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Monday, December 26, 2005

Desmontagem política VIII

(cont.)

13. "Quando afirmas que durante a revolução industrial as classes operárias estavam a ganhar dinheiro, mereces nem sequer receber resposta."

Então para que te deste ao trabalho?

"Quer dizer, acho que passaste a defender o indefensável. Tu estás a defender a revolução industrial que toda ela assentava em mão de obra explorada."

Talvez o teu problema seja ler em português. Antes de mais, falar de uma época histórica não implica, de forma alguma, a sua "defesa". Estamos a falar de um período histórico, não de um golpe de Estado. É como se me estivesses a acusar de "defender a Idade Média". Por esta ordem de ideias, também me podes atacar por falar do período inflacionário do Universo, caso não concordes com a teoria.

É quase hilariante que me tenhas dito anteriormente que és pelo "socialismo democrático". Fizeste questão de assinalar, de forma demarcada, que rejeitas absolutamente qualquer regime totalitário. No entanto, apareces aqui com um discurso que podia ser perfeitamente marxista-leninista. Toda a Revolução (ao que sei, palavra sugerida por Engels) Industrial assentava em mão-de-obra explorada. Muito bem, o que é a exploração? Trabalho forçado sem pagamento ou com pagamento reduzido? Como, e quem, define qual é o pagamento? Eu utilizo o Blogger para publicar os meus textos - ou será que é o Blogger que me usa a mim para obter tráfego? Talvez seja isso. Mas atenção!, o Blogger não me paga - devo estar a ser explorado. A definição de exploração apenas faz sentido quando o trabalho é exercido contra a vontade da própria pessoa (ocasião em que a sua liberdade é violada) e a isso dá-se o nome de escravatura. Trabalhar para lutar por melhores condições e uma vida melhor deve ser respeitado. Não insultes os milhares de pessoas (incluindo muitas crianças) que ao longo da História da Humanidade trabalharam desde muito novas para poder sobreviver. Se, actualmente, os adolescentes não necessitam de entrar com tanta rapidez no mercado de trabalho, devem-no ao melhoramento dos mecanismos laborais que foram e são uma consequência directa da (muitas vezes restringida) circulação de bens e serviços, que é dizer, o mercado.

"Se uma pessoa sobrevivesse mais de 100 dias a trabalhar numa fábrica era uma sorte pois com a quantidade de acidentes de trabalho que ocorriam, o mais certo era morrerem num espaço de um mês. As crianças que trabalhavam nas minas e ingeriam uma quantidade enorme de substáncias tóxicas e as matava todas de doenças pulmonares passados uns anos. Enfim, eu poderia continuar mas acho que não é preciso. É verdade que as pessoas iam para as cidades trabalhar mas enganadas pelas mentiras que eram espalhadas."

Tens fonte para esse número de 100 dias? Fico à espera, mas vou esperando sentado porque as tuas estatísticas, até agora, aparecem sempre do nada. A tua ignorância histórica é fenomenal. Antes de debitares impropérios sobre a Revolução Industrial e as suas condições analisa, nem que por um segundo seja, a esperança média de vida no mundo antes desta. É isso - ver números, sabes o que é? Parece-me estranho que tantas crianças morram ao fim de 3 meses mas, ainda assim, a mortalidade infantil tenha caído tanto, assim como o número médio de anos que uma pessoa passou a viver subiu:

"Before 1750, chronic hunger and malnutrition, disease, illness, and early death were the norm, and it was not jut the masses who ate poorly

(...)

The second Agricultural Revolution beginning in the mid-eighteenth century, soon followed by the Industrial Revolution (first in England, then France, the U.S. and other Western countries), initiated and sustained the population explosion, lifting birth rates and lowering death rates.

(...)

This and other empirical evidence (Preston, 1995) reveal that for the world as a whole, it took thousands of years for life expectancy at birth to rise from the low 20s to around 30 years in the mid-18th century. Leading the breakaway from a past of early death and malnutrition, poor diet, chronic disease (e.g., chronic diarrhea; see Fogel 1994), and low energy were the nations of Western Europe. From Table 1 we see that by 1800, life expectancy in France was just under 30 years, and in Great Britain about 36, levels that China and India had not reached 100 years later. By 1950, life expectancy in England and France was in the high 60s, while in India and China it was only about 40."

A tabela não deixa dúvidas. A esperança média de vida, antes da Revolução, era entre os 20-30 anos no Reino Unido. Em meados do séc. XIX, ainda os primeiros efeitos da introdução da máquina a vapor se sentiam, era já de 36 anos. Em 1950, a esperança média de vida tinha quase dobrado! É possível comparar com países não-europeus para que possas ver o efeito em países que não sofreram estes avanços técnicos. Mais dados, da mesma fonte:

"In the period before 1750, surviving childhood was problematic. Infant mortality was high everywhere; depending on time and location, between 20 to 25 percent or more of babies died before their first birthday. By the early 1800s, infant mortality in France, and probably England, had dipped below the 20 percent level, rates not reached in China and India and other low income, developing nations until the 1950s. For Europe, North America, Australia, and New Zealand, this rate is now under one percent, but remains at 4 percent in China, 6 percent in India, and 9 percent in Africa (World Resources Institute 1999 and UNDP 2000)."
A Revolução Industrial não foi um ponto do tempo, foi um período histórico que afectou profundamente os séculos XIX e XX. Não sejamos ingénuos ao ponto de pensar que apenas afectou as condições dessa dada altura. Toda a possibilidade da produção de medicamentos em massa, os métodos de produção e fertilização agrícola, os meios de transporte, etc. Se não fossem todas estas evoluções, não estaríamos aqui os dois a falar por intermédio de um computador, cujos componentes são fabricados em série, reduzindo dramaticamente o seu preço, o que os torna cada vez mais acessíveis a todas as camadas da população. Qualquer pessoa realista é forçada a ler os números que correspondem ao PIB per capita (britânico, por exemplo):

"Because a rise in real income was precisely what made England's transformation "revolutionary," it would seem that, by definition, the industrial revolution led to a rise in the standard of living. According to the estimates of economist N. F. R. Crafts, British income per person (in 1970 U.S. dollars) rose from $333 in 1700 to $399 in 1760, to $427 in 1800, to $498 in 1830, and then jumped to $804 in 1860. (For many centuries before the industrial revolution, in contrast, periods of falling income offset periods of rising income.) Both sides in the debate accept Crafts's estimates. But if the distribution of income became more unequal and if pollution, unemployment, and crowding increased, the real incomes of ordinary people could have fallen despite the rise in average income.

If significant economic growth is sustained over a century or so, the only way the poor become worse off is if inequality increases dramatically. Crafts's estimates indicate that real income per person doubled between 1760 and 1860. Therefore, the share of income going to the lowest 65 percent of the population would have had to fall by half for them to be worse off after all that growth. It didn't. In 1760 the lowest 65 percent received about 29 percent of total income in Britain; in 1860 they got about 25 percent. So the lowest 65 percent were substantially better off. Their average real income had increased by over 70 percent."

Não fiques a pensar que andei muito tempo à procura de dados para te refutar. Esta foi a primeira ligação que me apareceu na primeira página do google. Basta, mais uma vez, conhecer a História para não andar por aí a dizer disparates. Já te tinha citado Johan Norberg, e volto a citar e a recomendar a totalidade do artigo, o qual pareces ter completamente ignorado:

"Karl Marx explained that capitalism would make the rich richer and the poor poorer. If someone was to gain, someone else had to lose in the free market. The middle class would become proletarians, and the proletarians would starve. What an unlucky time to make such a prediction. The industrial revolution gave freedom to innovate, produce and trade, and created wealth on an enormous scale. It reached the working class, since technology made them more productive, and more valuable to employers. Their incomes shot through the roof.

What happened was that the proletarians became middle class, and the middle class began to live like the upper class. And the most liberal country, England , led the way. According to the trends of mankind until then, it would take 2 000 years to double the average income. In the mid-19th century, the British did it in 30 years. When Marx died in 1883, the average Englishman was three times richer than he was when Marx was born in 1818.

The poor in Western societies today live longer lives, with better access to goods and technologies, and with bigger opportunities than the kings in Marx’ days."

Lembras-te daquela ligação que te dei quando falava dos números da população mundial? Sim, essa que, mais uma vez, tu não deves ter lido. Ao ler nessa mesma página, cujo objectivo era apenas falar sobre os números da população, encontrei esta misteriosa frase:

"World population expanded to about 300 million by A.D. 1 and continued to grow at a moderate rate. But after the start of the Industrial Revolution in the 18th century, living standards rose and widespread famines and epidemics diminished in some regions. Population growth accelerated. The population climbed to about 760 million in 1750 and reached 1 billion around 1800 (see chart, "World population growth, 1750–2150,")."

Fico com a sensação de que o que te causa a revolta é a mortalidade em si e os perigos associados à vida. Nesse caso, aconselho-te a mostrar a tua revolta perante todos os períodos anteriores à Revolução Industrial, quando as pessoas tinham uma esperança média de vida ainda menor. Podes ser "contra" a Idade Média, o Império Romano, as civilizações neolíticas... em última análise, podes ser contra a vida em si mesma, é ela que causa o problema. Ou podes sempre ser contra a Peste Negra, que dizimou 1/3 da Europa.

Só morre quem já viveu. Só morre a trabalhar quem já trabalhou. Tem sido sempre assim ao longo da nossa História. A evolução civilizacional (como o período histórico que foi catalisado pela Revolução Industrial) permitiu que as chances de morrer fossem mais diminutas e a mortalidade infantil caísse de forma vertiginosa. E esta evolução, ao contrário do que seria agradável pensar, não se deve ao cumprimento de leis, mas sim à acumulação de riqueza suficiente que permite às pessoas preservar a sua sustentabilidade e encontrar formas mais fáceis de lutar por condições mais apropriadas.

Gostava de te recomendar dois artigos do João Miranda no Blasfémias:

"Falácia da perfeição: comparar um sistema real com a sua alternativa ideal.

Exemplo: O mercado tem falhas que devem ser corrigidas pelo estado.

Neste exemplo, reconhece-se que um determinado sistema (o mercado) é imperfeito. Propõe-se a subsistituição desse sistema por outro (o estado) sem se cuidar de saber se este novo sistema não tem ele próprio falhas. O problema da solução proposta está precisamente em se tentar substituir um sistema com falhas por outro que tem ainda mais falhas. A falácia resulta da incapacidade dos seres humanos para aceitarem que este mundo é e sempre será imperfeito.

(...)

