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Thursday, October 13, 2005

Oxímoros ibero-americanos

- Segundo a RTP, discute-se na XV cimeira ibero-americana uma "cidadania comum" a todos os cidadãos destes países, aparentemente por proposta de Miguel Ángel Moratinos, ministro dos negócios estrangeiros espanhol. A proposta é no mínimo interesse e gostaria de ver em que se baseia. Com o amor mútuo que existe entre os países da América do Sul, deve ser fácil. Com o amor que estes mesmos países (onde, em grande parte, ainda portugueses e espanhóis são vistos como os "colonos imperialistas exploradores") nutrem para com a Península Ibérica também deve ser fácil. E então com o amor que há em Portugal a Espanha deve ser ainda mais fácil. Já para não falar das convulsões internas em Espanha onde cada região puxa para seu lado. "A Catalunha é uma Nação". O Plano Ibarretxe. A Galiza a esfolar-se por se destacar de Espanha, etc. Falar de cidadania comum só pode ser uma piada de mau gosto. Também se poderia falar em unir a União Europeia à Mercosul. Tem o mesmo nível de lógica.

- Através das páginas da XV cimeira ibero-americana (onde, se se esperar tempo suficiente, se podem ver fotos da Shakira no topo, esse símbolo marcante da cultura ibero-americana) pude ver que Fidel Castro vai comparecer, a convite do executivo socialista espanhol. Fica, portanto, de lado a hipótese de atentado porque o homem até vai ter protecção estatal.

- Em declarações aos meios de imprensa, Souto Moura, Procurador-Geral da República, afirmou que falou com o seu homólogo venezuelano acerca do caso relacionado com os portugueses detidos por suspeita de tráfico de droga. Ao que consta, foi-lhe dito que na Venezuela há uma separação de poderes e o poder executivo não pode interferir no judicial. Nas mesmas declarações de imprensa, pôde saber-se que Jorge Sampaio vai tentar conversar com Hugo Chávez acerca do assunto. Ou o Presidente Sampaio não sabe que na Venezuela, afinal, se segue um modelo político à la Montesquieu ou então está-se a chamar ditador ao Sr. Hugo Chávez, coisa que (para além de ser uma mentira evidente, claro) é uma acção diplomática muito grave.

- No seguimento da VIII Cimeira Luso-brasileira, ouvi Lula da Silva e José Sócrates apelarem ao investimento dos empresários nos dois países. Ouvi Sócrates a apelar ao investimento brasileiro em Portugal e Lula ao investimento português no Brasil. Fiquei a saber que afinal a globalização é boa e também o são o investimento estrangeiro e a circulação de capitais. Para quem defende tão entusiasticamente o socialismo, estas declarações foram, no mínimo, interessantes. No lugar de Marques Mendes, eu mudaria de partido. A sua vitória em próximas eleições do congresso do PS seria canja de galinha.

Camaradagem marxista


El PP impulsa una iniciativa para que la Cumbre de Salamanca exija el fin de la dictadura castrista

Diputados españoles e iberoamericanos, impulsados por el PP, firmaron este martes en Madrid un documento en el que instan a los jefes de Estado y de Gobierno que acudirán a la Cumbre Iberoamericana de Salamanca que exijan a la dictadura castrista el respeto a la libertad y los derechos humanos del pueblo cubano. Además exigen que se establezcan mecanismos para garantizar que los acuerdos en materia de derechos humanos que se adoptan en este tipo de cumbres sean cumplidos.
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Uma daquelas notícias curiosas. Questiono-me porque não terá sido o PSOE a fazê-lo. Afinal são eles os maiores apregoadores dos valores democráticos e da diplomacia ou será que o socialismo não tem nada a ver com isto?

Wednesday, October 12, 2005

Base de dados na Atlântico

Foi publicado na versão on-line da revista Atlântico uma versão adaptada do texto original que aqui está publicado. (Agradecimentos ao Brainstormz por ter apontado o artigo 26º da Constituição Portuguesa, que vim a adicionar ao texto).

Escrevo este pequeno apontamento para que possam também ter acesso a esse "resumo" sem necessidade de comprar a revista e para divulgar algumas das reacções que presencie ao artigo em questão...

Reacção 1: Pois...

Reacção 2: Está muito bem escrito.

Reacção 3: És tu aqui na foto? Não pareces tu...

Reacção 4: Hum, ok...

