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Wednesday, September 21, 2005

Porque Carrilho vai ganhando votos

[Conversa familiar]

Eu (E): Vou escrever uma carta ao Carrilho, o homem não bate bem de certeza.

Membro (M): Então porquê?

E: Quer instalar câmaras em Lisboa para vigiar os “bairros perigosos” e não diz exactamente como.

M: Quer o quê?

E: Implementar um sistema de vigilância de vídeo para seguir os movimentos das pessoas nas ruas. Só pode estar a gozar.

M: Ah, mas eu acho bem.

E: O quê?

M: Sim, é para apanhar os ladroes, isso vai haver [sic] porque há crime.

E: E? Existir crime é desculpa para violar os direitos individuais das pessoas?

M: Tu tens muito a mania dos direitos individuais [voz de desprezo] …

E: Nunca leste o 1984. Nota-se.

M: Se houver uma discussão a polícia pode ir lá para evitar mortos.

E: Claro, *só* demora 20 minutos ou mais.

M: Pois, 20 minutos.

E: Entretanto já eles morreram.

M: Ou não…

E: E desde quando é que um “talvez” serve para interferir assim com os direitos fundamentais das pessoas?

M: Não sei qual é o teu problema. Eu não tenho nada a esconder. Até parece que tu tens [voz de desprezo]

E: O meu problema é que não quero que o governo tenha arquivos com imagens minhas. É uma violação completa da privacidade.

M: Tu tens muito a mania da privacidade [mesma voz de desprezo]

E: Queres negar-me esse direito? Estou protegido pela Constituição Portuguesa.

M: Eu não tenho nada a esconder.

E: E? O que é que isso prova? Só porque não tens nada a esconder não te importa ser filmad@?

M: É para eles apanharem os ladrões. Tu, quando estás no Metro, também te fazem isso e tu não reclamas que não te estejam a filmar.

E: Ainda bem que falas nisso porque eu já fui assaltado no Metro, fui-me queixar e ninguém apanhou os ladrões.

M: …

E: A questão aqui é a de que não quero que me filmem. Ponto. Só porque tu achas que não tens nada a esconder isso não quer dizer que te deixes filmar “para apanhar os ladrões”. Até porque não há garantia nenhuma de que o consigam fazer.

M: Não estou sem roupa, não vejo qual é o problema. [nesta frase não sabia se havia de rir ou chorar]

E: Precisamente. Tu não vez qual é o problema e por isso queres impor-me essa medida com que tu concordas. Eu tenho o direito de a contestar porque viola os meus direitos de privacidade. Mesmo assim tu insistes no facto de que eu tenho a “mania da privacidade e dos direitos” e continuas a querer impor-ma.

M: Vais-te dar muito mal no estrangeiro.

E: Sim, deve ser por isso que há países em que nem há bilhetes de identidade.

M: …

E: Como te estava a dizer, tens direito à tua opinião. Mas ela viola os meus direitos fundamentais. Estás a gravar sem o meu consentimento só porque eu estou a passar na rua.

M: É por causa do crime, não se pode deixar que eles andem por aí a fazer mal às pessoas.

E: Não se podem justificar acções que violem os direitos das pessoas só com o argumento de que há crime e é para sua segurança. Isso é como a base de dados genética. Há crime, por isso vamos pedir o ADN de toda a gente para identificar os criminosos. Já agora devíamos pedir ao governo para instalar câmaras de vigilância em todas as casas para “prevenir” assaltos.

M: Não sei porque é que estamos a discutir…

E: Tu é que estás a apoiar a ideia, não sou eu. Não sou eu que estou a violar os teus direitos. És tu que estas a violar os meus.

M: …bem, não interessa, é o que eu te disse, é para ficar com imagens dos ladrões, não é com as tuas!

E: Não me digas que também és daquelas pessoas que pensam que as câmaras só se ligam automaticamente quando há um roubo ou quando passa um ladrão, que a câmara descobre por magia….

M: … Olha, isso não interessa.

