Wednesday, January 11, 2006
Conclusões genéticas
Se desse ouvidos à maioria das coisas que são ditas pela minha família, ter-me-ia tornado num fervoroso adepto da linha política do PNR. Ou do Bloco de Esquerda, depende do ponto de vista.
Tuesday, January 10, 2006
Soares alerta para os perigos do estatismo
Soares ataca comunicação social
---
Ludwig von Mises, The Anti-Capitalistic Mentality, 1956
«Lembrem-se como Berlusconi chegou ao poder: foi tomando conta da imprensa», advertiu, afirmando que esta chamada de atenção serve para «fazer pensar», sobretudo quando «os pobres dos jornalistas são os primeiros a serem acorrentados».
---
"A free press can exist only where there is private control on the means of production."
Ludwig von Mises, The Anti-Capitalistic Mentality, 1956
Monday, January 09, 2006
Monopólio (pouco livre) da liberdade
A esquerda diz defender a liberdade. É ponto assente. Não há ninguém melhor do que a esquerda para reclamar um ataque às liberdades civis como a liberdade de expressão ou a igualdade social. Por essa mesma razão, utiliza constantemente como arma de arremesso político o 25 de Abril, que se diz ter sido um evento de libertação da ditadura fascista de Salazar, regime que oprimia o povo.
Quando outro alguém que os líderes de esquerda não vêem como sendo de esquerda surge numa espécie de apoio implícito ao 25 de Abril, cantando, por exemplo, Grândola Vila Morena, essa mesma esquerda insurge-se contra uma aparente expropriação de algo que era exclusivamente seu, o que até deixa algumas dúvidas quanto ao seu cepticismo acerca do direito de propriedade.
A esquerda julga-se detentora única da defesa da liberdade e não quer permitir que os outros também a possam defender, ainda que através dos acontecimentos que a própria esquerda julga serem símbolo sublime da dita liberdade. A esquerda não quer que a "direita" defenda a liberdade para a poder acusar de não o fazer, extrapolando daí todo o seu apoio (in)directo perante o Estado Novo. Não lhes convém, portanto, dar espaço no campo das ideias e causas. É tudo uma questão de marketing político.
Quando outro alguém que os líderes de esquerda não vêem como sendo de esquerda surge numa espécie de apoio implícito ao 25 de Abril, cantando, por exemplo, Grândola Vila Morena, essa mesma esquerda insurge-se contra uma aparente expropriação de algo que era exclusivamente seu, o que até deixa algumas dúvidas quanto ao seu cepticismo acerca do direito de propriedade.
A esquerda julga-se detentora única da defesa da liberdade e não quer permitir que os outros também a possam defender, ainda que através dos acontecimentos que a própria esquerda julga serem símbolo sublime da dita liberdade. A esquerda não quer que a "direita" defenda a liberdade para a poder acusar de não o fazer, extrapolando daí todo o seu apoio (in)directo perante o Estado Novo. Não lhes convém, portanto, dar espaço no campo das ideias e causas. É tudo uma questão de marketing político.
Sunday, January 08, 2006
Rui Martins critica mentalidade estatista

O Rui Martins fez um comentário muito bom acerca do mainstream ideológico:
"A Intolerância é uma das expressões mais acabadas de uma mente limitada e incapaz de se abstrair de si próprio. Intolerante é aquele que conhecendo a opinião do Outro é incapaz de reconhecer o direito deste a possuir uma opinião autónoma e independente e que procura levar o Outro a mudar a sua posição para uma outra que esteja mais próxima à sua.
(...)
Quando um intolerante encontra uma opinião diferente da sua não consome muito tempo na tarefa de explicação da sua posição, nem tenta convencer o Outro a aderir à sua Opinião com grande empenhamento nem argumentação, porque acredita sempre no seu íntimo que detém a Verdade, e logo, para quê explicar aquilo que lhe parece óbvio? Perante uma posição diversa, o Intolerante recorre frequentemente ao insulto gratuito e ao rebaixamento moral e intelectual do adversário, no bom estilo de diminuição estalinista.
(...)
A quem servirá este barrete?"
Nota: [O Rui Martins decidiu - apesar das suas palavras acertadas - dar por finalizado o nosso interessante debate "bizantino"]
D.Quixote, o capitalista sem escrúpulos
"La libertad, Sancho, es uno de los más preciosos dones que a los hombres dieron los cielos; con ella no pueden igualarse los tesoros que encierra la tierra ni el mar encubre; por la libertad, así como por la honra, se puede y debe aventurar la vida, y, por el contrario, el cautiverio es el mayor mal que puede venir a los hombres."-- "El ingenioso caballero don Quijote de la Mancha", capítulo LVIII
Num país longínquo e bizarro chamado... Espanha, aconteceu recentemente uma coisa completamente impossível e impensável. Um dono de empresa (porco capitalista, egoísta, sorvedouro do lucro, explorador dos direitos dos trabalhadores...) recusou-se a prestar um serviço simplesmente porque não concordava com o seu cliente.
Isto vai completamente contra a teoria típica dos estatistas, que defendem que os privados não têm um mínimo de ética e princípios morais. Surpreendentemente, por alguma razão misteriosa, estes mesmos estatistas julgam que os representantes governamentais são excelentes pessoas, tocadas, provavelmente, por uma bênção divina e logo, imunes a todos esses "problemas" que afectam a espécie humana.
A transportadora MRW foi contactada pelo governo espanhol para transportar os arquivos de Salamanca, que contêm documentos sobre a Guerra Civil Espanhola (GCE) de 1936-1939. Esta Guerra, a qual já dizia o historiador britânico Paul Johnson (outro convertido da extrema-esquerda) ter sido provavelmente, o acontecimento do séc. XX sobre o qual se escreveram mais mentiras, impediu que Espanha fosse literalmente vendida à URSS. Um erro incrivelmente frequente, apenas com a intenção de atacar a época da ditadura franquista, é falar da GCE esquecendo por completo o contexto histórico da questão. Talvez se, em Portugal, se compreendesse esta pequena particularidade, não houvesse tanta admiração com o protesto de centenas de madrilenos contra a retirada da estátua de Francisco Franco. Certamente, seria ingénuo pensar que todos os protestantes tinham as mesmas razões para se sentirem indignados mas mais ingénuo seria ainda pensar que era preferível ter, no mesmo lugar, uma estátua de Estaline a reluzir ao sol.
