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Wednesday, January 04, 2006

Nasceu neste dia



Sir Isaac Newton, em 1643.


Lapsus linguae?

É como fugir aos impostos

[Referindo-se ao plágio académico]

"Temos, de facto, um ambiente permissivo e favorável à cópia. São as tais variantes de contexto que influenciam depois outros alunos. Isto é quase como fugir aos impostos."

É uma analogia interessante. Só é pena que seja completamente desprovida de sentido. Vejamos:

O estudante A copia o estudante B, sem o seu consentimento, roubando a propriedade de B (o produto do seu trabalho).

O contribuinte C foge aos impostos, evitando que roubem a sua propriedade. Voltando ao exemplo dos estudantes A e B, um caso paralelo seria:

O estudante B coloca o braço por cima da folha do seu exame para que A não possa copiar.

Eu dou uma pequena ajuda. Penso que o que Aurora Teixeira queria dizer era "Isto é quase como cobrar impostos". O ambiente é permissivo e favorável a isso.

Tuesday, January 03, 2006

Será do Guaraná?

Manuel Alegre disse em entrevista ao DN que se opunha a um monopólio privado da água em Portugal. Não disse, incrivelmente, nada acerca de um "eventual" monopólio da água por parte do Estado embora tenha feito questão de frisar que era contra a usurpação deste bem, quando feita por uma empresa! Pergunto eu, qual é a diferença que vê Manuel Alegre em tudo isto? Porque é mais temível um privado do que um estatal?

Temo que a resposta seja simples. Se a monopolização deste recurso for privada, o lucky bastard que estiver à frente da dita companhia precisa de pagar uma certa quantia ao Estado para que este garanta a sua subsistência como distribuidor único. Estas negociações estariam sujeitas a flutuações de interesses. Ao Estado interessaria obter uma bela maquia com este contrato e ao empresário seria conveniente que, através do cheque passado ao governo, a restrição do mercado fosse efectiva. No entanto, já que a empresa seria poderosa, a sua posição em futuras negociações seria cada vez mais influente e as quantias dispensadas poderiam vir a diminuir com alguma consideração, não garantindo qualquer fundo constante para os pobres políticos que se cansam demasiado durante o dia, entre papéis e acesas discussões acerca de qual será o imposto a ser introduzido que mais rentabilidade trará aos seus ordenados.

Claramente, uma gestão pública da água é uma autêntica via verde porque o Estado decide quanto cobrar. Que astuta forma de gerar rendimentos. Quero dizer, defender o bem-comum e os bens essenciais à vida.

"O Estaline era um gajo porreiro!"



Por incrível que possa parecer, um colega de universidade disse-me isto. Eu sabia que ele era comunista mas pensava que os próprios comunistas já tinham deixado de elogiar o regime soviético porque lhes dava má imagem. O muro de Berlim já caiu em 89 mas a geração que não o viu cair, ou era demasiado nova para se recordar das suas implicações, é completamente descomprometida da necessidade de justificar os dilemas das utopias do passado. Não com pouca frequência se vê algum jovem irreverente com um discurso político que, em termos ideológicos globais, só faria sentido nas décadas anteriores à Guerra Fria.

Deveria pensar-se que um comunista dos tempos actuais (devendo já ter seguido o processo tradicional dos seus camaradas, abandonando as ideias da sociedade sem classes para abraçar a social-democracia) que esboce com um ar nostálgico ao recordar os "grandes feitos" da URSS, transmitirá a ideia contrária daquela que pretende visto que o regime soviético foi um dos mais repressivos de que há memória. Estaline e seus colaboradores assassinaram, directa ou indirectamente, milhões e milhões de pessoas. Incrivelmente, não só há gente que nega todos estes factos como existem aqueles que continuam a idolatrar Estaline. Grande culpa possui a ignorância histórica (muita dela politizada) que reina em Portugal. O desconhecimento de diversos aspectos sobre a História Universal impede que estas declarações lunáticas sejam travadas de imediato. Pelo contrário, se alguém disser, que Estaline foi um grande estadista, é provável que ninguém reaja. A mesma situação, substituindo Estaline por Hitler, levantará, no mínimo, um reflexo de confirmação («O quê?») acompanhado de uma indignação, por muito leve que seja.

Não é, portanto, de estranhar que este meu colega defendesse Estaline, assim como Fidel Castro, tentando depois insinuar que George W. Bush era muito pior, para além de ser um fascista da pior espécie. Provavelmente nunca ninguém lhe havia dito que Estaline não caberia sequer na designação de serial killer mas sim de mass murderer. Quando se lhe falava de gulags, desviava o olhar e também o assunto. A única coisa em que não pude deixar de reparar foi que, ao longo de tantos anos, provavelmente, aquele discurso de idolatria ao líder do grande paraíso soviético não tinha sido questionado por ninguém com quem ele se houvesse cruzado.

