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Wednesday, February 08, 2006

Sem explicação II

(Dedicado a todos os relativistas deste mundo e dos outros)




Blasfémia! Blasfémia! Americano representou Jesus Cristo envolto em urina!

Última chamada a todos os países cristãos para que boicotem os produtos americanos. Queima de embaixadas organizada para o dia 45 de Fevereiro! Não falte. É preciso matar os hereges que insultam a figura do Messias!

(Nota: Estados Unidos da América, 84% de cristãos)

Sem explicação I



Em 1996, os americanos cometeram a mais horrenda das blasfémias possíveis. Representaram a figura dos deuses em que eu acredito. O tamanho da heresia é de uma incomensurabilidade tal que não devo aqui colocar qualquer imagem referente a esse assunto. É insultuoso, é ofensivo. Quando vi as imagens tive vontade de matar o seu autor. Claro que, porque respeito a liberdade, farei uma manifestação em que o avisarei de que tem a sua cabeça a prémio e de que um ataque terrorista se avizinhava como forma de vingança pelos seus actos. Se ele pode insultar a minha religião, eu também tenho a liberdade de me manifestar e mostrar a minha indignação. Infelizmente, apenas hoje tive conhecimento deste caso. Amanhã mesmo irei destruir completamente a embaixada americana em Lisboa em conjunto com os meus companheiros crentes. De seguida estamos a planear apontar umas armas à cabeça de José Sócrates para que ele decrete um boicote a todos os produtos americanos assim como a todos os produtos europeus dos países onde esta demonstração de intolerância racista extrema foi exibida. Hoje já queimámos bandeiras americanas aqui em casa. Morte aos EUA!

E estamos também à espera de que esse fascista George Bush peça desculpa por todos os pecados que a nação americana comentou ao divulgar estas sementes do mal, assim como todos os países europeus, que se irão vergar à nossa vontade quer queiram, quer não! América e Europa, vocês irão pagar por insultarem as minhas crenças!

Que Zûmvërñbørg (Louvado seja) esteja convosco.

Fim de comunicação.

Tuesday, February 07, 2006

O google lá sabe

Pergunta-me a Cristina Ferreira, por e-mail, a razão pela qual eu "penso" que um governo não consegue resolver todos os nossos problemas. De maneira a responder à sua questão, fui delicadamente pesquisar no google para lhe poder dar uma visão mais completa, aprofundada e abrangente. Lamento desiludi-la mas, infelizmente, o google disse-me o seguinte:

A sua pesquisa - "governo que resolve todos os nossos problemas" - não encontrou nenhum documento.

Abracadabra

Captar investimentos



"Governo chinês facilita instalação de empresas estrangeiras

A China recebeu no ano passado 60,3 mil milhões de dólares (49,8 mil milhões de euros) de investimento estrangeiro directo, uma descida ligeira em relação a 2004, quando cresceu 13 por cento.

As empresas de capital estrangeiro que pretendam instalar-se na China vão deixar de precisar de uma autorização do ministério do Comércio a partir do dia 1 de Março, revelou a agência noticiosa chinesa Xinhua.

De acordo com um decreto governamental, citado pela agência chinesa, os departamentos comerciais locais e autoridades das zonas de desenvolvimento poderão passar a autorizar directamente a instalação de empresas estrangeiras.

(...)

O decreto publicado em Pequim sublinha que deixa de estar sujeita a autorização do Governo a instalação de empresas de comércio grossista, e de pequenas e médias empresas retalhistas.

Desde que aderiu à Organização Mundial do Comércio, em 2001, a China tem vindo a tomar medidas para abrir o seu mercado a empresas estrangeiras.

(...)

O Produto Interno Bruto (PIB) chinês cresceu 9,9 por cento em 2005, em comparação com 2004, e atingiu os 1.85 mil milhões de euros."

A desagregação da muralha que bloqueia a abertura de mercados e a diminuição da regulação empresarial gera fluxo de capitais, investimento (nacional e estrangeiro) e cria riqueza. Será magia? Não. Chama-se capitalismo.

Monday, February 06, 2006

Los líderes del mundo libre

Enquanto os estatistas se vão entretendo a criticar o fascista George Bush, o neoliberal Tony Blair e a perigosa extrema-direita representada por Cavaco Silva (a nível europeu, pelo ainda mais perigoso ultraliberal Durão Barroso), os verdadeiros libertadores do povo continuam à solta. Evo Morales vai dando uns ares de sua graça mas claro, estamos perante um representante de uma cultura historicamente oprimida, um defensor dos direitos dos mais pobres, alguém que combate a injustiça social a todo o custo! Não admira, portanto, que Evo Morales veja em Fidel Castro ou Hugo Chávez modelos a seguir. Também estes são inquestionáveis defensores da soberania do povo.




