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Friday, March 31, 2006

Eu non creo nas meigas, mais...

Há dias, o meu ISP enviou-me uma carta para me comunicar que a velocidade downstream da minha ligação iria ser quadruplicada a custo zero. A carta começava inocentemente da seguinte forma:

"Caro Cliente,

Acompanhando a evolução constante do mercado e das tecnologias de banda larga para acesso à Internet..."

Ontem, a velocidade desta referida ligação começou a mostrar valores coerentes com uma velocidade de transmissão de informação 4x superior à anterior (dentro da taxa de contenção prevista).

Eu não acredito nessa coisa do capitalismo. Mas diz que é verdade.

Thursday, March 30, 2006

Ciência real à inglesa




Na página da Royal Society, uma sondagem interessante para os estudantes:

Do you think this generation is doing enough about global warming?

- Yes
- Should do a little more
- Should do much more
- Not even close

Alguém me sabe dizer onde foram parar as seguintes opções?

1) No
2) Should do a little less
3) Should do much less
4) Should not do anything at all
5) Has global warming been scientifically proved anyway?

Em todas as áreas da ciências físicas (que, por definição, requerem a utilização de técnicas rigorosas em torno do chamado método científico) se fala em teorias. Acontece isto porque a ciência é por natureza incerta, no sentido em que lida com realidades que não constituem dogmas inquestionáveis. O seu próprio objectivo é o de eliminar a ignorância que gera esta incerteza através da capacidade de sistematização do conhecimento e da determinação dos mecanismos pelos quais o nosso universo funciona.

Não deixa de ser relevante relembrar que as duas teorias mais importantes do século XX, a teoria da relatividade e a teoria da mecânica quântica, continuem a ser chamadas de teorias. E continuarão a ser apelidadas desta forma, assim como a teoria do Big Bang, a teoria da evolução e outras, precisamente porque é impossível descartar outras hipóteses explicativas que sejam mais abrangentes, completas e igualmente ou mais eficazes do que as anteriores. Se estas surgirem, as teorias anteriores passarão a estar obsoletas, poderão ser adaptadas ou continuarão a sobreviver indefinidamente a todos os testes propostos até que sejam depostas (ou, talvez, derradeiramente provadas, um dia).

É, portanto, preocupante que a Royal Society, a academia das ciências britânica, assuma três aspectos significativos quanto à teoria do aquecimento global e sua representação nas previsões futuras para a física atmosférica e climatologia. O primeiro é o de que o aquecimento global não é uma teoria mas que se trata de um facto irrecusável. Poder-se-ia sugerir que existe consenso científico total em torno desta questão, especialmente sobre se a sua eventual causa seria a actividade humana, mas a verdade é que este não existe.

O segundo é o de que as alterações climáticas, a existirem tal como são sugeridas pela teoria do aquecimento global (se é que a teoria sugere alguma coisa de coerente para além de que toda e qualquer manifestação atmosférica seja uma prova irrefutável da sua veracidade), podem ser revertidas através da acção humana e de políticas específicas que visem uma diminuição deste dito aquecimento, nomeadamente utilizando acordos como o pacto de Quioto. Para além de dar como certo que pode existir uma espécie de "reversão artificial" para a situação presente, admite-se igualmente que tanto a própria dinâmica do planeta em que vivemos é naturalmente estável (quando todas as indicações históricas apontam o contrário) e que um avanço significativo nas técnicas de preservação ambiental ou equivalentes ao longo da evolução das sociedades humanas será irrelevante para o processo. Em ambos os casos, devido à falta de acesso a informação essencial, assume-se ingenuamente a situação mais simplista - a de que o ser humano pode actualmente dominar o clima planeta Terra.

O terceiro, e talvez o mais revelador do enviesamento da sondagem, é o de que, se houver um aquecimento global real e (ir)reversível pela aplicação de uma política ambiental restritiva das liberdades individuais, seria benéfico para todos que este aquecimento não acontecesse. Ou seja, o aquecimento global é mau por natureza. Mas esta conclusão é retirada não com base na história climática da Terra (que já foi de temperaturas horrivelmente altas a horrivelmente baixas) mas sim na imagem geológica imutável que estas pessoas têm do local que habitam. Infelizmente para as suas visões sonhadoras, as civilizações crescem, adaptam-se, evoluem. E o mesmo acontece ao que as rodeia. A sondagem, no entanto, não assume que alguém queira que um aquecimento do planeta se dê. Não se compreende bem porquê. Isto até poderia beneficiar muita gente.

Quais são as conclusões a retirar?