Outro exemplo: os homens são imperfeitos, por isso precisamos de governos para os controlar.

O erro está em considerar que os homens em geral são maus, mas, por milagre, os homens que formam os governos são bons e por isso podem controlar os outros."

Não sei se entendes onde é que as tuas afirmações se cruzam com esta falácia mas eu explico: é que insurgir-se contra a Revolução Industrial porque as pessoas viviam em más condições é abstruso. A argumentação começa por afirmar que há más condições, logo, é mau. Até aí concordamos. O problema são as conclusões que cada pessoa retira sendo que, no teu caso, és "contra". Eu não a vejo como uma coisa má porque foi melhor do que deixar toda aquela gente em condições ainda mais deploráveis e, com a sua acção, foi possível aperfeiçar e muito, estas mesmas condições a longo-prazo. A tua conversa assemelha-se às pessoas que são contra o trabalho infantil em países subdesensolvidos, ignorando completamente que se estas crianças não trabalharem, a sua subsistência estará ainda em maior risco. Mais uma vez, redirecciono-te para um estudo aqui já publicado. Não existem mundos perfeitos. A única coisa que se pode fazer é deixar que este se desenvolva livremente para pôr cada vez mais um fim a problemas que se vão tornando progressivamente mais insignificantes.

14. "Quanto aos EUA, consideras-me anti-americano. A única coisa que eu me considero contra é a Injustiça (não me venhas outra vez com tretas de crenças e místicas)."

Alguém que afirma, peremptoriamente, o seguinte:
"Revolução industrial, classes operárias a serem exploradas. Bomba-relógio a explodir... Mais tarde ou mais cedo irias ter as classes mais baixas a se revoltarem e como travas isto? Pela força? Tal como fazem os EUA com toda a gente que não concorda com eles?"

Está à espera de ser visto como quê? Totalmente pró-anericano? Quem fez a generalização foste tu. Terias de justificar o que queres dizer com "toda a gente" e o âmbito de "os EUA". Não esperes que eu interprete um sentido contrário daquele que está claramente expresso nas tuas frases.

Eu também sou contra a injustiça. Aliás, é por ser contra a injustiça que te estou a responder, caso contrário, nem me daria ao trabalho. Não sei a que te referes com as crenças e místicas mas esse departamento pertence à Church of the Flying Spaghetti Monster.

"Tal e qual como Portugal. Orgulho-me de pertencer ao primeiro país do mundo a abolir a pena de morte e a escravatura. Não me orgulho de pertencer a um país responsável pelo massacre de tribos de índios."

Queres fazer um exercício inútil de retórica para compreender a facilidade da tua relativização simplificadora? Vamos imaginar que eu digo o seguinte: "Sooner or later, you would have the indian tribes fighting against you. And how do you stop it? As Portugal did with everyone they didn't agree with?"

Então, qual é a sensação de imaginar um americano a dizer isto? Não me parece que alguma vez tenhas discutido História Universal com estrangeiros, principalmente europeus. Este assunto surge quase sempre (ler La Leyenda Negra) e os portugueses (o país em si, as gerações actuais) acabam por levar por tabela. A generalização é sempre simpática, especialmente quando envolta em ódio visceral. Por isso, vê se tens mais cuidado com as generalizações que fazes (se queres ser correctamente interpretado), especialmente quando, afinal de contas, não as querias fazer.

(cont.)

Friday, December 23, 2005

É Natal





Christmas Eve in Sarajevo (.wma) 3:31 min.

Trans-Siberian Orchestra

Pensamento do dia

Lembro-me perfeitamente de que, quando via Paulo Portas associado a qualquer símbolo nacional, várias pessoas que me rodeavam não conseguiam evitar uns comentários quaisquer relativos ao fascismo e às suas evidentes relações com o patriotismo e o nacionalismo. Há uns anos atrás, uma pessoa não podia sequer dizer qualquer coisa de boa relativamente a Portugal, sem ser imediatamente olhada como se fosse um defensor de Mussolini. Quero dizer, de Salazar. Eu gosto d'A Portuguesa. "És mesmo fascista!", saltava logo alguém. A nossa bandeira é bastante bonita, já reparaste? "Fogo! És fascista?". A única coisa que escapou a esta ceifada foi mesmo a Selecção Nacional, a qual é natural apoiar. Até mesmo falar da História de Portugal com um certo orgulho, da cultura portuguesa com um certo interesse nato, da etnografia com uma certa identificação, era suspeitamente mal visto. Falar de uma genética portuguesa não era porque as pessoas não sabiam o que era a genética.

Quando tinha talvez uns 5 ou 6 anos (foi há umas semanas atrás, como é óbvio), uma vez, comecei a cantarolar o hino nacional no carro dos meus pais. A minha mãe virou-se para o meu pai e disse, achando a situação muito graciosa, "já viste como ele é fascista?". Eu não percebi muito bem se o comentário era um elogio mas pela cara da minha mãe, assumi que sim. E, afinal, até era mesmo.

Estas coisas não aconteciam apenas cá fora, na vida quotidiana. Os comentadores da comunicação social também não deixavam de associar imediatamente qualquer símbolo nacional exposto com ideologias fascistas. Mesmo assim, há uns dias, vi Jerónimo de Sousa e militantes do PCP todos felizes e alegres a cantar o hino nacional, de forma muito patriótica, como se estivessem até comovidos. Ninguém os chamou de fascistas. Os portugueses já não são o que eram? Já não gostam de insultar e chamar nomes? Ao menos que os chamassem de comunistas, eu já ficava contente.

A todos os meus leitores



Desejo um Feliz Natal

Wednesday, December 21, 2005

Spin não-presidencial!

O Jet Propulsion Lab (NASA/Caltech) diz:

Partial Ingredients for DNA and Protein Found Around Star

NASA's Spitzer Space Telescope has discovered some of life's most basic ingredients in the dust swirling around a young star. The ingredients - gaseous precursors to DNA and protein - were detected in the star's terrestrial planet zone, a region where rocky planets such as Earth are thought to be born.



O Diário Digital diz, no título da notícia (que foi copiado para o Sapo):

Spitzer detecta vestígios de ADN a 375 anos-luz da Terra

Escusado será dizer, quase tive um enfarte do miocárdio.

EUA e Suécia

O modelo social americano

(...) "O jornal espanhol El Mundo publicou em 1 de Setembro um extenso trabalho sob o título "A pobreza dispara nos Estados Unidos". Os dados apresentados são do departamento de impostos. Nos Estados Unidos, esclareça-se, todos os maiores de idade são obrigados a tornar-se contribuintes, ainda que na declaração anual de rendimentos fiquem isentos de impostos. O ano fiscal abrange o segundo semestre de determinado ano e o primeiro do seguinte. De modo que, geralmente no mês de Agosto, tornam-se públicos os dados relativos à distribuição da população segundo faixas de rendimentos.

As famílias com rendimentos inferiores a 20 mil dólares anuais formam um grupo à parte por uma razão que o trabalho mencionado omite. São beneficiárias de um programa de rendimento mínimo, financiado pela Segurança Social, fundo constituído com contribuições obrigatórias universais. As famílias que não alcançam esse patamar recebem, do mencionado fundo, a correspondente complementação. Têm ainda acesso à assistência médico-hospitalar mantida pelo programa denominado Medical Care, mencionado no trabalho de El Mundo, mas de molde a minimizar o seu significado.

No exercício fiscal 2004-2005, as famílias com rendimentos inferiores àquela quantia corresponderam a 12,7 por cento da população. O autor do texto não se dá conta da real magnitude dos números com que está a lidar e, ainda que efectue a conversão em euros (pouco menos de 16 mil; mais ou menos 1350 mensais), tenta apresentar o quadro como se correspondesse à situação de indigência. Tanto nos Estados Unidos como na Europa, rendimentos de 1350 euros mensais de modo algum configuram situação de indigência. Mais grave é a suposição de que a Social Security equivaleria ao Welfare europeu." (...)

António Paim, Professor de Ciência Política (in Público) [sem ligação]

(via Biblioteca de Babel)

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Sweden: Poorer Than You Think


One of the enduring myths of the "Third Way" welfare state is that a nation as a whole can have a high standard of living--even if no one really has to work--as long as government transfers massive amounts of wealth from those who are well off to those who are less well off. For the past four decades, we have been inundated with news stories, books, and public commentary, all of which have exhorted us to be like Sweden.

The Swedes, we have been told, enjoy free medical care, generous welfare benefits, time off from work, and subsidies for just about everything. When one counters that Swedes pay enormously high taxes, the standard reply is, "That is true, but look at what they receive for their payments."

According to a recent study, however, the cat is out of the bag. Relative to household in the United States, Swedish family income is considerably less. In fact, the study concludes, average income in Sweden is less than average income for black Americans, which comprise the lowest-income socioeconomic group in this country.

The research came from the Swedish Institute of Trade, which, according to Reuters, "compared official U.S. and Swedish statistics on household income as well as gross domestic product, private consumption and retail spending per capita between 1980 and 1999."

The study used "fixed prices and purchasing power parity adjusted data," and found that "the median household income in Sweden at the end of the 1990s was the equivalent of $26,800, compared with a median of $39,400 for U.S. households." Furthermore, the study points out that Swedish productivity has fallen rapidly relative to per capital productivity in the USA.

(...)

While people can debate the present condition of Swedes in Stockholm versus blacks in Harlem, there is a deep issue here that people seem to forget when it comes to welfare states: they are destructive at their roots. Advocates of welfarism concentrate only upon distribution while vilifying production. Such a state of affairs cannot go on forever as governments are forced to cannibalize their own capital structure over time in order to make the system to continue to work.

(...)

While they prattle on about their moral superiority and their egalitarianism, however, something else is happening. They are slowly becoming poorer and poorer, and the welfare state cannot save them. It can only accelerate their downward slide.

Tuesday, December 20, 2005

Governo, IST e MIT



Já não me deixa surpreendido, creio eu, ouvir que o governo ou o Estado, em geral, tem como objectivo promover a cultura e a educação da população. Não sei quem é que hipnotizou toda esta camada extensa da sociedade para que possam acreditar em todas essas balelas. Talvez tenha sido o próprio Estado - ou existe alguma outra razão para apoiar as escolas públicas e a definição dos conteúdos programáticos por parte do Ministério da Educação? - a incutir toda esta confiança cega. Os governantes até tomaram o cuidado extremo de tornar a escolaridade obrigatória de forma a certificar-se que ninguém lhe possa escapar legalmente. Ocupou-se igualmente de educar todos a pensar que "alguém sem educação [secundária/superior] nunca será ninguém na vida". É certo, quando um estudante abandona o ensino escolar, grande parte da comunidade passa a vê-lo como uma espécie de marginal que não deseja trabalhar e que será relegado para os recônditos do gueto mais próximo. Não me irei alongar acerca deste assunto porque não é o âmbito deste artigo; ficará para outra ocasião.

