Pages

Saturday, February 25, 2006

Liberdade económica no mundo

Capitalismo popular
Por José Carlos Rodríguez



«El mundo se ha hecho más libre en los últimos años, al menos según el informe sobre la libertad económica editado anualmente por la Heritage Foundation y por el diario neoyorkino The Wall Street Journal. Ambas instituciones llevan doce años elaborando este informe, en el que valoran diez áreas de la política económica, controlando "entre cuarenta y cincuenta variables", según la economista de la Heritage Foundation Ana Eiras, que ha participado en su elaboración, y que lo ha presentado en Madrid en un acto de la Fundación FAES. Con los datos acumulados en estos doce años "ya podemos hacer una película" de cómo ha evolucionado la libertad económica, y sacar una serie de conclusiones.

(...)

Desde el primer informe, elaborado en 1995, el índice mundial ha ido progresando y la en la edición 2006, por primera vez, el dato que ocupa la mediana deja de estar en la categoría "mayormente reprimido" a estar en "mayormente libre".

(...)

En otro de los artículos, llamado El capitalismo popular prospera en India, Barun Mitra trata según el autor del "ingenio, y (el) espíritu de iniciativa e innovación, (que) ha ayudado a que la gran mayoría de los residentes de India, en particular aquéllos que se encuentran en el último escalón de la escala socioeconómica, puedan sobrevivir frente a las agobiantes políticas económicas". Ana Eiras comentó al respecto, que "la gente tiene un espíritu capitalista, nos guste o no".»

Friday, February 24, 2006

Le roi soleil



- Estou sim?

- Bom dia, estou a falar com o Sr. Sol?

- Está sim, minha Sr.ª, é o próprio. O que deseja?

- Muito bom dia. Eu estava a ligar para o avisar de que irá em breve receber uma carta para resolver o seu processo judicial. A apresentação dos réus ocorrerá na próxima semana. A primeira sessão será a determinar pelo juiz.

- Como??? Processo judicial???!!!

- Sim, Sr. Sol, processo judicial.

- Mas quais são as acusações que recaem sobre mim?

- Uso indevido do espectro electromagnético. Segundo as informações que os nossos inspectores obtiveram o Sr. tem andado a usar frequências que não são permitidas por lei.

- COMO???

- É verdade, Sr. Sol. Lamentos informá-lo de que sem estar devidamente licenciado não poderá emitir sinais nas bandas electromagnéticas às quais não estejam atribuídas permissões de utilização.

- Mas eu uso estas frequências há milhões de anos? Que brincadeira de mau gosto vem a ser esta?

- Dura lex sed lex, Sr. Sol.

- Você está a gozar comigo?

- Certamente que não, Sr. Sol. As bandas do espectro utilizadas por V. Ex.ª são proibidas pelas alíneas a) e d) dos artigos 2º e 5º do decreto-lei 123/2421. Os parágrafos 34 e 39 são bem claros.

- Então mas... e como é que eu posso obter essa licença?

- Não pode. A entidade que regula o mercado determinou que a sua concorrência é desleal e interfere com o interesse público nacional. E aproveito igualmente para o notificar de que o nosso departamento de análises radioactivas e ameaças genéticas levantou também um processo contra si.

- Isto não me está a acontecer...

- Lamentamos informá-lo, Sr. Sol. Acontece que nos nossos registos aparece o seu nome várias vezes como associado a emissões de radiações ultravioleta e radiações gama entre outras. Já para não falar do seu vento solar que danifica os satélites de outras companhias que também já levantaram queixas contra o Sr. O Sr. sabe que todas estas coisas prejudicam gravemente a saúde dos cidadãos e teima em persistir no seu uso.

- Ó minha senhora, há milhões de anos que eu faço isso! Até antes de existir sequer um cidadão...

- É a lei, Sr. Sol. Lamentamos mas não pode prejudicar assim o ambiente e a saúde pública. As leis existem para ser cumpridas.

- Mas que raio! Se eu não existisse vocês nem sequer tinham aparecido!

- Não fuja à questão, Sr. Sol. Vivemos num Estado de direito. Se o Sr. não quiser comparecer teremos de emitir um mandado de captura para o deter e trazer para as nossas instalações.

- Você está a brincar comigo, não está?

