataque, ainda que tal exigência não se aplique à outra parte do conflito, em especial se esta se tratar de uma força terrorista islâmica com objectivos bélicos disfarçados sob a forma de revelação divina; cagufa de todo o tamanho.
pop. filosofia de vida a defender, excepto quando se pensa em Espanha. Nesse caso, toda e qualquer declaração proferida em castelhano, por mais pacífica e amistosa que seja, é prova incontestável de que todos os portugueses de gema devem recorrer às armas para se defender do invasor inimigo e proteger a sua pátria amada.
Tuesday, July 25, 2006
O que é nosso, é meu
Defensores vitalícios da propriedade estatal pública estatal pública falham em compreender o que é a propriedade pública.
Público e privado
João César das Neves, no Diário de Notícias. Nada de citações, é essencial ler o artigo na sua totalidade.
Shahid
Da próxima vez que ouvirem uma abertura de noticiário com a linha "x inocentes/civis mortos no sul do Líbano, x - y eram crianças" ou que o Hezbollah está a lutar pela liberdade ou auto-determinação do seu povo (seja lá o que isso significar, para além da destruição de Israel) lembrem-se destas declarações de Jan Egeland, que agora já está no foco de guerra:
«But a day after criticizing Israel for "disproportionate" strikes against civilians, U.N. humanitarian chief Jan Egeland accused Hezbollah of "cowardly blending" among Lebanese civilians."Consistently, from the Hezbollah heartland, my message was that Hezbollah must stop this cowardly blending ... among women and children," Egeland said. "I heard they were proud because they lost very few fighters and that it was the civilians bearing the brunt of this. I don't think anyone should be proud of having many more children and women dead than armed men."»
O melhor comentário político feito à situação actual pertence ao humorista Yaakov Kirschen e data de 1992.
---
Adenda: Cobertura e análise mais pormenorizadas e dinâmicas a ler, por estes dias, n'O Insurgente, A Arte da Fuga, Kontratempos e Rua da Judiaria.
Monday, July 24, 2006
Leitura recomendada
Heaven on Earth: The Rise and Fall of Socialism de Joshua Muravchick

(...)

«Much of the history of the past 200 years revolved around a single idea. It was the vision that life could be lived in peace and brotherhood if only property were shared by all and distributed equally, eliminating the source of greed, envy, poverty and strife. This idea was called "socialism" and it was man's most ambitious attempt to supplant religion with a doctrine grounded on science rather than revelation.
(...)
Because its goal proved so elusive, the socialist movement split and split again into diverse, sometimes murderously contradictory forms. There was Social Democracy, which insisted that only peaceful and democratic means could produce a harmonious commonwealth. There was Communism, which extolled the resolute use of force and dictatorship to propel mankind to a new way of life. There was Arab Socialism, African Socialism, and other Third World variants that sought to amalgamate western Social Democracy and eastern Communism. There was even fascism, which turned the socialist idea on its head by substituting the brotherhood of nation and race for the brotherhood of class. And there were those - from early American settlers, to the "flower children" of the 1960s, to Israeli Zionist kibbutzniks - who built their own socialist communities, hoping to transform the world by the force of example.
As an idea that changed the way people thought, socialism's success was spectacular. As a critique of capitalism that helped spawn modern social safety nets and welfare states, its success was appreciable. As a model for the development of post-colonial states, the socialist model proved disappointing, fostering economic stagnation among millions of the world's poorest people. And in its most violent forms, socialism was calamitous, claiming scores of millions of lives and helping to make the twentieth century the bloodiest ever.»
---
Notas:
- A propósito, ler esta entrada do FCG sobre o nacional-socialismo.
- O texto acima foi retirado da sinopse do documentário que se originou após a publicação do livro. Mais informação sobre esse documentário pode ser visto nesta página da PBS.