Através d'O Insurgente (notícia que também pude ler no Bodegas), tive conhecimento ontem de que o Massachusetts Institute of Technology (esse mesmo, outro produto do capitalismo selvagem americano) deseja estabelecer um pólo de investigação em Portugal. A notícia não refere exactamente que tipo de investigação seria esta mas presumo que seja sobre um ramo de engenharia. A fracção relevante incide sobre estes pequenos pedaços que dizem quase tudo:

A entrada do Massachusetts Institute of Technology (MIT) em Portugal pode estar em risco devido a divisões no interior do Governo relativamente ao Plano Tecnológico.

(...)

o reitor da UNL, Leopoldo Guimarães, revelou ao jornal que as negociações estão cada vez mais difíceis.

As negociações já deveriam estar fechadas há cerca de um mês, mas até ao momento nenhuma decisão foi anunciada.

Uma das exigências colocadas pelo instituto norte-americano é que o MIT possa recrutar investigadores junto de todas as universidades nacionais, hipótese que não agrada a alguns elementos do Executivo.

Estes defendem que seja apenas uma universidade portuguesa, nomeadamente o Instituto Superior Técnico (IST), a deter a exclusividade da parceria com o MIT.

Por uma razão que ninguém entende, o governo insiste em complicar negociações que envolvem as universidades portuguesas e o Massachusetts Institute of Technology (MIT para os amigos). Este deseja, com toda a naturalidade, poder recrutar investigadores de mais do que uma instituição.

Que razões podem existir para tal comportamento insano?

1. O Estado português não quer saber da inovação tecnológica portuguesa. Não se preocupa com qualquer género de desenvolvimento científico que possa ser produzido em Portugal, para benefício dos portugueses e dos seus investigadores locais. A intenção do governo é puramente destruir cada vez mais as oportunidades e possibilidades de avanço da economia portuguesa.

2. O Estado português fez um contrato informal e interno com o IST para que uma parte dos fundos dirigidos à instituição seja recambiada para as contas pessoais dos governantes. Isso explicaria o porquê da exigência na exclusividade.

3. O Estado português acredita no mI(S)To - trocado por miúdos - o mito do IST. Todos os bons alunos de ciência e engenharia vão para o IST. Todos os melhores estudantes são do IST. Todos os melhores programas de estudos para estas áreas são do IST, assim como os professores. Se os investigadores não forem do IST, não há futuro risonho à sua frente e é melhor que se preparem para uma carreira medíocre como electricistas numa companhia qualquer que também emprega ucranianos. Nesta versão, entende-se porque é que o governo parece nem sequer considerar a existência de outras universidades locais que também atraem estudantes (Lisboa, Nova de Lisboa, Coimbra, Porto, Aveiro...).

4. O Plano Quinquenal, perdão, Tecnológico do governo socialista é uma cagada total. Consiste apenas em mais uma técnica mascarada para continuar a sugar dinheiro dos contribuintes, com o apoio de grande parte deles. A maioria dos estudantes, investigadores e professores acha muito bem porque concordam com o slogan de mais dinheiro para "educação, inovação e desenvolvimento". No entanto, a maior fatia deste dinheiro nunca chega nem aos professores, nem aos estudantes, nem aos investigadores. A única coisa que se vê são políticos e governantes em carros de luxo e seus respectivos fatos e gravatas. Um político que se preze deve andar sempre aprumado e com uma imagem respeitável. Minimamente suspeito...

5. Possível pensamento: O MIT é uma instituição americana. Quem é que eles pensam que são, hein?! Lá porque são americanos vêm para aqui mandar em nós? Ai o raio dos americanos, que vão para a não-sei-quantas da mãe deles... ou fazem o que nós queremos, ou não há festa para ninguém. Respect! Nós somos portugueses mas não é por isso que somos inferiores. Se querem entrar em Portugal, têm de baixar a bolinha e obedecer-nos.

6. Outro possível pensamento: Há que proteger os interesses nacionais (ler, interesses do Estado) e o interesse nacional é não ter o MIT a competir pelos melhores alunos/investigadores com as universidades portuguesas, já que os absorveriam para os mercados internacionais, especialmente o americano. É melhor que façamos exigências muito fortes para que eles não aceitem o acordo e acabem por desistir da utilização do pólo de investigação. Qualquer introdução do MIT no mercado português é altamente prejudicial porque apenas o MIT ganha com isto e nem sequer os podemos ter sobre o nosso jugo.

7. E ainda outro: Há que estudar o impacto ambiental da entrada do MIT em Portugal. Eles são americanos e não se preocupam com o ambiente. Se tiverem acesso a alunos de todas as universidades, não tarda nada, estarão a tentar construir um outro pólo com ligações industriais que irão, obviamente, prejudicar o meio ambiente. Se querem matar a Natureza, que a vão matar lá na terra deles! É melhor restringir-lhes as possibilidades de crescimento em Portugal.

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O que é que Portugal ganha ou perde, realmente, com tudo isto? Quais são as consequências mais evidentes? Se o MIT tivesse possibilidade de recrutar estudantes para o seu centro de pesquisa, Portugal ganharia pessoas com uma melhor formação técnica e uma probabilidade ainda mais ampla de aproveitamento das suas capacidades. Estas pessoas, per se, teriam acesso a mais oportunidades de investigação, mais créditos atribuídos à sua carreira e ofertas de emprego mais vantajosas, possivelmente, em boas universidades no estrangeiro onde pudessem continuar a fazer pesquisa de alto nível e onde recebessem salários mais elevados, que realmente reflectissem a qualidade do seu trabalho. Portugal ganharia maior renome internacional por ter a capacidade de formar técnicos de calibre. O próprio investimento do MIT em Portugal é vantajoso porque Portugal iria beneficiar em primeira mão das tecnologias que fossem desenvolvidas em solo português, podendo ter um acesso mais facilitado do que se necessitasse de as importar de um país estrangeiro. Igualmente, ao investir em Portugal, maiores fluxos de capital passariam a circular, gerando mais riqueza e mais (e melhor) emprego. A escalada dos níveis de desemprego entre os recém-licenciados não seria, também, tão elevada.

Tendo um colosso do tamanho do MIT a actuar em Portugal, as universidades portuguesas seriam necessariamente forçadas a subir o seu nível de qualidade para que os estudantes não se atropelassem mutuamente para conseguir trabalhar no(s) pólo(s) do MIT, desprezando completamente todas as outras oportunidades. Para conseguir atrair estudantes, a qualidade de ensino e de investigação teria de se tornar mais atraente, de tal maneira que pudesse estar minimamente a par da míriade de chances disponibilizada pelo MIT.

Optando por interferir em algo que deveria ser apenas determinado pelo contrato entre a instituição americana e os conselhos directivos/executivos das univerisdades portuguesas, o Estado revela, mais uma vez, a sua verdadeira natureza. Coloca um travão na liberdade de escolha dos cidadãos, impede o investimento, o desenvolvimento económico e científico, limita as oportunidades de sucesso dos seus contribuintes, retira-lhes os benefícios de mercado e usa o dinheiro gerado por estes para acabar por tomar uma decisão que só os prejudica. É vergonhoso mas, infelizmente, há muita gente que apoia tudo isto ou ainda pensa, de forma extremamente naïf, que o Estado existe para ajudar e financiar os projectos relacionados com o conhecimento e a cultura.

Ao cuidado dos Louçãs deste mundo

Quando há um acontecimento qualquer que possa ser condenável, sempre aparece um dirigente do Bloco de Esquerda, completamente indignado com o sucedido, como se os demais não o estivessem. Os vergonhosos acontecimentos de Abu Ghraib são um caso bastante ilustrativo. O mais extraordinário é que toda esta gente que repentimente se revolta, apontando uma clara violação dos direitos humanos, grita mais alto se o autor de tal atentado for um americano ou um inglês.

Há uma coisa que estas sábias e doutas personalidades ainda não entenderam. Criminosos há em todo o lado. O crime é algo que não se consegue eliminar apenas pela existência das leis. Se assim fosse, estas não teriam qualquer necessidade de existência. Surpreendentemente, estas notícias tornam-se num escândalo. Fazem capas de jornal por todo o mundo e mostram-se como notícias de abertura por telejornais em diversos países. Durante todos estes anos, não consigo recordar uma única vez que um jornal português tenha tido como 1ª página os crimes pútridos cometidos durante o regime de Saddam Hussein. Não consigo lembrar-me sequer de telejornal algum que tenha mencionado isso como peça de divulgação. A transmissão desta informação aos cidadãos fica ao cargo de uns poucos comentadores que estão melhor informados e julgam ser necessária a posse do conhecimento destes dados para daí retirar conclusões sensatas.

Para toda esta gente que mantém duplos critérios, fica uma notícia que não faz as capas de jornais porque não é relevante. Não abre telejornais porque não é um escândalo.

Maus tratos a prisioneiros iraquianos

Soldados norte-americanos condenados a penas de prisão


Cinco soldados norte-americanos confessaram-se culpados de maus tratos a detidos iraquianos e foram condenados a penas que vão de um a seis meses de prisão.

(...)

Dois dos militares confessaram a autoria de "crueldades e maus-tratos" e vão ser expulsos do exército, depois do cumprimento das respectivas penas.

"A Força Multinacional do Iraque encara muito seriamente as acusações de maus tratos. Cada uma das acusações é alvo de inquérito minucioso e medidas adequadas serão tomadas face aos resultados das investigações", garantiu o exército norte-americano em comunicado.


Aqueles que insistem, constantemente, em gritar a "invasão" ao Iraque fazem da constituição iraquiana uma efemeridade menor. Menosprezam o direito de voto adquirido. Auguram futuros desastres e catástrofes que se sucederão, colocando ainda mais a nu a hecatombe que foi a "invasão" do Iraque. Para essas pessoas, ainda sem compreender a diferença entre democracia e tirania pura, aqui fica uma frase de Tony Blair, proferida em Janeiro deste ano:

The difference between democracy and tyranny is not that in a democracy bad things don't happen. But that in a democracy, when they do happen, people are held and brought to account. And that it what is happening under our judicial system.

Monday, December 19, 2005

Desmontagem política VII

(cont.)