A MRW foi, portanto, contratada para transportar os importantes arquivos da GCE que se encontravam em Salamanca para a Catalunha, a pedido de partidos nacionalistas de extrema-esquerda como o Esquerra Republicana de Catalunya (ERC) em 2005. O governo socialista de Zapatero, como seria de esperar, acedeu. Ainda assim, não fosse Espanha o país d'El ingenioso hidalgo/caballero Don Quixote de la Mancha, há valores que falam mais alto do que o vil metal:
El propio Ministerio se puso en contacto a primera hora de la mañana de ayer con la empresa de transportes, encargada habitual de realizar los envíos de la cartera de Cultura en todo el territorio nacional, para llevar a cabo, a la mayor brevedad posible, una estimación acerca del tiempo necesario para poder introducir en una de las furgonetas de reparto de la empresa las 507 cajas en las que se custodian los documentos de la Generalitat republicana.
Sin embargo,según recoge el diario TRIBUNA DE SALAMANCA, "a pesar de que MRW es la empresa que gestiona una buena parte de los envíos que realiza el Ministerio de Cultura, la propia empresa, a través de su franquiciado en Salamanca se ha negado a llevar a cabo el traslado de las cajas de la discordia. Entre los motivos apuntados se encuentran tanto las ideas personales del representante de MRW en Salamanca como el hecho de que, una vez se produjera el traslado de la documentación catalana, se pudieran reproducir episodios de violencia o de represalias contra la empresa de transportes."
O mundo está cheio de economicistas (geralmente, socialistas) que julgam que a dimensão humana se reduz a um número ou que as suas facetas podem ser limitadas ao aspecto económico das relações interpessoais. Enganam-se profundamente. O carácter económico é parte integrante da acção humana e pode ajudar a compreendê-la mas nem todas a actividade humana tem como causa primária o interesse económico. O ser humano é muito mais do que isso e tentar simplificá-lo geralmente resulta numa compreensão bastante errónea da realidade.
(via Helmántica Libertas, através de um comentário do Çamorano)
Friday, January 06, 2006
Exemplos palpáveis
EUA: desemprego desce para 4,9% em Dezembro
Esta notícia fez-me lembrar um artigo importante do Jorge Valín, publicado na LD há uns meses, que discutia precisamente a questão do horário semanal:
Lembro-me perfeitamente de, aquando dos recentes acontecimentos em França, a RTP ter entrevistado grupos de portugueses que vivem em França. Para além da típica procura pela "alma lusitana" em terras estrangeiras (os portugueses sempre foram grandes adeptos do bairrismo e dos seus próprios guetos), os repórteres, nomeadamente António Esteves Martins, tentavam ilibar os portugueses dos surtos de violência que se davam nos arredores de Paris. Eu via aquilo com um espanto enorme porque não se espera que um jornalista sirva de advogado de defesa de ninguém, devendo limitar-se apenas a transmitir informação. Muito pelo contrário, as perguntas eram do género "mas a comunidade portuguesa não está envolvida nos conflitos, pois não?" e coisas como "e os franceses sabem que as famílias portuguesas não são as responsáveis, não sabem?". Eu observava tudo aquilo bastante atónito, ainda mais quando observava os emigrantes portugueses a responder com prontidão e naturalidade, como se lhes estivessem a perguntar se preferiam café ou chá. Não se sentiam sequer ofendidos pelas perguntas ainda que estas indiciassem que, de alguma forma, eles podiam estar relacionados com os eventos. Confirma-se. Os portugueses, mesmo no estrangeiro, são um povo incrivelmente passivo e conformado com tudo à sua volta.
Contudo, a questão que desejava levantar não era essa mas sim outras declarações que foram feitas durante essas entrevistas, involuntariamente. Ao entrevistar um dos emigrantes, este revelou ao jornalista, com uma espécie de complexo de culpa e sensação de clandestinidade que quebrava a lei das 35 horas semanais. Dizia também que a situação era normal e ele não era o único a fazê-lo, evidentemente. As pessoas trabalhavam porque queriam e necessitavam do dinheiro. Para tal, tinham de fazê-lo de forma ilegal perante o Estado francês.
Como resultado deste enredo provocado pela intervenção estatal, o desemprego aumentou, a produtividade caiu e o crescimento andou erraticamente entre os 0% e os 2%. A grande vitória foi dada pelos sindicatos e pelos insiders do sistema que não foram despedidos e até se sentiram privilegiados.
Certo. A coisa não funcionou como seria de esperar e para além da revisão da lei anunciada, tomaram-se outras medidas que permitiriam ao mercado de trabalho decidir mais livremente. Nos EUA, onde não foi implementada qualquer medida que restrinja este tipo de regulação interna, o número de horas semanais foi agora anunciado como sendo de 33,7. Suficientemente inferior às 35 horas semanais francesas determinadas por lei. Nos EUA não houve necessidade de passar nenhuma legislação para que tal acontecesse. A evolução da sociedade no sentido do crescimento económico acaba por determinar melhores condições de vida, como muito bem apontava o Jorge no seu artigo de Fevereiro. Até há bem pouco tempo os EUA eram apontados com algum motivo de risota na Europa porque eram o país ocidental com o maior número de horas de trabalho por semana. Agora, quem se poderá rir são os americanos que, para além de, comparativamente, terem os países europeus colocados ao mesmo nível de riqueza dos seus estados mais pobres, trabalham menos, ganham mais, e são mais eficazes e produtivos.
Segundo a propaganda política socialista, o seu desejo é reforçar os direitos dos trabalhadores, aumentar a qualidade de vida, diminuir a pobreza e aumentar o emprego da população activa. Muito bem, quanto mais teremos de esperar para que sejam coerentes com o que dizem e se tornem favoráveis ao capitalismo, em vez de andarem a enganar os contribuintes?
"No balanço do ano 2005, a maior economia mundial criou aproximadamente dois milhões de empregos. O salário médio/hora cresceu 3,1% no ano, para os 16,34 dólares, com média de horas trabalhadas a situar-se em 33,7 unidades por semana."
Esta notícia fez-me lembrar um artigo importante do Jorge Valín, publicado na LD há uns meses, que discutia precisamente a questão do horário semanal:
Francia se dispone a revisar su semana laboral de 35 horas debido al fracaso que ha supuesto. Desde que se impuso la ley la productividad per cápita francesa ha disminuido un 4,3% según el Eurostat. En contraste, y durante el mismo período, la productividad per cápita en Reino Unido ha aumentado un 5% y un 6% en Estados Unidos.
Pero el fracaso de las 35 horas no ha estimulado al gobierno francés a abolir la ley, sino simplemente a “corregirla” contribuyendo otra vez al deterioro de su economía. Otra “conquista social” (léase imposición) que sólo ha resultado ser más deterioro económico.
La semana de 35 horas no tiene porque ser destructiva siempre y cuando no se imponga por ley. De las 70 horas semanales que trabajaba un hombre medio a principios del siglo XIX hemos pasado a 40. Algunos creen que esta disminución de horas de trabajo ha sido gracias al esfuerzo de los políticos, sindicatos, grupos de presión, etc. Pero la realidad es que esta reducción de horas sólo ha sido gracias al sistema de libre mercado, es decir, al capitalismo.
