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Saturday, August 06, 2005

Sobre as democracias

Dois artigos de CN no blogue Causa Liberal que tomo a liberdade de republicar aqui já que não encontrei forma de dar a ligação específica aos artigos em causa. Espero que o CN não se importe, não fosse eu um respeitador da propriedade privada...

Levam a pensar profundamente na questão que se relaciona com a democracia e os seus fundamentos, os aspectos da social-democracia e as suas consequências e falhas lógicas. Como não reparei em mais ninguém a fazer referência a estes artigos na blogosfera liberal, achei relevante referi-los já que os vejo de extrema importância e parecem ter passado despercebidos.


Democracia Politica e Liberalismo-Democracia Civil

Imaginem um desses grandes condomínios residenciais, que os já existem, com vivendas, ruas, lojas, etc.

A gestão do condomínio estará a ser efectuado por uma empresas especializada, as decisões são tomadas em Assembleias previstas em estatutos, e a tradição-costume de convivência encarrega-se de um modus de convivência pacífico, que em última análise se destina a conservar e até a valorizar o património individual e comum dos proprietários, que determinam em última análise os regulamentos (o que é ou não permitido no espaço comum, manutenção, etc) e a sua constituição (estatutos).

De repente, por parte de residentes não proprietários (filhos de proprietários residentes, etc) surge a ideia de "revolução democrática":

A pretensão que o condomínio seja "democrático", que todos os maiores de 18 anos possam universalmente em "um Homem um voto" votar em eleições para "democráticamente" decidir os destinos no condomínio e isso inclui poder mudar a sua constituição (estatutos).

Podemos imaginar o que se poderá passar depois desta revolução: o actual paradgima social-democrata.

O igual voto convida a que a maioria se auto-legitime no centralismo democrático igualitário para ultrapassar a legitimidade do direito de propriedade dos condóminios. Os proprietários (em geral, pais e avôs de família) que enquanto o são detêm uma hierarquia natural com os seus filhos e convidados passam a disputar em minoria, o desejo da maioria se desligar dessa ordem natural.

É este o problema entre democracia civil (baseado em contratos e proprietários) e democracia política. E na base está a noção igualitarista das democracias modernas, que aparentemente resolveu "problemas" mas trouxe muitos outros, como a quase incompatibilidade do actual centralismo democrático moderno e a noção de liberdade numa ordem natural.


Igualitarismo e a alegoria da revolução democratica

Num post anterior dei a imagem das consequências previsiveis de uma revolução democrática num condominio.

Em qualquer arranjo de propriedade comum (empresas, condomínios), os interesses patrimoniais e o desejo de uma "ordem interna" que o valorize excedem os outros (o que não quer dizer que são os únicos em jogo).

A decisão de gestão e o pagamento das despesas (preservação, manutenção, investimetno) em comum são por vezes dificeis (principalmente, no caso português, onde a tradição era escassa e onde o processo de condicionamento do mercado de arrendamento produziu o maior dos desastres, um deles, a falta de cultura na gestão do património), mas mais tarde ou mais cedo os interesses práticos acabam por prevalecer (mesmo em Portugal, os condomínios entregues a empresas especializadas começam a funcionar relativamente bem - ainda que como disse, exista o problema cultural).

Agora, a Revolução Democrática seria estabelecer que todos os residentes maiores de idade votam em Eleições "Livres" para gerir os destinos comuns do condomínio, incluíndo:

- a forma de financiamento, o que inlcui - como nas democracias politicas - a capacidade de impor a redistribuição de rendimentos interna
- definir o aparato coercivo (tribunais e judicial) de impor essas decisões (ou seja, quem nao cumpre, tem o arresto dos bens e a ameaça de rapto - ou seja, prisão, na linguagem estatista).

A isto, os democratas (politicos) chamam de única forma de governo "legitima" e em "paz". Um sistema que ultrapassa os proprietários, onde os maiores de idade-quando não os menores - ganham a independência do "dono da casa" (normalmente os pais/etc) e podem até, pelo efeito da maioria - condicioná-los - e se sentem "livres" da educação e autoridade do patriarca (proprietário) - o Estado central para se impor precisa de "libertar" o individuo da familia e comunidade (para isso condicionou - começou com Napoleão - a tradição da herança primogénita para forçar à decadência das propriedades de familia).