A situação não é muito diferente a nível geral, no meio científico, devido a uma alergia incutida contra as humanidades. As estruturas e os conteúdos programáticos esquematizados à força pelo Ministério da Educação ditam que o curso de humanidades deve ser separado do científico-natural. Em países como Espanha ou Inglaterra, um aluno do ensino secundário pode ter disciplinas distintas como física e história, ou química e economia/gestão, a título de exemplo. Em Portugal, a divisão é forçada mal se acaba o 3º ciclo, tendo o aluno de escolher um agrupamento específico, excluindo a priori as disciplinas de todos os outros cursos de ensino secundário. Esta situação gera efemeridades interessantes como um colega meu que, ainda que tendo 20 a matemática, julgava que Viriato era alguém que tinha combatido os mouros nas Astúrias. Quando se falava de história ou literatura, todos começavam com expressões faciais de repúdio às humanidades (como se fosse possível generalizar) dizendo que, certamente, nos tínhamos enganado no agrupamento. Esta separação artificial, para além de considerar que um aluno que gosta de biologia gosta de física ou que um que gosta de sociologia prefere o latim à matemática, estimula um certo elitismo académico que acaba por degenerar em distanciamentos escolares e efectivos de matérias importantes para as quais até poderia existir um certo interesse natural. Quando se tem amigos do outro lado da "barricada" (neste caso, humanidades), torna-se por vezes difícil o contacto porque, em discussões de um teor mais filosófico acerca de áreas do conhecimento, nos olham de uma forma diferente. Mais de uma vez fui confrontado com o poderosíssimo argumento «vocês, gajos de ciências!...», em resposta a uma qualquer discordância no meio de um debate. É fácil imaginar o sentido que pode levar uma conversa assim. O facto que desejava frisar é o de que este tipo de separação abre alas para uma ignorância generalizada em diversos ramos do conhecimento que, só por si, já é grande. Assim, e com a ajuda do sistema educativo, é fácil encontrar um físico marxista (...), um economista que confunde astronomia com astrologia ou um linguista que não sabe o que foi o Big Bang. Em qualquer das situações, o caso é muito grave mas no caso da ignorância histórica/política/económica, abre-se um caminho que afecta não somente o indivíduo em questão mas também a sociedade, já que o destino político comum acaba por ser decidido pelo conjunto dos eleitores.

Tendo em conta todas estas razões, eu não deveria ficar absolutamente estupefacto quando leio coisas deste género, vindas de pessoas que reclamam usar a razão a título diário:

"It is tempting for historians of science to make generalizations, as the title of this book – Stalin's Great Science – suggests. But where this particular book works best is in describing the adventures of individual physicists who laboured under the Soviet regime. Through a series of biographical sketches and amusing anecdotes, Alexei Kojevnikov, a historian at the University of Athens in the US, has produced a colourful portrayal of physics in the former Soviet Union."

Movido em parte pela curiosidade, em parte pelo espanto relativo ao título - "Stalin's Great Science" - tentei procurar mais informação sobre o mencionado livro. Nas palavras da editora:

"In the process of making sense of the achievements of Soviet science, the book dismantles standard assumptions about the interaction between science, politics, and ideology, as well as many dominant stereotypes — mostly inherited from the Cold War — about Soviet history in general."

Acabei por encontrar a versão completa da crítica (Gennady Gorelik) que foi anunciada na PhysicsWeb. A certa altura, o texto confirma as minhas suspeitas:

«The key aim of the book is to challenge what the author calls “one of the main postulates of post-war liberalism”, namely that science can only function properly in a political democracy. Kojevnikov wants to show that this is not true, using Soviet physics as a counter-example. Moreover, he tries to prove that Soviet ideology helped to bring about some novel physical ideas. Indeed, Soviet ideology was somehow responsible for the most influential Russian contribution to the history of science: Boris Hessen’s 1931 paper “The social and economic roots of Newton’s Principia”, which revealed new – external – dimensions to science as a social being.»

(...)

«In Kojevnikov’s view, Friedmann’s proto Big Bang cosmology was inspired by the “big bang” of the 1917 Soviet revolution.

(...)

Where Kojevnikov is “sufficiently confident” is that the physics of collective phenomena – from phonons to superfluidity – is indebted to “Soviet and, more generally, socialist thought”.

(...)

One indisputable advantage of a Stalinist regime – such as we have in North Korea today – is that it can spend money on any high-priority issue (including physics) without any debate or cost–benefit analysis, regardless of the population’s needs. »

Este tipo de dialéctica e conclusões, quase em jeito de desresponsabilização do regime estalinista por todas as suas atrocidades, acaba mesmo por levar o leitor a pensar que este foi bom para a ciência e esta até se encontra em dívida para com o socialismo. Como se pode ver no primeiro parágrafo desta crítica, o autor do livro tenta destruir o mito (?) de que a ciência só pode ser feita em regimes democráticos. Isto, só por si, é gravíssimo. Ninguém pode assumir à partida que assim o é, porque o processo criativo nasce do indivíduo, não do regime. Quem faz a ciência são os cientistas, não os governantes, o que implica que descobertas científicas podem ser realizadas em qualquer tipo de regime, incluindo os totalitários. Quando alguém aparece a dizer, quase em jeito de desculpa, que a ciência *também* é possível fora de países democráticos dando como exemplo algo da estirpe da URSS, há algo que não está bem. Estas pessoas acreditam que a ciência é um processo colectivizado e totalmente dependente do Estado ou simplesmente nutrem um amor tão intenso pela ditadura do proletariado que chegam a defender aquilo que ultrapassou a barreira do que é defensável.