- Claro que não, Sr. Sol. Já agora, aproveito para lhe comunicar as palavras do Sr. Juiz que está a tratar do seu caso. Ele determinou expressamente que o Sr. deve cessar de imediato a sua actividade de forma a cumprir os termos da lei e a evitar um risco desnecessário de pena agravada.

- Ó meu Deus...mas a Sr.ª sabe sequer o que é uma reacção nuclear em cadeia, só por acaso?

- O Sr. está a dizer-me que pratica reacções nucleares domésticas?

- Há milhões de anos.

- Mas do seu processo não consta nenhuma autorização específica para produções de origem termonuclear.

- ...

- E para além disso, sabemos que o Sr. é igualmente responsável por uma contribuição significativa para o aumento anual das temperaturas globais e o sobreaquecimento das águas nos oceanos. O Sr. também anda a derreter o Árctico e a estimular o efeito de estufa. Não tem um pingo de vergonha nessa cara?

- Minha Sr.ª, já podia ter dito há mais tempo. Em nome do bem comum eu faço tudo. Vou cessar de imediato a minha actividade ilícita e respeitar as normas impostas pelo governo português. Não deixemos cair isto numa anomia, não é verdade?

- Sr. Sol, só um momento, vou comunicar ao Sr. Juiz a sua decisão.

[10 minutos depois]

- Sr. Sol?

- ...

- Sr. Sol? O Sr. está aí?

- ...

- Andreia, porque é que desligaste as luzes e o aquecedor?

Poor guys



Andam por aí a dizer que uma sueca qualquer quer desprestigiar a carreira destes dois homens. Será verdade? Alguém sabe de alguma coisa?

Thursday, February 23, 2006

Outra invasão espanhola

Os meus amigos nacionalistas andam por aí muito preocupados porque a Telefónica pode apresentar uma contra-OPA para comprar a PT. Ora, como se sabe, a Telefónica é a maior companhia de telecomunicações espanhola e a principal accionista da dita Portugal Telecom.

Segundo algumas pessoas, isto coloca um "centro de decisão nacioanal" em grande risco porque pode cair em mãos estrangeiras (esses malvados e gananciosos espanhóis), caso a Telefónica apresente uma proposta bem sucedida. Provavelmente não sabem que a Telefónica acabou de comprar a O2 inglesa, uma empresa que, para além de patrocinar o Arsenal, detém algo como 25% da rede de telecomunicações móveis no Reino Unido. Será que a O2 se qualifica - perdão, qualificava - como centro de decisão nacional inglês? Será que os ingleses vêm a Telefónica como uma Invencível Armada?

O mais engraçado de tudo é que quando se fala com as pessoas se percebe que elas reagem assim porque vivem com uma batalha de Aljubarrota dentro da sua cabeça. Quando referem a Telefónica dizem "os espanhóis" porque, vá-se lá saber como, a Telefónica consegue, para espanto geral, representar uns 40 millhões de pessoas. Já lhes terá occorido que possivelmente a PT nem é "portuguesa"?

A estrutura dos grupos accionistas da PT a 13 de Fevereiro de 2006 era a seguinte:


Fonte: Grupo PT

Como se pode ver, um "sector estratégico" como a Portugal Telecom já não se encontra praticamente em mãos portuguesas (Inaceitável!). 40,5% da PT pertence aos aliados anglo-saxónicos e quase 30% está nas mãos das potências europeias que constituem o eixo da Europa Continental. Aqueles 3,9% podem ser de alguma potência extraplanetária que deseja tomar o território nacional quando menos esperamos. "Portugal" tem apenas 25,8%. É urgente nacionalizar imediatamente a PT para evitar que aqueles 25,8% se percam definitivamente. Contra os canhões, marchar, marchar!

Quando é que os portugueses se vão deixar de interpretações colectivistas da realidade em que as populações de outras países formam sempre são blocos unitários de fim e propósito nacionalista que movem constantemente pequenos peões de xadrez?

Descansai, ó valentes cruzados de terras lusas, pois Portugal não cairá durante a peleja perante o pérfido inimigo castelhano. Portugal caiu e continuará a cair sempre às mãos do seu pior inimigo histórico - os próprios portugueses.

Outra pedra no sapato

Sida: China testa novo medicamento mais barato

"Cientistas chineses iniciaram os testes clínicos de um novo medicamento contra o HIV/SIDA e a hepatite B, que faz nascer a esperança de um remédio mais barato contra a doença, noticiou esta quinta-feira o jornal oficial chinês China Daily, citado pela agência Lusa.

