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Thursday, May 18, 2006

Praga neoliberal

Teixeira dos Santos manifestou-se ontem à noite contra toda a classe de investimento público e a estrutura asfixiante de subsídios que predomina na sociedade portuguesa:

"Se o Governo prestasse ajuda a esses investidores «seria um incentivo para que surgissem outras entidades» a procederem da mesma forma, disse o ministro das Finanças à margem de uma conferência na Ordem dos Economistas

(...)

O ministro considera que os investidores devem ser «os primeiros supervisores e têm que avaliar o risco das operações de investimento que fazem e a idoneidade das entidades que lhes oferecem determinados serviços»."

Maternidades liberais

Os recentes distúrbios causados pela intenção do governo em fechar um determinado número de maternidades voltam a colocar na linha de fogo todos aqueles que vêem a prestação de um serviço como algo ao qual um preço legítimo (que represente o seu valor determinado no mercado) está inerentemente associado. Como a maior parte das pessoas julga que os serviços de saúde são algo acima das leis económicas e não respondem a mecanismos de mercado, não se torna estranho reparar que defendam um sistema de saúde socialista e que ignora por completo que os cuidados médicos, assim como todos os outros bens, são escassos e melhor geridos num sistema capitalista que responda às verdadeiras necessidades dos pacientes.

A maior parte das críticas vem do que seriam os critérios "economicistas" do executivo ao racionalizar ou centralizar os recursos, transferindo-os para hospitais que estivessem localizados em cidades onde a quantidade de vezes que o serviço é prestado é maior ou se pudessem reduzir os gastos até agora mantidos com a sua existência e possível continuidade.

Pondo de parte a interessante justificação do governo que se refere ao risco apresentado por tais instalações (porque o governo não recomenda que todos os hospitais com salas de parto de más condições sejam encerrados nem todas as parturientes têm fugido para os hospitais das outras regiões) vale a pena observar que é errado apontar esta medida como liberal. Por razões insondáveis, assim que um popular vê gestores a fazer contas sobre a viabilidade de um projecto, acusa-o directamente de "ideias neoliberais" (ler liberais para efeitos de contraditório).

A verdade é que de liberal esta medida do governo tem muito pouco. Para que fosse liberal, teria de haver uma gestão das instalações hospitalares que tornasse o indivíduo o centro das decisões e não os burocratas do ministério da saúde que provavelmente nunca fizeram um parto na vida. Para que a medida fosse realmente liberal, o governo teria de estar interessado em privatizar os hospitais ou geri-los a um nível mais regional que adaptasse as contribuições fiscais ao serviço prestado e avançasse com um programa que efectivamente liberalizasse o sistema de saúde e as relações entre os médicos e os seus doentes, assim como a liberdade de informação médica e outras regulações relacionadas com a indústria farmacêutica e várias a si associadas.

É a medida do governo liberal? Nem por sombras. Quanto muito é a consequência natural de uma série permanente de medidas socialistas que causam inevitavelmente o desmoronamento da rede de políticas de estado social que foram sendo estabelecidos ao longo dos anos. Com o passar do tempo, os custos relacionados com os compromissos assumidos começam a ser demasiado pesados (já que a dívida pública não desaparece por magia e agora o valor da moeda já não é uma questão nacional) e os sistemas entram em colapso. É a resposta do governo a todos estes problemas liberal? Nada que se pareça. O governo de Sócrates, em vez de reduzir a despesa onde esta não influenciaria directamente o que os contribuintes, afinal de contas, têm andado a financiar todos os anos, corta directamente no que a maior parte dos cidadãos considerará como serviço mais essencial do que, por exemplo, a construção do aeroporto da Ota. É certo que nem toda a gente usa salas de parto mas decerto não será difícil reconhecer a uma sociedade que a existência de serviços deste género é mais importante e valorizada do que muitos outros bens teoricamente fornecidos pelo governo.

A reforma até poderia ser liberal se o dinheiro que os contribuintes destas localidades gastam lhes fosse devolvido para que pudessem investir num novo centro hospitalar mas não foi nada disso que aconteceu. Na verdade, tem sido precisamente o oposto: vários impostos a subir com a promessa - essa sim, verdadeira - de que não irão baixar tão cedo.