Por ignorância, influência da comunicação social e puro interesse pessoal a nível político, creio que estas duas condições se verificam em harmonia e simultâneo na maior parte dos casos. Casos que chamaria de clínicos. E perigosos.

Monday, January 02, 2006

¡viva la ROBOlución!

Ora bem, todos nós sabemos que Cuba tem o melhor sistema de saúde do mundo. É inquestionável, até porque há sempre aquele primo afastado da irmã da cunhada do sobrinho do vizinho da tia Joaquina que foi a Cuba para ser operado pois o sistema de saúde é dos melhores do mundo e não há medicos como os de Cuba. Como confirmação dessa evidência que, de tão óbvia que é, quase não necessita de ser demonstrada, sempre nos apontam os dados da percentagem do PIB que o grande governo cubano investe no seu sistema de saúde. (A par destas maravilhas, só mesmo o sistema educativo cubano, devido ao qual a taxa de analfabetismo é, obviamente, 0%).

Como prova da superioridade divinal deste sistema absolutamente estatizado, deixo aqui algumas fotos que certamente esses capitalistas ganaciosos que andam por aí terão de explicar. Sim, porque eles dizem que esta coisa do serviço ser excelente e grátis é mentira! Ora vejam:







Como é óbvio, se alguma vez tiver de ser hospitalizado de urgência, é aqui que quero estar!

Mas há mais! Estes capitalistas pró-americanos gostam sempre de inventar que Cuba mantém rotas e edifícios específicos para os turistas para que estes não possam ver o estado real em que Cuba se encontra. É tudo mentira! Observe-se bem, por exemplo, a semelhança incontestável entre as casas de banho de algumas localidades:



Hotel Nacional



Universidade de Havana (professores)



Hotel Havana Livre



Universidade de Havana (alunos)

American Beauty

Nos EUA, esse país da grande desigualdade onde a sociedade é dividida entre ricos e pobres e há mais sem-abrigo por metro quadrado de que em qualquer outra parte do mundo (tirando Hong Kong, o excelso cume do capitalismo selvagem onde as condições são tão horríveis e bárbaras que os bebés, quando nascem, começam a chorar), saíram recentemente umas estatísticas interessantes acerca do rendimento médio das famílias, comparativamente aos anos 70:

THE AMERICAN DREAM IS ALIVE AND WELL

Since the 1970s, most families have experienced a rapid growth in their income and wealth

(...)

* In 1967, only one in 25 families earned an income of $100,000 or more in real income; today, one in six do.

* The percentage of families with an income of more than $75,000 a year has tripled from 9 to 27 percent.

* The percentage of families with real incomes between $5,000 and $50,000 has been falling as more families move into higher income categories -- the figure has dropped by 19 percent since 1967.

This shows that upward mobility is the rule, not the exception, in America today, says Moore and Lincoln; therefore, the middle class is not shrinking, as previously thought, but is getting richer:

* In 1967, the middle-class income range was between $28,000 and $39,500 a year, now that range is between $38,000 and $59,000 a year.

* The upper-middle class is also richer; today, those falling within the 60th to 80th percentile in family income have an income range of between $55,000 and $88,000 a year, which is about $24,000 a year higher than 1967.

* In 2004, the total net worth of Americans rose to $50 trillion and the median household income was estimated at $105,000; that's nearly double the median family-wealth level of 1983 and triple the level in 1962.

The Gods Must Be Crazy

O My Guide to your Galaxy agradece o prémio atribuído pela Comissão Transatlântica do Grande Comando Insurgente presidida pelo Claudio Tellez. Se calhar não devia ter dito nada. É provável que o Claudio note que se enganou a passar os nomes dos blogues e ainda volte atrás para alterar o que escreveu.

Liberalismos ibéricos

Recomendada a leitura total de ambos os artigos. O primeiro é altamente recomendável a todos os que desejem entender melhor a dinâmica de uma sociedade liberal. O segundo, aos que pretendam conhecer um pouco melhor as origens do pensamento liberal. Por estranho que possa parecer aos mais atingidos pelos complexos de inferioridade portugueses, esses primeiros passos foram dados não muito longe daqui, entre Coimbra e Salamanca.

Sobre fumar y otras cosas. Respuestas a un lector (Jorge Valín)

"El mercado lo componen personas, no es una entidad superior al hombre ni una deidad. El liberalismo no es como el marxismo u otras formas de pensamiento colectivistas enfocados a fines teleológicos y superiores como dogma. El liberalismo estudia las actividades terrenales del hombre, no pretende doblegar su moral, su comportamiento ni voluntad."


juan de mariana: um «libertarian» na igreja romana (Rui)

"Juan de Mariana (1536-1624), padre jesuíta espanhol, foi um percursor do liberalismo clássico e, até mesmo, do pensamento «libertarian» norte-americano.

(...)

Juan de Mariana foi um liberal e um percursor dos clássicos e é, também, entre outros, um excelente exemplo para contrariar os fanatismos obscurantistas que pretendem reduzir a instituição que é a Igreja Católica, a sua História e os homens que a fizeram, nas perseguições da Inquisição."

