Pages

Sunday, October 23, 2005

Dúvidas socialistas VII

O verdadeiro marxista acusa a direita de defender a moral e os bons costumes. Em debates relacionados com o aborto, o consumo de drogas, a prostituição e a eutanásia, a direita é acusada de ser moralista, puritana e defensora de princípios éticos de base religiosa que são estritamente contra a liberdade individual.

Contudo, se os verdadeiros marxistas se revoltam tanto contra os princípios morais e éticos, por que razão esboçam como primeiro argumento contra o “capitalismo selvagem” a falta de solidariedade e preocupação para com as classes mais pobres e desfavorecidas?

Dúvidas socialistas VI

Qualquer pseudo-intelectual de andar por casa que se preze é de esquerda porque ser de direita é completamente inadmissível e um atentado aos direitos das pessoas. O verdadeiro pseudo-intelectual de meia-tigela nunca pode ser de direita porque tem alergia ao autoritarismo que, obviamente, é fruto da direita imperialista.

Se o intelectual de esquerda é assim tão intelectual, como é que ainda não percebeu que os regimes socialistas são autoritários e que a extrema-direita que tanto odeia é, na verdade, uma forma evidente de socialismo?

Dúvidas socialistas V

Se o socialismo é a ideologia da democracia e da liberdade de expressão, porque tentam os socialistas cortar sempre o discurso de outros que não partilhem os seus ideais, ao som de carinhosas alcunhas como "fascista" e "nazi"?

Dúvidas socialistas IV

O bom comunista defende sempre o direito da mulher a abortar porque as mulheres são donas do seu corpo e devem ser elas a decidir o que fazer com o seu útero. Quererá isto dizer que os comunistas reconhecem o direito à propriedade privada?

Saturday, October 22, 2005

Dúvidas socialistas III

Um marxista que se preze chama outro marxista de camarada. Ora, se os marxistas apoiam a luta de classes como forma de destruir esta mesma diferenciação, por que razão insistem em apelidar-se mutuamente com um sistema que implica a existência de uma hierarquia estratificada, semelhante à de um batalhão militar, e de um líder?

Friday, October 21, 2005

Causa Nossa - a verdadeira!

Estão a ver aquela ligação ali do lado direito, a primeira? Sim, aquela que diz Causa Liberal.

Estes senhores, em conjunto com a editora O Espírito das Leis acabaram de editar uma tradução - esforço louvável do André Azevedo Alves - da obra Escuela Austríaca, Mercado y Creatividad Empresarial do economista espanhol Jesús Huerta de Soto, que passa agora também a estar disponível em Português.


A iniciativa é excelente. Parabéns e muito obrigado!

J'écris ton nom

Pequim bloqueia acesso de cibernautas à Wikipedia

As autoridades chinesas bloquearam o acesso à enciclopédia livre online Wikipedia, a maior do mundo. O alerta foi dado pela organização Repórteres Sem Fronteiras (RSF), que está preocupado com o crescente controlo que Pequim exerce sobre a Internet.
---

Há certas coisas que vejo difíceis de conjugar. Já me disseram que a China cresce porque é comunista. Já me disseram que a comunismo é a liberdade e já me disseram que a Wikipédia, à semelhança do Linux, claro, é um projecto anarco-comunista.

Ora, pergunto eu, na mais pura das dúvidas.

Se a Wikipédia é um projecto anarco-comunista e se a China é um país livre (porque, afinal, até cresce por ser comunista) o que explica esta notícia? Não, não me diga, caro seguidor das doutrinas colectivistas, eu já sei. Afinal, a China já não é comunista porque se vendeu ao capital. A China agora é um país de desigualdade social porque se vendeu aos "interesses financeiros" e já não é livre! Eu bem sabia que aquelas purgas maoístas e o Livro Vermelho eram só para enganar. Eles eram capitalistas infiltrados, não são comunistas verdadeiros. Vocês não defendem esse comunismo do capitalismo estatal, que é totalmente contra a liberdade! Por isso se explica que eles sejam tão fascistas e proíbam o projecto da Wikipédia que é anarco-comunista!

Mas fica uma dúvida. Sendo os fascistas a favor de um controlo económico, como podem ser capitalistas? Ora bem, não me diga senhor colectivista, eu já sei. A distribuição da riqueza é necessária para balancear os efeitos da economia de mercado, que é obviamente injusta para com as classes desfavorecidas, não é verdade? É por isso que o senhor colectivista tanto aprecia essas medidas fascistas, salvo seja, claro.