Não pode existir liberalismo ou qualquer espécie de saudável conservadorismo no igualitarismo do estado social-democrata. "Um homem um voto" em tese parece uma boa ideia para determinadas decisões colectivas, mas por alguma razão todos os liberais clássicos do século 18 e 19 alertaram para o despotismo do centralismo democrático e o igualitarismo de voto universal.

Remédio? A descentralização política e administrativa. Mesmo que num condomínio se institua o voto universal, é mais dificil que se transforme numa social-democracia alargada porque:

- a proximidade dificulta a agressão confiscatória
- o direito de "sair" é fácil de exercer
- o interesse em manter o condomínio atractivo (ou seja, valorizado) para potenciais compradores impede tentações suicidas

A última pergunta, quem é que compraria uma residência num condomínio com o voto universal de todos os residentes com maiores de 18 anos no sistema "Um homem um voto"?....Bem me parecia.

Friday, August 05, 2005

Exigências islâmicas

Al Qaeda ameaça Reino Unido e EUA

O «número dois» da rede terrorista Al Qaeda, Ayman Al-Zawahiri, ameaçou esta quinta-feira o Reino Unido de «mais destruições» e os EUA de «catástrofes piores que as do Vietname», num vídeo difundido pela Al Jazeera.

(...)

«Blair levou-vos à destruição e vai levar-vos a mais destruição e catástrofes, a não ser que travem a agressão contra os muçulmanos.

Abandonai os nossos países», sublinhou Al-Zawahiri na primeira aparição pública desde há já vários meses.

---


Objectivos da agenda de Al-Zawahiri para parar a agressão aos muçulmanos e consequente invasão de território sagrado do Islão e dos "seus" países:


1. Tropas anglo-americanas retiram do Iraque.

2. Coligações internacionais forçadas a retirar do Afeganistão devido a pressão dos meios de comunicação social, partidos socialistas, pacifistas, anti-americanos e do eixo franco-alemão.

3. Sublevação em antigas repúblicas soviéticas financiadas por grupos islâmicos.

4. Colonatos judeus retiram da Palestina. Israel fecha-se sobre si mesma.

5. Levantamento na Indochina. Indianos retiram de Caxemira.

6. Alemães retiram de bairros turcos.

7. Bases americanas nos países que fazem fronteira com o Irão evacuam sob a ameaça de mísseis apontados em rota de colisão.

8. Franceses retiram-se dos guetos argelinos. 1/4 do país é tomado. Apoio dos grupos de esquerda que dizem ser um gesto de afirmação contra a discriminação.

9. Atentado terrorista na Praça de São Pedro. Apoio dos ateus europeus e americanos que defendem a liberdade religiosa.

10. Emigrantes albaneses atacam em Itália, financiados por grupos nacionalistas radicais.

11. Evacuação em Birmingham dos bairros de Sparkbrook Small Heath e Ladywood.

12. Líderes muçulmanos de todo o mundo aparecem na BBC, CNN e outras dizendo que tudo não passa de uma manifestação de radicais fundamentalistas que nada têm a ver com o Islão.

12. Arábia Saudita manda enviados especiais aos EUA para avaliar as "condições inaceitáveis" em que vivem os seus emigrantes.

13. Bósnia-Herzegovina invade Croácia e Sérvia-Montenegro pondo um ponto final aos problemas nos Balcãs.

14. Londres a ferro e fogo. Britânicos fogem para outras cidades. Socialistas escoceses irrompem em defesa das minorias étnicas. Bethnal Green deixa de pertencer a Inglaterra.

15. Turquia invade Chipre. Grécia e Bulgária declaram estado de alerta máximo.

16. Nova aparição pública de líderes islâmicos que apelam à calma do mundo ocidental garantindo que os emigrantes islâmicos nada têm a ver com a Jihad.

16. Nasce um novo Paquistão.

17. Populações andaluzas e extremenhas batem em retirada para Madrid. Devolução do Al-Andalus a Marrocos. Apoio francês ao movimento de solidariedade para com os refugiados da guerra infame levada a cabo, obviamente, por Espanha.

