Pages

Friday, September 30, 2005

Sim! Vitória Nacional!



Portugal sobe dois lugares na lista de competitividade

Não compreendo porque chamam a isto jornalismo. Primeiro é um índice de competitividade, não é uma classificação divina (e única). Se compararmos, por exemplo, os índices de liberdade económica da Fraser com os da Heritage, Portugal surge em posições diferentes. É por isso que são índices - com critérios diferentes - que medem a liberdade económica, não são a liberdade económica em si, que é o que esta manchete confunde ao falar em Competitividade e depois dizer que Portugal ultrapassou Espanha.

A outra coisa que não compreendo é que as gordas não sejam "Portugal melhora [índice de] competitividade" mas sim "Portugal ultrapassa Espanha". Portugal e Espanha poderiam ser os últimos classificados! Mas o que interessa, ao que parece, é que Portugal ultrapasse Espanha!

Se alguém ler a tabela, verá que Portugal também ultrapassou o Chile, Israel e Hong Kong. Bem, certas pessoas só leram que Portugal ultrapassou Espanha. Parece que os portugueses já podem ter um argumento plausível (dado pelos media) para andar de nariz empinado quando virem um espanhol...assim quando um português passar a fronteira pode dizer "mira, coño, mi país es más competitivo que el tuyo!". A isto o espanhol provavelmente franzirá o sobrolho mas, digo eu, o português ficará todo orgulhoso. Se assim não fosse, para quê este título sensacionalista?

Em geral, encontro este estudo ligeiramente suspeito. Que não pensem que o faço porque Portugal tem um bom resultado mas porque, para além da bizarra subida de Portugal, o estudo assume-se como subjectivo e baseado em inquéritos de opinião a empresários. Um estudo que aparece na mesma altura em que um outro estudo, dado pela Ernst & Young, afirma que a maioria dos empresários não quer investir em Portugal (via O Insurgente).

A maioria das empresas estrangeiras não tenciona estabelecer ou desenvolver a sua actividade em Portugal, segundo um estudo da Ernst & Young, divulgado hoje.

A outra coisa suspeita é a de que elogiem tantos os países nórdicos, dizendo que afinal não há grande relação entre os impostos e a competitividade e o investimento.

· The Nordic countries continue to hold prominent positions in the rankings among the top 10 most competitive economies this year, with Finland (1), Sweden (3), Denmark (4), Iceland (7) and Norway (9) all in privileged places. The stellar performance of these countries demonstrates the great diversity within Europe, with some countries doing very well by any measure, while others struggle behind. The Nordics are also challenging the conventional wisdom that high taxes and large safety nets undermine competitiveness, suggesting that what is important is how well government revenues are spent, rather than the overall tax burden per se.

Parece desonesto porque se sabe que os países nórdicos, talvez sendo a Noruega a que mais vai resistindo, têm vindo a desmantelar o seu estado social, atingindo maior liberdade económica. Já eu tinha publicado aqui um artigo acerca da Suécia, em particular. É óbvio que países que se abrem ao mercado se tornam mais competitivos (estão em processo de crescimento elevado) e, como no caso evidente da Finlândia, se apostarem num investimento tecnológico, obterão classificações elevadas em estudos de competitividade já que este índice se baseia nas "condições tecnológicas" à disponibilidade dos empresários.

De qualquer dos modos, continuemos a esperar que este estudo do WEF seja para valer e que a subida de dois lugares não se deva à queda dos outros. O que os jornais não compreendem é que se os outros caem, e é por isso que Portugal sobe, isto não significa que Portugal esteja melhor. Na verdade se caíram 3 ou 4 países para lugares muito mais baixos, Portugal pode, na verdade, estar a piorar em termos absolutos.

Liberdade de imprensa, não é?

Entidade Reguladora dos Media é hoje aprovada na especialidade

A nova entidade, que terá agora de ser promulgada pelo Presidente da República, conta com poderes reforçados face aos da Alta Autoridade, nomeadamente na regulação e supervisão dos media, abarcando novos meios de comunicação como a Internet ou os telemóveis, regulando novas áreas como a publicidade.

Uma das prerrogativas da nova entidade é a possibilidade de um "fiscal" deste organismo aceder às instalações, equipamentos e serviços das entidades que regula, sem necessidade de mandado judicial.


(via O Insurgente)

---

Os blogues liberais que se cuidem...

Tuesday, September 27, 2005

Papa State, I love you...

