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Thursday, December 01, 2005

Portugal



Em dia de Restauração da Independência, é um bom momento para reflectir sobre o que somos, o que não somos, os conceitos de poder central e poder local e sobre as coisas tristes e miseráveis que alguns de "nós" ainda vão dizendo, revelando que não conhecem metade (se tanto) da sua História nem a origem e evolução do seu povo.

Portugal. Que significa isso?

Chamam-lhe candidato da direita

Foi esta a mesma pessoa que há uns dias disse que queria um Portugal sem medo da globalização:
"Hoje em dia é necessário ter em conta o potencial financeiro para concorrer a novas privatizações, mas há que ter algum cuidado na transferência dos centros de decisão para o estrangeiro", disse Cavaco Silva, considerando que a localização dos centros de decisão é importante em alguns momentos, nomeadamente " na capacidade de um país reagir em tempo de crise".
O PD refere também que:
Na segunda-feira, o candidato apoiado pelo PS, Mário Soares, também fez referência à privatização de empresas públicas, considerado que agora "há privatizações a mais".

"Fui quem abriu a porta às privatizações, mas agora também acho que há privatizações a mais", afirmou Mário Soares, numa conferência de imprensa, em Santarém, defendendo a necessidade de "se pensar nas novas privatizações com muito escrúpulo, porque o Estado não pode ficar desarmado".

Parece que estávamos todos errados quando afirmámos que a idade era um argumento irrelevante. A idade de Mário Soares é mesmo um factor de peso nestas eleições. Provavelmente, se fosse mais novo e viçoso, já teria inventado um slogan ao estilo Socialismo do Séc. XXI. Mas as reformulações teóricas dos princípios da redistribuição da pobreza já não lhe saem com tanta criatividade.

Can you hear it?

Steve Forbes, director da famosa revista Forbes esteve ontem em Lisboa, numa conferência intitulada «A Economia Americana e Mundial: perspectivas para 2006», durante a qual se dignou a comentar a economia portuguesa e a sugerir caminhos para que esta abandone o seu marasmo:

Steve Forbes deixa sugestões para a retoma da economia portuguesa

De olhos postos na Irlanda, que considera um modelo, pois “em apenas 30 anos tornou-se a economia mais dinâmica da Europa Ocidental”, afirmou em tom de brincadeira: “Os milagres nem sempre acontecem na religião, mas acontecem na economia”. Forbes destacou aquela que considera ser a fórmula crucial para o crescimento da economia irlandesa: travar o aumento dos impostos.

“Portugal não se deveria preocupar tanto com as repreensões da UE quanto ao défice”, até porque, defende, “a única forma de combater o défice é atraindo investimento para conseguir uma economia sólida”. Forbes sugeriu ainda uma maior concentração física dos serviços do Estado e a flexibilização das leis laborais. Quanto à ideia de que os portugueses não gostam de arriscar, o empresário acredita que “basta levantar a economia e surgirão pessoas dispostas a assumir o risco, vindas dos quadrantes mais improváveis”.

Steven Forbes defende taxa única de imposto sobre rendimentos para Portugal

O empresário norte-americano e antigo candidato à presidência dos Estados Unidos, Steven Forbes, defendeu hoje que Portugal deve optar por uma taxa única de imposto sobre os rendimentos para que a economia possa crescer.

(...)

"Sempre que reduzimos os impostos nos Estados Unidos, a economia cresceu e a receita fiscal aumentou", afirmou Steven Forbes.

No caso de Portugal, "só têm a perder a vossa pobreza", acrescentou ainda.

É quase um lugar-comum dizer isto mas já não é a primeira vez que alguém vem directamente do outro lado do Atlântico para dizer uma coisa importante e ninguém lhe dá ouvidos.

Doença estatal

Do António Amaral, n'A Arte da Fuga:

Lealdade ao estatismo

Lealdade ao estatismo (2)

Wednesday, November 30, 2005

Pérolas da Sabedoria Popular

"-Os EUA e o Reino Unido são ricos porque entram nas guerras todas"

"-Espanha é rica porque o Estado espanhol protege os produtores nacionais"

"-O Luxemburgo é rico porque tem muito carvão"

-"A Suiça é rica porque toda a gente lá mete o dinheiro"

-"Os alemães e os franceses enriquecem à custa dos portugueses que trabalham na obras"

A minha preferida:

-"Portugal é pobre porque ninguém quer fazer nada"

Sunday, November 27, 2005

Sampaiadas II

Ciência: Sampaio quer urgência na articulação entre agentes
«No entender do Chefe de Estado, o país "não pode ter uma percentagem tão pequena de empresas" a investir em novas tecnologias ou em investigação ou não acolher em número suficiente cientistas ou doutorados.»

