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Friday, February 17, 2006

Assim se vê a xenofobia do PC

PCP considera plano «gravíssimo»

"Por sua vez, os partidos de esquerda ficaram preocupados com os planos do Governo. O PCP classificou o programa de privatizações como «gravíssimo», considerando que o Estado deveria continuar a manter um papel importante em empresas que são lucrativas.

«Vão passar para mãos estrangeiras empresas lucrativas e estratégicas», adiantou o deputado do PCP, Honório Novo, em declarações aos jornalistas na Assembleia da República."
Conclusões (ou lá perto):

1. O lucro é maléfico (obra do demo);

2. O Estado encontra-se isento de condenações de ordem divina e outras excomunhões já que é uma entidade laica, logo o lucro, neste caso, já é bom porque até cobre os ordenados dos funcionários públicos incluindo, claro, os deputados, as campanhas dos partidos políticos e outras aventuras extremamente vitais para a sua saúde democrática e parlamentar do país;

3. Privatizar é gravíssimo. Excepto quando se está no governo e se pode ficar directamente com as receitas de tais operações. Quando não se está, é um atentado aos direitos sociais e às receitas a longo prazo do Estado;

4. As empresas são estratégicas mas têm permanecido nas mãos do Estado. Ora, se são assim tão estratégicas deviam estar nas mãos de privados para que pudessem regular-se de acordo com as regras do mercado e servir os interesses dos clientes e não os de directores e conselhos de administração que até são nomeados pelo governo. Para além de ser um mau gestor por natureza, o Estado não se importa muito com os défices financeiros das empresas públicas. Há sempre de onde tirar dinheiro para injectar livremente se for necessário;

5. Percebe-se que, efectivamente, as empresas são estratégicas. Mas são estratégicas para os interesses do Estado, não para os dos consumidores, daí que os partidos políticos, que sobrevivem a partir do Estado, vejam com inúmeras reticências a sua privatização;

6. O PCP teme que as empresas ditas estratégicas e lucrativas caiam em mãos estrangeiras. Para um partido que se espera de esquerda clássica e defensor da igualdade isto é bastante pobre ideologicamente, já para não dizer totalmente incoerente. Então, passa-se a vida a defender que somos todos iguais e não devemos discriminar as pessoas de outras raças e nacionalidades para depois vir um representante comunista dizer que é grave que empresas lucrativas e estratégicas passem para mãos estrangeiras?;

7. Aguardarei com expectativa os próximos dias na esperança de ouvir um desmentido, por parte da direcção do PCP. Talvez fosse boa ideia que Jerónimo de Sousa fizesse um pedido de desculpas oficial não vá a uma televisão árabe qualquer traduzir as declarações deste deputado para que depois todo o mundo islâmico fique a pensar que era uma indirecta para eles;

8. Deveríamos dar-nos por agraciados já que estamos a assistir a um momento histórico. A concretizar-se esta atitude com a conivência das demais figuras representativas do partido, o PCP acaba de se destacar definitivamente da linha que o separa do Bloco de Esquerda para passar a competir directamente no mercado das ideias com o mesmo público-alvo do PNR.

Thursday, February 16, 2006

Epa, o coiso e é ... coisa

Ele acha que coiso. É coiso, é preciso ver as coisas...coiso, entendem? Aos 1:38 surge a explicação de todo o vídeo.

(roubado ao Horrivel Site do Marco)

É preciso ser otário

A previsibilidade da comunidade científica, por vezes, deixa-me completamente estarrecido:

Estudo revela que elefantes não perdoam e são vingativos
«Os elefantes, além da sua lendária boa memória, não perdoam e são vingativos, indica um estudo hoje publicado pela revista britânica New Scientist.»
Quem precisava de um estudo para concluir isto? Até parece que alguns de nós ainda não tinham referido que o aeroporto da Ota podia prejudicar gravemente o país.