A medida que la producción y división del trabajo aumentaban gracias a la creación y acumulación de más capital no era necesario trabajar tanto. Precisamente una de las razones por la que hemos podido llegar a la situación actual ha sido la no intervención política en la economía privada.
Imagínese que a principios del siglo XIX algún visionario hubiese impuesto la actual semana de 40 horas por ley. ¿Cree que habríamos llegado al presente escenario de riqueza y bienestar? No, lo único que habría pasado es que en estos doscientos años no habríamos avanzado nada, o incluso peor, habríamos retrocedido. ¿Por qué? Por la sencilla razón que la economía del siglo XIX no estaba lo suficientemente capitalizada ni desarrollada como para permitirse 40 horas semanales, y eso es lo que ha ocurrido con la semana de 35 horas en Francia. El gobierno ha intentado imponer una medida que la economía no se puede permitir hoy por hoy, y en consecuencia, el estado sólo ha contribuido a crear menos producción y menos competitividad.
Lembro-me perfeitamente de, aquando dos recentes acontecimentos em França, a RTP ter entrevistado grupos de portugueses que vivem em França. Para além da típica procura pela "alma lusitana" em terras estrangeiras (os portugueses sempre foram grandes adeptos do bairrismo e dos seus próprios guetos), os repórteres, nomeadamente António Esteves Martins, tentavam ilibar os portugueses dos surtos de violência que se davam nos arredores de Paris. Eu via aquilo com um espanto enorme porque não se espera que um jornalista sirva de advogado de defesa de ninguém, devendo limitar-se apenas a transmitir informação. Muito pelo contrário, as perguntas eram do género "mas a comunidade portuguesa não está envolvida nos conflitos, pois não?" e coisas como "e os franceses sabem que as famílias portuguesas não são as responsáveis, não sabem?". Eu observava tudo aquilo bastante atónito, ainda mais quando observava os emigrantes portugueses a responder com prontidão e naturalidade, como se lhes estivessem a perguntar se preferiam café ou chá. Não se sentiam sequer ofendidos pelas perguntas ainda que estas indiciassem que, de alguma forma, eles podiam estar relacionados com os eventos. Confirma-se. Os portugueses, mesmo no estrangeiro, são um povo incrivelmente passivo e conformado com tudo à sua volta.
Contudo, a questão que desejava levantar não era essa mas sim outras declarações que foram feitas durante essas entrevistas, involuntariamente. Ao entrevistar um dos emigrantes, este revelou ao jornalista, com uma espécie de complexo de culpa e sensação de clandestinidade que quebrava a lei das 35 horas semanais. Dizia também que a situação era normal e ele não era o único a fazê-lo, evidentemente. As pessoas trabalhavam porque queriam e necessitavam do dinheiro. Para tal, tinham de fazê-lo de forma ilegal perante o Estado francês.
Como resultado deste enredo provocado pela intervenção estatal, o desemprego aumentou, a produtividade caiu e o crescimento andou erraticamente entre os 0% e os 2%. A grande vitória foi dada pelos sindicatos e pelos insiders do sistema que não foram despedidos e até se sentiram privilegiados.
Certo. A coisa não funcionou como seria de esperar e para além da revisão da lei anunciada, tomaram-se outras medidas que permitiriam ao mercado de trabalho decidir mais livremente. Nos EUA, onde não foi implementada qualquer medida que restrinja este tipo de regulação interna, o número de horas semanais foi agora anunciado como sendo de 33,7. Suficientemente inferior às 35 horas semanais francesas determinadas por lei. Nos EUA não houve necessidade de passar nenhuma legislação para que tal acontecesse. A evolução da sociedade no sentido do crescimento económico acaba por determinar melhores condições de vida, como muito bem apontava o Jorge no seu artigo de Fevereiro. Até há bem pouco tempo os EUA eram apontados com algum motivo de risota na Europa porque eram o país ocidental com o maior número de horas de trabalho por semana. Agora, quem se poderá rir são os americanos que, para além de, comparativamente, terem os países europeus colocados ao mesmo nível de riqueza dos seus estados mais pobres, trabalham menos, ganham mais, e são mais eficazes e produtivos.
Segundo a propaganda política socialista, o seu desejo é reforçar os direitos dos trabalhadores, aumentar a qualidade de vida, diminuir a pobreza e aumentar o emprego da população activa. Muito bem, quanto mais teremos de esperar para que sejam coerentes com o que dizem e se tornem favoráveis ao capitalismo, em vez de andarem a enganar os contribuintes?
The Woman in the Red Dress
Depois das interessantes declarações em que Jerónimo de Sousa confessava que não era em Louçã que pensava quando ia para a caminha e que a imagem de Cavaco Silva em Belém o impediria de dormir calmamente nas frias noites portuguesas, vem agora a público esta notícia bombástica em que J. de Sousa denuncia as mordidelas que tem sofrido por parte de Francisco Louçã.

Alguém tem sugestões acerca de como isto irá acabar?
Thursday, January 05, 2006
Jerónimo no seu melhor
Reparem bem na habilidade com que Jerónimo de Sousa responde à entrevista no DN [os sublinhados e os comentários entre parêntesis rectos são evidentemente meus]:
[O Admirável Mundo Novo visto pelo PCP]
[Ele acha que não mas não pode dizer por isso foge à pergunta e não responde. Jerónimo de Sousa nega também que a China esteja a adoptar uma economia de mercado. Note-se que no fim ele não repudia o modelo chinês, apenas se apresenta convicto de que não será o ideal para Portugal...]
Para uma crónica que é apelidada pelo DN de "directo ao assunto", esta entrevista deixa muito a desejar...

Que saudades do Grande Timoneiro!
[O Admirável Mundo Novo visto pelo PCP]
Preferia que Portugal tivesse permanecido à margem da Europa?
Preferia que fosse construída outra Europa, bem diferente. Uma União Europeia de povos e países iguais, que tenha como base de construção a coesão económica e social.
[Ele acha que não mas não pode dizer por isso foge à pergunta e não responde. Jerónimo de Sousa nega também que a China esteja a adoptar uma economia de mercado. Note-se que no fim ele não repudia o modelo chinês, apenas se apresenta convicto de que não será o ideal para Portugal...]
A China é um país que oprime os trabalhadores?[Novamente, ele acha uma coisa mas não o pode dizer à imprensa. À semelhança da questão anterior, foge à pergunta. Mais uma vez, não denuncia a ditadura norte-coreana e apenas apazigua o/a jornalista relativamente à sua aplicação em Portugal.]
