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Thursday, March 16, 2006

PIB, inflação, riqueza

Más ricos de lo que pensamos
José Carlos Rodríguez

"El progreso económico es tan rico, tan amplio y caleidoscópico que se resiste a ser atrapado en un indicador como los cambios en el producto interior bruto.

Por ejemplo. Si damos el dato de que el PIB por habitante en Chile se ha doblado en los últimos 12 años en términos reales, podemos hacernos una idea intuitiva de lo que ha pasado en ese tiempo: la renta de los chilenos, medida en dólares, es groso modo del doble. Pero la realidad es mucho más compleja que eso. Porque para acercarnos a la realidad hemos descontado la inflación, el aumento generalizado de los precios. Lo que nos interesa es en realidad qué compran con ese dinero. Pero la inflación solo puede captar, torpemente, el precio de los bienes, no la calidad de los mismos. Cuando los organismos públicos hacen una “cesta de la compra” y crean una categoría para productos informáticos, no distinguen entre un 386 y un Intel de doble núcleo, los dos entran por igual en la misma casilla. En realidad, a medida que pasa el tiempo, la mejora tecnológica nos hace la vida más fácil y cómoda y nos permite hacer más cosas que antes, un progreso que se les escapa necesariamente a los esforzados funcionarios que clasifican los bienes y registran los precios.

No es la única razón por la que los datos macroeconómicos son incapaces de captar en toda su riqueza el progreso económico. Dos economistas, Christian Broda y David Weinstein han hecho un estudio ingenioso, en el que se preguntan precisamente si los datos no estarán dando una impresión errónea de los beneficios de la globalización para los Estados Unidos, su país. Ellos han encontrado que en 1972, los Estados Unidos importaban 7.800 tipos diferentes de bienes, cada uno de ellos importados desde seis países de media. Para 2001 los datos son 16.390 tipos de bienes, más del doble, importados de en torno a doce países de media. Es decir, que la variedad en los bienes que importan, como los que producen, se hace cada vez mayor. En consecuencia los consumidores tienen más opciones entre las que elegir, lo que nos ocurre también a nosotros. Cada año se producen bienes que no tienen precedentes. Nada de ello se recoge en un dato macroeconómico."

Wednesday, March 15, 2006

Ideias para a causa progressista

- Sugerir a paridade sexual para os nascimentos de futuros cidadãos através de laboratórios equipados para o efeito. Se o casal desejar ter um filho que desrespeite as quotas, forçá-los a abortar a criança;

- Legalizar o aborto com o único intuito de permitir a situação no parágrafo anterior. Em todas as outras ocasiões deve ser proibido por lei. Em caso de prisão, as mulheres devem partilhar as celas com rapazes adolescentes como forma de castigo;

- Chegar à conclusão de que defender os direitos dos homossexuais já não é uma causa da moda e se tornou demasiado vulgar para além de impedir que nasçam novos contribuintes de forma natural;

- Nacionalizar a indústria de contraceptivos para propositadamente produzir materiais de qualidade duvidosa e manter uma política de preços que não responde ao real valor do mercado;

- Subsidiar o comércio de afrodisíacos;

- Promover nos canais de televisão públicos programas em que aparecem crianças entre os 0-3 anos e pais muito felizes. Se alguma coisa acontecer ao bebé da cintura para baixo, cortar a cena e voltar a gravar minutos mais tarde;

- Punir a masturbação como genocídio em massa;

- Proibir organizações feministas que eventualmente queiram reclamar a independência da mulher e essas coisas parvas que fazem com que as mulheres não queiram ter filhos;

- Instituir ordens de condecoração militar para os maiores produtores de esperma a nível nacional. Fazer o mesmo para as mulheres que consigam produzir mais de 2 óvulos por mês sem tratamentos de fertilidade;

- Desincentivar fiscalmente o aparecimento de figuras como Odete Santos na televisão;

- Impor quotas de rádio para que o léxico usado passe a incluir uma percentagem de 10% de diminutivos acabados em -(z)inho/a, -ito/a, -ucho/a, etc. de forma a estimular o instinto maternal nas mulheres;

- Criar vários ramos de cursos universitárias leccionados pela catedrática Marta Crawford de forma a criar fiscalizadores do sexo que garantam a melhor e mais saudável prática sexual - o que levará a mais probabilidades de fecundação;

- Investir na indústria de mini-saias, camisas de decote arrojado, lingerie (a cor fica ao gosto do cliente) e outros produtos do mesmo género que produzam os mesmos efeitos freudianos no sexo masculino;

- Promover o pau de Cabinda como produto nacional;

- Fazer uma OPA hostil (mas com carinho) à Pfizer;

- Aproveitar as tendências multiculturalistas e relativistas para ilegalizar os conservadores reaccionários da Igreja Católica e implementar crenças islâmicas que levem à prática saudável de costumes polígamos;

- Distribuir cópias grátis do Kama Sutra;

- Proibir emissões televisivas de telenovelas no horário nobre;

- Efectuar frequentemente cortes de electricidade na EDP;

- Proibir expressamente o canal Parlamento e tornar ilegais todos os debates políticos (incluindo o Prós & Contras) na televisão portuguesa;

- Levar a ERC a fechar todos os blogues com excepção do top+;

- Abolir a noção de propriedade privada de forma a evitar que homens ou mulheres vivam sozinhos;

- Sá Leão a PM com funções acumuladas de PR.

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A causa progressista está sempre aberta a novas sugestões.

Nanny State strikes back

Inglaterra dá mesada aos meninos bonzinhos

"O Governo britânico decidiu dar uma mesada aos jovens bem comportados. A medida, divulgada pela BBC, foi anunciada esta quarta-feira pelo ministro das Finanças Gordon Brown e tem como objectivo dissuadir os comportamentos anti-sociais e criminosos.