(...)

Se os testes forem coroados de êxito, o medicamento pode estar disponível no mercado dentro de dois anos, acrescenta o China Daily, que cita Dong Junxing, um cientista da instituição.

«Se os testes clínicos confirmarem as descobertas iniciais, o medicamento será um inibidor irreversível do HIV (Vírus da Imunodeficiência Humana) e do vírus da hepatite B», disse Dong.

Pergunta: Será que a UE deve impor uma taxa de importação a medicamentos chineses para que estes não destruam a indústria farmacêutica europeia e os investimentos feitos nos seus laboratórios?

Milton Friedman




Na New Perspectives Quarterly, uma importante entrevista a Milton Friedman. A ler na íntegra.

(Notícia lida no Pura Economia, foto roubada do Globalisation Institute)

Wednesday, February 22, 2006

Cálculo económico

El problema del socialismo
Por Manuel F. Ayau Cordón

"Ahora que en América Latina le llega el turno a la izquierda mercantilista, después del fracaso de la derecha mercantilista, es oportuno hacer ver que ambos tipos de mercantilismo tienen el mismo problema del socialismo, pues ambos suponen que el Estado puede dirigir la economía y suplantar al "mercado". Por eso también es predecible su fracaso, y el ciclo de la pobreza seguirá.Veamos cuál es el problema que ignoran los mercantilistas, tanto de derecha como de izquierda.

En los años 30 del siglo XX tuvo lugar un gran debate sobre el llamado "cálculo económico", pronto opacado por las discusiones ideológicas irracionales que dominaron ese siglo; permaneció ignorado por décadas, debido a la preeminencia adquirida por la izquierda en el mundo académico. Me consta que algunos intelectuales temían tocar el tema porque, si persistían, su carrera académica peligraba. El resultado fue que quienes estudiaron en las universidades de la época no tuvieron oportunidad de conocer el talón de Aquiles de la izquierda, conocido como "el problema del cálculo económico", y es evidente que muchos aún desconocen su existencia. Por ello, muchas personas inteligentes siguen siendo de izquierda.

El problema consiste en que, para progresar, el valor que la sociedad asigna a las cosas que desea tiene que ser mayor que el que asigna a los recursos que emplea. Si no, se estaría perdiendo la diferencia. Ello requiere –y todos lo hacemos a diario inconscientemente– comparar el valor, de acuerdo con los precios que asignamos a los recursos que consumimos y a lo que obtenemos. Ese es el famoso "cálculo económico".

Ese cálculo lo podemos hacer porque las cosas tienen precios, precios que nos informan, más o menos, del valor que la comunidad asigna a sus prioridades, de su actual estado cultural y económico, de las múltiples opciones disponibles para lograr sus fines, de las implicaciones de la localización física de los recursos naturales y de los creados por el hombre, del estado de los medios de transporte, del costo de obtener información, de la infraestructura intelectual del momento, del grado de capitalización de la sociedad y de muchas otras cosas, que podríamos llamar "lo pertinente a la realidad" del mundo, en todo momento.

Esos precios resultan de los innumerables intercambios que se producen en una sociedad basada en la división del trabajo y en los subsiguientes intercambios. Esos precios que nos sirven todos los días son conocidos como "precios de mercado", porque resultan de los intercambios que libremente hacemos de lo que legítimamente nos pertenece (propiedad privada), dentro de las opciones que otros también libremente ofrecen; esa es la definición de mercado.

Debido a que toda intervención económica del Estado distorsiona los precios, los precios dejan entonces de cumplir su función y el cálculo económico distorsionado no sirve, pues ya no es real, sino un juguete político. ¿Cómo sabría un Gobierno la magnitud de la distorsión que causa? ¿Cómo sustituye aquellos precios que nos informan de tantas cosas? ¿Cómo determinar costos si éstos son, precisamente, la suma de los precios de los recursos empleados?

Una investigación en las bibliotecas del mundo revela la inexistencia de una respuesta al problema del cálculo económico, y como ninguna persona inteligente estará a favor de un sistema que nadie ha dicho cómo funciona, la conclusión inevitable es que se puede ser socialista o intervencionista (mercantilista) sólo si se ignora o no se entiende el problema. ¡Qué problema el que tienen!"