Quem aceder à página da Royal Society e nunca tenha ouvido falar do aquecimento global (e mesmo quem já tenha) ficará com 3 ideias essenciais: o aquecimento global, tal como expresso comummente na opinião pública, é um facto científico comprovado, pode ser evitado se forem aplicadas soluções coercivas e é intrinsecamente mau.

É pena. Porque o aquecimento global deixou de ser uma teoria científica e a climatologia um ramo de estudo académico para se transformarem ambos num movimento mundial de cariz político e tergiversação anti-capitalista. E para isso, afectam-se negativamente as pessoas, o estudo da ciência em si e a economia dos países que estas pessoas dizem querer salvar de uma catástrofe sem precedentes.

Sócrates! Sócrates!

Primeiro-ministro apresenta novo programa para a Ciência

«Num debate dedicado à Ciência, o primeiro-ministro prometeu, ontem, incluir no Orçamento de Estado para 2007 um aumento em 250 milhões de euros no investimento público na área da inovação e conhecimento. José Sócrates comprometeu-se, perante o Parlamento, a alcançar um mínimo de 1% no investimento em Ciência até ao final da legislatura e já fez desta área a "menina dos seus olhos", chegando ao ponto de dizer que "nunca nenhum Governo gostou tanto da Ciência como este". Das sete medidas anunciadas, os partidos da Oposição receberam todas com agrado, dando "luz verde", embora esperem para ver como o Governo as levará à prática.»

É assim mesmo! Viva o Eng. Sócrates! Agora é que este país vai finalmente andar p'rá frente!

Wednesday, March 29, 2006

Talvez o Actimel não chegue

No Financial Times:

«An opinion poll, published by Le Figaro newspaper on Saturday, showed that 50 per cent of French people did not have faith in the market economy - compared with 20 per cent in communist China. One of history's eternal questions resounds around Paris once again: can France reform itself without revolution?»

(via Johan Norberg)

Um artigo do Brussels Journal já assim rezava há dias:

«Today, leftist students in France continued their demonstrations against France’s new labor law. They do not want any “Anglo-Saxon” conditions.»



Total (%) unemployment in France for those 25 and under

Só por curiosidade (não vá alguém pensar que possa existir uma relação directa entre estes factores), as classificações dos países referidos na categoria Labor market regulations [1] do último relatório do canadiano Fraser Institute (Economic Freedom of the World) são as seguintes:
  • EUA (10º)
  • Reino Unido (19º)
  • França (58º)
---

[1] Labor market regulations:

i) Impact of minimum wage—the minimum wage, set by law, has little impact on wages because it is too low or not obeyed

ii) Hiring and firing practices—hiring and firing practices of companies are determined by private contract

iii) Share of labor force whose wages are set by centralized collective bargaining

iv) Unemployment benefits—the unemployment benefits system preserves the incentive to work

v) Use of conscripts to obtain military personnel

Saturday, March 25, 2006

Privatizar a água

Um artigo sobre a privatização dos recursos hídricos em Espanha mas que pode perfeitamente aplicar-se ao caso português, especialmente à histeria colectiva que se sofre no Verão de cada vez que se dá uma seca e é necessário apelar ao "civismo" dos consumidores.

¿Por qué hay que privatizar el agua en España? (Juan Ramón Rallo)

"Cuando se plantea la necesidad de privatizar el agua saltan todas las alarmas. ¿Por qué debe privatizarse un bien necesario para la vida? La respuesta es sencilla: precisamente porque el agua es necesaria para vivir debe ser privatizada. Ya que el gobierno emponzoña todo lo que toca, mejor será que nos moleste en las áreas menos importantes de nuestra vida.

(...)

Aun sin pretender ser exhaustivo, la privatización del agua redundaría en nuestro beneficio de tres formas diferentes.

La primera y más evidente es que los usos del agua mejorarían. España es un país con grandes plantaciones agrícolas que utilizan métodos de inundación dado los bajos precios del agua. Esto supone un despilfarro evidente por cuanto muchas de esas plantaciones dejarían de ser rentables en caso de que el precio del agua no estuviera subvencionado por la Administración. Los períodos de sequía y la sobreexplotación y salinización de acuíferos que sufre nuestro país son una consecuencia de un precio del agua demasiado bajo. Si le preocupa nuestro medio ambiente, defienda la privatización del agua.

La segunda mejora tendría lugar en la calidad del agua corriente. Las distintas administraciones del Estado carecen de incentivos para mejorar y mantener un suministro de calidad, hasta el punto de que en algunas ciudades el agua roza los límites de la potabilidad. Dado que los ingresos del Estado no dependen de la correcta satisfacción de nuestras necesidades (sino de la cantidad de impuestos que sean capaces de rapiñar) no se genera una efectiva competencia entre los distintos proveedores de agua que impulse una mejora de su calidad.

