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Monday, January 30, 2006

It's all about the oil!





Desde 2003 até agora, há uma significativa camada de população nos EUA (e por esse mundo fora, incluindo, obviamente o nosso velho continente) que insiste em dizer que a guerra do Iraque teve como motivo único a obtenção de mais e mais baratos recursos de petróleo para saciar a "máquina capitalista americana" (optando por ignorar que os EUA também têm reservas petrolíferas).

Como conseguem estas pessoas conjugar em simultâneo esta opinião com a sua outra de que o aumento do preço do petróleo no mercado internacional e, por consequente, dos combustíveis derivados, se deve inexoravelmente à guerra no Iraque?

Reductio ad absurdum

Hoje nevou em Lisboa. Diz quem sabe que a última vez foi em 1954. Diz quem viu que nunca mais esqueceu. Diz quem não estava, que nunca viu nevar na vida ou as vezes que o fez, não foram, evidentemente, em Lisboa.




[Cortesia de Rui Gramacho]

Pessoalmente, nunca havia visto neve. Nem o mais reduzido dos flocos. Isto só pode ser uma prova irrefutável do arrefecimento global.

Sunday, January 29, 2006

Recordar é viver

«Bernardino Soares explicou hoje que as concepções de democracia e socialismo do PCP estão "nos antípodas" das aplicadas na Coreia do Norte, depois de ter afirmado que tinha dúvidas quanto à existência de um regime ditatorial em Pyongyang.

O líder parlamentar do PCP sustentou, numa entrevista publicada ontem no "Diário de Notícias", que tem dúvidas de que não haja uma democracia na Coreia do Norte, indicando que o assunto tem sido abordado no seio do partido. "Tenho muitas reservas em relação à filtragem da informação feita pelas agências internacionais", disse ainda o deputado comunista.»


Fevereiro de 2003, no Público

Tacho familiar

Deixou o talho para ser primeira dama

"Esther Morales, a irmã mais velha do novo presidente boliviano, Evo Morales, vai abandonar o modesto talho-mercearia que tem em Oruro, nos Andes, para assumir o papel de primeira-dama da Bolívia, indicou o Palácio presidencial em La Paz.

(...)

Esther Morales, casada e mãe de três filhos, vive das receitas da venda de carne -lama e vaca -, assim como dos legumes e frutas da sua pequena loja em Oruro, a 240 quilómetros de la Paz."
Títulos alternativos para esta entrada:

- "Como garantir a sobrevivência construindo a sua riqueza às custas dos que efectivamente trabalham"

- "Classe privilegiada prepara-se para uma destruição completa do comércio local na Bolívia e procura emprego em altos cargos estatais"

- "Esther Morales é a feliz contemplada com o jackpot do Euromilhões!"

- "Como destruir completamente um país sul-americano e depois culpar os EUA, capítulo LXIV, Pravda Ed."

Saturday, January 28, 2006

A coerência toca sempre várias vezes

"Se não vivesse em Portugal, que país escolheria? Estados Unidos." (In Visão)

Quem terá dado esta resposta? Algum perigoso neo-liberal? Não! Foi mesmo o candidato presidencial do Bloco de Esquerda, Francisco Louçã. Surpreendidos? Todos nós sabemos que os E.U.A. representam o expoente máximo do capitalismo, do liberalismo e até, segundo o próprio Louçã, do imperialismo. Assim, é interessante que gostasse de viver num país com estas características. Sempre pensei que escolhesse um local com as qualidades que costuma apregoar (Se é que ainda existem...). Mas não. Louçã, sabe muito bem onde é que está a qualidade de vida.

Francisco Proença de Carvalho, O Sinédrio

Thursday, January 26, 2006

Falta de Novidades para o MIT

Parece que o colosso académico MIT uma universidade americana (uma das melhores do mundo senão a melhor) qualquer, continua a querer entrar em Portugal. Como eu já havia comentado, o governo tinha e tem muito boas razões para permitir impedir a entrada de tal instituição em território português, de forma a catalisar o desenvolvimento económico e tecnológico evitar problemas sérios de soberania nacional.



Segundo todas as últimas informações disponíveis, o governo de Mariano Gago Sócrates continua a lutar pela possibilidade de matar manter vivo o já por si invisível enormíssimo centro científico e tecnológico de sede em Portugal, coisa que, aliás, é alvo de chacota ponto de referência por toda a Europa.

No âmbito do Plano Quinquenal Tecnológico, como referi na altura, é urgente que se estimule proteja o progresso através de investimento estrangeiro. Ainda assim, dá-se conta que, por razões de interesse e aproveitamento pessoal fundo estrutural, é puramente prejudicial prioritário dar por completo a exclusividade a uma universidade chamada IST que ninguém conhece instituição de gabarito e renome internacional, para a qual a influência de candidaturas estrangeiras é irrisória, cerca de 1%, incalculável.