O PCP e a China estiveram de relações cortadas durante muitos anos. Houve entretanto um processo de aproximação, de estudo e avaliação. Eles insistem na ideia de que podem construir o socialismo. Mas tenho a profunda convicção de que o modelo de sociedade que desejo para Portugal nunca será igual ao modelo da China.
Há liberdade num Estado comunista como a Coreia do Norte?
Acompanho o que se está a passar na Coreia do Norte. Quanto à forma como o partido [comunista] coreano age, tenho as mesmas - ou até mais fundadas - ideias de que não transportaremos aquele modelo para cá.
Para uma crónica que é apelidada pelo DN de "directo ao assunto", esta entrevista deixa muito a desejar...

Que saudades do Grande Timoneiro!
Grunhidos na bruma III
(cont.)
7.
* O direito de propriedade é um direito natural. Se um desconhecido entrar em minha casa, certamente pensarei que é um ladrão porque ele estará em minha propriedade sem a minha permissão ou consentimento, não o conhecendo eu de lado nenhum. A menos que ele esclareça rapidamente a situação, não terei outras razões para não considerar que se trata de uma invasão de propriedade. Se eu lhe pedir a si que me adicione como administrador do seu blogue qual será a sua reacção? [Recorde que sendo administrador do blogue o poderia retirar da lista de colaboradores]
* Essa teoria do comunismo primitivo é muito interessante mas confunde colectivização com cooperação. O facto de que os bens fossem escassos, forçando as pessoas a colaborar com maior proximidade, não significa que a noção de propriedade privada não existisse. À semelhança de qualquer outra sociedade, estas tribos, provavelmente, funcionavam como uma família em que cada membro tenta fazer a sua parte para manter a sua subsistência e a do grupo, recebendo em troca o fruto do trabalho produzido pelos outros. Não passam de meros contratos. Todavia, dificilmente podemos esperar que se a tribo B tentasse roubar o stock de carne (assumindo que há um) da tribo A, esta não o defendesse com unhas e dentes. Extrapolar das difíceis condições de sobrevivência dos humanos primitivos que o direito de propriedade não existe é obra. Só que fazê-lo de uma forma tão simplista deixa que aspectos como a impossibilidade de ter um pensamento uniforme em todos os seres, a escassez de recursos, e a própria necessidade e vontade em estabelecer contratos de mútua cooperação com os restantes indivíduos não sejam tomados em devida conta.
* A maior prova de que a social-democracia não respeita o direito de propriedade é o facto de que o não-pagamento de impostos constitui um crime legal. Se eu decidir não pagar IRS, IRC ou me recusar a pagar a taxa de IVA que acresce ao valor de cada produto, arrisco-me a passar a ver o sol aos quadradinhos. Os impostos funcionam, sim. Mas com uma pistola apontada à cabeça.
* Quanto à minarquia, eu não disse que ela respeitava inteiramente os direitos de propriedade. A outra questão, relativa aos neoliberais, terá de lhes ser feita a eles. Ainda assim, não compreendo como é que conclui tão habilmente que forças policiais e militares não podem coexistir com um total respeito pela propriedade privada.
8.
* Sim, numa sociedade liberal está. Volta a confundir novamente liberalismo com autoritarismo. O liberalismo é precisamente acerca da ausência de controlo, nomeadamente dos meios de comunicação. Cada cidadão é perfeitamente livre de emitir a sua opinião. Cada cidadão ou grupo de cidadãos é perfeitamente livre para criar uma entidade de imprensa que divulgue as suas opiniões. Essa coisa de "tudo controlado por [inserir grupo social aqui]" apenas faz sentido em locais onde a liberdade de imprensa é restrita, ou seja, em países de tendências não-liberais. O mesmo se aplica à crítica relacionada com o monocromatismo e uniformidade da sociedade. Esse nunca pode existir. Incrivelmente, a igualdade (completamente aberta a interpretações) é uma das grandes bandeiras da esquerda por isso, acho que está a criticar as posições políticas erradas.
* O espírito economicista, que parece ser criticado com essa afirmação do "lucro e propriedade", é fruto daqueles que vêem o ser humano como um número. Ora, muitos liberais não vêem o ser humano como um número nem são eficientistas e/ou economicistas. Se o fossem, provavelmente defendiam a clonagem ilimitada de seres humanos para ter mão-de-obra apta para a escravatura a troco de pão e água. Não há forma mais fácil de aumentar a produtividade.
* Criticar a idealização de um hipotético regime liberal para depois falar em poder absoluto de forma a concluir que se trata de uma utopia muito arduamente pode constituir uma argumentação válida. Poder absoluto e liberal não quadram nada bem.
9.
* Trocar 90% por 98% a meio de uma piada é como começar a contar uma anedota de loiras, acabando por dizer a meio que ela era morena. E no fim que era ruiva.
* Essa teoria sua de que os media portugueses são liberais é interessante. Devo confessar que nunca vi liberais tão estatistas na minha vida.
* Não sei se o Rui é grunho mas ao menos o seu blogue é. O contexto da minha outra resposta foi precisamente esse. O Rui também não citou o meu nome ao longo da sua crítica mas sim o nome do meu blogue. De qualquer modo, se se assumir definitivamente como grunho, diga-me. Esta discussão revelar-se-á completamente inútil.
10.
* Se as multinacionais praticam métodos de dumping, isso não é benéfico para os consumidores que passam a dispor indirectamente de maior poder de compra, devido aos preços mais baixos? Tendo mais dinheiro disponível, há maior facilidade em adquirir outros bens (o que representa um investimento directo) provenientes de outras companhias. A concorrência destas multinacionais poderá sempre baixar os seus preços de forma a conseguir competir com as suas maiores rivais. A única razão para que este mecanismo não funcione é a existência, como eu dizia, por exemplo, de um salário mínimo ou de leis laborais rígidas. Num determinado local, mesmo que os custos empresariais necessitassem de ser reduzidos, o ordenado recebido por cada um dos trabalhadores da empresa apenas representaria quão valorizada é a sua actividade no mercado de trabalho. Um género de mecanismo que não tome isto por natural, acabará por dar origem à falência de diversas empresas, já que é impossível manter os custos quando há mais despesa do que lucro. O que a mim me parece é que o B. (adopto a mesma nomenclatura) não é um país nada liberal.