9. "Quando afirmo que o modelo liberal aumenta o foço entre ricos e pobres acho muito curioso que acuses isso de ser pura propaganda política. Mas já vi que não te vou conseguir convencer do contrário."

Sabes como é. Ter uma mentalidade científica implica trabalhar com dados experimentais e relacioná-los com as teorias (ou formular as nossas próprias). Que chamarias tu a uma teoria política que discorda dos resultados observados? Ou é uma religião ou é propaganda política. Também há a possibilidade de que seja ambas as coisas em simultâneo.

10. "No entanto, gostaria de focar apenas umas quantas questões que me levam a optar por um modelo social-democrático como o que existe, por norma, na Europa. As melhores Universidades estão sob a alçada do Estado. É certo que isto traz despesas, mas pelo menos asseguras a possibilidade de uma boa educação à maioria da população. Um serviço de saúde público, garante que toda a gente tem acesso a um Hospital quando precisar. Ao contrário do que acontece nos EUA que se te estiveres a esvaziar em sangue à frente de um hospital, mas infelizmente, não tens um seguro de saúde decente, da porta não passas. Estes são dois exemplos, mas poderia apontar-te muitos mais."

Se eu te der a escolher entre um sumo de laranja com 90% de água e outro com 80%, qual deles é o de melhor qualidade? O de 80%, evidentemente. Isso não significa que ele seja bom mas apenas que é o melhor. Assim sendo, que universidades europeias que estejam sobre a alçada do Estado são mesmo boas? E não vale a pena mencionar universidades britânicas porque o sistema é distinto do continental, para além da origem das universidades ser privada. A propósito deste mesmo assunto já Tony Blair (atenção: líder do Labour Party) tinha dito no Parlamento Europeu, em Junho deste ano, que:

"First, it would modernise our social model. Again some have suggested I want to abandon Europe's social model. But tell me: what type of social model is it that has 20m unemployed in Europe, productivity rates falling behind those of the USA; that is allowing more science graduates to be produced by India than by Europe; and that, on any relative index of a modern economy - skills, R&D, patents, IT, is going down not up. India will expand its biotechnology sector fivefold in the next five years. China has trebled its spending on R&D in the last five.

Of the top 20 universities in the world today, only two are now in Europe."

As duas universidades a que Tony Blair se refere são, evidentemente, Oxford e Cambridge. Escusado será dizer que, exceptuando as universidades britânicas, nenhumas outras se encontram ao mesmo nível. Ele não estava a inventar aqueles números. Uma rápida pesquisa no google revela dois rankings internacionais. Num deles, realmente, das 20 melhores universidades do mundo, 17 são norte-americanas, 2 são europeias (Oxbridge) e 1 é japonesa. Podemos até alargar os nossos números até às 40 melhores universidades do mundo até encontrarmos uma que seja da UE, sem ser britânica. Neste outro ranking, teriamos de contar as 60 melhores universidades do mundo até encontrar uma da UE não-britânica. O Times, no seu suplemento sobre ensino superior, refere também a sua classificação:

"American institutions occupied seven of the top ten places, with Oxbridge the highest-ranked outside the United States.

London's position as a centre of global educational significance was confirmed with four institutions in the top 50. The London School of Economics was 11th, Imperial College 14th, University College London 34th, and the School of Oriental and African Studies 44th.

The only European university outside Britain in the top 20 was the Federal Institute of Technology in Zurich, Switzerland, in tenth place.

(...)

France, by contrast, managed just two universities in the top 50, with the École Polytechnique in 27th place and École Normale Supérieure 30th. Heidelburg University, in 47th place, was Germany's only entry, one fewer than Hong Kong.

Britain was home to 18 of Europe's top 50 universities, and six of the top ten, but not a single institution from Spain, Portugal, Italy or Greece made the list. The United States had 62 of the top 200 universities, followed by Britain with 30, Germany 17 and Australia 14."

Eu entendo que seja frustrante ver isto mas, sinceramente, não me parece que a sensação das pessoas seja muito diferente da realidade expressa nestas tabelas. Qualquer pessoa minimamente informada sobre o meio académico conhece Harvard, Cambridge, Oxford, Stanford, MIT, Imperial College, Caltech, Princeton, etc. Não me parece que conheçam muitas universidades da Europa continental, excepto as históricas. Na entrada anterior, esqueci-me de mencionar isso mas até fora da notada Ivy League, universidades como o MIT, Stanford e Caltech são...privadas. Universidades que tenham mais calibre do que estas, é difícil de encontrar. E são americanas.

Quanto aos serviços de saúde americanos, não sei a que te referes mas aconselho-te a deixares de fumar essas coisas porque te fazem mal. Tanta conversa à Bloco de Esquerda está a fritar-te a mioleira. O governo federal americano gasta a mesma percentagem do PIB na saúde que o governo português, que é por volta de 6,6%, como o RAF referiu aqui. Não inventámos a estatísticas, fazem parte do Human Development Report 2005. Antes que me dês mais "exemplos", aconselho-te a leres este livro. Foi escrito precisamente para gente que pensa à Michael Moore (ou que verdadeiramente acredita no que ele diz). O sistema americano de saúde público tem, por exemplo, o Medicare e o Medicaid, por isso a tua crítica não faz sentido. Nem sequer faria se não existissem estes serviços. Apenas demonstras que não consegues conceber o funcionamento de uma sociedade sem a existência de um Estado que controla e coordena.

11. "Não acho, que a igualdade social só pode ser atingida em países onde todos são igualmente pobres. A igualdade social quase que é, no meu entender, hoje atingida na Europa. Com mais uns anos, vencer-se-ão as últimas barreiras e qualquer pessoa que nasça terá as mesmas oportunidades que outra pertencente a uma classe mais abastada. Note-se que defendo igualdade social, o que é diferente de igualdade de posses."
Não é uma questão do que tu achas. É uma questão de factos. Atingir a igualdade de rendimentos só é possível em países pobres. No entanto, já me disseste que não favoreces uma igualdade de rendimentos mas sim uma igualdade social. Não vejo qual é a diferença entre as duas. Se te referes a uma igualdade de oportunidades, essa também é impossível de atingir, mas por razões naturais. E, ainda que fosse, estaríamos muito longe de a atingir na Europa. Países com taxas de desemprego elevadas, preços altos e cargas fiscais enormes muito dificilmente podem oferecer qualidade de vida significativa ao contrário de outros, mais ricos (devido à troca livre de bens e serviços), onde as taxas de desemprego são inferiores e as oportunidades se multiplicam. Se por igualdade social, entendes dificuldades gerais em sobreviver, então sim, estamos a atingir uma igualdade social muito acentuada. Cada vez há mais pessoas na mesma situação por toda a Europa. Falta só um bocadinho mais de repressão para ultrapassarmos essa barreira.

12. "Quanto aos números que apontas em comparação da Suécia aos EUA, apenas posso dizer que esse estudo parece-me altamente tendencioso. De facto, é verdade que nos EUA há muito mais riqueza que na Europa. Mas há também uma percentagem maior de sem-abrigos, pessoas a viver no limiar da pobreza, enfim... Aconselho-te vivamente a reveres esses números. Não é por nada que a qualidade de vida na Suécia, assim como na Dinamarca, Holanda, França, Alemanha e mais países Europeus é largamente superior à dos EUA."

É o que todos vocês dizem quando confrontados com os dados estatísticos e a correlação entre eles. Querem acreditar tanto num ideal de sociedade socialista (casi-)perfeita que até negam a realidade. Eu não tenho de rever números nenhuns. Se alguém tem de rever alguma coisa és tu porque nem pareces ter sequer lido o estudo que te indiquei - os dados estão lá para ser assimilados, embora a ideia nem sequer fosse comparar os EUA com a Suécia mas sim com os estados europeus em geral - e devias, de acordo com aquilo que tens estado a defender, refutá-lo com argumentos lógicos ou dados estatísticos que comprovem aquilo por que te bates. Dizer-me a mim para "rever esses números" é uma posição de arrogância intelectual. Assumes a priori que tudo está errado (ou melhor, é "tendencioso") e dizes-me a mim, que te apresentei os dados, que os reveja. Estamos a discutir um assunto com dados e factos ou histórias da carochinha?

Relativamente aos países nórdicos, nem deveria necessitar de fazer esclarecimentos, já que o tenho feito mais do que uma vez aqui. No entanto, mais uma vez, é premente, por força, voltar a esclarecer o assunto. Um documento recente do Institute of Economic Affairs, assinado por um sueco, reza o seguinte:

"Sadly for these journalists — and for Sweden — their descriptions couldn’t be further from the truth. Yet their descriptions are quite typical: few comprehend the full scope of the problems with the Swedish welfare state.

First, unemployment is not at all low. The official rate stands around 6 percent, which is just above normal for a market economy. But according to the trade unions, which are intimately connected to the Social Democratic government, the real — and hidden — level of unemployment rises above 20 percent. Out of a population of nine million people, over one and a half million healthy Swedes have chosen not to enter the labour market and live on welfare instead.

The Swedish labour market is rigid and regulated, and the real significance of the ‘magic’ pact between the state, employers, and the workforce to which The Guardian refers is an order where the state takes away every right from the employer and gives those rights to his or her employees instead. Companies do not dare to hire new staff; because of labour legislation, it is impossible to get rid of them. There is no doubt that this is a major reason for Sweden’s mass unemployment.

And second, while Sweden’s growth (around 3 percent) is above the European average, it is still relatively low. If Sweden were a state in America today, it would be the fifth poorest. Even more, the total tax pressure is 63 percent."

Se, no entanto, estiveres interessado num estudo comparativo, porque os países nórdicos têm vindo a desmantelar o seu Estado Social de décadas anteriores, volto a referir aqui um estudo que havia sido publicado pela Timbro, um think tank sueco (tendencioso, não?) acerca da evolução do modelo escandinavo e da idolatria da qual geralmente é alvo:

"Few social experiments have caught the imagination of politicians and students of political economy like the ‘Swedish model’. To successive generations of the centre left searching for their own “Third Way” Sweden was something of a paradise. This exotic Nordic country was a kind of real-life Utopia, an idyllic country, full of beautiful people with a Social Democratic government which worked, a nation combining high rates of economic growth with unprecedented levels of equality. This was a view largely shared by the Swedes themselves. For 50 years or so after the 1930’s, it really appeared that you could have it all, a high rate of growth, low levels of unemployment and an unparalleled system of social welfare. But the Swedish model was not to survive the challenges that new times and its own development were to raise. At the beginning of the 1990’s, after almost two decades of increasing problems, the Swedish Model collapsed. A difficult time of high unemployment and fiscal crisis became the everyday reality of the Swedes. This was a mortifying experience for a people that for many decades had known nothing of that kind. Confusion was widespread, but even the Swedish clouds have a silver lining. In the middle of the deepest crisis the country had experienced since the beginning of the 1930’s, rethinking and reappraisal ensued. This was the start of a quite amazing process of change that is transforming Sweden, leaving behind the old monopolistic tutorial state1 and opening the gates to a welfare society in which the state is no more the patronising state of the past but what I would like to call an enabling state, open to civic initiatives, individual choice, and cooperation with the private sector."