Os jovens, entre os 13 e os 19 anos, vão receber um cartão com uma mesada entre 20 e 40 euros, para gastarem em actividades de desporto e lazer. Mas, aqueles que se portarem mal ficarão sem a mesada. «Isto é para jovens decentes e bem-comportados», explicou Gordon Brown."

Ainda acham que o paternalismo estatal é invenção dos "anarco-capitalistas paranóicos"?

Tuesday, March 14, 2006

Futurologia




Os socialistas odeiam a banca porque tem lucros injustificados. Contudo, ainda havemos de ouvir algum deles a defender que o BPI é um centro de decisão nacional e devemos ter cuidado com contra-OPAs estrangeiras.

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Update espiritual: Especialmente se vierem de bancos espanhóis.

O emprego não é um "direito adquirido"

De uma perspectiva liberal, a economia é vista como uma manifestação espontânea da natureza humana que, por si própria, aposta em inovar e melhorar o seu futuro através da redistribuição de bens relativamente escassos e da divisão das tarefas, respeitando as liberdades individuais de cada elemento da sociedade. Nesta visão do mundo, o emprego surge como uma forma de produção de bens de consumo que proporcionam este anunciado desenvolvimento e uma evolução positiva da economia no seu todo. O emprego é um meio através do qual são partilhados recursos - o proprietário paga um ordenado em troca de um serviço que o beneficia mais pessoalmente - e permite que novos recursos sejam reorganizados geográfica e socialmente. A função do emprego é, portanto, desempenhar um papel activo e dinâmico na produção ou valorização de algo que irá melhorar a vida de outrem.

O socialismo encara o emprego como algo a defender aguerridamente de forma cega. Enquanto, na realidade, todos os empregados influenciam directa e indirectamente, por mais ínfimo que seja o seu trabalho, a economia nacional e global, à teoria socialista importa o emprego em si e não a sua finalidade. Luta-se contra o desemprego de uma forma ideológica sem (querer) compreender as suas causas e sem entender sequer qual a verdadeira razão da actividade laboral e as suas consequências.

O mundo é habitado por exploradores (os patrões) que é necessário pressionar para obter salários mais elevados, não importando o valor real das tarefas executadas. É necessário criar emprego por via estatal e, mesmo em condições precárias, reclamar por melhores benefícios laborais. O socialista olha para a economia e vê o desemprego como factor de falta de produtividade e julga que instantaneamente a economia florescerá se o desemprego diminuir, mesmo que por via artificial. Não compreende a razão que leva os empregadores a efectuar contratos de trabalho nem quer perceber o âmbito do emprego, vendo-o como uma mera ocupação de tempo que tem por objectivo único gerar sustento próprio.

O imposto é mau em qualquer lado

Tax 'is hurting British competitiveness' de Gary Duncan

"BRITAIN’s biggest companies believe that the country’s international competitiveness is being undermined by rising business taxes and the growing inconsistency and complexity of tax rules.

A study for KPMG, the accounting firm, seen by The Times, shows that top management in Britain’s leading companies think that the UK risks losing its appeal over European rivals. Seven out of ten senior finance executives feel that Britain’s tax regime has made it less competitive.

The findings come as the CBI today steps up pressure on Gordon Brown before next week’s Budget, adding its voice to that of other groups demanding a cut in business taxes.

KPMG’s study of executives responsible for tax in FTSE 100 and 250 companies, and in big subsidiaries of foreign groups, showed that only 14 per cent of those questioned named Britain when asked to identify the top three countries for tax competitiveness. The poll was topped by the Republic of Ireland, followed by the Netherlands and Luxembourg.

The results coincide with growing business protests that the business tax burden in Britain is rising at a time when that of its leading international competitors is being cut.

Sixty-eight per cent of financial executives asked by KPMG said that complexity was a factor affecting decisions on expansion plans in Britain. Seventy-eight per cent said that tax law changes are made too often."
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Leitura recomendada:

For Society To Thrive, The Rich Must Be Left Alone by George Reisman

Sunday, March 12, 2006

Scottish one-liner



Hamish Wilson spotted a somewhat inappropriate company logo on a van outside his home in Glasgow city centre.

[Imagem enviada para a BBC]

Lev Landau, uma estrela da "ciência de Estaline"

Ainda sobre o tema da física durante o regime estalinista, é ocasião para deixar aqui um excerto do livro Black Holes & Time Warps: Eintein's Outrageous Legacy de Kip Thorne, actual Feynman Professor of Theoretical Physics no California Institute of Technology (Caltech).




O texto que que se segue, sobre o físico soviético Lev Landau, vencedor do prémio nobel da física em 1962, foi extraído do 5º capítulo da obra na sua versão em castelhano (Agujeros Negros y Tiempo Curvo: El escandaloso legado de Einstein). O livro é muito recomendável não só, obviamente, pelo seu conteúdo histórico como científico.