Não haverá nenhum(a) jornalista a fazer uma compilação das declarações do nosso PR? Há uns dias eram necessários "mais licenciados para estimularem, eles próprios, mais emprego." Agora são as empresas que não acolhem suficientes cientistas (licenciados)? Mas, afinal, há falta de recursos humanos (pouca oferta), ou há excesso (pouca procura)?

Há uma chance mínima de que alguém tenha, finalmente, mostrado aquelas notícias (do DN e do PD) ao PR. Estará ele, nesse caso, a querer dizer aos empresários como devem gerir as suas próprias empresas? É que isso, para além de magnífico, tem uma certa lógica já que Jorge Sampaio tem, realmente, uma participação activa em todas as empresas do país - o seu ordenado.

Saturday, November 26, 2005

Sem palavras



(via defunto BdE)

Maravilhoso double standard

Há umas semanas, quando Harold Pinter foi premiado com o Nobel da Literatura e alguns insurgentes e blasfemos se dedicaram a expor a sua retórica anti-americana (que chegava a comparar o governo americano com o regime nazi), muitos representantes da esquerda e seus blogues indagaram e questionaram acerca da capacidade dos autores de blogues liberais ("alguma direita", como eles dizem) em destacar a cultura da política. Muito se escreveu e muita defesa se fez da capacidade literária de Pinter que, naturalmente, justificava per se a atribuição do dito prémio. As caixinhas de comentários abarrotavam de frases em defesa da separação entre a obra literária de um escritor e as suas visões políticas.

Como os socialistas possuem sempre a mesma mundividência clara e coerente, fui aqui confrontado há dias com um comentário que me pretendia atirar à cara, num estilo toma lá, que já almoçaste, que duas personalidades cuja obra científica e literária admiro, eram socialistas. Depois de tal demonstração de epistemologia aristotélica pura, pude dormir mais descansado.

Friday, November 25, 2005

Blue Lounge

Agora é a vez do blasfemo Rodrigo Adão da Fonseca se apresentar a solo no seu Blue Lounge. No artigo de apresentação ficamos a saber que o RAF (não confundir com a Royal Air Force) é do Belenenses e tem ligações ao Restelo.

Thursday, November 24, 2005

Dúvida bloquista

Se Valter Lemos decidir processar Francisco Louçã por difamação e calúnia, isso fará de Louçã um candidato-bandido?

Portugal Contemporâneo

O blasfemo Rui agora a solo no portugal contemporâneo. A seguir com atenção.

Wednesday, November 23, 2005

O camarada fala sobre liberdade




Jerónimo de Sousa diz ser o melhor defensor da Constituição

"Nestas eleições milhares de jovens votam pela primeira vez e a liberdade para eles é natural. Mas a democracia não é apenas liberdade política, é também social, económica e uma questão de soberania", disse o candidato."


Mais uma vez, serei forçado a relembrar esta notícia?


Comunistas 'reabilitam' o mandato de Estaline


O Avante!, órgão central do PCP, "reabilitou" nas duas últimas semanas o dirigente comunista mais polémico de sempre. Após um longo período de silêncio, Estaline voltou a estar em foco no semanário comunista a propósito do 60.º aniversário do fim da II Guerra Mundial na Europa. O jornal dedicou mesmo uma notícia, na sua última edição, ao antigo ditador soviético sob o título "Estaline homenageado".

(...)

Leandro Martins, que é membro do Comité Central do PCP, vai mais longe "Estaline teve o seu papel na vitória ao lado do povo." O chefe de Redacção do Avante! não estranha, por isso, que na Rússia actual "voltem a aparecer cidades em que se dá o nome de Estaline a ruas".