Tara 0%

O Bruno passa-me a batata quente para que eu liste aqui 5 das minhas manias:

"Cada bloguista participante tem de enumerar cinco manias suas, hábitos muito pessoais que os diferenciem do comum dos mortais. E além de dar ao público conhecimento dessas particularidades, tem de escolher cinco outros bloguistas para entrarem, igualmente, no jogo, não se esquecendo de deixar nos respectivos blogues aviso do "recrutamento". Além disso, cada participante deve reproduzir este "regulamento" no seu blogue."

Pensei em encontrar várias formas de evitar o assunto. A primeira foi dizer que uma pessoa tão virtuosa como eu não pode ter "manias". Claro que depois percebi que era demasiado realista e ninguém iria acreditar. De seguida, pensei em dizer que não alinhava em brincadeiras infantis ou criancices mas depois entendi que alguém que me conheça pessoalmente acabaria por revelar que não passo 1 dia sem brincar às escondidas equipado da minha chucha. A minha última ideia foi dizer que não tinha tempo para futilidades mas depois toda a gente ia reparar que eu continuo a dizer disparates por aqui. Enfim, tive de me resignar e irei assim apontar 5 manias minhas, completamente verídicas, para total horror daqueles que me lêem:

1. Ir todas as manhas à janela para verificar que nenhuma flutuação quântica fez o Sol desaparecer desta galáxia e reaparecer do outro lado do Universo durante a noite. ["I like to think that the moon is there even if I am not looking at it." - Albert Einstein, referindo-se aos paradoxos gerados pela existência de probabilidades na mecânica quântica. Um texto interessante sobre este assunto: Does the moon exist only when someone is looking at it?]

2. Recapitular todos os passos da demonstração do último teorema da Fermat, todos os dias a seguir ao almoço. [Não se deixem enganar pelo curto resumo acima referido. A demonstração ocupa umas 150 páginas]

3. Usar constantemente um chapéu feito de folha de alumínio para impedir a entrada de ondas electromagnéticas no cérebro e evitar que alguém leia ou controle a minha mente, especialmente o Procurador-Geral da República.

4. Fingir que sou um ser humano, de vez em quando, para não levantar suspeitas que possam atrair as atenções do governo americano e dos MIB.

5. Ao fim do dia, deixar correr bastante água das torneiras para me certificar de que ela continua molhada.

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E agora, para evitar que esta entrada se torne ainda mais séria do que já é, vou nomear 5 manias completamente fictícias:

1. Esquecer-me de acertar a hora dos relógios quando o governo decide aumentar ou diminuir o meu horário civil em 1 hora. É possível que um relógio de pulso que uso diariamente passe semanas sem ser acertado. Provavelmente, dentro de poucos meses terá a hora certa.

2. Gostar de sentir o cheiro do papel usado nos livros. Uma vez, um conhecido disse-me, quando lhe contei isto, que devia deixar de ler a Playboy, num tom jocoso. Não sei se sou eu que nunca ouvi falar de uma Playboy em formato livro ou se era ele que as encadernava.

3. Ter tendência para fazer ironias dentro das próprias ironias. Isto leva a demasiadas confusões já que muita gente que me conhece há anos não consegue distinguir quando falo a sério, nem mesmo quando o expresso à partida. Como neste parágrafo, por exemplo. Uma vez, uma colega disse-me que eu era "um daqueles rapazes que nunca se sabia o que queria mesmo dizer" (sic). Eu fiquei contente por, obviamente, nunca a ter pedido em casamento a brincar.

4. Tentar, inutilmente, abrir os olhos quando acordo. Mais tarde, acabo por compreender que para abrir os olhos, devia ter tentado acordar primeiro. Infelizmente, o dia já começou há umas horas atrás.

5. Insistir em falar com pessoas que não têm o mínimo interesse no que dizemos. Aquele tipo de pessoas a quem podemos estar a explicar durante 30 minutos um processo extremamente específico e depois somos interrompidos para ouvir um comentário de relevância extraordinária como: "tens aqui um cabelo na camisola!". Por alguma estranha razão, acabo sempre por me esquecer que as mesmas pessoas são assim e volto à carga, noutra ocasião, para mal da minha paciência. E sanidade mental.


