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Tuesday, November 15, 2005

Sampaiadas

Há vários meses que se tornou impossível ouvir este homem. Se se ouve com atenção o que ele vai dizendo, pelo meio de tanta retórica sem sentido, surgem sempre umas pérolas de sabedoria política. Mas não são umas pérolas de sabedoria realista, são antes uns comentários a la posta de pescada portuguesa que são ditos só porque fica bem ou porque a maioria vai concordar. No último discurso de que tenho conhecimento, através do PD, há preciosidades magníficas de conhecimento que deixam qualquer indivíduo minimamente familiarizado com a realidade completamente estupefacto.

"Para o Presidente da República, Portugal «precisa de mais licenciados para estimularem, eles próprios, mais emprego»."

Jorge Sampaio parece não ler nada de nada. Talvez leia aquelas notícias que lhe interessam acerca da globalização ou sobre a injustiça social no Le Monde Diplomatique. O certo é que parece não andar a ler nada acerca do que acontece no Portugal Real. Nem sequer uma notícia, datada de 28 de Outubro, que diz que 20% dos licenciados portugueses fogem do país. O artigo do DN chama-lhe fuga de cérebros e afirma que é um fenómeno típico de países pobres. Diz também a notícia que «Portugal é o país europeu de média/grande dimensão mais afectado pela saída de licenciados e quadros técnicos.» o que não é assim tão estranho, já que Portugal é um dos países mais pobres da Europa (não contando com a Europa de Leste que nem sequer fez parte da estatística). O número de 20% confirma intuitivamente que isto não poderia andar muito longe da verdade. 1/5 dos habilitados com formação superior decide sair.

Há uma razão muito forte para que isto aconteça. Independentemente da área a que nos referimos, há uma verdade dada pelo mercado à qual é impossível fugir - a procura. Se em Portugal existe pouca procura, é natural que as perspectivas de emprego de uma determinada saída profissional sejam baixas. Tanto no ensino, como na investigação e na aplicação directa dos conhecimentos adquiridos através dos cursos.

Existem muitos cursos em Portugal que não têm utilidade alguma. Noutras situações, são inúmeros os casos de estudantes que tiram um curso de matemática para depois trabalhar em informática ou estudam física para depois estarem empregues em consultadoria. Muitos outros estudam história para depois serem empregados de instituições bancárias. Muitos engenheiros ensinam matemática e muitos químicos ensinam física. No ensino básico e secundário nunca tive um professor de física que tivesse formação em física nem um de matemática que não fosse engenheiro. A conclusão? Existem demasiados químicos e engenheiros, ainda que estas coisas não sejam ditas. Ninguém fala delas. Pelo contrário, dizem precisamente o oposto - que um curso de engenharia é importante porque é uma "garantia de emprego". Garantia de nada, digo eu. Existem cursos de engenharia para os quais há procura, outros para os quais há demasiada oferta.

Este facto é encarado por muitos professores e universidades como algo natural. Mais do que isso - é considerado algo extraordinário já que, dizem eles, transmite uma maior abrangência às qualificações, havendo uma maior flexibilidade para o estudante, que assim se pode adaptar melhor às condições do mercado. Nada mais utópico pois centenas de pessoas são deixadas na situação de não poderem aplicar directamente aquilo que aprenderam nem trabalhar naquilo que desejam. Mesmo que tenham essa possibilidade, o mercado português não é assim tão grande que permita grandes ambições de carreira quer a nível empresarial, quer académico. Há uns anos atrás, o sonho do vulgar engenheiro de telecomunicações era ser empregado da Portugal Telecom. Que outra coisa poderia desejar? Nem todos os licenciados são talhados para a investigação (na verdade, apenas uma percentagem mínima o é) de modo que os sectores da indústria e dos serviços são a mais provável fonte de emprego. Num país onde o mercado de telecomunicações era tão fechado, em que outra empresa se poderia ambicionar vingar e formar carreira?

Por estas e tantas outras razões, o mercado de licenciados em Portugal é uma coisa quase artificial. Muitos professores universitários já nem lhe prestam muita atenção porque não sentem verdadeira preocupação com os alunos. A estes, apenas lhes podem acontecer duas coisas: ou entram no curso que desejam, podendo posteriormente ter os tais problemas devido à falta de procura ou, tomados pela ânsia de encontrar uma vaga no mercado de trabalho, conformam-se com a situação e entram num curso qualquer que lhes dizem oferecer uma oportunidade de trabalho. O resultado disto, entre aqueles que conseguem emprego relacionado com o seu curso, são trabalhadores sem empenho ou frustrados.

