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Friday, March 03, 2006

Estaline era bom físico

Recebi hoje um e-mail que me avisa acerca de uma nova série de conferências que terão lugar no Centro Multidisciplinar de Astrofísica (CENTRA) do Instituto Superior Técnico (IST) durante o mês de Março:

«O Minicurso "Physics in the Twentieth Century" decorrerá no IST de 6 a 16 de Março próximo e é organizado pelo CENTRA-Centro M. de Astrofisica do IST. As palestras serão proferidas pelo Professor Alexei Kojevnikov, Professor na University of Georgia (Athens, EUA) e investigador do Institute for History of Science and Technology de Moscovo, que se desloca ao IST a convite do CENTRA.
As datas e títulos das palestras são:

* 6/3 "Einstein, Ehrenfest, and the Meaning of Light Quantum";
* 8/3"World War I and the Invention of Big Science";
* 9/3 "Center on the Periphery: The Copenhagen Network in Theoretical Physics";
* 13/3 "Philosophy in Early Quantum Mechanics: Rhetorical Strategies and Academic Ritual";
* 15/3 "Freedom, Collectivism, and Quasiparticles: Socialist Ideas in Quantum Physics";
* 16/3 Palestra Pública: "The Bomb and the making of Cold War Science".»

Isto não terá nada de incomum excepto se olharmos para os nomes com mais atenção. Será que alguém reparou no título da conferência do dia 15? "Liberdade, colectivismo e quasi-partículas: ideias socialistas em física quântica". Interessante, não?

Depois de ler isto, voltei atrás no texto e fui ver quem era o tal conferencista que ia falar sobre o envolvimento de ideias tão incompatíveis como a liberdade e o socialismo e a sua relação com a mecânica quântica - Prof. Alejei Kojevnikov. O nome não me era estranho mas não me recordou directamente de nada até que continuei a ler o anúncio das conferências e me deparo com a seguinte frase na mensagem que me foi enviada:
"O orador, Doutor Alexei Kojevnikov é um especialista mundial de História da Fisica, Professor na University of Georgia, Athens, EUA e investigador do Institute for History of Science and Technology, Moscow. É ainda autor de várias obras incluindo STALIN'S GREAT SCIENCE: The Times and Adventures of Soviet Physicists"
Quem seguir este blogue há algum tempo, eventualmente, recordar-se-á de uma entrada publicada aqui em Janeiro, precisamente sobre este livro, em que eu mostrava a minha surpresa relativamente ao teor da dita publicação e discutia algumas situações caricatas.

O IST, mais propriamente o CENTRA, não se coíbe de convidar tal professor para dar palestras sobre física. Até aqui não há propriamente nada de mal. O único problema é que Kojevnikov não vem apenas para falar de física. Mais ainda - o IST parece orgulhar-se tanto do professor convidado que em todas as páginas do anúncio do mini-curso mostra que Kojevnikov é autor do "Stalin's Great Science", incluindo até triunfantemente uma pequena imagem para mostrar o gládio e o prazer que sentem em anunciá-lo:



Aquilo que mais me assola o espírito: e andamos todos nós a pagar isto?

Thursday, March 02, 2006

Política espanhola em 3 tempos

Zapatero defende a necessidade de garantias dos interesses nacionais

«O primeiro-ministro espanhol, José Luís Zapatero, afirmou hoje que Espanha é um "país aberto" a investimento estrangeiro, mas deve ter "garantias" de que serão prosseguidos os interesses nacionais em sectores estratégicos como o energético.

(...)

Zapatero lembrou hoje que o próprio governo alemão defendeu os seus interesses estratégicos, impedindo a compra da E.ON sem autorização prévia das autoridades alemãs.

(...)

Segundo afirmou Rajoy, o governo vai deixar "em perigo gravíssimo" as empresas espanholas que têm presença noutros países e as empresas estrangeiras que invistam em Espanha.

"Que lhe pareceria se a Endesa ou a Iberdrola fossem expulsas dos países onde estão presentes?", questionou Rajoy, relembrando que o investimento espanhol no exterior ultrapassa já os 150 mil milhões euros.

(...)

"A função do governo é defender os interesses dos consumidores e a concorrência e respeitar o que digam os accionistas", defendeu o líder popular, acusando Zapatero de estar a fazer "uma operação de puro poder político".

Zapatero rejeitou as críticas, afirmando que Espanha está aberta ao investimento estrangeiro e citando casos recentes de aquisições como a Alsa (pela britânica National Express), a Amena (pela France Telecom) e a Talgo pela norte-americana Lehman Brothers.»

1. Zapatero diz que o sector energético é estratégico e, portanto, constitui um interesse nacional. Não diz, no entanto, porque é um sector estratégico (seria mais importante do que tantos outros) ou porque, sendo estratégico, se justifica a sua protecção. Também não é explicada essa coisa do "interesse nacional" de 40 milhões de pessoas que miraculosamente Zapatero consegue descortinar.