18. Tchetchénia independente.

19. Invasão do Al-Gharb (Algarve, em português) pelos califas do Al-Andalus. Apoio do PSOE no âmbito da "alianza de civilizaciones".

20. Extinção de Israel e revolta interna em Nova Iorque contra habitantes judeus.

20. Líderes islâmicos insurgem-se contras as críticas americanas dizendo que toda a situação foi potenciada pelas invasões de territórios sagrados por parte de um país com tiques imperialistas. Apoio de partidos comunistas e socialistas.

21. Presidente da UE é líder da Al-Qaeda. Americanos expatriados da Europa.

22. A UE torna-se um Estado federado de religião oficial muçulmana com aplicação da lei Shari'a em toda a sua extensão através da MEDEA.

23. Conservadores americanos declaram guerra à Europa. Democratas americanos acham que é um desrespeito para com outra cultura, outros costumes.

24. Guerra civil nos EUA. Islâmicos e democratas lutam contra os conservadores com apoio da UE, especialmente dos líderes regionais do antigo eixo e dos descendentes de Zapatero em Espanha e Galloway em Inglaterra. Libertários americanos continuam a lutar pelo direito a fumar droga e pela liberalização da prostituição, abstêm-se da guerra afirmando que qualquer manifestação bélica do Estado é repudiável.

25. Extinção em massa de cristãos por todo o mundo. Todas as outras religiões são extintas pois são uma heresia e um desrespeito para com Alá. Democratas voltam a defender o regresso à escravatura.

26. Democratas, islâmicos e ateus vencem a guerra nos EUA. Ateus são alvo de genocídio em massa em caso de recusa perante a conversão. A declaração de independência de 1776 e a constituição americana de 1789 são destruídas. A bandeira americana é destruída. O mundo finalmente vive em paz e sossego sob a alçada de uma ideologia pluralista, liberal, tolerante e, acima de tudo, pacifista.


Portugal on fire

Esta imagem de satélite cedida pela NASA dispensa comentários.

A ler, os artigos indignados de João Miranda no Blasfémias, aqui e aqui.

A imagem é de ontem, 4 de Agosto. Veremos o que a NASA tem para nos mostrar mais tarde. Hoje acordei com o cheiro a queimado, podendo ver também um sol de cor vermelha. Há fumo por todos os lados mas não há incêndio nenhum. O fumo, simplesmente, é tanto que cobre várias áreas. Hoje há noite existiam 32 fogos activos.

Portugal em chamas

País a arder

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Thursday, August 04, 2005

Quando a crise aperta

Plano de emergência para emprego arranca hoje

Um "novo contrato de emprego" em França entra hoje em vigor, com um mês de antecedência em relação ao previsto, para tentar reduzir o desemprego. Os sindicatos contestam a medida e prometem manifestar-se em Setembro.

Dirigido às empresas com menos de 20 assalariados, a nova legislação permite, nomeadamente, despedir sem justificação especial, dois anos após o recrutamento. A medida aprovada na passada terça-feira por despacho especial, sem necessitar de ser debatida e votada no parlamento, está a ser contestada por parte da oposição e dos sindicatos.

Os sindicatos já revelaram que estão a preparar manifestações para a segunda quinzena de Setembro, porque o "novo contrato de trabalho acrescenta insegurança social e plano visa apenas manipular as estatísticas", argumenta Maryse Dumas, secretária da Confederação Geral do Trabalho. Também Jean-Louis Walter, secretàrio geral do sindicato CGC, afirma que "estas medidas não deverão melhorar a situação".

"Estas medidas vão produzir efeitos massivos contra o desemprego dentro de 18 meses", garantiu, por outro lado Jean-Louis Borloo, ministro do emprego.