Grunhidos na bruma

O oGrunho (de pseudónimo Rui Martins)* lançou recentemente uma série de artigos que visam satirizar as políticas (não) defendidas pelo Blasfémias e a ideologia dos seus colaboradores. De certa forma, devo dizer que isto tem o seu lado positivo e o seu lado negativo. É bom porque há uns 2 anos atrás, não se viam críticas abertas ao liberalismo e aos liberais. Ainda que este debate se desenrole quase, na sua exclusividade, em terrenos blogosféricos, é importante que comece por algum lado. Há 5 anos atrás, provavelmente, o Blasfémias seria visto por muitos como um blogue de cariz humorístico porque blasfemar, no sentido adquirido da palavra, era coisa feita por muito poucos. Defender a liberdade deixaria (e ainda deixa) as pessoas absolutamente incrédulas.

A parte negativa das críticas lançadas reside no facto de que, na tentativa de encontrar defeitos numa sociedade liberal, se constroem mundos hipotéticos sem coerência alguma. Como é evidente, todas as sociedades têm defeitos porque o próprio mundo tem "defeitos". Acreditar que assim não é ou que estes defeitos são corrigíveis é puramente utópico pois é impossível conseguir controlar todas as varíaveis físicas relacionadas com o ser humano e com o meio (ambiental, cultural, social, etc.) que o rodeia. Efectivamente, nos seres humanos em si, é fácil apagar os defeitos. Basta que se destrua a noção de defeito na mente humana e que se façam modificações genéticas de forma a que os processos de tomada de consciência simplesmente não existam e o pensamento livre seja uma "má memória" do passado.

Temas eugénicos aparte, oGrunho afirma que num país carinhosamente apelidado de Blasfemistão, "pequena utopia liberal", "foram aplicados todos os sagrados dogmas da doutrina liberal". A falha do raciocínio d'oGrunho começa logo aqui. Primeira, caracteriza mal um país com um regime liberal, dando-lhe o nome de utopia. Este tipo de crítica que é lançada, tentando denegrir à partida a imagem de algo não-definido, não faz sentido. Se o Blasfémias fosse um blogue que defendesse a aplicação dos princípios marxistas-leninistas, isso sim, seria utópico, já que estes estão ideologicamente fabricados numa posição totalmente contrária aos direitos naturais. A verificação experimental deste facto, ao longo do séc. XX, não pode ser mais conclusiva. Afirmar que um país considerado liberal é uma utopia deixa muito pouca manobra de debate porque se assume, a priori, algo que não foi justificado com uma argumentação lógica. Muita gente aceita este facto sem o questionar. Diz-se que é uma utopia. Muito bem. Então, porquê?

De seguida, oGrunho afirma que são postos em prática todos os dogmas sagrados da doutrina liberal. Isto, de igual forma, também não faz sentido. Primeiro, não deveríamos chamar-lhes dogmas porque a constatação da realidade não constitui dogma algum. Em segundo, não há unanimidade (por natureza e por definição) nos ideais liberais, o que torna a "doutrina liberal" algo difícil de generalizar. Numa sociedade liberal, não existem soluções mágicas saídas da cartola. O que se sabe é que a sociedade em si (as pessoas, o mercado por ela gerada), devido à sua natureza auto-correctora, encontrará uma solução de forma mais eficiente do que um apelo à intervenção de uma presumível autoridade central(izadora). Se alguma generalização deve ser feita, esta terá de ir no sentido dos princípios que são vulgarmente aceites como valores liberais, e não sobre os conflitos epistemológicos por eles levantados entre os diversos estudos académicos sobre o liberalismo. Estas premissas baseiam-se essencialmente no conceito de laissez-faire, que, em termos linguísticos, não deve ter uma aplicação meramente restrita à economia mas também às comummente designadas liberdades individuais. Esta premissa dificilmente pode constituir um dogma já que se baseia, como referi anteriormente, nos princípios mais básicos dados pela natureza humana. Se os contrariarmos, estaremos a negar o nosso próprio comportamento como espécie.

Muito pelo contrário, ideologias como o socialismo são baseadas em dogmas (que, por tal facto, dificilmente apresentam estrutura lógica) injustificáveis à luz do funcionamento e evolução do ser humano nas suas vertentes pessoais e sociais. Que outra razão podemos apresentar para que as sociais-democracias não respeitem o direito de propriedade ainda que, para que tal seja bem sucedido, seja necessária a implementação de leis que proíbem a fuga fiscal? Estas leis tornam um direito natural num crime, sem qualquer justificação. Os esboços de argumento apresentados para estes crimes praticados pelo Estado são os mais diversos. "O mercado tem falhas", logo é preciso instaurar uma entidade para o regular. "Há desigualdade", logo é prioritário ter uma instituição omnipresente que redistribua a riqueza e os recursos. "Os salários são baixos" logo, é necessário forçar todos os empregadores a pagar salários elevados, etc.

É este o paradigma do socialismo. Tanto os reivindicadores do welfare state, como os socialistas mais clássicos ou os defensores do fascismo (na verdade, tudo manifestações da mesma causa) apresentam dogmas muito comuns que passam pelo controlo exercido pelo Estado dos diversos sectores da sociedade. Os liberais questionam essas "verdades" assumidas a priori, defendendo os ideais acima expressos, com argumentação lógica. No entanto, nas afirmações d'oGrunho, questionar esta ditadura de opinião (unânime) parece ser dogmático. O que dizer, então, da impossibilidade de fazer essa mesma questão? Porque não deve ser permitido pensar que argumento lógico existe para as intervenções estatais? Não será essa posição, por si própria, dogmática? Se a "doutrina liberal" é dogmática por valorizar a liberdade, não deverão sê-lo igualmente, e ainda mais, as outras teorias políticas por não o fazer? E que dizer da incapacidade de provar, teórica ou experimentalmente, a superioridade de um regime socialista?