O estudo é longo - tem dezenas de páginas - mas é altamente recomendado a todos os que continuam a cantar despreocupadamente a superioridade do modelo nórdico, que se vai despedaçando por si próprio. (Disponível também em castelhano, se mais apropriado). Uma rápida análise das economias finlandesa, dinamarquesa e islandesa permite também entender que nos últimos anos todas estas têm sofrido remodelações muito fortes ao nível das condições de mercado (de resto, como a própria Irlanda), segundo o caminho da desregulação do mesmo, privatização de sectores públicos, redução de impostos (casos extremos, como o escalão máximo de IRS, que era de 59% na Dinamarca e passou para 30%, ou de 49% para 31% na Islândia) e abertura a investimento estrangeiro. É só ler. Quem não se informa, não pode compreender o mundo. Gostaria de te recomendar outro artigo de Johan Norberg (outro sueco, tendencioso...) sobre a relação entre a globalização e a pobreza.

Sem-abrigo existem em todo o lado mas, é nos EUA, comparativamente a muitos países europeus, que é mais fácil sair da pobreza. Aliás, como diz José Carlos Rodríguez aqui, a pobreza quase não existe nos EUA, se a definirmos em termos absolutos. Aquilo que tu chamas de limiar da pobreza varia de país para país e é um conceito puramente relativo. A vossa obsessão constante por clamar "igualdade" tolda-vos o pensamento. A igualdade é impossível. O que é possível é permitir que cada vez menos pessoas sejam pobres e a forma mais eficiente e viável de o fazer é através do capitalismo. É uma questão de lógica, ainda que os dados estatísticos falem por si mesmos:
"The Census Bureau reports that 35.9 million persons "lived in poverty" in 2003. To understand poverty in America, it is important to look behind these numbers and examine the actual living conditions of the individuals the government deems to be poor. For most Americans, the word "poverty" suggests destitution--an inability to provide a family with nutritious food, clothing, and reasonable shelter. Yet only a small number of the millions of persons classified as "poor" by the Census Bureau fit that description. Although real material hardship certainly does occur, it is limited in scope and severity. Most of America's "poor" live in material conditions that would be judged as comfortable or well off just a few generations ago."

E, os números (lamento, a fusão de idiomas):

- El 46% posee la casa en la que vive, de media de tres habitaciones con un baño y medio, un garaje y un patio o un porche. La casa media de una familia pobre estadounidense es más grande que la media del conjunto de los europeos. Sólo el 6% de las casas del 12,5% de las familias a las que el Estado llama pobres están hacinadas (con más de una peersona por habitación). Más de dos tercios tiene dos o más habitaciones por persona.

- El 76% tiene aire acondicionado, en contraste con el 36% de la media de todos los estadounidenses, hace 30 años.

- Casi tres de cada cuatro familias pobres posee un coche, y el 30% dos o más.

- El 97% tiene televisión en color. La mitad tiene dos o más.

- El 78% tiene un vídeo o un DVD y el 62% televisión por cable o satélite.

- El 76% tiene microondas, más de la mitad una cadena stereo y un tercio un lavaplatos.

Referindo novamente o artigo do RAF em que ele afirmava, ironicamente:

"(...)a população que se situa no último patamar de rendimento (10% mais pobres) nos EUA dispõe de 1,9% do rendimento total, em Portugal, dispõe de 2,0% do rendimento total, ora, como nos EUA o PIB per capita é 2,7 vezes maior, isto significa que, em termos relativos, os nossos pobres são tão pobres como nos EUA, mas em termos absolutos, são muitissimo mais pobres!? Não pode ser!

(...)

Bem, isto em termos agregados significa o quê? Que Portugal tem um nível de desigualdade semelhante aos EUA (40,8 contra os 38,5 no indice Gini). Sim, em termos relativos, mas com uma ligeira diferença: o PIB per capita nos EUA é quase o triplo...

(...)

os números falam mais alto: é bem pior ser pobre em Portugal que nos EUA: a distribuição da riqueza é semelhante, com a diferença que o PIB per capita é quase três vezes superior"

Ainda em relação à "elevada qualidade de vida" dos outros países europeus, apenas te posso dizer que França e Alemanha têm uma taxa de desemprego superior a 10%. Os preços dos seus produtos são, maioritariamente, elevados, o que não acompanha o crescimento da sua economia (comparando-a com o Reino Unido, Irlanda, Luxemburgo, etc...), afectando isso directamente o poder de compra dos cidadãos. Um exemplo muito interessante dessa grande qualidade de vida foram os 15.000 mortos em França, devido à onda de calor que passou pela Europa em 2003. Há fortes razões para acreditar que nos EUA, onde a número de "pobres" com ar condicionado ronda os 65-75%, nada tão catastrófico alguma vez teria acontecido. O furacão Katrina foi um bom exemplo disso - "apenas" 1 milhar de pessoas morreu, mesmo quando a imprensa sensacionalista dizia que o a taxa de mortalidade seria, no mínimo, 10 vezes maior. Quanto à Holanda, gostava que me dissesses se achas que, por acaso, o facto de a Holanda ser um dos países com maior liberdade económica (medidas dos anos 80) da Europa Central tem algo que ver com a sua taxa de desemprego ser quase metade do eixo franco-alemão e o seu PIB per capita superior ao de ambos (?!)

Última recomendação relativamente a este assunto. Qualquer comentário que faças deverá passar por contradizer os referidos estudos que demonstram que a redução absoluta da pobreza se correlaciona posivitamente com o crescimento económico de um país e o seguinte gráfico, elaborado pela Heritage Foundation, que correlaciona positivamente o dito crescimento com a liberdade económica respectiva da sua nação.



(cont.)

Sunday, December 18, 2005

Desmontagem política VI

[Comentário de M. De la Torriente, enviado por e-mail]

No tenia pensado entrar en esta discusión; vaya de antemano que no he leído todos los comentarios a estos posts (javascript protección evita que vea incluso si hay comentarios) pero he visto más que suficiente para querer hacer un inciso aquí.

He visto que la discusión ha entrado en grandes temas filosóficos, cuando me temo el Sr. Marques aun no ha confrontado la realidad pragmática del día a día de una administración socialista.

Vamos por partes.

Veo que usted tiene la bien conocida reacción cuando se ve confrontado con ideas liberales.

Este tipo de clichés:

"wow estas gentes crueles ven bien quitar el pan de la boca de los huérfanos"

"No se preocupan si gentes como madres solteras tienen forma alguna de mantener a sus hijos"

"Les da igual si los jubilados tienen que pedir limosna"

"Se ve que solo los ricos tienen derecho a cuidados médicos"

"Intentan regatear el dinero de los impuestos sabiendo que eso niega la ayuda a todas esas personas"

"Se preocupan de forma paranoica por las pequeñas servidumbres de tener un gobierno, el estar bajo una regulación, sin ver toda las garantías para la paz y el orden que eso nos da"

Perdone que lo ponga en forma de clichés; no pretendo ser literal con lo que usted ha ido poniendo aquí, pero tengo la seguridad de que he puesto el espíritu de lo que muchas personas como usted creen.

Primero de todo, recordarle que tanto la derecha como la izquierda están de acuerdo en cuales son los problemas (al menos en política interna), pero difieren en las soluciones.

No se imagine que por que alguien defienda una economía libre, es una mala persona que no se inmuta si ve gente sufriendo, y por tanto no querría hacer nada para solucionarlo. Eso es lo primero que tiene que tener claro.

A usted le han dicho, contribuya y su dinero ira a parar a todas esas causas y a mantener la estructura de la nación.

Y usted como un buen ciudadano, contribuye y se siente bien por ello. Dando por hecho que su dinero va a todas esas causas que hemos estado enumerando y más.

Por desgracia esa es la teoría solo.

Realidad:

Entre impuestos directos e indirectos, la tasación en Portugal es extremadamente alta (el Sr. Dos Santos podrá dar cifras exactas si es que no las ha publicado ya en este mismo blog)

Y hasta ahí, imagino que usted sigue sin verlo mal, incluso si la tasación total llegase a un 70 u 80% (contando impuestos directos e indirectos) tal vez usted lo viese permisible si se justifica en todo eso.

Pero la clave aquí es cuanto del dinero recaudado *revierte* en la población. La inmensa mayor parte del dinero que se recauda va exclusivamente a financiar la administración, seguido de lo que va a financiar el voto cautivo que la mantiene en el poder.

Los gobiernos de izquierdas (y en esto incluyo los supuestos partidos de centro derecha, que en Portugal tiene una política económica tan intervencionista como la izquierda) todos estos partidos, unos de forma abierta, otros mientras prometen que van a reducir la administración… hacen lo contrario. Aumentan su tamaño.

Hay un hecho incontrovertible, cuanto mas grande es una administración mas ineficaz y corrupta se vuelve.

Esto es; los portugueses trabajan (si usted es consciente de que la mayor parte de lo que una persona gana, va para el estado) trabajan, de hecho, para el estado.

No, no para las grandes causas que usted imagina (esa es solo la excusa) en realidad el estado vive de esos, de las clases menos favorecidas, como del resto de la sociedad.

De todo el dinero recaudado, solo una parte menor… vuelve a la sociedad. Eso no creo que sea lo que usted llama "distribucion justa" porque ustedes dejan siempre fuera de la ecuación la parte mas importante… *el que parte y reparte* (como nosotros decimos, se lleva la mejor parte) Sin bromas, ustedes dejan fuera de sospecha a administraciones monstruosas que cada vez necesitan mas dinero… solo para autofinanciarse.

Situación tipica: Gobierno socialista sube al poder, este gobierno aboga (basándose en convicciones políticas) en intervenir y regularizar la economía por razones… err distributivas. “Así que señores, necesitamos más de lo que ustedes generan, subida de impuestos.

… que vamos a poner a todos nuestros amigos en la administración sin tocar a los amigos que están allí del gobierno de antes, mas de todos los gobiernos anteriores."