É espantoso que quando a situação é de iminente de colapso se tomam medidas de liberalização. Já conhecemos o exemplo da China. Conhecemos também, há poucos dias, o exemplo da Rússia – dois países de núcleo duro colectivista que abrem zonas especiais para fazer a economia crescer um pouco. Agora temos o exemplo da França, que não é nada mais, nada menos do que o bastião do socialismo europeu. O governo francês tinha imposto já anteriormente uma medida que limitava as horas de trabalho a 35 por semana o que fez com que, de acordo com as estatísticas, a produtividade caísse 4,3%. No início do ano foi anunciado que a lei iria ser revista porque, obviamente, a França estava a perder terreno para as outras potências europeias. A taxa de desemprego por territórios de Monsieur Chirac tem andado a rondar os 10% quase de forma inalterada e surge agora esta medida como forma de a tentar reduzir. Uma medida que permite o mercado, e não o governo, decidir como são tomadas as decisões. Parece óbvio mas talvez os franceses preferissem ficar todos no desemprego a admitir que des anglais et des americains têm mais razão do que eles.

Wednesday, August 03, 2005

A Natureza do Espaço e do Tempo

Publicado, em versão adaptada, na revista "Pulsar" em Março de 2005

[Em co-autoria com Marco Robalo]

Introdução

A Natureza do Espaço e do Tempo

A teoria quântica de loops, ou gravidade quântica canónica (em inglês Loop Quantum Gravity) é uma teoria que tenta unir as aparentemente incompatíveis teorias da relatividade e de mecânica quântica através de um processo de quantificação do espaço-tempo (geometria quântica) embora de início o seu objectivo fosse apenas postular uma teoria quântica de gravitação. Partindo do conceito da independência de fundo (à semelhança da relatividade geral) a LQG assume igualmente uma quantização do espaço-tempo.

Nascida na década de 80, tem-se tornado ultimamente numa das teorias concorrentes das Teorias de Cordas – que igualmente pretendem unir a mecânica quântica com a relatividade geral – mais promissoras. Uma vez que a LQG parte de conceitos mais próximos à relatividade geral do que as teorias de cordas, que se baseiam essencialmente em física quântica, tem existido nos últimos anos uma discussão muito acesa na comunidade de física teórica, entre defensores de teorias de cordas e oponentes a estas teorias.

Outras leituras recomendadas para maior aprofundamento sobre a matéria (em inglês):

Lee Smolin, Three Roads to Quantum Gravity

Abhay Ashtekar, Gravity and the quantum

Lee Smolin, Atoms in Space and Time, Scientific American, January 2004

Carlo Rovelli, Loop Quantum Gravity, Living Reviews in Relativity 1, (1998)

Carlo Rovelli, Quantum Gravity, Cambridge University Press (2004)

Lee Smolin, Edge: LOOP QUANTUM GRAVITY, 2003

Abhay Ashtekar, Quantum Geometry and Gravity: Recent Advances

Lee Smolin,
How far are we from the quantum theory of gravity?

Tuesday, August 02, 2005

E o senhor? Tem referências?

Uma pequena nota para agradecer aos autores dos blogs The Guest of Time, O Observador e A Arte da Fuga por me terem referenciado.

Um agradecimento especial para os autores d’O Insurgente por terem colocado o meu humilde blog em destaque.

A preocupação americana

Na edição do Diário de Noticias de ontem aparecem vários artigos importantes sobre uma parcela da história contemporânea portuguesa que, infelizmente, muitos dos que andam por ai desconhecem verdadeiramente ou que simplesmente fingem saber. É bastante comum ouvir palavras de ordem de cariz comunista relembrando a “liberdade” do pós-25 de Abril. O DN vem hoje relembrar um pouco dessa “liberdade” tão evidente que até colocou os americanos de cabelos em pé já que Portugal era membro da NATO e estaria a seguir uma via comunista. Liberdade, de facto. Com alguns sectores nacionalizados para dar o poder ao povo, i.e., ao Estado, Portugal encaminhava-se provavelmente para uma desgraça ainda maior do que a ditadura precedente. Em plena Guerra Fria, os EUA preocupavam-se com um cancro dentro da própria estrutura ocidental. Aqui ficam as ligações dos artigos:

"Se os comunistas avançam podemos esmagá-los"

Portugal estava no centro das atenções da Administração norte-americana no período do Verão Quente de 1975. Henry Kissinger tinha a célebre teoria da vacina e chegou a achar que o País estava perdido para os comunistas. Mas foi convencido, nomeadamente pelo embaixador Frank Carlucci, e os Estados Unidos deram o seu apoio aos chamados moderados do regime, cuja vitória foi selada a 25 de Novembro. O receio americano de um domínio esquerdista em Portugal era tal que os oficiais eram afastados do grupo nuclear da Aliança Atlântica


Gravação Telefónica
O que Henry Kissinger dizia sobre Portugal



O 'DIáRIO DE NOTíCIAS' há 30 ANOS
Soares e 'os bacilos do fascismo'

Para quem costuma acompanhar as declarações feitas por Saramago nas suas visitas a Cuba, este artigo é verdadeiramente curioso.

