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Wednesday, March 22, 2006

2 caules, 1 raiz

El Che suplanta a Rudolf Hess

"Los símbolos y la indumentaria de los jóvenes neonazis alemanes se ven invadidos por la efigie del revolucionario argentino, banderas rojas y pañuelos palestinos

El fenómeno llama la atención desde hace varios años: en las manifestaciones de neonazis alemanes hay cada vez más banderas rojas, pañuelos palestinos y camisetas con la efigie del Che Guevara. Si bien es cierto que por ejemplo la ultraderecha de Jean-Marie Le Pen en Francia no le hace ascos a una retórica antiimperialista que distinguía antes a la izquierda revolucionaria, en la mayoría de países europeos sigue predominando el clásico cabeza rapada. En Alemania, lo que a primera vista puede parecer una ensalada ideológica muy mal aliñada va en realidad mucho más allá de la anécdota y responde al cambio de estrategia de un movimiento neonazi cada vez más dividido, que busca consolidarse en la sociedad civil y ampliar su influencia política.

(...)

En su oficina de Berlín, Korgel nos enseñó decenas de fotos callejeras de neonazis absolutamente irreconocibles como tales. Pañuelo palestino al cuello, camiseta del Che Guevara, bandera de Irak en ristre y barbita de chivo. Hasta los eslóganes y el vocabulario que utilizan muchos de ellos (el verbo inglés «smash», usado con el significado de «aplastar» al enemigo político) eran hasta ahora patrimonio exclusivo del revolucionario izquierdista.

En cuanto a los temas que esta nueva ultraderecha discute cada vez con más ahínco se cuentan la guerra de Irak, la ocupación israelí y la globalización, que permiten dar rienda suelta a los clásicos estereotipos antisemitas sin necesidad de pronunciarlos abiertamente. «El antisemitismo es, de hecho, una pinza que aglutina casi todos los temas», explica Korgel, aunque precisa que este antisemitismo de nuevo cuño no ha desplazado del todo al de carácter puramente racista que caracterizó al régimen nazi en Alemania."

(via Road to Freedom)

Escândalo do dia

O governo português subsidia a indústria norte-americana que deslocaliza as suas empresas para explorar a mão-de-obra asiática a baixo custo.

Tuesday, March 21, 2006

Dois mundos diferentes

Le défi américain de Jorge A. Vasconellos e Sá

A diferença entre o PIB ‘per capita’ dos EUA e da Europa tem vindo a acentuar-se mesmo depois dos ‘show-offs’ de Lisboa (2000) e Barcelona (2002).

”Le défi americain” é o nome do ‘best-seller’ da década de 60 de S. Schreiber, o qual defendia uma tese simples: a Europa estava a perder a batalha económica com os EUA.

Quarenta anos depois tem igual razão? Não. Tem ainda mais razão. A diferença entre o PIB ‘per capita’ (a PPC) dos EUA e da Europa tem vindo a acentuar-se Mesmo depois dos ‘show-offs’ de Lisboa (2000) e Barcelona (2002). O valor europeu não passa hoje de 70% do americano. A Europa diverge dos EUA.

(...)

Porque enquanto o mercado americano tem duas características amigas da inovação: liberdade e simplicidade, a Europa substitui-as pela regulamentação e burocracia. Donde, enquanto as políticas americanas são fonte de progresso, as europeias vivem obcecadas com o controlo de custos, e preços.

(...)

Perante este fracasso de controlo de custos, que fazem os governos europeus? Introduzem mais e mais medidas. Logo, não há estabilidade para as empresas desenvolverem a sua actividade. E assim elas emigram. Votam com os pés. Tudo isto constitui uma lição especialmente importante para Portugal.

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Estudo Timbro de 2004 (já mencionado aqui várias vezes):

EU versus USA

If the European Union
were a state in the USA it would belong to the poorest group of states. France, Italy, Great Britain and Germany have lower GDP per capita than all but four of the states in the United States. In fact, GDP per capita is lower in the vast majority of the EU-countries (EU 15) than in most of the individual American states. This puts Europeans at a level of prosperity on par with states such as Arkansas, Mississippi and West Virginia. Only the miniscule country of Luxembourg has higher per capita GDP than the average state in the USA. The results of the new study represent a grave critique of European economic policy.

Stark differences become apparent when comparing official economic statistics. Europe lags behind the USA when comparing GDP per capita and GDP growth rates.

"Tenemos un proyecto estratégico"

Uma corajosa equipa norueguesa da TV2 tenta entender o paradoxo da Venezuela de Chávez. Por um lado, todos sabem que o presidente combate a pobreza e ajuda os mais desprotegidos. Por outro, o que se observa fora dos discursos propagandistas é precisamente o contrário. Neste vídeo (também uma oportunidade interessante para ouvir Bokmål), podemos ver um médico completamente desesperado com a situação e a reacção do defensor do socialismo do século XXI.


Esperemos que nada de mal tenha acontecido àquele médico. Outros vídeos no YouTube sobre a Venezuela:

- Los derechos humanos en Venezuela

- Miseria y Hambre en Venezuela

Saturday, March 18, 2006

Jornalismo de causas = pouca informação?