Segundo o PD, Maria Nogueira Pinto visitou no domingo o Bairro da Musgueira, onde haviam sido reintegradas varias populações em bairros sociais. Segundo o mesmo PD, MNP elogiou o trabalho anterior de João Soares e Santana Lopes. Curiosamente existe na SIC a mesma notícia. E quando digo mesma notícia, quero mesmo dizer “mesma notícia”, ipsis verbis. A notícia do PD está datada das 18:50 e a da SIC das 19:08. A da SIC apresenta uma curiosidade, aliás, duas. A primeira é a de que refere “Lusa”. Ficamos pois a pensar que não foi uma falha da SIC ao copiar o PD, mas sim o PD a esquecer-se de referir que copiou integralmente o texto da agência noticiosa Lusa. Aqui fica o reparo.

A segunda curiosidade é da SIC. E talvez seja muito mais grave. O PD esqueceu-se de referir a fonte mas a SIC alterou a notícia. Comparem-se os títulos:

SIC – Nogueira Leite critica Santana Lopes e João Soares

PD – Nogueira Pinto elogia Soares e Santana por realojamentos

Como se pode ver, os títulos, apesar da partilha total dos corpos da notícia, são antónimos. À SIC fica a imagem de uma estação na tentativa desesperada de mostrar arrogância de MNP, colocando-a a criticar os anteriores presidentes de câmara. Mesmo que o tenha feito, não existe qualquer indicação dessa mesma crítica no resto da notícia, o que significa que a SIC continua a afirmar-se como um órgão de comunicação social incorrecto e com grande défice de isenção, algo que eu já tinha apontado também aqui.

Quanto à notícia em si, seria esperar muito que MNP criticasse a atitude de João Soares e Pedro Santana Lopes, por diversas razões. Primeiro, se o fizesse, seria para mostrar que esta integração social havia sido mal realizada mas, ainda assim, apoiando a sua concretização. Mostraria que, provavelmente, criticava apenas por criticar. Segundo, porque se criticasse a reintegração em si, ficaria mal vista popularmente já que estaria a desdenhar das “classes sociais mais desfavorecidas”, coisa que, na Quinta Dimensão Portuguesa, equivale a um suicídio político. Tanto as pessoas – que agora se queixam da má qualidade das instalações – como os observadores externos (não os vizinhos) se indignariam pela inexistência de condições básicas, como o alojamento, para estas pessoas.

Infelizmente, toda esta notícia parece a análise de dois universos paralelos. Por um lado visualiza-se MNP a passear pelo bairro, dizendo de sua justiça aquilo que lhe compete. Pelo outro, os moradores que se queixam das condições em que vivem e são completamente ignorados. MNP entra, MNP sai. Tudo fica na mesma e sente-se uma teatralização de todo o evento até porque, como dizem os moradores, os políticos apenas se preocupam com as pessoas quando estão em alturas de eleições.

Esta pequena noticia, que passa despercebida entre mais novelas presidenciais que vão servindo para desviar a atenção dos eleitores relativamente ao panorama catastrófico da sociedade portuguesa (e quando digo sociedade, sim, quero dizer economia), serve para mostrar, mais uma vez, a distância que existe entre os senhores (sic) do poder e a arraia-miúda que se limita a protestar, pedir mais socialismo e ainda, a ser ingrata.

Esta ingratidão de que falo, não é conversa barata. É evidenciada, subtilmente, pela seguinte frase, talvez intencional, de um dos moradores:

"As obras foram feitas muito à pressa. Eles despacharam isto para a gente se calar e, pronto, ficámos com a porcaria"


Foi feito para que eles se calassem. Isso significa que disseram alguma coisa. Ou a intenção do poder autárquico foi demolir as habitações e começaram os contactos com as pessoas que, obviamente, se recusavam a deixar as suas casas, ou estes referidos habitantes pediram casas, utilizando como argumento as condições degradantes em que eventualmente se encontravam. De qualquer das formas, estes pequenos factos são denunciadores de uma realidade imensamente maior. A realidade de que, de uma forma ou de outra, as pessoas cooperam com o estatismo e negam os direitos individuais de cada um.

Pela perspectiva dos realojados, podem ter acontecido duas coisas. É provável que os habitantes tenham sido forçados a sair. Nesse caso, contrariou-se o seu direito a permanecer nas suas casas, que eles próprios construíram, como refere uma antiga moradora. Existe também a possibilidade de que muitos destes realojados tenham pedido novas casas, pagas pela autarquia, com o dinheiro dos “ricos” contribuintes. De ambas as formas, há uma exigência que nega um dos direitos mais básicos – o da propriedade.