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La publicación de Landau sobre los núcleos de neutrones era realmente un grito pidiendo ayuda: las purgas de Stalin se hallaban en pleno apogeo en la URSS y Landau estaba en peligro. Landau esperaba que dando un golpe de efecto en los periódicos con su idea del núcleo de neutrones podría protegerse del arresto y la muerte. Pero Tolman y Oppenheimer no sabían nada de todo esto. Landau estaba en peligro debido a sus anteriores contactos con los científicos occidentales. Poco después de la Revolución rusa, la ciencia había sido objeto de atención especial por parte de la nueva dirección comunista. El propio Lenin había impulsado una resolución del Octavo Congreso del Partido Bolchevique en 1919 eximiendo a los científicos de los requisitos de pureza ideológica: «El problema del desarrollo industrial y económico exige el inmediato y amplio uso de expertos en la ciencia y la tecnología que hemos heredado del capitalismo, pese al hecho de que ellos están inevitablemente contaminados con ideas y costumbres burguesas». Especial interés merecía para los líderes de la ciencia soviética el penoso estado de la física teórica soviética, de modo que, con la bendición del Partido Comunista y del Gobierno, los jóvenes teóricos más brillantes y prometedores de la URSS fueron llevados a Leningrado (San Petersburgo) para realizar algunos años de estudios de postgrado, y luego, después de completar el equivalente a un doctorado en física, fueron enviados a la Europa Occidental para uno o dos años de estudios postdoctorales.

¿Por qué estudios postdoctorales? Porque en los años veinte la física se había hecho tan compleja que una formación al nivel de doctorado no era suficiente para dominarla. Para promover estudios complementarios se había establecido un sistema de becas postdoctorales a nivel mundial financiado principalmente por la Fundación Rockefeller (ventajas de las aventuras petrolíferas capitalistas). Cualquiera, incluso los fervientes marxistas rusos, podía competir por tales becas. Los que las obtenían eran denominados «becarios postdoctorales» o simplemente «postdocs».

¿Por qué la Europa Occidental para estudios postdoctorales? Porque en los años veinte Europa Occidental era la meca de la física teórica; allí residían casi todos los físicos teóricos sobresalientes del mundo. Los líderes soviéticos, en su desesperación para trasvasar la física teórica de la Europa Occidental a la URSS, no tenían otra elección que enviar allí a sus jóvenes teóricos para su formación, pese a los peligros de contaminación ideológica.

De todos los jóvenes teóricos soviéticos que hicieron el camino de Leningrado, luego Europa Occidental, y después la vuelta a la URSS, quien iba a tener con creces la mayor influencia en la física era Lev Davidovich Landau.

(…)

A su regreso a Leningrado en 1931, Landau, que era un ardiente marxista y patriota, decidió centrar su carrera en transferir la moderna física teórica a la Unión Soviética. Tuvo un éxito enorme, como veremos en capítulos posteriores. Poco después del regreso de Landau cayó el telón de acero de Stalin, haciendo casi imposibles nuevos viajes a Occidente. Como recordaba más tarde George Gamow, un condiscípulo de Landau en Leningrado, «La ciencia rusa se ha convertido ahora en un arma para combatir al mundo capitalista. Igual que Hitler estaba dividiendo la ciencia y las artes en campos judío y ario, Stalin creó la noción de ciencia capitalista y ciencia proletaria. "Confraternizar" con los científicos capitalistas [se estaba convirtiendo en] ... un crimen para los científicos rusos».

El clima político pasó de ser malo a ser horroroso. En 1936, Stalin, habiendo acabado ya con 6 o 7 millones de campesinos y kulaks (terratenientes) en su colectivización forzosa de la agricultura, inició una purga de varios años de duración de los líderes políticos e intelectuales del país, una purga ahora conocida como el Gran Terror. La purga incluyó la ejecución de casi todos los miembros del Politburó original de Lenin, la ejecución o desaparición forzosa, para no volver a ser vistos, de los jefes supremos del Ejército Soviético, cincuenta de los setenta y un miembros del Comité Central del Partido Comunista, muchos de los embajadores en el extranjero, y los primeros ministros y los funcionarios principales de las repúblicas no rusas. En niveles inferiores, aproximadamente 7 millones de personas fueron arrestadas y encarceladas, y 2,5 millones murieron —la mitad de ellos intelectuales, incluyendo un gran número de científicos y algunos equipos de investigación completos. La biología, la genética y las ciencias agrícolas soviéticas quedaron destrozadas.

A finales de 1937 Landau, entonces un líder de la investigación en física teórica en Moscú, sintió que el calor de la purga se le acercaba. Presa del pánico buscó protección. Una posible protección podría ser el centrar la atención pública sobre él como un eminente científico, así que buscó entre sus ideas científicas una que pudiera suponer un gran golpe de efecto en Occidente y en el Este al mismo tiempo. Su elección fue una idea en la que había estado meditando desde principios de los años treinta: la idea de que las estrellas «normales» como el Sol podrían tener estrellas de neutrones en sus centros: núcleos de neutrones como les llamó Landau.

(....)

En realidad, Landau había elaborado ya en 1931 una versión más primitiva de su idea del núcleo de neutrones. Sin embargo, el neutrón no había sido descubierto aún entonces y los núcleos atómicos habían constituido un enigma, de modo que la captura de átomos por el núcleo en su modelo de 1931 hubiera liberado energía mediante un proceso totalmente especulativo —un modelo basado en una sospecha (incorrecta) de que las leyes de la mecánica cuántica podían fallar en los núcleos atómicos. Ahora que el neutrón se conocía desde hacía cinco años y las propiedades de los núcleos atómicos empezaban a entenderse, Landau pudo hacer su idea mucho más precisa y convincente. Presentándola al mundo con un gran golpe publicitario podría desviar el fuego de la purga de Stalin.

A finales de 1937 Landau concluyó un manuscrito donde describía su idea del núcleo de neutrones; para asegurarse de que recibiría la máxima atención pública dio una serie de pasos poco usuales: la sometió para publicación, en ruso, a las Doklady Akademii Nauk (Comunicaciones de la Academia de Ciencias de la URSS, publicadas en Moscú), y paralelamente envió una versión inglesa a Niels Bohr, en Copenhague, el mismo famoso físico occidental al que Chandrasekhar había apelado cuando Eddington le atacó. (Bohr, como miembro honorario de la Academia de Ciencias de la URSS, era más o menos aceptable para las autoridades soviéticas incluso durante el Gran Terror.) Con su manuscrito, Landau envió a Bohr la siguiente carta:

Moscú, 5 de noviembre de 1937

Querido señor Bohr:

Adjunto un artículo que he escrito sobre la energía estelar. Si tiene sentido físico para usted, le pido que lo envíe a Nature. Si no es mucha molestia para usted, me gustaría mucho saber su opinión sobre este trabajo.

