Pages

Friday, September 09, 2005

Mais fãs do Bono

São notícias como esta que me deixam sempre de pé atrás quanto às campanhas para erradicação da pobreza no mundo.

Activistas da campanha «Pobreza Zero» vão pôr a tocar os seus despertadores esta sexta-feira à noite frente ao Palácio de São Bento, em Lisboa, para «despertar» o primeiro-ministro, José Sócrates, para a luta contra a pobreza.

«Queremos que a luta contra a pobreza no mundo passe a ser prioritária na agenda política do primeiro-ministro e na discussão do orçamento de Estado», disse à Agência Lusa Joana Pires, uma das coordenadoras da campanha em Portugal.
Despertadores tocam em São Bento para sensibilizar Sócrates



Se estes activistas se preocupam tanto com a pobreza no mundo porque não fazem as suas críticas aos regimes corruptos que eles sustêm? Outros dos graves problemas reside na falta de liberdade que se verifica em muitos destes países. Porque não lutam eles contra o desrespeito pelos direitos humanos (incluindo o da propriedade que é sempre ignorando) em vez de se resumirem a uma campanha politicamente correcta sobre a ajuda aos “pobres do mundo”?

Não compreendo a intenção de fazer isto em Portugal. Mais valia que o tivessem ido fazer para a Eslovénia. Caso ainda não tenha percebido, Portugal é o país mais pobre da Europa dos 15 (e não só). Em breve, talvez o da Europa dos 25. Os dirigentes da “Campanha Zero” caem na contradição de pedir aos pobres que fiquem mais pobres para eliminar a pobreza porque já se sabe que os fundos estatais são financiados pelos contribuintes, obviamente.

Que melhor demonstração de ingenuidade poderão demonstrar estes senhores ao não pedir que os mercados europeus se abram aos outros países mais pobres, sem tantas restrições? A solução para o crescimento é a do comércio livre, não a da injecção constante de fundos que, muito provavelmente, nem chegam ao destino pretendido.

A campanha “Pobreza Zero” resume-se ao que já estamos habituados a nível deste género de campanhas ao bom estilo Imagine de John Lennon. Uma espécie de socialismo que “facilite” o acesso aos bens por parte da população. Talvez o herói afinal seja Fidel Castro.

P.S.: Que fique registado que li o Manifesto da “Pobreza Zero” mas não dou a ligação para o projecto. Estava a sentir-me mal só de ler a apresentação dos "argumentos" para a campanha.

Thursday, September 08, 2005

Miradas simbólicas

The image “http://img.photobucket.com/albums/v635/lusomanwe/miradas_simbolicas.jpg” cannot be displayed, because it contains errors.



"O primeiro-ministro português accionou o detonador que provocou a demolição"

Sapo/Lusa

Wednesday, September 07, 2005

Os anarco-estatistas

Esta sondagem mostra que as críticas às respostas dadas pelos vários níveis de autoridades envolvidas estão bastante divididas, não sendo unânime aquela crítica a Bush que a nossa imprensa quer fazer crer. Mas, também o facto é que, em Portugal, a imprensa quase só ouve gente ligada ao partido democrata e cita os jornais que quiseram eleger Kerry.


Apesar de tudo

Isto faz-me lembrar que os telejornais de hoje, na SIC e na TVI demonstravam uma indignação relativamente à forma "repressiva" como a retirada de Nova Orleães está a ser feita. O exército está a retirar as pessoas das casas a bem ou a mal. Resumindo, está a forçá-las a sair.

O mais intrigante é que agora os jornalistas de ditos canais utilizam expressões de compreensão para com os que ficaram para trás, afirmando que é o seu direito a ficar, numa estranha reviravolta ideológica que passou a ter como base o direito à propriedade e à decisão individual. Ora, não eram estes mesmos canais que há uma semana atrás criticavam fortemente a actuação "passiva" do governo federal? A falta de planos de evacuação? (quando muita gente ficou para trás - como é noticiado hoje - precisamente porque não deseja sair).

Como se consegue passar de estatista a anarquista numa semana? Que pergunta estúpida. Qualquer coisa que seja americana serve para dizer mal. Não interferiram na vontade das pessoas mesmo que isso as prejudicasse? Mal. Interferem na sua liberdade individual para as retirar de uma cidade-fantasma? Mal.

Criticar os EUA não é ser anti-americano. Criticar os EUA por tudo e por nada sim, é ser anti-americano. Especialmente quando se critica porque “os americanos” fazem X mas, em simultâneo, porque “os americanos” não fazem X.

Portuguese do it better

Não, não estou a falar de sexo. É mesmo a nova retórica argumentativa para a base de dados genética que o governo deseja criar. Parece que, como os EUA e o RU já o fazem, então Portugal devia também fazer (provavelmente para que se tenha o prazer de dizer que foi feito “antes de Espanha e Itália”).

Governo estuda criação de base de dados genéticos


O Governo está a estudar a hipótese de criar uma base de dados genéticos, para ajudar a investigação criminal e a identificação civil, disse hoje à agência Lusa fonte oficial do Ministério da Justiça.

(...)

Na Europa Ocidental, Portugal, Espanha e Itália são os únicos países que não possuem esse mecanismo de informação genética, que existe em países como a Grã-Bretanha e os Estados Unidos.


O mais preocupante é que esta notícia se baseia numa mentira pura. Não existe nos EUA nenhum sistema de base de dados genética. Nem no Reino Unido. Os registos criminais não implicam que toda a população esteja registada pelo Estado, ao contrário da medida que o governo português pretende iniciar.