2. Lógica Zapatero: Ad populum. Os outros - neste caso, os alemães - também fazem, logo é justificado fazê-lo. Se eles fazem, nós também podemos e devemos fazer.

3. Lógica Rajoy: Ad consequantiam. Impossibilitado de explicar ao seu adversário a sua falha, a primeira reacção apela às consequências do acto sem expor as razões pelas quais constituiu um erro político e económico.

4. Lógica Rajoy II: O governo deve defender os consumidores e a concorrência. É pena que a sua existência e as suas áreas definidas de intervenção indiquem que sempre faz precisamente o oposto. Rajoy é chumbado em teoria política.

5. Lógica Zapatero II: Raciocínio indutivo. É mentira que protejamos a economia, até temos empresas estrangeiras. O grande paradigma social-democrata, acreditar que a economia está aberta mas depois colocar-lhe amarras para que ela sufoque. Claro que alguém que tem uma corda ao pescoço não está a ser necessariamente enforcado mas isso não significa que a corda não possa estar apertada. Entretanto, o fluxo de oxigénio vai diminuindo e já se sabe, quanto menos oxigénio, menos raciocínio.

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Conclusões para Portugal:

- Com o PSOE no poder, o MIBEL é uma utopia em que apenas as empresas espanholas podem adquirir empresas portuguesas. Vice-versa não é válido porque as empresas energéticas espanholas são "interesses estratégicos nacionais" e as portuguesas bens de mercado;

- Com a defesa dos interesses estratégicos espanhóis, os proteccionistas portugueses ficam todos contentes e copiam a falácia ad populum. Se os espanhóis protegem, nós também devemos (e podemos) proteger;

- Os portugueses ficam ainda mais contentes porque ganham uma hipotética justificação para a sua lógica socialista deturpada e mais um "argumento" anti-espanhol (embora consigam ser infinitamente mais socialistas do que eles, coisa que não importa para o caso);

- Os consumidores de energia em Portugal ficam a perder directamente porque grande parte da energia é importada de território espanhol. Se o mercado espanhol está doente, o mercado português também fica com os gânglios inflamados. Se o mercado espanhol é saudável, Portugal pode estar mal mas talvez não precise de antibiótico;

- Muitos deputados do PSD e do CDS-PP que são mal sucedidos em Portugal podem sempre filiar-se no PSOE espanhol. Haverá algumas diferenças entre eles, obviamente, mas barreiras linguísticas sempre foi coisa que os povos ibéricos souberam superar juntos.

Mumbo Jumbo 560

Recentemente, a cadeia de supermercados Jumbo lançou uma campanha que pôs aqueles que odeiam a liberdade todos contentes. Dizia a campanha do Jumbo que ao comprar nacional estamos a "ajudar Portugal".

O Jumbo não explicava no seu anúncio por que razão comprar produtos portugueses ajuda Portugal. Parece partir apenas da típica falácia mercantilista que implica que "importar é mau" e por isso devemos defender a produção nacional a todo o custo. Faz-me lembrar um colega meu que dizia com muito orgulho que os portugueses deviam comprar pêras portuguesas em vez de espanholas. Quando confrontado com a pergunta acerca do que fazia ele, pessoalmente, respondeu que comprava as espanholas porque eram mais baratas. Mas ali continuava ele, a atacar a baixa qualidade das pêras espanholas comparadas com as lusas.

Portugal não é uma entidade unilateral. É um país constituído por milhões de pessoas que pensam e agem de forma diferente, possuem necessidades distintas umas das outras e se deparam com uma diversidade enorme de situações e condições. "Ajudar Portugal", portanto, é algo completamente vago e irrealista quando associado à ideia quase proteccionista de que apenas por comprar um produto feito em Portugal se está a ajudar o país. Na verdade, está-se a fazer exactamente o contrário. Para a maioria das pessoas isto é contra-intuitivo mas a realidade é bem mais dura quando optamos por ignorar completamente a forma como é transferida a riqueza de pessoa para pessoa ou, em termos gerais, de país para país.

Suspeitei, portanto, que a intenção do Jumbo fosse outra. Como entidade de venda a retalho (em massa), não parece boa ideia que se diga aos clientes que prioritariamente se deve comprar português apenas pela questão da nacionalidade. É comum que este ou aquele produto português não seja a melhor opção para muita gente por isso o Jumbo poderia arriscar-se a perder ao incentivar o consumo de produtos de menor qualidade ou de preço mais elevado. A primeira coisa que me ocorreu foi um contrato importante com diversos produtores portugueses para que os seus produtos fossem alvo de uma publicidade preferencial. Esta hipótese é muito difícil, senão mesmo impossível de confirmar. O segundo pensamento que me assolou o espírito foi o de que o Jumbo estaria a promover produtos que fizessem parte da sua própria marca. Qual não foi o meu sorriso de ironia ao ver este catálogo no qual se vêem, praticamente em todas as páginas, produtos pertencentes à marca "Auchan". As pequenas mensagens laterais são também absolutamente adoráveis.