Outras leituras:

Economic Calculation In The Socialist Commonwealth (Ludwig von Mises)

¿Cómo era aquello del cálculo económico? (Juan Ramón Rallo Julián)

La imposibilidad del socialismo (Daniel Rodríguez Herrera, sobre o livro Socialismo, Cálculo Económico y Función Empresarial de Jesús Huerta de Soto)

Tuesday, February 21, 2006

O "social" de algum lado virá

No dia em que se lamenta um dos momentos mais negros da história da humanidade, aparece este pequeno mas importante texto no Sobre o tempo que passa que se refere à génese dos actuais partidos políticos portugueses. Talvez seja de alguma utilidade para aqueles que devido à sua cegueira ideológica continuam a ver o "capitalismo selvagem" na direita portuguesa:

"Marx está vivo. Foi um dos maiores pensadores universais. O seu partido comunista, na versão PCUS, reinterpretada por Lenine e Estaline, implodiu. Mas o seu SPD ainda aí está, graças a sucessivos revisionismos, nomeadamente ao de Eduard Bernstein que, entre nós, é considerado mestre por José Sócrates, Francisco Pinto Balsemão e Aníbal Cavaco Silva. Basta recordar que também Lenine e Estaline eram militantes do PSD russo.

Por outras palavras, no dia do manifesto de Marx e Engels, importa recordar que o Portugal político é o país mais à esquerda da Europa, dado que a esquerda dominante é socialista democrático e a oposição liderante de direita é social-democrata. Isto é, tanto a esquerda como a direita ainda continuam marxistas, não-leninistas, mas revisionistas. No rigor da ideologia e da história, esta é uma afirmação correcta, embora politicamente incorrecta.

Porque ninguém pode negar que o PPD fundacional admitia a inspiração marxista, que o PS era claramente marxista e que até o CDS de Freitas apresentava projectos de constituição em nome do socialismo humanista. Porque ninguém pode negar que a própria JSD chegou a adoptar "A Internacional" como hino da organização, quando fazia congressos com os retratos de Marx e Engels na parede. Porque ninguém pode negar que o PSD retirou o marxismo do programa bem depois do PS de Constâncio o ter concretizado, copiando ambos o que o SPD tinha feito no Congresso de Bad-Godesberg de 1959. Coisas bem mais substanciais do que a habitual historieta que põe Durão Barroso como jovem maoísta do MRPP antes de passar para presidente da Comissão Europeia, com prévia passagem pelo centro de desmarxização universal, anti-Bin Laden, da universidade de Georgetown, onde precedeu Nuno Severiano Teixeira."

Monday, February 20, 2006

Querem tirar-nos os sapatos

UE vai impor taxas de 20% sobre calçado chinês e vietnamita

"A União Europeia vai impor, a partir de Abril, taxas de importação no valor de 20% sobre algum calçado de pele proveniente da China e Vietname, de forma a evitar que aquele tipo calçado seja vendido abaixo do custo nos mercados comunitários.

A UE, no que ano passado importou 120 milhões de pares de sapatos do Vietname e 95 milhões de pares da China, no montante de 5 mil milhões de euros, referiu que vai impor tarifas crescentes durante seis meses, para um máximo de cerca de 20% do seu valor. A China ameaçou retaliar se o comissário europeu do Comércio, Peter Mandelson, impuser estas taxas adicionais.

«Esta é uma medida muito hostil para o consumidor e será um encargo especialmente pesado para famílias com baixos rendimentos, bem como para ‘traders’, importadores e retalhistas», disse Ralph Kamphoener, conselheiro comercial na EuroCommerce, que representa as empresas europeias que empregam mais de 22 milhões de pessoas na UE.

Ao fasear estas taxas a partir de 7 de Abril, a UE espera assim evitar o tipo de bloqueios à distribuição que ocorreu quando a União Europeia limitou as importações de têxteis chineses, no ano passado"
(via Causa Liberal)

Diz-se que a intenção da UE é evitar os bloqueios à distribuição como o que sucedeu no ano passado. Isto não deixa de ser extremamente interessante já que é o limite imposto pela própria UE que causa tais problemas. Se não existisse uma imposição de um limite de importações, não existiria bloqueio nenhum.

As verdadeiras razões por trás desta decisão são óbvias. Apesar de a taxa adicional a ser cobrada proavelmente reduzir as vendas, continuará a existir uma quantidade de produtos a "implorar" para ser taxada e nós já sabemos como os governos gostam de encontrar formas de financiamento. Um imposto de 20% adicionado ao IVA certamente servirá para mais uns Rolls Royce, requisito básico de qualquer elite administrativa que se preze.