Mas porquê proibir a Wikipédia, então? Espere, espere. Já sei, a Wikipédia está inundada de forças reaccionárias devido ao "excesso de liberdade", é por isso que se devia estabelecer uma autoridade para regular e fazer uma distribuição das tarefas, de acordo com a população!

Conclusões preliminares:

- A China é um país comunista mas não é.

- A China é um país livre (porque é comunista) mas não é (porque é capitalista).

- A China cresce (porque é comunista) mas não cresce (porque é capitalista).

- A Wikipédia é livre (porque é anarco-comunista) mas, afinal, não devia ser.

- A Wikipédia é anarco-comunista mas não é.

Conclusão comunista final:

- O governo chinês faz bem em proibir a Wikipédia em nome da preservação da liberdade.

Thursday, October 20, 2005

Dúvidas socialistas II

Uma marxista que se preze aparece sempre com o discurso dos malefícios do capitalismo associado ao desprezo pelos trabalhadores (os escravos da burguesia) e pelas minorias sociais desfavorecidas. Por esta mesma razão, são críticos do nacionalismo e da xenofobia.

Ora, um marxista que se preze apoia também o proteccionismo económico como medida de defesa contra as potências imperialistas que pretendem colonizar o seu país e explorar a capacidade de trabalho das forças proletárias com mais medidas capitalistas levando, ainda por cima, os fundos económicos para o estrangeiro, para longe destas mesmas forças proletárias.

Por outras palavras, um marxista consegue ser ao mesmo tempo crítico do nacionalismo e das divisões raciais enquanto apoia medidas proteccionistas da economia para evitar invasões estrangeiras. Simultaneamente, defende que não devemos tomar atitudes discriminatórias nem colocar imposições de imigração para com os estrangeiros porque somos todos iguais e distinguir raças é ser neonazi mas acha que os estrangeiros são exploradores da mão-de-obra nacional e que os os trabalhadores nacionais são mais importantes do que os estrangeiros (até mesmo os camaradas de leste).

Um marxista que se preze fala dos efeitos nefastos que o capitalismo tem sobre o ambiente. Qualquer bom comunista aprende à sua nascença a expressão “impacto ambiental” dizendo também que é responsabilidade das instituições estatais regular este mesmo problema causado pelas “forças reaccionárias” e pelas políticas neo-liberais selvagens. Um marxista que se preze apoia também o controlo do mercado, que é o causador dos desequilíbrios sociais, e a sua nacionalização.

Por outras palavras, um marxista consegue ser ao mesmo tempo crítico do impacto que a actividade humana tem sobre o ambiente (do qual o ser humano até faz parte) e da busca natural de soluções que o mercado executa para tentar por fim a esse mesmo problema, já que ele prejudica os próprios seres humanos.

Alguém me sabe dizer se já foi feito algum estudo neurológico que medisse o tamanho das (telo)dendrites e dos axónios desta gente?

Dúvidas socialistas I

Alguém me sabe dizer por que razão as paginas nacionalistas/fascistas têm sempre ligações para os seus companheiros de luta nacionalista/fascista de outros países?

Alguém me consegue explicar como é que eles até organizam encontros internacionais e conseguem ser solidários uns com os outros?

Um candidato à medida

Parecendo que não, talvez o Vieira seja o candidato mais sério à Presidência da República. Pelo menos é o único cuja figura rídicula é puramente intencional.



Junto-me assim à campanha informal - levada a cabo pelo André e pelo FA - de apoio ao candidato que é verdadeiramente adequado ao estilo democrático português.

Darwinismo marxista

Ultimamente tem-se andado por aí a falar muito de darwinismo social e económico, em resposta às críticas do que é a capacidade de auto-organização humana.

Para além de recomendar vivamente as palavras do António Amaral, as do João Miranda (que na verdade, foram as que causaram o debate) e as do Miguel, gostaria também de recomendar um artigo do Jorge Valín que li há uns meses e que representa as minhas visões acerca do assunto a 100%. Assim sendo, recomendo a leitura integral do artigo que é bem curto e abstenho-me de fazer mais comentários.

"Arde el Estado"

"(...) el libre mercado es todo lo contrario. En la jungla sobrevive el más fuerte a expensas del más débil, en cambio en un sistema puramente capitalista todos se benefician de todos, y aquel que triunfa no es por su brutalidad contra el resto, sino por su pericia y habilidad para servir a los demás. Así pues, en un sistema capitalista destaca el que mejor sirve al resto."