Con mi agradecimiento más profundo.
Suyo, L. Landau

(…)

Landau tenía amigos en altos puestos —lo bastante altos para disponer que, tan pronto como se recibiera la noticia de que Bohr había aprobado su artículo y lo había enviado a Nature, se le enviaría un telegrama de parte del consejo editorial de Izvestia. (Izvestia era uno de los dos periódicos más influyentes de la URSS, un periódico editado por y en nombre del gobierno soviético.) El telegrama salió el 16 de noviembre de 1937 y decía:

Por favor, infórmenos de su opinión sobre el trabajo del profesor Landau. Telegrafíenos, por favor, su breve conclusión.

Consejo editorial, Izvestia


Bohr, evidentemente algo intrigado y preocupado por la petición, respondió desde Copenhague el mismo día:

La nueva idea del profesor Landau sobre los núcleos de neutrones de las estrellas masivas es muy prometedora y del más alto nivel. Les enviaré con gusto una corta evaluación de ella y de otros diversos trabajos de investigación de Landau. Por favor, infórmenme más exactamente del fin para el que necesitan mi opinión.

Bohr


El consejo de Izvestia respondió que deseaban publicar la evaluación de Bohr en su periódico. Lo hicieron precisamente el 23 de noviembre, en un artículo que describía la idea de Landau y la alababa con fuerza:

Este trabajo del profesor Landau ha despertado gran interés entre los físicos soviéticos, y su idea central da nueva vida a uno de los procesos más importantes en astrofísica. Existen muchas razones para pensar que la nueva hipótesis de Landau resultará ser correcta y dará soluciones a toda una serie de problemas no resueltos en astrofísica ... Niels Bohr ha hecho una evaluación extremadamente favorable del trabajo de este científico soviético [Landau], diciendo que «La nueva idea de L. Landau es excelente y muy prometedora».

Esta campaña no fue suficiente para salvar a Landau. A primeras horas de la mañana del 28 de abril de 1938, llamaron a la puerta de su apartamento y se lo llevaron en una limusina negra oficial mientras su futura mujer Cora observaba aturdida desde la puerta del apartamento. El destino que habían corrido tantos otros era ahora también el de Landau.

La limusina llevó a Landau a una de las más famosas prisiones políticas de Moscú, la Butyrskaya. Allí le dijeron que sus actividades como espía alemán habían sido descubiertas, y tenía que pagar un precio por ellas. El que los cargos fueran ridículos (¿Landau, un judío y un ardiente marxista espiando para la Alemania nazi?) era irrelevante. Los cargos casi siempre eran ridículos. En la Rusia de Stalin raramente sabía uno la razón real de que hubiese sido encarcelado —aunque en el caso de Landau existen indicios en los archivos del KGB: en conversaciones con colegas había criticado al Partido Comunista y al Gobierno soviético por su forma de organizar la investigación científica y por los arrestos masivos de 1936-1937 que caracterizaron la época del Gran Terror. Tales críticas se consideraban una «actividad antisoviética» y podían llevarle a uno a la cárcel.

Landau tuvo suerte. Su encarcelamiento duró sólo un año, y sobrevivió a él —aunque a duras penas. Fue liberado en abril de 1939, después de que Pyotr Kapitsa, el más famoso físico experimental soviético de los años treinta, apelase directamente a Molotov y Stalin para que le dejasen salir con el argumento de que Landau y sólo Landau, de entre todos los físicos teóricos soviéticos, tenía la capacidad para resolver el misterio de cómo se produce la superfluidez (La superfluidez había sido descubierta en el laboratorio de Kapitsa, e independientemente por J. F. Allen y A. D. Misener en Cambridge, Inglaterra, y si pudiera ser explicada por un científico soviético, esto demostraría al mundo por partida doble la potencia de la ciencia soviética.)

Landau salió de la cárcel demacrado y extremadamente enfermo. Con el tiempo se recuperó física y mentalmente, resolvió el misterio de la superfluidez utilizando las leyes de la mecánica cuántica y recibió el Premio Nobel por su solución. Pero su espíritu estaba quebrantado. Nunca más pudo resistir siquiera la más tibia presión psicológica de las autoridades políticas.

(...)

Cuando Stalin tuvo conocimiento de las explosiones de las bombas atómicas norteamericanas, se quejó enojado a Kurchatov de la lentitud del equipo soviético. Kurchatov defendió a su equipo: en medio de la devastación de la guerra, y con sus limitados recursos, el equipo no podía progresar más rápidamente. Stalin le dijo airadamente que si un niño no llora, su madre no puede saber lo que necesita. Pida cualquier cosa que necesite, ordenó, nada le será negado; y Kurchatov pidió entonces que se iniciase un proyecto intensivo sin trabas para construir una bomba, un proyecto bajo la autoridad última de Lavrenty Pavlovich Beria, el temido jefe de la policía secreta.