A medida agradará também aos sindicatos, aos produtores e trabalhadores da indústria de calçado que julgam pertencer a uma economia estática em que apenas existe a relação entre eles e os seus potenciais consumidores. Estes serão, portanto, forçados por vias económicas, a consumir preferencialmente os seus produtos quando necessário. Em toda esta situação se vislumbram duas tendências constantes, prejudiciais e, infelizmente, de interesse mútuo coordenável.

Os empregados da indústria na Europa exercem um trabalho cujo valor está claramente acima do do mercado global. Como é um trabalho que exige pouca qualificação profissional, a mão-de-obra disponível é muito maior. Uma vez que a Europa é um dos locais onde a especialização técnica atingiu um nível mais elevado, estes empregos tornaram-se cada vez menos comuns ao longo do tempo, comparando, por exemplo, com os séculos anteriores em que existia uma percentagem muito maior da população a partir de onde se escolhiam os operários. O que acontece aqui é que os actuais trabalhadores desta indústria desejam preservar o seu status quo, impedindo outros - chineses e vietnamitas, no caso - de o adquirir. Estas pessoas não desejam obter um emprego que lhes exija maiores qualificações porque isso implica um maior esforço do que aquele a que elas estão dispostas a fazer e não desejam adaptar-se a um mundo (e, logo, uma economia) dinâmico.

Os processos económicos não funcionam assim, para qualquer dos efeitos. Seria bom que pudéssemos ter o nosso emprego eternamente garantido quando existe mais gente que também o pode e/ou deseja obter. A situação assemelha-se a um advogado que exige que as universidades da sua cidade deixem de licenciar novos estudantes em advocacia porque ele pensa que o mercado já está saturado e isso reduz as suas possibilidades de ser bem sucedido, ainda para mais quando os novos candidatos têm menos 20 anos do que ele. Infelizmente para as suas intenções, as outras pessoas também têm o direito de exercer advocacia.

A outra tendência é a dos empresários já instalados que esquecem o âmbito geral da economia em que estão embebidos. Desejam manter o seu lucro, através do mercado que possuem actualmente e evitando a competição externa. Não querem inovar porque isso requer investimento e outras adversidades, preferindo manter-se numa redoma fechada em que podem ter as suas vendas garantidas sem qualquer influência externa. Daqui se entende a reacção de quase todos os empresários ao saber que há um novo player no seu sector.

Por culpa da legislação e dos sindicatos, estas reacções são também particularmente fomentadas já que um empregador não pode pagar um salário ou benefícios extra que representem o seu verdadeiro valor de mercado. As conquências resultantes acabam por ser sempre as mesmas em todos os países. Socialismo gera mais socialismo. Como não há liberdade a nível da contratação laboral, instalam-se interesses sindicais. Como o mercado é protegido, instalam-se interesses empresariais. Como as pessoas já estão habituadas, o Estado não se coibe em sugerir outro imposto de forma a satisfazer os interesses organizados e até a lucrar com isso.

E quem defende os interesses pessoais de cada um de nós nesta questão da indústria do calçado?

Friday, February 17, 2006

Os políticos nunca são pobres

Foreign aid funds corruption new study reveals [PDF]

"A new report released today, Make Poverty History: Tackle Corruption examines the correlation between foreign aid and corruption in developing countries. After analysing data from 2005 Corruption Perceptions Index, economist and emeritus Professor Wolfgang Kasper reveals,

'A major cause for the rising tide of graft is foreign aid. Aid rarely reaches the poor and is rarely cost-effective. Despite assertions by well-paid foreign-aid lobbyists, unconditional foreign aid has failed. Thus, huge aid flows to Africa have only rewarded incompetent despots and kleptocratic elites, whereas absolute poverty has plummeted in India and China, countries which have received comparatively little foreign aid. In countries which derive over half their national budget from foreign aid transfers -- as is now the case in many African and South Pacific countries -- genuine democracy has no chance.'

Kasper continues, ‘My analysis shows that entrenched corruption occurs in countries with poorly protected private property rights, over-regulated markets, and a poor rule of law."