Wednesday, October 19, 2005

Soares, o canalizador

Mas alguém que realmente queira apoiar Mário Soares, faz trocadilhos com o Super Mário? Coitado do Mário. O Super.



Relembro que menores de 18 não votam.

---

P.S. - Vários minutos depois, apercebi-me de que afinal até faz sentido. A Presidência da República é uma espécie de jogo em que são os contribuintes que levam com o Game Over.

Japão incentiva entrada no mercado de trabalho

Japão corta 5% aos salários de funcionários públicos

Os funcionários japoneses da administração local estão prestes a ver as suas remunerações reduzidas em 5% a partir do próximo mês de Abril, início do novo ano fiscal.


De acordo com o que noticia o jornal Nihon Keizai Shimbun esta quarta-feira, as comissões encarregadas de gerir os quadros de pessoal de 39 perfeituras do Japão decidiram recomendar aos órgãos executivos uma redução de cerca de 5% nas remunerações auferidas por todo o pessoal da administração pública.

Pensamentos soltos

Portagens nas SCUT

"Os únicos portugueses que podem temer este orçamento são aqueles que de uma forma sistemática têm fugido ao fisco”

Quem me dera que isto fosse verdade. Significaria que tinha uma conta bancária com alguns zeros.

“vamos continuar a luta contra a fraude e a evasão fiscal"

Adeus economia informal.

«Teixeira dos Santos considera que Paulo Macedo "está a justificar o que ganha" - cerca de 24 mil euros mensais.»

Eu sempre achei que trabalhar por conta própria e gerar o nosso próprio dinheiro era um boa ideia.

«Na Função Pública, "os trabalhadores vão, de facto, ver dignificadas as suas carreiras"»

Finalmente, uma boa notícia. Estava a ver que não anunciavam despedimentos.

«a actualização dos ordenados "vai ser objecto de negociação com os sindicatos".»

Pensei que a União Europeia condenava o cartel?

«"o sistema de avaliação dos funcionários não funcionou em pleno" este ano.»

Em que ano funcionou?

"fomos enganados pelos governos anteriores"

Em matemática chama-se a isso função constante.

"[A situação das finanças] obrigou a ter que se fazer um esforço de consolidação governamental bem mais forte e mais exigente".

Estilo ordenados de 24 mil euros e projectos de investimento público, não é?

«Teixeira dos Santos elogiou mesmo a "coragem" de José Sócrates em aumentar os impostos»

Desde quando se apelidam crimes de actos de coragem?


"Era a única forma de rapidamente podermos ter um efeito de redução do défice, através da despesa demora bem mais tempo".

Demora menos tempo reunir dinheiro do que simplesmente não gastá-lo? Em que galáxia?

«Mas mesmo a despesa "vai já começar a reduzir-se a partir do próximo ano", garantiu.»

O Falcon avariou?

"Na entrevista à SIC, Teixeira dos Santos revelou que pondera a introdução de portagens em algumas SCUT."

E dizia ele que os únicos que deviam temer o orçamento eram os que fugiam ao fisco.

«Quantos aos projectos para o aeroporto da Ota e o comboio de alta velocidade, o ministro recordou que "já se equacionaram estas questões há vários anos"»

Os estudos da Ota foram levados para a Torre do Tombo? É por isso que só vêm em Novembro?

"os combustíveis vão ser mais caros"

A culpa é do Bush. Foi para o Iraque arranjar petróleo e ainda não nos deu nada. É um neo-liberal neo-colonialista neo-imperialista ingrato.

"Vamos ter que nos socorrer de novas tecnologias, a novas fontes de energia de forma a aliviarmos a nossa dependência do petróleo"

Como aquele projecto de central nuclear que foi recusado pelo governo? E o MIBEL que está em águas de bacalhau?

Tuesday, October 18, 2005

Combater pobreza com mais pobreza

Portugal tem a maior desigualdade entre ricos e pobre

Portugal é o país da União Europeia onde há mais desigualdade entre ricos e pobres, uma situação que é característica dos estados em vias de desenvolvimento, segundo dados revelados hoje à agência Lusa pela associação Oikos.

(...)

Para João José Fernandes, estes dados mostram que Portugal necessita de uma política redistributiva e de "encarar de frente o problema da desigualdade".