Diz na 3ª página que:

"É fundamental apoiar a produção portuguesa!

Ao comprar produtos feitos em Portugal está a contribuir para o crescimento económico e para o aumento dos postos de trabalho do seu país. Porquê esperar para mudar os seus hábitos? Mude de atitude, compra português!"
A página 11 afirma que:

"São produtos fabricados em Portugal por marcas nacionais, multinacionais ou mesmo internacionais, mas são produtos feitos com mão de obra nacional, que contribuem superiormente para a nossa economia e para o emprego no nosso país."

Página 13, com mais uma pérola:

"Um pequeno gesto pode ajudar produtores nacionais. Na hora de escolher, compre produtos cujo código de barras é 560."

Página 19:
"Na hora de escolher é bastante fácil tomar uma atitude correcta."

Enquanto observo, interessado, a existência de uma fórmula tão simples para aumentar o crescimento económico baseada na compra de produtos produzidos em Portugal (provavelmente, deveríamos fechar as fronteiras para impedir a importação e assim maximizar o crescimento económico português...), vejo também com curiosidade que o Jumbo consiga estudar em 3 ou 4 linhas o impacto que as importações têm na economia nacional, a influência de todas estas pequenas variáveis (completamente inacessíveis ao comum dos mortais) no poder de compra dos diversos consumidores e retirar igualmente conclusões acerca dos investimentos pessoais que cada indivíduo faz. Estes investimentos, para além de dependerem muitas vezes do tipo de produto intermédio utilizado, são as oportunidades que geram emprego. Questiono-me sobre qual será essa misteriosa razão que faz com que um produto português torne automaticamente um negócio mais rentável.

Uma resposta positiva a esta campanha do Jumbo não pode garantir sequer o combate directo ao desemprego da forma tal como é anunciada porque o Jumbo não consegue definir numericamente o impacto directo que se dá na actividade comercial com a diminuição das vendas de produtos estrangeiros por todo o território nacional. A única argumentação lógica que justifica esta acção é um apoio aos produtores que, por não conseguirem satisfazer os seus clientes, (ao ponto de manter a estabilidade da sua empresa) se vêem em dificuldades perante a concorrência estrangeira. Por outras palavras, se a empresa fosse eficiente e gerasse o tipo de produtos que são procurados pelos consumidores de acordo com as regras típicas de uma economia de mercado, não seria necessário apelar ao "patriotismo do cliente" para que estes se tornem subitamente mais valiosos. Adicionar uma espécie de nacionalismo à equação apenas vem demonstrar que é necessário apelar a uma eventual causa maior para que as empresas consigam escoar os seus produtos convenientemente ou obter um "lucro artificial".

Não se deve deixar que as pessoas sejam levadas por propaganda enganosa que tem como intenção única aproveitar uma crença popular de economia para tirar vantagem sobre os seus clientes. Não deixar que ninguém escolha por elas o que apenas elas podem escolher. Isso inclui, obviamente, o direito de comprar um produto português apenas porque se diz ser português. No entanto, a escolha é sua e é necessário recordar que Portugal são os portugueses e, portanto, o que as beneficiar, estará a beneficiar directamente Portugal.

Wednesday, March 01, 2006

Parabéns





2 anos no trabalho duro de desbovinizar o mundo através da blasfémia. Obrigado.

Tuesday, February 28, 2006

Orçamento e impostos

Tastes great, more filling

The latest statistics on capital gains tax collections from the Congressional Budget Office show receipts are not down but way up. By 45 percent to be exact. As part of President Bush's 2003 investment tax cut package, the capital gains tax rate was reduced to 15 percent from 20 percent. Opponents predicted, as ever, that this would reduce tax revenue, says the Wall Street Journal.

Not even close. Here's what actually happened, says the Journal:

* This 25 percent reduction in the tax penalty on stock and other asset sales triggered a doubling of capital gains realizations, to $539 billion in 2005 from $269 billion in 2002.

* One influence was the increase in stock values over that time, thanks in part to the higher after-tax return on capital induced by the tax cuts.

But another cause for the windfall was almost certainly the "unlocking" effect from investors selling their existing asset holdings in order to realize some of their profits and pay taxes at the lower rate, explains the Journal. They could then turn around and buy new assets, hoping for higher rates of return. This "unlocking" promotes the efficiency of capital markets by redirecting investment into new and higher value-added companies.

It also yields a windfall for the Treasury, says the Journal:

* In 2002, the year before the tax cut, capital gains tax liabilities were $49 billion at the 20 percent rate.

* They rose slightly to $51 billion in 2003, then surged to $71 billion in 2004, and were estimated by CBO to have reached $80 billion last year -- all paid at the lower 15 percent rate. In short, the lower rate yielded more revenue.
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Tax cuts make money

Many people in Washington have long known a dirty little secret about tax-cut measures: When done right, they actually result in more money for the government, says U.S. Senator Bill Frist (R-Tenn.). Recent tax cuts bear this out:

* Since the Senate approved the last major tax relief bill in 2003, revenues have increased every year; in 2004 they went up 5.5 percent and last year they rose 14.5 percent, the largest increase in nearly 25 years.