As an idea that changed the way people thought, socialism's success was spectacular. As a critique of capitalism that helped spawn modern social safety nets and welfare states, its success was appreciable. As a model for the development of post-colonial states, the socialist model proved disappointing, fostering economic stagnation among millions of the world's poorest people. And in its most violent forms, socialism was calamitous, claiming scores of millions of lives and helping to make the twentieth century the bloodiest ever.»
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Notas:
- A propósito, ler esta entrada do FCG sobre o nacional-socialismo.
- O texto acima foi retirado da sinopse do documentário que se originou após a publicação do livro. Mais informação sobre esse documentário pode ser visto nesta página da PBS.
Friday, July 21, 2006
Guerras úteis
Há uns dias atrás, Luís Amado fez umas declarações muito vulgares acerca do repúdio total de Portugal quanto ao conflito no Médio Oriente. Na altura, nada disto era muito relevante mas a situação tem vindo a alterar-se de forma gradual.
O que está aqui em questão, e já é uma mania que no mesmo Ministério vem do tempo de Freitas, é falar indiscriminadamente em nome de Portugal. Como pode Luís Amado dizer que em Portugal se condena a escalada de violência no Médio Oriente quando vemos tanta gente beligerantemente excitada e elementos da extrema-esquerda absolutamente extasiados por terem encontrado mais um suposto pretexto para destilar o seu ódio natural contra o povo de Israel? Como pode isto ser verdade quando já se abandonou toda e qualquer vontade de analisar de forma realista e séria a situação peculiar de Israel e se cedeu puramente à discussão de reportagens-panfleto como se fossem factos e não elementos provenientes de uma guerra paralela de informação?
Para tanta gente de bem que regularmente se diz pacifista, há quem esteja seriamente a ser afectado por uma espécie de guerrite crónica. Talvez seja o efeito vasodilatador das temperaturas que se têm sentido.
---
Nota: Uma notícia que de certeza não irá ser comentada pelos senhores acima mencionados. Relembrar que surge no decurso de uma guerra. Vamos esperar que o Hezbollah faça o mesmo. Mas esperemos sentados.
O que está aqui em questão, e já é uma mania que no mesmo Ministério vem do tempo de Freitas, é falar indiscriminadamente em nome de Portugal. Como pode Luís Amado dizer que em Portugal se condena a escalada de violência no Médio Oriente quando vemos tanta gente beligerantemente excitada e elementos da extrema-esquerda absolutamente extasiados por terem encontrado mais um suposto pretexto para destilar o seu ódio natural contra o povo de Israel? Como pode isto ser verdade quando já se abandonou toda e qualquer vontade de analisar de forma realista e séria a situação peculiar de Israel e se cedeu puramente à discussão de reportagens-panfleto como se fossem factos e não elementos provenientes de uma guerra paralela de informação?
Para tanta gente de bem que regularmente se diz pacifista, há quem esteja seriamente a ser afectado por uma espécie de guerrite crónica. Talvez seja o efeito vasodilatador das temperaturas que se têm sentido.
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Nota: Uma notícia que de certeza não irá ser comentada pelos senhores acima mencionados. Relembrar que surge no decurso de uma guerra. Vamos esperar que o Hezbollah faça o mesmo. Mas esperemos sentados.
Wednesday, July 19, 2006
Your eyes are very heavy now... II
Governo diz que líder do PSD teve indigestão com dados do Banco de Portugal
A nova previsão do Banco de Portugal para o crescimento do PIB é de 1,5%, fazendo umas considerações generosas e esticando um pouco as estatísticas e o que não dá para adivinhar. Os EUA têm previsto um crescimento do PIB superior a 3% enquanto o da UE deverá andar por volta dos 2%. Esta lista do CIA Factbook coloca Portugal no 55º lugar mundial em termos do PIB per capita de acordo com o método da paridade do poder de compra. Muitos dos países que estão abaixo do 55º lugar estão a convergir a grande velocidade para o valor médio do PIB da UE ao mesmo tempo que Portugal diverge. No espaço de 5 anos, se tudo se mantiver ao mesmo ritmo, o valor da riqueza média em Portugal será ultrapassado pelos tigres do báltico e restantes economias de leste.