Nem de propósito em artigo de opinião, o futuro Prémio Nobel da Literatura defendia a punição exemplar de quantos se opunham à escalada revolucionária. "Ou esta revolução se suicida ou esta revolução se recupera pela única via que lhe deixam aqueles que a querem liquidar: a violência exercida implacavelmente contra os responsáveis pela violência, quem quer que sejam", escrevia Saramago há 30 anos.

E mais uma vez, aparentemente, se confunde a noção de liberdade com libertinagem:

Outro título "Empregadas domésticas ocupam casa no Porto". Tratava-se do número 1003 da Avenida da Boavista, logo transformado em "centro polivalente de apoio às domésticas".

Como pode haver liberdade se não há respeito pela propriedade privada?

Um livro que se encontra publicado pela Editorial Notícias dá precisamente conta deste período da Revolução e da influência que os representantes americanos nela exerceram. A ler.


Os Americanos na Revolução Portuguesa
(1974-1976)
de Tiago Moreira de Sá

Sunday, July 31, 2005

93 anos de um prémio Nobel

Digam o que disseram os fanáticos socialistas e outros energúmenos de esquerda militante, o currículo profissional deste homem não deixa margem para dúvidas como se pode constatar neste Curriculum Vitae. Uma vida com sucessos dignos de fazer inveja a qualquer académico.

Um verdadeiro Chicago Father, fazendo jus ao nome das gerações seguintes de economistas que foram influenciadas pelas suas obras enquanto construtor daquela que é normalmente conhecida como a “Escola de Chicago”.

Muitos Parabéns pelo seu aniversário, Prof. Friedman. E muito obrigado pelo seu legado.

Friday, July 29, 2005

Ano de matrícula - 1984

Governo vai criar BI electrónico para veículos

O Governo pretende criar um sistema de identificação electrónica para veículos, arrancando ainda este ano com o concurso para a escolha da tecnologia a utilizar, anunciou, na quarta-feira, o secretário de Estado Adjunto e das Obras Públicas, Paulo Campos.

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Parece que o Governo não está simplesmente contente com a ideia de implementar uma base de dados genética e decidiu também aplicar essa realidade aos automóveis – Huxley é insuficiente, adicionemos um pouco de Orwell. Argumentos? Os típicos: segurança, desburocratização, civismo Resultados? Maior controlo do Estado sobre o cidadão e um número maior de desculpas para aumentar a despesa pública.

Aprendam porque, ao passo a que as coisas caminham, os liberais não durarão para sempre: a retenção de informação por parte do Estado só beneficia o próprio Estado. Quanto ao cidadão, apenas é prejudicado, quer por uso indevido dos seus perfis quer pelo aumento dos custos governamentais que se reflectem sempre nos impostos e noutras taxas "mais indirectas".

A verdade é que se o próprio Orwell ressuscitasse hoje, morreria novamente. E desta vez não seria de tuberculose.

Comutação de propriedade?

Partidos movimentam-se em defesa de 'O Comércio do Porto'

(...)

A esta questão não tem estado alheia a proximidade das autárquicas. Os adversários políticos de Rui Rio (PSD) têm-se manifestado publicamente em defesa do jornal, criticando as escusas do actual presidente da câmara em desenvolver esforço para travar o eventual encerramento.

(...)

Francisco Assis, o candidato socialista, reuniu-se ontem com a direcção do diário e apelou aos empresários do Porto e à cidade para que segurem o título. O líder da distrital do PS/ Porto co-responsabiliza várias câmaras da área metropo- litana por não manifestarem a sua posição, visando em particular Rui Rio, que, em seu entender, "se desligou completamente da questão".

(...)