* Total government collections increased more after President Bush's tax cuts that they did after President Clinton's 1994 tax hikes.

* In 2003, the Congressional Budget Office estimated that revenues would decline by $27 billion over the next two years; instead, the tax cut stimulated investment and increased revenues by $26 billion -- a $53 billion difference.

When the economy took a turn for the worse after the end of the dot-com bubble and the 9/11 attacks, high taxes limited economic growth and kept receipts down. Although Americans were making some of the largest per-household tax payments in the nation's history, revenues plummeted in 2002 and 2003. The 2003 tax cut restored the economy and resulted in quarter after quarter of strong growth, says Frist.

Frist says if we really want to avoid burdening future generations with debt, we need to reform entitlement programs and set them on a sustainable course. Unreformed, the combined budgets of Social Security, Medicare and Medicaid will consume all federal revenues within the lifetimes of today's college students. Frist believes a sensible low-tax policy that keeps the economy growing will play a major role in confronting our fiscal challenges.
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Moral da história: Não é prática corrente dos socialistas baixar impostos. Apesar de saberem que uma redução de impostos traz benefícios à economia e até uma receita fiscal maior, insistem em manter os impostos elevados. Isto acontece, provavelmente, por duas razões. A primeira encontra-se na necessidade que têm em se justificar perante o seu eleitorado, que espera que o governo cumpra um leque de tarefas sociais, económicas, militares, etc. para as quais, intuitivamente, seriam necessárias formas de financiamento bastante fiáveis. Uma redução dos impostos implica que o governo admita que anda a gastar demasiado ou que sugira que certos serviços ou "direitos" irão terminar porque são um gasto supérfluo. Outra possibilidade seria a redução dos ordenados e reformas dos cargos mais elevados da função pública mas isso raramente acontece e cria instabilidade interna.

A outra razão baseia-se simplesmente no facto de que um governo socialista não se importa com a situação económica e social do seu país, por mais difícil que seja admiti-lo para os que caem na crença naïf de pensar o oposto. Sabem já como funcionam os mais básicos princípios dos sistemas económicos (já passaram anos suficiente para tal) mas recusam-se a admiti-lo perante a generalidade do público, embora o conheçam pessoalmente demasiado bem. Provavelmente, sabem também que ganhariam mais em aliviar a carga fiscal, reduzindo também a dimensão da economia paralela - o que acabaria por gerar ainda mais receita - mas devido à primeira razão, não o podem praticar.

O que acontece é que estes governos socialistas sabem que o âmbito da sua eleição apenas lhes permite reduzir impostos quando a corda estiver próxima de romper e não for possível esticar mais. Antes dessa fase vêm os pedidos de sacrifícios e os avisos desesperados, por parte dos mais radicais, de que o fim do Estado social pode estar para breve.

Perante esta situação existem apenas duas soluções. Ou elegemos um governo que está ideologicamente interessado em levar para a frente um programa de raízes liberais ou observamos a forma como os sucessivos representatntes se arrastam até que o socialismo se comece a despedaçar por si próprio devido à sua insustentatbilidade económica intrínseca. Esta última situação é sempre a pior porque a melhor forma de matar um cancro é retirá-lo na sua fase inicial.

Artigos sobre a curva de Laffer (independentemente da corrente supply-side):

Lauffer curve in action (National Review)

The Laffer Curve: Past, Present, and Future (Heritage Foundation)

Laffer curve (Wikipedia)

La curva de Laffer (uma defesa "engraçada" e populista da redução de impostos pelo Movimiento Libertario da Costa Rica)

Revisiting and expanding the Laffer curve
(Strike The Root)

Monday, February 27, 2006

Bomba insurgente




Não só comemoram o seu 1º movimento de translação como também acabam de fazer 3 contratações de peso. A juntar aos restantes insurgentes, poderemos ler um indivíduo e dois fugitivos.

Muitos parabéns e obrigado pelas prendas.

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P. S. - O António começa muito mal a sua temporada de insurgências porque acabou de roubar a imagem que eu tinha idealizado para esta entrada. Não se faz.

Saturday, February 25, 2006

Liberdade económica no mundo

Capitalismo popular
Por José Carlos Rodríguez



«El mundo se ha hecho más libre en los últimos años, al menos según el informe sobre la libertad económica editado anualmente por la Heritage Foundation y por el diario neoyorkino The Wall Street Journal. Ambas instituciones llevan doce años elaborando este informe, en el que valoran diez áreas de la política económica, controlando "entre cuarenta y cincuenta variables", según la economista de la Heritage Foundation Ana Eiras, que ha participado en su elaboración, y que lo ha presentado en Madrid en un acto de la Fundación FAES. Con los datos acumulados en estos doce años "ya podemos hacer una película" de cómo ha evolucionado la libertad económica, y sacar una serie de conclusiones.