Wednesday, May 17, 2006

A fascinante engenharia do estatismo

Estado cria método para absolver empresas que denunciem outras empresas envolvidas no mesmo tipo de crime em que as empresas previamente referidas estavam envolvidas até serem absolvidas pelos responsáveis da entidade que propiciou a prática desse mesmo crime, cuja execução seria de muito maior dificuldade caso essa mesma entidade não estivesse constantentemente a interferir na dinâmica própria de um mercado livre.

Price gouger!

** Eventuais queixas sobre as novas e magníficas capacidades de organização do processamento de texto deste blogue devem ser comentadas à direcção **

Pedro Arroja, sobre a especulação:

"A originalidade de Knight consistiu em demonstrar que a função principal da especulação - embora não a única - era a de reduzir a incerteza na sociedade contribuindo para o aumento da produção de bens e serviços e para a melhoria do bem estar geral.

O argumento corria assim. Admitamos um produtor de ouro em fase de planificar a sua produção para o ano seguinte. O preço corrente do ouro é de $600 por onça e a esse preço o nível de produção que maximiza o lucro, no sentido daquele que iguala o custo marginal ao preço, é de 10 mil onças. Porém, supondo um ciclo de produção com a duração de um ano, o preço relevante para a determinação da quantidade que maximiza o lucro é, não o preço que vigora hoje, mas o preço que vigorará daqui por um ano quando a produção for levada ao mercado. Ora, o preço que o ouro comandará daqui por um ano está impregnado de incerteza. Se o preço vier a ser de $400 por onça, a quantidade óptima de produção será menor, por exemplo, 8 mil onças; se o preço for ainda mais baixo, a quantidade óptima de produção será ainda menor, eventualmente zero. Para se proteger contra esta incerteza, o produtor irá produzir menos de 10 mil onças de ouro.


Excepto se aparecer alguém disposto a comprar-lhe por um preço conhecido hoje ($600) a produção de 10 mil onças, que será entregue ao comprador quando estiver finalizada, isto é, daqui por um ano. O contrato realizado é um contrato de futuros a prazo de um ano. Este alguém é o especulador, geralmente um banco de investimento.


Ao mesmo tempo, e em outra parte do país ou do Mundo, um joalheiro precisa de comprar ouro como matéria-prima para fabricar peças de joalharia. Ao preço actual ($600) estaria disposto a comprar 10 mil onças de ouro para fabricar um milhão de preços. Porém, e admitindo também um ciclo de produção de um ano, o preço do ouro relevante para a decisão do joalheiro não é o preço de hoje, mas o preço que vigorará daqui por um ano, quando as peças estiverem fabricadas e forem levadas ao mercado. Acontece que o preço do ouro daqui por um ano é incerto. Se for superior a $600, a quantidade óptima de peças de joalharia a fabricar é, não um milhão, mas menor, porque as peças terão um preço mais elevado e a procura será menor. Para se defender contra esta incerteza, ele vai produzir menos de um milhão de peças de joalharia e, no limite, se recear que o preço do ouro possa aumentar drasticamente, produzirá muito menos ou até nada de todo.


A menos que alguém esteja disposto a vender-lhe a um preço conhecido hoje ($600) ouro que lhe será entregue daqui por um ano (mais precisamente, no decurso do próximo ano). Neste caso, ele adquirirá 10 mil onças de ouro e produzirá um milhão de peças de joalharia. Este alguém, mais um vez, é o especulador.


No final do processo, a incerteza desapareceu para o produtor de ouro; a incerteza desapareceu também para o joalheiro; e, neste exemplo, nem sequer o especulador se confronta com qualquer incerteza, porque a posição longa ou de compra que estabeleceu com o produtor de ouro é anulada pela posição curta ou de venda que estabeleceu com o joalheiro.


Numa situação mais realista, as posições longas e curtas detidas pelo especulador, em geral, não se anulam. Assim, o mais provável é que o conjunto das posições longas que ele estabeleceu com os produtores de ouro (por exemplo, 50 mil onças) seja diferente do conjunto das posições curtas que estabeleceu com joalheiros (por exemplo, 45 mil onças). O resultado final continua, porém, a ser uma redução do nível de incerteza existente no sector. Porque, onde antes existia incerteza sobre o preço das 50 mil onças de ouro que os produtores se propõem trazer ao mercado mais a incerteza sobre as 45 mil onças que os joalheiros se propõem adquirir, agora existe incerteza apenas sobre o preço de 5 mil onças de ouro, que é a posição líquida (longa) detida pelo especulador."