Reacção 5: [comentário vindo de uma socialista] Quanto é que te pagaram por isto? Nada? Está mal, está mal...

Reacção 6: [ao ver uma notícia que por acaso estava a passar numa televisão, sobre doenças genéticas, em que o geneticista manuseava um tubo de ensaio] Olha! Lá estão eles a fazer aquilo do ADN!

Reacção 7: Então, mas tu tens um curso de jornalismo? Não? E eles deixaram-te escrever? [note-se o uso curioso do "eles"]

Reacção 8: Eles não te deixaram escrever sobre física? [note-se, novamente, o uso curioso do "eles"]

Reacção 9: Se tu dizes, é porque é...tu percebes mais disto do que eu...

Reacção 10: [depois de ter dito que o importante era o artigo, não o facto de ter sido eu a publicá-lo] Tens de ter mais vaidade em ti próprio!

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Alguém me explica porque existem tantos atrasados mentais neste país?

The Truth is out there

Uma refutação do socialismo através dos factos. Aqueles mesmos factos que o mundo já aceitou na prática (incluindo a China e a Rússia) mas continua a combater ideologicamente. Um artigo excelente para guardar e mostrar aos amiguinhos marxistas, especialmente aos que procuram erradicar a pobreza.

The Wealth of Generations:
Capitalism and the Belief in the Future


de Johan Norberg

What happened was that the proletarians became middle class, and the middle class began to live like the upper class. And the most liberal country, England, led the way. According to the trends of mankind until then, it would take 2 000 years to double the average income. In the mid-19th century, the British did it in 30 years. When Marx died in 1883, the average Englishman was three times richer than he was when Marx was born in 1818.

(...)

Another reason for this happiness is that a liberal and market-oriented society allows people freedom to choose. If we get used to it we will get increasingly better at choosing to live and work in ways we like. And if you don’t think you get happier by hard work and mobility, just skip it. A survey showed that 48 percent of Americans had, in the last five years, reduced their working hours, declined promotion, lowered their material expectations or moved to a quieter place. Fast-food or slow-food, no logo or pro logo? In a liberal society, you decide. That is, as long as we are free to make the decisions ourselves. Those who use happiness studies to put forth an anti-market agenda would deny us that freedom. They would tell us how to live our lives, and therefore they would reduce our ability to make such decisions in the future.


(via O Insurgente)

ÀS ARMAS! ESPANHA! INVASÃO!



CTT lançam serviço de correio expresso à escala ibérica

Os CTT - Correios de Portugal lançaram hoje um serviço de correio expresso à escala ibérica, no seguimento da compra, em Junho, da empresa espanhola Tourline Express por 28,5 milhões de euros.

Invasão portuguesa, por supuesto. Eu, se fosse aos espanhóis, punha-me na fronteira com uma caçadeira de canos cerrados e várias granadas de mão. Sim, porque isto é obviamente uma táctica portuguesa para dominar Espanha economicamente já que não se conseguiu fazê-lo por via militar. O exército português vem atrás, está camuflado nos postos fronteiriços.

Tuesday, October 11, 2005

Paradoxo democrático

A ideia de democracia baseia-se na expressão individual dos votos e na crença de que a soma destes mesmos votos demonstra a vontade colectiva. Embora a sua execução tenha como princípio a manifestação da vontade particular, o resultado geral (e efectivo) é extrapolado pelo merecedor da maioria dos votos individuais, dando assim origem a uma contradição na representação do indivíduo. Este poderá estar a ser representado por alguém em quem não votou, mesmo que tenha demonstrado pessoalmente a vontade em ser governado por outro candidato.

Em resumo, o sistema democrático é, na verdade, muito pouco democrático. A semântica desta última frase demonstra como é possível que a palavra democracia possa até ter chegado a significar em termos linguísticos uma coisa que na realidade nunca foi.

Indecisões dos fãs da democracia

Os primeiros que apontam o dedo aos eleitores que votaram em Fátima Felgueiras, Isaltino Morais e Valentim Loureiro, etc. são também os mais fervorosos crentes no processo de eleição democrática e no regime democrático em si. A sua evidente contradição nasce da dicotomia interna que nutrem ao aceitar a democracia e, em simultâneo, criticar os ditos eleitores pela sua escolha pessoal.