Na visão dos políticos locais, olha-se para o amontoado de seres humanos como um todo. “Os moradores do bairro da Musgueira”. Olha-se para eles como uma colectividade e negam-se as vontades individuais – o paradigma máximo da democracia, a vitória da maioria das opiniões. Certamente, sempre foram vistos como um problema social no seu todo. Não só pelo facto de darem a sensação de bairro ilegal, mas pelo facto de não obedeceram a um planeamento urbanístico prévio. "O construtor não-autorizado, o construtor ilegal, o criminoso perpetrador da panorâmica, o pobre inculto e desrespeitador da lei e do civismo mais básico". Na mente de um político, torna-se imperativo eliminar este local, quer pela pressão dos outros moradores, legalizados (não por isso mais puros de consciência), quer pelo desajuste social. A solução? “Fogos de reabilitação”, pagos com o dinheiro, não da boa vontade dos políticos, mas da passividade e impotência dos contribuintes de vários locais que nem sequer conhecem a Musgueira nem os seus habitantes. Pouco importa que alguns moradores não queiram sair, a lei esta do lado do poder. Pouco importa que não queiram sair, o poder deseja, o poder manda. Mas como está dependente dos papelinhos das eleições, é forçado a negociar.

A solução mais fácil é anunciar um realojamento social, e não anunciar que vão ser tomadas medidas de liberalização da economia para permitir que estas pessoas tenham mais possibilidades, para permitir que se tornem aquilo que, provavelmente, tanto criticam – ricas. Não, o capitalismo é mau e cria mais desajustes sociais. Não, a solução da reintegração social artificial é a mais fácil, independentemente do custo que apresenta financeira e socialmente para os moradores mais próximos. Negação constante.

Perante todo este imbróglio, MNP deixa escapar aquilo que qualquer pessoa acaba por pensar no final.

“Todo o discurso ainda é o do coitadinho, do dêem-me isto, dêem-me aquilo. É preciso dar a ideia às pessoas que elas também têm de fazer pela sua vida”


Contudo, ao dizer isto, MNP contradiz-se, porque concorda com o apoio político-social a esta gente (ao ponto de se lhes construírem casas) apesar da sua crença disfarçada na individualidade. Em suma, não é preciso fazerem nada, nós ajudamos, ou melhor, têm problemas? Desenrasquem-se. MNP engana-se também ao dizer que há falta de uma cultura de deveres, apelando ao autoritarismo. É um dever lutarmos por nós próprios? Quem define isso? O Estado? Não é o Estado que constantemente restringe a possibilidades e liberdades dos cidadãos, impedindo-os de lutar por si mesmos? Então, que significa a frase de MNP?

Nada. Tentativas vagas de demonstração de superioridade moral. Vazio ideológico. Silêncio intelectual. Vestígios de autoritarismo e paternalismo político.

- Segue a tua vida meu filho, o papá está aqui para ajudar mas também para te dizer que não quer que saias de casa, que não tenhas um emprego diferente do que eu quero que tu tenhas, que não te quer ver em más companhias, em maus vícios. Não quero que andes com aquela rapariga, ela não é de confiança. Queres casar com ela? Não, não faças isso, ela é não é indicada para ti. Não comas isso, faz-te mal. Não tomes esse medicamento, faz mal. Não fumes, é mau para a saúde, vou passar a penalizar-te por isso. Dá-me algum dinheiro para contribuir para as despesas da casa, afinal, tu já trabalhas. Porque tens a televisão ligada? Não tens de trabalhar amanhã? Não vais dormir, não vais acordar cedo amanhã para nos sustentar? Depois de tudo o que eu sempre fiz por ti, protegendo-te...

- Sim, papá. Gosto muito de ti. Vou já fazer o que me disseste.

O estatismo é o grande vencedor.

Democracia norte-coreana

Corea del Norte expulsará a las organizaciones humanitarias que distribuyen alimentos entre la población

La dictadura comunista de Corea del Norte ha pedido a doce organizaciones no gubernamentales que distribuyen alimentos entre su población, que antes de fin de año abandonen el país estalinista bajo la acusación de que su labor favorece a la propaganda estadounidense. Pyongyang ha presentado ya a la ONU un plan para suspender la ayuda alimentaria. Los grupos humanitarios han advertido de que, inicialmente, la medida podría provocar la muerte de 125.000 personas.

(via 1812)

Monday, September 26, 2005

Público nacional, privado estrangeiro

Alentejanos preferem clínicas PRIVADAS espanholas

1.Telejornal. RTP1. Reportagem: cidadãos portugueses, residentes no Alentejo, escolhem clínicas privadas espanholas. O Serviço Nacional de Saúde de Portugal é ultrapassado por serviços privados de outro país. 2+2 ainda são 4, ou não?

Aproveito para dizer ao Henrique Raposo que vi a mesma reportagem e pensei exactamente a mesma coisa.

Diziam os utentes ter melhor serviço e maior rapidez, apesar dos quilómetros que tinham de percorrer. Resposta do Presidente da Câmara local? "É inadmissível que em pleno Século XXI as pessoas tenham de se deslocar uma distância tão grande para serem assistidas".