Portugal Joins Growing International Collaboration Building the Pierre Auger Observatory

«Malarguë, Argentina—The Pierre Auger Cosmic Ray Observatory will formally welcome Portugal’s Laboratory of Instrumentation and Experimental Particle Physics as its newest member institution during the collaboration meetings 15-19 March in Malarguë, Argentina, site of the world’s largest cosmic ray detector array.

(...)

"Portugal is proud of joining the Auger collaboration," said Jose Mariano Gago, Portugal’s Minister of Science and Technology. "Having joined CERN in 1985, Portugal has initially focused its scientific and technical efforts in the CERN Programme. More recently, however, coordinated activities on astroparticle physics were also actively pursued. Cosmic ray physics is an old field, renewed by experiment and theory, and is an exciting and unique frontier of observation of the cosmos. I would like to congratulate Auger collaborators for their vision and efforts and I wish all the best to the new Portuguese team in Auger."»

Procurei pela notícia no Sapo Notícias e no Google News sem sucesso. As secções de ciência nada mostram. O Ciência Hoje nada diz e o mesmo se aplica à secção de Física do 2010. Uma rápida pesquisa na blogosfera em português usando o Googlesearch também não mostra nada. Última tentativa? Ir à página do próprio LIP para tentar ver se se dizia alguma coisa. Ao entrar na categoria de novidades do LIP, sou redireccionado para uma página em inglês com 2 "announcements", um de 2000 e o outro de 2002. Uma das ligações não funciona e a outra é para o CERN.

Existem jornalistas a sério em Portugal? Daqueles que dão notícias? Porque julgam sempre os ministros que podem falar em nome dos habitantes dos países que governam sem legitimidade absoluta? Como podem os portugueses estar orgulhosos de uma coisa que não souberam por ninguém a não ser que tenham cometido o improvável acto de consultar as notícias do Observatório Pierre Auger ou ler o Interactions (ambos em inglês)?

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Nota: A quem possa interessar, foram recentemente divulgados os dados do 3º ano do WMAP (Wilkinson Microwave Anisotropy Probe). Esta bonita foto abaixo (NASA/WMAP Science Team) é o aspecto do nosso Universo primordial visto através da radiação de fundo.



Segundo estes dados, as novas previsões para a composição do Universo ficam assim divididas nas seguintes percentagens:



Não se conhece precisamente algo como 96% do que compõe o Universo e aqueles 4% são maioritariamente formados por hidrogénio e hélio livres. Faz qualquer ser humano acreditar no antropocentrismo.

Mais informações:

  • Página oficial da NASA sobre o WMAP
  • LAMBDA (Legacy Archive for Microwave Background Data Analysis) com mais informações e artigos sobre o WMAP e outras experiências anteriores relacionadas com a radiação cósmica de fundo como o pobre, famoso, já reformado mas ainda em órbita COBE)

Consórcio privado

Continuo muito bem sem entender a razão de tanto protesto por parte dos estudantes franceses. Com qualidades daquelas, qualquer olheiro das células terroristas da Al-Qaeda os coloca na lista de recrutas a contratar.

É verdade que pode ser um emprego precário mas também pode ser uma oportunidade única de garantir um contrato indefinido que dure o resto das suas vidas.

Thursday, March 16, 2006

PIB, inflação, riqueza

Más ricos de lo que pensamos
José Carlos Rodríguez

"El progreso económico es tan rico, tan amplio y caleidoscópico que se resiste a ser atrapado en un indicador como los cambios en el producto interior bruto.

Por ejemplo. Si damos el dato de que el PIB por habitante en Chile se ha doblado en los últimos 12 años en términos reales, podemos hacernos una idea intuitiva de lo que ha pasado en ese tiempo: la renta de los chilenos, medida en dólares, es groso modo del doble. Pero la realidad es mucho más compleja que eso. Porque para acercarnos a la realidad hemos descontado la inflación, el aumento generalizado de los precios. Lo que nos interesa es en realidad qué compran con ese dinero. Pero la inflación solo puede captar, torpemente, el precio de los bienes, no la calidad de los mismos. Cuando los organismos públicos hacen una “cesta de la compra” y crean una categoría para productos informáticos, no distinguen entre un 386 y un Intel de doble núcleo, los dos entran por igual en la misma casilla. En realidad, a medida que pasa el tiempo, la mejora tecnológica nos hace la vida más fácil y cómoda y nos permite hacer más cosas que antes, un progreso que se les escapa necesariamente a los esforzados funcionarios que clasifican los bienes y registran los precios.

No es la única razón por la que los datos macroeconómicos son incapaces de captar en toda su riqueza el progreso económico. Dos economistas, Christian Broda y David Weinstein han hecho un estudio ingenioso, en el que se preguntan precisamente si los datos no estarán dando una impresión errónea de los beneficios de la globalización para los Estados Unidos, su país. Ellos han encontrado que en 1972, los Estados Unidos importaban 7.800 tipos diferentes de bienes, cada uno de ellos importados desde seis países de media. Para 2001 los datos son 16.390 tipos de bienes, más del doble, importados de en torno a doce países de media. Es decir, que la variedad en los bienes que importan, como los que producen, se hace cada vez mayor. En consecuencia los consumidores tienen más opciones entre las que elegir, lo que nos ocurre también a nosotros. Cada año se producen bienes que no tienen precedentes. Nada de ello se recoge en un dato macroeconómico."