A menos que o ministro da Presidência esteja tão confiante no reportado por Vitor Constâncio que acredita na manutenção de tal previsão até ao final do ano e o plano de Sócrates seja convergir e competir directamente com a economia do Burundi, não vejo propriamente qual é a razão de tanto contentamento e euforia.
«Em declarações à agência Lusa, o ministro da Presidência considerou que, "ao vir agora dizer que os portugueses não comem previsões, Marques Mendes está apenas a revelar uma digestão difícil dos números positivos apresentados pelo Banco de Portugal".
"Não percebo porque é que uma boa notícia para a economia portuguesa e para os portugueses há-de ser assim tão indigesta para o líder do maior partido da oposição", comentou Pedro Silva Pereira.»
A nova previsão do Banco de Portugal para o crescimento do PIB é de 1,5%, fazendo umas considerações generosas e esticando um pouco as estatísticas e o que não dá para adivinhar. Os EUA têm previsto um crescimento do PIB superior a 3% enquanto o da UE deverá andar por volta dos 2%. Esta lista do CIA Factbook coloca Portugal no 55º lugar mundial em termos do PIB per capita de acordo com o método da paridade do poder de compra. Muitos dos países que estão abaixo do 55º lugar estão a convergir a grande velocidade para o valor médio do PIB da UE ao mesmo tempo que Portugal diverge. No espaço de 5 anos, se tudo se mantiver ao mesmo ritmo, o valor da riqueza média em Portugal será ultrapassado pelos tigres do báltico e restantes economias de leste.
A menos que o ministro da Presidência esteja tão confiante no reportado por Vitor Constâncio que acredita na manutenção de tal previsão até ao final do ano e o plano de Sócrates seja convergir e competir directamente com a economia do Burundi, não vejo propriamente qual é a razão de tanto contentamento e euforia.
Do bom e do melhor
O Jornal de Negócios fez uma avaliação das condições futuras da Segurança Social portuguesa introduzindo os factores de reforma que estão a ser iniciados pelo governo de Sócrates, em busca de uma maior sustentabilidade do sistema. Surpreendente?
Sócrates está claramente em defesa dos contratos praticamente unilaterais estabelecidos entre o Estado e os contribuintes portugueses. É um suspiro de alívio porque, como dizia o próprio, a proposta de capitalização de fundos de Marques Mendes iria "agravar a dívida pública" e, como todos sabemos, a dívida pública por saldar deve ser má porque se traduz necessariamente em impostos ou expansão monetária e desvalorização da moeda (este deve ter sido o momento liberal implícito das declarações...). Absolutamente louvável a preocupação do Eng. Sócrates, especialmente porque até agora ainda não houve um único imposto que aumentasse desde o início da legislatura do seu governo nem uma única demonstração de passividade e condescendência com a permanência quase constante dos números absurdos da despesa pública. Só é estranho que com tanta preocupação ainda exista um défice orçamental monstruoso, apesar de receitas igualmente monstruosas, e um crescimento económico miserável. Verdadeiramente enigmático.
Entretanto, é importante ouvir justificações políticas deste género porque nos permitem reflectir sobre outros projectos. As pensões irão ser reduzidas e não haverá capitalização de fundos porque o governo não pretende aumentar a dívida pública (isto é, não querendo também aceitar a sua incapacidade em lidar com um sistema de segurança social e rejeitando o conceito de privatização parcial ou total, assim como a capitalização das contribuições). Será a altura própria para perguntar convenientemente: estará o nosso dirigista de serviço disposto a calcar o seu próprio orgulho e a considerar seriamente eliminar todas as projecções encaminhadas de investimento público megalomaníacas, incluindo o aeroporto da Ota e a construção do TGV, ou continuaremos a ouvir o eterno mito de que o investimento público é invariavelmente bom porque gera desenvolvimento, crescimento económico, emprego, etc. e a ignorar que representam, também elas, um aumento da dívida pública?