Em português, isto significa que ele ainda não percebeu o cerne da questão e continua a pensar que se combate o problema com mais problemas.

Oh não! Os liberais podem ganhar!

The image “http://www.strojesportowe.com/al/h/640/polska-s-b.jpg” cannot be displayed, because it contains errors.

But the PO and PiS still have major disagreements about fiscal policy, with the PO proposing a 15 per cent flat tax, and the PiS fighting for higher taxation and welfare spending. As the election campaign came to a close, the PiS ran television broadcasts claiming that too much power in the hands of its coalition partners would reduce the food on Polish tables.
Disillusioned Poland swings to the right but most voters stay at home

Eleições na Polónia. Como os liberais do PO ameaçavam vencer, os seus parceiros de coligação conservadores fizeram campanha contra os seus aliados políticos.

Os ricos que paguem! O welfare state vai desaparecer!

Fascinante ver como as técnicas de propaganda socialista são universais, mesmo quando a economia polaca tem crescido tanto nos anos 90 devido, precisamente, à sua liberalização. Ao ritmo a que o PIB polaco cresce, em 10 anos a Polónia terá, certamente, ultrapassado o PIB per capita português. Na verdade, de acordo com os meus cálculos, muito por alto (mantendo-se, teoricamente, o crescimento de 5.5% do PIB polaco e considerando o número de habitantes igual) isto dar-se-á no espaço de 7 anos. Se considerarmos que a variação média de 2% no PIB é para manter, nem seriam necessários 7 anos, mas apenas 5. E não seria uma mera ultrapassagem, a Polónia ficaria com um PIB 1.05 superior ao actual PIB português...

Em resumo, a Polónia é o Alonso dos PIB's.

---

Crescimento do PIB polaco nos últimos anos.

* Total 2002 1.4%
* Total 2003 3.7%
* Total 2004 5.5% (previsão)

Sunday, September 25, 2005

Palestina começa em grande

Palestina apela à comunidade internacional

O primeiro-ministro palestiniano, Ahmed Qorei, apelou hoje à comunidade internacional, nomeadamente aos Estados Unidos, para que intervenha "para deter a escalada israelita".

Este apelo foi lançado após a ordem dada hoje ao exército israelita pelo ministro da Defesa, Shaul Mofaz, para efectuar operações militares "duras" na Faixa de Gaza em resposta a disparos de foguetes palestinianos contra o território de Israel.

"Apelamos à comunidade internacional, ao Quarteto de Madrid (Estados Unidos, ONU, União Europeia e Rússia) e à administração norte- americana para que intervenham para travar a escalada israelita", declarou Qorei à imprensa.

(...)

Em resposta ao bombardeamento intensivo do seu território, Israel lançou hoje uma série de ataques aéreos sobre a cidade de Gaza e o norte da Faixa de Gaza, os primeiros do tipo desde o fim da sua retirada deste território em 12 de Setembro.

---

Não compreendo. A Palestina ataca mas os outros nem sequer têm o direito de se defender.

Esta gente nunca ouviu falar do princípio de não-agressão? Não tem significado na sociedade islâmica?

Presumo que, de acordo com certas pessoas, sugerir a sua consideração também seja um ataque ao multiculturalismo e uma evidente demonstração da arrogância cultural do Ocidente?

Saturday, September 24, 2005

Sócrates prepara 2009

"Crise vai manter-se mais quatro anos"

José Sócrates sublinhou que o próximo Orçamento do Estado "será um dos mais difíceis", alegando que "o esforço de contenção da despesa vai durar os próximos quatro anos".
---

A tanga do esforço colectivo para superar a crise nacional, etc. Descodificado, significa que Sócrates prepara mais 4 anos já que "são necessários 8 anos", como dizia Guterres. Na altura todo o comício do PS se riu, o que prova que eles até acham piada à situação económica em que Portugal está.

Mais espanhóis proteccionistas!

The image “http://www.agencias-de-viajes.com/agencias-viajes/mapa-espa%C3%B1a-comunidades_03.gif” cannot be displayed, because it contains errors.

Mais uma notícia relativamente ao proteccionismo de mercado que se faz em Espanha, comparativamente a Portugal, esse país de mercado livre, livre concorrência e laissez-faire natural!

Os utentes dos aeroportos portugueses pagam mais do dobro em taxas do que os passageiros que optem por Espanha. A diferença, em média, varia entre os 113 e os 162%, consoante se trate de voos para dentro ou fora do espaço Schengen, o que implica uma perda de competitividade, conclui um estudo que será apresentado hoje em Espinho, na II Conferência Internacional em Hotelaria e Turismo.
(...)