Ambos os países têm um historial de rejeição de formas de identidade. Neste momento, a sociedade britânica enfrenta as intenções do governo em criar um bilhete de identidade biométrico. Esta medida do governo de Tony Blair está a receber oposição de grande percentagem da população, o que levou também à criação de grupos que se opõem veemente à implementação de tal sistema.

Quanto aos americanos, basta falar-lhes em bases de dados estatais para que comecem a pensar em emigrar para as Ilhas Caimão.

Jornalismo isento

A verdade é que a saga continua. Esta notícia da SIC, por exemplo, mereceu destaque na página principal do Sapo. Observe-se o título.

Resposta inadequada

Relatório responsabiliza Administração Bush pelas consequências do Katrina

A resposta da Administração Bush foi inadequada e existem dúvidas sobre a capacidade dos Estados Unidos lidarem com um possível ataque terrorista. Esta é a conclusão de um relatório preliminar da comissão independente criada pelo Congresso norte-americano para investigar a forma como o Governo lidou com as consequências do furacão Katrina.

Agora, leia-se não só o lead mas o corpo da notícia. Que contém? Nada. Nada de nada. Apenas fala da situação que se verifica na cidade, dos problemas e do que se está a fazer para os solucionar. Não há referência alguma ao tal relatório que é mencionado no topo da notícia e que lhe dá o título. Isto não é sensacionalismo jornalístico de base anti-americana? Então, é o quê?

Recomendo a leitura do texto do André n’O Insurgente.

Tuesday, September 06, 2005

Extra, Extra! Transporte grátis em Lisboa!

Promessas eleitorais - Transporte grátis para todos!!!

Carmona Rodrigues propôs ainda o alargamento do Lisboa Porta-a- Porta, um serviço gratuito de transporte de moradores proporcionado pela Câmara, ao bairro do Loureiro, junto à Avenida de Ceuta, para facilitar a deslocação das pessoas ao resto da freguesia de Santo Condestável e acesso a farmácias, mercados ou centro de saúde.


Não sei porquê mas esta medida faz-me lembrar a lógica do sistema de saúde cubano. Sim, aquele maravilhoso, o melhor do mundo! Melhor do que o dos imperialistas americanos! Este aqui.

Katrina e o anti-americanismo III

Em virtude dos últimos acontecimentos nos EUA denota-se um problema muito grande no resto do mundo. Percebe-se que as pessoas que não são americanas continuam a ver os EUA como se fossem um deus imbatível, intangível e intocável. Acabam depois por se surpreender pela força das imagens e pelos números da tragédia porque viam a “América” como um colosso inabalável.

O principal erro reside nessa crença. O segundo erro mais importante demonstra-se na inveja e no contentamento com o sofrimento dos outros. Por toda a Europa se observaram reacções de regozijo com o sucedido. Para justificar a sua alegria com a catástrofe utilizaram-se argumentações falaciosos baseados na raiva ideológica.

“Os americanos invadiram o Iraque, logo é bem feito”

“Os americanos não cumpriram o Protocolo de Quioto, é bem feito”

“Eles têm a mania que são os maiores, é bem feito que é para aprenderem”

“Têm a mania que são os polícias do mundo e isto acontece-lhes lá, é bem feito”

Estas justificações, típicas de um activista palestiniano, são repugnantes. Já todos percebemos que o Katrina foi devastador. Os estados do sul dos EUA costumam ter vários furacões por mês, o que explica a aparente passividade com que as coisas foram tomadas. Contudo, dias antes, avisaram-se as pessoas de que deviam retirar porque existia risco de inundação. Quem ficou para trás – dizem os sabichões, porque eram todos pobres e não tinham forma de sair – caem na contradição de depois dizer que é bem feito porque os EUA são um país rico. Se os EUA são um país rico e é bem feito então o que explica que haja pobres? Se os mesmos sabichões intelectuais da política assumirem que afinal há pobres então dirão que a disparidade económica nos EUA é muito superior à dos países europeus, afirmando que nos EUA só há estados ricos e depois há os estados pobres, o que é puramente falso. Segundo este estudo publicado pela Timbro em 2004 (obrigado ao Jorge Valín pela ligação) qualquer país europeu – à excepção do Luxemburgo – estaria entre os estados americanos mais pobres. É curioso ver a posição de Portugal que no estudo se encontra mesmo em último lugar, atrás de TODOS os estados americanos e europeus. Louisiana encontra-se a meio da tabela, quase ao nível médio nos EUA. Segundo esta notícia publicada no DN, NO tem 67% de população negra e 33% de pobreza. Logo, à partida, pelo menos metade da população negra não é pobre, assumindo que não existem outras “raças” pobres. A verdade é que toda a gente também viu imagens de “brancos” afectadas pelo desastre mas as cadeias televisivas preferiram, evidentemente, usar a imagem dos negros para oferecer mais impacto, não fossem este um tema de constante debate (histórico) nos EUA.

Outro dos aspectos relevantes é a definição de pobreza nos EUA, que pode ser consultada aqui.

Os números para 2004 podem ser visto aqui.

Como se pode ver a pobreza começa a ser delineada com um salário quase duas vezes superior ai salário mínimo em Portugal.

O outro factor que se torna extremamente importante – mencionada pelo estudo da Timbro – é o seguinte: os pobres dos países mais ricos vivem melhor do que os pobres dos países mais pobres, como pode ser verificado na página 21.