E a dúvida persiste. Mesmo que não seja explícito se esta planificação de redução de 1/4 é real ou nominal (não compliquemos) e não se saibam prever os valores da inflação para os próximos 30 anos, quem é que, num sistema livre em que existam opções, estaria disposto a entrar neste esquema de burla? Ou os contribuintes que entraram recentemente no mercado de trabalho são apenas uma ferramenta algébrica ao uso da contabilidade estatal?
«As pessoas que se reformarem em 2030 deverão sofrer, em média, um corte nas pensões de 23%, noticia hoje o Jornal de Negócios. São os jovens, que entraram recentemente no mercado de trabalho, que vão sofrer mais.»
Sócrates está claramente em defesa dos contratos praticamente unilaterais estabelecidos entre o Estado e os contribuintes portugueses. É um suspiro de alívio porque, como dizia o próprio, a proposta de capitalização de fundos de Marques Mendes iria "agravar a dívida pública" e, como todos sabemos, a dívida pública por saldar deve ser má porque se traduz necessariamente em impostos ou expansão monetária e desvalorização da moeda (este deve ter sido o momento liberal implícito das declarações...). Absolutamente louvável a preocupação do Eng. Sócrates, especialmente porque até agora ainda não houve um único imposto que aumentasse desde o início da legislatura do seu governo nem uma única demonstração de passividade e condescendência com a permanência quase constante dos números absurdos da despesa pública. Só é estranho que com tanta preocupação ainda exista um défice orçamental monstruoso, apesar de receitas igualmente monstruosas, e um crescimento económico miserável. Verdadeiramente enigmático.
Entretanto, é importante ouvir justificações políticas deste género porque nos permitem reflectir sobre outros projectos. As pensões irão ser reduzidas e não haverá capitalização de fundos porque o governo não pretende aumentar a dívida pública (isto é, não querendo também aceitar a sua incapacidade em lidar com um sistema de segurança social e rejeitando o conceito de privatização parcial ou total, assim como a capitalização das contribuições). Será a altura própria para perguntar convenientemente: estará o nosso dirigista de serviço disposto a calcar o seu próprio orgulho e a considerar seriamente eliminar todas as projecções encaminhadas de investimento público megalomaníacas, incluindo o aeroporto da Ota e a construção do TGV, ou continuaremos a ouvir o eterno mito de que o investimento público é invariavelmente bom porque gera desenvolvimento, crescimento económico, emprego, etc. e a ignorar que representam, também elas, um aumento da dívida pública?
E a dúvida persiste. Mesmo que não seja explícito se esta planificação de redução de 1/4 é real ou nominal (não compliquemos) e não se saibam prever os valores da inflação para os próximos 30 anos, quem é que, num sistema livre em que existam opções, estaria disposto a entrar neste esquema de burla? Ou os contribuintes que entraram recentemente no mercado de trabalho são apenas uma ferramenta algébrica ao uso da contabilidade estatal?
Monday, July 17, 2006
How to Lie with Statistics
Estudo: Portugal tem o 16º melhor sistema de saúde europeu
O que o comunicado queria mesmo dizer era que Portugal tem o 11º "pior" sistema (o que está dependente dos critérios usados) da lista de países analisados. Claro que ver a lista a partir do ponto positivo ("melhor") é mais simpático e menos noticiosamente deprimente.
«Portugal tem o 16º melhor sistema de saúde europeu de um total de 26 países, numa lista que é encabeçada pela França. Depois de Portugal surge Espanha e a Grécia, segundo um estudo elaborado pela organização Health Consumer Powerhouse sobre os sistemas de saúde do Velho Continente.»
O que o comunicado queria mesmo dizer era que Portugal tem o 11º "pior" sistema (o que está dependente dos critérios usados) da lista de países analisados. Claro que ver a lista a partir do ponto positivo ("melhor") é mais simpático e menos noticiosamente deprimente.