Wednesday, March 15, 2006

Ideias para a causa progressista

- Sugerir a paridade sexual para os nascimentos de futuros cidadãos através de laboratórios equipados para o efeito. Se o casal desejar ter um filho que desrespeite as quotas, forçá-los a abortar a criança;

- Legalizar o aborto com o único intuito de permitir a situação no parágrafo anterior. Em todas as outras ocasiões deve ser proibido por lei. Em caso de prisão, as mulheres devem partilhar as celas com rapazes adolescentes como forma de castigo;

- Chegar à conclusão de que defender os direitos dos homossexuais já não é uma causa da moda e se tornou demasiado vulgar para além de impedir que nasçam novos contribuintes de forma natural;

- Nacionalizar a indústria de contraceptivos para propositadamente produzir materiais de qualidade duvidosa e manter uma política de preços que não responde ao real valor do mercado;

- Subsidiar o comércio de afrodisíacos;

- Promover nos canais de televisão públicos programas em que aparecem crianças entre os 0-3 anos e pais muito felizes. Se alguma coisa acontecer ao bebé da cintura para baixo, cortar a cena e voltar a gravar minutos mais tarde;

- Punir a masturbação como genocídio em massa;

- Proibir organizações feministas que eventualmente queiram reclamar a independência da mulher e essas coisas parvas que fazem com que as mulheres não queiram ter filhos;

- Instituir ordens de condecoração militar para os maiores produtores de esperma a nível nacional. Fazer o mesmo para as mulheres que consigam produzir mais de 2 óvulos por mês sem tratamentos de fertilidade;

- Desincentivar fiscalmente o aparecimento de figuras como Odete Santos na televisão;

- Impor quotas de rádio para que o léxico usado passe a incluir uma percentagem de 10% de diminutivos acabados em -(z)inho/a, -ito/a, -ucho/a, etc. de forma a estimular o instinto maternal nas mulheres;

- Criar vários ramos de cursos universitárias leccionados pela catedrática Marta Crawford de forma a criar fiscalizadores do sexo que garantam a melhor e mais saudável prática sexual - o que levará a mais probabilidades de fecundação;

- Investir na indústria de mini-saias, camisas de decote arrojado, lingerie (a cor fica ao gosto do cliente) e outros produtos do mesmo género que produzam os mesmos efeitos freudianos no sexo masculino;

- Promover o pau de Cabinda como produto nacional;

- Fazer uma OPA hostil (mas com carinho) à Pfizer;

- Aproveitar as tendências multiculturalistas e relativistas para ilegalizar os conservadores reaccionários da Igreja Católica e implementar crenças islâmicas que levem à prática saudável de costumes polígamos;

- Distribuir cópias grátis do Kama Sutra;

- Proibir emissões televisivas de telenovelas no horário nobre;

- Efectuar frequentemente cortes de electricidade na EDP;

- Proibir expressamente o canal Parlamento e tornar ilegais todos os debates políticos (incluindo o Prós & Contras) na televisão portuguesa;

- Levar a ERC a fechar todos os blogues com excepção do top+;

- Abolir a noção de propriedade privada de forma a evitar que homens ou mulheres vivam sozinhos;

- Sá Leão a PM com funções acumuladas de PR.

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A causa progressista está sempre aberta a novas sugestões.

Nanny State strikes back

Inglaterra dá mesada aos meninos bonzinhos

"O Governo britânico decidiu dar uma mesada aos jovens bem comportados. A medida, divulgada pela BBC, foi anunciada esta quarta-feira pelo ministro das Finanças Gordon Brown e tem como objectivo dissuadir os comportamentos anti-sociais e criminosos.

Os jovens, entre os 13 e os 19 anos, vão receber um cartão com uma mesada entre 20 e 40 euros, para gastarem em actividades de desporto e lazer. Mas, aqueles que se portarem mal ficarão sem a mesada. «Isto é para jovens decentes e bem-comportados», explicou Gordon Brown."

Ainda acham que o paternalismo estatal é invenção dos "anarco-capitalistas paranóicos"?

Tuesday, March 14, 2006

Futurologia




Os socialistas odeiam a banca porque tem lucros injustificados. Contudo, ainda havemos de ouvir algum deles a defender que o BPI é um centro de decisão nacional e devemos ter cuidado com contra-OPAs estrangeiras.

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Update espiritual: Especialmente se vierem de bancos espanhóis.

O emprego não é um "direito adquirido"

De uma perspectiva liberal, a economia é vista como uma manifestação espontânea da natureza humana que, por si própria, aposta em inovar e melhorar o seu futuro através da redistribuição de bens relativamente escassos e da divisão das tarefas, respeitando as liberdades individuais de cada elemento da sociedade. Nesta visão do mundo, o emprego surge como uma forma de produção de bens de consumo que proporcionam este anunciado desenvolvimento e uma evolução positiva da economia no seu todo. O emprego é um meio através do qual são partilhados recursos - o proprietário paga um ordenado em troca de um serviço que o beneficia mais pessoalmente - e permite que novos recursos sejam reorganizados geográfica e socialmente. A função do emprego é, portanto, desempenhar um papel activo e dinâmico na produção ou valorização de algo que irá melhorar a vida de outrem.

