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Tuesday, December 06, 2005

Sunday, December 04, 2005

A costela liberal de Louçã



"O hino e o monopólio"

"Francisco Louçã esteve, este sábado, no Porto para um encontro com os produtores culturais da cidade. O candidato considera que a democratização da cultura passa pelo fim do monopólio da Portugal Telecom (PT) no acesso rápido à Internet. Louça criticou ainda Cavaco Silva a propósito do hino de campanha do antigo primeiro-ministro."


Os líderes do socialismo revolucionário já não se fazem como antigamente... Fica a dúvida, será que Louçã pensava o mesmo quando o Estado detinha 100% da PT?

Pináculo da Social-Democracia

Suecos confiam mais no IKEA que no Governo, UE ou comunicação social

Os suecos confiam mais na cadeia de lojas IKEA e no seu fundador, Ingvar Kamprad, que nos partidos políticos, no Governo, nos meios de comunicação e na União Europeia, segundo o "barómetro da credibilidade" hoje divulgado.

O estudo anualmente publicado pela Medieakademin resulta de 766 chamadas telefónicas realizadas pela Gallup e mede a credibilidade das instituições, dos meios de comunicação social, empresas e líderes.

O grupo sueco IKEA, também presente em Portugal desde Junho de 2004, com uma loja em Alfragide, aparece em primeiro lugar, com 75 pontos, numa escala até 100, seguindo-se uma cadeia de rádio.

Quanto à classificação dos líderes, os suecos são coerentes e colocam em primeiro lugar Ingvar Kamprad, fundador do IKEA, com 81 pontos.

Existe melhor complemento para este artigo do Helder n'O Insurgente, escrito em Outubro, do que esta notícia? Agora, até sondagens de opinião o confirmam...

Friday, December 02, 2005

Portugal II



Quando, há uns anos atrás, Aznar subiu ao poder em Espanha, fez um discurso em que dizia que iria visitar os dois vizinhos: França e Marrocos. Na altura, levantaram-se uns comentários que andavam entre o medo da anexação e o medo da indiferença. Quando Espanha fala de Portugal, é porque está a pensar em anexar ou invadir. Se Espanha não fala de Portugal, repentinamente, os portugueses sentem-se órfãos e relegados à indiferença. Esta situação com Aznar, certamente um lapso, misturava os dois casos. Se, por um lado, Portugal já não era vizinho de Espanha, das duas uma: ou já era parte de Espanha ou simplesmente era tão insignificante que Espanha (na voz de Aznar) já nem considerava a sua própria existência.

Ontem, ouvi Sócrates dizer que o Magreb era o vizinho mais próximo de Portugal. Das duas uma: ou Espanha é parte do Magreb ou, simplesmente, é tão insignificante que Portugal (na voz de Sócrates) já nem fala da sua existência, embora há uns meses tenha dito que as três primeiras prioridades de Portugal eram Espanha, Espanha, Espanha.

Ficamos pois, nesta triste idiotice provinciana. Um português não pode ser amigo de um espanhol porque é traidor. Um espanhol não pode ser amigo de um português porque é interesseiro. Os espanhóis, essa corja, são todos uma cambada de líderes de uma conspiração colectiva para invadir Portugal. No entanto, todos os dias, dezenas de portugueses viajam para o outro lado da fronteira para fazer compras, para abastecer os carros ou simplesmente para passear, já que tudo é mais barato e os serviços até são melhores. Há quem diga até, pasmo!, que os espanhóis são pessoas afáveis. Sacrilégio.

Um ódio visceral aos americanos, franceses, alemães ou russos é quase normal, comparado, porque se apresenta um fundamento, independentemente de quão forte é ele. "Os americanos pensam que são os donos do mundo". "Os alemães permitiram a ascensão do nazismo". "Os russos eram todos comunistas ferrenhos".

Mas e Espanha? É odiada porquê? Porque "os espanhóis são feios e falam espanhol", como dizia um colega meu? Porque, por obra do destino, dois reis de Espanha tinham linhas de sucessão dinástica em Portugal e isso implica uma invasão? Então, porque nunca se fala com ódio dos franceses e das invasões napoleónicas? Ou dos ingleses e da sua permanência em domínio português? Ou das incursões holandesas em colónias lusas? Se os portugueses querem usar a História como argumento, porque se vão meter com um país com o qual praticaram o mesmo género de coisas, incluindo os negócios nas políticas de casamentos reais?