E: Pois…

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Esta conversa existiu mesmo e tentei reproduzi-la com o máximo de fidelidade embora a ordem de algumas frases possam ter sido, obviamente, trocada. Como registo fica que esta pessoa defende veemente a existência de bilhetes de identidade, não vê problema nenhum com a base de dados genética e concorda plenamente, sem pestanejar, com as políticas de vigilância de Carrilho, sem sequer conhecer os pormenores. Para ela, o Big Brother é um programa de televisão. Falar de George Orwell e de 1984 é como discorrer acerca do tipo de radiação de que as moléculas necessitam para alterar o seu estado de energia. No entanto, é absolutamente contra o porte de arma sem que esteja permitido e registado pelo Estado. Curioso que se defenda simultaneamente a invasão do direito da privacidade (filmar a pessoa) e proibir ao mesmo tempo o uso de uma arma, mesmo quando há uma diferença enorme entre 3 segundos e 20 minutos, o que a torna esta pessoa numa defensora acérrima do estatismo na sua pior forma.

Que também fique para o registo. Esta pessoa define-se politicamente como “de direita” (seja lá o que isso for). Defende ocasionalmente Salazar e a Mocidade Portuguesa, critica frequentemente o 25 de Abril e a “liberdade” e assume posições racistas ou xenófobas quando é conveniente. Fala mal dos comunistas. De facto, por defender a liberdade, tanto económica como de expressão, etc. já foi etiquetado mais do que uma vez de comunista por esta pessoa, o que é deveras interessante. Um marxista como eu a defender a burguesia. Imagine-se....

Em resumo, é uma mistura de estatismo, intervencionismo e autoritarismo na sua pior forma. Alguém que podia ser amigo de Hitler, Salazar, Mussolini ou mesmo Estaline. Tudo socialistas da pior espécie.

A conclusão de tudo isto é, de que adianta termos um blogue com tanta informação se quem o lê são os que concordam connosco, enquanto os palermas da sociedade que andam por aí não se importam de todo? E se aparecem por aqui ainda se põem aos insultos porque atacar o estatismo é como chamar a mãe deles para a conversa.

É durante conversas como esta que a moral vai abaixo. E infelizmente, sair à rua ou falar com gente em Portugal, implica 99,999% das vezes esbarrar com este tipo de pessoas.

Tuesday, September 20, 2005

Falta de espelhos

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A capa é de Setembro de 2005. O slogan é de 1986 (apenas 19 anos).

E depois há quem tenha coragem de dizer que a "direita" é que é reaccionária...

- Soares é fixe e o povo que se lixe -

Toca a votar no PCP


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Prémio de Frase Idiota da Semana:

«PS só faz política de esquerda quando coligado com o PCP»

– Ruben de Carvalho

Aconselho o pessoal que tem andado a votar todos estes anos no PS, PSD e CDS a passar a votar no PCP. Parece que afinal apenas o PCP é de esquerda. Agora até já o PS é de direita.

Daqui a 10 anos, quando existir um partido à esquerda do BE na Assembleia, passaremos a ouvir o Manelinho Louçã (um familiar qualquer do outro Louçã), deputado do BE, a acusar o PCP de ser "a direita capitalista, defensora de políticas coniventes com o neocolonialismo fascista das vertentes mais selvagens do neoliberalismo, próprios de potências imperialistas e desrespeitadoras dos direitos sociais."

Espantoso.

Sunday, September 18, 2005

Realpolitik dos votos...

... ou como ganhar eleitores falando nos EUA

Schroeder chama indecente a Merkel por posição sobre Iraque

O chanceler, quase afónico, pôs depois a tónica na defesa da segurança social, «ameaçada pela coligação de direita» para terminar evocando o balanço da política externa do Governo cessante, «pacifista» e pró-europeu.

«Durante este tempo, do outro lado, eles apanham o avião para ir para os Estados Unidos», ironizou, numa alusão à política atlantista de Angela Merkel.


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"Cartaz do SPD de Schroeder, utilizado nestas eleições alemãs. A legenda diz: Ela (Merkel) teria enviado soldados."