Outra questão importante é a de que uma sociedade liberal não apresenta, de forma alguma, uma agregação unitária de pensamento. O sentido do liberalismo passa precisamente por isso. Não há, nem deve haver, uma homogeneidade de opiniões. As decisões e opções são totalmente descentralizadas e tomadas de acordo com a consciência individual, desde que não violem os direitos de terceiros. Por estas mesmas óbvias razões, numa sociedade liberal (como existe liberdade de associação), um grupo de socialistas pode reunir-se para formar uma confraria ou até mesmo uma cidade, onde podem cobrar os seus impostos e redistribuir a riqueza como lhes convier. Pelo contrário, numa sociedade socialista, um liberal está completamente aprisionado ao sistema. Isto deixa muito a desejar, especialmente quando se afirma que os princípios da "doutrina liberal" são sagrados dogmas.

oGrunho aplica depois uma lógica que eu já havia questionado na própria caixa de comentários referente ao artigo em questão.

«O pequeno país foi reduzido na actualidade à sua capital, Mirandopolis, porque na estrita aplicação do dogma liberal de redução drástica das despesas do Estado, a Defesa foi entregue em outsourcing à empresa que ofereceu a proposta mais barata, neste caso, à "Bing Bong Chopa Xique, Inc." uma empresa de mercenários burkina fasiana que substitui as forças armadas do Blasfemistão por duas cabras vestidas com caqui verde e uma batata doce. Em consequência desta "desmilitarização liberal", os países vizinhos aproveitaram e ocuparam todas as provincias do Blasfemistão com excepção da capital.»

Inicialmente, oGrunho revela um desconhecimento muito grande acerca dos possíveis regimes liberais. Não lhe passou pela cabeça que o "dogma liberal" fosse uma minarquia, por exemplo, onde a manutenção de forças militares e de segurança interna é uma função básica. Quando lhe perguntei a razão pela qual as pessoas não podiam contratar empresas de segurança (policial, militar), especialmente porque o Estado, com forças ridículas e reduzidas, dificilmente poderia deter um monopólio da aplicação da força, oGrunho respondeu-me o seguinte:

"Porque 9/10 dos cidadãos estão no desemprego e têm como principal ocupação... Viver do lixo produzido pelo 1/10 restantes..."

Embora não tenha entendido a razão pela qual uma pessoa que não trabalhe não pode ter dinheiro para contratar empresas de segurança, porque existe 90% de desemprego ou sequer porque não contratam os ditos meios os restantes 10%, decidi aguardar por novas crónicas sobre o Blafemistão, como prometido.

A segunda crónica rezou assim:

"No Blasfemistão existem apenas quatro empresas multinacionais. Todas as empresas locais faliram à muito tempo, deixando 98% da população no desemprego."

Não é explicado o motivo devido ao qual existem apenas 4 empresas multinacionais. Se existe um desemprego tão elevado (agora já é de 98%, presumo que durante este tempo aumentou em 8%) e o país é liberal - o que significa que o Estado, se existir, impõe poucas restrições à presença de empresas estrangeiras - o Blafemistão seria um local ideal para investir, tendo em conta que tanta gente estaria necessitada de um emprego. oGrunho não explica, igualmente, a razão pela qual todas as empresas locais foram à falência. Com tanta mão-de-obra disponível, a única razão que consigo imaginar para que as empresas locais tenham ido à falência é a imposição de um salário mínimo ou a existência de rígidas leis laborais. Como se assume que a "doutrina liberal" foi aplicada, volto a não entender a razão de depressão económica tão profunda que não permite que sejam criados novos empreendimentos ou que tenha levado os anteriores à ruína total.

"Agora as empresas e os edificios públicos têm webcams que são visualizadas por uma empresa indiana de Bangalore e que quando detectam um assalto em curso chamam a Polícia Privada de Segurança Pública (PPSP)"

Se o país é liberal, como é possível que sejam instaladas webcams de vigilância em locais públicos?

O Blasfemistão é o único país signatário do Protocolo de AntiQuioto (...) Segundo este protocolo o país é obrigado a triplicar as emissões de gases poluentes todos os anos, feito que tem cumprido religiosamente através das importações massivas de gases em contentores vindos da Europa e dos EUA e da obrigação de cada blasfemo emitir oito metros quadrados de metano por dia. [sublinhados meus]

Contrastando com isto:

"foram aplicados todos os sagrados dogmas da doutrina liberal"

Evidencia-se aqui uma óbvia contradição lógica. Ou então, uma confusão total entre liberalismo e autoritarismo. Tendo em consideração o contexto da afirmação (toda a crónica), sou levado a pensar que se trata realmente de uma confusão, especialmente quando alguém define um volume de um gás bidimensionalmente. Também, se as pessoas não tinham dinheiro (porque estavam desempregadas) para contratar melhores forças de segurança - o que até contradiz a razão de ser da tal PPSP - como têm dinheiro para importar gases massivamente? Porque valorizam mais os gases do que os outros bens?