Importam-se de parar com as puras hipocrisias de merda? Se, de Espanha, nem bom vento nem bom casamento, porque insistem em chamar-lhes nuestros hermanos? Se odeiam Espanha, sejam minimamente coerentes e PAREM de ir a Espanha comprar coisas. Quando dizem que preferem as laranjas portuguesas às espanholas (as espanholas, claro, são todas sebosas, ácidas e sem qualidade), comprem mesmo as portuguesas, elas até são 2 ou 3 vezes mais caras e muitas vezes piores ainda! Mas ao menos não são espanholas, que vantagem magnífica! Agora, não digam isto à senhora do lado para, no dia a seguir, fazerem o contrário do que disseram. Parem de passar férias em Espanha. Parem de olhar de nariz empinado para quem nunca foi a Espanha. Parem de falar mal da invasão económica espanhola para depois serem servidos por empresas espanholas, com boa qualidade, e no fim dizerem que eram espanhóis, com ar de desprezo.

Acima de tudo, parem de se fazer passar por amigos quando na verdade estão a rogar uma praga. Isso é da mais pura combinação de canalhice e cinismo que existe à face da Terra.

Teixeira mãos de tesoura

Governo considera "insustentável" baixar os impostos sem reduzir a despesa

O ministro de Estado e das Finanças, Teixeira dos Santos defende que é "insustentável" e "irresponsável" baixar os impostos sem que primeiro se reduza, de forma duradoura, o actual nível de despesa pública.

Na sessão de encerramento do debate da proposta do Governo de Orçamento do Estado (OE) para 2006, na Assembleia da República, Teixeira dos Santos referiu que "não ignoramos que é o nível da despesa que acaba por determinar o nível da fiscalidade".


Convém recordar, a propósito disto, palavras de Milton Friedman sobre a despesa estatal:

"The proposed amendments [Bill of Economic Rights] would alter the conditions under which legislators — state or federal, as the case may be — by limiting the total amount they are authorized to appropriate. The amendments would give the government a limited budget, specified in advance."

Em suma, será que Teixeira dos Santos nunca ouviu falar na expressão cortar o mal pela raiz?

Thursday, December 01, 2005

Portugal



Em dia de Restauração da Independência, é um bom momento para reflectir sobre o que somos, o que não somos, os conceitos de poder central e poder local e sobre as coisas tristes e miseráveis que alguns de "nós" ainda vão dizendo, revelando que não conhecem metade (se tanto) da sua História nem a origem e evolução do seu povo.

Portugal. Que significa isso?

Chamam-lhe candidato da direita

Foi esta a mesma pessoa que há uns dias disse que queria um Portugal sem medo da globalização:
"Hoje em dia é necessário ter em conta o potencial financeiro para concorrer a novas privatizações, mas há que ter algum cuidado na transferência dos centros de decisão para o estrangeiro", disse Cavaco Silva, considerando que a localização dos centros de decisão é importante em alguns momentos, nomeadamente " na capacidade de um país reagir em tempo de crise".
O PD refere também que:
Na segunda-feira, o candidato apoiado pelo PS, Mário Soares, também fez referência à privatização de empresas públicas, considerado que agora "há privatizações a mais".

"Fui quem abriu a porta às privatizações, mas agora também acho que há privatizações a mais", afirmou Mário Soares, numa conferência de imprensa, em Santarém, defendendo a necessidade de "se pensar nas novas privatizações com muito escrúpulo, porque o Estado não pode ficar desarmado".

Parece que estávamos todos errados quando afirmámos que a idade era um argumento irrelevante. A idade de Mário Soares é mesmo um factor de peso nestas eleições. Provavelmente, se fosse mais novo e viçoso, já teria inventado um slogan ao estilo Socialismo do Séc. XXI. Mas as reformulações teóricas dos princípios da redistribuição da pobreza já não lhe saem com tanta criatividade.

Can you hear it?

Steve Forbes, director da famosa revista Forbes esteve ontem em Lisboa, numa conferência intitulada «A Economia Americana e Mundial: perspectivas para 2006», durante a qual se dignou a comentar a economia portuguesa e a sugerir caminhos para que esta abandone o seu marasmo:

Steve Forbes deixa sugestões para a retoma da economia portuguesa

De olhos postos na Irlanda, que considera um modelo, pois “em apenas 30 anos tornou-se a economia mais dinâmica da Europa Ocidental”, afirmou em tom de brincadeira: “Os milagres nem sempre acontecem na religião, mas acontecem na economia”. Forbes destacou aquela que considera ser a fórmula crucial para o crescimento da economia irlandesa: travar o aumento dos impostos.