3.4 It is better being poor in a rich country than in a poor one


Poverty is a highly relative concept. As we saw in the preceding section, for example, 40 per cent of all Swedish households would rank among low-income households in the USA, and an even greater number in the poorer European countries would be classed as low income earnings by the American definition. In an affluent economy, in other words, it is not unlikely that those perceived as poor in an international perspective are relatively well off. The media image of the American poor is that they have great difficulties to contend with, that they are dossers, junkies and in various ways marginalised. There are of course such groups in the USA, and they are relatively large, but – and this is an important “but” – such groups exist in European countries too. There is also another image of poverty in the USA, namely that the great majority of those considered to be poor have a relatively good material standard of living. Examples are given below.


First of all, the percentage of poor people in the USA has diminished over time, concurrently with the growth of the American economy; see Table 3:1. In 1959, for example, 22 per cent of all Americans were living below the then poverty line. Today only 12 per cent are living below the present-day poverty line. Things have also improved for the black population of the USA, whereas for Hispanics the poverty percentage has changed little since 1972.


What does it mean to be poor in the USA? Major living standard surveys carried out in the USA at regular intervals show the poor to have a surprisingly high standard of living; see Table 3:2. A large proportion own their homes and have one or more cars. Domestic appliances of different kinds are also relatively common, as are one or more TV sets complete with video or DVD. Material prosperity, in other words, is high and not associated with the material standard of living which many people in Europe probably associate with poverty. Good economic development, in other words, results in even poor people being relatively well off. Quite simply, it is better to be poor in a rich country than in a poor one.

O mais vergonhoso nem sequer é que se debatam argumentos relativamente ao racismo e à questão da pobreza. Nem sequer que se discutam as falhas do sistema – que obviamente se deram (haveria, no entanto, algum outro local do mundo preparado para tal catástrofe?) mas sim que se limite a um sensacionalismo arrogante que permite que se façam perguntar completamente descabidas como a que se via há dias no portal do Sapo:

Votação
O que se passa em Nova Orleães é humilhante para os EUA?

Qual é o interesse repentino e descabido dos meios de comunicação social portugueses pelas questões politicas norte-americanas – como a responsabilização do governo federal? As declarações do Mayor (democrata) têm sido utilizadas ad nauseam pelos canais de televisão para demonstrar “inquestionavelmente” que a culpa é do governo federal. Mas talvez isso engane apenas os europeus em geral, e os portugueses em particular? Ao contrário de Portugal, os EUA são um país descentralizado. Se há alguém que culpar inicialmente é o governo estadual por não ter prevenido a situação anteriormente (como se um Estado alguma vez o conseguisse). O Brainstormz d’O Insurgente apontava, há já vários dias, um estudo publicado no von Mises Institute cuja leitura também recomendo. O João Miranda do Blasfémias afirmou uma coisa que também me passou pela cabeça enquanto lia as notícias da catástrofe:

“Se os portugueses fossem tão exigentes com os políticos portugueses como com os políticos americanos, Portugal seria um país bem mais desenvolvido.”


Estendo o comentário de JM aos meios de imprensa, que dificilmente criticam o estilo político português (aliás, apoiam todas as formas de estatismo) mas que se tornam incrivelmente lancinantes aquando de assuntos relativos às políticas externas e internas americanas. Então e que tal começar a pedir responsabilidades políticas pelos incêndios que devastam o país? E que tal pedirem responsabilidade pela quantidade de gastos inúteis do governo? E pelos investimentos públicos sem qualquer resultado visível? E pela falta de qualidade do ensino, nomeadamente o superior? O aumento constante dos impostos? As bases de dados que o governo deseja criar para controlar os cidadãos? E, embora seja pedir muito, pelo proteccionismo estatal que a todos prejudica?

Não. A imprensa portuguesa prefere o sensacionalismo. Prefere o jogo das emoções e a propagação da cultura de destruição. Mas acobarda-se. Aponta o dedo aos americanos (ou ao governo americano? Ainda não se compreendeu, se calhar os canais de televisão até são todos liberais) e gera discussões em torno das responsabilidades, etc. Já lhes ocorreu por acaso que também há assuntos de extrema relevância que deviam ser discutidos, além da telenovela das presidenciais? Irónico que sejam estes mesmos pioneiros do estatismo nacionalista os primeiros a dar uma prova tão ridícula de “globalização” desnecessária e absurda.

A blogosfera assume cada vez mais o papel de imprensa do futuro.

Monday, September 05, 2005

Xenofobias económicas II

PSD: Governo prestes a autorizar «à socapa» venda da TVI


Falando na sessão de encerramento da Universidade de Verão do PSD, em Castelo de Vide, Luís Marques Mendes salientou que «o problema não está no negócio privado», mas no facto «de a TVI ser um bem público».

«Portugal tem apenas dois canais privados e (o Governo preparar-se para autorizar que um destes se torne propriedade espanhola», sublinhou.

Para Marques Mendes, «a televisão é garante da língua e identidade nacional», que poderão estar em risco se o negócio se concretizar.

---

Depois do CDS-PP, agora também Marques Mendes. Porque insistem em chamar a isto "Direita"? A TVI passou a ser um "bem público" e de lixo cultural torna-se em bastião da língua e cultura portuguesas. Marques Mendes enlouqueceu ou está a tentar esclarecer os indecisos de que é um verdadeiro (nacional-)socialista?

Sunday, September 04, 2005

Eclipse Solar

The image “http://www.oal.ul.pt/oobservatorio/vol11/n7/imagens/eclipse.png” cannot be displayed, because it contains errors.

A ver, em Outubro, num céu perto de si.

Portugal na rota de um Eclipse solar anular

No próximo dia 3 de Outubro, Portugal estará na rota de um eclipse do Sol anular, cuja linha central passará pelas regiões do Minho, Trás-os-Montes e Alto Douro, avançando depois para Espanha e África. (...) No máximo do eclipse, ver-se-á um anel luminoso a rodear o disco negro da Lua - e daí a designação de "eclipse anular". Os observadores espalhados pelo resto do território de Portugal poderão testemunhar um eclipse parcial.