Por último, la privatización del agua permitiría una correcta imputación de los precios y de la rentabilidad esperada a los distintos bienes de capital que coadyuvan al suministro de agua. Hoy en día las inversiones en pantanos, salinizadoras, tuberías y trasvases diversos se hacen sin ton ni son. El Estado ignora si estas obras son rentables (y cuál de sus estructuras tecnológicas y trazados es más rentable), precisamente porque no existe un precio del agua que permita calcular su valor presente."

Friday, March 24, 2006

EUA vs. Europa

GOD VERSUS THE STATE

"Of course, Continental Europe is different from the US. What Americans see as naturally paired -- individualism with tradition, Christian fundamentalism with open markets -- have been separated in Europe since the Thirty Years War. In America, the individual came before the state, in theory and in chronology.In Europe after the Thirty Years War, for want of a strong middle class, rebuilding society was a matter for princes and the royal elite.

In American tradition, the only power looking out for everyone is an individual God. In Europe, the state is the basis and goal of every social structure. Europe wasn't built by land-hungry colonists plunging into an unknown world, but by French kings and their Habsburg cousins, trying to forge a stable society from the ashes of the (bitterly religious) Thirty Years War. The still-virulent mercantilism of leaders like French President Jacques Chirac and French Interior Minister Nicolas Sarkozy has its roots in this past.

(...)


That's the difference between the US and Germany: Americans are used to minimal government, but for Germans, after two world wars and the collapse of almost every religious certainty, the welfare state has become a spiritual necessity, which can be reformed but not revolutionized without damage to the collective soul."

La solution pour la France



Jovens estudantes, estão dispostos a aceitar o desafio Actimel?*

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*[Cientificamente testado em laboratórios gauleses, L. Casei Imunitass provou ser, ao fim de poucas semanas de consumo, um elemento importante para a manutenção de sectores estratégicos da economia francesa e, em simultâneo, um regulador do equilíbrio emocional e psicológico em 94% dos casos]

Thursday, March 23, 2006

iPortugal

Portugal é definitivamente um país de timoneiros iluminados. Há tempos atrás, Jorge Sampaio dizia que eram necessários mais licenciados para incentivar a economia e o emprego (ficámos a saber que a atribuição de um diploma académico tem uma correlação directa e é uma causa do crescimento real do PIB), José Sócrates está sempre a falar da inovação tecnológica que estimulará a economia - daí a justificação do Plano - e, há dias, o ministro da agricultura Jaime Silva afirmou que Portugal devia apostar na floresta.

Há um padrão interessante em toda esta balbuciação colectiva. Se perguntarmos ao Zé do café, ele dirá que Portugal precisa de investir no Brasil. O Carlos da mercearia acha que Portugal devia investir mais em vinicultura, o Manel na indústria automóvel e a Maria, num acesso mercantilista, pensa que Portugal devia era estimular a indústria para aumentar as exportações. O Victor, por sua vez, crê que se apoiarmos mais a investigação científica estaremos no melhor caminho para o desenvolvimento.

Todos eles têm uma opinião mas nenhum deles está a discutir o destino do seu próprio dinheiro. De forma semelhante a todos os governantes de bancada que Portugal tem, os verdadeiros governantes sentem-se à vontade para falar das áreas em que deve ser aplicado o dinheiro que é extraído coercivamente aos cidadãos. E porque acontece isto? Simplesmente porque não é um produto do seu trabalho mas sim do dos outros.

Não existe lógica alguma associada a estas afirmações já que os sectores mencionados são quase sempre escolhidos aleatoriamente ou citados com base em falácias económicas. Se estes investimentos fossem realmente importantes, não seria necessário recorrer a fundos recolhidos pelo Estado para criar um mercado mais activo. Se estes investimentos fossem realmente relevantes, todas estas pessoas estariam - em vez de sugerir aos outros o que deveriam fazer ou gerir irresponsavelmente as aplicações dos impostos dos contribuintes - a esconder muito bem as suas intenções e a aproveitar a tal oportunidade indiscutivelmente benéfica para si mesmas.

Como a actividade não é assim tão imprescindível e indispensável como a querem fazer passar - porque não oferece ou adiciona qualquer vantagem significativa ao público-alvo a que é dirigida ou os eventuais riscos são demasiado elevados (o que, por si, denota a fragilidade e incerteza associada ao investimento) - limitam-se a gastar o dinheiro dos outros para causar ainda mais estragos ou a tentar especular e indicar aos outros o que fazer.