* A transferência destes serviços para a China/Índia/Cabo Verde/Inglaterra (interessante colocar a Inglaterra neste grupo) parece-me perfeitamente natural e aceitável. Fala-me de exemplos relativamente à IBM, Microsoft, BMW, PT, etc. Agora imagine os custos de tudo isto se estes componentes de hardware, software, etc. fossem produzidos em mercados europeus, por exemplo, com todo o custo socialista que isso acarreta. Os computadores e todos os outros produtos de tecnologia estariam acessíveis apenas a um grupo muito restrito. Não sei se já reparou mas todo este avanço tecnológico aumenta as possibilidades de emprego. A redução de todos estes custos de produção beneficia o consumidor que, a um preço extremamente baixo, pode actualmente fornecer-se com componentes electrónicos que há 5 anos atrás nem sequer existiam. As sociedades evoluem. Na sua teoria megalómana da redução do poder de compra, esquece-se de que há trabalhos que são sempre necessários localmente e que uma sociedade evolui no sentido da especialização da mão-de-obra à medida que os seus cidadãos possuem cada vez mais qualificações, o que gera muito mais oportunidades de emprego.
* A deslocalização das empresas para solo estrangeiro tem como efeito primário a redução dos custos produtivos e a diminuição dos níveis de pobreza do local onde a multinacional se decidiu instalar. Muita gente acha condenável que se ponham crianças a trabalhar nos países subdesenvolvidos. Isso pode facilmente ser resolvido. Retiramos todas estas companhias dos países que estão a ser "explorados" e passamos a ter produtos 100 vezes mais caros (a grade maioria de nós não poderia trabalhar sequer) e os empregados destas empresas passariam a sobreviver novamente da agricultura de subsistência, como nos bons tempos neolíticos. Fica resolvido o problema das deslocalizações, a custo de recessão económica e continuação da pobreza extrema. Que importa isso?
* Ainda assim, imaginando, como diz o Rui, que as pessoas deixavam de ter dinheiro para suportar tais produtos, a empresa passaria a não ter grande razão de existir porque a produção em massa tem precisamente como objectivo chegar a um maior número de gente. Observar-se-ia a uma queda brusca dos preços ou então, à extinção de uma empresa que se tinha tornado desnecessária e inapta a competir no mercado. No entanto, se nesses taís países onde agora só haveria desemprego (Europa e EUA, presumo), talvez as pessoas devessem reconsiderar o valor pelo qual estão dispostas a trabalhar. A grande falha do seu raciocínio é considerar que a deslocalização cria desemprego mas esquecer de colocar na equação o facto de que a importação de bens que valorizamos mais, a um custo menor, gera uma maior acumulação de capital e, a partir daí, novas e melhores possibilidades de investimento, o que, a seu tempo, se transformará em oferta de emprego.
* Se, na sua teoria, há cada vez mais desempregados na Europa e nos EUA, o que os impossibilita de comprar os produtos gerados pelas multinacionais, que razão o leva a dizer que as multinacionais ficarão cada vez mais prósperas?
11.
* Uma resposta satírica a uma crónica satírica teria ficado mal. Logo, optei, como é possível ver, por optar pela via do menor sarcasmo possível.
* Eu até acho que teve mais piada ter dito metros quadrados. Eu, ao menos, sorri ao imaginar uma área de gás. Se não queria ter usado unidade de capacidade, podia ter usado de volume. São igualmente válidas. 1 litro (l) = 1 decímetro cúbico (dm^3).
* Não se exceda com os orgulhos pessoais, eu sou apenas um leitor atento aos detalhes.
12.
* Isso significa que, por analogia, a minha resposta se encontra ao nível de uma tese de mestrado/doutoramento? Obrigado pelo elogio.
* Os blasfemos costumam usar argumentação lógica, que é coisa que normalmente escasseia bastante. Não sei onde é que o Rui a viu como insulto e reveladora de intolerância. Espero que o facto de que tenham uma "opinião" diferente da sua não o leve a dizer isso, como o fez comigo. Em particular, o João Miranda tem uma paciência infinita.
* Não entendi se a segunda parte era dirigida a mim ou aos blasfemos.
* Alguém lhe disse que não tinha o seu direito a expressar-se livremente? O facto de que o critique(mos) impede-o de escrever ou opinar? Tentei apoderar-me (ou tentaram apoderar-se) do seu blogue para impedir a possibilidade de liberdade de expressão que lhe é fornecida pelo Blogger? Porque se preocupa tanto como o seu direito de expressão se acha que o direito de propriedade não é natural?
Já agora, caro Rui. É liberal, mesmo, sem aspas. Não é "liberal".
7.
* O direito de propriedade é um direito natural. Se um desconhecido entrar em minha casa, certamente pensarei que é um ladrão porque ele estará em minha propriedade sem a minha permissão ou consentimento, não o conhecendo eu de lado nenhum. A menos que ele esclareça rapidamente a situação, não terei outras razões para não considerar que se trata de uma invasão de propriedade. Se eu lhe pedir a si que me adicione como administrador do seu blogue qual será a sua reacção? [Recorde que sendo administrador do blogue o poderia retirar da lista de colaboradores]
* Essa teoria do comunismo primitivo é muito interessante mas confunde colectivização com cooperação. O facto de que os bens fossem escassos, forçando as pessoas a colaborar com maior proximidade, não significa que a noção de propriedade privada não existisse. À semelhança de qualquer outra sociedade, estas tribos, provavelmente, funcionavam como uma família em que cada membro tenta fazer a sua parte para manter a sua subsistência e a do grupo, recebendo em troca o fruto do trabalho produzido pelos outros. Não passam de meros contratos. Todavia, dificilmente podemos esperar que se a tribo B tentasse roubar o stock de carne (assumindo que há um) da tribo A, esta não o defendesse com unhas e dentes. Extrapolar das difíceis condições de sobrevivência dos humanos primitivos que o direito de propriedade não existe é obra. Só que fazê-lo de uma forma tão simplista deixa que aspectos como a impossibilidade de ter um pensamento uniforme em todos os seres, a escassez de recursos, e a própria necessidade e vontade em estabelecer contratos de mútua cooperação com os restantes indivíduos não sejam tomados em devida conta.
* A maior prova de que a social-democracia não respeita o direito de propriedade é o facto de que o não-pagamento de impostos constitui um crime legal. Se eu decidir não pagar IRS, IRC ou me recusar a pagar a taxa de IVA que acresce ao valor de cada produto, arrisco-me a passar a ver o sol aos quadradinhos. Os impostos funcionam, sim. Mas com uma pistola apontada à cabeça.
* Quanto à minarquia, eu não disse que ela respeitava inteiramente os direitos de propriedade. A outra questão, relativa aos neoliberais, terá de lhes ser feita a eles. Ainda assim, não compreendo como é que conclui tão habilmente que forças policiais e militares não podem coexistir com um total respeito pela propriedade privada.
8.