¿Que no hacen nada y solo vampirizan la sociedad?

Bueno a quien le importa.

Pues importa a toda la economía portuguesa. Esto es, a los portugueses.

Desde la producción (producir bien X cuesta cada vez más) mantener empleados (mantener empleados se vuelve extremadamente caro) .. y esto por no entrar en todo el proceso, así el transporte también más caro etc.

Resultado: los precios suben, la gente tiene menor poder adquisitivo, primero por que pagan más en impuestos por cada cosa que intenten comprar, y por que los bienes de consumo ya llevan una etiqueta mas alta. [aclaración en caso de que no se entienda bien el castellano, ya tienen un precio más alto por que costo más producirlos y transportarlos]

… Luego la gente compra cada vez menos cosas (no se pueden permitir comprar)

Los negocios que ya lo tenían muy feo teniendo costes de producción tan altos, y no pudiendo pagar el sueldo de empleados ni probablemente alquiler de local, etc… tienen cada vez menos ventas; acuciados por todas partes, van desde reduciendo plantillas (aunque despedir personal es muy caro…) muchos no tienen mas remedio que cerrar.

Más gente se va quedando sin trabajo…. Más de lo mismo, menor poder adquisitivo, menos actividad económica.

De hecho… menos que recaudar para los genios que están en el gobierno (Dato que no saben en la izquierda, subir los impuestos no equivale a mayor recaudación, ni bajarlos equivale a menor)

Si hay una actividad económica menor, aunque el nivel impositivo sea muy alto, el total de tasación es menor -- que impuestos bajos sobre una producción mayor (por ejemplo la razón de que USA tenga un presupuesto gigantesco a pesar de tener impuestos bajos comparados con Europa)

Pero para un gobierno socialista reducir los impuestos es un anatema, exigen cada vez más dinero de la economía que ellos mismos asfixian. ¨Queremos mas sangre, subamos los impuestos aun más.¨

No imagine que estos impuestos salen de 4 millonarios malvados que son los que mantienen a la administración. No.

Sale de la misma gente que usted dice defender, de la gente que cada día tiene que comprar comida que es cada vez más cara. De gente que van viendo como cierran donde trabajan, o temen que les echen como esta pasando con tantos otros.. y que contrariamente a los eslóganes del gobierno.. no tienen mejores condiciones de trabajo. Por que en un mercado con una demanda de trabajo cada vez menor… la gente esta forzada a agarrarse a lo que sea, lo diga la ley o no, porque tienen que comer.

La disyuntiva aquí es.. o usted tiene una fe absoluta en la gente que esta en la administración, imaginando que son un tipo de Madre Theresa de Calcuta por encima de toda duda y de toda corrupción.

O ve la realidad, dejemos el dinero de la sociedad en la sociedad…. No en los bolsillos del administrador.

El dinero recaudado de los portugueses se queda en financiar la administración.. y si, también en parte en el voto cautivo (la gente que vive aterrorizada de que un cambio de política les deje sin algún tipo de subvención)

El gobierno es plenamente consciente de ello (esta hecho así a posta) y les mantiene comprados. Es igual si otra administración bajase los impuestos *y* mantuviese las pensiones – Aznar lo hizo en España.

El truco para eso, es eliminar los miles y miles de vampiros mayores y menores en la administración, son los que sangran a todo el país con vanas excusas que personas bienintencionadas (pero naives) se tragan.

Mientras ese cáncer -- verdadero agujero negro -- siga engullendo la inmensa mayor parte de la producción del país, será imposible que la economía se levante.

Quiten al cáncer que es la administración. O al menos disminuyando de forma drástica.

Vera usted como cuando el dinero se queda en la gente (sí, la gente, no en los bolsillos y las cuentas multimillonarias en Suiza de los politicos) y en los parásitos de la administración.. Cuando se quede en la sociedad portuguesa, vera como la economía del país y el bienestar de TODOS crece.

Considere la iniciativa de las personas…. de todas las personas que usted ve por la calle. No de una entidad abstracta que dice trabajar por el bien de todos…pero la realidad muestra que trabaja para el suyo propio. Esa entidad abstracta son gentes con demasiado poder y dinero que no es suyo.

Un consejo, tenga siempre una desconfianza básica en quienes ostenten el poder.

Incluso las fuerzas del orden público que para usted son un garante de seguridad… no trabajan para usted, si no para quien les ha contratado, el gobierno.

Pero no quiero entrar por ahora en nada que sea filosófico, el problema es aun mucho mas básico y probablemente usted va a necesitar cifras y un montón de data (tan contrastada como usted quiera) para ver la realidad, tal cual, desnuda de los eslóganes, la retórica y los engaños.

Usted vive las consecuencias, es hora de que vea las causas.

---

[Tradução de palavras eventualmente menos inteligíveis]

Huérfanos – órfãos
Limosna – esmola
Servidumbre – servidão
Recaudar – recolher
Incontrovertible – incontroverso
Sueldo – salário
Alquiler – aluguer
Demanda – procura
Duda – dúvida
Subvención – subsidio

Os anjos inocentes da esquerda



Há uns dias ouvia na televisão Mário Soares a dizer que Cavaco Silva era o candidato da direita mas se apresentava com um discurso de esquerda. Soares explicitava que um discurso de esquerda era uma preocupação com a pobreza e com o desemprego. É assim que se formam mitos e estereótipos através de uma tergiversação da realidade, já que isto significa que alguém de direita não tem como objectivo reduzir estes dois factores. Há uns meses, já outra cantora famosa portuguesa havia dito que era uma rapariga do povo e, logo, de esquerda.

No debate entre Jerónimo de Sousa e Francisco Louçã, Louçã voltou a frisar novamente que George W. Bush até tinha admitido que todas as suas justificações para a "invasão" do Iraque eram "falsas". No mesmo canal, RTP, a notícia havia passado e nela Bush dizia que as justificações eram "erradas", sendo que o tradutor imparcial da RTP achou por bem conotá-las de um carácter marxista, interpretando a palavra como "falsas". De F. Louçã, nem uma única menção aos crimes hediondos cometidos por Saddam Hussein. Nem uma referência às eleições democráticas no Iraque ou sequer ao julgamento do tirano. O que importa é repetir constantemente o slogan anti-guerra, independentemente da situação. Bush é igual a Hitler, já o dizia Pinter. Saddam Hussein não importa.

Pessoalmente, já fui confrontado com confusões de todo o género. Para muita gente, falar de liberdade é ser de esquerda (relembrar a linguagem do Komintern contra o fascismo, coisa de direita), defender o ambiente, os direitos das mulheres, a solidariedade é, evidentemente, de esquerda. Ser uma pessoa culta ou defender a cultura é ser, claramente, de esquerda.

Há alguma coisa boa que a esquerda não cubra e que não seja exclusivamente sua? Se a esquerda é dominante e é assim tão esplendorosa, o que justifica tantos males no mundo?

Se a direita não oferece vantagens algumas porque é que nos regimes liberais (liberais, entenda-se, vem de liberdade) o desemprego e a pobreza são menores? Porque é que os países se tornam monstros tecnológicos e o conhecimento floresce?

A resposta para todas estas questões reside nas falácias fétidas do discurso socialista. Os seus regimes prolongam a pobreza e estagnam o desenvolvimento dos países, aumentam o desemprego e proporcionam a possibilidade de formação de oligarquias. A manipulação linguística e ideológica socialista é tão flexível ao ponto de ser a favor do multiculturalismo e, apoiar, directa ou indirectamente, as atrocidades que se cometem no mundo islâmico contra a mulher. O próprio terrorismo islâmico é, por vezes, justificado já que a culpa é sempre do Homem branco. A incapacidade da esquerda em compreender os conceitos de responsabilidade individual leva-a a ter um complexo pela sua própria atitude, relativizando os acontecimentos e atribuindo a culpa de todos os males à nossa civilização.

Mário Soares dizia também, há dias, que os que querem destruir o Estado Social andam por aí, aqueles que pedem a toda a hora a redução da máquina estatal. Isto é bom, muito bom. Já somos mencionados nas notícias. Só não entendi a que Estado "Social" se refere Mário Soares. Em Portugal, a actual taxa de desemprego é de quase 8% (para quê falar de desemprego? Um liberal não se importa com isso, não é verdade?). A grande maioria dos comerciantes que conheço está em situação financeira muito precária porque o poder de compra não cresce mas os impostos, esses sim, aumentam sem parar. Começa-se finalmente a dizer e a entender que "andam a trabalhar para alimentar o Estado".

Que maravilha de paraíso é este o vosso, de onde toda a gente deseja fugir a sete pés? Quanto tempo teremos de esperar até que a esquerda, sempre com soluções democráticas, decida construir um muro de Berlim na fronteira com Espanha?

Saturday, December 17, 2005

Desmontagem política V

(cont.)

8. De seguida pedes-me para explicar como é que o teu mundo se iria auto-destruir. Enfim, posso apontar algumas possibilidades.

O meu mundo? Acho que não entendes uma coisa essencial aqui. Os direitos naturais existem para além da legislação. Esta pode ou não respeitá-los, o que não significa que estes deixem de existir. O direito de propriedade é um deles. Recomendo-te a leitura deste texto do Rui no Portugal Contemporâneo.

Hipótese 1-
Visto não existirem quaisquer entidades reguladoras, eu sou um maníaco qualquer cheio de dinheiro e chego à Lockheed e encomendo uma frota de F-117's. Como não existe qualquer tipo qualquer tipo de fiscalização a compra decorreria sem qualquer problema. A empresa está apenas a vender o seu produto e eu sou LIVRE de comprar o que quizer. Com o meu poderio militar, tomo conta do mundo e escravizo toda a gente.

Vamos lá por partes. Quem disse que não existem entidades reguladoras? Quem disse que a Lockheed não te iria questionar acerca do teu objectivo em comprar uma frota de F117? Penso que se a tua ideia fosse escravizar o mundo não lhes interessasse muito, pois deixariam de poder vender livremente os seus aviões.

O que te leva a crer que conseguias escravizar o mundo inteiro com uma frota de F117? Não esperas que ofereçamos resistência ou simplesmente, porque gostas da ideia de controlo (socialista), também querias proibir a posse livre de armas para que não nos pudéssemos defender dos teus devaneios totalitários? E porque consideras que tem de existir um Estado (suponho que, por isso, a ideia das entidades reguladoras) para controlar isso? Achas mesmo que se a Lockheed estivesse interessada em vender-te uma frota de F117 não o faria sem o conhecimento do governo (americano)? O que te garante que o próprio Estado não compra uma frota de F117 à Lockheed para escravizar o mundo inteiro? Qualquer governo tem maior autoridade legal para o fazer pois é o poder legislativo/executivo que coordenada a legislação. A História está recheada de exemplos destes. Qual é a razão, então, para confiar cegamente na imparcialidade divina proclamada pelo Estado e na sua tarefa de "regulação e controlo"?