Saturday, July 15, 2006
Em nome da segurança
Toyota's totally bizarre recall
(via Tom Palmer)
Esta questão, para além de servir como forma de elucidação aos mais distraídos acerca da típica regulação por motivos de segurança (que reflecte o malefícios dos decisores políticos) e obrigar a Toyota a gastar mais milhões de forma aparentemente desnecessária e nefasta, demonstra uma das razões pelas quais o Estado não consegue "regular" devidamente seja o que for: falta de informação. O Estado não consegue ser, em simultâneo, especialista em todas as áreas do conhecimento e inovação tecnológica, não podendo, por essas mesmas razões, reclamar conhecer mais sobre um determinado sistema do que o seu respectivo produtor e analistas.
Este problema recorda, também nos EUA, o dos adoçantes artificiais. Um dos exemplos mais polémicos é o do aspartame, uma substância bastante duvidosa do ponto de vista médico (para além do tradicional problema que causa aos portadores de fenilcetonúria) e largamente utilizada em refrigerantes. Entre outras coisas, estudos médicos sugeriram que alegadamente poderia haver uma ligação do aspartame com tumores e lesões cerebrais, linfomas, mutações genéticas, leucemia, perturbações neurológicas, etc. Existe muita informação e também muita contra-informação dada a controvérsia sobre o assunto. Seria, portanto, de esperar que o aspartame tivesse uma quota de mercado reduzida por ser demasiado caro de produzir e possuidor de um risco relativamente elevado que os consumidores e os produtores não estariam dispostos a correr.
No entanto, acontece que a FDA (Food and Drug Administration), o corpo governamental que regula a qualidade dos alimentos e medicamentos nos EUA, deu carta branca aos produtores de aspartame nos anos 80. Adicionalmente, o governo subsidia a indústria nacional de produção de adoçantes artificiais e impõe restrições à importação de açúcar produzido no estrangeiro, através de tarifas alfandegárias. Ou seja, se todos estes efeitos forem reais, o Estado americano tem estado a apoiar o consumo de substâncias químicas potencialmente perigosas enquanto os produtores de alimentos e bebidas como os refrigerantes são desincentivados a usar açúcar e outros componentes portadores de um risco de saúde menor.
Ainda bem que os governos existem para proteger a nossa saúde. Pessoalmente, julgo que qualquer um ficará menos preocupado.
«Why would Toyota issue a recall designed to make vehicles less safe?
This fall, Toyota will voluntarily recall nearly 160,000 Toyota Tundra pickups so that they can be made less safe for children riding in the front seat.
No, that's not a mistake - at least not on our part.
The recall, announced Monday, is meant to make Tundras comply with a set of safety regulations. The rules say that vehicles built after 2002 must have a child-seat anchor system known as LATCH in the front seat if they also have a front-seat airbag shut-off switch.
The Tundras in question were built with an airbag shut-off switch but not the LATCH system.
The solution? Spend lots of money and inconvenience customers...to remove the airbag shut-off switch.
The move not only doesn't enhance the safety of these vehicles, it actually makes the vehicles unsafe for small children riding in the front seat.
Those shut-off switches exist because airbags can injure and even kill small children even in otherwise minor crashes.»
(via Tom Palmer)
Esta questão, para além de servir como forma de elucidação aos mais distraídos acerca da típica regulação por motivos de segurança (que reflecte o malefícios dos decisores políticos) e obrigar a Toyota a gastar mais milhões de forma aparentemente desnecessária e nefasta, demonstra uma das razões pelas quais o Estado não consegue "regular" devidamente seja o que for: falta de informação. O Estado não consegue ser, em simultâneo, especialista em todas as áreas do conhecimento e inovação tecnológica, não podendo, por essas mesmas razões, reclamar conhecer mais sobre um determinado sistema do que o seu respectivo produtor e analistas.