Evo Morales abandona una entrevista muy irritado por preguntas sobre Fidel Castro y narcotráfico

(...)

Después de que el presidente boliviano dijese que admiraba y respetaba a Fidel Castro y que en Cuba "hay democracia", el periodista Jorge Ramos le preguntó oportunamente si no era una hipocresía querer la democracia para los bolivianos y no para los cubanos. Morales muy irritado le respondió que "la hipocresía viene sólo de sus preguntas". Tras exigir que sólo se hablase de temas económicos bolivianos, un enfadadísimo Morales abandonó el plató por no aceptar una pregunta sobre narcotráfico. Vea aquí el vídeo.

(...)

–Jorge Ramos: Lo que muchos tienen miedo, temen que usted se parezca al autoritarismo de Hugo Chávez, o la dictadura de Fidel Castro, usted ha dicho que admira a Fidel Castro.

–Evo Morales: Admiro y respeto, respeto y admiro (silencio) allá hay democracia, yo he visto...

–Jorge Ramos (interrumpe con cara de asombro): ¿Me está diciendo que en Cuba hay democracia?

–Evo Morales: Si bien Fidel Castro esta ahí es por la revolución...

–Jorge Ramos: La pregunta es muy sencilla, ¿para usted Fidel Castro es un dictador o no lo es?

–Evo Morales: No para mí Fidel Castro es un hombre democrático que defiende la vida, que tiene sensibilidad humana, si para usted es un dictador, ese es su problema, no el mío.

–Jorge Ramos: Usted llegó al poder gracias al poder del voto y no pedir democracia para los cubanos...

–Evo Morales (con expresión muy irritada): Yo le pido mucho respeto, no me diga hipócrita.

–Jorge Ramos (conciliador): No..., le pregunto, ¿esa es una hipocresía?

–Evo Morales (se irrita aún más): La única hipocresía seguramente viene de sus preguntas, yo le quiero pedir mucho respeto haga preguntas sólo sobre situaciones económicas de mi país. (En ese momento Morales, muy nervioso, dirige su mirada detrás de las cámaras, probablemente a su jefe de gabinete). ¡Lo que... lo que usted está llevando a una confrontación internacional y no voy a permitir eso!

(...)

El tema de Fidel Castro no fue el único encontronazo. Antes hablaron sobre Bush. "¿Bush para usted es un asesino?" le preguntó y la respuesta fue "eso lo dirá el pueblo", contestó, evitando hablar en primera persona. "(Es) una intervención militar salvaje; el pueblo dirá qué es eso", añadió Morales. Sin embargo, dice Ramos que al preguntarle su opinión personal le respondió molesto. "No insista en eso".

O curioso vídeo pode ser visto aqui.

Para pensar

Daniel Oliveira, no Aspirina B:

"Sei apenas o tempo em que vivo. E sei que a islamofobia é um dos maiores perigos que a Europa vive."

Aqui, na Europa islamofóbica, há uns dias atrás:







(Citação e imagens via O Insurgente)

Pequenas recordações:

Nova Iorque, 11 de Setembro de 2001 (algo citado ali em cima)



Madrid, 11 de Março de 2004



Londres, 7 de Julho de 2005



Efectivamente, um dos maiores perigos que a Europa vive é a Islamofobia. Que Alá nos livre de tal coisa.

Sunday, February 05, 2006

Às portas de Copenhaga

Este blogue não confunde:

- Liberdade de expressão com ameaças terroristas e propostas de extermínio;

- Liberdade de manifestação com incitações à violência e ao genocídio;

- Indignação com insegurança religiosa mal disfarçada e apelos à censura;

- Direitos com relativismos e demonstrações de pura intolerância;

- Liberdade com totalitarismo.


Por estas razões e porque NÃO QUERO que ninguém mais seja dhimmi na Europa, como em séculos anteriores:



Friday, February 03, 2006

Aos socialistas

Que andam por aí tão orgulhosos e contentes com a política frenética de investimentos internacionais captados por Sócrates:

1. Finalmente admitem que os benefícios fiscais (ler isenção fiscal / redução de impostos) sempre geram desenvolvimento e crescimento económico?

2. Como se sentem ao saber que o dinheiro que o governo investe em parceria com empresas estrangeiras vem dos bolsos das empresas portuguesas, que não beneficiam de nenhum regime especial?

3. Tantas empresas estrangeiras. Então e os centros de decisão nacionais? Já não importam? É do interesse nacional que as empresas portuguesas sejam mais prejudicadas do que as outras pelo governo do seu próprio país?

4. Porque devem as empresas portuguesas pagar impostos que as estrangeiras não pagam? Qual é a diferença relativamente a um investimento de capital proveniente de solo português?