Mas a "perda de competitidade" reside nas taxas pagas pelos passageiros, já que se situam "muito acima" das praticadas em Espanha
Aeroportos Nacionais 113% mais caros

Bem, parece que me enganei. Afinal, era o país do mercado livre (Portugal) que tinha menos competitividade! Bem, ao menos ainda resta aquele facto óbvio de que os investimentos espanhóis em Portugal são muito maiores do que os portugueseses feitos em Espanha, o que, aliás, demonstrar o extremo proteccionismo espanhol!

Investimento português em Espanha supera o espanhol em Portugal

Em 2004, o investimento directo das empresas portuguesas em Espanha superou o das empresas espanholas em Portugal, segundo dados divulgados quarta-feira pelo Ministério da Indústria, Turismo e Comércio espanhol.

Pois...ou então não...bem, obviamente sempre restam aqueles estudos dos think tanks acerca da liberdade económica que mostram que Portugal é um país muito mais capitalista!

---

Heritage, Index of Economic Freedom

Espanha - 31º
Portugal - 37º

Fraser, Economic Freedom of the World

Espanha - 30º
Portugal - 34º

DoingBusiness - World Bank Group

Espanha - 30º
Portugal - 42º

---

Pois...

É inacreditável como para atacar Espanha até o capitalismo serve. Portugal, um país em que independentemente de quem ganhe as eleições, o socialismo se arrasta, critica Espanha por ser pouca capitalista. Se os portugueses fossem tão críticos com o seu próprio mercado e as condições que lhe são impostas, fariam parte do país mais liberal do mundo. Infelizmente, há umas tendências franco-germânicas no ar. Aquelas do género - "Não abrimos o nosso mercado porque é nosso mas queremos que vocês liberalizem a vossa economia para que os nossos produtos entrem"

A situação assemelha-se à dos que se riam e diziam que os EUA pareciam um país do 3º mundo. A conclusão disto é a de que os anti-espanhóis e os anti-americanos bebem exactamente da mesma água. Muito self-loathing e nada de substância.

Leituras importantes

Alguns artigos publicados que infelizmente ainda não tinha recomendado. Assim, aqui ficam as ligações.

Para aqueles que se picaram imenso com as acusações de anti-americanismo e ainda acham que os que os acusaram disso pensam que não é possível criticar os EUA sem ser "anti-americano" aqui fica mais um artigo de Jorge Valín. Coerência é o que se pede. Não se fala mal dos EUA. Fala-se mal do governo dos EUA (o que não quer dizer que se prefiram os democratas):

Cómo Wal-Mart respondió a Katrina mejor que el gobierno de EE.UU

Uma outra notícia que passou, em grande parte, despercebida (gostava de ouvir os anarquistas anti-globalização a comentá-la) e que coloca o presidente George Bush como um dos líderes mundiais mais interessados em resolver o problema da pobreza. Não estou obviamente a falar de iniciativas a la Bono Vox mas sim da abertura dos mercados a estes países e da redução das taxas alfandegárias. A ler n'A Arte da Fuga:

A ver vamos...

Artigos importantes do RAF no Blasfémias sobre as diferenças entre a Democracia e o Liberalismo. Leitura muito importante.

A propósito do Café Blasfémias: Democracia e Liberalismo

A verdadeira índole do Estado Social

Mais uma classificação acerca de liberdade económica. Portugal em magnífico 42º lugar.

DoingBusiness - The World Bank Group [Portugal]

Finalmente, um vídeo importante no 1812. Recordar 1989 e o Unknown Rebel. Arrepiante.

Un hombre libre

Thursday, September 22, 2005

Evacuar a/o Capital

Acabei de ouvir M.M. Carrilho, na RTP2, a dizer que durante o seu mandato vai reduzir o número de automóveis em Lisboa para metade.

Preparam-se para o crescimento económico dos impostos que aí vem. Temos um novo Hugo Chávez no bairro.

Utopia do transporte grátis

Dia sem carros: transportes gratuitos em Lisboa e Porto

Grátis todas as viagens de metropolitano, de autocarro, de barco ou de comboio


Há uns anos atrás teria, provavelmente, concordado com isto. A ideia é bonita. Não há tantos carros, logo não é tanto fumo, o que é melhor para todos. Um objectivo simples e também simplista.

Por trás deste inocente título, esconde-se a realidade. Uma realidade que não é ambientalista (defender a imutabilidade do ambiente que, por si próprio, é mutável, pouco sentido faz) nem utópica. Como eu disse, a ideia é bonita. Transporte grátis para todos. A verdade está no corpo da notícia.

Os utentes dos transportes públicos de Lisboa e Porto vão poder viajar quinta-feira gratuitamente, uma iniciativa conjunta das várias empresas públicas no âmbito do Dia Europeu Sem Carros.