Monday, May 15, 2006

Qual é a diferença?

Nacionalistas contra «invasão»

Concentraram-se em frente à Câmara de Vila de Rei. Partido de extrema-direita rejeita «colonização» com brasileiros. E diz-se contra «a exploração de mão-de-obra escrava»

(...)

Discursando diante da Câmara Municipal, o presidente do PNR, um partido de extrema-direita, José Pinto Coelho, defendeu que a manifestação do partido em Vila de Rei não é contra os imigrantes, mas contra a exploração da mão-de-obra.

«Esta manifestação não é contra os brasileiros que vieram para Vila de Rei, porque imigração existe e sempre existirá, mas sim pela exploração por Portugal de mão-de-obra escrava», disse.

A acção, intitulada «Colonatos estrangeiros não. Alto à invasão» foi anunciada pelo PNR como um protesto «contra a colonização promovida pela autarca Irene Barata, com o dinheiro dos impostos» dos portugueses.


PNR & BE

Vamos lá ver bem. Os cartazes da manifestação indignam-se perante a «invasão» e «colonização» estrangeira. Porém, o douto presidente do PNR esclarece facilmente a questão. Não estamos perante uma manifestação contra os brasileiros e imigração com eles relacionada mas sim contra a exploração destes mesmos brasileiros por parte de portugueses. Ou seja, afinal é uma manifestação... a favor dos brasileiros.

Ou talvez até seja mesmo contra os brasileiros porque eles desejam trabalhar e o PNR não quer que o façam, o que nos traz a um beco sem saída. O PNR - desafortunadamente para a solidez da sua propaganda - lança para o ar a ideia very libertarian de que está a ser usado o dinheiro dos contribuintes para trazer esta gente para Portugal. Então, mas se o PNR acha que eles serão explorados em Portugal e por isso se manifestam contra e esclarecem assumidamente que não estão contra os brasileiros em si e a sua imigração, como esperam que os brasileiros se sustentem? É que se não podem trabalhar para aqueles que teoricamente os vão inadvertidamente explorar, a única forma plausível de continuarem vivos é sobreviver às custas dos subsídios cedidos pelo Estado ou andar por aí a roubar os mesmos contribuintes que o PNR não quer ver financeiramente diminuídos nem efectivamente colonizados. Ideias?

O discurso destes senhores é totalmente desconexo - coisa tão típica das ideologias socialistas da nossa praça - e não consegue ter um conjunto de pilares ideológicos sobre os quais assentar de forma coerente e concisa. O mistério: se são tão nacionalistas como os outros socialistas, que têm alergia ao capital estrangeiro, entram em histerias totais devido à fuga de «sectores estratégicos» ou outsourcing e partilham uma aversão comum à liberdade para estabelecer relações laborais independentemente de gestores centrais a vários quilómetros de distância, o que os faz realmente ser de «direita»? É que conservadores também não são de certeza, eles próprios dizem constantemente que é preciso devolver Portugal aos portugueses (coisa que também é dito noutros partidos). Quanto muito, são é revolucionários e isso também é algo que tradicionalmente está associado à extrema-esquerda.

Quando o PNR conseguir eleger algum deputado (coisa que é cada vez mais provável num país em que o estado social é dado como premissa inquestionável e as fracturas entre os socialistas se baseiam em decidir quais as classes da população que devem ter acesso às benesses sociais provenientes das contribuições dos que trabalham no sector privado) este devia sentar-se ao lado dos do BE. Dizem que se odeiam mutuamente mas no fundo, são exactamente iguais. A única coisa que os separa é egoísmo de não desejarem partilhar o poder uns com os outros.

É hoje, é hoje!




Sunday, May 14, 2006

Socialismo selvagem

Estado não paga a jovens licenciados estagiários, diz jornal

«Grande parte dos 126 jovens licenciados a quem o Governo arranjou estágios profissionais no Estado está a trabalhar sem receber o ordenado de 740 euros, noticia o Expresso deste fim-de-semana.