O socialismo encara o emprego como algo a defender aguerridamente de forma cega. Enquanto, na realidade, todos os empregados influenciam directa e indirectamente, por mais ínfimo que seja o seu trabalho, a economia nacional e global, à teoria socialista importa o emprego em si e não a sua finalidade. Luta-se contra o desemprego de uma forma ideológica sem (querer) compreender as suas causas e sem entender sequer qual a verdadeira razão da actividade laboral e as suas consequências.

O mundo é habitado por exploradores (os patrões) que é necessário pressionar para obter salários mais elevados, não importando o valor real das tarefas executadas. É necessário criar emprego por via estatal e, mesmo em condições precárias, reclamar por melhores benefícios laborais. O socialista olha para a economia e vê o desemprego como factor de falta de produtividade e julga que instantaneamente a economia florescerá se o desemprego diminuir, mesmo que por via artificial. Não compreende a razão que leva os empregadores a efectuar contratos de trabalho nem quer perceber o âmbito do emprego, vendo-o como uma mera ocupação de tempo que tem por objectivo único gerar sustento próprio.

O imposto é mau em qualquer lado

Tax 'is hurting British competitiveness' de Gary Duncan

"BRITAIN’s biggest companies believe that the country’s international competitiveness is being undermined by rising business taxes and the growing inconsistency and complexity of tax rules.

A study for KPMG, the accounting firm, seen by The Times, shows that top management in Britain’s leading companies think that the UK risks losing its appeal over European rivals. Seven out of ten senior finance executives feel that Britain’s tax regime has made it less competitive.

The findings come as the CBI today steps up pressure on Gordon Brown before next week’s Budget, adding its voice to that of other groups demanding a cut in business taxes.

KPMG’s study of executives responsible for tax in FTSE 100 and 250 companies, and in big subsidiaries of foreign groups, showed that only 14 per cent of those questioned named Britain when asked to identify the top three countries for tax competitiveness. The poll was topped by the Republic of Ireland, followed by the Netherlands and Luxembourg.

The results coincide with growing business protests that the business tax burden in Britain is rising at a time when that of its leading international competitors is being cut.

Sixty-eight per cent of financial executives asked by KPMG said that complexity was a factor affecting decisions on expansion plans in Britain. Seventy-eight per cent said that tax law changes are made too often."
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Leitura recomendada:

For Society To Thrive, The Rich Must Be Left Alone by George Reisman

Sunday, March 12, 2006

Scottish one-liner



Hamish Wilson spotted a somewhat inappropriate company logo on a van outside his home in Glasgow city centre.

[Imagem enviada para a BBC]

Lev Landau, uma estrela da "ciência de Estaline"

Ainda sobre o tema da física durante o regime estalinista, é ocasião para deixar aqui um excerto do livro Black Holes & Time Warps: Eintein's Outrageous Legacy de Kip Thorne, actual Feynman Professor of Theoretical Physics no California Institute of Technology (Caltech).




O texto que que se segue, sobre o físico soviético Lev Landau, vencedor do prémio nobel da física em 1962, foi extraído do 5º capítulo da obra na sua versão em castelhano (Agujeros Negros y Tiempo Curvo: El escandaloso legado de Einstein). O livro é muito recomendável não só, obviamente, pelo seu conteúdo histórico como científico.

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La publicación de Landau sobre los núcleos de neutrones era realmente un grito pidiendo ayuda: las purgas de Stalin se hallaban en pleno apogeo en la URSS y Landau estaba en peligro. Landau esperaba que dando un golpe de efecto en los periódicos con su idea del núcleo de neutrones podría protegerse del arresto y la muerte. Pero Tolman y Oppenheimer no sabían nada de todo esto. Landau estaba en peligro debido a sus anteriores contactos con los científicos occidentales. Poco después de la Revolución rusa, la ciencia había sido objeto de atención especial por parte de la nueva dirección comunista. El propio Lenin había impulsado una resolución del Octavo Congreso del Partido Bolchevique en 1919 eximiendo a los científicos de los requisitos de pureza ideológica: «El problema del desarrollo industrial y económico exige el inmediato y amplio uso de expertos en la ciencia y la tecnología que hemos heredado del capitalismo, pese al hecho de que ellos están inevitablemente contaminados con ideas y costumbres burguesas». Especial interés merecía para los líderes de la ciencia soviética el penoso estado de la física teórica soviética, de modo que, con la bendición del Partido Comunista y del Gobierno, los jóvenes teóricos más brillantes y prometedores de la URSS fueron llevados a Leningrado (San Petersburgo) para realizar algunos años de estudios de postgrado, y luego, después de completar el equivalente a un doctorado en física, fueron enviados a la Europa Occidental para uno o dos años de estudios postdoctorales.

¿Por qué estudios postdoctorales? Porque en los años veinte la física se había hecho tan compleja que una formación al nivel de doctorado no era suficiente para dominarla. Para promover estudios complementarios se había establecido un sistema de becas postdoctorales a nivel mundial financiado principalmente por la Fundación Rockefeller (ventajas de las aventuras petrolíferas capitalistas). Cualquiera, incluso los fervientes marxistas rusos, podía competir por tales becas. Los que las obtenían eran denominados «becarios postdoctorales» o simplemente «postdocs».