Es difícil hacerse una idea de la magnitud del proyecto que Beria puso en pie. Ordenó el trabajo forzado de millones de ciudadanos soviéticos procedentes de los campos de prisioneros de Stalin. Estos zeks, como se les llamaba coloquialmente, excavaron minas de uranio, construyeron factorías para su purificación, reactores nucleares, centros de investigación teórica, centros de verificación de armamentos y pequeñas ciudades autosuficientes para apoyar estos complejos. Las instalaciones dispersadas por todo el país estuvieron rodeadas de niveles de seguridad inauditos en el Proyecto Manhattan de los norteamericanos. Zel'dovich y Khariton fueron trasladados a una de estas instalaciones, en «un lugar alejado» cuya localización, aunque casi con seguridad bien conocida para las autoridades occidentales a finales de los años cincuenta, no pudo ser revelada a los ciudadanos soviéticos hasta 1990. El complejo se conocía sencillamente como Obyekt («la Instalación»); Khariton se convirtió en su director y Zel'dovich en el cerebro de uno de sus equipos clave de diseño de bombas. Bajo la autoridad de Beria, Kurchatov estableció varios equipos de físicos para estudiar, en paralelo y de forma completamente independiente, cada aspecto del proyecto de la bomba: la redundancia ofrecía seguridad. Los equipos residentes en la Instalación sugerían problemas de diseño a los otros equipos, incluyendo un pequeño equipo dirigido por Lev Landau en el Instituto de Problemas Físicos de Moscú.

Mientras este esfuerzo masivo seguía su curso inexorable, el espionaje soviético estaba consiguiendo a través de Klaus Fuchs (un físico británico que había trabajado en el proyecto norteamericano) el diseño de la bomba norteamericana basada en el plutonio. Difería algo del diseño que Zel'dovich y sus colegas habían desarrollado, de modo que Kurchatov, Khariton y compañía se enfrentaron a una difícil decisión: estaban bajo la presión insoportable de Stalin y Beria en espera de resultados y temían las consecuencias de un fracaso en el ensayo de la bomba, en una era en que el fracaso a menudo significaba la ejecución; sabían que el diseño norteamericano había funcionado en Alamogordo y Nagasaki, pero no podían estar completamente seguros de su propio diseño; y sólo poseían plutonio suficiente para una bomba. La decisión era evidente aunque dolorosa: dejarían en suspenso su propio diseño y orientarían su programa intensivo sobre la base del diseño norteamericano.

(....)

En 1949, cuando el proyecto de la bomba atómica soviética empezó a dar resultados, Stalin ordenó que todos los recursos del Estado soviético fuesen asignados, sin pausa, al programa para construir la superbomba. El trabajo de esclavos de los zeks, las instalaciones de investigación teórica, las instalaciones de fabricación, las instalaciones de verificación, los múltiples equipos de físicos dedicados a cada aspecto del diseño y la construcción, todo debía ser concentrado para intentar superar a los norteamericanos en la bomba de hidrógeno. Los norteamericanos, en pleno debate sobre si poner en marcha un programa intensivo sobre la super, no sabían nada de esto. Sin embargo, los norteamericanos tenían una tecnología superior y una ventaja de partida.

¿Por qué los físicos soviéticos construyeron la bomba para Stalin?
¿Por qué Zel'dovich, Sajarov y otros grandes físicos soviéticos trabajaron tan duramente para construir bombas atómicas y bombas de hidrógeno para Stalin? Stalin fue responsable de las muertes de millones de ciudadanos soviéticos: 6 o 7 millones de campesinos y kulaks en la colectivización forzada de comienzos de los años treinta, 2,5 millones de los estamentos superiores del ejército, el gobierno y la sociedad en el Gran Terror de 1937-1939, 10 millones de todas las capas de la sociedad en las cárceles y los campos de trabajo entre los años treinta y los cincuenta. ¿Cómo pudo cualquier físico, en buena conciencia, poner el arma definitiva en las manos de un hombre tan malvado!

Quienes plantean tales preguntas olvidan o ignoran las condiciones —físicas y psicológicas— que imperaban en la Unión Soviética a finales de los años cuarenta y comienzos de los cincuenta:

1. La Unión Soviética acababa de salir de la guerra más sangrienta y devastadora de su historia —una guerra en la que Alemania, el agresor, había matado a 27 millones de soviéticos y había convertido en terreno baldío su patria— cuando Winston Churchill disparó una primera salva de la guerra fría: en un discurso en Fulton, Missouri, el 5 de marzo de 1946, Churchill advirtió a Occidente sobre la amenaza soviética y acuñó el término «telón de acero» para describir las fronteras que Stalin había establecido en torno a su imperio. La maquinaria propagandística de Stalin exprimió todo lo que pudo el discurso de Churchill, creando un profundo temor entre los ciudadanos soviéticos acerca de un posible ataque de los británicos y los norteamericanos. Los norteamericanos, afirmaba la propaganda subsiguiente, estaban planeando una guerra nuclear contra la Unión Soviética, con cientos de bombas atómicas, transportadas en aviones y apuntadas sobre centenares de ciudades soviéticas. La mayoría de los físicos soviéticos creyeron la propaganda y aceptaron la absoluta necesidad de que la Unión Soviética crease armas nucleares para protegerse contra una repetición de la devastación de Hitler.

2. La maquinaria del Estado de Stalin fue tan efectiva en el control de la información y en el lavado de cerebro, incluso a los científicos destacados, que pocos de ellos comprendieron la maldad del hombre. Stalin fue reverenciado por la mayoría de los físicos soviéticos (incluso Sajarov), así como por la mayoría de los ciudadanos soviéticos, como el Gran Líder: un duro pero benevolente dictador que había sido el cerebro de la victoria sobre Alemania y protegería a su pueblo contra un mundo hostil. Los físicos soviéticos eran terriblemente conscientes de que el mal impregnaba los niveles más bajos del gobierno: la más leve denuncia por parte de alguien a quien apenas se conocía podía enviarle a uno a la cárcel, y con frecuencia a la muerte. (A finales de los años sesenta, Zel'dovich recordaba para mí cómo era aquello: «La vida es ahora tan maravillosa —decía—; ya nadie llama a la puerta a mitad de la noche, y los amigos ya no desaparecen para no volverse a oír hablar de ellos nunca más».) Pero muchos físicos creían que la fuente de este mal no podía ser el Gran Líder; debían ser otros por debajo de él. (Landau lo sabía mejor; había aprendido mucho en la cárcel. Pero, destruido psicológicamente por su encarcelamiento, raramente hablaba de la responsabilidad de Stalin y, cuando lo hacía, sus amigos no le creían.)