De acordo com uma nota do Ministério das Obras Públicas, Transportes e Comunicações, são grátis todas as viagens de metropolitano, de autocarro, de barco ou de comboio.

Esta acção abrange a CP, Carris, Metropolitano de Lisboa, Transtejo/Soflusa, STCP e Metro do Porto.

O Dia Europeu sem Carros, que se celebra quinta-feira em vários países e que tem em Portugal a adesão de 46 municípios, procura sensibilizar a população para a necessidade de um ambiente mais saudável.

Como se deve imaginar, os recursos não são infinitos nem indefinidamente disponíveis. Nem os serviços se materializam à nossa frente. A realidade é que todo este transporte grátis será pago. O petróleo custa dinheiro. E também dinheiro custa a electricidade nos outros transportes. Como (infelizmente?) vivemos num Universo que respeita as equações de Einstein, os trabalhos de Joule e as descobertas de Lavoisier, a matéria transforma-se em energia (e vice-versa), ou seja, a forma mais eficiente de gerar energia é fazê-la através da matéria. Daí que se usem barragens hidroeléctricas para produzir electricidade. Para o fazer é preciso gastar dinheiro em turbinas que aproveitem a energia cinética da água. Para construir estas turbinas é necessário ter acesso a desenhos industriais exactos, desenhos esses que são estudados por especialistas de engenharia e baseados em matérias-primas que também possuem o seu custo, etc. Tudo isto custa dinheiro, como é óbvio. Quem paga? O pobre diabo de sempre, o contribuinte.

Tudo isto porque há um dia sem carros, em que as pessoas são proibidas de se deslocar normalmente já que as vias estarão cortadas aos acessos normais. Um dia em que os transportes são grátis mas a conta final sai dos impostos de todos, até dos que não saem de casa nesse dia. Afinal de contas, o governo e Vítor Constâncio dizem que não sabem qual o impacto que a subida do preço do petróleo terá na economia portuguesa. E porque se deveriam preocupar? As empresas de transportes públicas são públicas o que significa que quem paga os combustíveis são os cidadãos. Obviamente eles não sabem o impacto que terá na economia mas, entretanto, vão gastando o dinheiro que lhes foi confiado em mais petróleo, quando devia ser aproveitado para investimentos privados em novas formas de energia já que o mercado tenderia a buscar novas soluções. Pelo contrário, para além destas iniciativas “amigas do ambiente” (como se o ser humano fosse um produto artificial proveniente de outro Universo), apressam-se a proibir a energia nuclear porque “não respeita o ambiente” e não é segura.

Com este tipo de afirmações, proponho que os manuais de física mudem os termos relativamente aos fenómenos radioactivos. Becquerel e Curie não descobriram a radiação, inventaram-na.

Triste e revelador da hipocrisia do governo.

P.S. - Segundo O Insurgente, o Estado irá pagar também 9 milhões de euros às empresas privadas da Área Metropolitana de Lisboa.

A Manuel Maria Carrilho

Antes de mais, gostaria de lhe dizer que não tenho muita vontade de começar esta carta tratando-o por “senhor”, como sempre faço quando dirijo uma carta a um leitor do sexo masculino. Não o faço, por coerência ideológica e para não me sentir um hipócrita, já que acho que você (não, senhor) não é um senhor.

Certamente, pensará que eu também não sou um senhor. Sinceramente, pouco me importa – se alguma vez se dignar a ler isto – o que pensa de mim. Até porque quer implementar medidas que me afectam a mim pessoalmente e, como alguém já disse há uns dias, “quem não se sente, não é filho de boa gente”. Logo, a minha falta de honra e dignidade para consigo é perfeitamente justificável.

As medidas de que falo referem-se ao seu programa de videovigilância. Desafio-o a divulgar os detalhes de tal projecto. Algo mais pormenorizado do que aquilo que revela na página da sua campanha eleitoral:

a) Implementar a videovigilância em zonas críticas (como por exemplo o Intendente, a Ameixoeira e o Bairro Alto);


Sendo político e filósofo, deve entender que dedicar duas linhas a um assunto tão sério é extremamente vago. Ambos filósofos e políticos podem falar durante várias horas sobre um assunto completamente irrelevante, razão pela qual duas linhas não são muito satisfatórias. Geralmente, quando dizem pouco, é porque têm algo a esconder – o que sei que, obviamente, não é o seu caso.