Em ambos os casos, num, devido à falta de procura que é desvalorizada, e no outro, devido à inflação artificial do número de estudantes, acabarão por existir licenciados que necessitam de sair do país porque não podem exercer a sua profissão em Portugal ou porque, simplesmente, não existe um mercado específico que permita a sua progressão profissional.

Voltando ao tópico de abertura, Sampaio lança o seu comentário que mais parece completamente descontextualizado. Então, Portugal, país que tanto parece odiar e temer a cultura do privado, anda há anos a subsidiar empresas estrangeiras, formando estudantes que depois encontram enormes dificuldades em fazer parte do mercado nacional? Isto levanta uma questão - a do financiamento do ensino superior público. Então se o Estado tem dezenas de cursos por todo o país em que não existem alunos, porque são os contribuintes forçados a financiá-los? Qual é, assumindo o pragmatismo da função estatal, a utilidade destes cursos? É verdade. Nenhuma. Se não há alunos, não há oferta. Se existisse procura, esta tornaria os formandos destes cursos em verdadeiros cofres de dinheiro uma vez que existira uma escassez de recursos humanos. Pois é. O natural é que estes cursos começassem a ter mais gente por serem os seus licenciados tão bem pagos, acabando assim por aumentar a oferta. Com isto se mostra, em termos básicos, que um curso onde há vários anos não entra ninguém, quer por falta de procura, quer por falta de competitividade da universidade em causa, não faz sentido. Se isto acontecer numa universidade privada, é natural que o curso seja abolido ou fundido com outro de forma a não efectuar gastos completamente desnecessários com algo aparentemente supérfluo.

A resposta de Sampaio a estas evidências e leis básicas da vida é simples. Diz ele que devemos produzir mais licenciados. Digo-lhe eu que "produzir mais licenciados", assim sem mais nem menos, é uma idiotice. É criar qualificações para um mercado que não existe e, ao mesmo tempo, convidar à emigração como necessidade básica. É criar ilusões nas pessoas, é dar-lhes a sensação de que podem fazer algo que, na verdade, não podem. A tudo isto Sampaio debita, de sua justiça, o chavão socialista:

O Presidente da República, Jorge Sampaio, considerou hoje que o ensino superior em Portugal está «desregulado», com uma rede «que não faz qualquer sentido».

Caro Jorge Sampaio, o ensino superior em Portugal precisa precisamente do contrário. Precisa de desregulação. Regulação já existe e, essa sim, é demasiada. É imperativo deixar que as necessidades da sociedade civil se regulam a si mesmas sem imposição governamental. É a forma mais eficiente de obter resultados satisfatórios.

Monday, November 14, 2005

Katrina - Os ecologistas também são neoliberais defensores do Estado Mínimo?

Nueva Orleáns: Cómo provocar una catástrofe de Gabriel Calzada

Recomendo a leitura total do artigo que refere o intervencionismo estatal, a cultura do subsídio e a monopolização do sistema de diques. No entanto, há uma parte especial que é particularmente relevante, vinda de quem vem:

El movimiento ecologista también parece haber tenido parte de responsabilidad en la catástrofe. Y no sólo por llevar años diciendo que venía el lobo cuando lo que venían eran corderitos. Mucho más decisiva fue su oposición sistemática a blindar la costa del golfo y la ciudad de Nueva Orleáns frente a catástrofes de categoría 4 y 5. Los ingenieros del ejército sabían perfectamente lo que podía ocurrirle a esta ciudad fundada por canarios y a otras poblaciones costeras de la zona y, aún con los pocos incentivos que cuentan para mejorar la calidad del servicio que prestan, proyectaron construir una barrera móvil a lo largo de la I-10. Este proyecto fue paralizado por medio de una denuncia presentada por un nutrido grupo de organizaciones ecologistas alegando que el estudio de impacto ambiental no era lo suficientemente profundo y que el proyecto podía tener graves efectos sobre algunas especies. En diciembre de 1977 el juez encargado del caso dio la razón a los ecologistas y paralizó la construcción de las barreras aduciendo que los ecologistas habían demostrado las personas que viven en esta área se verían dañados irreparablemente en el supuesto de que el proyecto se llevase a cabo. El cuerpo de ingenieros olvidó la idea y se concentró en mejorar los diques de la ciudad de Nueva Orleáns de modo que pudieran aguantar huracanes más potentes. Pero de nuevo en 1996 un grupo de organizaciones ecologistas radicales, encabezadas por el Sierra Club, presentaron una denuncia alegando que el proyecto suponía un peligro para el oso negro y para diversas especies de aves. En 1997 el proyecto fue paralizado durante dos años a la espera de un nuevo estudio de impacto ambiental. La continua oposición ecologista a la construcción de barreras artificiales a la crecida de las aguas es lo que ha motivado que el representante por Luisiana Bob Livingston haya afirmado que uno de los principales responsables de la catástrofe son los ecologistas.