Saturday, September 03, 2005

Hipocrisias governamentais

Teixeira dos Santos no seu melhor. Na própria tomada de posse dos seus directores-gerais (mais jobs para mais boys) e já com as típicas argumentações contraditórias.


Falando no final da cerimónia de posse de quatro novos directores-gerais, o ministro [das Finanças] reconheceu que a conjuntura económica é, sem dúvida, «preocupante» e desafiou o sector privado, que tem de ser o motor da recuperação, a reagir.

(…)

Na cerimónia de posse, o ministro das Finanças reconheceu que urge dar uma resposta ao momento difícil da economia portuguesa, sublinhando que a iniciativa privada «tem uma responsabilidade inalienável no esforço de inversão do actual clima de pessimismo e do fraco crescimento económico».


Então, é o sector privado que tem que ser o motor da recuperação. Muito bem.

Que palhaçada de declarações vêm a ser estas? O que dizer das centenas de PME’s que ameaçam fechar as portas por causa da sobrecarga fiscal? Ou seja, o Estado exerce, como refere Dos Santos (não confundir com outros Dos Santos que não pertencem à mesma família de larápios), um papel na “retoma da confiança dos agentes económicos, na criação de um ambiente macroeconómico e institucional favorável à competitividade, ao emprego e ao crescimento” mas em simultâneo afugenta os investimentos estrangeiros e impede os portugueses de os fazer.

Como é possível dizer, nas mesmas declarações, coisas completamente contrárias? O Estado obriga as empresas a pagar dezenas de impostos. O mercado de serviços (electricidade, água, etc.) não é livre. Existe intervencionismo estatal. As leis laborais são uma anedota. Criar uma empresa demora meses – o governo socrático usou a campanha da Empresa na Hora mas a verdade é que isso apenas cria a empresa mas não a licencia… – e sustê-la é quase um milagre. Contas, contas e mais contas. Contas a pagar directamente ao Estado. Contas a pagar às empresas controladas pelo Estado. Contas a pagar às empresas que detêm monopólios concedidos pelo Estado. Contas a pagar às empresas que, por sua vez, são afectadas pelas acções do Estado, influenciando negativamente o mercado por inflação artificial dos preços de venda. Qualquer produto comprado acarreta numerosos impostos. Os serviços implicam impostos e outras taxas (incluindo as indirectas). Há dias ficou-se a saber que são agora os próprios empresários que vão também financiar o sector público de audiovisuais! Dinheiro PRIVADO que vai para o ESTADO. Precisa de um desenho Sr. (sic) ministro? Como espera que os privados façam investimentos e revertam a situação económica quando cada vez mais o sistema lhes suga mais fundos? Que descaramento. Os empresários portugueses espremem as suas economias até ao último tostão para conseguir manter o negócio.

Quererá Teixeira dos Santos referir-se a investidores estrangeiros?

Chineses, talvez? Aqueles que têm os seus têxteis bloqueados?

Se queremos estimular o investimento privado porque o bloqueamos?

Para proteger os investidores nacionais?

Então por que razão os sobrecarregamos com taxas e burocracias?

Teixeira dos Santos, faça-nos um favor. Demita-se ou desista do seu ordenado pois é ele uma das causas dos nossos problemas. Como pedir aos empresários portugueses que funcionem como motor de reanimação da economia portuguesa se esta está estagnada ou mesmo em recessão precisamente por causa do intervencionismo estatal? Que brincadeira de mau gosto são as suas declarações? Aliás, qual é a sua utilidade? Ganhar uma fortuna para dizer aos empresários que são eles quem deve gastar (perder) mais dinheiro? Para que lhe pagam os contribuintes a si, então? Conselhos inúteis como esses podemos todos obter facilmente, aprendendo com os mestres Chávez e Castro na televisão.

Por favor. É como esfaquear um animal múltiplas vezes e pedir-lhe veemente que pare de sangrar para que o possamos continuar a esfaquear a nosso bel-prazer. Uma versão sádica de vampirismo que afunda cada vez mais Portugal.

Katrina e o anti-americanismo II

The image “http://www.brandonblog.homestead.com/files/iraq-war-4142338.photo01.jpg” cannot be displayed, because it contains errors.

Eu não queria falar disto. Mas é impossível. Hoje acordei e li em vários blogues o que se estava a passar.

Fui ligar a televisão e a única coisa que consegui ver foi um jornalista da TVI com um sorriso irónico a mostrar imagens da devastação do Katrina com um título “Ajuda humanitária não chega a tempo” ou algo do género. Demorou pouco para perceber o que realmente se estava a passar. Uma entrevista a um desalojado (português, como não) que dizia ter ficado na cidade e depois ter percebido que as ajudas não viriam. Fiquei sem compreender porque se queixava já que as autoridades incentivaram a evacuação. Parece idiota ficar num local que vai ser atingido pela maior tempestade de todos os tempos mas foi a sua opção. É verdade que naquelas áreas há tornados e tempestades a toda a hora mas esta era de grau máximo e foi por isso que há dias se deu a evacuação que vimos. A parte mais chocante é que os que não quiseram sair, depois esperam que os ajudem imediatamente.

Entretanto, mudo para a CNN e vejo um grupo de pessoas paradas, em pé, a gritar para os meios de imprensa que passavam por lá “We Want Help!”.