Este problema recorda, também nos EUA, o dos adoçantes artificiais. Um dos exemplos mais polémicos é o do aspartame, uma substância bastante duvidosa do ponto de vista médico (para além do tradicional problema que causa aos portadores de fenilcetonúria) e largamente utilizada em refrigerantes. Entre outras coisas, estudos médicos sugeriram que alegadamente poderia haver uma ligação do aspartame com tumores e lesões cerebrais, linfomas, mutações genéticas, leucemia, perturbações neurológicas, etc. Existe muita informação e também muita contra-informação dada a controvérsia sobre o assunto. Seria, portanto, de esperar que o aspartame tivesse uma quota de mercado reduzida por ser demasiado caro de produzir e possuidor de um risco relativamente elevado que os consumidores e os produtores não estariam dispostos a correr.
No entanto, acontece que a FDA (Food and Drug Administration), o corpo governamental que regula a qualidade dos alimentos e medicamentos nos EUA, deu carta branca aos produtores de aspartame nos anos 80. Adicionalmente, o governo subsidia a indústria nacional de produção de adoçantes artificiais e impõe restrições à importação de açúcar produzido no estrangeiro, através de tarifas alfandegárias. Ou seja, se todos estes efeitos forem reais, o Estado americano tem estado a apoiar o consumo de substâncias químicas potencialmente perigosas enquanto os produtores de alimentos e bebidas como os refrigerantes são desincentivados a usar açúcar e outros componentes portadores de um risco de saúde menor.
Ainda bem que os governos existem para proteger a nossa saúde. Pessoalmente, julgo que qualquer um ficará menos preocupado.
Friday, July 14, 2006
Entrelinhas
Para quem tem acompanhado com o mínimo de atenção os desenvolvimentos dos últimos dias sobre o recente conflito israelo-árabe, há apenas uma certeza que é justificada pela quantidade de vezes que o comportamento se repete, sempre da mesma forma, e que por isso já não apresenta grande novidade.
Tanto na comunicação social como nos comentários políticos é-se muito mais rápido e desproporcional a condenar uma acção com objectivos militares do Estado israelita do que a fazê-lo quando se trata de um ataque terrorista com o objectivo puro e simples de matar civis israelitas. Para além do típico apoio pela "causa palestiniana" existe uma razão muito óbvia para que isto aconteça. Israel, como parte do Ocidente pela ligação às raízes judaico-cristãs, faz com que se apresente uma enorme dificuldade em destacar entre o "eles" do "nós". Daí decorre que as acções de Israel ou do Estado de Israel são tipicamente analisadas segundo o critérios de avaliação feito para um país do Ocidente - por exemplo, os EUA - enquanto as dos demais países árabes (ou outros islâmicos) são vulgarmente vistos como pertencentes a outra "cultura" e portanto, à luz do multicultarismo niilista, possuidoras de uma infinidade de explicações de acordo com a sua especificidade social local. Não que exista muito raciocínio em todo este processo, é algo que acontece de forma automática.
Ironicamente, ao fazerem esta distinção natural, os que tanto labutam por se destacar de Israel, acabam por admitir necessariamente que fazem parte da sua matriz cultural.
Tanto na comunicação social como nos comentários políticos é-se muito mais rápido e desproporcional a condenar uma acção com objectivos militares do Estado israelita do que a fazê-lo quando se trata de um ataque terrorista com o objectivo puro e simples de matar civis israelitas. Para além do típico apoio pela "causa palestiniana" existe uma razão muito óbvia para que isto aconteça. Israel, como parte do Ocidente pela ligação às raízes judaico-cristãs, faz com que se apresente uma enorme dificuldade em destacar entre o "eles" do "nós". Daí decorre que as acções de Israel ou do Estado de Israel são tipicamente analisadas segundo o critérios de avaliação feito para um país do Ocidente - por exemplo, os EUA - enquanto as dos demais países árabes (ou outros islâmicos) são vulgarmente vistos como pertencentes a outra "cultura" e portanto, à luz do multicultarismo niilista, possuidoras de uma infinidade de explicações de acordo com a sua especificidade social local. Não que exista muito raciocínio em todo este processo, é algo que acontece de forma automática.
Ironicamente, ao fazerem esta distinção natural, os que tanto labutam por se destacar de Israel, acabam por admitir necessariamente que fazem parte da sua matriz cultural.
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