Ou seja, aqueles que agora culpam o "capitalismo selvagem" e o aquecimento global por ele alegadamente produzido são os que, no passado, parecem ter impedido directamente a prevenção da tragédia que se avizinhava. Fantástico, não?

Para aqueles que dizem que as loiras são burras







Sunday, November 13, 2005

Duas faces da mesma moeda




Why Nazism Was Socialism and Why Socialism Is Totalitarian de George Reisman

What Mises identified was that private ownership of the means of production existed in name only under the Nazis and that the actual substance of ownership of the means of production resided in the German government. For it was the German government and not the nominal private owners that exercised all of the substantive powers of ownership: it, not the nominal private owners, decided what was to be produced, in what quantity, by what methods, and to whom it was to be distributed, as well as what prices would be charged and what wages would be paid, and what dividends or other income the nominal private owners would be permitted to receive. The position of the alleged private owners, Mises showed, was reduced essentially to that of government pensioners.

De facto government ownership of the means of production, as Mises termed it, was logically implied by such fundamental collectivist principles embraced by the Nazis as that the common good comes before the private good and the individual exists as a means to the ends of the State. If the individual is a means to the ends of the State, so too, of course, is his property. Just as he is owned by the State, his property is also owned by the State.


(via Jorge Valín)

Raiz de utopias

A frase de Tocqueville, publicada pelo Claudio, fez-me lembrar outra importante:

"A society that puts equality—in the sense of equality of outcome—ahead of freedom will end up with neither equality nor freedom. The use of force to achieve equality will destroy freedom, and the force, introduced for good purposes, will end up in the hands of people who use it to promote their own interests."


Milton Friedman

Friday, November 11, 2005

Os perigos da globalização

The Triumph of India’s Market Reforms: The Record of the 1980s and 1990s de Arvind Panagariya

India is popularly viewed as having initiated the process of liberal reforms and the embrace of outward-oriented trade policies starting with the adoption of a major reforms package in July 1991. Subsequently, from 1992 to 2002, India’s gross domestic product grew at the impressive annual rate of 6.1 percent. That rate contrasted with the so-called Hindu rate of growth of approximately 3.5 percent during the first three decades of India’s economic development. There was also a substantial reduction in poverty during the 1990s. As such, observers have generally seen the Indian experience during the 1990s and beyond as strong evidence that outward-oriented trade polices and pro-market reforms generated large benefits for the people of that country.

O regresso do lápis azul


Entidade Reguladora para a Comunicação Social

"(...) Artigo 6.º

Âmbito de intervenção

Estão sujeitas à supervisão e intervenção do conselho regulador todas as entidades que, sob jurisdição do Estado Português, prossigam actividades de comunicação social, designadamente:

(...)

e) As pessoas singulares ou colectivas que disponibilizem regularmente ao público, através de redes de comunicações electrónicas, conteúdos submetidos a tratamento editorial e organizados como um todo coerente.

(...)

Artigo 24.º

Competências do conselho regulador

(...)

ae) Restringir a circulação de serviços da sociedade da informação que contenham conteúdos submetidos a tratamento editorial e que lesem ou ameacem gravemente qualquer dos valores previstos no n.º 1 do artigo 7.º do Decreto-Lei n.º 7/2004, de 7 de Janeiro, sem prejuízo da competência do ICP-ANACOM em matéria de comunicações electrónicas de natureza privada, comercial ou publicitária.

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Decreto-Lei n.º 7/2004
Artigo 7.º
Providências restritivas

1 - Os tribunais e outras entidades competentes, nomeadamente as entidades de supervisão, podem restringir a circulação de um determinado serviço da sociedade da informação proveniente de outro Estado membro da União Europeia se lesar ou ameaçar gravemente:

a) A dignidade humana ou a ordem pública, incluindo a protecção de menores e a repressão do incitamento ao ódio fundado na raça, no sexo, na religião ou na nacionalidade, nomeadamente por razões de prevenção ou repressão de crimes ou de ilícitos de mera ordenação social;
b) A saúde pública;
c) A segurança pública, nomeadamente na vertente da segurança e defesa nacionais;
d) Os consumidores, incluindo os investidores.