(via PeterBlood goes to Lisbon)

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German rivals make final appeals

"Think about bringing grandma and grandpa with you," he yelled in a hoarse voice, "but only if they're going to vote for the SPD." - Gerhard Schroeder


(Democracia à Louçã)

Descubra as diferenças

Analysis: Reforming Europe's social model

"Some have suggested I want to abandon Europe's social model," Blair told the European Parliament last month. "But tell me: what type of social model is it that has 20 million unemployed in Europe, productivity rates falling behind those of the United States; that is allowing more science graduates to be produced by India than by Europe; and that, on any relative index of a modern economy -- skills, R&D, patents, IT -- is going down not up."

Tony Blair, Primeiro - Ministro do Reino Unido, Julho de 2005 (Labour Party - esquerda)

A Menezes defende modelo de Estado Social Europeu

"O caminho deve ser o de personalizar, gerir bem, equacionar atitudes, ter bom-senso e assumir, de forma intransigente, um modelo de Estado Social Europeu a todos os níveis", defendeu Menezes.

Luís Filipe Menezes - Presidente da Câmara de Gaia, Setembro de 2005 (Partido Social Democrata - "direita")

Saturday, September 17, 2005

A coerência (do BE) é uma coisa bonita

Bloco critica Governo Civil por autorizar manif contra gays

A deputada do Bloco de Esquerda Ana Drago criticou hoje o Governo Civil de Lisboa por ter autorizado uma manifestação de extrema-direita contra os homossexuais, que disse "incitar ao ódio" e "pôr em causa" a segurança pública.


BE quer explicações sobre manifestação de militares

"No entender do Bloco de Esquerda, esta decisão assume contornos de extrema gravidade, pondo em causa a liberdade de associação e expressão, consagrados como valores fundamentais na Constituição da República Portuguesa", afirma o BE no requerimento.
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Liberdade de expressão mas só às vezes...e quando dá jeito.

Thursday, September 15, 2005

Carrilho is Watching YOU

Pedidos de videovigilância duplicam em Portugal

É o caso de Manuel Maria Carrilho, que defende a instalação de sistemas de videovigilância em zonas problemáticas da capital, nomeadamente no Bairro Alto e Ameixoeira. Mas, à luz da actual legislação, não é possível captar imagens num bairro inteiro e sem a autorização dos residentes.

(...)

Esta não é a primeira vez que um político fala em sistemas de videovigilância, sobretudo com o argumento de que deve ser garantida a segurança de pessoas e bens. "É um fenómeno que se está a massificar e aparecem situações completamente injustificadas", sublinha um membro da CNPD.

(...)

Este ano, a CNPD recebeu 44 queixas de pessoas que reclamaram por estarem a ser vigiadas, nomeadamente nos locais de trabalho, e que se recusavam a que as suas imagens fossem captadas.


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Ao vaguear por Lisboa encontram-se diversos cartazes autárquicos espalhados, ocupando vastas porções da área disponível ao campo visual. Para um país de candidatos socialistas, é quase irónico ver tal afronta às vistas panorâmicas e ao ambiente, que poderia ter outro aspecto mais “ecologicamente correcto” nos meandros da capital.

Entre os típicos cartazes políticos que tentam convencer os mais alheados da vida do poder, há um que se destaca pela repulsa que causa. Refiro-me, não ao cartaz de Carmona Rodrigues, com cara de cãozinho maltratado a fazer beicinho, mas ao de Carrilho. Aquele que diz qualquer coisa como "Videovigilância em Lisboa nos Bairros mais perigosos".

Como bom político que é na sua arte de sofista, Carrilho joga com as emoções dos eleitores para que possa atingir os seus objectivos – ser eleito para a CML. A mensagem subliminar presente no cartaz é a de que Carrilho propõe uma solução para o problema do crime em Lisboa. Habituados à falta de soluções, ou melhor, à falta de soluções eficazes, e a gostar de medidas revolucionárias que aparentemente rompem com o sistema (quando na verdade o continuam a perpetuar de forma mascarada), os eleitores concordam com a ideia. Quando se comenta o cartaz, o primeiro que apontam é logo “então e não há crime em Lisboa? Tem que ser, tem que ser, é para apanhar essa ladroagem” ou então “acho muito bem, assim eles vão ter medo porque sabem que vão estar a ser vigiados”.