5. Se daqui a uns anos as companhias se vão deslocalizar, gerando desemprego, porque as devemos deixar investir agora em Portugal? Reconhece-se, portanto, que um investimento é benéfico nem que seja pontual?

6. Salários baixos afinal sempre são melhores do que salário nenhum? Então e os direitos dos trabalhadores, já não contam?

7. Se chegamos à conclusão, através dos pontos anteriores, de que devemos baixar impostos, liberalizar os mercados e desregulá-los porque se continua a dizer uma coisa e a defender outra?

8. Se os ricos é que devem pagar a crise porque é que o governo de Sócrates montou um aparato policial para segurança de Bill Gates em vez de o deter e pedir um resgate à sua mulher?

Thursday, February 02, 2006

Liberdade = f(t) é uma função decrescente II



Depois da saga "Não é preciso preencher a declaração de IRS, nós já sabemos tudo sobre si!", o governo deixa saber agora que nas declarações de IRS deve constar o que é comprado. E quando. Sim, é isso mesmo. É assim a nova lei para os rendimentos de 2005.

Só resta conhecer quando irá sair uma forma de legislação que pretenda determinar directamente a quantidade de papel higiénico que consumimos e qual a marca. Ou talvez esta já sirva de meio caminho para tal.

Back on the road

Ao que parece, o que eu disse aqui há uns meses já não faz muito sentido. Há novidades linguísticas.

Dicionário de Termos Europeus lançado hoje em Lisboa

"Um Dicionário de Termos Europeus, que reúne cerca de 500 definições e conta com a participação de cerca de 40 especialistas, será lançado esta quinta-feira, no centro de informação europeia Jacques Delors, em Lisboa.

(...)

O dicionário, com a chancela da Alêtheia Editores, aborda diversos temas que têm como denominador comum a Europa e a União Europeia e destina-se a esclarecer «um sem-número de termos utilizados na chamada linguagem europeia», bem como iniciais e siglas, indica a editora em comunicado.

Numa nota prévia, Carlos Coelho justifica a necessidade de um dicionário que decifre o «europês», observando que «constatar e reclamar do afastamento entre os cidadãos e a construção europeia se tornou já um lugar-comum»."

Os governos europeus aparentam estar extremamente dedicados à causa da união dos povos europeus. Só é pena que este tenha sido o continente que mais guerras viu ao longo da História. Só é pena que todos estes burocratas não entendam que aqueles que tentaram colocar a Europa sobre uma só mão acabaram em maus lençóis, arrastando as sociedades que tentam unir com eles. Cada vez mais, o título e o conteúdo deste blogue se vão tornando mais reais, palpáveis e alarmantes.



Quanto tempo teremos de esperar até que seja definida uma "língua oficial europeia"?

Liberdade = f(t) é uma função decrescente



José Manuel Fernandes perguntou há dias, num editorial infeliz, se "pode um país pobre ser liberal". Isto implica, por dedução, que a questão se pode transformar em pode um pobre ser liberal?. Independentemente da óbvia resposta a tal absurda interrogação, continuo a considerar pessoalmente que a pergunta faz mais sentido se for: pode um rico ser liberal?

Bill Gates elogia projecto de cartão único do cidadão

"O presidente da Microsoft, Bill Gates, elogiou terça-feira o projecto do Governo de criar um cartão único do cidadão, e desdramatizou a ameaça das novas tecnologias para a privacidade dos utilizadores."

Já não basta o regular, é necessário um ainda mais abrangente e totalitário que contenha as informações de identificação civil, utente dos serviços de saúde, eleitor, contribuinte, etc. Talvez se acrescentem ainda uns dados biométricos para dar um ar mais à Plano Tecnológico. Enquanto que noutros países estas intromissões se fazem sobre a égide da "segurança nacional", em Portugal esses argumentos nem sequer são necessários. O governo quer, o homem não pensa, a obra nasce.

No The Independent de há uns dias (lido aqui) dizia-se isto acerca do debate corrente no Reino Unido, sobre a introdução de um bilhete de identidade:

«Angry peers last night invoked the memory of fascist regimes which forced citizens to carry their papers as they tore the heart out of the Government’s planned legislation for identity cards.

The House of Lords overturned proposals to place everyone who applies for a new passport or driving licence on the database that will underpin the controversial scheme.

(...)

Baroness Scotland of Asthal, the Home Office minister, had to listen to a succession of peers denounce plans to include all holders of biometric passports on the planned ID cards register. Not one peer spoke in favour of the plans. Ministers have always insisted the scheme was voluntary, but critics say it amounts to “compulsion by the back door”.»