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(via ContraFactos & Argumentos)

Desde já subscrevo inteiramente a linha editorial do Tiago Mendes quanto a este blogue.

Thursday, November 10, 2005

Aquelas coisas que Merkel devia ler

GERMANY'S ECONOMY IN DESPERATE NEED OF CHANGE

Germany's economy has fallen on hard times with no end in sight. Gross domestic product (GDP) growth for 2005 is estimated to remain at the paltry 1 percent rate it averaged during the entire decade of the 1990s, while unemployment has remained consistently above 10 percent.

The stagnant economy is due to the government's decision to return to a social market economy, says Bob Formaini of the Federal Reserve Bank of Dallas.

By contrast, after World War II, West Germany experienced unprecedented economic growth in a free market economy:

* From 1950 to 1974, citizens enjoyed a 5.7 percent average growth rate -- per capita GDP actually tripled.
* The unemployment rate was 2.5 percent, and more than 8 million new jobs were created.

However, in the late 1960s, German policymakers began adopting price controls and market regulations based on "Schmollerism" -- social market economic beliefs that ultimately ended Germany's economic success.

* "Schmollerism" is considered to be a "third way" between capitalism and communism and is the same ideology embraced by German economic policy from 1880 to 1948.
* From 1913 to 1950, for instance, Germany averaged only 0.3 percent growth.

Germany's economy will not recover unless it returns to a free market economic model similar to that of postwar West Germany, says Formaini. Reforms should include removal of strict government controls and regulations, reducing the high tax burden and government spending on social programs and freeing labor markets.

A fonte original do documento é o artigo publicado no sempre recomendável Ludwig von Mises Institute:

Germany: Doomed by Schmollerism de Robert Formaini

Neste artigo, para além da análise histórica (das consequências) das diversas políticas económicas aplicadas na Alemanha, é possível ver gráficos que resumem o crescimento do PIB, as taxas de desemprego e a produtividade dos países anglo-saxónicos comparativamente à Alemanha. É de notar, mais uma vez, o boom económico na Irlanda que, sendo um dos países europeus tradicionalmente pobres se tornou num dos mais ricos devido a políticas de atracção de investimento estrangeiro e redução da despesa estatal.

Wednesday, November 09, 2005

Doce economia paralela

Os novos pobres por Manuel Monteiro

A manutenção de uma elevada carga fiscal é negativa para o crescimento da economia e convida ao não pagamento.

(...)

O socialismo, e a sua obcecada vontade de a todos igualizar, tem em Portugal um espaço de grande propagação.

(...)

Em Portugal, ser proprietário, assumindo a titularidade dos bens, ser correcto e pontual no cumprimento das obrigações fiscais, ser diligente e trabalhador para ganhar mais dinheiro é um erro de graves consequências. Que fazer então? É simples: ter o menos possível em nome próprio, não declarar com exactidão o preço do que se compra e do que se vende, fugir o mais possível. Quem faz o contrário, como eu tenho vindo a fazer, ou é parvo ou está a cumprir promessa. Dizem uns quantos que a situação é esta enquanto todos não pagarem, que o problema está na fuga ao fisco. Não concordo: o problema está na elevada carga tributária e na progressividade dos impostos sobre o rendimento. Se os impostos forem mais baixos e existir uma taxa única ao nível do IRS, muitos mais pagarão e muito maior será o encaixe.

(...)

É assim necessária uma revolução fiscal, não já uma mera reforma e desde logo porque o espírito e a filosofia dos constituintes de 1975 se mantém, nesta matéria, inalterado. Ele está presente quando nos impõe a progressividade do imposto, continua com os princípios subjacentes às mais valias, comporta-se de forma cega nas sucessões de pais para filhos, é implacável se trabalhamos mais e em função disso aumentamos o nosso rendimento e só se distrai, vá-se lá saber porquê, se lhe fogem e mentem. O que é isto? É socialismo fiscal, que pactua com as multimilionárias fortunas e descarrega a sua bílis na classe média. E estão os mais pobres felizes? Têm, em função desta política, reformas e pensões maiores? Não, não têm, bem ao contrário. Continuam pobres e agora com a companhia crescente dos novos pobres, acabados de sair do patamar intermédio da sociedade.