E agora, a minha demonstração de desobediência civil. Pronto, já está. Talvez um dia isto me valha uma adesão grátis ao Bloco de Esquerda. É que actualmente é preciso avançar com um investimento capitalista de 25 euros.

Wednesday, February 15, 2006

Educação em Portugal

Jogos de futebol

Num hipotético campeonato de futebol euro-árabe, como sugerido por Freitas do Amaral, quem seria o árbitro mais isento? Um árabe ou um europeu?

Ando com esta dúvida há vários dias e a única conclusão a que cheguei é que se calhar é preciso chamar um americano para mediar o conflito. O risco de termos as selecções europeias a ser roubadas por um representante europeu é demasiado elevado.

Heranças soviéticas II

[sublinhados meus]

Descrição da página da FRELIMO no google:

Contém informações sobre o Partido e o programa quinquenal do governo.

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Hino de Moçambique de 1976 a 1992:

Viva, viva a FRELIMO,
Guia do Povo Moçambicano!
Povo heróico qu'arma em punho
O colonialismo derrubou.
Todo o Povo unido
Desde o Rovuma até o Maputo,
Luta contra imperialismo
Continua e sempre vencerá.

Viva Moçambique!
Viva a Bandeira, símbolo Nacional!
Viva Moçambique!
Que por ti o Povo lutará.

Unido ao mundo inteiro,
Lutando contra a burguesia,
Nossa Pátria será túmulo
Do capitalismo e exploração.

O Povo Moçambicano
D'operários e de camponeses,
Engajado no trabalho

A riqueza sempre brotará.

Mensagem para a ANA

Eammon Butler no ASI Blog:

Back in 1982, the Adam Smith Institute recommended (in a short paper by Sean Barrett) that the British Airports Authority should be privatized. A few years later, it was, transforming itself into BAA plc.

But the ASI proposal would have split up the conglomerate – making the London airports separate companies (Heathrow, Gatwick, and now Stansted), and likewise with the Scottish airports (BAA still runs Glasgow, Aberdeen, and Edinburgh). In London in particular, we felt it important to have competition to attract plane movements in and out. Unfortunately, Mrs Thatcher's government was not brave enough (or needed the money) and privatized the group with (virtual) Scottish and London monopolies.

The success of regional airports such as Manchester and Luton – the latter made itself the home of easyJet – show that we were right. Competition brings benefits. But now we might actually get competition in London's airports anyway. Tom Bawden and Peter Clinger report that Star Capital, Group Ferrovial, and maybe others, are considering bids for BAA plc. But with all these big airports, the group is asset-rich and expensive. The suggestion is that Ferrovial for one would be interested in buying BAA plc precisely to get Heathrow – one of the world's busiest airports – and would quickly sell the rest.

That would be excellent news for UK air travellers. It would mean a real market in take-off and landing slots would develop. Airports would be competing for airlines and for travellers. Who knows: we might end up being treated like valued customers rather than as cattle being herded through the pens.

(via A Arte da Fuga)

Tuesday, February 14, 2006

Heranças soviéticas

Finding Hope Where the Streets are Named for Lenin and Mao, de Richard Tren

"Driving around Maputo, the capital city of Mozambique, is like driving through the pages of a socialist history book. Avenida Vladimir Lenin leads into Avenida Mao Tse Tung and Avenida Kim Ill Sung runs parallel to Avenida Salvador Allende. So, in fact, it is more like driving around a history book of disastrous economic policies and human catastrophes. And yet Mozambique is not the desperate failure that the capital's street names would suggest. By abandoning years of failed socialism and embracing economic freedom, life for ordinary Mozambicans is improving.

After years of socialism and bitter civil war that destroyed most of the country's infrastructure, to say little of the destruction of human lives, the country has been at peace for more than fifteen years and has had several democratic elections. Successive peace time governments have steadily increased economic freedom and have been rewarded with increased economic growth.