«Classificado orgulhosamente como o "país liberal mais poluido do mundo", o Blasfemistão tem uma atmosfera tão densa que os transeuntes têm que andar na rua com uma catana e os 8 ricos do país só andam de metropolitano.»

Se é difícil respirar, porque há orgulho nesse facto? Que país se orgulha da má qualidade dos seus serviços médicos ou da deterioração das suas vias de comunicação? Se apenas existem 4 empresas a actuar em territórios do Blafemistão (i.e., Mirandopolis), como é possível que produzam tanta poluição, sabendo até que estas se distribuem, respectivamente, nos sectores de segurança policial ou militar, controlo da recolha do lixo e gestão do metropolitano?

oGrunho afima num dos comentários que espera que os blasfemos não levem a mal. Certamente que os blasfemos não levarão a mal. Toda esta imaginação fértil não produz qualquer ofensa por parte de alguém que pensa com uma réstia de lógica que seja. No máximo, podem soltar um suspiro revelador de falta de paciência perante uma jocosidade absolutamente desconexa.

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* Não quis ficar atrás. Também fiz uma parte da minha crónica a falar seriamente.

Saturday, December 31, 2005

Desmontagem política (reloaded)




Quando uma pessoa recebe elogios, é porque alguém vê nela algum valor. Quando começa a receber insultos baratos, isso deve significar que está definitivamente no bom caminho e começa a ter alguma notoriedade. I must be doing something right.*


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"Espero que empregues tanta ou mais energia a tentar viver em consonância com a perspectiva particular que expões exaustivamente neste... enfim... Não há nada mais sagrado que a coerência."

Sempre, chama-se praxeologia. Ou, por acaso, usaste o cérebro de outra pessoa para escrever o que pensas? (assumindo que não usaste a alma penada do ABC). Escolheste o teu ISP porque era o mais caro e de menor qualidade? Escolheste o teu sistema operativo porque, na tua opinião, era o pior?

"Ao contrário do Tiago, não me vou dignar a participar neste circo em que és a estrela principal e este comentário frugal , embora excessivo, será único."

Argumentum ad hominem? Isso é muito conhecido. Ao menos o Tiago foi mais original e andou ali às voltas para não o aplicar directamente. Já agora, avisa-o de que estou à espera de uma(s) resposta(s) dele. Ele que defenda as coisas que disse (ou admita que errou) e não chame mais gente que também não tem argumentos.

"Ficarias surpreendido com o sucesso que fazes no mundo da comédia em vários espectros sociais, políticos e económicos. "

Finalmente! Alguém que percebeu a minha piada do Louçã! Estava a ver que não! [opcionalmente, sempre se pode ver a coreografia do camarada mestre, e depois eu é que faço comédia...]

"Espero que nos continues a entreter... a nós, vasta massa de pessoas diminuidas intelectualmente sedentas do néctar divino que é o produto da actividade da tua mente superior."

Isso é tudo complexo de inferioridade, orgulho exacerbado para não reconhecer a falta de argumentos lógicos ou simplesmente uma espécie de deus ex machina? De qualquer das formas, obrigado pelo elogio. O estaminé continua aberto para que possam beber o meu delicioso néctar. De vez em quando também sirvo ambrósia. Mas isso, só mesmo para convidados especiais.

Já agora, e para finalizar, só uma coisa. Eu consigo ver os comentários que são feitos no Haloscan por ordem de entrada. Logo, essa técnica de responder a um post quando já uns 10 foram publicados posteriormente, não me parece muito eficiente, se o objectivo for brincar ao hit and run.




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*A série Desmontagem Política foi, até agora, constituída pelos artigos I, II, III, IV, V, VI (comentário de M. De la Torriente), VII, VIII e IX.

Feliz Ano Novo

Friday, December 30, 2005

Igualdade, Igualdade

Há poucos dias, o Primeiro-Ministro José Sócrates fez um discurso, em virtude da época natalícia, do qual cito as partes mais relevantes:

O ano que está prestes a terminar foi mais um ano ainda difícil para muitas famílias e para muitas pessoas na sociedade portuguesa. Eu sei isso.

Mas este foi também um ano em que o País começou, finalmente, a enfrentar e a resolver os seus problemas.

Todos sabemos que o País não avança continuando a viver de ilusões e de sucessivos adiamentos. E sabemos também - sabemos todos - que há muitas coisas que é preciso mudar em Portugal para que possamos garantir aqui um futuro melhor, para nós e para os nossos filhos.

(...)

E estamos a fazê-lo com a coragem e com a determinação que são necessárias para levar o País para a frente. Para que a economia portuguesa possa melhorar e criar mais empregos. Para que os jovens tenham mais oportunidades. Para que haja menos desigualdades sociais. Para que possamos garantir o pagamento das pensões de reforma no futuro. Para que os nossos idosos vejam assegurado um rendimento que lhes permita viver com dignidade e não os condene mais à pobreza. Numa palavra, para que Portugal se volte a aproximar do nível de vida dos Países mais desenvolvidos da Europa.