3. Aunque uno viviese una vida de temor, la información estaba tan férreamente controlada que uno no podía deducir la enormidad de las víctimas que estaba causando Stalin. Estas víctimas sólo se llegaron a conocer en la época de glasnost de Gorbachov, a finales de los ochenta.

4. Muchos físicos soviéticos eran «fatalistas». No pensaban en estas cuestiones en absoluto. La vida era tan dura que uno simplemente luchaba para seguir adelante, haciendo su trabajo lo mejor que podía, cualquiera que pudiera ser. Además, el desafío técnico de imaginar cómo hacer una bomba que funcionase era fascinante, y había cierta alegría en disfrutar de la camaradería del equipo de diseño y el prestigio y salario sustancial que producía el trabajo propio.

Friday, March 10, 2006

Omnisciência das variáveis escondidas



O Vincent não sabe bem o que está ali a fazer mas disseram-lhe que no fim havia gajas boas com mamas à mostra e talvez alguma jola fresquinha.


Os franceses parecem estar muito, muito, mas mesmo muito chateados com a nova lei laboral (contrate première embauche) que permite que os trabalhadores mais jovens possam ser despedidos com maior facilidade do que até agora e não se estabeleça necessariamente um limite de duração do contrato de trabalho.

Os sindicatos franceses já estão pelas ruas de Paris muito indignados com as medidas que serão incrivelmente penalizadoras e criarão ainda mais injustiça social do que aquela que já é vivida actualmente. Os jovens (estudantes ou não) já se encontram também a lutar pelo seu futuro nas ruas aos milhares. Mais manifestações com milhares de participantes encontram-se marcadas para este fim de semana.




A Angie tem 20 anos, estuda artes plásticas, e, claro, está bué chateada porque a medida está mal e não pode ser.


Mas, como em tudo na vida, há algumas questões que ficam por responder. Antes de mais, será que estes jovens (lembrar que estamos a falar de manifestações de quase 1 milhão de pessoas) estarão realmente preocupados com o seu trabalho? Como qualquer jovem-reivindicador sabe, as manifs da moda contra a opressão e injustiça social estão sempre agendadas para interferir propositadamente com os períodos de aulas. Mas alguém que esteja realmente preocupado com o seu trabalho irá ausentar-se da sua actividade laboral para reclamar a eventualidade de ficar sem ele?





Este aluno estuda economia mas pertence à UNEF. Será que vai passar o ano? Se sim, qual a probabilidade dos seus professores partilharem as ideologias políticas da UNEF?


Interessante, interessante é que estes estudantes não parecem estar muito solidários para com os seus colegas que desejam obter e manter um emprego devido à qualidade inerente ao seu trabalho pessoal e não a um contrato forçado por medidas legais. À semelhança da questão das quotas nos parlamentos, não será isto uma forma de discriminação já que se toma um interesse que é tido como "comum" pelos interesses individuais de cada um dos visados, quando estes não correspondem necessariamente entre si?

A cereja deste bolo magnífico, que é o protesto exacerbado da sociedade francesa, é a aparente divulgação de uma variável que ninguém conhece porque não pode ser medida directamente. Estes estudantes, membros de sindicatos e professores dizem que a medida só causará mais desemprego. Mas como sabem eles a quantidade de firmas que correntemente não contratam empregados devido aos riscos elevados que exigem cláusulas tão vinculativas? E se não sabem este valor, como podem medir o impacto da presença ou ausência de contratações ao nível de cada empresa e, por extensão, a nível nacional? Assim sendo, como é possível que se fale da situação actual sem mencionar as leis actuais e especular sobre o futuro baseando-se em dados desconhecidos, para os quais não podem ser sugeridos números hipotéticos?

A verdade é que não podem porque não conseguem. Se simplesmente pensassem, pondo de parte as palas da cegueira ideológica, chegariam à conclusão de que o desemprego é extremamente elevado em França devido à regulamentação excessiva do sector laboral. Mas o socialismo populista não se preocupa com a compreensão da realidade, apenas com uma desculpa esfarrapada para sair à rua e gritar umas frases de indignação desmiolada. O seu respeito para com os actuais trabalhadores franceses é tanto que até dizem que esta medida irá aumentar o desemprego. Ora, isto apenas acontece se toda esta gente andar a trabalhar a um valor inferior àquele que os empregadores estão dispostos a pagar. Os manifestantes estão, pois, a defender que estas ocupações não têm grande significado económico e por isso deve existir uma lei que proíba a respectiva regulação através do mercado de trabalho. Deve ser a isto que chamam solidariedade laboral.

Thursday, March 09, 2006

Agenda da libertação revolucionária

Evo Morales continua ocupado com a liberdade boliviana. De momento, encarrega-se da atarefada função de ir nacionalizando aos poucos as companhias petrolíferas para melhor servir os interesses do governo boliviano. Perdão, do povo, do povo. A grande vítima dos últimos tempos tem sido a espanhola Repsol YPF que foi acusada de contrabando pelos responsáveis da fiscalidade. Que coincidência que fizesse parte da campanha do MAS (Movimiento Al Socialismo) nacionalizar por completo as indústrias de gás e de petróleo...