According to the Heritage Foundation's index of economic freedom, the Mozambican economy moved from a score of 4.39 in 1995 to 3.34 in 2005, where 5 measures the least free and 1 the most free. There are still many aspects of the Mozambican economy that are not free and, overall, the country is ranked as "mostly un-free". Yet the trend is towards greater freedom and given the obvious benefits that the country has reaped from freedom, it is hard to believe that it will regress.

Economic growth was over 7% last year and inward investment has been impressive. According to Heritage, "Mozambique allows 100 percent repatriation of profits and retention of earned foreign exchange in domestic accounts."

(...)

I first came to Maputo seven years ago and was shocked to see many dilapidated buildings and roads in a shocking state of disrepair. Yet then, as now, I was struck by the fact that so many Mozambicans were not sitting around in the street begging or waiting for a handout, but were busy selling, trading and creating something out of nothing. This attitude of self-reliance, perhaps borne out of years of adversity, seems to have paid off. There is still a great deal of poverty now, but the streets are cleaner and improved and the buildings are smarter and there are several new, gleaming hotels and office blocks. My own hotel, on Avenida Julius Nyerere, was one of the nicest I have ever stayed in and I used the wireless connection to submit the piece you are now reading."

Monday, February 13, 2006

Sentimento de culpa

Caricaturas/Maomé: Freitas acusa Ocidente de ser o agressor


"O ministro dos Negócios Estrangeiros, Diogo Freitas do Amaral, acusou, no domingo, o Ocidente de ter sido, nos últimos tempos, o maior agressor contra o Oriente, e não o contrário.

Em declarações proferidas à margem da cerimónia de atribuição do grau de doutor honoris causa ao príncipe Aga Khan pela universidade de Évora e publicadas na edição desta segunda-feira do Público, Freitas do Amaral questionou «quem têm sido os maiores agressores nos últimos tempos? Somos nós! Portanto, cabe-nos a nós a iniciativa e cabe-lhes a eles também dar passos nesse sentido e não utilizarem a violência porque os protestos são legítimos mas há muitas maneiras pacíficas de fazer protesto»."

Passe a publicidade para livrar este homem branco do seu fardo insuportável.

Go West

O João de Jesus d'A-metamorfose respondeu aqui a Miguel Sousa Tavares que terá dito «Não conhecemos, em todo o mundo árabe, o nome de um cientista, músico, arquitecto, cineasta, explorador, atleta, enfim, alguém que faça sonhar ou avançar a humanidade» sugerindo o nome de Abdus Salam, paquistanês e prémio Nobel da física em 1979. O João Miranda respondeu, apontando alguns factos concretos:

"O problema é que Abdus Salam era paquistanês, não pertencendo ao mundo árabe. É certo que o Paquistão é um país muçulmano, mas Abdus Salam pertence a uma seita considerada herética pelos muçulmanos mainstream. Dificilmente o seu talento para a física pode ser atribuído à cultura árabe. Na verdade, foi educado em escolas do Império Britânico e fez a sua carreira científica no ocidente."

O João de Jesus voltou a responder e, reconhecendo a veracidade destas palavras, apontou que:

"Os três factos estão correctos. Mas não são suficientes para subtrairem a influência do Islão na sua vida, nem, e isto é o mais importante, dissolver o impacto que o seu trabalho e reconhecimento mundial tiveram, e ainda têm, em muitos jovens cientistas muçulmanos. Há melhor forma de «fazer sonhar»?

(...)

Abdus Salam [was] known to be a devout Muslim, whose religion does not occupy a separate compartment of his life; it is inseparable from his work and family life. He once wrote: «The Holy Quran enjoins us to reflect on the verities of Allah's created laws of nature; however, that our generation has been privileged to glimpse a part of His design is a bounty and a grace for which I render thanks with a humble heart»."

Está-se aqui a confundir o contexto sociocultural com o carácter pessoal da interpretação de uma crença religiosa. Pelas palavras de MST, apenas se pode concluir que se referia literalmente ao mundo árabe ou à sociedade constituída por países de religião islâmica. Embora neste referencial estejamos a considerar a influência que a religião possui ao nível político (caso contrário, provavelmente, não lhes chamaríamos países islâmicos), não estamos a falar das crenças que cada um dos elementos apresenta e da influência que cada uma exerce no seu trabalho específico. Se assim fosse, não haveria diferença entre ser muçulmano, estando toda a vida no Luxemburgo ou viver num país onde o islamismo é maioritário e o Estado apresenta características totalitárias.