* Sim, numa sociedade liberal está. Volta a confundir novamente liberalismo com autoritarismo. O liberalismo é precisamente acerca da ausência de controlo, nomeadamente dos meios de comunicação. Cada cidadão é perfeitamente livre de emitir a sua opinião. Cada cidadão ou grupo de cidadãos é perfeitamente livre para criar uma entidade de imprensa que divulgue as suas opiniões. Essa coisa de "tudo controlado por [inserir grupo social aqui]" apenas faz sentido em locais onde a liberdade de imprensa é restrita, ou seja, em países de tendências não-liberais. O mesmo se aplica à crítica relacionada com o monocromatismo e uniformidade da sociedade. Esse nunca pode existir. Incrivelmente, a igualdade (completamente aberta a interpretações) é uma das grandes bandeiras da esquerda por isso, acho que está a criticar as posições políticas erradas.
* O espírito economicista, que parece ser criticado com essa afirmação do "lucro e propriedade", é fruto daqueles que vêem o ser humano como um número. Ora, muitos liberais não vêem o ser humano como um número nem são eficientistas e/ou economicistas. Se o fossem, provavelmente defendiam a clonagem ilimitada de seres humanos para ter mão-de-obra apta para a escravatura a troco de pão e água. Não há forma mais fácil de aumentar a produtividade.
* Criticar a idealização de um hipotético regime liberal para depois falar em poder absoluto de forma a concluir que se trata de uma utopia muito arduamente pode constituir uma argumentação válida. Poder absoluto e liberal não quadram nada bem.
9.
* Trocar 90% por 98% a meio de uma piada é como começar a contar uma anedota de loiras, acabando por dizer a meio que ela era morena. E no fim que era ruiva.
* Essa teoria sua de que os media portugueses são liberais é interessante. Devo confessar que nunca vi liberais tão estatistas na minha vida.
* Não sei se o Rui é grunho mas ao menos o seu blogue é. O contexto da minha outra resposta foi precisamente esse. O Rui também não citou o meu nome ao longo da sua crítica mas sim o nome do meu blogue. De qualquer modo, se se assumir definitivamente como grunho, diga-me. Esta discussão revelar-se-á completamente inútil.
10.
* Se as multinacionais praticam métodos de dumping, isso não é benéfico para os consumidores que passam a dispor indirectamente de maior poder de compra, devido aos preços mais baixos? Tendo mais dinheiro disponível, há maior facilidade em adquirir outros bens (o que representa um investimento directo) provenientes de outras companhias. A concorrência destas multinacionais poderá sempre baixar os seus preços de forma a conseguir competir com as suas maiores rivais. A única razão para que este mecanismo não funcione é a existência, como eu dizia, por exemplo, de um salário mínimo ou de leis laborais rígidas. Num determinado local, mesmo que os custos empresariais necessitassem de ser reduzidos, o ordenado recebido por cada um dos trabalhadores da empresa apenas representaria quão valorizada é a sua actividade no mercado de trabalho. Um género de mecanismo que não tome isto por natural, acabará por dar origem à falência de diversas empresas, já que é impossível manter os custos quando há mais despesa do que lucro. O que a mim me parece é que o B. (adopto a mesma nomenclatura) não é um país nada liberal.
* A transferência destes serviços para a China/Índia/Cabo Verde/Inglaterra (interessante colocar a Inglaterra neste grupo) parece-me perfeitamente natural e aceitável. Fala-me de exemplos relativamente à IBM, Microsoft, BMW, PT, etc. Agora imagine os custos de tudo isto se estes componentes de hardware, software, etc. fossem produzidos em mercados europeus, por exemplo, com todo o custo socialista que isso acarreta. Os computadores e todos os outros produtos de tecnologia estariam acessíveis apenas a um grupo muito restrito. Não sei se já reparou mas todo este avanço tecnológico aumenta as possibilidades de emprego. A redução de todos estes custos de produção beneficia o consumidor que, a um preço extremamente baixo, pode actualmente fornecer-se com componentes electrónicos que há 5 anos atrás nem sequer existiam. As sociedades evoluem. Na sua teoria megalómana da redução do poder de compra, esquece-se de que há trabalhos que são sempre necessários localmente e que uma sociedade evolui no sentido da especialização da mão-de-obra à medida que os seus cidadãos possuem cada vez mais qualificações, o que gera muito mais oportunidades de emprego.
* A deslocalização das empresas para solo estrangeiro tem como efeito primário a redução dos custos produtivos e a diminuição dos níveis de pobreza do local onde a multinacional se decidiu instalar. Muita gente acha condenável que se ponham crianças a trabalhar nos países subdesenvolvidos. Isso pode facilmente ser resolvido. Retiramos todas estas companhias dos países que estão a ser "explorados" e passamos a ter produtos 100 vezes mais caros (a grade maioria de nós não poderia trabalhar sequer) e os empregados destas empresas passariam a sobreviver novamente da agricultura de subsistência, como nos bons tempos neolíticos. Fica resolvido o problema das deslocalizações, a custo de recessão económica e continuação da pobreza extrema. Que importa isso?
* Ainda assim, imaginando, como diz o Rui, que as pessoas deixavam de ter dinheiro para suportar tais produtos, a empresa passaria a não ter grande razão de existir porque a produção em massa tem precisamente como objectivo chegar a um maior número de gente. Observar-se-ia a uma queda brusca dos preços ou então, à extinção de uma empresa que se tinha tornado desnecessária e inapta a competir no mercado. No entanto, se nesses taís países onde agora só haveria desemprego (Europa e EUA, presumo), talvez as pessoas devessem reconsiderar o valor pelo qual estão dispostas a trabalhar. A grande falha do seu raciocínio é considerar que a deslocalização cria desemprego mas esquecer de colocar na equação o facto de que a importação de bens que valorizamos mais, a um custo menor, gera uma maior acumulação de capital e, a partir daí, novas e melhores possibilidades de investimento, o que, a seu tempo, se transformará em oferta de emprego.
* Se, na sua teoria, há cada vez mais desempregados na Europa e nos EUA, o que os impossibilita de comprar os produtos gerados pelas multinacionais, que razão o leva a dizer que as multinacionais ficarão cada vez mais prósperas?
11.
* Uma resposta satírica a uma crónica satírica teria ficado mal. Logo, optei, como é possível ver, por optar pela via do menor sarcasmo possível.
* Eu até acho que teve mais piada ter dito metros quadrados. Eu, ao menos, sorri ao imaginar uma área de gás. Se não queria ter usado unidade de capacidade, podia ter usado de volume. São igualmente válidas. 1 litro (l) = 1 decímetro cúbico (dm^3).
* Não se exceda com os orgulhos pessoais, eu sou apenas um leitor atento aos detalhes.
12.
* Isso significa que, por analogia, a minha resposta se encontra ao nível de uma tese de mestrado/doutoramento? Obrigado pelo elogio.
* Os blasfemos costumam usar argumentação lógica, que é coisa que normalmente escasseia bastante. Não sei onde é que o Rui a viu como insulto e reveladora de intolerância. Espero que o facto de que tenham uma "opinião" diferente da sua não o leve a dizer isso, como o fez comigo. Em particular, o João Miranda tem uma paciência infinita.