"La pesadilla de Repsol YPF en Bolivia no ha terminado. Un impresionante operativo policial irrumpió a las 10.30 de esta mañana en las oficinas de su filial, Andina, en la ciudad de Santa Cruz. El objetivo era requisar documentos y detener a sus dos principales ejecutivos en relación con una denuncia de contrabando de petróleo."

Entretanto, já os amigos dos amigos da liberdade pelos outros países vão dizendo: "mas como é que se pode acusar o governo boliviano se não podemos provar que a Repsol realmente não estava a cometer um delito fiscal por contrabando?". Meus amigos, meus amigos - Já pensaram, por mero acaso, em quem é que define o que é contrabando?


[Obrigado ao Çamorano pela ligação com a notícia]

Wednesday, March 08, 2006

Dia Internacional da Mulher

Depois de passarmos o dia inteiro a ouvir que as mulheres também são seres humanos que têm sentimentos, que são pessoas normais como os homens e que podem desempenhar também as funções tradicionalmente designadas a elementos do sexo masculino, pergunto-me se, com tanta recente adoração de culturas externas, muita gente não passou a julgar que se encontra no seio de alguma sociedade islâmica.

Como se não fosse suficiente, a outra metade do dia é passada a ouvir estatísticas sobre níveis de desemprego e baixos salários que provam que a mulher é vergonhosamente discriminada perante o homem. Muito bem, muito bem. Só é preocupante que não expliquem a estranha razão pela qual os sempre gananciosos empresários, ávidos pelo lucro financeiro, não correriam todos a contratar mulheres se pensassem que a sua produtividade era semelhante à dos homens e os custos mais reduzidos. Curiosamente, e porque é algo incómodo, hoje ninguém fala da lógica do economicismo.

Entretanto, e porque segundo o que li, o PS está decidido em implementar quotas no Parlamento, fico muito bem sem saber se o restante 1/3 não deveria ser composto por hermafroditas. Onde estão as vozes de BE quando mais precisamos delas e a discriminação real existe?

Uma sociedade com classes

Jorge Sampaio disse ontem, decerto psicologicamente afectado pela sua entrada nas listas de desemprego, que não gosta do ditado popular português que afirma que "roubar ao Estado não é pecado". Explicava ele a seguir que os ingleses, por exemplo, não dizem isso e que os alemães também não.

Eu admito que fiquei realmente surpreendido, especialmente pela referência a um ditado que eu não conhecia e que até é tão bonito. Eu já sabia que em Inglaterra tradicionalmente se considera (e bem) que os interesses do Estado invariavelmente colidem com os verdadeiros interesses das pessoas mas esta, acerca de Portugal, apanhou-me absolutamente desprevenido.

E eu, que passo a vida a dizer que os portugueses são um povo estatista, perguntei às pessoas à minha volta mas ninguém parecia conhecer o interessante dito. Procurei no google, a maior biblioteca do mundo, e a única referência que me saiu foi precisamente uma outra ocasião em que Sampaio parece ter citado o mesmo ditado em 98.

Então começou a surgir uma dúvida muito pertinente na minha pobre cabeça que anda atafulhada na árdua tentativa de compreender este ícone etnográfico do povo lusitano. Eu, que sou um pobre rapaz do povo e as pessoas que conheço, outros pobres e idóneos elementos do povo, nunca ouvimos falar de tal coisa. Jorge Sampaio é um político e convive diariamente com políticos. Será que existe alguma estranha (e totalmente inesperada) correlação entre estes factos aparentemente independentes?

Tuesday, March 07, 2006

Leitura importante

O triunfo da terceira via do Rui (agora novamente no Blasfémias)

"Sem que nos tenhamos apercebido, em nome da justiça social e de valores de elevado altruísmo comunitário, os nossos Estados têm-se vindo a apropriar do que lhes não pertence. Os governos não produzem nem criam riqueza. Placidamente, arrogam-se no direito de retirar aos cidadãos o pleno direito de organizar e de dispor sobre o ensino, o comércio, o trabalho, o emprego, a saúde, a segurança, o ambiente, a urbanização, e para tudo isto cobram uma renda sem prestarem devidamente os serviços que coercivamente lhes impõem.

(...)

O grande dilema do nosso século é, portanto, o de saber como desmontar o Estado socialista que o intervencionismo do século vinte criou.
Afinal, Mises tinha razão: o intervencionismo quase extinguiu a propriedade privada nas sociedades onde se tem vindo a espraiar. Nas nossas sociedades. Verdadeiramente, não foi a terceira via que triunfou: vivemos em regimes estruturalmente socialistas onde os limites à propriedade privada são cada vez maiores e, se calhar, nem nos apercebemos disso."

Bodegas

Por razões técnicas relativas ao Blogger, posso apenas agora dar aqui os parabéns ao Bruno pelo 1º aniversário do seu Bodegas. Aqui fica o reparo.

Questão de curiosidade: Quantos blogues dos que eu leio fazem anos entre Fevereiro e Março?

Ninguém lhe oferece mais

Diz o Tiago Alves, em reposta ao meu comentário sobre a campanha dos supermercados Jumbo:

"Depois de algumas conversas com o Pedro e também atendendo a outras opiniões de que tenho tido conhecimento parece-me que a principal mensagem tem vindo, de facto, a ser um pouco deturpada, na medida em que a comunicação social, que deu uma grande notoriedade ao projecto, tem-lo apresentado como uma ideia para ajudar a produção nacional ou a preocupação de três jovens para com a economia portuguesa, aproveitando e explorando a tal crença (errada) de que comprando o tal produto nacional se ajuda a economia e o País."