Se seguirmos por este caminho, referindo a "influência do Islão" como factor do sucesso científico que Abdus Salam atingiu, podemos então seguir muitos outros dizendo igualmente que o Judaísmo foi crucial no trabalho desenvolvido por Einstein ou que o Cristianismo influenciou muito certamente a obra de Newton, Galileu (embora não lhe tenha valido de muito a representação terrena), etc. O que acontece é que, ao contrário de muitas correntes muçulmanas, ninguém nas civilizações ocidentais se põe a dizer que Darwin e Mozart são um fruto do cristianismo. Na minha opinião, esta atitude demonstra uma insegurança enorme já que se torna necessário relacioná-la com aspectos completamente laterais. Será equivalente a dizer que o HST também é o produto inegável da religião cristã.

Por muito que se queira, equiparar uma religião com o tipo de sociedade em que esta se pratica não é válido porque se tira uma conclusão a partir da crença de uma pessoa (que, aliás, nem é reconhecida pela maioria dos seus compatriotas) para depois a apresentar como relativa à sociedade de onde ela é proveniente. Um génio pode nascer em qualquer sítio, o que é verdadeiramente relevante é o país que acaba por acolhê-lo e onde este pode desenvolver o seu trabalho com maior facilidade. No caso em questão, como refere o João Miranda, Abdus Salam até foi educado numa universidade do império britânico. O João de Jesus diz também que Salam terá inspirado jovens cientistas muçulmanos. Provavelmente, terá. Tê-los-á inspirado a sair para se juntarem o ICTP, que fundou em Itália, precisamente com a intenção de ajudar jovens investigadores de países como o seu (as maiores percentagens de estudantes vêm de países asiáticos e africanos). Na biografia disponível na página da academia sueca pode ler-se também o seguinte:
"Salam returned to Pakistan in 1951 to teach mathematics at Government College, Lahore, and in 1952 became head of the Mathematics Department of the Punjab University. He had come back with the intention of founding a school of research, but it soon became clear that this was impossible. To pursue a career of research in theoretical physics he had no alternative at that time but to leave his own country and work abroad."

Não é por acaso que Abdus Salam acabou no Imperial College, em Inglaterra, e não foi Penrose que se mudou de Oxford para a Universidade do Punjab. Falar de casos particulares, ainda assim, é uma amostra selectiva. O que é verdadeiramente ilustrativo é analisar os fluxos migratórios e aí percebe-se que uma grande parte dos cientistas portugueses, por exemplo, fez o seu doutoramento/trabalhou em universidades americanas e britânicas ou, em menor escala, alemãs ou francesas (até acontece, como se pode ver, dentro dos próprios países ocidentais). Em qualquer um destes casos, uma oferta de trabalho é geralmente aliciante. A nível global, esta tendência é também muito acentuada porque nos países de origem existe muito pouca procura por teóricos e as perspectivas de emprego rentável são muito menos favoráveis. Emigrar torna-se uma opção considerável.

E, sinceramente, assim de repente, não me recordo de ninguém que tenha ido estudar, por razões de carreira, para o Irão, para a Arábia Saudita ou sequer para a Turquia, que fica aqui mais perto. Sintomático, não?

Sunday, February 12, 2006

O sonho de todos os maus empresários é...

Queixa-crime contra Liga de Futebol e Betandwin
Santa Casa da Misericórdia apresenta queixa devido a exploração ilícita de jogos

A Santa Casa da Misericórdia de Lisboa (SCML) anunciou esta sexta-feira ter apresentado uma queixa-crime no Departamento de Investigação e Acção Penal de Lisboa (DIAP) contra a Liga de Futebol e a empresa responsável pela Betandwin por alegada exploração ilícita de jogos de azar em Portugal.