Aproveito também a ocasião para o informar, já que dei conta do seu desconhecimento num debate organizado pela SIC Notícias, de que o Big Brother é uma personagem de uma novela de um escritor britânico chamado Eric Arthur Blair, que escrevia sob o pseudónimo de George Orwell. Ao contrário do que parece sugerir pelas suas declarações, o Big Brother não é, efectivamente, um programa de televisão. Como acho que um ex-ministro da cultura não deve ter estes lapsos, aqui fica um “reavivamento” de memória desta obra importante, especialmente para um político, intitulada 1984. Nela, Orwell fala-nos acerca de um governo totalmente opressor e totalitarista que usa câmaras de vigilância para controlar os cidadãos, algo semelhante ao que você pretende usar em espaços públicos.

Obviamente, eu poderia considerar que uma pessoa culta e informada como você teria conhecimento desta distopia simbólica publicada em 1949, referindo-se a um futuro catastrófico. Contudo, sei que nunca seria capaz de querer enganar os seus eleitores, dando-lhes a impressão de que o Big Brother é apenas um programa de televisão, razão pela qual tomo a liberdade, para além de lhe pedir pormenores do seu programa político, de o retirar da sua ignorância e referir esta obra de extremo valor.

Caso se esteja a questionar acerca das minhas razões ao publicar este texto na blogosfera, apenas lhe posso dizer que temo a eventual imprudência puramente ingénua de uma das suas secretárias que decidisse eliminar a minha carta, coisa que sei que nunca aconteceria consigo, já que defende a democracia e o debate de ideias. Na blogosfera este texto não pode ser censurado e, ao mesmo tempo, pode ser lido por milhares de eleitores do seu círculo.

Em jeito de conclusão final, apenas lhe peço que abra os comentários do seu blogue. Como deve imaginar, em democracia dá-se importância às opiniões, especialmente se vierem dos eleitores. Ora, um blogue socialista (logo dando especial atenção à diplomacia) deve estar aberto para reparos dos leitores. Mais uma vez, sei que não se trata de culpa sua mas sim dos programadores do blogue que propositadamente bloquearam os comentários para lhe dar uma imagem de anti-democrático.

Caso opte por ignorar esta carta, não me estará a dizer nada de novo, confirmando o parágrafo 1 e negando todos os outros em que não assumo as suas tendências totalitárias.

Cumprimentos (...ou não).

---

Aos leitores do blogue, aqui ficam outros artigos publicados sobre o tema:

Carrilho is Watching YOU

Porque Carrilho vai ganhando votos

A culpa é dele(s)!

Orbiter's Long Life Helps Scientists Track Changes on Mars

The image “http://www.nwrc.usgs.gov/world/images/mars.jpg” cannot be displayed, because it contains errors.
New gullies that did not exist in mid-2002 have appeared on a Martian sand dune.

That's just one of the surprising discoveries that have resulted from the extended life of NASA's Mars Global Surveyor, which this month began its ninth year in orbit around Mars. Boulders tumbling down a Martian slope left tracks that weren't there two years ago. New impact craters formed since the 1970s suggest changes to age-estimating models. And for three Mars summers in a row, deposits of frozen carbon dioxide near Mars' south pole have shrunk from the previous year's size, suggesting a climate change in progress.


---

Isto acontece, obviamente, porque os marcianos não assinaram o Protocolo de Quioto. Uma demonstração clara de irresponsabilidade.

E a culpa é obviamente do Bush e do neo-liberalismo selvagem.

Wednesday, September 21, 2005

Porque Carrilho vai ganhando votos

[Conversa familiar]

Eu (E): Vou escrever uma carta ao Carrilho, o homem não bate bem de certeza.

Membro (M): Então porquê?

E: Quer instalar câmaras em Lisboa para vigiar os “bairros perigosos” e não diz exactamente como.

M: Quer o quê?

E: Implementar um sistema de vigilância de vídeo para seguir os movimentos das pessoas nas ruas. Só pode estar a gozar.

M: Ah, mas eu acho bem.

E: O quê?

M: Sim, é para apanhar os ladroes, isso vai haver [sic] porque há crime.

E: E? Existir crime é desculpa para violar os direitos individuais das pessoas?

M: Tu tens muito a mania dos direitos individuais [voz de desprezo] …

E: Nunca leste o 1984. Nota-se.

M: Se houver uma discussão a polícia pode ir lá para evitar mortos.

E: Claro, *só* demora 20 minutos ou mais.

M: Pois, 20 minutos.

E: Entretanto já eles morreram.

M: Ou não…

E: E desde quando é que um “talvez” serve para interferir assim com os direitos fundamentais das pessoas?

M: Não sei qual é o teu problema. Eu não tenho nada a esconder. Até parece que tu tens [voz de desprezo]

E: O meu problema é que não quero que o governo tenha arquivos com imagens minhas. É uma violação completa da privacidade.

M: Tu tens muito a mania da privacidade [mesma voz de desprezo]

E: Queres negar-me esse direito? Estou protegido pela Constituição Portuguesa.