É esse o nosso caminho. Sei bem que há quem considere que este não é o melhor momento para se estar no Governo. Mas, o meu sentimento é exactamente o contrário. Para mim é uma honra poder servir o meu País e os meus concidadãos neste preciso momento.

E tenho a profunda esperança - tenho mesmo a certeza - de que, com a compreensão e a cooperação de todos os portugueses de boa-vontade, Portugal vai ser capaz de vencer as dificuldades e vai ter um futuro melhor.É para isso que estamos a trabalhar e a dar o melhor do nosso esforço.

Nesta época de Natal, quero dirigir a todos os portugueses e a todas as famílias uma palavra de esperança.

Mas também uma palavra de solidariedade, sobretudo para os mais desfavorecidos, os mais pobres, os desempregados, os doentes e os que vivem na solidão.

Ontem, quando lia as notícias, deparei-me com uma notícia que para mim não é nada surpreendente mas que serve de bom exemplo para mostrar as discrepâncias relacionadas com o famoso provérbio português, faz o que eu digo, não faças o que eu faço. Volto a relembrar que José Sócrates é um defensor da manutenção do Estado Social e mantém uma retórica constante em torno da "desigualdade social":

Rigor, transparência e verdade têm de ser as palavras-chave no domínio das contas públicas. Rigor, desde logo, na despesa, porque essa é a forma última de garantir a sustentabilidade de longo prazo das contas públicas, de assegurar uma economia competitiva e de garantir o Estado Social.

(...)

Quero reafirmar aqui que a opção do Governo que o povo sufragou envolve, também, um compromisso indeclinável na luta contra as desigualdades e contra a pobreza; e sobretudo contra a pobreza sem voz, que é a dos mais idosos.

(...)

Quero assumir, em nome do Governo, três grandes prioridades.

(...)

A terceira, reduzir decisivamente as desigualdades sociais e os níveis de pobreza.
Sócrates fala em garantir a existência do Estado Social e, ao mesmo tempo, refere como medida prioritária a redução da pobreza e da desigualdade. Sabendo que o objectivo do Estado Social é precisamente este e este existe em Portugal, uma destas premissas tem de estar errada porque ou Sócrates deseja manter o Estado Social (e assim, agravar a pobreza e as desigualdades) ou deseja combatê-la e, para isso, conta com o desmantelamento do dito.

Ontem, enquanto lia calmamente as notícias, deparei-me com o comunicado de que José Sócrates se havia lesionado a fazer esqui, na Suiça:

O primeiro-ministro, José Sócrates, sofreu quinta-feira à tarde um estiramento num dos joelhos, após ter caído a praticar esqui numa estância de turismo na Suíça, disse hoje à Lusa fonte do gabinete do chefe do Governo.

(...)

José Sócrates partiu para a Suíça logo após o dia de Natal, acompanhado pelos seus filhos, devendo regressar a Portugal antes do fim do ano, entre sexta-feira e sábado.

Excepção feita em 2004, em que entre o Natal e o fim do ano estava envo lvido na campanha para as legislativas, José Sócrates passa habitualmente alguns dias de férias neste período para praticar esqui.

Há várias conclusões a retirar destes factos:

1. Sócrates, que se pede aos portugueses sacrifícios e apertos de cinto, aumentando os impostos sucessivamente, não se sabe conter. Vai passar férias uma semana para a Suiça, com os filhos, gastando dinheiro que deveria, de acordo com o seu discurso, estar a ser poupado em nome de Portugal, seja lá o que isso for.

2. O Primeiro-Ministro preocupa-se com a desigualdade e com a pobreza mas não parece muito incomodado com o facto de que a maioria da minha família não tem sequer dinheiro disponível para passar umas férias no Entroncamento, quanto mais no Algarve (e muito menos na Suiça). Tudo isto seria lógico, não fosse a preferência de José Sócrates pelos Alpes suíços, o que deixa a sua autoridade moral muito reduzida, quando pede esforços ao povo português.

3. Como bom social-democrata que é, José Sócrates e seus ministros, mais do que uma vez, já referiram a importância das golden shares, dos sectores estratégicos da economia nacional e dos centros de decisão nacional. Não deixa de ser preocupante, portanto, que o nosso PM decida fazer um investimento na Suiça, quando podia optar, por exemplo, pela via do estímulo económico ao turismo na Serra da Estrela. Afinal, segundo a teoria, o que é nacional é bom e não podemos deixar os capitais sair do país, pois não?

4. A escolha da Suiça para passar as férias não deixa de ser intrigante. Para além de ser um dos países com mais características liberais da Europa (onde o IVA nem sequer existia até há muito pouco tempo e é de 7,6% na maioria dos casos - em alguns outros é de 2,4% ou 3,6%), a Suiça é provavelmente o melhor país do mundo para se ter uma conta bancária. A intervenção governamental é mínima, o que gera um investimento fortíssimo, incluindo a nível estrangeiro. Como diria um amigo meu que lá nasceu, não é estranho que a Suiça tenha o 3º maior PIB per capita da Europa (apenas superado pelo Luxemburgo e pela Noruega). Resumindo, se eu quisesse depositar dinheiro que desejo esconder das garras do Estado português, certamente fá-lo ia na Suiça.