(via Tomarpartido)

Não há coincidências

Grupo radical islâmico incita à violência noutros países

"Um grupo radical islâmico não identificado elogiou a revolta que há 13 dias causou uma onda de violência em França, incitando à sua disseminação a outros países da Europa.


«Os jovens da Resistência Islâmica aplaudem os actos dos jovens muçulmanos da Europa que têm como objectivo recuperar os seus direitos e a içar a bandeira do Islão»

(...)

O texto, publicado sem logotipo ou outras referências, estimula os jovens muçulmanos de França, Bélgica, Alemanha e Holanda a prosseguir com a jihad (guerra santa)."

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Leninism

"Knowing that according to Marx's theories, a socialist system would be unable to develop independently in an underdeveloped country such as Russia, Lenin proposed two possible solutions:

1. The revolution in the underdeveloped country sparks off a revolution in a developed capitalist country (for example, Lenin hoped the Russian Revolution would spark a revolution in Germany.) The developed country establishes socialism and helps the underdeveloped country do the same.

2. The revolution happens in a large number of underdeveloped countries at the same time or in quick succession; the underdeveloped countries then join together into a federal state capable of overcoming the opposition of capitalist countries and establishing socialism. This was the original idea behind the foundation of Lenin's Russia later renamed the Soviet Union to demonstrate to the rest of the world the validity of his control."

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É impressão minha ou ambas as teorias não diferem muito uma da outra? Estas coisas provavelmente explicam as amizades políticas.

IX Semana da Física




A Semana da Física é um projecto desenvolvido pelo Núcleo de Física do Instituto Superior Técnico e tem por objectivo promover a educação Científica em Portugal. Neste âmbito a Semana da Física tem sido a principal actividade do Núcleo desde a sua criação, uma semana totalmente dedicada à divulgação científica.


Não se deixem enganar pela imagem - a Semana da Física inclui também palestras, workshops e observações astrónomicas. O horário pode ser visto aqui.

Tuesday, November 08, 2005

Espantalho ad nauseam

Rui Costa Pinto, deixe-me agradecer-lhe o seu comentário. Foi para mim esclarecedor, até porque tinha chegado ao seu blogue mas não sabia se o artigo na Visão era seu.

Não se preocupe, já sei que é típico de muita gente com ideologias de esquerda/socialistas negar a realidade. O PMF respondeu-lhe, e muito bem, afirmando que França é, provavelmente, o país mais anti-liberal da Europa. Tem dúvidas disso? É que terá de me provar a mim e ao PMF, assim como ao Brainstormz, que também leu o seu comentário, o contrário. Quando medidas mais liberais possam ter sido tomadas (por necessidade), o resultado, talvez surpreendente para algumas pessoas, parece ter sido este. A si, só lhe falta dizer que França é um paraíso capitalista. E o mesmo relativamente a Portugal, que é outro bastião dos "neo-liberais".

Há diversos pontos no seu comentário que serão dignos de discussão.

1. "Já se tornou um hábito assistir ao indecente escrutínio dos fracos e à tolerância em relação aos poderosos, a um sistema que esmaga quem não pode suportar mais a miséria e a exclusão."

Isto é a sua forma de tornar legítimos os comportamentos daqueles que destroem a propriedade alheia? Significa isto que qualquer pessoa que esteja desempregada/desesperada e sem perspectivas de vida pode fazê-lo sem temer enfrentar as consequências?

Poderosos? Quais poderosos? Não me diga que as pessoas que trabalham, pagam impostos e viram os seus carros queimados são "os poderosos"?

2. "Hoje, a direita e a esquerda francesas, tal como as portuguesas, deixaram-se levar pelos cantos da sereia do capitalismo selvagem, camuflado por um conceito de globalização que tem servido para sustentar o insustentável."

Para si, "capitalismo selvagem" é o quê? Proteccionismo, Estado Social, estatismo e intervenção estatal?

3. "Só os fundamentalistas de direita conseguem recusar a evolução civilizacional e a falência de um modelo assente na pobreza e na injustiça."

Nós não recusamos a falência desse modelo. Nós denunciamos a falência desse modelo. Reparou, assim só por acaso, nos títulos do AAA (Paris, 2005: o modelo social europeu em chamas) e da Joana (A Hipocrisia do Modelo Social)?

4. "A mediocridade da argumentação chega ao ponto de perguntar: «Se uma revolta deste tamanho se desse em Cuba, seria por que razão? Devido ao embargo americano?» Eu respondo-lhe: Evidentemente!"