A iniciativa tomada junto do DIAP é, segundo explica a Santa Casa em comunicado, "mais uma forma de reacção relativamente à actividade da referida empresa (Betandwin) que consiste na exploração ilícita, no território nacional, de apostas mútuas, lotarias e jogos de fortuna e azar".

"Apesar das decisões já obtidas nalguns procedimentos levados a cabo pela SCML, e das tomadas de posição favoráveis (...), constata-se, porém, o continuado desrespeito da regulamentação aplicável numa área onde a responsabilidade social dos diversos intervenientes é, para além de inegável, indeclinável, pelo que esta instituição continuará a actuar", refere o documento.

...não ter concorrência. Claro que pelo meio se vão invocando razões de "interesse nacional", a responsabilidade social que representa determinado sector e o impacto que terá a concorrência para a entidade em questão. O negócio estabelecido pelos outros é sempre "ilícito".

Então e que tal adaptarem-se ao mercado? Se a AMD não existisse, talvez a Intel ainda estivesse a produzir processadores com frequências da ordem dos 500 Mhz. Quem fica sempre a ganhar com os frutos gerados pela concorrência empresarial é o consumidor. Os que estão mais preocupados com a manutenção artificial do seu lucro do que com o bom serviço prestado aos seus clientes sabem que ficam em desvantagem num mercado onde todos podem competir livremente.

Para além de demonstrarem saber que os produtos que oferecem satisfazem menos os clientes do que os de outro grupo, desejam cortar a possibilidade de escolha destas mesmas pessoas, restringindo as opções existentes no mercado.

Friday, February 10, 2006

Choque e tristeza

A confirmar-se seriamente esta notícia sobre o falecimento da Joana, autora do Semiramis, a blogosfera portuguesa acaba de perder um pedaço. Relembro aqui que em Dezembro o Semiramis havia sido eleito como o melhor blogue de direita do ano de 2005 (numa sondagem levado a cabo pel'O Insurgente), esforço pessoal que a Joana já conduzia desde 2003.

Fica a minha nota pessoal de pesar pelo sucedido. E a certeza de que a Joana fez muito pela divulgação de um espírito liberal em Portugal nos últimos anos. Muito obrigado.

Mais pistas de autoritarismo

Caricaturistas e radicais «bem uns para os outros»

"Vitalino Canas, vice-presidente da bancada parlamentar socialista, afirmou esta quinta-feira que «caricaturistas irresponsáveis e fundamentalistas violentos estão bem uns para os outros».

Vitalino Canas comparou, esta tarde, no Parlamento, os caricaturistas aos fundamentalistas.

«As agressões simbólicas e materiais a Estados e cidadãos europeus merecem certamente a nossa repulsa, nada legitima esse actos hediondos, estão bem uns para os outros, os caricaturistas irresponsáveis e os fundamentalistas violentos, ambos só podem ser alvo da nossa condenação», adiantou.

Luis Afonso, "cartoonista", disse em declarações à TSF que recebe estas criticas com «incredulidade» e afirma até que Vitalino Canas devia fazer um pedido de desculpas a estes profissionais."

Psst! Lembram-se de em crianças vos terem dito que a esquerda defendia a liberdade de expressão? Agora os que fazem simples caricaturas também são "fundamentalistas". Bem me parecia...

Outro exemplo claríssimo de fundamentalismo:



Sam, 1973

Mais exemplos interessantes de fundamentalistas.

Thursday, February 09, 2006

Sem explicação III

Há quem diga que os muçulmanos têm todo o direito de se sentir insultados por serem todos, de forma implícita, injustamente comparados a terroristas, assim como os cristãos se sentiriam indignados se fossem comparados a terroristas (embora haja uma certa dificuldade em dar bons exemplos).

Realmente, há uma lógica incrivelmente transcendente em tudo isto. Se eu fosse "acusado", directa ou indirectamente, de ser terrorista, as medidas que tomava de imediato seriam em tudo equivalentes às das populações islâmicas que têm aparecido recentemente nas notícias. Que melhor forma poderia haver para me ilibar de qualquer suspeita completamente injusta?