Para o bloquista, esta iniciativa pode, "pelo seu carácter simbólico, mostrar que estamos atentos e valorizamos aquilo que o Comércio representa" "um exemplo de pluralidade, atento ao jornalismo de investigação, que está a renovar-se e precisa de tempo para apresentar resultados", afirmou.

(...)

O líder da distrital do PSD/Porto, Marco António Costa, também declarou a sua preocupação, lamentando que a Prensa Ibérica "trate um jornal centenário como se de uma mercearia se tratasse".


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O meu respeito pelo Comércio do Porto (que nunca li) mas que sei ter colaboração com o Blasfémias como pode ser visto aqui. No entanto, a minha pergunta é simples. Após ler esta notícia fiquei a pensar, afinal quem é o proprietário d’ O Comércio do Porto? A Prensa Ibérica ou certos partidos políticos?


Thursday, July 28, 2005

Déjà vu?

Governo anuncia auditoria conjunta a todos os ministérios

Afinal, os ministérios vão ser avaliados em simultâneo e não dois a dois como o Governo anunciou inicialmente. O secretário de Estado da Administração Pública, João Figueiredo, revelou esta quinta-feira, no Parlamento, a nova metodologia para auditar os ministérios.

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É impressão minha ou foi assim que Salazar começou?

Wednesday, July 27, 2005

RIP

RIP dominam exportação

Noventa e cinco por cento dos lixos exportados legalmente no ano passado eram resíduos industriais perigosos (RIP), num total de 111 510 toneladas. Destes, 11 818 toneladas saíram do País com destino a processos de valorização, enquanto 99 693 tiveram como fim a eliminação em aterro ou a incineração. Números que fazem parte do último relatório anual do Instituto de Resíduos, relativo a movimentos transfronteiriços, ainda não publicados. Em relação a 2003, verificou-se um aumento na exportação de RIP na ordem das 22 360 toneladas. Um valor que deverá sofrer reduções drásticas quando entrarem em funcionamento os Centros Integrados de Recuperação, Eliminação e Valorização de Resíduos Perigosos e a co-incineração. Restarão para exportação os materiais organoclorados, PCB e pesticidas.
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Quando vi isto fiquei a pensar durante uns segundos se os editores do DN não se teriam confundido com as funções sintácticas e a morfologia das palavras, e em vez de "RIP dominam exportações", talvez quisessem dizer algo do género "Exportações dominantemente RIP"?


Façam as vossas apostas

Portugueses "campeões" do Euromilhões

Já apostaram 626 milhões de euros no jogo

Os portugueses são quem mais aposta no Euromilhões, que funciona em nove países da Europa. Portugal está no primeiro lugar no montante de apostas: 626 milhões de euros, ao longo dos últimos nove meses.


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Parece mentira mas é verdade. Certamente não tenho eu autoridade nenhuma (nem quero ter) para dizer a muitos portugueses que andam por aí que aproveitem melhor o seu dinheiro. Afinal de contas, é sua propriedade privada e cada um faz (ou devia fazer) o que muito bem entender com o seu próprio dinheiro.

Não deixa de ser curioso, no entanto, o facto de que sendo Portugal o pais que participa no Euromilhões que tem a maior crise económica, obtenha o primeiro lugar na classificação de apostadores, junto dos restantes países europeus. Fica-se com a sensação de que os portugueses nunca souberam, realmente, aplicar muito bem as suas economias, nem geri-las com muito sucesso. É um caso quase semelhante aos milhares de famílias endividadas devido às facilidades de crédito a que os portugueses decidiram acorrer na década passada – um pouco como aqueles créditos por telefone que agora andam aí dizendo que dão dinheiro na hora mas em que depois é necessário pagar quatro vezes mais aquilo que se pediu.