A falta de tacto ao aceitar este projecto político de Carrilho revela-se através da concordância que é dada pelos simples cidadãos que formam o aglomerado de eleitores. Grande parte desta gente não mede as consequências da ideia, optando pela aplicação de uma aceitação psicológica da estratégia os fins justificam os meios. A frase de Carrilho ajuda porque é extremamente vaga. Fala em “vigilância”, palavra associada à segurança, e em “perigo”, o que faz apelar ao medo das pessoas para que involuntariamente concordem com os seus planos. Desta forma, não é estranho que as pessoas reajam como têm reagido, usando uma espécie de negação sintomática demonstrada no seu “acho bem, é para acabar com o crime”. Se qualquer medida que pretenda acabar ou diminuir o crime pode ser justificada desta forma, também poderíamos defender a lobotomia das pessoas à nascença. Ou a extinção total da espécie humana com o argumento de que “é para acabar com o crime…ou julgam que não há criminosos por ai à solta?”.

Quando um político – que à partida já é um criminoso – surge com uma ideia que retira liberdade às pessoas ou, melhor ainda, sugere uma ideia vaga e suspeita e as pessoas aquiescem e até saem em defesa de dito político, há algo de muito errado. Não só naqueles que pecam pela negligência mas especialmente naqueles que cooperam com este voyeurismo a terceiros. Muitos dos que defendem Carrilho acham que a medida será só aplicada aos outros, aos “criminosos”, esquecendo (talvez propositadamente) que também serão eles vigiados e tratados como potenciais criminosos. A questão não reside em impedir sistematicamente que existam câmaras de vigilância (desde que existam de acordo com a permissão dos visados, em casos específicos) mas sim que seja um sistema público a implementá-las, também num espaço público. Mais ainda que o sugira fazer de uma forma extremamente abstracta. No cartaz não são mencionados os tais bairros. Não são referidas as formas como os protocolos de segurança vão ser implementados. Não se indica como vai ser feito o tratamento dos dados. Em suma, não se diz nada. Simplesmente, joga-se com o medo da insegurança e as estatísticas evidentes relativas ao crime. Os visados, inconscientemente, aceitam a mensagem e passam a advogar a sua aplicação.

Quando confrontados com a realidade ouvem-se frases deliciosas como “não, não é para nos vigiar a nós, é aos criminosos!”. Como se instala uma câmara num determinado local para vigiar apenas um grupo de pessoas, sem afectar todos os outros que o frequentam? A ingenuidade desta gente deixa-me surpreendido pois deve julgar que as câmaras de vídeo têm um alarme, activado por ultra-som, que faz com que a película comece a gravar apenas quando um ladrão se digne a passar em frente dela.

A implementação de quaisquer medidas deste género associadas à ilegalidade de porte de armas, bases de dados genéticas, sistemas de identificação nacional, etc. apenas faz parte do típico esquema de controlo sobre o indivíduo. Como esta permissão do controlo não nasce de uma forma natural, torna-se imperativo incutir nas camadas mais insurgentes da população uma mentalidade de servidão para com o Estado, que é precisamente o que os governos desejam fazer.

Tudo isto é apoiado por pequenos pormenores como aquele do Big Brother; quando se fala em Big Brother as pessoas pensam que se está a falar de um programa televisivo, ignorando por completo a origem do nome e a razão pela qual surgiu. Orwell tentou avisar as gerações futuras porque viveu a era do auge comunista. Orwell conheceu e imortalizou o resultado do controlo do Estado. Contudo, as pessoas continuam a ignorar o trabalho deste Blair. A primeira vez que expliquei a alguém de onde vinha a expressão Big Brother fui confrontado com uma resposta ao bom estilo dos que vêem a verdadeira realidade como uma coisa muito bizarra – “mas do que é que estás para aí a falar?” Para essa pessoa, o Big Brother era o Zé Maria, a Teresa Guilherme e o Pedro Miguel Ramos. Orwell, 1984 e outros tópicos mais complicados como o colectivismo oligárquico (que eu ainda desconhecia na altura) eram demasiado complexos para serem discutidos abertamente, o que, aliás, explica a conivência das pessoas com todos estes programas políticos.