* Não entendi se a segunda parte era dirigida a mim ou aos blasfemos.
* Alguém lhe disse que não tinha o seu direito a expressar-se livremente? O facto de que o critique(mos) impede-o de escrever ou opinar? Tentei apoderar-me (ou tentaram apoderar-se) do seu blogue para impedir a possibilidade de liberdade de expressão que lhe é fornecida pelo Blogger? Porque se preocupa tanto como o seu direito de expressão se acha que o direito de propriedade não é natural?
Já agora, caro Rui. É liberal, mesmo, sem aspas. Não é "liberal".
Grunhidos na bruma II
1.
* Obviamente que o liberalismo não detém a exclusividade da defesa da liberdade. Aliás, essa monopolização seria contrária aos seus princípios. Como é evidente, todos defendem a liberdade. Os comunistas defendem a liberdade de se tornarem donos de todas as propriedades do país. Os fascistas defendem a liberdade de controlar a economia e os nazis, provavelmente, defendem a liberdade de mater judeus à descrição. Peço desculpa, quando disse defender a liberdade, referia-me mesmo à liberdade. Não nos deixemos enganar. Os socialistas clássicos, num regime que não lhes é favorável, aparecerão sempre como mártires, à semelhança dos comunistas durante o período salazarista. Com estas distorções a fazer lembrar newspeak, até podemos dizer que é natural que um nazi morresse na URSS por "defender a liberdade". Qualquer ideologia política, independentemente da veracidade dos seus postulados, defende sempre a liberdade de expressão relativa a si mesma. Isso não significa que defenda a das outras, coisa acerca da qual o liberalismo não faz distinção.
2.
* Uma chalaça que não tem coerência e sentido falha o seu objectivo mais evidente. Ou então, tem como público-alvo aqueles que não têm capacidade de detectar as suas contradições lógicas. É um pouco como ver um filme em que o som se propaga no espaço como se existisse matéria; estraga a sessão. Por outro lado, o objectivo pode ser puramente denegrir a imagem de qualquer coisa junto daqueles que não estão bem informados. Talvez seja esse o caso.
3.
* Os habitantes da Utopia de Thomas More dificilmente poderiam ser humanos. Por isso é que a obra tem o nome de Utopia.
4.
* O facto de um filósofo, ou qualquer outro ser racional, questionar algo não significa que esse aspecto seja ou não necessariamente verdadeiro. Os próprios filósofos são conhecidos não por dar respostas mas sim por fazer perguntas. Logo, dizer que há filósofos que questionam a existência de direitos naturais é completamente irrelevante. Também há filósofos que questionam a própria existência do Universo. Anaxímenes de Mileto dizia que o ar existia em tudo. Como a ciência viria a provar, Anaxímenes tinha era ar a mais no cérebro.
* Os seres humanos têm direitos assim como os outros animais têm. A possibilidade de discutir esta existência a um nível intelectual, caso dos humanos, não invalida que estes não possam existir com referência a espécies que não tenham capacidades para o fazer. Se os direitos naturais não fossem uma realidade, mas sim resultantes de uma eventual imposição artificial, poderíamos entrar livremente na toca de diversos animais sem esperar ser atacados. Ou tentar matá-los, o que deveria suceder com facilidade. Ora, como isso não acontece e não me parece que os lobos, ursos, etc. tenham filósofos entre eles como Locke para os "enganar", dizendo que eles têm direitos naturais (incluindo o de propriedade), a minha única conclusão possível é a de que os direitos naturais realmente existem, independentemente do seu reconhecimento por parte dos seres humanos.
* Não adianta comparar os direitos naturais dos humanos aos das formigas já que a constituição genética destas duas espécies é bastante distinta, o que origina diferentes comportamentos sociais. Isso não significa que as formigas, as abelhas e os chimpanzés não tenham os seus direitos naturais que, como é óbvio, podem ser ou não respeitados pelas outras espécies.
5.
* Não sou dono de nenhuma "Verdade" nem nenhuma pessoa o é. No entanto, quando se fala deste Universo é necessário entender que se fala deste Universo e não de outro ali ao lado (dispensam-se anotações sobre o oximoro). E, certamente, estas conclusões acerca da realidade partem de uma base sobre raciocínios lógicos, não de um "dogma". A "tese" de que a intervenção do Estado é sempre má é a conclusão, não a premissa. O Rui Martins ataca a existência de dogmas (que, de alguma forma, vê existirem na ideologia liberal) mas depois acaba por dizer que nem todos os dogmas são maus e que alguns até são essenciais. Nesse caso, qual é o critério geral usado para escolher os "bons dogmas"? Quem tem autoridade para escolher que dogmas devem ser aplicados? Porque é que o liberalismo, que não tem um manual de instruções com uma receita para a sociedade, constitui um dogma, quando para cada problema, não há uma solução central definida? Na sua análise dos factos, apenas vejo razão para criticar os dogmas socialistas do proteccionismo e da existência de impostos, já que estes evidenciam racismo/xenofobia e um agrado quase sádico pelo sofrimento alheio. Relativamente à questão do dogma em si, pela mesma ordem de ideias, podemos dizer que a existência de interacções electromagnéticas também constitui um dogma.
* Se eu não permitisse que o que eu digo fosse questionado não estaria a tentar explicar-lhe coisa alguma. Os dogmas não podem oferecer explicação, por isso mesmo é que são chamados de dogmas. A posição dogmática não é, por excelência, falar de uma constatação da realidade. Um dogma não tem base experimental. A constatação da realidade tem. Se, porventura, afirmarmos que a realidade é dogmática por si mesma, então tudo é um dogma e nada faz sentido na realidade. Nestes casos, um solipsista/idealista mais coerente tenderá a suicidar-se já que nem sequer encontra "indícios de provas" para a sua própria existência.
6.
* Não existem sociedades perfeitas porque o mundo não é perfeito nem nunca será. Dizer que um país deveria ser uma utopia porque teve (ou tem) um regime liberal pouco sentido faz porque o liberalismo, contrariamente a ideologias como o colectivismo ou o fascismo, não tem como objectivo propagandístico fazer algo em prol da "felicidade e bem-estar" da sociedade. Em termos práticos, é sempre em prol dos grupos que pertencem às instâncias governativas e aos beneficiados com as decisões destes mesmos. O que o liberalismo faz substancialmente é melhorar a qualidade de vida das pessoas pelo aumento da sua liberdade e pela possibilidade de produzir riqueza.