---

O ideal utópico socialista da redistribuição. Roubar aos ricos para dar aos pobres. Porque não é isto uma solução viável, para além da clara violação do direito de propriedade? Por várias razões.

Primeiro, é um total desincentivo à acumulação de riqueza. O que acontece actualmente é que muitas pessoas não desejam ter um certo montante elevado em contas bancárias porque sabem que terão de pagar um imposto sobre capitais acumulados. O Estado incentiva, portanto, a que se façam investimentos (ou se liquidem dívidas) mesmo que estes não sejam realmente lucrativos, tornando artificial o processo natural de investimentos. Situação semelhante acontece com as oscilações da taxa de juro.

O que acontece, então, após tanta política com intenções de uma redistribuição de riqueza? Há menos dinheiro em jogo. Há menos dinheiro que poderia ser perfeitamente investido, por iniciativa individual, em áreas tão distintas como a educação e a construção civil. Havendo menos dinheiro disponível, existe também um medo crescente de investir porque a situação económica se aproxima da estagnação, senão mesmo da recessão. É o que acontece aos potenciais investidores que, apesar das políticas de extracção financeira para os cofres estatais, desejam ainda fazer uma aplicação do seu dinheiro e precisam de entrar em conta com o custo de oportunidade do investimento que querem fazer. Este torna-se crucial em situações de pouca disponibilidade financeira.

Todavia, em termos gerais, qual é o interesse de um possuidor de capital em investi-lo se, ao ter as suas quantias líquidas em Portugal, terá mais dificuldade em movimentá-lo como desejar? Se há risco de intervenção governamental, o investidor sabe (e, na verdade, sabe-o muito bem, razão pela qual os mercados financeiros reagem tão depressa após os dias de eleições legislativas em todo o mundo) que esse é um factor de risco que deve ponderar cautelosamente. Qual de nós gostaria de ver parte da sua propriedade confiscada directamente? Qual de nós gostaria de ver impossibilitada a venda, parcial ou total, do objecto do seu investimento por esquemas de controlo estatais? Qual de nós está disposto a aguentar uma lei laboral extremamente rígida e a investir dinheiro numa localidade que não parece ter futuro económico algum? Se não há perspectivas de crescimento económico nacional, o investidor (nacional ou estrangeiro), tomando também em conta as eventuais intervenções governamentais, exprime as suas opiniões pelas acções económicas que decide efectuar. O resultado deste fenómeno a nível conjuntural é muito poderoso. Quando se fazem as contas para o país todo, percebe-se que o investimento foge a passos largos. Percebe-se que o local em questão deixou de ser económica e socialmente atractivo e que os capitais desapareceram, gerando problemas sociais como o desemprego. E isto não se deve à falta de apoios fiscais mas sim à falta de liberdade económica que o investidor sente ao aplicar (ou não) as suas poupanças e regular a sua propriedade como bem entender.

Os fundos que foram reconduzidos para as instituições estatais servem a sua auto-subsistência e fundamentam uma politica intervencionista de supremacia da segurança social, de subsídios aos produtores nacionais e outros relacionados com interferências prejudiciais ao mercado de trabalho que, artificialmente, reduzem a oferta ou inflacionam os preços dos bens de consumo.

Toda esta ausência ou redução de investimento afecta negativamente a taxa de desemprego. O poder de compra sofre também as suas consequências. Ou muito me engano ou o poder de compra é uma boa medida do rendimento geral dos indivíduos e da sua pobreza. Dizer bacoradas como a de que a forma de reduzir o fosso entre ricos e pobres é melhorar as políticas de redistribuição tem quase tanta lógica como o bloqueio dos têxteis chineses. Sim, a ideologia politica dos governos nacionais faz com que estes queiram proteger os produtores nacionais. Quem não acha muita piada são os retalhistas, que ficaram sem stock embora o tivessem pago, e os consumidores que ou não adquiriram os bens que desejavam ou foram forçados a comprar algo mais caro, reduzindo o seu poder de compra. Sim, um bloqueio de têxteis gera pobreza. Excepto, claro, quando se tem outro país como a Índia de onde se importar. Quem perde mais é o consumidor europeu porque nem sequer possui liberdade de escolha.

Já agora, alguém ouviu falar de alguns dirigentes europeus que se queixavam de um bloqueio embargo americano qualquer? Pensei que a Europa tinha um bom mercado de espelhos.