Hipótese 2-
Revolta das classes mais baixas, que ao contrário do que tu dizes, sem estados vivem pior pois não têm, acesso a um serviço de saúde gratuito, educação e segurança social, que não é travada por ninguém pois não há forças para imporem a ordem no teu mundo. BUUUM. Nasce um neo-comunismo.

E onde é que há isso de um sistema grátis de saúde, educação e segurança social? Se me disseres um país onde estejam a oferecer isso, é provável que me mude para lá. Ou, por acaso, estarás a esquecer-te de que as pessoas pagam todos esses serviços com impostos e sofrem as consequências de uma política económica repressiva em termos de liberdade de escolha e preços artificialmente inflacionados? Volto mais uma vez a lembrar a frase de Milton Friedman, "There's no such thing as a free lunch". Se essas classes baixas trabalharem, também não vejo a razão pela qual não haveriam de ter acesso a serviços de saúde, educação, etc. A menos que aches bem que elas não façam nada e vivam à conta dos impostos pagos pelos outros. Se assim for, candidato-me já para entrar no "teu mundo"! Desde que não cruzes a Hipótese 2 com a Hipótese 1, claro.

Comove-me, contudo, a tua preocupação com a parte da travagem da revolta. O que parece levar-te à conclusão da instabilidade de uma sociedade liberal é o facto de que não hajam forças para impor a ordem no "meu mundo" e não as condições em que viveriam as classes mais baixas (soundbite marxista). Então e que tal se chamássemos Mussolini? Ordem era com ele. E também partilhava ideias económicas semelhantes.

Hipótese 3-
Pura e simplesmente não acontece nada. Tudo decorre como tu dizes. Tudo é controlado por privados. Tudo tem um custo.

Quem disse que tudo é controlado por privados? Por que razão há-de tudo ter um custo?

As empresas apenas exploram aquilo que lhes dá lucro. Morrem áreas de conhecimento como por exemplo a Física Teórica, que a curto prazo não traz nenhuma utilidade prática (isto é verdade apesar de a longo prazo marcarem as maiores diferenças na história da humanidade - que seria do século XX sem os estudos de Maxwell sobre Electromagnetismo um século antes). Como uma pessoa vive em média 70 e picos anos, dirigentes de empresas inclusivé, estes não vêm grande utilidade em investigar algo que não lhes vai dar proveito directamente.

A física teórica não tem nenhuma utilidade prática? Como esperas explicar os fenómenos sem ela? Já te esqueceste que entre as melhores universidades do mundo estão institutos privados ou outros que nasceram de iniciativa não-estatal? Isto é comum nos EUA, onde as melhores são todas privadas, e no Japão, por exemplo. No Reino Unido, as universidades são instituições autónomas embora aceitem financiamentos por parte do Estado (o que as levou a perder alguns poderes). Ainda assim, todas as grandes universidades nasceram de iniciativa não-estatal. Ou agora vais dizer-me que no Reino Unido, nos EUA e no Japão não se faz física teórica? Aqui ficam algumas ligações interessantes que o google (esse outro produto do capitalismo selvagem) nos dá em poucos segundos:

Princeton Center for Theoretical Physics

The Princeton Center for Theoretical Physics is a new, University-funded enterprise dedicated to exploring frontiers across the theoretical natural sciences. Its purpose is to promote interaction among theorists and seed new directions in research, especially in areas cutting across traditional disciplinary boundaries.

This new, privately funded Center will be home to a highly select corps of Center Postdoctoral Fellows, senior Center Faculty Fellows, and Visiting Fellows both within and outside the University, and it will be the site of yearly focused programs of study, including workshops, seminars and associated special topics courses.


Kavli Institute for Theoretical Physics

The Kavli Operating Institute is a private operating foundation that engages in research utilizing its own staff, as well as through funding and collaboration efforts with researchers in a variety of fields. Project areas include astronomy and cosmology, neuroscience, nanoscience, education, and the environment.

Santa Barbara, Calif.--Fred Gluck, best known for his legendary performance at the helm of the leading international management consulting firm McKinsey & Company, has given $1 million to endow the chair of the director of the Kavli Institute for Theoretical Physics at the University of California at Santa Barbara (UCSB). David Gross, who came from Princeton University in 1997 to serve as director of the Institute, is the first Frederick W. Gluck Professor of Theoretical Physics.


Center of Mathematics and Theoretical Physics, Shangai

Located in the city's Nanhui District, the university's newly launched Shanghai Institute for Advanced Studies is the country's first privately funded academic research institute.

The new campus covers an area of about 33.3 hectares and is equipped with top-notch education facilities. Affiliated to the public USTC, the school's funding mainly comes from private donations.

Modeled on the Institute of Advanced Study at Princeton, the Center of Mathematics and Theoretical Physics aims to build itself into a first-rate research center in Asia within three to five years.


Perimeter Institute for Theoretical Physics

Privately funded institute for basic research in theoretical physics, located in Waterloo, Canada. Currently, the main areas of research are quantum computing, the foundations of quantum theory, and quantum gravity.


Berkeley Center for Theoretical Physics

Private philanthropy will continue to play the most significant role in providing the margin of excellence that distinguishes the Berkeley Center for Theoretical Physics as a vibrant, pre-eminent center of scholarly exchange. There is a wide range of gift opportunities, and each will allow you to become a vital part of the Center's future.

Isto era a primeira página do google. Não sei se precisas de mais exemplos mas há um aqui perto. A fundação Calouste Gulbenkian. Quem é que está a dar bolsas de estudos aos estudantes de matemática? Já te cruzaste com alguém do programa dos Novos Talentos?

A Calouste Gulbenkian está a fazer mais pelas ciências puras como a matemática do que o Estado português. E se ainda tens dúvidas sobre porque não aparecem mais investimentos específicos em Portugal, recomendo-te a leitura deste artigo no Diário Económico sobre o mecenato cientifico. Se o Estado quer assim tanto incentivar o desenvolvimento científico (incluindo a física teórica) porque é que cobra sobre os donativos? E porque é que não isenta as pessoas de impostos em caso de doação? A resposta é simples. A eles, não lhes interessa desenvolvimento científico algum. Interessa-lhes, sim, manter os seus próprios meios de financiamento.

Em último recurso, o que te garante que o governo dá dinheiro para a física teórica e essas tais áreas do conhecimento que dizes que morreriam? Será uma coincidência que a outra pessoa que me tinha dito o mesmo era um russo que via com nostalgia os tempos da URSS mas que – que coerência! – foi fazer investigação para um país onde o Estado é menor do que na Rússia (o Canadá)?

As classes mais baixas lá vão sobrevivendo com os seus rendimentos. Novamente, sem qualquer tipo de fiscalização não tens garantia que os direitos dos trabalhadores são garantidos. Mas, enfim, deves achar que os direitos dos trabalhadores são apenas outra má herança do Comunismo.

Que trabalhador quer trabalhar numa empresa que lhe dá menos privilégios do que a outra do lado? Numa economia de mercado, os empregadores lutam por obter a melhor relação entre a qualidade do empregado e o seu custo à empresa. Não me parece que a melhor forma de atrair trabalhadores produtivos seja dar-lhes más condições. O que me parece é que tu nunca foste empregado nem empregador de ninguém.


Os que não têm emprego morrem à fome, o que não deixa de ser óptimo pois assim o desemprego diminui.

Acho que estás a criticar o sistema económico errado. Isso acontece em regimes comunistas. Em países mais liberais, a oferta de emprego é sempre maior (e melhor) porque o país se torna um solo fértil para actividades comerciais e industriais. As taxas de desemprego são mais baixas, coisa que já te mostrei anteriormente. Se estas sobem é porque, provavelmente, os fluxos de migração disparam em flecha. Nunca ouviste ninguém dizer que queria emigrar para os EUA ou coisa semelhante? Porque será?

Toda a gente é livre de acordo com a tua definição, insegurança aumenta.

Sim? Porquê? E qual é a garantia de melhor segurança que tenho por pagar IVA? Se eu te dissesse que não tinhas de pagar mais IRS ias para o meio da rua matar pessoas?

Deixam de ser feitas obras públicas. Auto-estradas, pontes, etc... pois simplesmente não existem estados. Ou então, são construídas por entidades privadas mas com portagens tão elevadas que se tornam de uso exclusivo de uma pequena fatia da população. Criam-se zonas de acesso livre (pois toda a gente é livre não é?) mas com custos tão elevados que se tornam praticamente privadas para apenas "alguns".

E qual é o interesse de construir obras públicas, então, se quase ninguém pode passar por elas? E se a maioria não pode passar, o que te leva a pensar que os outros não construiriam uma obra só para eles? Admitindo que há uma portagem, porque haveria de ser do interesse de uma companhia produzir um produto a que menos pessoas pudessem aceder e, logo, obter menos lucro? Segundo a tua forma de pensar, todos os bens imobiliários teriam de ter origem no Estado. Bem, eu garanto-te que a casa onde vivo não foi contruída pelo Estado. Não sei se a tua foi mas, caso tenha sido, também te garanto que eles contrataram uma empresa qualquer de construção civil para o fazer. Os políticos não fazem prédios, encarregam-se apenas de fazer contas sobre eles para poderem ficar com uma fatia do orçamento. Porque é que uma comunidade não pode angariar dinheiro para construir uma obra pública? Não sabes como foi construído o antigo Estádio da Luz?

A LIBERDADE existe de facto, mas mascarada de uma hipocrisia que de facto não a justifica. A Humanidade entra em estagnação. Tudo é movido por interesses económicos. Uma pessoa que nasce numa família pobre está condenada a um destino triste pois os pais não podem assegurar a sua educação. A não ser que apareça um mecenas milagroso, o rapaz vai varrer o chão para o resto da sua vida.

Estagnados já estamos nós. Porque é que tudo é movido por interesses económicos? E se fosse esse o caso, porque haveria de ser mais do que agora, momento em que, devido ao socialismo, estamos em fase de estagnação/recessão e o custo de oportunidade de qualquer investimento se torna vital? Num país com mais riqueza e um crescimento acentuado, não há uma pressão económica tão grande que ponha em causa a própria sustentabilidade individual, minimizando-se assim os riscos operacionais da maioria dos investimentos. Será que és tu que não reconheces a actividade económica como uma faceta da acção humana?