(...)

Desde el primer informe, elaborado en 1995, el índice mundial ha ido progresando y la en la edición 2006, por primera vez, el dato que ocupa la mediana deja de estar en la categoría "mayormente reprimido" a estar en "mayormente libre".

(...)

En otro de los artículos, llamado El capitalismo popular prospera en India, Barun Mitra trata según el autor del "ingenio, y (el) espíritu de iniciativa e innovación, (que) ha ayudado a que la gran mayoría de los residentes de India, en particular aquéllos que se encuentran en el último escalón de la escala socioeconómica, puedan sobrevivir frente a las agobiantes políticas económicas". Ana Eiras comentó al respecto, que "la gente tiene un espíritu capitalista, nos guste o no".»

Friday, February 24, 2006

Le roi soleil



- Estou sim?

- Bom dia, estou a falar com o Sr. Sol?

- Está sim, minha Sr.ª, é o próprio. O que deseja?

- Muito bom dia. Eu estava a ligar para o avisar de que irá em breve receber uma carta para resolver o seu processo judicial. A apresentação dos réus ocorrerá na próxima semana. A primeira sessão será a determinar pelo juiz.

- Como??? Processo judicial???!!!

- Sim, Sr. Sol, processo judicial.

- Mas quais são as acusações que recaem sobre mim?

- Uso indevido do espectro electromagnético. Segundo as informações que os nossos inspectores obtiveram o Sr. tem andado a usar frequências que não são permitidas por lei.

- COMO???

- É verdade, Sr. Sol. Lamentos informá-lo de que sem estar devidamente licenciado não poderá emitir sinais nas bandas electromagnéticas às quais não estejam atribuídas permissões de utilização.

- Mas eu uso estas frequências há milhões de anos? Que brincadeira de mau gosto vem a ser esta?

- Dura lex sed lex, Sr. Sol.

- Você está a gozar comigo?

- Certamente que não, Sr. Sol. As bandas do espectro utilizadas por V. Ex.ª são proibidas pelas alíneas a) e d) dos artigos 2º e 5º do decreto-lei 123/2421. Os parágrafos 34 e 39 são bem claros.

- Então mas... e como é que eu posso obter essa licença?

- Não pode. A entidade que regula o mercado determinou que a sua concorrência é desleal e interfere com o interesse público nacional. E aproveito igualmente para o notificar de que o nosso departamento de análises radioactivas e ameaças genéticas levantou também um processo contra si.

- Isto não me está a acontecer...

- Lamentamos informá-lo, Sr. Sol. Acontece que nos nossos registos aparece o seu nome várias vezes como associado a emissões de radiações ultravioleta e radiações gama entre outras. Já para não falar do seu vento solar que danifica os satélites de outras companhias que também já levantaram queixas contra o Sr. O Sr. sabe que todas estas coisas prejudicam gravemente a saúde dos cidadãos e teima em persistir no seu uso.

- Ó minha senhora, há milhões de anos que eu faço isso! Até antes de existir sequer um cidadão...

- É a lei, Sr. Sol. Lamentamos mas não pode prejudicar assim o ambiente e a saúde pública. As leis existem para ser cumpridas.

- Mas que raio! Se eu não existisse vocês nem sequer tinham aparecido!

- Não fuja à questão, Sr. Sol. Vivemos num Estado de direito. Se o Sr. não quiser comparecer teremos de emitir um mandado de captura para o deter e trazer para as nossas instalações.

- Você está a brincar comigo, não está?

- Claro que não, Sr. Sol. Já agora, aproveito para lhe comunicar as palavras do Sr. Juiz que está a tratar do seu caso. Ele determinou expressamente que o Sr. deve cessar de imediato a sua actividade de forma a cumprir os termos da lei e a evitar um risco desnecessário de pena agravada.

- Ó meu Deus...mas a Sr.ª sabe sequer o que é uma reacção nuclear em cadeia, só por acaso?

- O Sr. está a dizer-me que pratica reacções nucleares domésticas?

- Há milhões de anos.

- Mas do seu processo não consta nenhuma autorização específica para produções de origem termonuclear.

- ...

- E para além disso, sabemos que o Sr. é igualmente responsável por uma contribuição significativa para o aumento anual das temperaturas globais e o sobreaquecimento das águas nos oceanos. O Sr. também anda a derreter o Árctico e a estimular o efeito de estufa. Não tem um pingo de vergonha nessa cara?

- Minha Sr.ª, já podia ter dito há mais tempo. Em nome do bem comum eu faço tudo. Vou cessar de imediato a minha actividade ilícita e respeitar as normas impostas pelo governo português. Não deixemos cair isto numa anomia, não é verdade?

- Sr. Sol, só um momento, vou comunicar ao Sr. Juiz a sua decisão.

[10 minutos depois]

- Sr. Sol?

- ...

- Sr. Sol? O Sr. está aí?

- ...

- Andreia, porque é que desligaste as luzes e o aquecedor?