Fico sempre com a sensação de que as pessoas sofrem o dobro do que deveriam sofrer. Levam com a catástrofe em cima e depois têm que se aguentar com as consequências da sua mentalidade estatista – a do “We Want Help” - em vez de procurarem soluções. Claro que eu lhe chamo mentalidade estatista. Muitos outros, como esse herói da liberdade, Hugo Chávez, diriam que o governo da primeira potência do mundo era vergonhoso porque não tinha um plano de evacuação. Note-se bem a palavra governo. O Sr. L’État c’est moi a criticar o governo de um país que se orgulha de ter menos governo, o que explica também que tantos milhares tenham sido evacuados a tempo devido à qualidade dos meios de transporte.

Minutos mais tarde, falo com meu pai, que me diz a frase que menos estaria disposto a ouvir hoje, depois de tudo o que li e pude ver. Algo que gera em mim um sentimento profundo de consternação e irritação. “Então, aquilo lá na América, um país tão civilizado e evoluído, é assim?”

A seguir a isto deu-se uma explosão de emoções descontrolada e o meu pai acabou por ter que me ouvir durante cerca de uma hora. Expliquei-lhe que era interessante como ele e os meios de comunicação social portugueses (alemães e outros incluindo os próprios americanos) conseguiam transformar uma catástrofe natural – talvez a maior de que haja memória nos EUA – num bastião político anti-americano. Hoje falou-se da guerra do Iraque, falou-se do aquecimento global, do incumprimento do Protocolo de Quioto, das pilhagens, da falta de meios, da lentidão dos serviços. Tudo culpa dos americanos, obviamente.

Acabei por perguntar ao meu pai qual era a sua justificação para fazer um comentário tão idiota acerca de uma tragédia assombrosa que se havia abatido sobre o continente americano. Ele referiu as “pilhagens”. Segundo ele, um povo tão civilizado, avançado, evoluído, etc. não se devia comportar de forma tão miserável. Naquele momento perguntei-lhe o que faria ele, algo a que não me respondeu. Disse-me, passados uns minutos, que se fosse em Portugal teria acontecido o mesmo ou pior mas atenção – nós, ao que parece, não somos um “povo evoluído”.

Depois de lhe explicar que era ele quem estava a negar a natureza humana (a da sobrevivência) e de lhe dizer, num tom bastante irritado, que os americanos não são extraterrestres, que são humanos como nós (e logo é natural que partilhem a mesma biologia) ele limitou-se a permanecer calado por uns instantes e a dizer que, na verdade, não tinha ouvido bem as noticias e não sabia realmente o que se estava a passar. Curiosamente, toda esta saída em defesa dos que sofrem com a tragédia levou-me a ouvir, mais uma vez, a pergunta que tantas vezes ouço.

“Mas afinal tu és americano ou português?”

Perguntei ao meu pai se, quando a pessoa X mencionava o sofrimento das vítimas do tsunami no sudeste asiático, alguém chamava à pessoa X indonésio. Mais uma vez, resignou-se ao silêncio. Parece que as nações pobres têm direito a sofrer uma catástrofe natural. As mais ricas não. E quando as sofrem, ainda são insultadas por isso. Aliás, os que as defendem são também insultados.

Disse-me que iria comprar o jornal amanhã para ler sobre o que tinha acontecido, com uma voz que evidenciava um sentimento de culpa pelas idiotices que tinha está a proclamar, demonstrando a mais pequena das solidariedades para com o povo americano (se alguma, de todo).

O anti-americanismo ou anti-bushimo (segundo os praticantes, o anti-bushismo é coisa temporária porque eles não são anti-americanos, apenas anti-bush) são ideologias crescentes. À semelhança do direito à propriedade (algo que é natural e não se consegue contrariar) que os comunistas dizem não existir, embora sejam os primeiros a ficar muito irritados com a expropriação dos seus bens, existe também outra característica humana que a esquerda gosta de ignorar – o individualismo. Mesmo quando as pessoas pensam de forma colectiva acabam sempre por defender os seus interesses pessoais e a verdade é que as sociedades socialistas acabam por ser as mais egoístas (toda a gente tenta passar por cima dos outros para obter o que quer).

Assim sendo, não é de estranhar que a culpa seja sempre dos americanos. Do aquecimento global, porque os americanos são uns capitalistas exploradores que fazem muita poluição. Da pobreza no mundo, porque exploram os recursos do hemisfério sul. Da guerra, porque só querem saber do petróleo. Do fanatismo cristão, que é intolerante e contra o multiculturalismo (i.e., terrorismo islâmico). A Europa e os países de paraísos comunistas ao melhor estilo de Cuba e Venezuela continuam a olhar para os EUA com um ar de superioridade – “vejam, nem os americanos estão a salvo!”, “aquilo parece um país de terceiro mundo”. Perante a tragédia, também a esquerda opta pelo desvio típico ao que acontece. Falam de Bush, Quioto, racismo, etc. Falam, com arrogância intelectual, da inevitabilidade do sucedido até perante a engenharia, a tecnologia e a riqueza. Lembrem-se esses de que se não morreu mais gente, como eu disse antes, foi precisamente pelo desenvolvimento tecnológico, próprio de um país como os EUA. Mas suponho que a tecnologia seja má. Afinal de contas, foi produzida destruindo o ambiente e quebrando o Protocolo de Quioto. A partir de amanhã toda a gente devia deixar de usar telemóveis, computadores, carros, satélites e televisões. Tudo isto porque o progresso tecnológico é insuficiente para evitar a tragédia e prejudica o ambiente. Logo, não é necessário.

Houve um comentário em específico que achei intrigante:

A importancia de certos blogs portugueses, é que ontem foi o dia de blog para arranjar fundos para as vitimas na America e por aqui andava tudo caladinho a ver se nao se falava na tragédia.
Hoje como já nao era possível calar mais, desata tudo a berrar que é sectarismo. Ainda querem estes blogs politicos ter credibilidade. Sois o sub-mundo!