Ou se aceita a democracia e se compreende que esta implica o centro de decisão como o próprio individuo ou se é completamente sincero e se admite que estaríamos melhor sem ela. E neste caso, das duas uma, ou defendemos uma democracia parlamentar em que só uma certa classe de ilustrados tem direito de voto ou concordamos que a existência de um governo eleito é inaplicável e vivemos melhor num sistema ditatorial ou num em que o governo simplesmente não existe.

Portugal é um país evoluído

Embora seja acusado tantas vezes de parecenças com o terceiro mundo (EUA, por exemplo), Portugal até é um país avançado. Já tem eclipses solares, furacões e tudo.

PCP assume finalmente que o eleitorado comunista é o mais estúpido de todos!

CDU quer repetir eleições em Viseu

A CDU/Viseu requereu segunda-feira a anulação e repetição das eleições no concelho de Viseu, devido a "graves erros" de impressão dos boletins que na sua opinião prejudicaram a identificação da coligação pelos eleitores.

Nos requerimentos à Comissão Nacional de Eleições (CNE) e ao juiz presidente da Assembleia de Apuramento Geral do Concelho de Viseu, a coligação sustenta que nos boletins de voto naquele concelho falta a expressão "CDU" (Coligação Democrática Unitária), "que mais frequentemente é usada e apreendida pelos cidadãos".

Segundo Francisco Almeida, mandatário da CDU no concelho de Viseu, o boletim de voto continha apenas a designação "Coligação Democrática Unitária PCP-PEV", além do símbolo da CDU estar impresso com a ordem dos logótipos invertida (primeiro o girassol - que identifica os Verdes - e depois a foice e o martelo - símbolo do PCP).

"Ora, num concelho onde a CDU elege ou não os seus candidatos por escassa margem de votos, estes erros prejudicam gravemente a expressão da vontade dos eleitores, sobretudo entre aqueles com menor grau de escolaridade", acrescenta a CDU/Viseu.

Caminha comigo...ou não

EUA sugerem reduzir em 60% os subsídios à agricultura

Portman anunciou que os EUA estão dispostos a reduzir em 60% as ajudas internas aos agricultores. Uma oferta que foi bem recebida pela União Europeia e imediatamente coberta.

“A UE vai cobrir – e na realidade irá substancialmente além – o corte de 60%, proposto pelos EUA, no apoio que mais distorce o comércio ”, disse o comissário europeu do Comércio, Peter Mandelson, na sessão especial de três dias com 15 países membros da OMC. De facto, a proposta de Bruxelas é reduzir os apoios internos, no mesmo capítulo, em pelo menos 65%, um valor que se inscreve na actual reforma da Política Agrícola Comum (PAC).


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Ficamos também à espera (com poucas esperanças) de que a UE decida caminhar ainda mais no caminho do capitalismo do que os EUA e decida destruir as quotas de mercado estabelecidas pela PAC. Ou talvez isso seja pedir muito? (Virá o argumento da "protecção dos produtores e mercados nacionais", etc....)

Os agricultores portugueses acham muito mal que os produtos estrangeiros invadam o mercado mas quando Portugal ultrapassa os limites de exportação e os agricultores são forçados a destruir as suas colheitas, revoltam-se. Curioso. "Não exportem mas deixem-nos exportar". Portugal devia ganhar o IgNobel da Economia um destes anos.

Monday, October 10, 2005

Maldito capitalismo

Banco da China deve entrar em bolsa em Março de 2006

O Banco da China deverá entrar em bolsa em Março de 2006, dependendo das condições de mercado, afirmou o representante do presidente chinês, Zhu Xinqiang esta segunda-feira.

Desinteresse político

Conclusões e análises a posteriori:

1. O meu voto não foi necessário. Carrilho afogou-se na sua própria arrogância como, aliás, parece ter sido evidente no seu discurso de derrota (ou terá sido de responsabilização alheia?)

2. O povo gosta de candidatos-bandidos. Quem aguarda pelo voto das pessoas para retirar arguidos dos postos autárquicos certamente não conhece o processo democrático. E provavelmente têm uma visão muito utópica da mente humana.

3. Todos os partidos ganham sempre. O PS ganha porque não há leitura nacional a fazer, embora tenha havido noutras ocasiões em que fosse mais conveniente (por exemplo, nas últimas autárquicas). O PSD, o verdadeiro vencedor (?), ganha mesmo porque ganha. O PCP ganha porque recupera aquela câmara e aquela outra. O BE ganha porque aumenta o número de vereadores. O CDS ganha porque ainda não morreu.