Poor guys



Andam por aí a dizer que uma sueca qualquer quer desprestigiar a carreira destes dois homens. Será verdade? Alguém sabe de alguma coisa?

Thursday, February 23, 2006

Outra invasão espanhola

Os meus amigos nacionalistas andam por aí muito preocupados porque a Telefónica pode apresentar uma contra-OPA para comprar a PT. Ora, como se sabe, a Telefónica é a maior companhia de telecomunicações espanhola e a principal accionista da dita Portugal Telecom.

Segundo algumas pessoas, isto coloca um "centro de decisão nacioanal" em grande risco porque pode cair em mãos estrangeiras (esses malvados e gananciosos espanhóis), caso a Telefónica apresente uma proposta bem sucedida. Provavelmente não sabem que a Telefónica acabou de comprar a O2 inglesa, uma empresa que, para além de patrocinar o Arsenal, detém algo como 25% da rede de telecomunicações móveis no Reino Unido. Será que a O2 se qualifica - perdão, qualificava - como centro de decisão nacional inglês? Será que os ingleses vêm a Telefónica como uma Invencível Armada?

O mais engraçado de tudo é que quando se fala com as pessoas se percebe que elas reagem assim porque vivem com uma batalha de Aljubarrota dentro da sua cabeça. Quando referem a Telefónica dizem "os espanhóis" porque, vá-se lá saber como, a Telefónica consegue, para espanto geral, representar uns 40 millhões de pessoas. Já lhes terá occorido que possivelmente a PT nem é "portuguesa"?

A estrutura dos grupos accionistas da PT a 13 de Fevereiro de 2006 era a seguinte:


Fonte: Grupo PT

Como se pode ver, um "sector estratégico" como a Portugal Telecom já não se encontra praticamente em mãos portuguesas (Inaceitável!). 40,5% da PT pertence aos aliados anglo-saxónicos e quase 30% está nas mãos das potências europeias que constituem o eixo da Europa Continental. Aqueles 3,9% podem ser de alguma potência extraplanetária que deseja tomar o território nacional quando menos esperamos. "Portugal" tem apenas 25,8%. É urgente nacionalizar imediatamente a PT para evitar que aqueles 25,8% se percam definitivamente. Contra os canhões, marchar, marchar!

Quando é que os portugueses se vão deixar de interpretações colectivistas da realidade em que as populações de outras países formam sempre são blocos unitários de fim e propósito nacionalista que movem constantemente pequenos peões de xadrez?

Descansai, ó valentes cruzados de terras lusas, pois Portugal não cairá durante a peleja perante o pérfido inimigo castelhano. Portugal caiu e continuará a cair sempre às mãos do seu pior inimigo histórico - os próprios portugueses.

Outra pedra no sapato

Sida: China testa novo medicamento mais barato

"Cientistas chineses iniciaram os testes clínicos de um novo medicamento contra o HIV/SIDA e a hepatite B, que faz nascer a esperança de um remédio mais barato contra a doença, noticiou esta quinta-feira o jornal oficial chinês China Daily, citado pela agência Lusa.

(...)

Se os testes forem coroados de êxito, o medicamento pode estar disponível no mercado dentro de dois anos, acrescenta o China Daily, que cita Dong Junxing, um cientista da instituição.

«Se os testes clínicos confirmarem as descobertas iniciais, o medicamento será um inibidor irreversível do HIV (Vírus da Imunodeficiência Humana) e do vírus da hepatite B», disse Dong.

Pergunta: Será que a UE deve impor uma taxa de importação a medicamentos chineses para que estes não destruam a indústria farmacêutica europeia e os investimentos feitos nos seus laboratórios?

Milton Friedman




Na New Perspectives Quarterly, uma importante entrevista a Milton Friedman. A ler na íntegra.

(Notícia lida no Pura Economia, foto roubada do Globalisation Institute)

Wednesday, February 22, 2006

Cálculo económico

El problema del socialismo
Por Manuel F. Ayau Cordón

"Ahora que en América Latina le llega el turno a la izquierda mercantilista, después del fracaso de la derecha mercantilista, es oportuno hacer ver que ambos tipos de mercantilismo tienen el mismo problema del socialismo, pues ambos suponen que el Estado puede dirigir la economía y suplantar al "mercado". Por eso también es predecible su fracaso, y el ciclo de la pobreza seguirá.Veamos cuál es el problema que ignoran los mercantilistas, tanto de derecha como de izquierda.

En los años 30 del siglo XX tuvo lugar un gran debate sobre el llamado "cálculo económico", pronto opacado por las discusiones ideológicas irracionales que dominaron ese siglo; permaneció ignorado por décadas, debido a la preeminencia adquirida por la izquierda en el mundo académico. Me consta que algunos intelectuales temían tocar el tema porque, si persistían, su carrera académica peligraba. El resultado fue que quienes estudiaron en las universidades de la época no tuvieron oportunidad de conocer el talón de Aquiles de la izquierda, conocido como "el problema del cálculo económico", y es evidente que muchos aún desconocen su existencia. Por ello, muchas personas inteligentes siguen siendo de izquierda.