O jornal avança inclusive com exemplos: a GNR e o Instituto Nacional de Estatística, onde os estagiários em funções desde 1 de Março não receberam ainda qualquer vencimento.

O Programa de Estágios Profissionais na Administração Pública foi lançado pelo Governo em Novembro. Visa oferecer lugares a três mil jovens licenciados e em situação de desemprego. Só foram seleccionados, contudo, candidatos suficientes para preencher 1.350 do total dos estágios. O Governo justifica o atraso com as mais de cem mil candidaturas recebidas.»

Saturday, May 13, 2006

Land of the free

The American Revolution and Classical Liberalism

«The libertarian creed, writes Murray Rothbard, emerged from the "classical liberal" movements of the seventeenth and eighteenth centuries in the Western world, specifically, from the English Revolution of the seventeenth century. This radical libertarian movement, even though only partially successful in its birthplace, Great Britain, was still able to usher in the Industrial Revolution there by freeing industry and production from the strangling restrictions of State control and urban government-supported guilds. For the classical liberal movement was, throughout the Western world, a mighty libertarian "revolution" against what we might call the Old Order»


The Rocky Road of American Taxation

«No modern revolution was deeper rooted in taxation than the revolt of the Thirteen Colonies in British North America, writes Charles Adams. British taxation not only caused the revolution, but perhaps most important, it acted as a unifying force in the colonies. The Stamp Act Congress, as it was called, was the real birthplace of the United States.»

Thursday, May 11, 2006

À atenção dos legisladores

Praias: desrespeito pela bandeira vermelha vai ser punido com multa

«Os banhistas que entrarem no mar quando estiver içada a bandeira vermelha arriscam-se a pagar uma multa, de acordo com as novas regras a aplicar já na época balnear deste ano, que começa a 1 de Junho.»

Por uma questão de uniformização do código ético regulador da justiça em Portugal, sugere-se que a tentativa de suicídio seja igualmente penalizada em todos os casos por uma caução de valor a determinar em tribunal (consoante a gravidade do acto e a probabilidade estimada à partida de ocorrer com sucesso) e a pena capital seja novamente reintroduzida no sistema legal português de forma a torná-la aplicável a todos os casos de crime de suicídio ocorridos com resultados satisfatórios.

Wednesday, May 10, 2006

Desigualdade e coeficiente de Gini

Uma leitura muito importante do João Caetano Dias no Blasfémias: O Valor dos Índices

[Sobre o mesmo assunto: How Prosperity Generates Poverty]

Como é o mundo...


A casa onde nasceu Karl Marx - que viveu muitos anos na capitalista Inglaterra e lá pereceu, à semelhança do seu amigo e filho da (mesma) luta, Friederich Engels* - está transformada num adro de malvadas doninhas capitalistas sociais-democratas. Pobre Marx [adjectivo no posicionamento sintáctico e semântico correcto].

O amigo Marx, nascido na pequena cidade de Trier, perto da fronteira com o Luxemburgo - outro país onde o comunismo sempre floresceu como na RFA - certamente nunca terá pensado que o seu desgraçado leito de nascimento poderia vir a gerar riqueza em vez de a distribuir (ao menos em teoria) coercivamente (na prática, sempre, com ou sem redistribuição) mas a verdade é que o está a fazer.

O Marginal Revolution referia recentemente um artigo publicado no New York Times sobre o lucro astronomicamente obsceno (peço desculpa ao João Miranda) que os proprietários de tal imóvel (o SPD) têm obtido com a exploração do negócio. Não só eles, já que como o fluxo de turistas que visita a cidade é imenso, todo o sector de serviços tem alterado alguns dos seus padrões culturais para atender satisfatoriamente os clientes. E pergunta o caro leitor: De onde vem tanto turista?

Ora bem, ironicamente, da China. Diz-se ironicamente porque estamos a falar da mesma China de Mao mas que da China de Mao tem cada vez menos. Uma parte significativa possui já dinheiro para viajar à sua vontade:

"Years ago, state visitors from China used to come to see the Marx House," said Robert Noll, chief of the Trier Tourist Development office. "They would spend a couple of hours, take a picture and then leave. But in the late 1990's, when Chinese tourism picked up in Europe, we saw the opportunity."