Ana, comentário no blogue O Insurgente

Senhora dona Ana, os blogues liberais não são necessariamente blogues de apelo à caridade social. Falo por mim. Mas também posso falar por muitos outros porque sei que não foi o seu objectivo ao criá-los. Isso não quer dizer que não sejamos solidários com a tragédia. Na verdade, é contra isso que nos revoltamos. O seu discurso demonstra falta de coerência. Se ontem não defendemos a América é porque somos calados e não falámos na tragédia. Se hoje falamos é porque somos contra o sectarismo. Afinal, na sua perspectiva, devemos ou não defender as vítimas da tragédia? Não sei se reparou mas O Insurgente não é um blogue sensacionalista por isso o formato 24Horas / TVI que deseja implementar não resulta. Nunca nos iríamos ocupar com o preenchimento dos nossos espaços através de imagens da devastação do Katrina quando elas estão por todo o lado. Para quê? Toda a gente pode acompanhar os acontecimentos e havia pouco a dizer – a não ser expressar a solidariedade para com os lesados. A partir de hoje, a questão ficou altamente politizada porque os meios de comunicação parecem decididos a aumentar o anti-americanismo que existe em Portugal, desprezando completamente a causa dos acontecimentos.

E, já agora, se a senhora estivesse assim tão preocupada com os fundos para as vítimas, porque não nos deu a ligação para esses locais onde se fazem angariações de fundos? Também não as sabe? Sim, nós já tínhamos entendido. É que ao contrário da senhora, nós estamos conscientes de que Portugal é um país pobre. Por isso é que somos liberais e não socialistas. Mas imagino que, no seu ponto de vista, todos os pobres devem ser socialistas. Afinal de contas, seria lutar pelos direitos das classes mais desfavorecidas, ou não é assim que diz a cassete?

Relativamente ao Katrina, que partes sulistas dos EUA mantêm o seu racismo contra os negros, já nos sabemos. Mas que superioridade pode demonstrar um português (por ser “português anti-americano”) perante um americano? Por acaso ter-se-ão já esquecido de quem foi o monopolizador do tráfico de escravos para os estados americanos? A memória histórica em Portugal é uma coisa nula. E que moralismo cínico pode um português impor a um americano quando todos os anos ardem centenas de hectares em Portugal por culpa de proprietários, autoridades locais, etc. sem que o governo – essa entidade mística – preste auxilio? A somar os hectares ardidos de 2003, 2004 e 2005 já se vai quase em duas vezes a área do Luxemburgo. Portugal parece o Ruanda ou o Sudão? Não, Portugal parece pior do que o Ruanda e do que o Sudão. E os portugueses não têm espelhos em casa – talvez porque sejam importados dos EUA. Como o ódio é tanto, preferem ficar na ignorância do que realmente são.

Se amanhã cair um asteróide nos EUA, os meios de imprensa dirão que uma potência como os EUA não estava preparada para uma catástrofe de tal dimensão. Que vergonha. Se o asteróide cair na Europa criticar-se-ão os EUA por não terem previsto o desastre (assim como já aconteceu com o tsunami do sudeste asiático). Que se lembrem os críticos – se apontarem os dedos aos americanos estarão a desprezar as vítimas da tragédia. Se disserem que a culpa é da ineficiência do governo, então serão liberais, o que é bastante diferente de ser anti-americano. O grande problema é que, perante esta dicotomia, os críticos costumam ficar confusos, demonstrando a sua verdadeira natureza inconsistente.

Katrina e o anti-americanismo I

À semelhança do 11 de Setembro, os inimigos da América procuram com estes casos denegrir aquela que é a mais sólida democracia do mundo. Diz-se que se devia ter feito «x»; ratificado o protocolo «y». Que era «evidente». Gargalhadas histéricas acompanham as patéticas declarações de Hugo Chavez e Fidel Castro. Que Nova Orleães «parece» um país do Terceiro Mundo.

Certamente o é. Neste preciso momento, Nova Orleães, e tudo o que ela representava, desapareceu do mapa. Apenas resta o caos.


RAF, Blasfémias

---

Tal como já esperava (quem foi o tolo que disse que um pessimista se desilude menos vezes?) percebi um tom de alegria mal disfarçada nos comentários dos "especialistas" que tentavam explicar «como é que a nação mais poderosa do mundo se mostrou tão impreparada para esta tragédia». Os remoques de Chavez foram exaltados.


CAA, Blasfémias

---

Se bem percebi, foram os pobres os mais afectados pelo Katrina, o que aliás demonstra as injustiças do sistema americano, mas não os devemos ajudar porque os Estados Unidos são um país rico.

Quando se dá uma tragédia algures no mundo os media optam por divulgar as histórias de coragem e de resistência humana e por apelar à solidariedade em relação às vítimas. Excepto quando a tragédia ocorre nos Estados Unidos. Nesse caso os media optam por falar dos problemas da protecção civil, num alegado terceiro-mundismo, dos saques e nos conflitos internos entre políticos americanos.


João Miranda, Blasfémias

---

O anti-americanismo voltou hoje a sair à rua com as suas melhores roupas. Na Antena 1, a propópsito da devastação causada pelo Katrina em New Orleans citou-se (a despropósito) a guerra no Iraque, o 11 de Setembro e as criticas feitas por Hugo Chavez (esse democrata!) a Bush (esse tirano!).