A sociedade paga caro pela sua ignorância e pelo envenenamento efectuado via classe política e meios de comunicação social tradicionais. Isso nota-se particularmente na pouca atenção que, ao longo destes anos, tem sido dada a estes tópicos. O último grande exemplo é o da base de dados genética. Agora o da campanha de Carrilho, que, com um programa que aparentemente viola os direitos mais básicos do ser humano, se arrisca a ganhar o tão desejado trono da Câmara Municipal de Lisboa.

Início do Admirável Mundo Novo em 2005 II

Base de dados genética é mesmo para avançar, diz Governo

O secretário de Estado Adjunto da Justiça, José Conde Rodrigues, anunciou hoje que Portugal vai dispor, até ao final da actual legislatura, de uma base de dados genéticos para auxiliar a investigação criminal e identificação civil.

Após a sessão inaugural do 21º Congresso da Sociedade Internacional de Genética Forense, a decorrer em Ponta Delgada, José Conde Rodrigues adiantou que o Governo está "empenhado" na concretização de um projecto que exige "muito cuidado e trabalho prolongado no tempo".

(...)

José Conde Rodrigues referiu ainda que a base de dados poderá ser também útil em matéria de identificação de cadáveres numa situação de catástrofe, semelhante à que ocorreu recentemente nos Estados Unidos da América com o furacão Katrina.

(...)

António Amorim, do Instituto de Patologia Molecular da Universidade do Porto, defendeu que o projecto da base de dados deve ser mais "ambicioso" do que a mera identificação criminal, já que esta ferramenta pode aplicar-se às catástrofes naturais.

"Muitas vezes tínhamos em nossa posse informação suficiente para resolver alguns problemas de ordem criminal e de identificação, mas não a podíamos utilizar", admitiu António Amorim, realçando as "muitas vantagens" que poderão advir da criação da base de dados.

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Aos defensores desta medida só falta argumentar que deviamos catalogar todos os habitantes do mundo para poder identificar os infiltrados, em caso de invasão extraterrestre.

Tuesday, September 13, 2005

Início do Admirável Mundo Novo em 2005

Mais novidades acerca da base de dados genética. Artigo publicado pelo DN.

Base de dados genética avança

«A criação de uma base de dados genética avança já este ano em Portugal. O Ministério da Justiça vai nomear um grupo de trabalho para ouvir as instituições com responsabilidades nesta matéria e estabeleceu já uma prioridade a investigação criminal. Uma das primeiras questões é saber se a base de dados inclui apenas condenados ou também os suspeitos de prática criminal. Para mais tarde fica o registo de todos os portugueses - inscrito no programa de Governo - para situações de protecção civil e salvaguarda da identificação em situações de catástrofes.

(...)

Como "o País tem recursos limitados", os primeiros passos vão no sentido de preparar a base de dados, do ponto de vista tecnológico, para a "investigação operacional". A criação de um registo genético para identificação civil - e que possa ser acedido para cruzamento com informações de processos criminais - ficará para depois. Duarte Nuno Vieira, presidente do INML, concorda com o modelo e defende a criação da base de dados.

(...)

Portugal é dos poucos países da Europa ocidental que ainda não tem qualquer base de dados genética para investigação criminal. Por isso, defendeu já Francisco Corte-Real, do INML, é preciso avançar. O modelo que apresenta - apenas com registo de condenados - é dos mais conservadores, mas também há propostas que alargam o âmbito da base à população em geral, como a que é defendida por António Amorim, do Instituto de Patologia e Imunologia Molecular da Universidade do Porto. O essencial, esclarece, é a tutela da base, que deverá ser não-governamental e sujeita a duas instituições diferentes.