* O Rui Martins critica o nível de exploração que há, por exemplo, na China mas esquece-se que a China é um país que durante décadas esteve sobre jugo comunista, o que levou milhões de pessoas à morte e à pobreza extrema. Ora, isso pouco tem que ver com o capitalismo. Se começar a defender o irrealista "direito" dos chineses em não serem "explorados", estará a condená-los à manutenção de uma situação de pobreza contínua da qual não terão chances de sair. Eles certamente preferem trabalhar em condições horríveis e durante muitas horas para aliviar a sua condição praticamente insustentável. Com o passar do tempo, o nivel médio de vida destas populações e as suas qualificações aumentarão, o que conduzirá a uma redução dos números de trabalhadores a receber um salário quase insignificante em troco de extensivas horas de trabalho. Tendo em conta o enorme fluxo de gente proveniente do restante território chinês, o trabalho infantil que possa existir em Hong Kong não é muito surpreendente. Aquilo em que o Rui deveria pensar é a razão que levou e leva toda esta gente a fugir para Hong Kong (e de HK, quando a passagem para a administração chinesa se aproximava):
i) Legal immigrants from China
Since 1980, immigration from the Chinese mainland to Hong Kong was subject to tight control. A strict quota was set on the number of Chinese permitted to settle in the territory. The number was originally limited to 75 per day. It was gradually increased to 105 in 1994, and then 150 in 1995. Therefore at present, there is an annual inflow of about 55,000 legal immigrants from China, most of whom are actually dependents of Hong Kong residents living in the mainland and coming to the territory for family reunion.
(...)
v) Illegal immigrants
A total of 35,500 illegal immigrants from China were arrested and deported in 1994. The number had decreased as compared with a total of about 44,000 in 1993. When captured upon entry, they are immediately deported. If they are caught later when engaged in illegal employment, they are liable to 15 months in prison and fines of up to HK$5,000. Because of the stringent control, the size of the illegal immigrant population in Hong Kong is believed to be relatively small, probably not more than 20,000 at any one point in time.
* Políticas fixas quanto a salários baixos, trabalho infantil e horários laborais não fazem parte de um modelo liberal. Segundo a tal "doutrina liberal", devem ser as pessoas a determinar isso, não as administrações estatais. Para que não diga que isto se trata de um dogma, eu posso tentar explicar-lhe isso em pormenor se não entender porquê.
* Um monopólio não é necessariamente mau, se for atingido devido à aceitação que os consumidores têm pelos produtos ou serviços de uma dada empresa. Uma cartelização dos serviços numa sociedade liberal tenderia a entrar em ruptura já que, como a concorrência é livre, poderia sempre aparecer uma outra empresa que oferecesse uma melhor relação qualidade-preço aos seus clientes. Mesmo que esta empresa fosse incorporada nas corporações do cartel anterior, nada impediria que outra com o mesmo tipo de serviço reaparecesse. As empresas devem poder competir livremente pois quem mais ganha com isso é o consumidor.
(cont.)
Wednesday, January 04, 2006
Lapsus linguae?
É como fugir aos impostos
É uma analogia interessante. Só é pena que seja completamente desprovida de sentido. Vejamos:
O contribuinte C foge aos impostos, evitando que roubem a sua propriedade. Voltando ao exemplo dos estudantes A e B, um caso paralelo seria:
Eu dou uma pequena ajuda. Penso que o que Aurora Teixeira queria dizer era "Isto é quase como cobrar impostos". O ambiente é permissivo e favorável a isso.
[Referindo-se ao plágio académico]
"Temos, de facto, um ambiente permissivo e favorável à cópia. São as tais variantes de contexto que influenciam depois outros alunos. Isto é quase como fugir aos impostos."
É uma analogia interessante. Só é pena que seja completamente desprovida de sentido. Vejamos:
O estudante A copia o estudante B, sem o seu consentimento, roubando a propriedade de B (o produto do seu trabalho).
O contribuinte C foge aos impostos, evitando que roubem a sua propriedade. Voltando ao exemplo dos estudantes A e B, um caso paralelo seria:
O estudante B coloca o braço por cima da folha do seu exame para que A não possa copiar.
Eu dou uma pequena ajuda. Penso que o que Aurora Teixeira queria dizer era "Isto é quase como cobrar impostos". O ambiente é permissivo e favorável a isso.
Tuesday, January 03, 2006
Será do Guaraná?
Manuel Alegre disse em entrevista ao DN que se opunha a um monopólio privado da água em Portugal. Não disse, incrivelmente, nada acerca de um "eventual" monopólio da água por parte do Estado embora tenha feito questão de frisar que era contra a usurpação deste bem, quando feita por uma empresa! Pergunto eu, qual é a diferença que vê Manuel Alegre em tudo isto? Porque é mais temível um privado do que um estatal?
Temo que a resposta seja simples. Se a monopolização deste recurso for privada, o lucky bastard que estiver à frente da dita companhia precisa de pagar uma certa quantia ao Estado para que este garanta a sua subsistência como distribuidor único. Estas negociações estariam sujeitas a flutuações de interesses. Ao Estado interessaria obter uma bela maquia com este contrato e ao empresário seria conveniente que, através do cheque passado ao governo, a restrição do mercado fosse efectiva. No entanto, já que a empresa seria poderosa, a sua posição em futuras negociações seria cada vez mais influente e as quantias dispensadas poderiam vir a diminuir com alguma consideração, não garantindo qualquer fundo constante para os pobres políticos que se cansam demasiado durante o dia, entre papéis e acesas discussões acerca de qual será o imposto a ser introduzido que mais rentabilidade trará aos seus ordenados.
Claramente, uma gestão pública da água é uma autêntica via verde porque o Estado decide quanto cobrar. Que astuta forma de gerar rendimentos. Quero dizer, defender o bem-comum e os bens essenciais à vida.
Temo que a resposta seja simples. Se a monopolização deste recurso for privada, o lucky bastard que estiver à frente da dita companhia precisa de pagar uma certa quantia ao Estado para que este garanta a sua subsistência como distribuidor único. Estas negociações estariam sujeitas a flutuações de interesses. Ao Estado interessaria obter uma bela maquia com este contrato e ao empresário seria conveniente que, através do cheque passado ao governo, a restrição do mercado fosse efectiva. No entanto, já que a empresa seria poderosa, a sua posição em futuras negociações seria cada vez mais influente e as quantias dispensadas poderiam vir a diminuir com alguma consideração, não garantindo qualquer fundo constante para os pobres políticos que se cansam demasiado durante o dia, entre papéis e acesas discussões acerca de qual será o imposto a ser introduzido que mais rentabilidade trará aos seus ordenados.
Claramente, uma gestão pública da água é uma autêntica via verde porque o Estado decide quanto cobrar. Que astuta forma de gerar rendimentos. Quero dizer, defender o bem-comum e os bens essenciais à vida.
Subscribe to:
Posts (Atom)