O antigo ditador, responsável por milhões de mortos na extinta URSS (ver caixa), é qualificado de "revolucionário soviético" pelo chefe de Redacção do Avante!. Leandro Martins elogia o regime que vigorou em Moscovo entre 1917 e 1991. Na sua opinião, foi "a mais brilhante conquista da história da humanidade".

Este membro do Comité Central denuncia aqueles que, na Rússia actual, mencionam os "crimes" (escrevendo a palavra deste modo, entre aspas) de Estaline. E contrapõe o antigo ditador soviético ao Prémio Nobel da Paz Mikhail Gorbatchov, último líder da União Soviética, enaltecendo o primeiro e denegrindo o segundo.

(...)

Nessa edição, num texto assinado por Luís Carapinha, dizia-se que o regime estalinista "salvou a Europa e o mundo do fascismo e abriu novos horizontes à luta de libertação dos povos".


Como é que o líder de um partido que partilha as mesmas ideias de Estaline (tanto que até o reabilita) se atreve a falar de liberdade política, económica e social? Como é sequer possível que ainda exista gente que acredite em tudo isto?

A Convenção de Genève explicada às crianças

Em todos os países do mundo, aparecem sempre umas dezenas de protestantes que reclamam defender os direitos humanos e por isso repudiam as atitudes repressivas de Abu Ghraib e de Guantánamo. Tendo em conta que estas pessoas se esquecem frequentemente (ler constantemente) de mencionar os regimes de Fidel Castro e do deposto Saddam Hussein, os mais distraídos até poderiam pensar que estamos na presença de manifestações anti-americanas e anti-britânicas. Não se deixem enganar.

Thirst for money

Jorge Sampaio disse anteontem que desejava promover um envelhecimento activo. Mas será que nem na terceira idade os idosos são dispensados, pelos socialistas, de contribuir para os ordenados e reformas dos políticos?

Mi dinero (no) es su dinero

Sócrates disse hoje que «Não é só o Governo que tem de apresentar estudos. Também não está isento quem acha que esta não é uma boa decisão. Deve apresentar alternativas». Ora aqui está o grande mestre de argumentação socialista a dar razão ao blasfemo JCD quando este diz que:

O estado raramente quer saber da viabilidade económica de um projecto. O estado pretende quase sempre algo diferente. Em vez de se avaliar o mérito de um projecto baseado num conjunto de pressupostos, pretende-se encontrar o conjunto de pressupostos que melhor viabilizam o projecto. Nesses pressupostos incluem-se todas as garantias e alcavalas necessárias para tornar qualquer nado-morto sem pés nem cabeça numa apelativa mina de ouro para os investidores.

Fazendo lembrar a falácia da janela partida, o JCD afirma também que:

Parece que ninguém perde. Mas não é bem assim. Os recursos que vão para a OTA não vão para o resto da economia. Nos próximos tempos, as empresas privadas vão sentir maiores dificuldades em encontrar fundos para os seus projectos e as taxas de juro vão subir devido à diminuição da oferta de dinheiro. Toda a actividade económica vai pagar em juros mais altos a opção OTA. E claro, alguns investimentos ficarão pelo caminho por falta de financiamento disponível.

As empresas que vão dedicar parte significa das suas capacidades ao novo aeroporto, não vão ter a mesma disponibilidade para as alternativas que o mercado exige. Os preços vão aumentar no mercado da construção e nas actividades relacionadas e de suporte. O mercado imobiliário vai ser o mais castigado. Alta do preço da construção a par da alta do preço do dinheiro é um sinal de dias negros para o sector. A verdade é que perdemos quase todos, excepto os bancos e as construtoras.

Na verdade, José Sócrates demonstra a fragilidade das suas intenções ao pedir contra-estudos que denunciem a inviabilidade da OTA e até, que sugiram alternativas. Desde quando é que indivíduos que não são responsáveis pelos projectos mas que impreterivelmente serão forçados a financiá-los, devem conduzir estudos que provem (ou refutem) coisa alguma? E porque têm de existir soluções alternativas que não as dadas pela procura de um determinado serviço?

É sempre divertido brincar com o dinheiro dos outros. E depois ainda há quem tenha a desfaçatez de pedir que se gaste mais para provar que mais não deve ser gasto.

Adenda: Outro importante artigo do JCD no Blasfémias.