Não era uma argumentação, era uma ironia apropriada à sua frase final no artigo da Visão. O que o RCP disse não tem argumentação possível. Factos são factos. E também já ficámos a perceber que a culpa dos males em Cuba se deve aos americanos. Só não compreendo a sua repentina crença no mercado livre entre os EUA e Cuba.

5. "Só uma pequena fracção de idiotas de direita, hipócritas (…) é que não percebem que a nova ditadura do liberalismo está condenada ao fracasso."

Explicite. Acima disse que a direita portuguesa/francesa se tinha deixado levar pelos cantos do "capitalismo selvagem". Agora, apenas uma fracção dos "idiotas de direita" não acredita que o liberalismo é um fracasso. E explicite também o que quer dizer com "ditadura do liberalismo". Essa expressão é, em si, completamente contraditória.


Para finalizar, apenas um pedido. Pare de fazer o choradinho com que começou o seu texto, referindo-se "ao escrutínio dos fracos" por parte daqueles que têm "os cofres cheios". É que, avaliando as suas palavras, todos os pobres teriam de ser socialistas, o que não só não é verdade como é puramente insultuoso. Contudo, talvez tenha razão quanto a uma coisa – o facto de que nós somos "idiotas". A verdade é que poderíamos ser hipócritas, dizer o contrário e, talvez, se fossemos suficientemente bons na retórica, nos convidassem para escrever artigos na Visão.

Arranjar as finanças, destruir a economia

Aumento do IVA é a única certeza na Alemanha

"Uma única certeza se divisa após três semanas de negociações: o aumento dos impostos é inevitável.

O Partido Social Democrata (SPD) deixou definitivamente de resistir ao plano dos democratas-cristãos da CDU de incrementar o IVA dos actuais 16% para 18%.

Pelo contrário, o novo presidente indigitado do SPD e ministro-presidente do estado federado de Bradeburgo, Matthias Platzeck, considerou “perfeitamente possível” um aumento gradual do IVA até 20%.

Por seu lado, a CDU renunciou ao propósito de aplicar as receitas adicionais do IVA exclusivamente no financiamento da redução dos custos do factor trabalho: torna-se cada vez mais evidente que elas terão que servir para tapar o buraco orçamental."
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Se a dívida é do Estado, porque têm de ser os contribuintes a pagá-la?

Fico à espera do meu contrato com a Visão

Se Rui Costa Pinto pode escrever uma coisa tão ignorante como a que escreveu ontem na Visão, qualquer um lá pode ter uma coluna semanal.

O perfume de revolta

"A explosão social que se vive em França, de norte a sul, é mais uma séria advertência aos governos da União Europeia.

(...)

O crescimento do fosso entre os ricos e os pobres, estampado em todos os estudos, devia merecer outro tipo de medidas governamentais.

(...)

A miséria e a exclusão impedem o desenvolvimento económico, minam a paz social e comprometem a ordem pública.

O desespero da racaille (escumalha), como lhe chamou Nicolas Sarkozy, é muito mais do que uma resposta à atitude racista do ministro do Interior francês.

É a prova do falhanço das políticas neoliberais."


(via Blasfémias)

Ocasionalmente, escrevo umas sátiras relativamente ao discurso socialista. Para quê escrever sátiras quando o mais hilariante e imprevisível está na realidade do quotidiano? Se uma revolta deste tamanho se desse em Cuba, seria por que razão? Devido ao embargo americano?

Monday, November 07, 2005

Charro presidencial




Yo, Broda.

Peace.

Make Love not War. Pobreza e racismo não são cool.

Essa cena da violência é bué má onda, man. Também não é nada cool. Essas energias negativas que tens dentro de ti fazem-te bué mal, chavalo. Não à guerra, mano, isso é g'anda fascismo. É preciso dialogar, topas?

Isso da discriminação é uma cena muita marada, a gente precisa é de paz interior...

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Tradução para Português das declarações de Jorge Sampaio acerca dos distúrbios em França, onde já foram queimados uns 5000 carros, umas dezenas de escolas, igrejas, lojas, etc...

Sampaio defende integração de minorias para prevenir violência
"(...) temos que defender aquilo que é a capacidade de integração, de conviver com o outro, de termos as minorias que se possam exprimir da forma que queiram. Isso faz parte do nosso país, da nossa cultura.

(...) a cultura, a tolerância, a solidariedade são elementos muito importantes para que nós hoje possamos estar aqui todos sem ninguém perguntar aos outros o que é que são, o que é que pensam, terem a sua fé ou não terem fé nenhuma."