Relativamente ao rapazinho da família pobre, porque não pode a família trabalhar para lhe tentar proporcionar uma educação melhor? Não ter dinheiro para estudar acontece, sim, numa sociedade socialista onde os recursos financeiros escasseiam já que são absorvidos pelo aparelho estatal a ritmo constante. O caso português é um bom exemplo disso.

Caso não saibas, a riqueza não obedece à lei de Lavoisier. E, de qualquer das formas, como determinas que ele tem mais capacidades do que as necessárias para seguir uma carreira diferente da de varredor de ruas? Existem pessoas assim na sociedade actual. Não adianta distorcer a realidade para que tudo pareça frio e cruel numa abstracção futura. O socialismo não põe fim aos problemas da pobreza, apenas os fomenta. Caso contrário, que razão podes sugerir para que existam correntemente varredores de ruas e pessoas a trabalhar na recolha do lixo que não têm habilitações literárias aceitáveis? Tens duas hipóteses. Ou reconheces que esse "problema" não é resolvido por nenhum dos sistemas (sendo no caso do capitalismo, melhor, porque proporcionais mais condições ao varredor de ruas) ou finges que os varredores de ruas só existem numa sociedade civil de cariz liberal, coisa que está em desacordo com a realidade, embora essa deva ser a razão dos comunistas ao dizer que todos os que reconhecem a propriedade privada são "neoliberais". Qualquer coisa que não seja o socialismo (uma utopia qualquer perfeita em que não há gente pobre nem pessoas a viver em más condições) é fruto do "capitalismo selvagem" e da "cartilha monetarista". Bastante graciosos.

Com um pouco mais de imaginação poderia apontar mais possibilidades para a queda do teu mundo "livre".

Claro que podes. O que não quer dizer que elas façam algum sentido ou alguma vez se concretizem. É engraçado que possas sugerir 3 hipóteses e ainda digas que há mais. Como, pelo que sabemos, só existe um Universo, qual delas se verifica, então?

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Desmontagem política IV

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6. Novamente, deves pensar que eu sou ignorante quando dizes que os recursos são limitados como se eu não soubesse. Os recursos são de facto limitados, mas isso não implica que não possam ser justamente distribuidos. Sinto-me bastante triste por viver num mundo onde 90% da população passa fome e os restantes 10% fazem dietas.

Queres dizer que os recursos são injustamente distribuídos? Eu pago tudo o que consumo, até por aquilo que posso destruir. Injusto seria se os roubasse pois eles foram produzidos à custa do trabalho de outrem. Também não sei de onde tiras esses números. De acordo com as estimativas da insuspeita FAO existem cerca de 800 milhões de pessoas que sofrem de carências nutritivas nos países subdesenvolvidos. De acordo com os cálculos do United States Census Bureau, a população mundial é de cerca de 6,5 mil milhões de pessoas. Fazendo as percentagens, dá ~ 12,3%, um número que fica "bastante" à margem dos teus 90%. Claro que podes assumir que a soma com os países desenvolvidos dá 90% mas para isso a percentagem de esfomeados no mundo ocidental e arredores teria de ser muito mais elevada. Se a soma total fosse de 90% da população mundial (6,5 * 0,9 = 5,85), teriam de existir mais 5, 05 mil milhões de pessoas, nos países desenvolvidos, em situação de subnutrição. Na realidade, esta população é aproximadamente 5 vezes menor, considerando que 100% dela tinha dificuldades em alimentar-se, incluindo tu. Bem vejo que te preocupa tanto o problema - até nos responsabilizas a nós por civilizações extraterrestres?

Porque te sentes triste se 10% do mundo, de acordo com a tua teoria megalómana, faz dieta? Isso não contribuiria para um reequilíbrio de mercado, já que estes 10% consomem menos do que deviam?

7. Claro que não sou da opinião que a distribuição dos recursos seja uniforme e homogénea. Isso também não seria correcto para as pessoas que mais trabalham. Mas acredita que o modelo actual é muito mais injusto para o rapazinho de 4 anos da Etiópia que provavelmente não chegará aos 5. Se as pessoas fossem (vou cometer de seguida um erro de português mas é só para perceberes o que eu entendo pelo conceito anteriormente discutido) "mais boas" e olhassem para além dos seus umbigos, não viveríamos neste mundo.

Para além de ser a forma mais justa e recompensadora de distribuir recursos, o capitalismo é também, de longe, a mais eficiente. Eu também não concordo com o modelo actual, razão pela qual defendo vivamente um desmantelamento das instituições correntes. A Etiópia está na situação em que está, assim como a maioria do continente africano, precisamente porque tem liberdade económica extremamente reduzida. Não sei se reparaste, por exemplo, num estudo que publiquei aqui acerca das taxas alfandegárias em África:

Average African tariffs are four and half times higher than those of rich countries. Moreover, African tariffs on African exports are much higher than rich countries’ tariffs on African exports. According to the study, trade liberalization within Africa could increase intra-African trade by 54 percent and account for over 36 percent of all the welfare gains that Africa stands to receive as a result of global trade liberalization.

Os países europeus mantêm também taxas alfandegárias sem qualquer motivo. Já para não falar da subsídio dos agricultores europeus (PAC, diz-te alguma coisa?) e americanos, que atingem valores muito elevados. Tudo isto prejudica os países mais pobres porque ficam maioritariamente afastados do mercado, não podendo acumular riqueza. A Etiópia é um país no qual a taxa alfandegária máxima é de 40%. A média, em 2002, era de 19,5%, como pode ser verificado neste documento da OCDE (pág. 9). O IRC máximo é de 30% (era de 35% há 2 anos). Como eu costumo sugerir, os índices de liberdade económica são bons guias nesta matéria já que juntam estatísticas acerca destes dados, embora alguns dos seus critérios de avaliação possam ser discordantes.

Se o socialismo é assim tão bom, porque é que as pessoas não vivem melhor em África onde há menos liberdade económica? Algumas passagens das conclusões deste índice até assustam:

It is only since 1994 that the government has permitted private banks and insurance companies. These services are limited to domestic concerns; foreign firms are prohibited from investing in the banking and insurance sectors.

(...)

Ethiopia’s cumbersome bureaucracy deters investment. Much of the economy remains under state control, and the evidence suggests that businesses also must contend with political favoritism.

(...)

The government continues its efforts toward economic reform, including increasing private-sector development and attracting foreign investment, but corruption and bureaucratic complications are common, and nearly 200 state-owned enterprises have yet to be privatized.


Não te parece igualmente bizarro que esta tentativa de liberalização (desde 1994, pelo que refere) que é também assinalada no relatório da OCDE (pág. 3) esteja positivamente correlacionada com um crescimento bombástico do PIB?

Recent declines in international coffee prices have embarking on the road to liberalisation in the early 1990s, privatisation has been a major plank of the government’s reform agenda. The privatisation programme began in 1994 and, by April 2002, the government had divested 200 enterprises and planned to sell a further 113 by 2003/04.

A outra ligação que te dei indica também o seguinte:

Economic Liberalization top

Since 1992, the Government has successfully implemented a series of reform programmes in order to transform the economy from command to market economy, speed up the integration of the economy into the world economy and encourage the wider participation of the private sector in the development of the national economy. Such reforms include, among others, the following short-term economic stabilization and structural adjustment measures:

*deregulation of domestic prices;
*liberalization of foreign trade;
*privatization of public enterprises;
*abolition of all export taxes and subsidies;
*devaluation of the exchange rate followed by the introduction of inter-bank foreign currency market and the determination of exchange rates based on market forces;
*enhancing private sector development and private-public partnership through providing effective industry association; and creating a forum for consultation between the private sector and the government;
*promulgation of a liberal investment law for the promotion and encouragement of private investment, both foreign and domestic;
*issuance of a new labour law;
*strengthening and enhancing institutional support for the export sector through strengthening/revitalizing existing institutions and establishing such new institutions as :

the Ethiopian Livestock Marketing Authority;
the Ethiopian Leather and Leather Products Technology Institute,
the Ethiopian Export Promotion Agency;

As a result, a great deal has been achieved since 1992 in moving from a highly centralized economy to a more liberal market economy. Particularly, as a result of such liberalization, the economy has showed a marked improvement growing at annual average rate of 6.4 percent in the last several years. The rate of inflation declined from around 20 per cent in 1992 to an annual average rate of below 4 per cent for the last ten years. The country’s foreign exchange has improved, the budget deficit has declined to acceptable level and above all private investment activities have flourished.

A adicionar isto aos dados do CIA Factbook, que dizem que a estimativa do crescimento real do PIB etíope para 2004 é de 11,6%. Este estudo (Growth and poverty in Ethiopia in the 1990s: an economic perspective; Stefan Dercon, Centre for the Study of African Economies, Oxford University) diz o seguinte:

By the beginning of the 1990s, the Ethiopian economy was in deep crisis. The return to relative peace after the defeat of the Dergue and the installation of a Tigrayan-led EPRDF government in 1991 provided an opportunity for recovery. Economic reforms, initiated in 1988 by the Dergue government as a ‘mixed economy’ alternative to the controlled economy, were further implemented and took on the form of a structural adjustment programme with donor support from 1994. Early measures included agricultural market liberalisation, price liberalisation, a large devaluation, tax reforms and some steps towards international trade liberalisation. During the latter part of the 1990s, reforms focused more on financial market liberalisation, privatisation, fertiliser market reforms and initiatives regarding input and extension delivery. Sectoral policies included plans related to education, roads, health and agricultural extension, mainly involving substantial donor -financed capital expenditure.

(...)

In many ways, the performance of the Ethiopian economy has been remarkable in the recent decade. First, the transition from war to peace and from a controlled economy to more market-oriented economy in the early 1990s has been relatively smooth and accompanied by a quick return to broad macroeconomic stability. By the mid-1990s, a rapid convergence of the parallel market exchange rate took place, while inflation was generally within one digit during this period, despite a large devaluation and domestic price liberalisation.


E tudo isto apesar da guerra e da seca que assolou o país. Nem um gráfico de regressão linear (neste caso, talvez seja exponencial?) faria melhor. Tens razão quanto aos umbigos. Se as pessoas parassem de olhar menos para os seus e fossem menos socialistas, talvez vivêssemos num mundo melhor. Infelizmente, existem muitos por aí, que querem mal aos mais pobres e por isso os mantêm em repressão económica.

(cont.)