¿Por qué la Europa Occidental para estudios postdoctorales? Porque en los años veinte Europa Occidental era la meca de la física teórica; allí residían casi todos los físicos teóricos sobresalientes del mundo. Los líderes soviéticos, en su desesperación para trasvasar la física teórica de la Europa Occidental a la URSS, no tenían otra elección que enviar allí a sus jóvenes teóricos para su formación, pese a los peligros de contaminación ideológica.

De todos los jóvenes teóricos soviéticos que hicieron el camino de Leningrado, luego Europa Occidental, y después la vuelta a la URSS, quien iba a tener con creces la mayor influencia en la física era Lev Davidovich Landau.

(…)

A su regreso a Leningrado en 1931, Landau, que era un ardiente marxista y patriota, decidió centrar su carrera en transferir la moderna física teórica a la Unión Soviética. Tuvo un éxito enorme, como veremos en capítulos posteriores. Poco después del regreso de Landau cayó el telón de acero de Stalin, haciendo casi imposibles nuevos viajes a Occidente. Como recordaba más tarde George Gamow, un condiscípulo de Landau en Leningrado, «La ciencia rusa se ha convertido ahora en un arma para combatir al mundo capitalista. Igual que Hitler estaba dividiendo la ciencia y las artes en campos judío y ario, Stalin creó la noción de ciencia capitalista y ciencia proletaria. "Confraternizar" con los científicos capitalistas [se estaba convirtiendo en] ... un crimen para los científicos rusos».

El clima político pasó de ser malo a ser horroroso. En 1936, Stalin, habiendo acabado ya con 6 o 7 millones de campesinos y kulaks (terratenientes) en su colectivización forzosa de la agricultura, inició una purga de varios años de duración de los líderes políticos e intelectuales del país, una purga ahora conocida como el Gran Terror. La purga incluyó la ejecución de casi todos los miembros del Politburó original de Lenin, la ejecución o desaparición forzosa, para no volver a ser vistos, de los jefes supremos del Ejército Soviético, cincuenta de los setenta y un miembros del Comité Central del Partido Comunista, muchos de los embajadores en el extranjero, y los primeros ministros y los funcionarios principales de las repúblicas no rusas. En niveles inferiores, aproximadamente 7 millones de personas fueron arrestadas y encarceladas, y 2,5 millones murieron —la mitad de ellos intelectuales, incluyendo un gran número de científicos y algunos equipos de investigación completos. La biología, la genética y las ciencias agrícolas soviéticas quedaron destrozadas.

A finales de 1937 Landau, entonces un líder de la investigación en física teórica en Moscú, sintió que el calor de la purga se le acercaba. Presa del pánico buscó protección. Una posible protección podría ser el centrar la atención pública sobre él como un eminente científico, así que buscó entre sus ideas científicas una que pudiera suponer un gran golpe de efecto en Occidente y en el Este al mismo tiempo. Su elección fue una idea en la que había estado meditando desde principios de los años treinta: la idea de que las estrellas «normales» como el Sol podrían tener estrellas de neutrones en sus centros: núcleos de neutrones como les llamó Landau.

(....)

En realidad, Landau había elaborado ya en 1931 una versión más primitiva de su idea del núcleo de neutrones. Sin embargo, el neutrón no había sido descubierto aún entonces y los núcleos atómicos habían constituido un enigma, de modo que la captura de átomos por el núcleo en su modelo de 1931 hubiera liberado energía mediante un proceso totalmente especulativo —un modelo basado en una sospecha (incorrecta) de que las leyes de la mecánica cuántica podían fallar en los núcleos atómicos. Ahora que el neutrón se conocía desde hacía cinco años y las propiedades de los núcleos atómicos empezaban a entenderse, Landau pudo hacer su idea mucho más precisa y convincente. Presentándola al mundo con un gran golpe publicitario podría desviar el fuego de la purga de Stalin.

A finales de 1937 Landau concluyó un manuscrito donde describía su idea del núcleo de neutrones; para asegurarse de que recibiría la máxima atención pública dio una serie de pasos poco usuales: la sometió para publicación, en ruso, a las Doklady Akademii Nauk (Comunicaciones de la Academia de Ciencias de la URSS, publicadas en Moscú), y paralelamente envió una versión inglesa a Niels Bohr, en Copenhague, el mismo famoso físico occidental al que Chandrasekhar había apelado cuando Eddington le atacó. (Bohr, como miembro honorario de la Academia de Ciencias de la URSS, era más o menos aceptable para las autoridades soviéticas incluso durante el Gran Terror.) Con su manuscrito, Landau envió a Bohr la siguiente carta:

Moscú, 5 de noviembre de 1937

Querido señor Bohr:

Adjunto un artículo que he escrito sobre la energía estelar. Si tiene sentido físico para usted, le pido que lo envíe a Nature. Si no es mucha molestia para usted, me gustaría mucho saber su opinión sobre este trabajo.

Con mi agradecimiento más profundo.
Suyo, L. Landau

(…)

Landau tenía amigos en altos puestos —lo bastante altos para disponer que, tan pronto como se recibiera la noticia de que Bohr había aprobado su artículo y lo había enviado a Nature, se le enviaría un telegrama de parte del consejo editorial de Izvestia. (Izvestia era uno de los dos periódicos más influyentes de la URSS, un periódico editado por y en nombre del gobierno soviético.) El telegrama salió el 16 de noviembre de 1937 y decía:

Por favor, infórmenos de su opinión sobre el trabajo del profesor Landau. Telegrafíenos, por favor, su breve conclusión.