(via 25 centímetros de neve)

Enigma da OPA

Nos últimos dias tenho ouvido constantemente vários comentadores políticos, economistas, directores de empresas, gestores, etc. extremamente preocupados com o efeito que a OPA de Belmiro de Azevedo (ou uma eventual contra-OPA) terá no mercado das telecomunicações. Embora Belmiro de Azevedo tenha dado a entender que pretendia vender uma das redes - a de cobre ou a de cabo - as atenções parecem voltar-se para o sector das telecomunicações móveis onde uma absorção da PT pela Sonae daria lugar a uma eventual fusão entre a TMN e a Optimus.

Tem sido sugerido que há hipóteses de que a AdC bloqueie a compra porque desta acção "hostil" pode eventualmente resultar uma diminuição da concorrência no mercado móvel terrestre português. Apenas a ideia de que a AdC consegue, por artes mágicas, saber qual é a forma que gera mais concorrência no mercado e em que condições são melhorados os serviços ou diminuídos os preços demonstra que não se entende muito bem como funcionam os mecanismos de concorrência em termos gerais. O mais interessante que cheguei a ouvir foi a hipótese de a AdC considerar oferecer uma nova licença para contrair o efeito que esta fusão teria, como se o mercado (neste caso, o das telecomunicações) fosse tão um sistema tão simples ao ponto de regressar a um "equilíbrio harmónico" de 3 operadores semelhante ao existente agora.

Não por parte do cidadão comum - a quem em estas movimentações pouco importam a não ser pelo peso que têm na sua carteira - mas por parte da maioria dos que comentaram a situação à comunicação social, denota-se uma profunda hipocrisia. Repentinamente, todos se preocupam com a questão da concorrência, como se fosse algo divino que até seria benéfico caso fosse mantido artificialmente, de tão importante e extraordinário que é.

Se estas pessoas realmente estivessem interessadas numa competitividade empresarial para este sector, já estariam há muito tempo a criticar a parcela accionista que o Estado detém na PT, quer através da CGD, quer através da golden share que persiste em manter para as demais conveniências políticas, o que provavelmente até impediu a PT de ter uma política "expansionista" a nível das operadoras europeias. Teriam também criticado o monopólio que a PT detinha na rede fixa e a sua actuação simultânea como grossista (único) e retalhista na rede ADSL.

Se a preocupação desta gente fosse realmente a concorrência, há muito estariam já a lutar pelo desmantelamento da AdC e da ANACOM* cujas únicas funções são precisamente intervir, regular e impedir a verdadeira concorrência entre empresas. Uma porque nasce do pressuposto de que a aquisição de quotas de mercado mina necessariamente a "concorrência" (daí que provavelmente nunca teríamos um monopólio, nem que fosse livremente determinado) enquanto que a outra existe simplesmente para decidir como é usado o espectro electromagnético, de forma a impedir que mais operadoras apareçam ou que o mercado ofereça novas soluções por via natural.

---

*No máximo dos máximos, compreender-se-ia que a ANACOM actuasse como mediadora de potenciais conflitos entre o uso dado e respectivas distribuições dentro das diversas bandas do espectro e não como identidade que decide que bandas de frequências são utilizadas e a quem são autorizadas e licenciadas, no caso de operadores privados (regulação do mercado)


Nota adicional: depois de já escrita esta entrada, li no Dinheiro Digital que a atribuição da nova licença sempre é uma hipótese que está a ser considerada. É preocupante que se encare isto da perspectiva do licenciamento:

"O mesmo periódico adianta que a «atribuição de uma terceira licença móvel para repor o equilíbrio concorrencial no mercado é uma das opções admitida pelo Executivo no quadro da reorganização do sector num cenário pós-OPA»."

Há mercado e interesse (se não existisse estímulo por parte das companhias em apostar nas telecomunicações, não faria sentido abrir uma nova licença) mas a presença deste novo operador é vista do ponto de vista legal. Note-se que não é dito que se espera que apareça um novo operador mas que se poderá "autorizar" um novo operador.

Teoria e experiência




"Confused by curved spaces? Baffled by black holes? Then it's time to read our online introduction to relativity, Elementary Einstein!"




"Robert P. Crease, a member of the philosophy department at the State University of New York at Stony Brook and the historian at Brookhaven National Laboratory, recently asked physicists to nominate the most beautiful experiment of all time. Based on the paper of George Johnson in The New York Times we list below 10 winners of this polling and accompany the short explanations of the physical experiments with computer animations."