M: Eu não tenho nada a esconder.

E: E? O que é que isso prova? Só porque não tens nada a esconder não te importa ser filmad@?

M: É para eles apanharem os ladrões. Tu, quando estás no Metro, também te fazem isso e tu não reclamas que não te estejam a filmar.

E: Ainda bem que falas nisso porque eu já fui assaltado no Metro, fui-me queixar e ninguém apanhou os ladrões.

M: …

E: A questão aqui é a de que não quero que me filmem. Ponto. Só porque tu achas que não tens nada a esconder isso não quer dizer que te deixes filmar “para apanhar os ladrões”. Até porque não há garantia nenhuma de que o consigam fazer.

M: Não estou sem roupa, não vejo qual é o problema. [nesta frase não sabia se havia de rir ou chorar]

E: Precisamente. Tu não vez qual é o problema e por isso queres impor-me essa medida com que tu concordas. Eu tenho o direito de a contestar porque viola os meus direitos de privacidade. Mesmo assim tu insistes no facto de que eu tenho a “mania da privacidade e dos direitos” e continuas a querer impor-ma.

M: Vais-te dar muito mal no estrangeiro.

E: Sim, deve ser por isso que há países em que nem há bilhetes de identidade.

M: …

E: Como te estava a dizer, tens direito à tua opinião. Mas ela viola os meus direitos fundamentais. Estás a gravar sem o meu consentimento só porque eu estou a passar na rua.

M: É por causa do crime, não se pode deixar que eles andem por aí a fazer mal às pessoas.

E: Não se podem justificar acções que violem os direitos das pessoas só com o argumento de que há crime e é para sua segurança. Isso é como a base de dados genética. Há crime, por isso vamos pedir o ADN de toda a gente para identificar os criminosos. Já agora devíamos pedir ao governo para instalar câmaras de vigilância em todas as casas para “prevenir” assaltos.

M: Não sei porque é que estamos a discutir…

E: Tu é que estás a apoiar a ideia, não sou eu. Não sou eu que estou a violar os teus direitos. És tu que estas a violar os meus.

M: …bem, não interessa, é o que eu te disse, é para ficar com imagens dos ladrões, não é com as tuas!

E: Não me digas que também és daquelas pessoas que pensam que as câmaras só se ligam automaticamente quando há um roubo ou quando passa um ladrão, que a câmara descobre por magia….

M: … Olha, isso não interessa.

E: Pois…

---

Esta conversa existiu mesmo e tentei reproduzi-la com o máximo de fidelidade embora a ordem de algumas frases possam ter sido, obviamente, trocada. Como registo fica que esta pessoa defende veemente a existência de bilhetes de identidade, não vê problema nenhum com a base de dados genética e concorda plenamente, sem pestanejar, com as políticas de vigilância de Carrilho, sem sequer conhecer os pormenores. Para ela, o Big Brother é um programa de televisão. Falar de George Orwell e de 1984 é como discorrer acerca do tipo de radiação de que as moléculas necessitam para alterar o seu estado de energia. No entanto, é absolutamente contra o porte de arma sem que esteja permitido e registado pelo Estado. Curioso que se defenda simultaneamente a invasão do direito da privacidade (filmar a pessoa) e proibir ao mesmo tempo o uso de uma arma, mesmo quando há uma diferença enorme entre 3 segundos e 20 minutos, o que a torna esta pessoa numa defensora acérrima do estatismo na sua pior forma.

Que também fique para o registo. Esta pessoa define-se politicamente como “de direita” (seja lá o que isso for). Defende ocasionalmente Salazar e a Mocidade Portuguesa, critica frequentemente o 25 de Abril e a “liberdade” e assume posições racistas ou xenófobas quando é conveniente. Fala mal dos comunistas. De facto, por defender a liberdade, tanto económica como de expressão, etc. já foi etiquetado mais do que uma vez de comunista por esta pessoa, o que é deveras interessante. Um marxista como eu a defender a burguesia. Imagine-se....

Em resumo, é uma mistura de estatismo, intervencionismo e autoritarismo na sua pior forma. Alguém que podia ser amigo de Hitler, Salazar, Mussolini ou mesmo Estaline. Tudo socialistas da pior espécie.

A conclusão de tudo isto é, de que adianta termos um blogue com tanta informação se quem o lê são os que concordam connosco, enquanto os palermas da sociedade que andam por aí não se importam de todo? E se aparecem por aqui ainda se põem aos insultos porque atacar o estatismo é como chamar a mãe deles para a conversa.

É durante conversas como esta que a moral vai abaixo. E infelizmente, sair à rua ou falar com gente em Portugal, implica 99,999% das vezes esbarrar com este tipo de pessoas.