No fundo, isto continua a revelar um grande sebastianismo da população. Quando falamos com alguém a pessoa certamente dirá que as coisas estão más (embora não reconheça as suas causas), tendo no entanto uma réstia de esperança que é representado, não pela sua capacidade individual de melhorar a situação mas na crença de que algo irá ajudar a fazê-lo. É um pouco como o Euromilhões. Grande parte do país está em crise económica. O investimento estrangeiro caiu a pique durante 2004 – os estrangeiros fogem agora a sete pés (algo que em alguns sectores da população será sempre estupidamente bem visto) – as taxas de juro ameaçam aumentar e os impostos sobem quando o país já está numa situação instável. No entanto, aqui está a prova. Entre todos os países que participam no Euromilhões, Portugal destaca-se pela sua crença no sistema de apostas. Todos os países participantes possuem um PIB per capita superior ao português, coisa que ninguém esperaria diferente. Na verdade encontram-se na lista de apostadores o Luxemburgo, que é o país com o maior PIB per capita do mundo e a Suiça, que é apenas o segundo país mais rico por habitante da zona euro. A situação é pertinente. Todos os países participantes situam-se entre os primeiros 25 do mundo, à excepção de Espanha (39º) e Portugal (54º).

Portugal necessita urgentemente de uma educação em economia. De outra forma não seria normal ser atacado por ser liberal, algo que acontece todos os dias. De outra forma, não seria necessário explicar a toda a gente que se somos de direita, não apoiamos Salazar e que se somos anti-socialistas, não somos fascistas. É obvio que os portugueses não sabem o que dizem. E é obvio que esta é a razão pela qual, quando se procura qualquer coisa na google, se vai sempre parar a um blog de “esquerda”. Não haveria necessidade de ferver o sangue todos os dias porque toda a gente à nossa volta é socialista nem haveria uma necessidade tão grande de ligar todos os blogs liberais entre si porque, simplesmente, as pessoas teriam um espírito mais empreendedor e reconheceriam o seu direito a gerir a sua propriedade como um direito fundamental.

Todavia, muitos portugueses continuam a desprezar que o Estado lhe retira injustificadamente os seus ganhos e que existem, simplesmente, maus investimentos e negócios falidos à partida. Outro grande exemplo disso é a falta de perspicácia empresária que consiste em abrir uma pastelaria numa rua onde já existem três. Vi casos semelhantes vezes sem conta e depois tive que ouvir os proprietários a queixar-se de que “isto está mau” e que “não rende ter um negócio aberto”. Antes de mais, é preciso – uma vez que esta inteligência parece não ser intrínseca – educar as pessoas para a gestão de qualidade do seu dinheiro e para ter olho quanto aos investimentos. Saber dar o valor devido ao seu dinheiro.

Os liberais não seriam bodes expiatórios da comunicação social para tudo o que de mal acontece no mundo (essas “tendências neoliberais imperialistas de capitalismo selvagem neocolonialista”) nem tanto dinheiro seria desperdiçado inutilmente.


Quase parece que os portugueses têm pouco conhecimento do ramo da matemática que trata de estatística e probabilidades no que toca aos jogos de azar. Quanto mais indivíduos jogarem, mais difícil é que o prémio saia mas, como diria qualquer um, “se não jogar é que não sai mesmo, não é?”.

Tuesday, July 26, 2005

Adeus, economia submersa, até depois!

Estado recuperou 91 milhões de euros em dívidas à Segurança Social

O Estado recuperou mais de 91 milhões de euros em dívidas atrasadas nas contribuições para a Segurança Social, anunciou hoje o Governo. Do lado dos beneficiários, as acções de fiscalização permitiram uma poupança calculada em oito milhões de euros.

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Talvez assim já se possam aumentar os ordenados dos pobres políticos, gestores de empresas públicas e zelosos funcionários públicos que ganham salários reduzidíssimos? Ou talvez aumentar o número de empregados. Há que combater o desemprego!

Afinal de contas são apenas 20% em termos de percentagem do PIB, ali mesmo colados aos países nórdicos e à França.

(Será que se lembraram de cobrar os impostos em atraso ao novo ministro das finanças?)

Monday, July 25, 2005

Ainda a base de dados

Um comentário, que considerei de grande relevância, enviado pessoalmente por M. De la Torriente quanto ao assunto previamente discutido acerca da base de dados genética em Portugal. Achei digno de publicação. Muito obrigado pela colaboração!

“Base de dados genética…pedida por quem?”

Por quem tem os portugueses na mão.

Governos de qualquer cor politica aí (…há realmente mais do que uma cor?), com a mesma constante; é sempre um estado regulador e opressivo, que mantém um controlo enorme sobre toda a vida do país, sobre como pensam e se comportam os cidadãos. E esse nível de controlo chega ao ponto em que se torna impossível o pensamento crítico por parte da população.