El problema consiste en que, para progresar, el valor que la sociedad asigna a las cosas que desea tiene que ser mayor que el que asigna a los recursos que emplea. Si no, se estaría perdiendo la diferencia. Ello requiere –y todos lo hacemos a diario inconscientemente– comparar el valor, de acuerdo con los precios que asignamos a los recursos que consumimos y a lo que obtenemos. Ese es el famoso "cálculo económico".

Ese cálculo lo podemos hacer porque las cosas tienen precios, precios que nos informan, más o menos, del valor que la comunidad asigna a sus prioridades, de su actual estado cultural y económico, de las múltiples opciones disponibles para lograr sus fines, de las implicaciones de la localización física de los recursos naturales y de los creados por el hombre, del estado de los medios de transporte, del costo de obtener información, de la infraestructura intelectual del momento, del grado de capitalización de la sociedad y de muchas otras cosas, que podríamos llamar "lo pertinente a la realidad" del mundo, en todo momento.

Esos precios resultan de los innumerables intercambios que se producen en una sociedad basada en la división del trabajo y en los subsiguientes intercambios. Esos precios que nos sirven todos los días son conocidos como "precios de mercado", porque resultan de los intercambios que libremente hacemos de lo que legítimamente nos pertenece (propiedad privada), dentro de las opciones que otros también libremente ofrecen; esa es la definición de mercado.

Debido a que toda intervención económica del Estado distorsiona los precios, los precios dejan entonces de cumplir su función y el cálculo económico distorsionado no sirve, pues ya no es real, sino un juguete político. ¿Cómo sabría un Gobierno la magnitud de la distorsión que causa? ¿Cómo sustituye aquellos precios que nos informan de tantas cosas? ¿Cómo determinar costos si éstos son, precisamente, la suma de los precios de los recursos empleados?

Una investigación en las bibliotecas del mundo revela la inexistencia de una respuesta al problema del cálculo económico, y como ninguna persona inteligente estará a favor de un sistema que nadie ha dicho cómo funciona, la conclusión inevitable es que se puede ser socialista o intervencionista (mercantilista) sólo si se ignora o no se entiende el problema. ¡Qué problema el que tienen!"

Outras leituras:

Economic Calculation In The Socialist Commonwealth (Ludwig von Mises)

¿Cómo era aquello del cálculo económico? (Juan Ramón Rallo Julián)

La imposibilidad del socialismo (Daniel Rodríguez Herrera, sobre o livro Socialismo, Cálculo Económico y Función Empresarial de Jesús Huerta de Soto)

Tuesday, February 21, 2006

O "social" de algum lado virá

No dia em que se lamenta um dos momentos mais negros da história da humanidade, aparece este pequeno mas importante texto no Sobre o tempo que passa que se refere à génese dos actuais partidos políticos portugueses. Talvez seja de alguma utilidade para aqueles que devido à sua cegueira ideológica continuam a ver o "capitalismo selvagem" na direita portuguesa:

"Marx está vivo. Foi um dos maiores pensadores universais. O seu partido comunista, na versão PCUS, reinterpretada por Lenine e Estaline, implodiu. Mas o seu SPD ainda aí está, graças a sucessivos revisionismos, nomeadamente ao de Eduard Bernstein que, entre nós, é considerado mestre por José Sócrates, Francisco Pinto Balsemão e Aníbal Cavaco Silva. Basta recordar que também Lenine e Estaline eram militantes do PSD russo.

Por outras palavras, no dia do manifesto de Marx e Engels, importa recordar que o Portugal político é o país mais à esquerda da Europa, dado que a esquerda dominante é socialista democrático e a oposição liderante de direita é social-democrata. Isto é, tanto a esquerda como a direita ainda continuam marxistas, não-leninistas, mas revisionistas. No rigor da ideologia e da história, esta é uma afirmação correcta, embora politicamente incorrecta.

Porque ninguém pode negar que o PPD fundacional admitia a inspiração marxista, que o PS era claramente marxista e que até o CDS de Freitas apresentava projectos de constituição em nome do socialismo humanista. Porque ninguém pode negar que a própria JSD chegou a adoptar "A Internacional" como hino da organização, quando fazia congressos com os retratos de Marx e Engels na parede. Porque ninguém pode negar que o PSD retirou o marxismo do programa bem depois do PS de Constâncio o ter concretizado, copiando ambos o que o SPD tinha feito no Congresso de Bad-Godesberg de 1959. Coisas bem mais substanciais do que a habitual historieta que põe Durão Barroso como jovem maoísta do MRPP antes de passar para presidente da Comissão Europeia, com prévia passagem pelo centro de desmarxização universal, anti-Bin Laden, da universidade de Georgetown, onde precedeu Nuno Severiano Teixeira."