1. Double-slit electron diffraction
2. Galileo's experiment on falling objects
3. Millikan's oil-drop experiment
4. Newton's decomposition of sunlight with a prism
5. Young's light-interference experiment
6. Cavendish's torsion-bar experiment
7. Eratosthenes' measurement of the Earth's circumference
8. Galileo's experiments with rolling balls down inclined planes
9. Rutherford's discovery of the nucleus
10. Foucault's pendulum

---

Recomendações de leitura: Great Experiments in Physics, Morris H. Shamos

Assim se vê a xenofobia do PC

PCP considera plano «gravíssimo»

"Por sua vez, os partidos de esquerda ficaram preocupados com os planos do Governo. O PCP classificou o programa de privatizações como «gravíssimo», considerando que o Estado deveria continuar a manter um papel importante em empresas que são lucrativas.

«Vão passar para mãos estrangeiras empresas lucrativas e estratégicas», adiantou o deputado do PCP, Honório Novo, em declarações aos jornalistas na Assembleia da República."
Conclusões (ou lá perto):

1. O lucro é maléfico (obra do demo);

2. O Estado encontra-se isento de condenações de ordem divina e outras excomunhões já que é uma entidade laica, logo o lucro, neste caso, já é bom porque até cobre os ordenados dos funcionários públicos incluindo, claro, os deputados, as campanhas dos partidos políticos e outras aventuras extremamente vitais para a sua saúde democrática e parlamentar do país;

3. Privatizar é gravíssimo. Excepto quando se está no governo e se pode ficar directamente com as receitas de tais operações. Quando não se está, é um atentado aos direitos sociais e às receitas a longo prazo do Estado;

4. As empresas são estratégicas mas têm permanecido nas mãos do Estado. Ora, se são assim tão estratégicas deviam estar nas mãos de privados para que pudessem regular-se de acordo com as regras do mercado e servir os interesses dos clientes e não os de directores e conselhos de administração que até são nomeados pelo governo. Para além de ser um mau gestor por natureza, o Estado não se importa muito com os défices financeiros das empresas públicas. Há sempre de onde tirar dinheiro para injectar livremente se for necessário;

5. Percebe-se que, efectivamente, as empresas são estratégicas. Mas são estratégicas para os interesses do Estado, não para os dos consumidores, daí que os partidos políticos, que sobrevivem a partir do Estado, vejam com inúmeras reticências a sua privatização;

6. O PCP teme que as empresas ditas estratégicas e lucrativas caiam em mãos estrangeiras. Para um partido que se espera de esquerda clássica e defensor da igualdade isto é bastante pobre ideologicamente, já para não dizer totalmente incoerente. Então, passa-se a vida a defender que somos todos iguais e não devemos discriminar as pessoas de outras raças e nacionalidades para depois vir um representante comunista dizer que é grave que empresas lucrativas e estratégicas passem para mãos estrangeiras?;

7. Aguardarei com expectativa os próximos dias na esperança de ouvir um desmentido, por parte da direcção do PCP. Talvez fosse boa ideia que Jerónimo de Sousa fizesse um pedido de desculpas oficial não vá a uma televisão árabe qualquer traduzir as declarações deste deputado para que depois todo o mundo islâmico fique a pensar que era uma indirecta para eles;

8. Deveríamos dar-nos por agraciados já que estamos a assistir a um momento histórico. A concretizar-se esta atitude com a conivência das demais figuras representativas do partido, o PCP acaba de se destacar definitivamente da linha que o separa do Bloco de Esquerda para passar a competir directamente no mercado das ideias com o mesmo público-alvo do PNR.

Thursday, February 16, 2006

Epa, o coiso e é ... coisa

Ele acha que coiso. É coiso, é preciso ver as coisas...coiso, entendem? Aos 1:38 surge a explicação de todo o vídeo.

(roubado ao Horrivel Site do Marco)

É preciso ser otário

A previsibilidade da comunidade científica, por vezes, deixa-me completamente estarrecido:

Estudo revela que elefantes não perdoam e são vingativos
«Os elefantes, além da sua lendária boa memória, não perdoam e são vingativos, indica um estudo hoje publicado pela revista britânica New Scientist.»
Quem precisava de um estudo para concluir isto? Até parece que alguns de nós ainda não tinham referido que o aeroporto da Ota podia prejudicar gravemente o país.