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Devido aos aparentes "recursos limitados" a medida aplicada a todos os cidadãos ficará em espera. A confirmar-se, esta notícia é excelente porque nos dá a todos a oportunidade de organizar as coisas de forma a mudar para outro país o mais rapidamente possível.

Artigos anteriores sobre a base de dados genética:

Dá-me o teu ADN, dir-te-ei quem és

Ainda a base de dados

Portuguese do it better

A coerência é uma coisa bonita

Palestinianos começaram a destruir sinagogas em Gaza

Os palestinianos começaram a destruir esta segunda-feira as sinagogas dos antigos colonatos israelitas da Faixa de Gaza, depois da retirada dos soldados israelitas, constatou um jornalista da agência France Presse.


Não sei que esperam os socialistas para começar a criticar a falta de liberdade religiosa na Palestina. Talvez os judeus não contem porque o "relativismo cultural" só abrange o Islão?

Ditch Holocaust day, advisers urge Blair

ADVISERS appointed by Tony Blair after the London bombings are proposing to scrap the Jewish Holocaust Memorial Day because it is regarded as offensive to Muslims.

They want to replace it with a Genocide Day that would recognise the mass murder of Muslims in Palestine, Chechnya and Bosnia as well as people of other faiths.


Obviamente, uma iniciativa bonita e solidária. Mas nesse caso devíamos também incluir as vítimas das purgas de Estaline e Mao, por exemplo. Curioso que ninguém fale destes números que, afinal, eram apenas alguns milhões em qualquer dos casos. Ou talvez haja dois pesos e duas medidas?

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P.S. - Mais curioso ainda é que alguém se sinta discriminado por uma homenagem àqueles que foram discriminados.

Sunday, September 11, 2005

Futurologia para o CEI

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Segundo o PortugalDiário, foi ontem inaugurado o Centro de Estudos Ibéricos, uma iniciativa conjunta da Câmara da Guarda, do Instituto Politécnico da Guarda e das Universidades de Coimbra e de Salamanca.

O objectivo primário do CEI é a cooperação académica a nível do ensino, investigação e tudo o que envolva um factor cultural comum aos dois países ibéricos. As áreas em que esta cooperação vai incidir são para já as seguintes: Literatura, História, Filosofia, Geografia, Sociologia, Economia, Direito e Relações Internacionais.

Embora esta iniciativa seja de louvar, aguardam-se a qualquer momento comunicados exaltados de Ribeiro e Castro (CDS-PP), Alberto João Jardim (PSD) e Marques Mendes (PSD) acerca da invasão espanhola na cultura portuguesa, na economia portuguesa, etc. Claro que estes ditos líderes terão que explicar aos incultos cidadãos, como eu, por que razão Luís de Camões e Gil Vicente escreviam em castelhano. A razão pela qual a Galiza fala português e o português provém do galaico-português.

Seria também conveniente que explicassem o que faziam os Lusitanos na Meseta Central e todo o historial genético que é comum aos diversos povos da Península. Também teriam que explicar a razão pela qual o Português e o Castelhano têm uma sintaxe tão próxima e os departamentos de línguas em várias universidades inglesas e americanas ensinam "Spanish and Portuguese Studies" quanto à História e à Literatura, entre muitas outras coisas. Talvez também a existência de palavras como "esquerda" na Língua Portuguesa, palavra que provém de uma língua do outro lado da Península. Já agora, o Mirandês. Sim, porque os dialectos leoneses são de Espanha, não?

Muito para esclarecer. Até porque muita gente chama os espanhóis de nuestros hermanos mas não sabe muito bem porquê. No entanto, ódio xenófobo barato é o que por aí não falta, como se os espanhóis (ler castelhanos, bascos, catalães, galegos, extremenhos, etc.) fossem todos filhos do anticristo. Isto quando estamos a falar de povos que se misturaram mais entre si do que com o resto da Europa.