Monday, February 20, 2006

Querem tirar-nos os sapatos

UE vai impor taxas de 20% sobre calçado chinês e vietnamita

"A União Europeia vai impor, a partir de Abril, taxas de importação no valor de 20% sobre algum calçado de pele proveniente da China e Vietname, de forma a evitar que aquele tipo calçado seja vendido abaixo do custo nos mercados comunitários.

A UE, no que ano passado importou 120 milhões de pares de sapatos do Vietname e 95 milhões de pares da China, no montante de 5 mil milhões de euros, referiu que vai impor tarifas crescentes durante seis meses, para um máximo de cerca de 20% do seu valor. A China ameaçou retaliar se o comissário europeu do Comércio, Peter Mandelson, impuser estas taxas adicionais.

«Esta é uma medida muito hostil para o consumidor e será um encargo especialmente pesado para famílias com baixos rendimentos, bem como para ‘traders’, importadores e retalhistas», disse Ralph Kamphoener, conselheiro comercial na EuroCommerce, que representa as empresas europeias que empregam mais de 22 milhões de pessoas na UE.

Ao fasear estas taxas a partir de 7 de Abril, a UE espera assim evitar o tipo de bloqueios à distribuição que ocorreu quando a União Europeia limitou as importações de têxteis chineses, no ano passado"
(via Causa Liberal)

Diz-se que a intenção da UE é evitar os bloqueios à distribuição como o que sucedeu no ano passado. Isto não deixa de ser extremamente interessante já que é o limite imposto pela própria UE que causa tais problemas. Se não existisse uma imposição de um limite de importações, não existiria bloqueio nenhum.

As verdadeiras razões por trás desta decisão são óbvias. Apesar de a taxa adicional a ser cobrada proavelmente reduzir as vendas, continuará a existir uma quantidade de produtos a "implorar" para ser taxada e nós já sabemos como os governos gostam de encontrar formas de financiamento. Um imposto de 20% adicionado ao IVA certamente servirá para mais uns Rolls Royce, requisito básico de qualquer elite administrativa que se preze.

A medida agradará também aos sindicatos, aos produtores e trabalhadores da indústria de calçado que julgam pertencer a uma economia estática em que apenas existe a relação entre eles e os seus potenciais consumidores. Estes serão, portanto, forçados por vias económicas, a consumir preferencialmente os seus produtos quando necessário. Em toda esta situação se vislumbram duas tendências constantes, prejudiciais e, infelizmente, de interesse mútuo coordenável.

Os empregados da indústria na Europa exercem um trabalho cujo valor está claramente acima do do mercado global. Como é um trabalho que exige pouca qualificação profissional, a mão-de-obra disponível é muito maior. Uma vez que a Europa é um dos locais onde a especialização técnica atingiu um nível mais elevado, estes empregos tornaram-se cada vez menos comuns ao longo do tempo, comparando, por exemplo, com os séculos anteriores em que existia uma percentagem muito maior da população a partir de onde se escolhiam os operários. O que acontece aqui é que os actuais trabalhadores desta indústria desejam preservar o seu status quo, impedindo outros - chineses e vietnamitas, no caso - de o adquirir. Estas pessoas não desejam obter um emprego que lhes exija maiores qualificações porque isso implica um maior esforço do que aquele a que elas estão dispostas a fazer e não desejam adaptar-se a um mundo (e, logo, uma economia) dinâmico.

Os processos económicos não funcionam assim, para qualquer dos efeitos. Seria bom que pudéssemos ter o nosso emprego eternamente garantido quando existe mais gente que também o pode e/ou deseja obter. A situação assemelha-se a um advogado que exige que as universidades da sua cidade deixem de licenciar novos estudantes em advocacia porque ele pensa que o mercado já está saturado e isso reduz as suas possibilidades de ser bem sucedido, ainda para mais quando os novos candidatos têm menos 20 anos do que ele. Infelizmente para as suas intenções, as outras pessoas também têm o direito de exercer advocacia.

A outra tendência é a dos empresários já instalados que esquecem o âmbito geral da economia em que estão embebidos. Desejam manter o seu lucro, através do mercado que possuem actualmente e evitando a competição externa. Não querem inovar porque isso requer investimento e outras adversidades, preferindo manter-se numa redoma fechada em que podem ter as suas vendas garantidas sem qualquer influência externa. Daqui se entende a reacção de quase todos os empresários ao saber que há um novo player no seu sector.

Por culpa da legislação e dos sindicatos, estas reacções são também particularmente fomentadas já que um empregador não pode pagar um salário ou benefícios extra que representem o seu verdadeiro valor de mercado. As conquências resultantes acabam por ser sempre as mesmas em todos os países. Socialismo gera mais socialismo. Como não há liberdade a nível da contratação laboral, instalam-se interesses sindicais. Como o mercado é protegido, instalam-se interesses empresariais. Como as pessoas já estão habituadas, o Estado não se coibe em sugerir outro imposto de forma a satisfazer os interesses organizados e até a lucrar com isso.

E quem defende os interesses pessoais de cada um de nós nesta questão da indústria do calçado?