No Reino Unido, a esperança está actualmente com a Câmara dos Lordes já que a lei foi aprovada na dos Comuns por uma margem de apenas 25 membros do Parlamento. Em Portugal, a esperança está com quem? Com os constantes declamadores da falácia "não tenho nada a esconder, logo nada a temer"? Haverá maior nível de submissão possível?

Wednesday, February 01, 2006

Brainstorming

Até onde pode ir o Estado para impor o "bem comum"?

Doadores por decreto

"A liberdade de escolha sobre a propriedade privada de cada indivíduo é o pilar do liberalismo. E o mais importante património do ser humano é o seu corpo. Afinal, é através das capacidades físicas e intelectuais do corpo humano que qualquer outra forma de propriedade é adquirida."

O Tio Patinhas era forreta. E daí?

A herança do Tio Patinhas

"Existem, contudo, custos não contabilizados pelos socialistas. Entre eles, o incentivo à não criação de riqueza por parte da população mais pobre (que prefere receber gratuitidades como, por exemplo, o subsídio de desemprego), por parte dos funcionários públicos (que preferem ter emprego garantido para a vida) e por parte dos contribuintes mais ricos (que preferem deslocalizar o seu património e investimentos para outros países ou ingressar as fileiras da classe política). Por outras palavras, haverá cada vez menos vontade de encher a própria “piscina”.

Numa sociedade socialista ninguém quer ser como o Tio Patinhas. Todos ambicionam ser subsidiodependentes Metralhas."

Monday, January 30, 2006

Efeito Axe Teixeira dos Santos

Recebi um e-mail a pedir-me que copulasse mais vezes. Tudo isto para salvar a Segurança Social. O que o e-mail não diz é que devíamos matar todos os que tenham uma idade superior a 65 anos. Apesar de não ter sido sugerido, infelizmente, está ao mesmo nível do primeiro conselho.

Um filho não é uma estatística. Nem um jogo de tabuleiro. Parece incrível que seja necessário recordar isto a tanta gente com tanta frequência.

Não é uma questão de escala

Os filhos desejam tornar-se financeiramente independentes dos pais para que estes não possuam autoridade moral sobre os seus gastos. Procuram tornar-se autónomos para poderem fazer as suas próprias escolhas e seguir os caminhos que eles próprios determinam, soltando-se da mão por vezes autoritária que os pais exercem sobre si.

O único caso em que isto não é completamente evidente é o da família sobejamente rica em que os orçamentos dos filhos são sempre irrelevantes e estes podem gastar dinheiro e usufruir de serviços sem qualquer género de reprimenda. Podem comprar uma casa para si mesmos, usar um carro de luxo e fazer umas quantas viagens à volta do mundo sem sequer se preocupar. Em geral, nestes casos, o filho herda o património dos pais já que não se preocupou muito em construir a sua própria vida de subsistência à custa do seu esforço pessoal.

A diferença é que os pais produzem riqueza mas o Estado não. O dinheiro obtido pelo Estado é angariado através da coerção judicial. Este dinheiro é posteriormente distribuído de forma desigual entre os «filhos» que vivem à custa do pai-Estado. Uns ficam com muito e outros ficam com muito pouco. Os que ficam com muito estão dispensados de trabalhar para o resto da vida. Os que ficam com muito pouco devem continuar a trabalhar, não para se sustentar a si próprios mas, para sustentar os que ficam com muito e não o desejam fazer. Enquanto na família rica, o filho herda dos pais o património de capital e propriedade acumulados, os contribuintes herdam dívida pública.

Na família estupendamente rica, onde os filhos - raros privilegiados -nem precisam de trabalhar, o dinheiro é secundário e quase nasce do solo. O do Estado, não. Precisa de uma máquina de obtenção constante de fundos para se suster, utilizando os contribuintes como peões estratégicos. O dinheiro é crucial porque todas as pequenas quantias são importantes.

Mas esta analogia nem sequer faz sentido porque o Estado não é uma família rica. Nem sequer remediada. É uma família completamente endividada. Na família endividada, todos trabalham para tentar por cobro às contas que crescem sem parar. Os filhos tentam a toda a força conseguir cobrar as dívidas para se poderem soltar das amarras financeiras e viver, finalmente, a sua própria vida. Em famílias endividadas (e não só nessas), o dinheiro é uma matéria de discussão constante porque há muito pouco e este tem de ser repartido com toda a meticulosidade de forma a servir os "interesses da família". O interesse da família é por vezes algo bastante abstracto e difícil de definir porque cada indivíduo tem as suas próprias necessidades e muitas das vezes estas não são partilhadas entre os diversos membros. Como a situação não é de acordo mútuo, a partir daqui se geram frequentemente conflitos, separações e contendas.

O socialismo não funciona sequer em a nível familiar. Como haveria de funcionar com milhões de pessoas?