Mais uma vez se entende como a política e a ideia de Estado conseguem endrominar as mentes dos povos com extrema facilidade, até mesmo quando a zona do Portugal de hoje em dia foi repovoada após a Reconquista Cristã.

In Memoriam 9-11

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Há 4 anos estava eu em casa. E o terror chegou. Na altura também muitos se regozijaram com o sucedido (à semelhança do Katrina). E não foi apenas nos países muçulmanos.

– Em memória das vítimas do 11 de Setembro –

Saturday, September 10, 2005

O Rico = O Mau e o Vilão

Flat, n'A Arte da Fuga

Quem se opõe politicamente à flat tax argumenta que é injusta. Com um sistema de flat tax, os ricos pagam mais que os pobres, na proporção dos seus rendimentos, mas os seus detractores insistem que é preciso fazer com que "os ricos" paguem proporcionalmente mais.

Aproveito para mostrar o aparente programa do Platforma Obywatelska que, dentro do panorama político português, seria muito bem-vindo.

  • Flat tax rates: 15% personal income tax (PIT), corporate income tax (CIT), and % VAT.
  • Tertiary education reform, with equal rights for private and public universities.
  • More cash spending should be done by local government, less by central government.
  • Privatization and demonopolization.
  • Direct elections of mayors and governors.
  • Private health care.
  • Majoritarian parliamentary elections.
  • Labor law reform.
  • Narrowing privileges of trade unions.
  • Teaching economy in all schools.
  • Giving the National Bank of Poland full control over monetary policy.
  • Allowing private landlording.
  • Lowering the number of MPs in the Sejm from 460 to 230, and depriving them of parliamentary immunity from prosecution.
O Insurgente refere também que os Tories estão a considerar a medida.

Os militares são enteados

Militares não desmobilizam 'manif'

A manifestação dos militares dos três ramos das Forças Armadas que estava prevista para a próxima semana, dia 13, foi ontem proibida pelo Governo Civil de Lisboa.

Quem tinha dito que a maior conquista do 25 de Abril havia sido a liberdade de expressão?

Friday, September 09, 2005

Make TRADE, not War

Artigo obrigatório na Libertad Digital.


La libertad económica es casi 50 veces más efectiva en la prevención de la paz que la democracia, según el último informe sobre la libertad económica en el mundo de los institutos Cato y Fraser. Un año más, el país económicamente más libre del mundo es Hong Kong. El estudio revela que cuanto mayor es la libertad económica, mayor es el crecimiento, la inversión per cápita y la renta generada por los más pobres. Por el contrario, menor es el trabajo o la mortalidad infantil.

(...)

Otro de los hallazgos del informe anual sobre libertad económica en el mundo es que cuanto más libre es un país, mayor es su desarrollo humano.

(...)

Estos resultados son consistentes con el hecho de que cuanto mayor es la represión económica, mayor es la mortalidad infantil y adulta, menor la esperanza de vida y son mayores el índice de desempleo y el de analfabetismo.

(...)

El índice de pobreza, según lo define las Naciones Unidas, es mayor en las economías más reprimidas que en las más libres.

(...)

Pero lo más original de la última edición del EFW es un estudio específico destinado a evaluar la contribución de la libertad económica a la paz. La relación entre el comercio y la integración económica y el mantenimiento de la paz ha sido descrito por muchos autores, de Adam Smith o Richard Cobden a Ludwig von Mises. El informe recoge los datos sobre los conflictos armados que hay en el mundo y los relaciona con los datos propios sobre la libertad en las relaciones económicas. El resultado es que, si bien la expansión de la democracia ayuda al mantenimiento de la paz, la libertad económica contribuye hasta 50 veces más a la paz mundial.


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Aqui ficam as ligações para as fontes originais:

Economic Freedom of the World (Cato Institute)


Economic Freedom of the World (Fraser Institute)

Portugal, como seria de esperar, aparece em lugar de destaque - 34º. Menos liberdade económica em países da Europa Ocidental, só mesmo em França (38º), o bastião do socialismo europeu, e em Itália (54º), o bastião da corrupção.