“Portugal não se deveria preocupar tanto com as repreensões da UE quanto ao défice”, até porque, defende, “a única forma de combater o défice é atraindo investimento para conseguir uma economia sólida”. Forbes sugeriu ainda uma maior concentração física dos serviços do Estado e a flexibilização das leis laborais. Quanto à ideia de que os portugueses não gostam de arriscar, o empresário acredita que “basta levantar a economia e surgirão pessoas dispostas a assumir o risco, vindas dos quadrantes mais improváveis”.

Steven Forbes defende taxa única de imposto sobre rendimentos para Portugal

O empresário norte-americano e antigo candidato à presidência dos Estados Unidos, Steven Forbes, defendeu hoje que Portugal deve optar por uma taxa única de imposto sobre os rendimentos para que a economia possa crescer.

(...)

"Sempre que reduzimos os impostos nos Estados Unidos, a economia cresceu e a receita fiscal aumentou", afirmou Steven Forbes.

No caso de Portugal, "só têm a perder a vossa pobreza", acrescentou ainda.

É quase um lugar-comum dizer isto mas já não é a primeira vez que alguém vem directamente do outro lado do Atlântico para dizer uma coisa importante e ninguém lhe dá ouvidos.

Doença estatal

Do António Amaral, n'A Arte da Fuga:

Lealdade ao estatismo

Lealdade ao estatismo (2)

Wednesday, November 30, 2005

Pérolas da Sabedoria Popular

"-Os EUA e o Reino Unido são ricos porque entram nas guerras todas"

"-Espanha é rica porque o Estado espanhol protege os produtores nacionais"

"-O Luxemburgo é rico porque tem muito carvão"

-"A Suiça é rica porque toda a gente lá mete o dinheiro"

-"Os alemães e os franceses enriquecem à custa dos portugueses que trabalham na obras"

A minha preferida:

-"Portugal é pobre porque ninguém quer fazer nada"

Sunday, November 27, 2005

Sampaiadas II

Ciência: Sampaio quer urgência na articulação entre agentes
«No entender do Chefe de Estado, o país "não pode ter uma percentagem tão pequena de empresas" a investir em novas tecnologias ou em investigação ou não acolher em número suficiente cientistas ou doutorados.»

Não haverá nenhum(a) jornalista a fazer uma compilação das declarações do nosso PR? Há uns dias eram necessários "mais licenciados para estimularem, eles próprios, mais emprego." Agora são as empresas que não acolhem suficientes cientistas (licenciados)? Mas, afinal, há falta de recursos humanos (pouca oferta), ou há excesso (pouca procura)?

Há uma chance mínima de que alguém tenha, finalmente, mostrado aquelas notícias (do DN e do PD) ao PR. Estará ele, nesse caso, a querer dizer aos empresários como devem gerir as suas próprias empresas? É que isso, para além de magnífico, tem uma certa lógica já que Jorge Sampaio tem, realmente, uma participação activa em todas as empresas do país - o seu ordenado.

Saturday, November 26, 2005

Sem palavras



(via defunto BdE)

Maravilhoso double standard

Há umas semanas, quando Harold Pinter foi premiado com o Nobel da Literatura e alguns insurgentes e blasfemos se dedicaram a expor a sua retórica anti-americana (que chegava a comparar o governo americano com o regime nazi), muitos representantes da esquerda e seus blogues indagaram e questionaram acerca da capacidade dos autores de blogues liberais ("alguma direita", como eles dizem) em destacar a cultura da política. Muito se escreveu e muita defesa se fez da capacidade literária de Pinter que, naturalmente, justificava per se a atribuição do dito prémio. As caixinhas de comentários abarrotavam de frases em defesa da separação entre a obra literária de um escritor e as suas visões políticas.

Como os socialistas possuem sempre a mesma mundividência clara e coerente, fui aqui confrontado há dias com um comentário que me pretendia atirar à cara, num estilo toma lá, que já almoçaste, que duas personalidades cuja obra científica e literária admiro, eram socialistas. Depois de tal demonstração de epistemologia aristotélica pura, pude dormir mais descansado.

Friday, November 25, 2005

Blue Lounge

Agora é a vez do blasfemo Rodrigo Adão da Fonseca se apresentar a solo no seu Blue Lounge. No artigo de apresentação ficamos a saber que o RAF (não confundir com a Royal Air Force) é do Belenenses e tem ligações ao Restelo.

Thursday, November 24, 2005

Dúvida bloquista

Se Valter Lemos decidir processar Francisco Louçã por difamação e calúnia, isso fará de Louçã um candidato-bandido?