Miguel, O Insurgente

---

Ainda que os numerosos e rancorosos imbecis que aproveitam a ocasião para dar largas aos seus impulsos anti-americanos não o compreendam, o que este tipo de atitude demonstra é o nosso próprio terceiro-mundismo e sub-desenvolvimento, e não o dos Estados Unidos.

Aquando do tsunami do ano passado na Ásia, centenas de milhares de pessoas foram atingidas sem terem sido alertadas. Agora, pediu-se e fez-se a evacuação possível. No entanto, a ideia que a comunicação social dá é que a América é podre e também ela pobre.


André Azevedo Alves, O Insurgente

---

Conclusão: a América, porque é rica, não merece piedade. A piedade é só para os pobres. Há seres humanos X – os bons - e seres humanos Y – os patifes. É como ver um melodrama mexicano ou novela venezuelana. Uma tragédia num lado qualquer é mesmo uma tragédia. Uma tragédia na América não é bem uma tragédia mas um casualidade natural. Para alguns, não somos todos iguais.


Henrique Raposo, O Acidental

---

É difícíl imaginar noticiário mais sectário do que o que acabou de passar na RTP1 sobre o furacão Katrina. A lista dos adjectivos é um manual do que não se deve fazer em jornalismo e as frases valorativas, sem nada de noticioso, são repetidas ad nauseam. Tudo para transformar o que aconteceu em Nova Orleães num panfleto contra a guerra do Iraque. Não me lembro de um tratamento noticioso de uma catástrofe qualquer, ocorrida fora de Portugal , feito desta maneira puramente acusatória. Só puramente acusatória, para atacar Bush e a guerra.


JPP, Abrupto

Friday, September 02, 2005

Mais TV, menos Liberdade


O Governo aprovou hoje, em conselho de ministros, o alargamento às empresas do pagamento da taxa de audiovisual que financia a televisão e a rádio públicas.

(…)


"Este Decreto-Lei vem alargar a base de incidência da contribuição para o audiovisual aos consumos não domésticos de energia eléctrica, passando, deste modo, a abranger a totalidade dos consumos de energia", acrescenta.

"Actualmente, esta contribuição incide apenas sobre o fornecimento de e nergia eléctrica para uso doméstico", refere.


---

Talvez fosse importante relembrar ao governo a situação de Inglaterra, que mantém a BBC com o dinheiro proveniente das licenças televisivas. Uma medida que, embora mais justa do que o sistema português – aumentar taxas indirectas em bens primários – não deixa de ser completamente absurda e restritiva das liberdades económicas. De qualquer das formas, com o dinheiro das licenças televisivas, £10.08 por mês, o Estado britânico oferece 8 canais interactivos, 10 estações de rádio, 50 serviços locais de TV e rádio e ainda mantém a página da BBC na Internet– um sítio com milhares de artigos actualizados a toda a hora.

Que oferece a RTP/RDP, por sua vez? 2 Canais de televisão, 2 ou 3 rádios e uma miserável página na Internet que nem sequer tem informação actualizada ou extensiva. Quem quer saber todas as notícias registadas pela RTP tem que ver o telejornal. Durante o resto do dia pactua-se com os programas para as avós e para os emigrantes desmiolados. Mais ainda, a RTP mantém canais como a RTP África, RTP Internacional, RTP Memória, etc. que não estão disponíveis aos que não possuem uma assinatura de televisão por cabo – chamam a isto serviço público?

Todos nós pagamos estes serviços através das taxas sobre o consumo de electricidade (se forem apenas essas). Bastante à semelhança das taxas que o governo aplica sobre os combustíveis que causam a subida artificial dos preços em aproximadamente 50%. Se contarmos com o IVA, então o aumento dos combustíveis é da ordem dos 70%. Se o serviço é mau e já pagamos taxas suficientes, para quê aumentá-las mais? Dirão os típicos críticos:

“Mas Portugal é um país pequeno e tem pouca gente!”.

Por isso mesmo. O Reino Unido tem 6 vezes mais habitantes e uma área 4 vezes maior. Contudo a BBC cobre 96% da população (que decide cooperar com a barbaridade do Estado em pagar uma licença para ter televisão) e proporciona serviços muito mais sofisticados do que a RDP. Eis como é possível fazer mais com menos. Não que concorde com o sistema britânico, obviamente, mas a sua existência evidencia a falácia do governo português.

Por tudo isto, por que razão se justifica a aplicação das taxas de audiovisual agora também às empresas? As empresas já têm suficientes problemas com as suas declarações de rendimentos, impostos de valor acrescentado e outros problemas burocráticos e fiscais. Para quê esta medida, quando se está a aumentar os tentáculos de um monstro da comunicação social pertencente ao Estado? Se os portugueses gostam assim tanto de financiar a RTP (mesmo que os impostos dos portugueses sirvam para financiar 50 RTP’s) talvez devam saber que os britânicos, apesar do que referi acima, pagam as suas licenças para serem enganados por uma estação de serviço repleta de parcialidade política.


Em Portugal tal não acontece porque todos os partidos são iguais, o que, no entanto, não impede a RTP de se tornar um canal cada vez mais sensacionalista, como tem vindo a fazer ultimamente.

Medidas estatistas como estas apenas contribuem para o afundamento cada vez maior da economia e para o aumento do poder do Estado, que possui um monstro de propaganda cada vez maior ao seu serviço.

Thursday, September 01, 2005

Por quem os sindicatos dobram

Muitas vezes, com o argumento da luta pelos direitos dos trabalhadores, os sindicatos tomam medidas que são completamente irrealistas e prejudicam tanto os empregados como os empregadores. A longo prazo, quem sofre é toda a economia.