Consejo editorial, Izvestia


Bohr, evidentemente algo intrigado y preocupado por la petición, respondió desde Copenhague el mismo día:

La nueva idea del profesor Landau sobre los núcleos de neutrones de las estrellas masivas es muy prometedora y del más alto nivel. Les enviaré con gusto una corta evaluación de ella y de otros diversos trabajos de investigación de Landau. Por favor, infórmenme más exactamente del fin para el que necesitan mi opinión.

Bohr


El consejo de Izvestia respondió que deseaban publicar la evaluación de Bohr en su periódico. Lo hicieron precisamente el 23 de noviembre, en un artículo que describía la idea de Landau y la alababa con fuerza:

Este trabajo del profesor Landau ha despertado gran interés entre los físicos soviéticos, y su idea central da nueva vida a uno de los procesos más importantes en astrofísica. Existen muchas razones para pensar que la nueva hipótesis de Landau resultará ser correcta y dará soluciones a toda una serie de problemas no resueltos en astrofísica ... Niels Bohr ha hecho una evaluación extremadamente favorable del trabajo de este científico soviético [Landau], diciendo que «La nueva idea de L. Landau es excelente y muy prometedora».

Esta campaña no fue suficiente para salvar a Landau. A primeras horas de la mañana del 28 de abril de 1938, llamaron a la puerta de su apartamento y se lo llevaron en una limusina negra oficial mientras su futura mujer Cora observaba aturdida desde la puerta del apartamento. El destino que habían corrido tantos otros era ahora también el de Landau.

La limusina llevó a Landau a una de las más famosas prisiones políticas de Moscú, la Butyrskaya. Allí le dijeron que sus actividades como espía alemán habían sido descubiertas, y tenía que pagar un precio por ellas. El que los cargos fueran ridículos (¿Landau, un judío y un ardiente marxista espiando para la Alemania nazi?) era irrelevante. Los cargos casi siempre eran ridículos. En la Rusia de Stalin raramente sabía uno la razón real de que hubiese sido encarcelado —aunque en el caso de Landau existen indicios en los archivos del KGB: en conversaciones con colegas había criticado al Partido Comunista y al Gobierno soviético por su forma de organizar la investigación científica y por los arrestos masivos de 1936-1937 que caracterizaron la época del Gran Terror. Tales críticas se consideraban una «actividad antisoviética» y podían llevarle a uno a la cárcel.

Landau tuvo suerte. Su encarcelamiento duró sólo un año, y sobrevivió a él —aunque a duras penas. Fue liberado en abril de 1939, después de que Pyotr Kapitsa, el más famoso físico experimental soviético de los años treinta, apelase directamente a Molotov y Stalin para que le dejasen salir con el argumento de que Landau y sólo Landau, de entre todos los físicos teóricos soviéticos, tenía la capacidad para resolver el misterio de cómo se produce la superfluidez (La superfluidez había sido descubierta en el laboratorio de Kapitsa, e independientemente por J. F. Allen y A. D. Misener en Cambridge, Inglaterra, y si pudiera ser explicada por un científico soviético, esto demostraría al mundo por partida doble la potencia de la ciencia soviética.)

Landau salió de la cárcel demacrado y extremadamente enfermo. Con el tiempo se recuperó física y mentalmente, resolvió el misterio de la superfluidez utilizando las leyes de la mecánica cuántica y recibió el Premio Nobel por su solución. Pero su espíritu estaba quebrantado. Nunca más pudo resistir siquiera la más tibia presión psicológica de las autoridades políticas.

(...)

Cuando Stalin tuvo conocimiento de las explosiones de las bombas atómicas norteamericanas, se quejó enojado a Kurchatov de la lentitud del equipo soviético. Kurchatov defendió a su equipo: en medio de la devastación de la guerra, y con sus limitados recursos, el equipo no podía progresar más rápidamente. Stalin le dijo airadamente que si un niño no llora, su madre no puede saber lo que necesita. Pida cualquier cosa que necesite, ordenó, nada le será negado; y Kurchatov pidió entonces que se iniciase un proyecto intensivo sin trabas para construir una bomba, un proyecto bajo la autoridad última de Lavrenty Pavlovich Beria, el temido jefe de la policía secreta.