Jogar aos planos quinquenais pode ser muito divertido mas a realidade não é um jogo de computador. Existem bens que são mais ou menos valorizados por cada um dos indivíduos consoante as suas necessidades pessoais. Subsidiar a produção de um determinado bem de consumo ou serviço como se fosse algo de extrema importância é, para além de queimar dinheiro e usá-lo para pegar fogo à casa, dar uma noção errada a toda a sociedade e ao mercado de quais as prioridades que estão a ser definidas pelos consumidores, naquele dado instante, como mais essenciais (um discurso em muito semelhante ao da "confiança").

Remember, remember the 5th of November




"What we need right now is a clear message to the people of this country. This message must be read in every newspaper, seen on every television"

(...)

"I want everyone to remember why they need us!"



"People shouldn't be afraid of their governments. Governments should be afraid of their people"

Wednesday, March 22, 2006

2 caules, 1 raiz

El Che suplanta a Rudolf Hess

"Los símbolos y la indumentaria de los jóvenes neonazis alemanes se ven invadidos por la efigie del revolucionario argentino, banderas rojas y pañuelos palestinos

El fenómeno llama la atención desde hace varios años: en las manifestaciones de neonazis alemanes hay cada vez más banderas rojas, pañuelos palestinos y camisetas con la efigie del Che Guevara. Si bien es cierto que por ejemplo la ultraderecha de Jean-Marie Le Pen en Francia no le hace ascos a una retórica antiimperialista que distinguía antes a la izquierda revolucionaria, en la mayoría de países europeos sigue predominando el clásico cabeza rapada. En Alemania, lo que a primera vista puede parecer una ensalada ideológica muy mal aliñada va en realidad mucho más allá de la anécdota y responde al cambio de estrategia de un movimiento neonazi cada vez más dividido, que busca consolidarse en la sociedad civil y ampliar su influencia política.

(...)

En su oficina de Berlín, Korgel nos enseñó decenas de fotos callejeras de neonazis absolutamente irreconocibles como tales. Pañuelo palestino al cuello, camiseta del Che Guevara, bandera de Irak en ristre y barbita de chivo. Hasta los eslóganes y el vocabulario que utilizan muchos de ellos (el verbo inglés «smash», usado con el significado de «aplastar» al enemigo político) eran hasta ahora patrimonio exclusivo del revolucionario izquierdista.

En cuanto a los temas que esta nueva ultraderecha discute cada vez con más ahínco se cuentan la guerra de Irak, la ocupación israelí y la globalización, que permiten dar rienda suelta a los clásicos estereotipos antisemitas sin necesidad de pronunciarlos abiertamente. «El antisemitismo es, de hecho, una pinza que aglutina casi todos los temas», explica Korgel, aunque precisa que este antisemitismo de nuevo cuño no ha desplazado del todo al de carácter puramente racista que caracterizó al régimen nazi en Alemania."

(via Road to Freedom)

Escândalo do dia

O governo português subsidia a indústria norte-americana que deslocaliza as suas empresas para explorar a mão-de-obra asiática a baixo custo.

Tuesday, March 21, 2006

Dois mundos diferentes

Le défi américain de Jorge A. Vasconellos e Sá

A diferença entre o PIB ‘per capita’ dos EUA e da Europa tem vindo a acentuar-se mesmo depois dos ‘show-offs’ de Lisboa (2000) e Barcelona (2002).

”Le défi americain” é o nome do ‘best-seller’ da década de 60 de S. Schreiber, o qual defendia uma tese simples: a Europa estava a perder a batalha económica com os EUA.

Quarenta anos depois tem igual razão? Não. Tem ainda mais razão. A diferença entre o PIB ‘per capita’ (a PPC) dos EUA e da Europa tem vindo a acentuar-se Mesmo depois dos ‘show-offs’ de Lisboa (2000) e Barcelona (2002). O valor europeu não passa hoje de 70% do americano. A Europa diverge dos EUA.

(...)

Porque enquanto o mercado americano tem duas características amigas da inovação: liberdade e simplicidade, a Europa substitui-as pela regulamentação e burocracia. Donde, enquanto as políticas americanas são fonte de progresso, as europeias vivem obcecadas com o controlo de custos, e preços.

(...)

Perante este fracasso de controlo de custos, que fazem os governos europeus? Introduzem mais e mais medidas. Logo, não há estabilidade para as empresas desenvolverem a sua actividade. E assim elas emigram. Votam com os pés. Tudo isto constitui uma lição especialmente importante para Portugal.