Na página do Movimento 560 consta a seguinte declaração [sublinhados meus]:

"Os portugueses vivem hoje num clima de crise, desde o desemprego, à nossa fraca economia é certo que quem mais sofre somos nós, mas o que certamente muitas vezes não nos passa pela cabeça é que podemos ter uma certa culpa nesta grave situação. Frequentemente, quando vamos às compras, tentamos ir à procura do produto mais barato, mas o que agora é barato, pode vir a curto prazo, a tornar-se muito caro para todos nós.

(...)

Mas, quando o fazemos, estamos a contribuir para um maior crescimento das exportações desses fabricantes estrangeiros e, sem dúvida, por vezes, a tirar postos de trabalho no nosso país.

(...)

Toda esta situação leva posteriormente ao encerramento de muitas empresas e consequentemente ao crescimento do desemprego."

A mensagem transmitida pelo Jumbo não parece, pois, nada deturpada. Na verdade, a cadeia de supermercados está a transmitir soberbamente as ideias mais essenciais da campanha do Movimento que são expressas de imediato e que estão disponíveis a qualquer leitor. Esta imagem, por exemplo, contém frases idênticas às usadas pela campanha do Jumbo.

"Porém, além da liberdade de escolha, a concorrência perfeita tem outros pilares, entre eles um muito importante e às vezes ignorado: a informação. Antes do aparecimento do Movimento 560 pouca gente conseguia identificar os produtos com origem nacional. Sendo os portugueses, como já se disse e muito bem, todos diferentes, haverão com certeza muitos para quem a nacionalidade do produto ou da mão de obra serão factores de peso nas escolha por este ou aquele artigo.

Se esses portugueses a quem importa a nacionalidade do produto efectivamente existem, o que os impedia de verificar ou procurar conhecer mais acerca da origem dos produtos antes da existência do Movimento 560? É que mesmo antes da existência de qualquer movimento que publicitasse a compra de produtos feitos em Portugal, já os códigos de barras e as indicações "Fabricado em Portugal / Made in Portugal", PT, etc. faziam parte da realidade destas compras. Segundo esta informação, os códigos do sistema de GS1 já existem há 30 anos, quando a European Article Numbering (EAN) ainda nem se tinha juntado às suas correspondentes norte-americanas.

[Esta preocupação do consumidor com a nacionalidade de um produto é muitas vezes importante porque a sua qualidade se encontra relacionada com a origem específica do produtor, condições geográficas ou de recursos que apenas se podem encontrar naquela localidade. Para artigos de calçado, por exemplo, uma etiqueta que diga "Fabricado na União Europeia" prejudica países como Itália e Espanha porque estes estão associados a uma tradicional indústria de qualidade de que se tornou num símbolo de confiança para a maioria dos consumidores, actuando como se se tratassem de uma imagem de marca. O mesmo pode ser dito acerca de queijos ou vinhos provenientes de França, chocolates e relógios suíços ou o vinho do Porto. No entanto, não tem de haver uma razão lógica para verificar a origem de um produto e isto nada tem que ver com o caso que se está a discutir. Uma pessoa pode simplesmente não querer comprar produtos húngaros.]

"Se muita gente não está diposta a pagar mais por algo nacional, outros certamente estarão, pelo que a iniciativa, embora tenha alguns tiques intervencionistas (o mude de atitude ou o tome a decisão correcta), tem esse grande mérito que é o expandir o conhecimento dos consumidores. E esse mérito, apesar de todos os aproveitamentos meio enganosos feitos (como é o caso do do grupo Auchan), ninguém o tira. Este movimento e todas as campanhas com ele relacionadas contribuíram para uma melhor escolha. Escolha essa que, para todos os efeitos, visto não haver qualquer coerção, continua tão livre como dantes."

Tanto é (ou devia ser) livre de comprar nacional ou estrangeiro aquele que consume como é livre de veicular a sua propaganda aquele que o deseja fazer por meios válidos. A defesa desta campanha com base na expansão do conhecimento do consumidor e de uma maior informação não deixa de ser ambígua porque as declarações do Movimento 560 pretendem retirar conclusões acerca da economia portuguesa e dos aspectos que a influenciam partindo de factos e considerações moldadas para justificar uma lógica proteccionista. Esta mesma lógica proteccionista que sempre comete o erro de ver a concorrência como causadora de aumentos dos preços quando esta, na verdade, causa exactamente o oposto. O efeito benéfico que possa ter a informação dada pelo projecto é contrariado pela campanha de desinformação que acarreta, trabalhando para transmitir às pessoas uma imagem errada de como funciona a economia. A ideia em que se baseia o projecto ou é muito ingénua ou tem significado político.

O outro problema com esta percepção de uma ajuda para resolver as assimetrias de informação entre os clientes e os produtores é que o Movimento 560 apenas ajuda os consumidores a identificar os produtos portugueses. Está-se a informar, nesse sentido, mas a trazer uma informação incompleta, muitas vezes inútil (porque se a uns não interessa se é português, a outros seria mais conveniente saber como funciona para produtos checos ou polacos cujos códigos são menos conhecidos) e com propósitos imperceptíveis a menos que aceitemos a justificação nacionalista/proteccionista que vem à mistura. Se assim não fosse, o Movimento 560 poderia perfeitamente chamar-se Movimento GS1 e estaria interessado em ajudar verdadeiramente o consumidor a reconhecer os códigos e as iniciais correspondentes a cada país. E não é isso que se verifica nem é essa a sua verdadeira intenção.

Esta mensagem, por mais subliminar que possa ser considerada, é bastante ilustrativa:





Por todas estas razões, o Movimento 560 parece manipular e desinformar mais do que propriamente contribuir para o conhecimento dos consumidores.