Es difícil hacerse una idea de la magnitud del proyecto que Beria puso en pie. Ordenó el trabajo forzado de millones de ciudadanos soviéticos procedentes de los campos de prisioneros de Stalin. Estos zeks, como se les llamaba coloquialmente, excavaron minas de uranio, construyeron factorías para su purificación, reactores nucleares, centros de investigación teórica, centros de verificación de armamentos y pequeñas ciudades autosuficientes para apoyar estos complejos. Las instalaciones dispersadas por todo el país estuvieron rodeadas de niveles de seguridad inauditos en el Proyecto Manhattan de los norteamericanos. Zel'dovich y Khariton fueron trasladados a una de estas instalaciones, en «un lugar alejado» cuya localización, aunque casi con seguridad bien conocida para las autoridades occidentales a finales de los años cincuenta, no pudo ser revelada a los ciudadanos soviéticos hasta 1990. El complejo se conocía sencillamente como Obyekt («la Instalación»); Khariton se convirtió en su director y Zel'dovich en el cerebro de uno de sus equipos clave de diseño de bombas. Bajo la autoridad de Beria, Kurchatov estableció varios equipos de físicos para estudiar, en paralelo y de forma completamente independiente, cada aspecto del proyecto de la bomba: la redundancia ofrecía seguridad. Los equipos residentes en la Instalación sugerían problemas de diseño a los otros equipos, incluyendo un pequeño equipo dirigido por Lev Landau en el Instituto de Problemas Físicos de Moscú.

Mientras este esfuerzo masivo seguía su curso inexorable, el espionaje soviético estaba consiguiendo a través de Klaus Fuchs (un físico británico que había trabajado en el proyecto norteamericano) el diseño de la bomba norteamericana basada en el plutonio. Difería algo del diseño que Zel'dovich y sus colegas habían desarrollado, de modo que Kurchatov, Khariton y compañía se enfrentaron a una difícil decisión: estaban bajo la presión insoportable de Stalin y Beria en espera de resultados y temían las consecuencias de un fracaso en el ensayo de la bomba, en una era en que el fracaso a menudo significaba la ejecución; sabían que el diseño norteamericano había funcionado en Alamogordo y Nagasaki, pero no podían estar completamente seguros de su propio diseño; y sólo poseían plutonio suficiente para una bomba. La decisión era evidente aunque dolorosa: dejarían en suspenso su propio diseño y orientarían su programa intensivo sobre la base del diseño norteamericano.

(....)

En 1949, cuando el proyecto de la bomba atómica soviética empezó a dar resultados, Stalin ordenó que todos los recursos del Estado soviético fuesen asignados, sin pausa, al programa para construir la superbomba. El trabajo de esclavos de los zeks, las instalaciones de investigación teórica, las instalaciones de fabricación, las instalaciones de verificación, los múltiples equipos de físicos dedicados a cada aspecto del diseño y la construcción, todo debía ser concentrado para intentar superar a los norteamericanos en la bomba de hidrógeno. Los norteamericanos, en pleno debate sobre si poner en marcha un programa intensivo sobre la super, no sabían nada de esto. Sin embargo, los norteamericanos tenían una tecnología superior y una ventaja de partida.

¿Por qué los físicos soviéticos construyeron la bomba para Stalin?
¿Por qué Zel'dovich, Sajarov y otros grandes físicos soviéticos trabajaron tan duramente para construir bombas atómicas y bombas de hidrógeno para Stalin? Stalin fue responsable de las muertes de millones de ciudadanos soviéticos: 6 o 7 millones de campesinos y kulaks en la colectivización forzada de comienzos de los años treinta, 2,5 millones de los estamentos superiores del ejército, el gobierno y la sociedad en el Gran Terror de 1937-1939, 10 millones de todas las capas de la sociedad en las cárceles y los campos de trabajo entre los años treinta y los cincuenta. ¿Cómo pudo cualquier físico, en buena conciencia, poner el arma definitiva en las manos de un hombre tan malvado!

Quienes plantean tales preguntas olvidan o ignoran las condiciones —físicas y psicológicas— que imperaban en la Unión Soviética a finales de los años cuarenta y comienzos de los cincuenta:

1. La Unión Soviética acababa de salir de la guerra más sangrienta y devastadora de su historia —una guerra en la que Alemania, el agresor, había matado a 27 millones de soviéticos y había convertido en terreno baldío su patria— cuando Winston Churchill disparó una primera salva de la guerra fría: en un discurso en Fulton, Missouri, el 5 de marzo de 1946, Churchill advirtió a Occidente sobre la amenaza soviética y acuñó el término «telón de acero» para describir las fronteras que Stalin había establecido en torno a su imperio. La maquinaria propagandística de Stalin exprimió todo lo que pudo el discurso de Churchill, creando un profundo temor entre los ciudadanos soviéticos acerca de un posible ataque de los británicos y los norteamericanos. Los norteamericanos, afirmaba la propaganda subsiguiente, estaban planeando una guerra nuclear contra la Unión Soviética, con cientos de bombas atómicas, transportadas en aviones y apuntadas sobre centenares de ciudades soviéticas. La mayoría de los físicos soviéticos creyeron la propaganda y aceptaron la absoluta necesidad de que la Unión Soviética crease armas nucleares para protegerse contra una repetición de la devastación de Hitler.