4. A teoria da rotatividade aplica-se. Ainda há poucos meses as sondagens davam a vitória a Carrilho. A de Assis era possível e por aí adiante. Mas o bom povo português costuma optar por castigar o partido de que não gosta ou melhor dizendo, o de que não gosta na altura. Sim, porque em última instância, todos os portugueses são do PS ou do PSD.

5. Vira o disco e toca o mesmo. Em alguns casos o disco nem sequer vira.

6. Em altura de resultados, todos assumem postura moralista. Até mesmo aqueles que, durante a campanha, contrariam esse mesmo moralismo pelas suas acções (o que não significa que não tenham também uma postura moralista).

7. Não é preciso que se faça uma boa campanha para vencer. Basta que o oponente mais promissor faça uma desastrosa.

8. Qual é a excitação repentina com o poder local? Já se esqueceram todos de que o poder está em Lisboa? Pelos discursos de alguma gente (incluindo analistas políticos conceituados) quase dá a sensação de que Portugal é constituído por estados, à semelhança dos EUA ou da própria UE.

9. A democracia nunca sai derrotada. É simplesmente má.

10. Ter vários familiares na política nem sempre é garantia de vitória. Especialmente quando eles fazem campanha por nós no único dia em que não podem. No entanto, há políticos que se atrevem a dizer que estão contentes pela vitória do seu pai. Outros que poderiam dizer que estão enojados pela prestação do seu irmão. Outros que estão contentes com a vitória do marido, etc. Portugal é um país tão grande que todas as famílias têm mais do que um elemento político.

10. O choque tecnológico está realmente em andamento. Parece que o pessoal que tentou ler os resultados no STAPE não conseguiu porque o servidor estava em baixo.

11. Alberto João Jardim é o grande vencedor. Chama aos lisboetas "colonialistas" e ainda obtém a maioria absoluta. Extraordinário. Para quando o seu grito do Ipiranga?

12. O crime não compensa. Deve ser por isso que as televisões e os jornais andaram durante tanto tempo a fazer previsões sobre as autarquias dos candidatos que eram arguidos de processos judiciais. E ainda falam da necessidade de reinserção social.

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Em resumo, eleições. Grande euforia mas não há nada de novo. Na verdade, grande parte dos resultados era terrivelmente previsível. Ouvem-se discursos de mudança mas Portugal ameaça continuar no (constante) caminho da estagnação socio-económica.

Alguém falou em autárquicas?

Então houve eleições e ninguém me diz nada? Podiam ter-me acordado para ir votar e ver a euforia das previsões. Ora bolas...

Sunday, October 09, 2005

Small Gov? Really?

Cato Tax and Budget Bulletin

All presidents presided over net increases in spending overall, though some were bigger spenders than others. As it turns out, George W. Bush is one of the biggest spenders of them all.

(...)

In fact, some budget experts suspect federal spending related to hurricane relief will reach a total of $200 billion over the next few years. Congress has already appropriated $62 billion, and much of that money will be spent in fiscal 2006. If these budget increases are not offset by cuts in other areas of the budget, Bush’s spending record will look even worse next year.


(via O Insurgente)

Saturday, October 08, 2005

Empresa má, empresa boa

A indústria dos incêndios

"O país está a arder porque alguém quer que ele arda. Ou melhor, porque muita gente quer que ele arda. Há uma verdadeira indústria dos incêndios em Portugal. Há muita gente a beneficiar, directa ou indirectamente, da terra queimada.

(...)

Porque é que o combate aéreo aos incêndios em Portugal é TOTALMENTE concessionado a empresas privadas, ao contrário do que acontece noutros países europeus da orla mediterrânica?"


José Gomes Ferreira, 4 de Agosto de 2005

O Estado Obstáculo

Os patrões estão todos de acordo: investir em Portugal é cada vez mais difícil, porque o Estado não cria condições às empresas. É a falta de confiança dos investidores que leva muitas vezes as empresas a querem "fugir" para o estrangeiro.

(...)

São estas dificuldades, criadas pelo próprio Estado, é esta burocracia que leva muitas vezes a que o crescimento económico não seja maior.


José Gomes Ferreira, 22 de Setembro de 2005

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Em que ficamos?