5. José Sócrates, como já referi, fala muito de pobreza e desigualdade (e faz bem, segundo as notícias que nos vão chegando, Portugal está a tornar-se, metaforicamente - ou talvez não, numa República Soviética). Como Sócrates se preocupa com as pessoas (aliás, como todos os socialistas) eu recomendo que Sócrates passe a ganhar o salário mínimo nacional, de forma a mostrar a verdadeira solidariedade que tanto apregoa. Não digo o salário mínimo legal mas o salário mínimo de mercado, que em Lisboa é certamente superior ao definido pela lei. Aconselho o mesmo aos seus colegas de governo e a todos os deputados que digam que se preocupam com a pobreza no país e depois aplicam o dinheiro roubado destes mesmos pobres - que se não pagarem, vão para a cadeia - em objectos pessoais ou serviços relacionados com a sua pessoa.

Em Portugal, costuma dizer-se que o ski é um desporto de meninos ricos (ter dinheiro é sempre pecado). Neste caso, qual é o prazer de andar a trabalhar para ser forçado a financiar, por via de extorsão, as férias dos outros na Suiça?

Volto a citar o grande Orwell, que viu mais longe do que muitos na sua época (em que praticamente todos os socialistas andavam a lutar pelo marxismo-leninismo...):

«All animals are equal, but some animals are more equal than others», Animal Farm, 1945

Thursday, December 29, 2005

Proposta

Os comunistas dizem que o direito de propriedade não é um conceito natural e muitos defendem a existência de um comunismo primitivo na História da Humanidade, seguindo as bases teóricas do antropólogo americano Lewis Morgan, em que os bens produzidos eram propriedade de toda a sociedade (a tribo), sendo estes redistribuídos consoante as necessidades individuais.

Como é objectivo dos comunistas atingir uma sociedade sem classes, em que a propriedade seja colectiva (pois esta, quando privada, é contranatura), sugiro que me dêem todos a palavra-passe dos vossos blogues para que eu lá possa escrever de vez em quando.

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Nota: Se preferirem (eu também prefiro) peçam-me o número da minha conta bancária por e-mail - está ali no topo à direita - de forma a que possam depositar uns fundos para apoiar este pobre (não é um efeito estilístico) capitalista iludido, vítima da sociedade ultraneoliberal portuguesa.

Aquecimento global

O Reino Unido anda a sofrer as temíveis consequências do devastador aquecimento global:

Neve não pára de cair




É o Inverno mais frio dos últimos anos no Reino Unido

Há dois dias que a neve não pára de cair, no Reino Unido. Trata-se do Inverno mais frio dos últimos anos nas ilhas britânicas e as previsões apontam para uma nova descida da temperatura.

(...)

Segundo os meteorologistas, o pior ainda está para vir.

Com temperaturas de 6 graus negativos, as auto-estradas estão cobertas de gelo e de neve.

Isto acontece porque os estúpidos dos ingleses não querem cumprir, claro está, o protocolo de Quioto e são o 8º maior emissor mundial de dióxido de carbono para a atmosfera. Depois, pagam a fava.

Wednesday, December 28, 2005

Infelizmente, não estava no sapatinho

100 Years Of Relativity
Space-time Structure: Einstein and Beyond




edited by Abhay Ashtekar (Institute for Gravitational Physics and Geometry, Pennsylvania State University, USA)

Thanks to Einstein's relativity theories, our notions of space and time underwent profound revisions about a 100 years ago.

(...)

The first part is devoted to a summary of how relativity theories were born (J Stachel). The second part discusses the most dramatic ramifications of general relativity, such as black holes (P Chrusciel and R Price), space-time singularities (H Nicolai and A Rendall), gravitational waves (P Laguna and P Saulson), the large scale structure of the cosmos (T Padmanabhan); experimental status of this theory (C Will) as well as its practical application to the GPS system (N Ashby). The last part looks beyond Einstein and provides glimpses into what is in store for us in the 21st century. Contributions here include summaries of radical changes in the notions of space and time that are emerging from quantum field theory in curved space-times (Ford), string theory (T Banks), loop quantum gravity (A Ashtekar), quantum cosmology (M Bojowald), discrete approaches (Dowker, Gambini and Pullin) and twistor theory (R Penrose).

Contents:

History and Foundations:
• Development of the Concepts of Space, Time and Space- time from Newton to Einstein (J Stachel)
Manifestations of General Relativity:
• Gravitational Billiards, Dualities and Hidden Symmetries (H Nicolai)
• Probing Space-time Through Numerical Simulations (P Laguna)
• The Nature of Space-time Singularities (A Rendall)
• Black Holes — An Introduction (P Chrusciel)
• The Physical Basis of Astrophysical Black Holes (R Price)
• Understanding Our Universe: Current Status and Open Problems (T Padmanabhan)
• Receiving Gravitational Waves (P Saulson)
• Was Einstein Right? Confronting General Relativity with Experiments (C Will)
• Relativity in the Global Positioning System (N Ashby)
Beyond Einstein:
• Space-time in Semi-Classical Gravity (L Ford)
• Causal Sets and the Deep Structure of Space-time (F Dowker)
• Consistent Discrete Space-time (R Gambini & J Pullin)
• The Twistor Approach to Space-time Structures (R Penrose)
• Quantum Geometry and Its Ramifications (A Ashtekar)
• Space-time in String Theory (T Banks)

(via PhysicsWeb)