2. La maquinaria del Estado de Stalin fue tan efectiva en el control de la información y en el lavado de cerebro, incluso a los científicos destacados, que pocos de ellos comprendieron la maldad del hombre. Stalin fue reverenciado por la mayoría de los físicos soviéticos (incluso Sajarov), así como por la mayoría de los ciudadanos soviéticos, como el Gran Líder: un duro pero benevolente dictador que había sido el cerebro de la victoria sobre Alemania y protegería a su pueblo contra un mundo hostil. Los físicos soviéticos eran terriblemente conscientes de que el mal impregnaba los niveles más bajos del gobierno: la más leve denuncia por parte de alguien a quien apenas se conocía podía enviarle a uno a la cárcel, y con frecuencia a la muerte. (A finales de los años sesenta, Zel'dovich recordaba para mí cómo era aquello: «La vida es ahora tan maravillosa —decía—; ya nadie llama a la puerta a mitad de la noche, y los amigos ya no desaparecen para no volverse a oír hablar de ellos nunca más».) Pero muchos físicos creían que la fuente de este mal no podía ser el Gran Líder; debían ser otros por debajo de él. (Landau lo sabía mejor; había aprendido mucho en la cárcel. Pero, destruido psicológicamente por su encarcelamiento, raramente hablaba de la responsabilidad de Stalin y, cuando lo hacía, sus amigos no le creían.)

3. Aunque uno viviese una vida de temor, la información estaba tan férreamente controlada que uno no podía deducir la enormidad de las víctimas que estaba causando Stalin. Estas víctimas sólo se llegaron a conocer en la época de glasnost de Gorbachov, a finales de los ochenta.

4. Muchos físicos soviéticos eran «fatalistas». No pensaban en estas cuestiones en absoluto. La vida era tan dura que uno simplemente luchaba para seguir adelante, haciendo su trabajo lo mejor que podía, cualquiera que pudiera ser. Además, el desafío técnico de imaginar cómo hacer una bomba que funcionase era fascinante, y había cierta alegría en disfrutar de la camaradería del equipo de diseño y el prestigio y salario sustancial que producía el trabajo propio.

Friday, March 10, 2006

Omnisciência das variáveis escondidas



O Vincent não sabe bem o que está ali a fazer mas disseram-lhe que no fim havia gajas boas com mamas à mostra e talvez alguma jola fresquinha.


Os franceses parecem estar muito, muito, mas mesmo muito chateados com a nova lei laboral (contrate première embauche) que permite que os trabalhadores mais jovens possam ser despedidos com maior facilidade do que até agora e não se estabeleça necessariamente um limite de duração do contrato de trabalho.

Os sindicatos franceses já estão pelas ruas de Paris muito indignados com as medidas que serão incrivelmente penalizadoras e criarão ainda mais injustiça social do que aquela que já é vivida actualmente. Os jovens (estudantes ou não) já se encontram também a lutar pelo seu futuro nas ruas aos milhares. Mais manifestações com milhares de participantes encontram-se marcadas para este fim de semana.




A Angie tem 20 anos, estuda artes plásticas, e, claro, está bué chateada porque a medida está mal e não pode ser.


Mas, como em tudo na vida, há algumas questões que ficam por responder. Antes de mais, será que estes jovens (lembrar que estamos a falar de manifestações de quase 1 milhão de pessoas) estarão realmente preocupados com o seu trabalho? Como qualquer jovem-reivindicador sabe, as manifs da moda contra a opressão e injustiça social estão sempre agendadas para interferir propositadamente com os períodos de aulas. Mas alguém que esteja realmente preocupado com o seu trabalho irá ausentar-se da sua actividade laboral para reclamar a eventualidade de ficar sem ele?





Este aluno estuda economia mas pertence à UNEF. Será que vai passar o ano? Se sim, qual a probabilidade dos seus professores partilharem as ideologias políticas da UNEF?


Interessante, interessante é que estes estudantes não parecem estar muito solidários para com os seus colegas que desejam obter e manter um emprego devido à qualidade inerente ao seu trabalho pessoal e não a um contrato forçado por medidas legais. À semelhança da questão das quotas nos parlamentos, não será isto uma forma de discriminação já que se toma um interesse que é tido como "comum" pelos interesses individuais de cada um dos visados, quando estes não correspondem necessariamente entre si?

A cereja deste bolo magnífico, que é o protesto exacerbado da sociedade francesa, é a aparente divulgação de uma variável que ninguém conhece porque não pode ser medida directamente. Estes estudantes, membros de sindicatos e professores dizem que a medida só causará mais desemprego. Mas como sabem eles a quantidade de firmas que correntemente não contratam empregados devido aos riscos elevados que exigem cláusulas tão vinculativas? E se não sabem este valor, como podem medir o impacto da presença ou ausência de contratações ao nível de cada empresa e, por extensão, a nível nacional? Assim sendo, como é possível que se fale da situação actual sem mencionar as leis actuais e especular sobre o futuro baseando-se em dados desconhecidos, para os quais não podem ser sugeridos números hipotéticos?

A verdade é que não podem porque não conseguem. Se simplesmente pensassem, pondo de parte as palas da cegueira ideológica, chegariam à conclusão de que o desemprego é extremamente elevado em França devido à regulamentação excessiva do sector laboral. Mas o socialismo populista não se preocupa com a compreensão da realidade, apenas com uma desculpa esfarrapada para sair à rua e gritar umas frases de indignação desmiolada. O seu respeito para com os actuais trabalhadores franceses é tanto que até dizem que esta medida irá aumentar o desemprego. Ora, isto apenas acontece se toda esta gente andar a trabalhar a um valor inferior àquele que os empregadores estão dispostos a pagar. Os manifestantes estão, pois, a defender que estas ocupações não têm grande significado económico e por isso deve existir uma lei que proíba a respectiva regulação através do mercado de trabalho. Deve ser a isto que chamam solidariedade laboral.