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Estudo Timbro de 2004 (já mencionado aqui várias vezes):

EU versus USA

If the European Union
were a state in the USA it would belong to the poorest group of states. France, Italy, Great Britain and Germany have lower GDP per capita than all but four of the states in the United States. In fact, GDP per capita is lower in the vast majority of the EU-countries (EU 15) than in most of the individual American states. This puts Europeans at a level of prosperity on par with states such as Arkansas, Mississippi and West Virginia. Only the miniscule country of Luxembourg has higher per capita GDP than the average state in the USA. The results of the new study represent a grave critique of European economic policy.

Stark differences become apparent when comparing official economic statistics. Europe lags behind the USA when comparing GDP per capita and GDP growth rates.

"Tenemos un proyecto estratégico"

Uma corajosa equipa norueguesa da TV2 tenta entender o paradoxo da Venezuela de Chávez. Por um lado, todos sabem que o presidente combate a pobreza e ajuda os mais desprotegidos. Por outro, o que se observa fora dos discursos propagandistas é precisamente o contrário. Neste vídeo (também uma oportunidade interessante para ouvir Bokmål), podemos ver um médico completamente desesperado com a situação e a reacção do defensor do socialismo do século XXI.


Esperemos que nada de mal tenha acontecido àquele médico. Outros vídeos no YouTube sobre a Venezuela:

- Los derechos humanos en Venezuela

- Miseria y Hambre en Venezuela

Saturday, March 18, 2006

Jornalismo de causas = pouca informação?

Portugal Joins Growing International Collaboration Building the Pierre Auger Observatory

«Malarguë, Argentina—The Pierre Auger Cosmic Ray Observatory will formally welcome Portugal’s Laboratory of Instrumentation and Experimental Particle Physics as its newest member institution during the collaboration meetings 15-19 March in Malarguë, Argentina, site of the world’s largest cosmic ray detector array.

(...)

"Portugal is proud of joining the Auger collaboration," said Jose Mariano Gago, Portugal’s Minister of Science and Technology. "Having joined CERN in 1985, Portugal has initially focused its scientific and technical efforts in the CERN Programme. More recently, however, coordinated activities on astroparticle physics were also actively pursued. Cosmic ray physics is an old field, renewed by experiment and theory, and is an exciting and unique frontier of observation of the cosmos. I would like to congratulate Auger collaborators for their vision and efforts and I wish all the best to the new Portuguese team in Auger."»

Procurei pela notícia no Sapo Notícias e no Google News sem sucesso. As secções de ciência nada mostram. O Ciência Hoje nada diz e o mesmo se aplica à secção de Física do 2010. Uma rápida pesquisa na blogosfera em português usando o Googlesearch também não mostra nada. Última tentativa? Ir à página do próprio LIP para tentar ver se se dizia alguma coisa. Ao entrar na categoria de novidades do LIP, sou redireccionado para uma página em inglês com 2 "announcements", um de 2000 e o outro de 2002. Uma das ligações não funciona e a outra é para o CERN.

Existem jornalistas a sério em Portugal? Daqueles que dão notícias? Porque julgam sempre os ministros que podem falar em nome dos habitantes dos países que governam sem legitimidade absoluta? Como podem os portugueses estar orgulhosos de uma coisa que não souberam por ninguém a não ser que tenham cometido o improvável acto de consultar as notícias do Observatório Pierre Auger ou ler o Interactions (ambos em inglês)?

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Nota: A quem possa interessar, foram recentemente divulgados os dados do 3º ano do WMAP (Wilkinson Microwave Anisotropy Probe). Esta bonita foto abaixo (NASA/WMAP Science Team) é o aspecto do nosso Universo primordial visto através da radiação de fundo.



Segundo estes dados, as novas previsões para a composição do Universo ficam assim divididas nas seguintes percentagens:



Não se conhece precisamente algo como 96% do que compõe o Universo e aqueles 4% são maioritariamente formados por hidrogénio e hélio livres. Faz qualquer ser humano acreditar no antropocentrismo.

Mais informações:

  • Página oficial da NASA sobre o WMAP
  • LAMBDA (Legacy Archive for Microwave Background Data Analysis) com mais informações e artigos sobre o WMAP e outras experiências anteriores relacionadas com a radiação cósmica de fundo como o pobre, famoso, já reformado mas ainda em órbita COBE)

Consórcio privado

Continuo muito bem sem entender a razão de tanto protesto por parte dos estudantes franceses. Com qualidades daquelas, qualquer olheiro das células terroristas da Al-Qaeda os coloca na lista de recrutas a contratar.

É verdade que pode ser um emprego precário mas também pode ser uma oportunidade única de garantir um contrato indefinido que dure o resto das suas vidas.