Mais um serviço dos políticos portugueses ao serviço do socialismo da ciência!

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Nota esclarecedora: A escala dos símbolos das universidades não está, evidentemente, desajustada.

Nota adicional: Ao artigo original, poderia ser acrescentada outra razão - a de que os representantes do IST no governo desejam obter para si mesmos e para a sua instituição mais oportunidades de sucesso do que para as outras universidades portuguesas que à partida também concorreriam entre si por ter investigadores no MIT. Isto não teria mal nenhum, desde que todas as universidades estivessem igualmente representadas, o que não acontece devido à posição privilegiada do IST. Entretanto, os pobres enteados apenas podem ir aguardando por próximas notícias anunciadas pelo governo.

O Estado Social é insustentável

Haverá melhor prova do que o facto de que os ministros das finanças se tornam sempre os elementos mais odiados de um governo?

Wednesday, January 25, 2006

O erro de Sócrates?




Várias vezes ouvi ao longo da campanha presidencial, e durante os comentários da noite eleitoral, a referência a um eventual "erro" de Sócrates ao oficializar Mário Soares como candidato do partido socialista em vez de apoiar directamente Manuel Alegre. Dizem estas pessoas, e muito bem, que se José Sócrates tivesse decido apoiar Alegre em vez de Soares, a esquerda teria conseguido reunir mais votos em torno de um só candidato que poderia possuir uma "candidatura transversal". Eventualmente, se assim acontecesse, - e aqui é especulação minha - os candidatos Louçã e Jerónimo de Sousa desistiriam em favor de Alegre. Não seria a primeira vez para Jerónimo de Sousa e é necessário relembrar que Garcia Pereira diz ter contactado os outros candidatos para reunir uma única candidatura de esquerda, algo que, a ser bem sucedido, teria evitado a sua própria proposta de candidatura. É portanto natural pensar que se existisse apenas o candidato Manuel Alegre, apoiado pelo PS, os restantes pré-candidatos estivessem mais predispostos a desistir em seu favor.

Já não é a primeira vez que Sócrates é aparentemente "derrotado". Devemos relembrar as autárquicas em que Sócrates apoiou Carrilho, apesar do evidente curso desastroso que este pronunciava. Muitos analistas viram como sinal de humilhação a vitória alcançada pelo PSD nas autárquicas e, em especial, a manutenção da CML nas mãos dos sociais-democratas. Escrevia-se que Sócrates havia sido derrotado, assim como agora se escreve que este voltou a cometer um erro. Mas será que Sócrates não sabia perfeitamente o que estava a fazer?

Quando uma companhia lança um novo produto é, por vezes, natural que se faça primeiro um estudo de mercado de forma a avaliar a aceitação que este terá perante os consumidores, especialmente se o investimento por muito relevante. É ingénuo pensar que os partidos políticos não analisam estes questões internamente de forma a tentar conhecer até que nível os seus candidatos representam as expectativas dos eleitores ou até, a conhecer o género de personalidade que mais lhes apela. Muitas das vezes estas questões não requerem qualquer tipo de estudo mas os inquéritos de sondagem são extremamente valiosos para medir a opinião pública.

Desde meados de 2005 que se "sabe" que Cavaco Silva iria ganhar as eleições. Até mesmo antes de Cavaco Silva se apresentar como candidato, já se presumia que o fizesse. Em termos realistas, pode dizer-se que já se conhecia à partida o resultado final desta eleição. Tendo disto conhecimento, Sócrates optou por apoiar Mário Soares e deixar, consequentemente, o eleitorado socialista dividido, o que se arrastou e alastrou por toda a esquerda.

Quando é apontado um erro estratégico a Sócrates, convém que as pessoas expliquem porquê. O aspecto mais evidente que indicam é o facto de não ter conseguido eleger um candidato da esquerda, nomeadamente, um militante do seu partido. Mas será que convinha verdadeiramente a José Sócrates toda esta manobra? As sondagens deram muito consistentemente como 2º classificado, Manuel Alegre. Em qualquer dos casos, os resultados de dia 22 vieram provar que Manuel Alegre era um rival à altura de Soares (mais de 6% dos votos). Também a priori, a candidatura de um destes dois homens estava a ocupar o espaço político um do outro, roubando votos mutuamente. Sócrates desconhecia este facto? Não, conhecia-o muito bem. Desde o início. E conhecia também as personalidades e convicções de ambos os candidatos.