Que coisa tão horrível é dar às pessoas aquilo que elas desejam, tais como o capitalismo ao serviço da divulgação do comunismo em todas as frentes. As declarações de uma das entrevistadas demonstram isto mesmo, não deixando dúvidas sobre os seus problemas psicológicos em distinguir as relações causa-efeito:

"If Europe had been the same in Marx's time as it is now, there would have been no Marxism," she said. "But there was a big difference in Marx's day between the rich and the poor. And if China in the past was like China is now, we wouldn't have had any need for Marxism either."

"But China was very, very poor," said the woman, who did not give her name. "And if we hadn't had Marxism, we wouldn't be the way we are today."

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* Esta presença dos comunistas e afins em solo inimigo é perfeitamente justificável pela necessidade de combater o vírus liberal desde dentro. Aliás, deve ser a razão pela qual Louçã também diz que gostaria de viver nos EUA. Qualquer tentativa de atribuição de tais declarações/acções às diferenças de qualidade de vida entre os demais países é totalmente infundada. Aliás, é uma verdade estatística que, por exemplo, todos os americanos fogem para o México e todos os espanhóis para Marrocos.

Tuesday, May 09, 2006

Meus senhores, sejam realistas

Está-se sempre a falar do Grande Satã, do Grande Satã, de como não gostamos do Grande Satã e também de como devemos livrar-nos do Grande Satã e das suas influências.

Mas existe um problema gravíssimo e tendencialmente recorrente com todos estes grupos contra o Grande Satã. Estes portadores de um indiscutível e tão característico fervor religioso (que muitas vezes assume traços fundamentalistas) já deveriam saber que precisam praticamente sempre do Grande Satã para vencer os restantes inimigos, nomeadamente os restantes sobreviventes da Guerra Fria, o principal problema da Guerra Fria, os eventuais problemas da inteligência artificial e da engenharia biológica (coisas das quais os sobreviventes da Guerra Fria também não gostam nada) e os outros dilemas relacionados com o aumento dos preços das pastilhas elásticas devido aos preços do barril crude.

Reclamam pela sua existência e queixam-se de que ele está em todas. Mas quando não está, reclamam também devido à sua passividade. Vá lá. Confessem. Vocês precisam do Grande Satã.

Thursday, April 20, 2006

Pausa

Por razões pessoais, este espaço entra em estivação temporária durante uns dias.

Saturday, April 15, 2006

Financiar o ordenado

Como se pode obrigar alguém a pagar uma multa quando o dinheiro dessa caução serve precisamente para financiar coisas como o pagamento de multas que, na realidade, não podem ser aplicadas por estas mesmas razões? Por outras palavras, como é que uma pessoa pode ser paga com o dinheiro proveniente de multas aplicadas a si mesma e reutilizá-lo para pagar outras multas que, por sua vez, pagam o seu ordenado e que são, portanto, meramente virtuais?

Bem, não pode. Esta espécie de esquema de Ponzi em larga escala resulta porque a dívida pública existe e será paga pelas próximas gerações de contribuintes, os otários que trabalham para ser multados e não podem reaver o seu dinheiro de praticamente nenhuma forma.

No máximo dos máximos, o que alguns destes políticos vão sofrer é simplesmente uma redução do seu ordenado líquido. Será que vamos ouvir os defensores dos direitos dos trabalhadores e os representantes sindicais a reclamar contra a injustiça que com a administração está a tratar os funcionários públicos?

Wednesday, April 12, 2006

Soma nula

O Diário Económico noticia hoje que as previsões para a economia mundial deste ano são de um crescimento de 3,5%. Ora, como se sabe, este valor só pode ser falso porque os ricos estão cada vez mais ricos e os pobres cada vez mais pobres. O valor obtido apenas pode ser o produto de uma conspiração da Nova Ordem Mundial da Globalização porque, como também já se sabe, os países ricos exploram inequivocamente (e insensivelmente, diga-se de forma clara) os países mais pobres, em adição ao roubo directo entre patrões e trabalhadores que se dá nestes próprios países ricos.

Esta previsão tem de ser necessariamente um complot porque, se fosse realmente verdade, existiria apenas uma explicação plausível para os seus resultados. O problema é encontrar qual a civilização extraterrestre que temos andado a roubar todos estes séculos.