Estes sistemas não são novos e sempre provaram ser muito eficazes para evitar todo o tipo de reacções; conseguem não só que não se questione o governo – como o Estado em si – mas também toda organização do país, que fica constituida como algo intrínseco à sociedade. Isto é, o sistema e a sociedade que controla são uma simbiose, e os cidadãos, ainda que renitentes em admiti-lo, sentem-se, e na realidade delatam-se, como parte desse sistema na sua vida diária. Em nada se manifesta melhor este feito do que a uniformidade ideológica que prevalece no país.

Apenas isto explica o que noutras circunstâncias seria uma estranha falta de reacção por parte da sociedade portuguesa perante o que pode ser o atentado mais sério contra os seus direitos civis, um atentado que é contrário a todo o estado de direito e é único entre os países ocidentais.

Poderíamos dizer aqui que apenas a falta de informação está a evitar a reacção normal por parte da população mas isso apenas o explicaria em parte. Porque uma ameaça de tal calibre teria chegado já a todos os centros de opinião em Portugal. E de facto assim foi, tendo sido recebida mais com indiferença o até com entusiamo como pudemos ver na entrevista.

Ainda assim, há que tentar alertar aqui no que possamos os poucos que ainda seguem “despertos” no país. Se é que ainda há esperança.

O primeiro, e mais importante, nenhum governo tem o direito de fazer isto; sob nenhuma lei que queira inventar. Qualquer medida assim tomada é contrária aos direitos mais fundamentais dos indivíduos, é, obviamente, totalmente contrária à privacidade, e pode dizer-se que equivale a entregar ao governo a pessoa em si. De facto – e não estou a tentar dizer que nada assim se passaria mas, e é importante para que entendam até que ponto é transcendente – podiam clonar as pessoas num futuro próximo. Volto a sublinhar que não há razão para pensar que nada assim se passaria mas isso dá uma ideia da envergadura do que se está a entregar. É toda a informação para construir cada pessoa. O mapa genético é precisamente isso. Para não falar de que teriam o ADN em si mesmo.

Mais informação, conclusões do congresso dos Estados Unidos sobre as bases genéticas:

(1) The DNA molecule contains information about one's probable medical future, and this information is written in a code that is currently being broken at a rapid pace.

(2) Genetic information has a history of being used by governments to harm individuals.

(3) Genetic information is uniquely private and personal information that should not be collected or disclosed without the individual's authorization.

(4) The improper use and disclosure of genetic information can lead to significant harm to the individual, including stigmatization and discrimination in areas such as employment, education, health care, and insurance

5) An analysis of an individual's DNA provides information not only about an individual, but also about that individual's parents, siblings and children, thus implicating family privacy.

(6) Genetic information is uniquely tied to reproductive decisions which are among the most private and intimate decisions that an individual can make.

(7) Current legal protections for medical information, tissue samples, and DNA samples are inadequate to protect genetic privacy.

(8) Uniform rules for the collection, storage and use of identifiable DNA samples and private genetic information obtained from them are needed both to protect individual privacy and to permit legitimate genetic research.

E ainda:

Dr. Paul R. Billings is chairman of the Council for Responsible Genetics, a Massachusetts-based public interest group. He said the new Stanford report is important because "these are very highly qualified biostatisticians" who show that there are strategies "that result in a situation where anyone with a limited amount of genetic information about a person can find very intimate information about that person."


SOURCES: Russ B. Altman, M.D., Ph.D, professor, genetics and medicine, Stanford University School of Medicine, Palo Alto, Calif.; Paul R. Billings, M.D., Ph.D, professor, anthropology, University of California, Berkeley; July 9, 2004, Science

O governo merece tanta confiança cega? Pode o governo de um país que se estima a si mesmo como um estado de direito fazer algo assim?

Neste momento apenas os governos da Estónia, Terranova, China, Singapura e Tonga estão a pensar em trabalhar em bases de dados genéticas e ainda nesses casos duvido que sejam bases genéticas forçadas a nível nacional como a que se quer implementar em Portugal…nesta mesma legislatura.

M. De la Torriente