Qual dos dois conviria mais a Sócrates, conhecendo todos estes factores? Manuel Alegre é o homem que afirma, no seu manifesto eleitoral, que o "neo-liberalismo" aumenta as desigualdades, que a a globalização precisa de ser claramente regulada, que Portugal deve apostar numa «aliança de civilizações», etc. Quem já viu Sócrates a explicar, em tom de desprezo, a Jerónimo de Sousa e Francisco Louçã como funcionam os princípios básicos de uma economia de mercado e a lógica da concorrência empresarial, sabe que Sócrates já se desprendeu em grande parte das crenças demasiado socialistas que são típicas dos sectores ainda mais à sua esquerda. A provar isso, sempre existe o registo das opiniões de Alegre que assustadoramente concorda demasiadas vezes com Louçã. Soares, já o conhecemos. O anti-globalização, pró-galicismo, anti-economicismo, anti-neoliberal, anti-guerra a todo o custo (Soares era o que defendia a "negociação" com os terroristas) e por aí adiante.

Já todos os que analisaram minimamente o espectro político representado no Parlamento devem ter concluído que não existem grandes diferenças de fundo entre o actual PS e o PSD. As ideologias que servem de mote às suas campanha são bastante semelhantes, havendo até algumas razões para crer, de minha parte, que Marques Mendes será ainda mais socialista do que o próprio Sócrates.

Analisando estes factos, qual o presidente que mais seria conveniente a um social-democrata como Sócrates? Muito provavelmente, Cavaco Silva. Quem nos diz que a insistência de Sócrates em manter a candidatura de Soares como oficial do PS não foi apenas uma estratégia sua para dispersar os votos da esquerda, apresentando candidatos que piscavam mais o olho ao PCP e ao BE do que propriamente ao eleitorado do centro político?

Onde muitos vêem um erro táctico, eu vejo astúcia política. Sócrates governa e precisa do PR que menos confusões lhe arranje. Certamente que este não é Mário Soares. Que outras razões explicam o sorrisinho muito mal contido de Sócrates durante a entrada na sala de imprensa da sede de campanha de Mário Soares, que se preparava para apresentar a sua declaração de derrota?

Tuesday, January 24, 2006

Nem mais

"O socialistas acreditam que a sociedade que mais favorece os pobres é aquela que cobra impostos elevados, dos quais os pobres estão por regra isentos. Acontece que os socialistas nunca perceberam muito bem como funciona a economia e até aspiram a criar uma nova livre da ditadura da lei da oferta e da procura. Se percebessem também perceberiam que um sistema em que o estado cobra impostos elevados altera totalmente o regime de incentivos característico de uma sociedade livre. Os agentes económicos deixam de estar motivados pelo lucro, o que os levaria a produzir bens e serviços que as pessoas valorizam, e passam a estar motivados pelas benesses concedidas pelo estado. À medida que os impostos sobem, os ricos passam-se todos para o aparelho de estado e deixam de existir ricos a quem cobrar impostos. Os impostos são cobrados pelos ricos aos pobres, pobres que terão que viver numa economia estagnada porque quando o lucro deixa de ser um incentivo a economia deixa de crescer."

-- João Miranda

Comércio livre

La bendición del libre comercio (Porfirio Cristaldo Ayala)

En pleno siglo XXI parecería absurdo pensar que ningún Gobierno en parte alguna se podría oponer a la liberalización del comercio, política que derramó el cuerno de la abundancia sobre miles de millones de personas. No es sólo que la ciencia económica haya demostrado su eficacia desde hace más de 200 años, sino que en las últimas dos décadas el libre comercio ha reducido la pobreza global a menos de la mitad y todos los economistas reconocen sus beneficios. No obstante, pocos gobiernos aprueban la liberalización del comercio agrícola.

Los gobiernos de los países más ricos y libres, como EEUU, Francia, Alemania, Japón, y hasta los de los más pobres y reprimidos, como Haití, Venezuela, Paraguay y Zimbabue, sin importar sus ideologías o sofisticación, mantienen subsidios y mercados agrícolas protegidos con altos aranceles, todo ello no muy diferente al proteccionismo de la época del Rey Sol.

El oscurantismo prevaleciente se evidencia en la pugna global por los subsidios agrícolas. La decisión de atrasar la eliminación de los subsidios hasta 2013, adoptada en la reunión que la Organización Mundial del Comercio (OMC) ha celebrado en Hong Kong –reunión que se esperaba podría reducir drásticamente la pobreza en el planeta–, confirmó una vez más que ni los países ricos ni los pobres tienen interés en erradicar la miseria que todavía afecta a gran parte de la humanidad, especialmente si para ello deben abrir sus mercados agrícolas.