Surgiu ontem a notícia de que há cerca de 30 mil trabalhadores portugueses no estrangeiro, no ramo da construção, em condições degradantes. Não é surpreendente e, na verdade, todos os portugueses sabem que a situação se verifica. Mais uma vez, dirigem as culpas para aqueles que são os menos responsáveis – os “porcos capitalistas”, dirigentes da exploração do proletariado (quem não se lembra, de repente, da luta de classes de Marx levante o braço).


O que acontece é que a notícia é bem clara. Foi opção destas 30 mil pessoas “viver no estrangeiro” trabalhando em condições miseráveis. Se assim não fosse, estariam no desemprego em Portugal. Ainda assim, encontram-se a trabalhar à margem da lei laboral desses ditos países. Como de costume, os sindicatos (neste caso, o Sindicato dos Trabalhadores da Construção do Norte) apontam o dedo às pessoas erradas.

"Os trabalhadores portugueses saem do seu país para receberem mais no estrangeiro, mas ainda assim ganham menos que os trabalhadores naturais dos países de destino, contrariando a lei laboral de qualquer país europeu", referiu [Albano Ribeiro]."


Sindicato admite «escravatura» de 30 mil na construção


A questão dos trabalhadores da construção não difere muito da industrial. O desemprego entre os operários aumenta porque as indústrias se deslocam para outros países. Novamente, os sindicatos não hesitam em apontar os dedos aos “exploradores estrangeiros” que, segundo eles, para além de desrespeitarem os direitos dos trabalhadores portugueses, fecham as fábricas para se deslocar para locais onde a mão-de-obra é mais rentável. Que faria qualquer um de nós se nos impusessem “contratos de trabalho colectivo”, regalias oportunistas para os nossos empregados, limites de produtividade, aumentos salariais calendarizados, igualdade salarial (realmente indiferenciada) e outros em troca de pouco rendimento e uma carga fiscal elevada? É evidente que deixaríamos Portugal porque, simplesmente, deixa de oferecer rentabilidade. Os investidores fogem e cada vez mais continuarão a fugir.


Todavia, os sindicatos continuarão a apontar o dedo aos “exploradores capitalistas”. Mesmo quando já não houver nenhum “explorador capitalista” que esteja disposto a aceitar tais condições.


O investimento em Portugal cai porque, para os empresários, o país não oferece estabilidade política. Não oferece uma política económica sólida nem possui uma lei laboral lógica e justa. Se o Estado decide dar “benefícios fiscais” às empresas, a população continua a encarar esse facto como um voto de confiança em vez de um direito fundamental. Se a empresa decide fechar e mudar a sua sede para Espanha – devido a menor burocracia, menor carga fiscal, etc. – existe uma revolta porque as pessoas se sentem traídas, não compreendendo que quanto mais dificuldades se oferecer aos investidores estrangeiros menos eles desejam envolver-se em problemas internacionais com países como Portugal. Acusam os estrangeiros de retirar o dinheiro de Portugal, prejudicando assim o país mas olvidam que, durante o tempo do seu funcionamento, a fábrica deu de comer a muitas dezenas, centenas ou até milhares de pessoas.


E, no entanto, continuam a observar-se fugas de trabalhadores para os outros países? Ainda é necessário perguntar porquê? Com tanto intervencionismo e proteccionismo (da economia, dos trabalhadores) não há investidor que se queira arriscar em Portugal. O resultado é o aumento do desemprego e a falta de competitividade a nível interno. Esta falta de concorrência gera ainda mais pobreza que, a larga escala, contribuiu ainda mais para o aumento do desemprego. Um verdadeiro ciclo vicioso. Atinge-se o ponto de ruptura quando nem sequer se consegue encontrar um emprego e se força o trabalho em condições deploráveis. Mais uma razão pela qual o capitalismo protege os direitos e liberdades dos cidadãos enquanto que o socialismo os leva a ignorá-los para poder sobreviver. Existe alguma dúvida de que estes trabalhadores não se importam de ganhar menos do que os nacionais dos países de acolhimento? Obviamente que não. Se voltassem para Portugal estariam novamente no desemprego. Até porque grande parte dos que os empresários decidem empregar não estão registados, precisamente para evitar todo o sistema de contratações vigente. O resultado disto é que – associado ao já mencionado problema de investimentos – o desemprego sobe ainda mais porque os empresários não sentem interesse em contratar portugueses, já que estes desejam estar devidamente sindicalizados, recebendo salários muitas vezes artificialmente elevados e outros que acarretam agravamentos financeiros para a empresa. Sofrem os trabalhadores à “margem da lei”, que por vezes ganham menos do que deviam, por exploração dos empresários, e sofrem os nacionais, que têm dificuldades em encontrar um lugar onde exercer o seu ofício.



As soluções são mais que evidentes. Portugal precisa de mais liberdade, mais capitalismo. Mais liberdade económica que resulte em mais investimento. Mais liberdade laboral que resulte em mais (e melhores) salários diferenciados, algo que premeie a qualidade, o rendimento e a excelência. Isto se quisermos evitar estas situações tristes que os sindicatos, contrariamente ao que se propõem fazer, forçam sobre os trabalhadores e suas entidades patronais.

Wednesday, August 31, 2005

I beg your pardon, Sir?

The image “http://www.fmsoares.pt/Destacaveis_acontecimentos/ms/Arafat2.jpg” cannot be displayed, because it contains errors.

As frases políticas do dia:

"Mas, neste momento, a candidatura que melhor serve os portugueses e mais contribui para unir Portugal é a de Mário Soares"

-- José Sócrates

Ainda mais colectivismo?


"Aceito candidatar-me à Presidência da República"

-- Mário Soares

Aceita? Alguém lhe pediu alguma coisa?