La Unión Europea, EEUU y Japón tienen mercados muy abiertos, excepto en la agricultura. Los países ricos (OCDE) gastan todos los años 279.000 millones de dólares en subsidios agrícolas y aranceles proteccionistas. A la UE le corresponde el 48% de dicho gasto, a Japón el 18%, a EEUU el 17% y a Corea el 7%. Estos países, sin embargo, tienen mucho que ganar eliminando los subsidios y el proteccionismo en la agricultura.

Los consumidores de los países ricos no sólo financian con sus impuestos el subsidio agrícola, sino que, a causa del proteccionismo, pagan más caros esos productos. De liberarse el comercio agrícola, los europeos pagarían un 40% menos por los alimentos que consumen, los japoneses un 21% y los norteamericanos un 10%. El Banco Mundial estima que la eliminación de subsidios y tarifas agrícolas traería beneficios de 65.000 millones de dólares a la UE, de 55.000 a Japón y de 20.000 a EE. UU.

Pero el daño que causan los países ricos a los países en desarrollo con el proteccionismo agrícola es mayor debido a que restringen la importación y deprimen el precio del arroz, el azúcar, el algodón, el maíz, etcétera, con lo que afectan a millones de agricultores pobres. Esta locura ha desatado una cruzada entre los gobiernos populistas de naciones pobres, que exigen a los países ricos que eliminen los subsidios agrícolas como condición inapelable para que ellos liberalicen su comercio.

Craso error. Los países en desarrollo necesitan tanto de la eliminación de los subsidios en los países ricos como de la eliminación de sus propias barreras y aranceles, incluso más. Se ha estimado que la liberalización global del comercio agrícola traerá un beneficio de 142.000 millones de dólares para los países pobres, de los cuales sólo el 22% surgirá de la eliminación de subsidios y aranceles de países ricos, en tanto que el 78% de los beneficios resultará de la supresión de sus propias barreras comerciales.

A los países en desarrollo les perjudica el proteccionismo de los países desarrollados, pero sus propias barreras comerciales les perjudican aun más. Los países pobres son mucho más proteccionistas que los ricos, sus aranceles agrícolas promedio son cuatro veces más altos que los de EEUU. De hecho, la mayoría de estos países son pobres porque sus gobiernos se resisten a liberalizar su comercio. Por eso, aun si los países ricos no liberalizan sus mercados, los pobres deben hacerlo.

Los países prósperos, y Hong Kong es un ejemplo, se desarrollaron promoviendo la libertad económica y el libre comercio independientemente del proteccionismo de otras naciones. Los pobres deben, pues, abrirse al libre comercio bajando sus aranceles y derribando barreras; no a cambio de la reciprocidad de los países ricos, sino para favorecer su propio desarrollo.

Monday, January 23, 2006

Grandes vitórias

Efectivas:

- Blasfémias, total de 1.000.000 visitantes
- O Insurgente, total de 200.000 visitantes
- Pedro Magalhães, profissionalismo

Políticas:

- Francisco Louçã; resultado superior a 5% = contribuintes a pagar a campanha, conseguir um "aumento negativo" de votos

- Mário Soares; nenhuma gaffe brutal durante o discurso final, não ter adormecido nem ter falado dos perigos da presidencialização do regime e, acima de tudo, não ter violado desta vez a lei eleitoral

- Jerónimo de Sousa; manter a luta para esfolar os trabalhadores pelos direitos dos trabalhadores, conseguir fazer do seu discurso um ataque à esquerda moderada e ao sistema democrático sem aceitar a vontade dos eleitores, ao bom estilo revolucionário

- Garcia Pereira; ter mais de 0% e reduzir o peso da insignificância do PCTP-MRPP

- José Sócrates; evitar a todo o custo a vitória de um candidato do PS

- Esquerda; ter 100% dos votos nas presidenciais

Sunday, January 22, 2006

O meu pior medo

Depois de ter ouvido o primeiro discurso de Cavaco Silva na qualidade de Presidente da República Portuguesa, temer a existência de um segundo Jorge Sampaio, com um novo desígnio nacional a cada semana.

Coisa que não entendi

Durante a campanha, Mário Soares e seus apoiantes diziam que não davam atenção às sondagens porque estas o tentavam tramar e o que realmente contava era a vontade do povo. Então por que razão desertaram todos da sede de Mário Soares assim que saíram as projecções nos canais televisivos?

Surpresa da noite

Todas as televisões apontam para que este homem seja o vencedor.



Inacreditável.

Dúvidas de última hora

Hoje é dia de eleição presidencial e confesso que ainda estou indeciso entre Francisco Louçã e Garcia Pereira.